Brandon Sanderson – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 06:06:01 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Brandon Sanderson – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [DESTAQUE] Escritor Brandon Sanderson em Lisboa https://branmorrighan.com/2016/10/destaque-escritor-brandon-sanderson-em.html https://branmorrighan.com/2016/10/destaque-escritor-brandon-sanderson-em.html#respond Fri, 21 Oct 2016 14:45:00 +0000

Partilho esta vinda a Portugal convosco porque, honestamente, a trilogia Mistborn foi das melhores que alguma vez li. Podem encontrar todas as opiniões aqui: 

http://www.branmorrighan.com/search/label/Brandon%20Sanderson

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Opinião: O Herói das Eras – Parte II, de Brandon Sanderson https://branmorrighan.com/2016/07/opiniao-o-heroi-das-eras-parte-ii-de.html https://branmorrighan.com/2016/07/opiniao-o-heroi-das-eras-parte-ii-de.html#respond Mon, 18 Jul 2016 15:49:00 +0000

O Herói das Eras – Parte II

Brandon Sanderson

Editora: Edições Saída de Emergência

Colecção: Bang! 

Sinopse: O mundo aproxima-se do fim, esmagado pela força imparável de Ruína. Vin, Elend e os companheiros procuram desesperadamente opor-se-lhe, mas nada do que fazem parece ter algum efeito ou, quando o tem, é o oposto do que pretendem. De que serve a mera alomância contra um deus?

Especialmente quando não parece haver nada além dela, pois até as misteriosas brumas, em tempos aliadas, parecem ter-se tornado malignas. Mas será que desistir é uma opção? Terá chegado o momento de baixar os braços e aceitar o fim de tudo o que se ama?

Num mundo sufocado pela cinza e abalado por erupções contínuas e violentas convulsões sociais que afetam até a sociedade pacífica dos kandra, são estes os dilemas com que os sobreviventes do velho bando de Kelsier vão ser confrontados neste derradeiro volume da saga.

Opinião: Há dois anos atrás, escrevi a opinião do livro Império Final, o primeiro desta saga – Nascidas nas Brumas. Provavelmente foi das opiniões mais longas que alguma vez escrevi, pois há muito tempo que um livro de literatura fantástica não me deixava tão agarrada à leitura. E a verdade é que esse entusiasmo manteve-se ao longo dos outros três livros. Em Portugal, o último livro da trilogia foi dividido em dois, prolongando assim aquela ansiedade de saber que desfecho a história teria. Agora que chegou ao fim, fica um sabor agridoce. 

Ao longo destas centenas de páginas pudemos constatar que também a fantasia serve para abordar temas tão sérios como política, teologia, lealdade, maldade, bondade, sacrifício ou transcendência. Desde o primeiro capítulo que muitas foram as questões que se foram levantando. À medida que avançámos pela história, por cada um destes volumes, algumas peças foram-se encaixando e fazendo sentido, mas só neste último é que tivemos o vislumbre real de todo o cenário, de todo o enredo e do fecho total da trama. Acho a inteligência de Brandon Sanderson algo de muito especial, foram muitos poucos os autores que me desafiaram intelectualmente ao longo das suas obras de fantasia. E foi esta característica que se manteve constante que também me faz elegê-lo como um dos melhores escritores deste género na actualidade. 

Vin, Elend, Sazed, Susto, Brisa, Kelsier, e tantos outros, são protagonistas que se entranham em nós pelos vários papéis, tão diferentes, que desempenham ao longo de toda a acção. Achei particularmente interessante o quanto se punham em causa e às suas acções e pensamentos, ao mesmo tempo que avançavam, que tomavam as suas decisões. Dei por mim a debater com estes personagens o que deviam ou não fazer, o que faria eu se estivesse no lugar deles. Não se trata apenas de um livro em que existe alomância ou algum tipo de supremacia em termos de capacidades, mas antes o que é que o poder trás com ele e o que é que nos faz tornar nesta ou naquela pessoa. Líderes são colocados em causa, a sobrevivência de povos é colocada à prova, ao mesmo tempo que se tenta compreender como é que as crenças ou o universo influencia cada um de nós.

Achei a perspectiva de Ruína e Preservação muito interessante. Aliás, para quem segue o blogue sabe que a minha crença no que toca a religiões é que Deus é como se fosse o próprio universo. Não é bom nem é mau, mas antes que é crucial manter algum tipo de equilíbrio entre ambas as forças. Dado este ser um tema recorrente em algumas obras, não é que tivesse achado as explicações de Ruína e Preservação as mais originais, não entendi muito bem como é que preservar e destruir dá origem à criação sem que haja um elemento de renascimento ou reconstrução, mas o autor soube como manter o fio à meada e a narrativa manteve-se coerente do início ao fim. 

Resumindo, e porque não quero falar mais sobre a história porque merece ser descoberta individualmente, gostei imenso desta trilogia, recomendo-a vivamente a qualquer pessoa que tenha um bocadinho de mente aberta, não é um requisito ser amante de literatura fantástica, mas para quem o for, é uma leitura mais que obrigatória. Seja para depois concordarem comigo ou discordarem. Boas leituras! 

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Opinião: O Herói das Eras (Saga Mistborn – Nascida das Brumas Nº 3), de Brandon Sanderson https://branmorrighan.com/2015/10/opiniao-o-heroi-das-eras-saga-mistborn.html https://branmorrighan.com/2015/10/opiniao-o-heroi-das-eras-saga-mistborn.html#respond Sun, 11 Oct 2015 18:55:00 +0000

O Herói das Eras (Saga Mistborn – Nascida das Brumas Nº 3)

Brandon Sanderson

Editora: Edições Saída de Emergência

Colecção: Bang! 

Sinopse: Para pôr fim ao Império Final e restaurar a harmonia e a liberdade, Vin matou o Senhor Soberano. Mas, infelizmente, isso não significou que o equilíbrio fosse restituído às terras de Luthadel. A sombra simplesmente tomou outras formas, e a Humanidade parece amaldiçoada para sempre.

O poder divino escondido no mítico Poço da Ascensão foi libertado após Elend e Vin terem sido ludibriados. As correntes que aprisionavam essa força destrutiva  foram quebradas e as brumas, agora mais do que nunca, envolvem o mundo, assassinando pessoas na escuridão. Cinzas caem constantemente do céu e terramotos brutais abalam o mundo. O espírito maléfico libertado infiltra-se subtilmente no exército do Imperador Elend e os seus oponentes. Cabe à alomante Vin e a Elend descobrir uma forma de o destruir e assim salvar o mundo. Que escolhas irão ser ambos forçados a tomar para sobreviver?

Opinião: Desde que li Brandon Sanderson pela primeira vez que fiquei maravilhada. Na discussão de géneros literários, é comum encontrar argumentos entre os mais cépticos de que este nada tem a acrescentar, que é tudo uma grande fantasia e que ler coisas que não são reais é uma perda de tempo. Obviamente ainda não se cruzaram com os autores certos. Já nem vou para livros como o 1984 ou o Admirável Mundo Novo, distopias que se tornaram quase absurdamente reais, mas olhando para os livros de Brandon Sanderson há muito que podemos encontrar, por vezes com uma máscara mais mística (ou não), que nos arrepia até ao âmago por sabermos que existem certos níveis de maldade, calculismo, frieza e sede de poder, que conseguem transformar qualquer ser humano num pequeno monstro.

Tudo isto para vos dizer que esta primeira parte do último livro da trilogia Nascidas nas Brumas soube a pouco, como sabe sempre algo que é muito bom e que não temos a oportunidade de terminar. O autor tornou-se num dos meus favoritos de sempre. A sua escrita, a forma perspicaz, inteligente e eloquente com que monta os cenários, desenvolve as personagens e desenlaça as intrigas é notavelmente superior à da grande maioria de autores que já li dentro do género. Exagerada? Talvez sim, talvez não, mas não será sacrilégio dizer que o coloco ao mesmo nível de George R.R. Martin ou Peter V. Brett, outros favoritos.

Elend tem sido a maior surpresa ao longo dos vários episódios. Houve momentos de descrença em relação a este protagonista, mas com o avançar da trama tornou-se claro que o equilíbrio passa também por ele e, ainda agora, mantém-se o mistério sobre qualquer será o seu derradeiro papel.

Sazed é, neste momento, quem mais me aperta o coração. Como é que uma pessoa que baseou toda a sua existência numa série de crenças, consegue agora sobreviver sem qualquer bengala, sem qualquer pessoa ou motivação que o faça acreditar em seja o que for? Mantém-se ao lado dos seus amigos por lealdade, mas já não consegue ser o conselheiro ou a fonte de segurança que era antes.

Vin continua igual a ela mesma. Os medos não desapareceram, alguns aumentaram, mas o facto de se considerar o Herói das Eras traz-lhe todo um peso que muitas vezes tem de repartir com Eland para não sufocar nele.

E chegado a este ponto, à primeira metade do último livro, deparamo-nos com uma total imprevisibilidade no que ao futuro diz respeito.

Uma coisa é certa, a intensidade e a tensão com que os acontecimentos se vão dando nunca estiveram tão fortes, tão em ponto de ruptura. Vão-nos sendo desvendados os mistérios da alomância, da feruquimia e da hemalurgia, sabemos mais sobre os kandra, temos revelações terríveis sobre os colossos, mas nada disto nos apazigua, pelo contrário, temos ainda mais consciência de que algo de muito negro e muito errado pode acontecer a qualquer momento. E é nesta expectativa ansiosa e urgente que aguardo pelo desfecho desta magnífica trilogia. O trabalho do escritor está só soberbo. Aconselho vivamente, quer gostem do género Fantástico, quer não.

Mais sobre a saga: http://www.branmorrighan.com/search/label/Brandon%20Sanderson

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Destaque para a Leitura de Fim-de-semana! https://branmorrighan.com/2015/09/destaque-para-leitura-de-fim-de-semana-3.html https://branmorrighan.com/2015/09/destaque-para-leitura-de-fim-de-semana-3.html#comments Sun, 20 Sep 2015 11:29:00 +0000

Ontem foi um dia muito especial, tivemos mais uma noite de programação BranMorrighan no Musicbox, e por isso não consegui ler quase nada, mas entre actualizar o blogue e despachar algumas coisas da faculdade irei também avançar na leitura deste que é a primeira parte do último livro da trilogia Nascida nas Brumas. Esta trilogia começou com a obra Império Final e continuou com O Poço da Ascenção. Tem sido a série que mais me tem surpreendido este ano, principalmente pela maturidade, coerência e fascínio que o desenrolar da trama tem mantido. Os personagens são tudo menos planos e a narrativa de linear também não tem nada. Tem-se revelado um bom desafio prosseguir com a leitura, tentando conjecturar sobre o futuro daqueles que mais atentamente seguimos, sendo que a imprevisibilidade é algo a ter sempre em conta. Deixo-vos com as opiniões dos outros dois livros: 

O Império Final: 

http://www.branmorrighan.com/2014/07/opiniao-o-imperio-final-de-brandon.html

O Poço da Ascensão: 

http://www.branmorrighan.com/2015/05/opiniao-o-poco-da-ascencao-saga.html

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Opinião: O Poço da Ascensão (Saga Mistborn – Nascida das Brumas Nº: 2), de Brandon Sanderson https://branmorrighan.com/2015/05/opiniao-o-poco-da-ascencao-saga.html https://branmorrighan.com/2015/05/opiniao-o-poco-da-ascencao-saga.html#respond Wed, 27 May 2015 18:29:00 +0000

O Poço da Ascenção

Brandon Sanderson

Editora: Edições Saída de Emergência

Colecção: Bang!

Sinopse: Alcançaram o impossível: o mal que governara o mundo pela força do terror foi derrotado. Mas alguns dos heróis que lideraram esse triunfo não sobreviveram, e eis que surge uma nova tarefa de proporções igualmente gigantescas: reconstruir um novo mundo. Vin é agora a mais talentosa na arte e técnica da Alomância e decide reunir forças com os outros membros do bando de Kelsier para ascender das ruínas de um passado vil. 

Venerada ou perseguida, Vin sente-se desconfortável com o peso que carrega sobre os ombros. A cidade de Luthadel não se governa sozinha, e Vin e os outros membros do bando de Kelsier aprendem estratégia e diplomacia política enquanto lidam com invasões iminentes à cidade. 

Enquanto o cerco a Luthadel se torna cada vez mais apertado, uma lenda antiga parece oferecer um brilho de esperança: o Poço da Ascensão. Mas mesmo que exista, ninguém sabe onde se encontra nem o poder que contém… Resta a Vin e aos seus amigos agarrar esta fonte de esperança e conseguir garantir o seu futuro e futuro de Luthadel, cumprindo os seus sonhos e os sonhos de Kelsier.

Opinião: O Império Final, primeiro livro da saga Mistborn lido em Junho de 2014, foi para mim um dos melhores livros do ano. Fiquei verdadeiramente fascinada com a beleza complexa da narrativa, as suas teias tão emaranhadas em crenças, revoltas e lutas que o fim não me podia ter deixado mais… como se alguma coisa de repente tivesse ficado algo vazia. Se Kelsier foi a força motriz desse primeiro capítulo, neste a sua influência é como uma segunda pele em cada um, levando cada uma das personagens já nossas conhecidas a terem sempre em consideração a sua linha de pensamento. Mas é Vin quem agora assume o protagonismo principal e será nas suas mãos e nas de Eland que as decisões cruciais irão pousar.

O Poço da Ascenção começa com o fim do império do Senhor Soberano para agora tentar transitar para uma democracia a comando do idealista Eland. Antes um membro da nobreza, tenta agora conquistar todas as facções em prol de um bem comum – a sobrevivência e a construção de uma nova sociedade. Os perigos estão ao virar da esquina e quando dois outros reis cercam Luthadel, é Vin quem não dorme, quem vagueia pela noite e pelas brumas à caça de potenciais perigos. Agora com um kandra (um ser que tem um contrato de escravatura com alguém superior) por sua conta, algumas das tarefas tornam-se mais ágeis de serem feitas, mas a desconfiança é constante. E como pode Vin proteger quem gosta se não consegue confiar? 

Não será exagero dizer que esta série faz frente à Guerra dos Tronos no que toca à genialidade de enredo e de acção. Numa escala menor em termos de números de personagens e de quadrantes envolvidos, existe uma mesma ansiedade, dúvida, revolta e medo. Este volume baseia-se principalmente no uso do medo para manipular o inimigos. Vin conhece um outro alomante que mostra ser tão ou mais forte que ela. Mais, ele tem átio e ao contrário do que todos pensam Luthadel não tem nenhum. E assim a narrativa vai crescendo em termos de suspense, a tensão vai sendo cada vez maior, qual corda prestes a partir-se ao meio de tanto ser puxada por cada um dos lados. 

Tal como seria de esperar, os protagonistas vão evoluindo e tornando-se mais preponderantes. A evolução que mais me agradou foi, sem dúvida, a de Eland. Consequência, ou não, das desilusões e da disciplina a que foi sendo submetido, Eland reforçou o que já tinha provado no último volume – que é de um carácter e princípios invejáveis. Já Vin tem oscilações. Boa parte do livro acabei por me sentir algo desconfortável com a linha de pensamento dela, ou até com a sua postura, mas quem sabe não foi essa uma das intenções do autor. Também o alomante, inicialmente misterioso, deu todo um outro toque de dualidade tanto no espírito de Vin como ao rumo que vamos pensando que a trama pode tomar.

É um livro de perda, acima de tudo, mas também de esperança. O sentimento final é arrebatador e algo desesperante – como é que num percurso em que só queremos o melhor para os que nos rodeia acabamos por desencadear, potencialmente, um dos maiores horrores? Se a batalha final já tinha deixado moça, as últimas páginas deixam-nos furiosos por mais. Estamos perante uma obra muito bem escrita. As descrições, as interacções entre as personagens e as emoções que provoca em que lê fazem com que o leitor apenas queira mais e mais – mesmo sabendo que o livro tem mais de 700 páginas! Venha o próximo, afinal os braços também precisam de ginástica, não é só a mente! J

PS: A capa não podia estar melhor. Um excelente trabalho, os meus parabéns!

Opinião O Império Finalhttp://www.branmorrighan.com/2014/07/opiniao-o-imperio-final-de-brandon.html

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Opinião: O Império Final de Brandon Sanderson https://branmorrighan.com/2014/07/opiniao-o-imperio-final-de-brandon.html https://branmorrighan.com/2014/07/opiniao-o-imperio-final-de-brandon.html#comments Mon, 21 Jul 2014 23:25:00 +0000

O Império Final

Brandon Sanderson

Editora: Edições Saída de Emergência

Colecção: Bang! 

Sinopse: Num mundo onde as cinzas caem do céu e as brumas dominam a noite, o povo dos Skaa vive escravizado e na absoluta miséria. Durante mais de mil anos, o Senhor Soberano governou com um poder divino inquestionável e pela força do terror. Mas quando a esperança parecia perdida, um sobrevivente de nome Kelsier escapa do mais terrível cativeiro graças à estranha magia dos metais – a Alomancia – que o transforma num “nascido nas brumas”, alguém capaz de invocar o poder de todos os metais. 

Kelsier foi outrora um famoso ladrão e um líder carismático no submundo. A experiência agonizante que atravessou tornou-o obcecado em derrubar o Senhor Soberano com um plano audacioso. Após reunir um grupo de elite, é então que descobre Vin, uma órfã skaa com talento para a magia dos metais e que vive nas ruas. Perante os incríveis poderes latentes de Vin, Kelsier começa a acreditar que talvez consiga cumprir os seus sonhos de transformar para sempre o Império Final…

Opinião: Num país onde a Literatura Fantástica é muitas vezes alvo de algum preconceito ou desvalorização, existe ainda quem insista em trazer aos seus cidadãos obras de uma qualidade inegável que fariam corar muitos mestres ditos eruditos. Não que tenha alguma coisa contra estes últimos, existem uns quantos que admiro e uma coisa não influencia a outra, mas quando me vejo perante um livro como O Império Final, não posso deixar de pensar que quem desdenha de toda a Literatura Fantástica só pode ser um tolo. 

A forma como uma história chega até nós pode tomar várias formas. De um romance romântico, de um poema, de um romance policial ou outro género, mas é muitas vezes nos meandros da fantasia que se encontram as melhores metáforas, as maiores lições sobre a luta pelos ideais de cada um. Se Joseph Campbell estudou o Monomito, Jornada do Herói, é certo que muitos autores se têm atarefado a criar bons enredos que a ilustrem, adicionando com perícia componentes políticas, religiosas e ideológicas. Brandon Sanderson, uma estreia para mim, não me deixou dúvida nenhuma quanto à sua qualidade enquanto criador de um universo que consegue ser tão completo quanto exaustivo, sem nunca aborrecer, sem nunca amortecer a leitura.

O Império Final é uma obra que dificilmente deixará alguém indiferente. A estória que Sanderson nos conta começa de mansinho, mas logo com uma imagética e visão muito fortes. Se o início nos deixa curiosos, essa ansiedade miudinha, que se apodera de nós quando gostamos e queremos descobrir o que se segue, não mais nos larga até ao final. Consegue mesmo causar algum sofrimento nesse sentido – quem não tiver disponibilidade temporal para o ler de boas assentadas de cada vez vai sofrer por ter de parar a leitura.

A narrativa está dividida por partes, em que cada parte contém vários capítulos, todos eles terminados com citações que só com o decorrer da leitura poderemos enquadrar com a realidade do Império Final. Com o passar de cada capítulo, correspondente a fases de transição da história bastante específicas, as personagens ganham cada vez mais vida, cada vez mais consistência e espaço na mente e espírito do leitor. As empatias em relação a algumas poderão oscilar. Se no início Vin é aquela personagem feminina que admiramos por lutar pela sua vida, existirão partes em que o autor quase nos faz duvidar dela, apesar de no fundo não acreditarmos que ela pudesse realmente mudar tanto.

Já Kelsier é aquele personagem que nos deixa de coração nas mãos. O herói que muitas vezes é visto como um louco e até anti-herói pelos seus amigos mais chegados. De toda a palete de protagonistas, o bando de Kelsier merece destaque, mas mais ainda merece o terrisiano Sazed. O conceito dos Guardiães de Terris está fascinante. Tornados eunucos pelo Senhor Soberano, são pessoas vistas com alguma temeridade, mas de uma essência fascinante. São eles os portadores de tudo o que possa haver memória, desde lendas a religiões, línguas perdidas a gentes esquecidas.

Em relação ao enredo, este é tão rico que descrevê-lo será sempre redutor. Temos uma sociedade estratificada em que existe o Senhor Soberano, os seus Inquisidores e Impositores, muitos deles alomânicos. Temos também a nobreza, os desgraçados dos skaa e os bandos de ladrões skaa. Enquanto a nobreza está dividida em Grandes Casas de famílias poderosas e ricas, os skaa são meramente escravos, violentados, desprezados e vistos como seres inferiores em todos os sentidos – físico e intelectual.

A forma como a trama está construída encaminha-nos através de uma rebelião sem par, que passa por uma evolução das personagens enquanto seres humanos num mundo sem esperança. À medida que avançam com o plano louco de Kelsier, mais dúvidas surgem, mais descrentes ficam, mas se há coisa que Brandon Sanderson mostrou é que é perito em surpreender o leitor, muitas vezes quando menos esperamos. A sua escrita não tem paninhos quentes, mas contém sempre uma espécie de ternura e esperança que vicia o leitor.

Mesmo entre a desgraça, entre a desesperança toda, existe espaço para os sentimentos surgirem, crescerem e provarem que é na capacidade de amar o próximo e de lutar que se pode fazer uma verdadeira diferença. É essa chama da esperança, mesmo no meio de toda a tragédia, é esse sentimento de lealdade e comprometimento com o que encaramos, que torna esta obra única e estas seis centenas de páginas fáceis de ler num fôlego. 

Uma estória fantástica, um universo que marca, um escritor extraordinário. Dos melhores livros de Literatura Fantástica que já li. Adorei.

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