Burgueses Famintos – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:23:44 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Burgueses Famintos – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Playlist da Quinzena] 16 a 30 de Novembro de 2015 – As Escolhas de Manuel Molarinho (O Manipulador) https://branmorrighan.com/2015/11/playlist-da-quinzena-16-30-de-novembro-3.html https://branmorrighan.com/2015/11/playlist-da-quinzena-16-30-de-novembro-3.html#respond Mon, 16 Nov 2015 12:13:00 +0000

Eu não sei se vocês sabem, mas o Manuel Molarinho é tipo o homem dos mil ofícios. É que nem é sete, é infinitos. Quando ele partilha connosco a sua agenda é difícil não ficarmos tontos. Ele toca em Burgueses Famintos, é o one-man band O Manipulador, é o grande impulsionador do Um ao Molhe, membro activo na ZigurArtists, toca ainda com Madrasta e eu juro-vos que não sei como é que ele concilia tudo. Ah! A juntar à festa é uma pessoa super porreira e daquelas com quem dá gosto falar de projectos novos e de colocar as mãos na massa para que se façam acontecer coisas bonitas. Em Abril deste ano respondeu-me a algumas perguntas sobre o Um ao Molhe e para os curiosos podem ler aqui: http://www.branmorrighan.com/2015/04/entrevista-ao-um-ao-molhe-festival.html

Brevemente espero ter mais respostas suas, mas sobre todos estes seus projectos musicais. É aguardarem e seguirem as páginas que vos vou deixar. Manuel, a ti um muito obrigada por esta playlist bem boa.

O Manipulador

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Burgueses Famintos

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Um ao Molhe

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Madrasta

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ZigurArtists

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Decidi fazer uma playlist de influências. Como tenho uma espécie de superstição com o nº 13 e decidi parar nele. Mas falta muita coisa. Fica para a próxima.

Sonic Youth – Skink

Sou uma daquelas pessoas que tem uma banda favorita. São os Sonic Youth. Gosto muito de muitas outras mas estão todas a léguas de distância. A Skink foi a primeira música deles que me chamou a atenção. “down to the bottom and oh what a bottom it is”

Dead Kennedys – Chickenshit Conformist

Cresci com o punk. Com o Faz Tu Mesmo. Esta é a música perfeita para ouvirmos e nos relembrarmos que lutar pelo que acreditamos não é coisa passageira.

Liars – Broken Witch

O 2º e o 3º álbum dos Liars (They were wrong, so we drowned e Drum’s not dead) são para mim obras primas, universos absolutamente únicos. Escolher uma música só roça o impossível mas escolho a Broken Witch por um momento muito simples e específico que me proporcionou e que nunca mais esqueci. Subi o Bairro Alto como se flutuasse e quando cheguei onde me dirigia não me lembrava do caminho de tão submerso que estava. A melhor moca da minha vida e estava completamente sóbrio.

The Mars VoltaTake the Veil Cerpin Taxt

Não sou fã do trabalho de Mars Volta a seguir ao primeiro álbum. Mas o deloused é inacreditável. Nunca vi tanta energia criativa, força e vontade de romper barreiras num só álbum. O riff/solo aos 3.40 é uma coisa do outro mundo.

Ex Models – Love Japanese Style

Banda de Brooklyn a pôr a matemática ao serviço da liberdade e energia. Nunca óbvios e sempre estimulantes. Ouvi o Other Mathematics centenas de vezes no carro. Quando, em 2005, vieram cá, senti-me uma pita histérica apesar do concerto ter defraudado largamente as minhas expectaticas.

Aphex Twin – Vordhosbn

Antes de ouvir o Druqs dizia de peito feito que não gostava de música electrónica. Duas músicas bastaram para não voltar a dizer essa frase.

The Knife – Marble House

Os The Knife apareceram com tudo para ser uma banda que eu detesto. A usar as texturas chungas dos 80s, meios épicos e tribais. Mas também são a banda perfeita para nos lembrarmos que a primeira impressão só diz muito aos mais desatentos. Tudo o que podia estar mal aqui faz sentido. O mau gosto é sempre roçado mas a fronteira nunca é ultrapassada e o resultado são canções que têm tanto de estranho como de memorável. A Marble House está no Silent Shout, que é o álbum com que os conheci. Não é, de todo, a melhor música do mesmo, mas tem o feat. do Jay Jay Johanson, que é uma espécie de guilty pleasure meu.

Carlos Paredes – Sede e Morte

Demorei até conhecer Paredes e depois nunca mais larguei. Estou ali chapado naquelas músicas. Estamos todos.

James Blackshaw – Echo and Abyss

Paredes alertou-me para as guitarras e nessa altura encontro o James Blackshaw. O mais surpreendente nele é que ele inverte a lógica da maior parte dos músicos que se mostram só com uma guitarra. Não é de todo masturbatório e demora muito tempo em cada parte. Então somos embalados e a guitarra de 12 cordas transforma-se quase numa orchestra.

Beauty Pill – Cigarette Girl

Banda que nem a fenómeno de culto chegou que encontrei no catálogo da dischord e no extinto grooveshark (saudades). Gosto de tudo o que ouvi deles e foram a banda que mais companhia me fez quando trabalhava num hostel. O refrão desta música leva-me sempre a pensar que esta parece a banda de música fixe que o Dave Matthews nunca teve.

Slint – Nosferatu Man

O Spiderland deve ser um dos maiores fenómenos de culto. Nunca li nenhuma explicação que fizesse sentido para o facto mas faço desenvergonhadamente parte dos devotos a este álbum. Indeciso entre esta e a Good Morning Captain como minha preferida.

Torto – Não Sei

Os Torto são das minhas bandas favoritas e sinto-me um sortudo por estar a viver na cidade deles. Está música, para mim, é o símbolo perfeito da época em que vivemos, de como encontrar sentido e caminho no caos.

Dawn of Midi – Prancercise

Trio de piano, contrabaixo e bateria que soa a electrónica minimal. Um exercício de contenção e atenção absolutamente minuciosa ao detalhe. O Dysnomia é todo ele uma inegável obra maior deste século. Escolho a Prancercise mas é um álbum que se deve ouvir como um todo.

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Burgueses Famintos a inflamar ânimos no Damas https://branmorrighan.com/2015/10/burgueses-famintos-inflamar-animos-no.html https://branmorrighan.com/2015/10/burgueses-famintos-inflamar-animos-no.html#respond Mon, 19 Oct 2015 14:00:00 +0000

Fotografias por Sofia Teixeira

Coitadinha, a minha máquina está mesmo a dar as últimas das últimas e por isso é que não tenho fotografado. Ainda assim não podia ir ver Burgueses Famintos sem trazer de lá umas fotografias por muito má qualidade com que ficassem. Eu bem ando a pedir ao Pai Natal uma máquina nova, mas as coisas não andam fáceis! Eheheh. Indo ao que interessa…

Sábado acordou chuvoso, cheio de vento e o dia parecia meter medo, mas pelas 18h00 já tinha parado de chover, a temperatura ficava amena e eis que tudo se arranjava no Damas para que os Burgueses Famintos subissem ao palco numa expressão lírica e musical da obra Samo, que conta com a participação de ilustradores de talento comprovado. Aqui há uns dias falei do trabalho de Burgueses Famintos, mas ver ao vivo é toda uma outra experiência e imagino que para o João Silveira (parte lírica) e para o Manuel Molarinho (composição musical em tempo real) seja também.

Fiquei fascinada. É fácil ficarmos hipnotizados pela conjugação da força das palavras do João com a intensidade dos sons construídos pelo Manuel. A arte consegue manifestar-se de várias maneiras e sem dúvida que este formato é digno de se ver, ouvir e sentir. Ontem às tantas, enquanto tentava fotografar, deixei-me sentar no chão e por momentos fechei os olhos. Acho que este consegue ser um espectáculo muito pessoal, talvez até introspectivo, se nos deixarmos mergulhar nas hipóteses e na imagética provocadas pelo que ouvimos.

Este é um dos casos em que eu acho que diga o que disser vai ser sempre redutor. Acho que se torna imperativo ouvir ao menos a versão digital para se perceber um bocadinho daquilo que é possível experienciar. Existe uma força e uma pujança em toda a performance que é como abrir o peito às balas, aceitando a confrontação com tanto que tendemos a ignorar diariamente. 

Com um texto brutal, um baixo, pedais e uma loop station, Burgueses Famintos têm qualidade e talento para agradarem a quem gosta de arte, seja ela literária ou musical. Engraçado como quando a performance terminou eu só conseguia pensar – isto em Paredes de Coura, no palco na relva, era só brutal. Mas sinceramente qualquer cenário irá ser ultrapassado pela dupla que podem seguir, aqui: https://www.facebook.com/BurguesesFamintos

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[DESTAQUE] “SAMO” é o trabalho de estreia de Burgueses Famintos https://branmorrighan.com/2015/10/destaque-samo-e-o-trabalho-de-estreia.html https://branmorrighan.com/2015/10/destaque-samo-e-o-trabalho-de-estreia.html#respond Wed, 07 Oct 2015 15:46:00 +0000 https://www.facebook.com/BurguesesFamintos

BURGUESES FAMINTOS SÃO:

João Silveira • Texto e Voz

Manuel Molarinho • Baixo, Pedais e Loopstation

Misturado e Masterizado por João Santos

Design por Basquiat, canalizado por

Burgueses Famintos e Luís Soares

Gosto. Existe uma beleza única inerente às obras de arte que se conseguem expressar a vários níveis, com várias camadas, que despem quem o espectador, o assistente que começa passivo evoluindo para um envolvimento íntima com essa mesma obra. A voz toma conta da dimensão narrativa e os instrumentos da dimensão sensitiva – a conjugação resulta numa profunda viagem aos locais inconformados, aos medos, às coisas não ditas, às emoções não exprimidas. É um reflexo e uma reflexão sobre o nosso papel perante nós mesmos e perante a sociedade, perante o nosso dia-a-dia e os locais que percorremos de forma indiferente. E depois a nossa relação com o outro. A languidez e as paixões, a loucura e o romper as névoas do pensamento. Não sei, é uma experiência muito pessoal. Intensa, até solitária, mesmo que nunca completamente sozinhos. A composição musical está de tal maneira bem conseguida que os ritmos irrompem pelo nosso peito, fazem mexer as nossas pernas e braços, tomam conta do nosso corpo dando-lhe uma nova vida, incitando a um grito que cresce no peito e que está por ganhar som. SAMO é aquele trabalho que se ouve, que se sente, mas que por momentos também se vive. Entre a crítica incisiva, a fome da libertação e a expiação íntima, os Burgueses Famintos conseguiram algo genial. 

Deixo-vos com a informação oficial: 

Diz-se que no princípio havia o Verbo, mas antes o ruído preparou a terra para o ver chegar. Seria impossível dizer quanto tempo passou até ao pó assentar, até a narrativa se criar a partir de uma nostalgia rebelde sobre o passado, até que viesse a união do ruído ao Verbo.

Os Burgueses Famintos nasceram de forma quase acidental, sem que se precisasse de fazer luz numa noite perdida e enterrada de 2014. Os burgueses são Manuel Molarinho (baixo) e João Silveira (voz), famintos e entregues a um delírio textual e sónico captado ao primeiro take.

Ao longo de meia-hora, o improviso é a regra, o erro é estrutural e a tensão subjacente a este diálogo – em que o baixo e a voz ocupam o mesmo plano de importância – é o combustível de um exercício ora sombrio, ora palpitante. Baseado em SAMO, saído da pena e mente de João Silveira e a publicar pela A Tua Mãe* em Outubro de 2015, o disco de estreia dos Burgueses Famintos move-se por terrenos pantanosos e distópicos, mas não totalmente desconhecidos – principalmente para quem já se aventurou em registos como Priest They Called Him. Da voz aparentemente calma de Silveira, discorrem visões das grandes cidades, que se diluem no turbilhão eléctrico com que Molarinho preenche esta faixa.

Burgueses Famintos estará disponível a partir de 12 de Outubro no Bandcamp da Zigur.

Próximos concertos:

9/10: Mercado Negro, Aveiro, 23h30 (entrada livre)

10/10: Snob, Guimarães, 17h30 (entrada livre)

10/10: Carpe Diem, Santo Tirso, 23h00 (3 euros)

17/10: DAMAS, Lisboa, 18h30 (entrada livre)

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