B Fachada – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:35:51 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png B Fachada – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Entrevista a B Fachada, Músico Português [Banda Fusing] https://branmorrighan.com/2014/08/entrevista-b-fachada-musico-portugues.html https://branmorrighan.com/2014/08/entrevista-b-fachada-musico-portugues.html#respond Sat, 02 Aug 2014 15:30:00 +0000 Bernardo Fachada, uma das caras da nova música portuguesa, lançou recentemente o seu décimo terceiro disco, novamente homónimo – B Fachada. Após cinco anos e meio de intensa produção, doze discos, parou ano e meio e se muitos estão convencidos que o B caiu, e que agora é só Fachada, desenganem-se. Ele continua com o B bem presente no seu nome artístico e, a propósito do festival Fusing, aceitou falar comigo sobre a sua carreira e o seu futuro. Uma conversa muito bem disposta em que desvendei não só a questão do B, como descobri que se o Bernardo escrevesse um livro, seria uma novela! Entre um e outro, falou-nos então da sua música e o seu percurso. 

Não pude começar a entrevista, sem interrogar Bernardo Fachada sobre o boato do seu nome artístico original – B Fachada – ter perdido o B e passar a ser só Fachada. Ele esclareceu, foi apenas um mal entendido: «Isso foi um equívoco, não foi uma cena a sério. Eu não posso mudar de nome, é o meu nome – Bernardo Fachada. Eu tinha dito ao pessoal que trabalha comigo que ia começar a usar só Fachada, em algumas circunstâncias, em tom de diminutivo. E eles puseram isso como se fosse uma mudança de nome. E, claro, toda a gente se agarrou ao fait diver. Toda a gente gosta de agarrar aos faits divers e eu agora vou ter de recuar um bocado com isso. »

Mas será que era um desejo do Bernardo, ficar só Fachada? Ele respondeu-nos: «Ninguém me trata por B Fachada. No meu círculo de amigos, tratam-me todos por Fachada, e era nesse sentido, não para mudar o nome artístico.»

Antes de ser músico, B Fachada começou por estudar Física no Instituto Superior Técnico, passou pelo curso de Literatura na Universidade Nova, na FCSH, mas foi a música que falou mais alto. Quis saber mais sobre este caminho atípico: «Eu fui para Literatura para ter aulas com o Alberto Pimenta. Sempre estive muito ligado à literatura, sempre escrevi e isso tudo. Naquela coisa do percurso académico, acabei por ir para as ciências porque achava que ia sempre aprender mais nas ciências do que num curso de literatura. Mas depois, principalmente, essa necessidade de estar com o outro lado com o Alberto Pimenta, que foi um dos autores principais da minha adolescência, acabei por achar que tinha razões suficientes para ir para um curso de Literatura.»

Já o salto para a música, acabou por se dar naturalmente: «O meu pai sempre me habitou com muitos disco e cresci a ouvir muita música. Depois, até aos 18 anos estudei música. Parei uns tempos, mas, mais tarde, na faculdade, conheci o Luís Nunes – o Walter Benjamin. Eu disse-lhe que tocava, ele disse que precisava de alguém que tocasse com ele e mostrou-me as coisas dele. Fui tocar com ele e depois ele emprestou-me um gravador para eu tocar as minhas canções. (risos)»

A carreira do músico B Fachada já começou há alguns anos. Questionei-o quanto ao seu percurso, de que forma é que a sua vida mudou com a entrada na música e que balanço é que faz: «Não tenho razão de queixas. Comecei como amador e acabei como profissional. A minha vida mudou muito, a minha maneira de fazer música mudou muito, aprendi muita coisa. A diferença do primeiro disco para os últimos é muito grande. Até é difícil ver tudo como uma mesma coisa. É uma mesma coisa, mas foi um percurso que nunca esteve estável, esteve sempre a mudar.»

Dado em cinco anos ter produzido doze discos, e baseada nessa constante evolução, perguntei-lhe se o ritmo a que produzia o disco estava relacionado com a procura de uma sonoridade com que realmente se identificasse: «Não, apenas acho que é assim que se deve fazer. Nem tenho meios de fazer de outra maneira. Se calhar é o meu lugar na “classe média musical” (risos). Não tenho dinheiro apra estar dois meses em estúdio para fazer um disco. Portanto, se só posso estar uma semana em estúdio, não faz sentido o disco demorar seis meses a sair. Ao mesmo tempo, não tenho público para fazer um disco apenas de quatro em quatro anos. Tenho que estar sempre a fazer discos porque é essa a minha dimensão. Prefiro assim. Em vez de estar a partir a cabeça a tentar aperfeiçoar sempre tudo até não poder mais, faço o trabalho de outra maneira. Vou fazendo os discos e quando encontro imperfeições, faço outro.»

Já em relação às letras das músicas, a grande característica nos discos de B Fachada é o traço crítico, mordaz muitas das vezes, e incisivo. Exemplo disso é o disco «deus, pátria e famíia». Perguntei-lhe se era propositado ou se havia alguma intenção subjacente: «Acho que o conteúdo da letra acaba por não ser o mais importante, numa canção. Apesar de tudo, o que mais passa para o conteúdo é o meu feitio, o que penso, não vou escrever sobre coisas que não me interessam. Então acaba por ser as duas coisas: por um lado, não é um objectivo, não se trata de expor ideias, pelo contrário, aqui trata-se de expor canções. Por outro lado, o que passa para as canções é o feitio de quem as escreve e as conversas que tem no dia-a-dia. No caso do “deus, pátria e família”, fazia parte do próprio conceito do disco. Era uma música para adultos, e basta mencionar certas palavras para tornar numa música de intervenção. Dá para criar um jogo de expectativas. É uma música que tem, quase na mesma proporção, o lado político e o lado íntimo – o lado erótico. Na altura, achei que era a temática certa para adultos – o eu e o outro, o pessoal e o social.»

A diversidade é ponto assente na sua discografia: «Eu uso o conceito geral dos discos para ter um caminho. Sei que quando me sento ao piano ou à guitarra, não sai nada que não seja eu, que não seja o B Fachada. Então posso experimentar qualquer coisa e colocar qualquer desafio que sei que o que vai sair vai ser coerente. É aquilo que eu faço o dia todo. »

Aquando do lançamento do disco Fim, B Fachada contou-nos que a pausa já estava programada há muito tempo. O porquê deve-se ao facto de ele querer virar o jogo e porque durante cinco anos não teve férias de todo. Esse virar o jogo é justificado com a necessidade de tentar alguma coisa diferente, novos projectos, mas não se concretizou: «Eu quis virar o jogo, mas ele virou-se contra mim! (risos)»

A sua postura descontraída, e até o facto de ter aparecido numa edição da Playboy «Tinha de ser! (risos)», atribuem-lhe uma imagem musical de alguém que não se importa com que os outros pensam, mostrando bastante segurança no seu trabalho. Confrontado com esta minha opinião, ele contrapôs: «Eu percebo que passe essa imagem, mas a verdade é que isso dá mais trabalho do que parece. Ou seja, principalmente em relação à língua, para a língua ser espontânea e natural, dá muito mais trabalho do que não parece. Se eu fizer uma letra espontaneamente, sai a coisa mais forçada do mundo. Só sai espontânea se eu passar horas à volta daquilo. Tudo interessa – a métrica, o ritmo, tudo. Nós não somos tão fluidos nem naturais como pensamos. Se fôssemos todos muito espontâneos éramos todos muito parecidos. No processo de criação, não sou nada natural, é preciso muito trabalho. Muitas vezes espero um dia inteiro e a música não sai. Eu penso sempre que não vou conseguir fazer mais músicas. Há já muitos discos que penso assim. Eu não tenho esta profissão porque tenho um talento, tenho esta profissão porque é o que faço o dia todo. Faço mais canções que os outros todos, porque é o que eu faço o dia inteiro. No dia-a-dia, nunca é uma questão de vocação, mas de dedicação.»

Quase a terminarmos, perguntei-lhe quais as suas principais referências musicais e literárias que tenham marcado o seu crescimento. A resposta levou-nos a conhecer a sua visão sobre o que separa, para si, a música da literatura: «Na música, o Zeca (Zeca Afonso). É incontornável. Na literatura, Pimenta, Aquelino, Camilo. São os grandes escritores do ofício. São os que publicam mais e com mais fases, mais variação. Se algum dia me dedicasse à literatura, seria à literatura erudita. Acho que tem um carácter artístico que a minha música compensa com o lado artesanal. Eu vejo a música como mais uma forma de arte, principalmente porque estudei música erudita. Interessa-me mais fazer uma coisa que dure menos tempo, mas que tenha mais imapcto, do que fazer uma coisa que dure mais tempo, mas que tenha menos impacto. Na literatura funciona completamente ao contrário. Tenho mais carinho com livros que duram mais tempo e que têm um carácer muito mais universal, do que na música. Na música gosto de ouvir o efémero. Gosto de ouvir música que dez anos depois já não existe.»

Para terminar, que livro acham que o B Fachada escreveria? «Uma novela! Nem um conto nem um romance. (risos) Acho que é o que mais falta faz.  Entre 60 a 80 páginas.»

Neste momento, passada a pausa de ano e meio e os concertos do 25 de Abril, já existe um novo disco B Fachada, homónimo, disponível no bandcamp, e cujas músicas poderemos ouvir no Fusing Culture Experience!  

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[DESTAQUE] B Fachada com Novo Álbum Homónimo! Ouvir Aqui https://branmorrighan.com/2014/07/destaque-b-fachada-com-novo-album.html https://branmorrighan.com/2014/07/destaque-b-fachada-com-novo-album.html#respond Tue, 29 Jul 2014 10:42:00 +0000

B Fachada “B Fachada

ao Zeca, que nunca o trouxe pela mão.

ao amigo Pedro Mendonça, que me trouxe pela sabática até darmos com o nosso pifarinho.

à Mané e à Filipa que seguraram a barra enquanto um gritava ao microfone e o outro olhava para o computador.

um beijo a cada.

credits

released 29 July 2014

Tocado e cantado pelo próprio.

Produzido por B Fachada e Eduardo Vinhas não no estúdio Golden Pony (como vem sendo habitual): mais a sul. Era Junho de 2014.

Todas as canções feitas por B Fachada com o amigo Pedro Mendonça excepto “Já o tempo se habitua”, está claro, que é de José Afonso.

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[Música do Dia] «deus, pátria e família», de B Fachada – com Letra https://branmorrighan.com/2014/07/musica-do-dia-deus-patria-e-familia-de.html https://branmorrighan.com/2014/07/musica-do-dia-deus-patria-e-familia-de.html#respond Sun, 20 Jul 2014 17:00:00 +0000

Existem pessoas que se torna impossível não admirar. É pela postura, pelas afirmações, pelo ser destemido e não ter problemas em dizer o que pensa. Bernardo Fachada é uma dessas pessoas. O seu desprendimento das massas e das generalizações são um marco da sua personalidade. Existem duas afirmações suas com as quais me identifico absolutamente: “Estou sempre em conflito, com aquela sensação de insatisfação que não serena.” e  “Não sou guru de nada. Nunca fui um tipo fixe e isso não vai mudar. A face destrutiva do meu trabalho vai sempre afastar muita gente. O pouco que eu possa ter para ensinar não é, certamente, para mais que meia dúzia de amigos.”

Em 2011, lançou o disco “deus, pátria e família”, que consiste numa viagem de 20 minutos por várias temáticas, todas elas pertinentes, mas sem qualquer obrigação moral, o qual chamou à atenção de boa parte do público pelo seu lado revolucionário e rebelde. A letra, essa, nem sequer é preciso ser bom entendedor para a absorver. Simples, directa, despreocupada e realista – crua. Adepto do silêncio enquanto toca, dificilmente se consegue ficar calado com letras como esta, e é com ela que vos deixo agora. 

Faz sinal ao galo vencedor

Que esta dança é arriscada

Vai pela crista não vás num bom cantor

Que a cantiga está mal parada


Portugal está para acabar

É deixar o cabrão morrer

Sem a pátria para cantar

Sobra um mundo para viver

Chegam flores do estrangeiro

Já escolhemos o coveiro

Por mim é para queimar

Mas não quero exagerar


Não à glória nacional

Não á força não letal

Já não canto sobre amores

Nem me perco no recheio

É que em terra de amadores

Basta ter o pau a meio


Eu não sei português

E que se foda Portugal

Eu canto em fachadês

A minha língua paternal


Impotência cultural

Nem que fossem 100 Lisboas

Cidadão é animal

E eu faço isto é para pessoas


Estou farto de ser fraco

Vou lutar pela desordenação

É hora do boicote

Já não chega a abstenção

Chegar ali tem que doer

Tamanha a piça do poder

Comer no rabo de meninas

Nos herbívoros é que estão as vitaminas


Faz sinal ao galo vencedor

Que esta dança é arriscada

Vai pela crista não vás num bom cantor

Que a cantiga está mal parada


Eu não sei português

E que se foda Portugal

Eu canto em fachadês

A minha língua paternal


Partiste a cama

Gostas mais do chão

Se não fosse amor

Ninguém diria que é paixão

Dormir a meias

Já faz parte de acordar

Coisas feiras não vais ter que as procurar

Passo a tarde no piano

A trabalhar o desengano

A estrofe avança o refrão é para rezar

Que tu é que és a deusa deste lar


Faz sinal ao galo vencedor

Que esta dança é arriscada

Vai pela crista não vás num bom cantor

Que a cantiga está mal parada


Portugal vai rebentar

É deixar o cabrão sofrer

Sem a pátria para queimar

Há mais tempo para viver

Chegam flores entre as estrangeiras

Mas 3 tristes parideiras

Que venham cá curtir

Já que não há nada para partir


Não à força nacional

Não à glória não letal

Já não há cú para doutores

Que o pau fica-me sempre a meio

Que em terra de amadores

Basta ter algum paleio


Eu não sou português

E que se foda Portugal

Eu canto em fachadês

A minha língua paternal


Traz no colo uma missão

Fiz a cama dos teus pais

Passo a boca

Tiro a roupa

Nunca quis saber demais

Dás-me o outro lado

Para não estragares o penteado

Eu estou sossegado

Ninguém quer mais que ser um pai babado

Ninguém quer mais que ser um pai babado

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Terreiro do Paço recebe MAIS ABRIL, 40 ANOS – Comemoração dos 40 Anos do 25 de Abril https://branmorrighan.com/2014/04/terreiro-do-paco-recebe-mais-abril-40.html https://branmorrighan.com/2014/04/terreiro-do-paco-recebe-mais-abril-40.html#respond Tue, 22 Apr 2014 12:09:00 +0000

Espetáculo musical com video mapping e criação pirotécnica alusiva ao 25 de abril

Espetáculo original que cruza artistas de diferentes gerações e estilos musicais, interpretando repertório próprio e de referência do “cancioneiro de abril”, numa mensagem coesa e atual. O espetáculo será ilustrado com curtos filmes de realizadores e artistas plásticos nacionais que evocam momentos e figuras da história de abril.

Antecedendo o espectáculo, e numa parceria com a Associação do Turismo de Lisboa, terá lugar uma projeção monumental alusiva aos principais momentos que conduziram à Revolução de Abril na fachada nascente do Terreiro do Paço, num projeto video mapping assinado pela empresa OCUBO.

Finalmente, assinalando a transição do dia 24 para 25 de abril e conjugado com a componente de espetáculo musical, o rio Tejo – sob os acordes e interpretação de “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso – será palco de uma criação pirotécnica em que se evoca uma chuva de cravos e a bandeira nacional no auge .

22h30 – Video mapping Projetar abril

22h45 – Concerto

Artistas convidados:

B Fachada

Camané

Capicua

Capitão Fausto

Carlos Guerreiro

Coro Lisboa Cantat

Couple Coffee

Dead Combo

Flak

João Peste

JP Simões

Júlio Pereira

Linda Martini

Maria do Céu Guerra

Norberto Lobo

Stereosauro

Velha Gaiteira

Xana

You Can’t Win Charlie Brown (YCWCB)

Zeca Medeiros

01h05 – Espetáculo Pirotecnia

Mais Informações Aquihttp://25abril40anos-cm-lisboa.pt/work/mais-abril-40-anos/

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