Carla M. Soares – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:56:41 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Carla M. Soares – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 10 Livros de 2017 que poderia oferecer como prenda de Natal https://branmorrighan.com/2017/12/10-livros-de-2017-que-poderia-oferecer.html https://branmorrighan.com/2017/12/10-livros-de-2017-que-poderia-oferecer.html#respond Sun, 10 Dec 2017 16:15:00 +0000

À semelhança do que fiz em 2016, aqui ficam 10 sugestões de livros para este Natal. Aliás, na verdade, esta imagem pode muito bem reflectir parte dos melhores livros que li este ano. Há algum tempo que decidi não fazer TOPs, mas se recomendamos uma lista de livros é porque eles para nós representam alguma coisa, não? Pois bem, alguns remontam já aos primeiros meses do ano, como Iluminações de uma Mulher Livre, de Samuel Pimenta, enquanto outros saíram recentemente, como Jalan Jalan, de Afonso Cruz. Não estando ordenados por nenhuma ordem ou razão específica, tentei ainda assim equilibrar o número de autores portugueses e autores estrangeiros. Por causa disso, há outros dois livros que estariam ali igualmente bem: “1933 foi um mau ano”, de John Fante (Alfaguara) e “A Sul de Nenhum Norte”, de Charles Bukowski. Acabei por não colocá-los porque são autores que já têm uma boa legião de fãs e nestas recomendações quis colocar livros que talvez não fossem escolhas evidentes à primeira vista. Ora vejamos. 

Afonso Cruz, apesar de para mim ser um dos melhores autores do mundo (é a verdade), parece continuar a ser conhecido apenas num circuito mais restrito, o que escapa à minha compreensão (mas também pode ser só impressão minha). “Jalan Jalan”, a sua mais recente obra, tem sido para mim uma leitura que tem atingido várias dimensões. Nos últimos dois anos devo ter viajado por sete países diferentes, vivi um mês no Japão, etc, e às vezes há aqui coisas sobre essa mobilidade constante que disparam alguns “triggers”. Deixarei essas deambulações para o texto de opinião. O que interessa aqui é: vale COMPLETAMENTE a pena ser adquirido e lido com atenção. 

Eimear McBride, a autora revelação, para mim, de 2016 com o seu “Uma Rapariga É Uma Coisa Inacabada”, lançou este ano o seu segundo romance “Pequenos Boémios”. Foi mais um livro que devorei compulsivamente e foi a concretização da certeza que esta autora se tornou numa das minhas preferidas de sempre. A sua forma de escrita, muitas vezes fragmentada, transporta-nos directamente para o psicológico dos seus protagonistas. Há murros no estômago que merecem ser sentidos. As suas histórias são exemplos disso. 

James Rhodes e a sua história brutal em “Instrumental” são ideais para os que estão dispostos a mergulhar em cenários agressivos, porém também comoventes. Um livro não muito fácil de se ler, mas onde se aprende muito e se acompanha a luta de quem já atravessou estados mentais que passam completamente ao lado da maioria dos humanos durante a sua vida. Só tenho pena de não ter conseguido ir ver nenhum dos concertos que deu recentemente em Portugal.

Angie Thomas foi genial ao escrever “O Ódio Que Semeias”. Apesar de estar categorizado como jovem-adulto, é um livro que recomendaria para qualquer faixa etária. Penso que escrevi isto na opinião: este é um livro necessário! No nosso país não conhecemos assim tantas histórias como aquela, mas é excelente para abrirmos os olhos em relação a outras realidades tão difíceis. E tudo isto é facilmente testemunhado a partir da protagonista com quem a empatia é imediata. 

David Litchfield e as suas maravilhosas ilustrações. “O Urso e o Piano” é toda uma viagem por uma história super querida ilustrada de forma a aquecer e a derreter os nossos corações. Recentemente foi editado “O Gigante Secreto do Avô” que veio comprovar a sua mestria no que toca à forma magnífica como dá cor às suas histórias. Frios e quentes misturam-se num equilíbrio que acabam por reflectir as emoções do que se está a ler. 

Dulce Garcia e o seu “Quando Perdes Tudo Não Tens Pressa de Ir a Lado Nenhum” foram uma das melhores descobertas de 2017. Confesso que foi o título que me atraiu. A vida prega-nos rasteiras e às vezes, mesmo que não seja bem assim, sentimos que perdemos tudo e que então a vida parece que pode esperar que lhe voltemos a dar atenção. Foi um romance sentido, dramático, mas com um sentido real bastante apurado. Um romance de estreia muito bem conseguido. 

Carla M. Soares já é bem conhecida por estes lados. No início do ano lançou “O Ano da Dançarina” e foi uma excelente maneira de recordar alguma história e de ao mesmo tempo viver um romance que poderia mesmo ter acontecido. Sei que entretanto lançou outro romance, mas ainda não o tenho nem li. Como tal, fica esta sugestão que irá deliciar os amantes de romance histórico. 

Sandra Carvalho é uma das autoras mais queridas de Portugal. A cada Feira do Livro está horas e horas a assinar livros e foi este ano que terminou a trilogia Crónicas da Terra e do Mar, que recomendo por completo. A Sandra é uma autora que inspira um carinho enorme e uma devoção completamente merecida. As suas narrativas proporcionam-nos viagens fantásticas, sempre com aquele olhar romântico. Nunca são histórias fáceis, existe sempre muita luta, mas também o amor vence sempre no fim. Leiam-na e deixem-se conquistar. Vale a pena!

Rosa Montero, outra escritora que é das minhas preferidas. Lembro-me do impacto que teve o primeiro livro que li seu. “A Ridícula Ideia de Não Voltar a Ver-te”. Tinha perdido dois grandes amigos meus recentemente e, apesar de a história ter um contexto amoroso e autobiográfico, as emoções foram tão fortes que foi impossível não me sentir atingida por elas. Em “A Carne”, Rosa Montero expõe a peito aberto as fragilidades emocionais que a idade pode trazer com elas. Como será o amor quando sentimos que o nosso tempo já passou? Um romance duro, mas que vale a pena. 

Samuel Pimenta é um jovem autor português que continua a passar ao lado de muita gente, mas cuja voz merece ser ouvida. É um poeta notável e um romancista acutilante. Depois de em 2016 ter lançado o romance “Os Números Que Venceram os Nomes”, uma chamada à atenção à forma como a humanidade pode progredir, este ano presenteou-nos com “Iluminações de Uma Mulher Livre”, que pretende dar uma nova força à imagem e ao poder interior da mulher. É um dos autores nos quais vale a pena apostar. 

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Opinião: O Ano da Dançarina, de Carla M Soares https://branmorrighan.com/2017/05/opiniao-o-ano-da-dancarina-de-carla-m.html https://branmorrighan.com/2017/05/opiniao-o-ano-da-dancarina-de-carla-m.html#respond Wed, 24 May 2017 10:35:00 +0000

O Ano da Dançarina

Carla M Soares

Editora: Marcador

Sinopse: No ano de 1918, o jovem médico tenente Nicolau Lopes Moreira regressa da Frente francesa, ferido e traumatizado, para o seio de uma família burguesa de posses e para um país marcado pelo esforço de guerra, pela eleição de Sidónio Pais e pela pobreza e agitação social e política. No regresso, Nicolau vê-se confrontado com uma antiga relação com Rosalinda, dançarina e amante de senhores endinheirados, e com as peculiaridades de uma família progressista. Enquanto a Guerra se precipita para o fim e, em Lisboa, se vive a aflição da epidemia e da difícil situação política, a família experimenta o medo e perda, e Nicolau conhece um amor inesperado enquanto trava as suas próprias batalhas contra a doença e os próprios fantasmas. Este é um romance de grande fôlego, histórico, empolgante e profundo, sobre a superação pessoal e uma saga familiar num tempo de grande mudança e turbulência em Portugal. 

OPINIÃO: O primeiro livro de Carla M Soares saiu em 2012. Ainda me lembro da febre que trazia comigo naquela altura de querer conhecer novos autores portugueses e a Carla foi uma dessas promessas que se concretizou. Com este seu quarto romance, todas as dúvidas que ainda ousassem existir são obrigadas a dissiparem-se. Estamos perante uma escritora que cresce a cada obra, sendo que O Ano da Dançarina marca a entrada num novo patamar. À semelhança das obras anteriores o registo mantém-se dentro do romance histórico, mas apercebi-me, a certa altura, que quase parecia estar a ler outra autora. Não digo isto num sentido depreciativo, pelo contrário, acho que existe uma maturidade e um atrevimento que transmitem uma maior “segurança” ao leitor, no sentido de realmente sentirmos que estamos a ler uma grande escritora.

É verdade que não sou a maior especialista em romances históricos e, dependendo muito do estilo de escrita, nem sempre tenho a devida paciência para a carga de informação que muitas vezes é despejada. Nisso, a Carla M Soares destacou-se. Acho que do que mais gostei neste O Ano da Dançarina foi precisamente a forma como senti que a cada página aprendia mais um pouco, enquanto me fixava na parte mais sensível – as vidas e personalidades das várias personagens que me iam sendo apresentadas. Isso e também o facto de ter duas personagens femininas fortíssimas. A Carla vai-me desculpar por referir isto novamente, mas lembro-me que o maior entrave à sua escrita naquele primeiro romance tinha sido a minha implicação com a sua protagonista. Desde então, de livro para livro, também os protagonistas têm ganho mais textura e mais fibra, aproximando-se assim muito mais do leitor. Há também que destacar o belo trabalho que a editora fez com a capa e que a autora fez com o título. O Ano da Dançarina é um título super inteligente e que tem muito mais a dizer do que o que possa parecer à primeira vista. 

Depois desta leitura, a família Lopes Moreira fica guardada nos nossos corações de forma muito especial. Gostei muito de Nicolau, sim, mas confesso que gostaria de ter sabido mais sobre César. Eu sei, eu e a minha queda para as estrelas cadentes! A Bernarda, a irmã, é das minhas. E que bom que haja romances que reafirmem a coragem das mulheres ao longo da história. Mesmo o foco tendo sido no regresso traumático da guerra de Nicolau, achei que a tipografia teve uma importância bastante elevada também. Cecília foi um misto de emoções. E acho que quando a encontrarem na história por vezes vão ter expectativas que nem sempre são cumpridas, mas que são compreendidas. E o seu avô! Mas que senhor mais adorável! Claro que há mais personagens das quais podia falar, mas deixo isso convosco. A narrativa está a um ritmo muito bom, a acção e a descrição estão muito bem equilibradas e os diálogos são dinâmicos e oportunos. Parabéns, Carla M Soares, aqui está uma obra digna de ser lida do princípio ao fim só com pausas para o indispensável. 

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[DESTAQUE] Desassossego da Liberdade já à Venda ao Público! https://branmorrighan.com/2015/06/destaque-desassossego-da-liberdade-ja.html https://branmorrighan.com/2015/06/destaque-desassossego-da-liberdade-ja.html#comments Thu, 18 Jun 2015 12:23:00 +0000

É com muita, muita alegria que vos comunico, já com uns dias de atraso, que esta colectânea tão especial já está à venda no site da Livros de Ontem: http://livrosdeontem.pt/produto/desassossego-da-liberdade-colectanea/

E é especial por imensas razões. Em primeiro lugar porque foi um desafio organizar uma obra literária. O que escolher, quem escolher? Pois bem, esoclhi o que realmente importa – sentir que de alguma maneira esta obra pode marcar pela diferença. Na altura falei com o Luís Miguel Rocha e ele deu-me o empurrão que eu precisava para avançar com a ideia. Contactei autores que me tinham marcado no último ano (afinal esta obra surge como comemoração do 6º aniversário do blogue) e que quis desafiar a saírem da sua zona de conforto e a pensarem sobre este tema.

Afinal o que é o Desassossego da Liberdade? “Ah e tal, faz-me lembrar Fernando Pessoa”, e faz lembrar muito bem. Mas o centro não é a heterogeneidade de Fernando Pessoa nem os seus desassossego, é antes sermos capazes de olhar para nós mesmos e para os que nos rodeiam e ponderar até que ponto somos livres e até que ponto é que sermos ou não nos desassossega (ou não desassossega de todo). 

Para além dos cinco autores que convidei – Carla M. Soares, Manuel Jorge Marmelo, Samuel Pimenta, Nuno Nepomuceno e Pedro Medina Ribeiro – também o Luís esteve para participar com um conto, mas devido a nos ter deixado cedo de mais, nunca chegou a terminá-lo. A sua presença, o seu espírito e todo o seu carácter maravilhoso e solidário marcaram o rumo desta colectânea. Foi com ele que discuti a ideia de doarmos os direitos de autor a uma associação sem fins lucrativos, neste caso a Burricadas – Abrigo do Jumento. Já antes uma banda portuguesa, os Nobody’s Bizness tinham feito um disco que revertia em parte para a Burricadas e eu decidi fazer o mesmo. Afinal os burros também são cultura portuguesa! 

Como no último ano o blogue também mergulhou com alguma profundidade no meio musical, tive a ideia de convidar pelo menos um músico para participar nesta colectânea e o Guillermo de Llera, com o seu espírito irreverente já conhecido nos Primitive Reason, foi uma escolha imediata. Mas eu tinha outro desejo meio secreto, por gostar tanto do seu trabalho e da forma como mostra ver o mundo – o Noiserv. Calhei de o entrevistar enquanto a colectânea era preparada e falei-lhe dela. Sabia que a sua agenda andava ao rubro e que por isso seria provável que ele não pudesse aceitar, mas para minha grande alegria aceitou e aceitou muito bem. Se do Guillermo já conhecia alguns escritos, do Noiserv foi uma estreia e uma estreia maravilhosa. Espero que o possam descobrir com o mesmo fascínio que eu o fiz, afinal é a sua estreia na literatura! 

A sua e não só, vem aí mais uma parte muito gratificante. Não fazia sentido organizar algo deste género se não fosse para dar oportunidade a novos autores, àqueles que provavelmente nunca teriam publicado, e decidi abrir um concurso. A escritora Tânia Ganho foi um anjo ao aceitar ser júri (infelizmente não pôde participar, tenho a certeza que seria esplêndida) e lá surgiram cinco vencedores. Ainda não conheço todos pessoalmente, mas os que tenho visto pelas redes sociais têm-me aquecido o coração com o seu empenho e com a sua felicidade.

A cereja no topo do bolo foi o João Pedro Fonseca, um dos artistas mais maravilhosos que conheço, ter aceite fazer parte deste projecto. A capa está perfeita. Os astros foram bondosos comigo ao permitirem-me conhecer alguém com tanto talento e tão disposto a fazer coisas diferentes, a romper conceitos e a ir mais além. Não podia ter pedido nada nem ninguém melhor, nem mais adequado. 

O livro venceu a batalha do crowdfunding por uma margem jeitosa e dia 4 de Julho teremos lançamento. Falta a certar a hora, mas podem já ficar a saber que será no bar O Bom, o Mau e o Vilão e que terá algumas surpresas. Não sei se é só de mim, mas estou cansada do estilo apresentação formal. E quem me conhece sabe que gosto de “agitar” um bocado as coisas. Curiosos? Pois bem, também eu! Ansiosa de poder confirmar tudo, mas vamos ter de esperar mais uns dias. Talvez Segunda a informação completa e oficial possa ser disponibilizada. 

Obrigada a todos os que fizeram parte deste processo que, para mim, já começou há cerca de um ano. Ter o objecto físico agora na mão significa tanto! Mas também me relembra uma ausência que ainda pesa, que vai sempre pesar. Ainda assim quero virar isto como uma espécie de comemoração, como algo de bom que surgiu através de ideias e incentivos de pessoas maravilhosas, como todas até agora têm sido, mesmo com dificuldades e imprevistos pelo meio. Sou uma pessoa muito grata e uma pessoa melhor, mais atenta e mais forte depois deste último ano. 

Vemo-nos em breve, sim? E obrigada, mais uma vez, por estarem desse lado de forma tão carinhosa! 

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Entrevista a Carla M Soares, Escritora Portuguesa – O Balanço do e-book vs livro, entre outras coisas https://branmorrighan.com/2015/04/entrevista-carla-m-soares-escritora.html https://branmorrighan.com/2015/04/entrevista-carla-m-soares-escritora.html#comments Sat, 18 Apr 2015 12:32:00 +0000 A Carla M Soares é uma escritora portuguesa, bem conhecida pelo público feminino, que já publicou três romances de época/históricos. O primeiro foi o Alma Rebelde, pela Porto Editora em 2012, o segundo foi A Chama ao Vento, pela Coolbooks em 2013, e o último, O Cavalheiro Inglês, pela Marcador Editora em 2014. Numa primeira entrevista, ainda não tinha saído o primeiro romance, a Carla falou-nos dos seus hábitos de escrita e um pouco sobre essa estreia literária. Neste nova entrevista, exploramos o balanço que é feito após essas publicações que variaram entre o formato físico e o formato e-book. Relembro também que a Carla M Soares é uma das autoras da colectânea Desassossego da Liberdade que está para ser apresentada brevemente. Fiquem então com a entrevista.


Fotografia por Sofia Teixeira

Carla, faz três anos que deste a primeira entrevista ao Morrighan em que nos falaste um pouco de ti e do teu ambiente de escrita. Tinhas lançado o teu Alma Rebelde. Ainda te lembras da sensação foi lançar aquele teu primeiro romance pela Porto Editora? 

Lembro-me muito bem. Foi uma altura de alegria, muita esperança, algum medo, como costuma acontecer em todos os princípios. Algum orgulho, também, porque conseguir uma primeira oportunidade com uma boa editora não é nada fácil para um anónimo… Olhando para trás, devia ter festejado mais, em vez de conter-me como costumo fazer, porque momentos desses não se repetem. 

Quis o destino que passasses pela experiência de seres uma das primeiras autoras da chancela Coolbooks, da Porto Editora, mas cuja edição é apenas digital, sem replicação no objecto físico livro que tanto nos é familiar. Como foi a experiência de teres A Chama ao Vento apenas nesse lado virtual? 

Tenho sentimentos mistos quanto a isso. Por um lado, como leitora de digital, achei que era uma aposta interessante, e foi, até certo ponto. A editora tem excelentes ideias, trabalha com empenho e tam publicado bons textos, ainda que o formato wook não agrade a todos (embora possa, ao contrário do que algumas pessoas crêem, ser lido offline, num grande número de suportes). Por outro, para um autor, é deliciosa a sensação de ter o objecto entre as mãos, poder assiná-lo, oferecê-lo, e isso não é possível com o ebook. Acredito no Chama, tem sempre recolhido boas opiniões, mas  poucas, porque poucos o têm lido, provavelmente devido ao formato. Isso é desapontante para um autor. 

Dada esta dualidade, primeira obra física, segunda apenas digital, penso que mais do que como leitora, como escritora,  és aquela pessoa ideal a quem perguntar qual a perspectiva que fica entre um mundo e outro. Achas que o público português já aposta em e-books com frequência e sem preconceitos? 

Desta experiência, fico com a percepção de que o digital ainda tem um longo caminho a percorrer por cá. Um dia talvez esteja realmente aceite, mas por ora, o que se ouve em geral é, ou “não, isso não é um livro”, ou “sim, até leio, mas prefiro um livro”. É natural, eu própria partilho perspectiva, leio muito em ebook, mas gosto do papel. Os leitores de digital por cá são geralmente as pessoas que escolhem leituras em inglês na amazon, smashwords, etc, e as descarregam para os seus kindles e kobos. Para autores portugueses, a preferência recai claramente no livro e a ideia é que, se é português e publica em ebook, tem que ser inferior. É verdade? Mentira? Não sei. Os critérios das editoras são complexos e envolvem critérios de mercado que decerto fazem com que muitos dos livros nos escaparates sejam inferiores aos que hão de ficar para sempre nas gavetas… ou ser publicados em ebook. 

Em Dezembro de 2014, há uns meses, tive o prazer de apresentar a tua obra O Cavalheiro Inglês, desta vez por outra casa, a Marcador. A que é que se deveu a mudança? 

Precisamente ao que apontei nas respostas anteriores. Depois de me ter aventurado pelo digital, concluí que ainda não era para mim, senti demasiada falta do objecto físico e do que ele envolve. Achei que tinha que tentar uma nova publicação em papel e, uma vez que os planos da Porto Editora não me incluíam, a não ser através do digital, tentei novas vias. Felizmente, tudo se conjugou para a Marcador me abrir a porta e eu entrei, com muita satisfação. Espero que seja mútua. 


Entrando mais no universo literário das tuas obras e personagens, e com estas três histórias cá fora, há algum momento, na escrita de algum deles, que te tenha sido mais doloroso? Se sim, como é que ultrapassaste essa fase? 

Depois de ter publicado ter romances de época, ou pelo menos com uma vertente histórica, o mais doloroso é a dúvida sobre se começarei a repetir-me. Tenho um grande receio disso, de me sentir a cair dentro de uma fórmula. De resto, a escrita é, em geral, um processo feliz para mim, para o qual preciso de me sentir em paz. Não escrevo a partir do tumulto, nem da tristeza ou da preocupação.  E é um processo de alheamento da realidade, em que me envolvo de tal forma com a história e as personagens que nem estou “cá”, estou “lá”. Há momentos de hesitação, em que parece que a história não vai resultar, em que acho que não funciona, e então tenho que parar durante um tempo, pegar em textos anteriores para rever – em geral, recorro a A Grande Mão quando ando assim, é um texto meu de fantasia que tem sempre o dom de me recuperar – e deixar-me respirar. Costuma resultar em mudanças, às vezes subtis mas importantes, na trama ou nas personagens. Quanto a momentos específicos… desconfio que vou sentir dificuldades no livro que estou a escrever agora e, sim, é de época. Tenho que matar uma personagem central que já começo a estimar e causar bastante sofrimento a outra…

Sei que tens na famosa gaveta de escritor alguns manuscritos, ou parte deles, de literatura fantástica. Como é que dás o salto do romance histórico para esse estilo? São dois universos que em ti se complementam? 

Se dei algum salto, foi ao contrário, da fantasia para o histórico, porque foi por ela que comecei, há uns dez, onze anos. A fantasia é uma escola de escrita extraordinária, porque obriga a construir mundos sólidos, plausíveis, personagens com alguma densidade, e uma intriga com um certo ritmo e sem pontas soltas. Aprende-se muito sobre tom, ritmo, enredo, verosimilhança, etc, a escrevê-la. 

O tal salto para o romance de época aconteceu por acaso, não foi deliberado. Gosto de história, mas nunca me imaginara a escrever nada do género… até escrever alguma coisa do género. Surgiu a ideia – tenho falado disso outras vezes, a partir do conceito de que já ninguém escreve cartas – e gostei tanto, que acho que vou oscilar sempre entre os dois géneros.  Como não escrevo  acontecimentos ou figuras históricas, mas histórias de gente inseridas em épocas que suscitam o meu interesse, o fundamental é o mesmo que na fantasia – a intriga, as personagens, o contexto, com a diferença de que o histórico tem menos liberdade, porque obriga a respeitar a realidade da época e local que escolhemos para a intriga, e portanto a conhecer os acontecimentos históricos em geral e os detalhes que podem torná-la mais “real. A minha preocupação é sempre como integrá-los de forma dinâmica e natural, centrando-me na história e não na História. 

Acaba por não divergir assim tanto da fantasia, porque, se é contemporânea, há uma realidade por trás dela, se é um mundo alternativo, há também uma História…

Tens esperança de vir a editar um, ou mais, desses mundos fantásticos? 

Gostava muito. Pergunto-me se, estando conotada com o romance de época, alguma editora ou até os leitores aceitaria bem essa vertente, que tem, à partida, um publico específico. Também não estou certa de que o publico português que lê fantasia acredite na que é escrita em solo nacional… Mas gostaria muito de um dia ter nas mãos um exemplar de A Grande Mão, de A Dama do Rio, que foi o meu primeiro texto, ou até de O Olhar da Besta! Precisariam de algum trabalho, sobretudo este último, de fantasia urbana passada entre Lisboa e os Catskills, que tem uns quantos aspectos que, neste momento, alteraria de forma radical.

Ser escritor tem aquele lado mais doloroso que é o da espera… Estarão a ler? O que é que estarão a achar? Depois da espera, tem compensado toda a ansiedade? 

Invejo os autores que conseguem isolar-se dessa ansiedade e, depois de publicado, “abandonar” o livro. Eu não. Talvez se um dia tiver a confiança de ganhei de facto um lugar, seja diferente, mas,  por ora, a espera não acaba e essa pergunta, “Estarão a ler?” é constante. Temos acesso apenas a uma pequena percentagem das opiniões dos leitores (espero!), que são as que vão aparecendo online, nos blogues, Facebook e Goodreads e às vezes é impossível não ficar desapontado, quando há leituras paradas ou ninguém está a ler. Mesmo que a maioria das opiniões seja positiva, quando é assim pergunto-me se o livro não será suficientemente interessante, se já “morreu”… Sou a minha pior crítica, sempre fui!

O que é que tens planeado para o futuro próximo, para além da edição do Desassossego da Liberdade em que tão amavelmente aceitaste participar e que desde já agradeço J ?

A Desassossego é um projecto muito interessante. Agradeço-te e ao Morrighan este convite, que é tão especial… e é uma novidade para mim, que não sou escritora de contos. Estou muito curiosa para ler os restantes. Espero que seja  bem sucedida, faça muitos leitores felizes e muitos burrinhos da Burricadas também! Aos leitores, lembro que é para esta associação que revertem os lucros dos convidados e da organizadora.  De resto, estou a rever mais uma vez, aos poucos, o A Grande Mão e a escrever, também aos poucos, um novo de época, a que chamei, para já, O Ano da Dançarina. Passa-se em 1918, no pós-guerra, ano de gripe espanhola  (la dansarina), de greves e do assassinato do Sidónio Pais… Veremos o que lhe sucede, depois de pronto, porque a minha experiência me dita que nada é garantido e tem que ser um livro de cada vez. 

PRIMEIRA ENTREVISTA

http://www.branmorrighan.com/2012/04/entrevista-carla-m-soares-escritora.html

OPINIÕES


Alma Rebelde

http://www.branmorrighan.com/2012/05/opiniao-alma-rebelde-de-carla-m-soares.html

A Chama ao Vento:

 http://www.branmorrighan.com/2014/07/opiniao-chama-ao-vento-de-carla-m-soares.html

O Cavalheiro Inglês

http://www.branmorrighan.com/2014/12/opiniao-o-cavalheiro-ingles-de-carla-m.html

FACEBOOK

https://www.facebook.com/carlamsoares.pt

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E agora, o que se segue? [Diário de Bordo XLVI] A correria do costume e o Crowdfunding https://branmorrighan.com/2015/03/e-agora-o-que-se-segue-diario-de-bordo_10.html https://branmorrighan.com/2015/03/e-agora-o-que-se-segue-diario-de-bordo_10.html#respond Tue, 10 Mar 2015 10:43:00 +0000

É verdade, esta fotografia bem que podia ser o reflexo dos meus últimos meses. Sempre a correr, por vezes literalmente, e a tentar chegar mais além, também literalmente. Acontece que ao contrário do que se deu no momento desta fotografia, nem sempre consigo atingir o ponto mais alto da minha produção quando quero e os últimos dias têm sido uma loucura ainda maior do que o que costume.

Dar aulas na faculdade é algo que gosto mesmo de fazer, mas tudo tem um preço e conjugar isso com um trabalho de doutoramento que se tem andado a arrastar mais a preparação das fases finais de basquetebol, tem exigido uma certa quantidade de energia que nem sempre é fácil manter. Não vou a um concerto desde o aniversário do blogue no Maus Hábitos e embora já comece a aceitar fazer novas entrevistas, é certo que tenho quase vinte por transcrever e também isso tem que ser diluído rapidamente. Se souberem de um truque para fazer dobrar o tempo, sou toda ouvidos!

Com isto tudo não me quero queixar, mas antes alertar que o volume de conteúdos já anda a sofrer com isso, mas que ando a fazer os possíveis para vos trazer o máximo de informação possível que acho relevante. E neste momento, a mais importante é a seguinte:

“DESASSOSSEGO DA LIBERDADE” – COLECTÂNEA DE CONTOS

A campanha de Crowdfunding para a concretização desta obra já está disponível no site PPL: http://ppl.com.pt/pt/livros-de-ontem/desassossego-da-liberdade

Esta é uma colectânea muito especial por mim, organizada a pensar no Sexto Aniversário do blogue, mas que se tornou em muito mais do que isso. Os 5 Escritores Convidados são todos muito especiais para mim, os 2 Músicos Convidados marcaram muito o último ano do blogue e ainda tive o prazer de descobrir mais 5 Novos Autores. Temos então:

Contos de Carla M. Soares; Manuel Jorge Marmelo; Nuno Nepomuceno; Pedro Medina Ribeiro e Samuel Pimenta.

Autores convidados: David “Noiserv” Santos e Guillermo de Llera Blanes.

Autores vencedores: André Mateus; Cláudia Ferreira; Eduardo Duarte; Márcia Balsas e Márcia Costa.

Capa: João Pedro Fonseca

Organização: Sofia Teixeira

Editora: Livros de Ontem

Para saberem mais e poderem ajudar, em que cada ajuda significa que pelo menos o nome estará nos agradecimentos e consoante o montante ainda poderão ficar com um ou mais exemplares do livro é visitarem o link: http://ppl.com.pt/pt/livros-de-ontem/desassossego-da-liberdade

Estou muito orgulhosa deste projecto e espero que possa ver a luz do dia com a vossa ajuda, os melhores leitores do mundo! A apresentação, contando que irá acontecer, será também ela uma festa muito bonita. Não esquecer que 30% dos direitos vão para a Associação sem Fins Lucrativos Burricadas – O Abrigo do Jumento! 

Agora tenho de ir ali a correr dar mais uma aula, mas hei-de dar novamente notícias brevemente! 

Grande beijo e muito obrigada a todos pelo apoio! 

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[6 Anos Blogue Morrighan] Mensagem Especial – A autora Carla M. Soares dá os Parabéns ao Morrighan https://branmorrighan.com/2015/01/6-anos-blogue-morrighan-mensagem_15.html https://branmorrighan.com/2015/01/6-anos-blogue-morrighan-mensagem_15.html#comments Thu, 15 Jan 2015 20:39:00 +0000

Tomei contacto com o blogue Morrigahn por acaso, quando eu própria me iniciei nestas coisas dos blogues. Não tinha, na altura, nenhum livro publicado – era blogueira e não escritora. Achei o blogue surpreendente porque, pelo nome, esperava uma coisa e surgiu-me outra, muito melhor. 


Entretanto “conheci” a Sofia e depois conheci a Sofia, e porque sigo o blogue sei que o crescimento brutal que tem tido, em todos os aspectos, dimensão, importância e qualidade, são exclusivamente graças à sua energia e competência e disponibilidade. Às vezes custa a acreditar onde vai buscar tanta e como faz multiplicar as 24 horas de cada dia! 


O Morrighan faz anos e está de parabéns! Não só pelo aniversário ou pelas fantásticas iniciativas de celebração que a Sofia preparou e nas quais tenho o maior prazer de ocupar uma (pequena) posição. Está de parabéns sobretudo por ter sido capaz de crescer sem perder a identidade e sem deixar de dar importância àquilo que é importante para a Sofia: a cultura portuguesa, sobretudo aquela que ainda está a dar os primeiros passos, seja na música ou na literatura. 


Energia e tempo, Sofia, é o que te desejo (a ti e ao blogue) para continuares o trabalho que com tanto gosto tens feito!

Carla M. Soares

É incrível, mas acho que ainda me lembro do primeiro comentário da Carla – monster blues – no Morrighan. Se não foi no primeiro, foi num dos primeiros, disse-me que ela própria estava para lançar um livro. Claro que fiquei curiosa, ainda por cima estava com aquela motivação toda, em 2012, depois de um ano transacto caracterizado pela minha ausência no blogue. Os astros lá se alinharam e quando Alma Rebelde saiu, não só o li como entrevistei a Carla. Desde então que vamos mantendo contacto, gosto muito das suas obras, cada vez mais até, e também como pessoa a Carla se tem mostrado de uma coragem ímpar. 

A colectânea que estou a organizar, juntamente com a Livros de Ontem, contém um conto da Carla M. Soares e na minha opinião é dos melhores contos que alguma vez li. Talvez esta acabe por ser uma troca em que ambas agradecemos uma à outra o apoio que nos vamos dando e a amizade que se estabeleceu. Só posso agradecer a maravilhosa mensagem que me deixou, e ao blogue, e desejar que isto seja apenas o início. 

Mais sobre a Carla M. Soares no Morrighan: 

http://www.branmorrighan.com/search/label/Carla%20M.%20Soares

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Opinião: O Cavalheiro Inglês, de Carla M. Soares https://branmorrighan.com/2014/12/opiniao-o-cavalheiro-ingles-de-carla-m.html https://branmorrighan.com/2014/12/opiniao-o-cavalheiro-ingles-de-carla-m.html#respond Sun, 14 Dec 2014 14:09:00 +0000

O Cavalheiro Inglês

Carla M. Soares

Editora: Marcador

Sinopse: PORTUGAL. 1892. Na sequência do Ultimato inglês e da crise económica na Europa e em Portugal, os governos sucedem-se, os grupos republicanos e anarquistas crescem em número e importância e em Portugal já se vislumbra a decadência da nobreza e o fim da monarquia. 

Os ingleses que ainda permanecem em Portugal não são amados. O visconde Silva Andrade está falido, em resultado de maus investimentos em África e no Brasil, e necessita com urgência de casar a sua filha, para garantir o investimento na sua fábrica.

Uma história empolgante que nos transporta para Portugal na transição do século XIX para o século XX numa narrativa recheada de momentos históricos e encadeada com as emoções e a vida de uma família portuguesa.

Opinião: Acompanho a carreira da nossa escritora Carla M. Soares desde o seu início, na Porto Editora, com o Alma Rebelde. Foi um início tímido, no primeiro semestre de 2012, mas que conquistou uma boa base de leitores fiéis. A qualidade da sua escrita demonstrou-se inegável, reflectindo ainda uma maior expressividade em A Chama ao Vento, o seu segundo menino editado digitalmente pela Coolbooks. Foi um livro mais complexo, de uma trama intrincada cujos meandros exigiam atenção. Tive muita pena que não tivesse uma edição física, embora leia digital, ainda sou completamente fã de ter o livro nas mãos e folheá-lo, e eis que surge O Cavalheiro Inglês, novamente com uma edição física belíssima, desta vez pela Marcador Editora, na colecção Livros RTP. 

É quase ingrato escrever sobre este livro, pois fui eu quem fez a sua apresentação na Bertrand Picoas Plaza e, para quem esteve lá, certamente nada do que direi será novidade. Uma das primeira coisas que me veio à cabeça quando terminei esta leitura foi que este era, até agora, o melhor livro da Carla. Embora tenha adorado o A Chama ao Vento, achei que neste O Cavalheiro Inglês a nossa escritora encontrou o ritmo certo, a dose equilibrada de cada um dos seus ingredientes já característicos – os factos históricos, o romance, o drama e a acção. O início começa logo por levantar algum mistério, por deixar a curiosidade do leitor em alerta para o rumo da história. Quem será este cavalheiro inglês? De que forma é que a sua vida se irá cruzar com a de Sofia?

E eis que tocamos noutro ponto sensível – Sofia. A personagem feminina que faltava na bibliografia da autora. Tem sido um crescendo nas suas obras, a força e determinação dada às mulheres das suas histórias, e Sofia acaba por ter uma evolução notável ao longo da obra, mesmo com as suas fragilidades de menina proveniente de família rica. Ainda assim mostra-se destemida, disposta a desafiar os preconceitos da sociedade para lutar pelo bem da sua família e por aquilo que acha certo. Passa por uma série de provações e, mesmo estando com uma imagem desfeita perante os seus pares, não se coíbe de fazer o que acha que deve fazer. 

Também Sebastião, irmão de Sofia, acaba por ser um protagonista desta trama. Um romântico incurável, mas ao mesmo tempo um rebelde por natureza. Se no começo as suas acções são contidas, com o tempo envolve-se em actividades revolucionárias com anarquistas, deixando Sofia num alvoroço, influenciando também o rumo da sua vida. 

É impossível não referir o maldito duque e todo o mal que foi provocando. Sofia foi-lhe prometida, mas o que inicialmente pareciam rosas, rapidamente se tornaram espinhos. E é quando esta tormenta atinge o seu pico máximo que também a leitura acelera, estamos perante um virar de acontecimentos que torna impossível não querer ler mais uma página, percorrer mais algumas ruas de Lisboa ou até apanhar o comboio para o Porto. 

Desnecessário será dizer que toda esta envolvente viciante à volta d’O Cavalheiro Inglês se deve à escrita de imagética extremamente forte de Carla M. Soares. Conseguimos visualizar cada objectivo, cada pormenor. Somos transportados para aquele tempo, tão bem descrito e desenvolvido. Nota-se um grande trabalho de pesquisa, um cuidado nos pormenores, que acaba por distinguir esta obra de outras do mesmo género. Sem dúvida, o meu livro preferido da Carla até agora. 

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[DESTAQUE] HOJE – Apresentação do livro “O Cavalheiro Inglês”, de Carla M. Soares https://branmorrighan.com/2014/12/destaque-hoje-apresentacao-do-livro-o.html https://branmorrighan.com/2014/12/destaque-hoje-apresentacao-do-livro-o.html#respond Thu, 11 Dec 2014 13:03:00 +0000

Será hoje, pelas 18h30, na Bertrand Picoas Plaza, que irei apresentar o mais recente romance da escritora Carla M. Soares, desta vez editado pela editora Marcador, chancela da Editorial Presença, inserido na colecção Os Livros RTP. 

Apareçam que tenho coisas boas a falar sobre este livrinho! O meu obrigada à Carla e à editora pelo convite. 

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[DESTAQUE] Carla M Soares tem novo livro – O Cavalheiro Inglês – pela editora Marcador (Livros RTP) https://branmorrighan.com/2014/12/destaque-carla-m-soares-tem-novo-livro.html https://branmorrighan.com/2014/12/destaque-carla-m-soares-tem-novo-livro.html#respond Thu, 04 Dec 2014 16:46:00 +0000

O Cavalheiro Inglês

Carla M. Soares

Editora: Marcador

Nº de Páginas: 400

Formato: 15,5×23,5 cm

PVP: 17,70€

ISBN: 978-989-754-125-4

UM ROMANCE HISTÓRICO REPLETO DE EMOÇÕES FORTES, VIVIDO NO SEIO DE UMA FAMÍLIA VERDADEIRAMENTE PORTUGUESA NO VIRAR DO SÉC. XX 

Uma nação em crise.

Uma família na miséria.

Uma mulher determinada.

Um noivo terrível.

Um inglês apaixonado.

Um crime e uma proposta indecente.

LIVRO

PORTUGAL. 1892. Na sequência do Ultimato inglês e da crise económica na Europa e em Portugal, os governos sucedem-se, os grupos republicanos e anarquistas crescem em número e importância e em Portugal já se vislumbra a decadência da nobreza e o fim da monarquia. 

Os ingleses que ainda permanecem em Portugal não são amados. O visconde Silva Andrade está falido, em resultado de maus investimentos em África e no Brasil, e necessita com urgência de casar a sua filha, para garantir o investimento na sua fábrica.

Uma história empolgante que nos transporta para Portugal na transição do século XIX para o século XX numa narrativa recheada de momentos históricos e encadeada com as emoções e a vida de uma família portuguesa.

NO SEIO DE UMA FAMÍLIA, HÁ CORAÇÕES QUE SE AGITAM ENTRE O CURSO DA HISTÓRIA E O IRRESISTÍVEL PERFUME DOS LIVROS.

AUTORA

Carla M. Soares nasceu em Moçâmedes em 1971. Formou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras de Lisboa e tornou-se professora, de alma e coração. Tem um mestrado em Estudos Americanos. A tese de doutoramento em História da Arte, começada na Faculdade onde se formou, aguarda dias mais tranquilos para uma conclusão cuidada. Publicou em 2012 o romance de época Alma Rebelde, com a Porto Editora, e embarcou em 2014 na aventura digital, publicando o romance A Chama ao Vento, com a Coolbooks.

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[6 Anos Blogue Morrighan] Colectânea O Desassossego da Liberdade – Revelação do Quarto Convidado! https://branmorrighan.com/2014/11/6-anos-blogue-morrighan-colectanea-o.html https://branmorrighan.com/2014/11/6-anos-blogue-morrighan-colectanea-o.html#comments Fri, 07 Nov 2014 13:27:00 +0000

Contexto – Concurso de Contos – O Desassossego da Liberdade

Dêem as boas vindas à primeira escritora (leia-se primeira mulher), de entre os convidados todos, da colectânea O Desassossego da Liberdade! Conheci a Carla pouco depois do seu Alma Rebelde. Gostei imenso da sua escrita, da protagonista nem tanto, mas com A Chama ao Vento fiquei realmente com a certeza de que estamos perante uma escritora com imenso potencial. Posto isto, foi com muito gosto que vi a Carla aceitar o meu convite. Tenho a dizer que foi a primeira convidada a enviar-me o conto pronto e, pura e simplesmente, adorei. Estou ansiosa que possam tê-lo disponível para o lerem! 

Aproveito também para partilhar que, ainda antes da colectânea sair, a autora irá ter nova obra publicada, desta vez em papel, por uma editora que tem apostado em novos autores portugueses. Tem sido um processo que tenho acompanhado de perto desde há muito tempo e só posso felicitar a Carla e desejar-lhe a maior sorte do mundo com esse novo romance. É uma autora que realmente vale a pena ler e, melhor ainda, em papel. 

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