Comentários em: Opinião: “Memórias de um Vampiro” de Rafael Loureiro https://branmorrighan.com/2011/06/opiniao-memorias-de-um-vampiro-de.html Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Wed, 23 Dec 2020 21:04:31 +0000 hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 Por: Vitor Frazão https://branmorrighan.com/2011/06/opiniao-memorias-de-um-vampiro-de.html#comment-3373 Fri, 17 Jun 2011 11:30:34 +0000 #comment-3373 Tinha prometido que daria a minha opinião sobre esta obra quando publicasses a tua, por isso aqui fica (sorry, acabou por ficar maior do que estava à espera).

Para já, estou consciente que todo o que diga sobre um livro de dark fantasy é muito subjectivo (ainda mais do que o habitual) pois é condicionado pela minha afinidade ao género. Não obstante, procurarei ser objectivo.

O mundo de “Nocturnus” parece-me uma mistura dos universos de “Highlander” e RPG “Vampire”. Não estou com isto a acusar o autor de nada, nem a queres adivinhar as suas influências (aliás, nessa matéria prefiro perguntar directamente a quem é de direito), porém, suspeito que outros leitores familiarizados com os conteúdos que mencionei verão os mesmos traços. De qualquer modo, atenção, isto não é um ponto negativo, muito pelo contrário, foi esse gostinho a familiar, embora com elementos suficiente para os diferenciar dos anteriores, que me despertou o interesse para a história. O modo como o autor narra o passado de Daimon faz lembrar os flashback que Duncan MacLeod sofria na série “Highlander” e as Descendências encontram paralelismos com os Clan e Bloodlines de Vampire, embora não sejam tal e qual (já o disse antes, têm elementos mais que suficientes para se diferenciar um conteúdo do outro).

No que diz respeito à escrita não tenho nada a apontar, é acessível e embora pessoalmente preferia narrativas mais desenvolvidos, também compreendo que um ritmo acelerado funcione bem com certas histórias, prendendo o leitor e incentivando-o a devorar o livro. O mesmo digo da presença de uma dicotomia vincada entre Bem e Mal, sendo obvio desde o início quem alinha com que secção. Eu gosto que as obras que leio tenham mais cinzento, com personagens em conflito entre os dois lados e vira-casacas à mistura. O que não significa que não aprecie esse conteúdo em determinadas obras…
Tais condicionantes não são para mim dealbreakers, pois considero-as opções perfeitamente viáveis, que agradam a um vasto leque de leitores. Os únicos elementos que me desagradaram na obra foram: a origem dos vampiros e o facto destes receberem poderes logo que se transformam.

Não entrarei na questão de, por vezes, saber a origem deste ou daquele elementos apenas prejudicar a narrativa, o autor tomou um decisão que achou crucial para o leitor entender o fio condutor da história e respeito isso, porém, não me peçam para “engolir” anjos. É algo pessoal, não os suporto, particularmente tendo em conta o modo como a maioria dos livros actuais os descreve.

Quando ao facto de inúteis e choramingas se tornarem super-heróis simplesmente por serem transformados em vampiros, sem haver qualquer learning curve, também não me caiu bem, contudo, compreendo que tal opinião provenha das minhas ideias preconcebidas do que deve ser um vampiro.

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