David Levithan – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 04:29:15 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png David Levithan – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Opinião: WILL E WILL – Um nome, um destino, de John Green & David Levithan https://branmorrighan.com/2015/08/opiniao-will-e-will-um-nome-um-destino.html https://branmorrighan.com/2015/08/opiniao-will-e-will-um-nome-um-destino.html#respond Sat, 29 Aug 2015 11:30:00 +0000

WILL E WILL – Um nome, um destino

John Green & David Levithan

Editora: ASA

Sinopse: Evanston não fica muito longe de Naperville nos subúrbios de Chicago, mas os jovens Will Grayson e Will Grayson bem que podiam viver em planetas diferentes. Quando o destino os leva à mesma encruzilhada, os Will Graysons veem as suas vidas a sobreporem-se e a seguirem novas e inesperadas direções. Com um empurrão de amigos novos e velhos – incluindo o enorme e enormemente fabuloso Tiny Cooper, jogador ofensivo na equipa de futebol americano da escola e autor de musicais – Will e Will embarcam nas suas respetivas aventuras românticas e na produção épica do musical mais extraordinário da história.

Opinião: John Green e David Levithan são dois autores que já li e que admiro. Nem sempre as leituras foram brilhantes, mas cada um à sua maneira sabe como explorar temas sensíveis e pertinentes de forma a tocar o leitor e a alertá-lo, independentemente da idade que este tenha. Li muitas opiniões sobre este livro, todas elas tão diferentes. Algumas teciam inúmeros elogios, outras falavam numa grande desilusão, mas no fim o meu pensamento foi – gostei. E gostei porque parti sem qualquer expectativa e percorri toda a leitura de mente aberta a possíveis interpretações. Green e Levithan têm maneiras muito diferentes de caracterizar os seus protagonistas e eis que é isso que constatamos ao conhecermos os dois Will Grayson. O primeiro está pela mão de John Green e o segundo pela mão de Levithan. Para a opinião não se tornar demasiado confusa serão tratados por Will Grayson#G e Will Grayson#L respectivamente. 

Para além destas duas personagens centrais, temos ainda o verdadeiro elo de ligação – Tiny Cooper. Penso que, provavelmente, este é aquele que mais divergências tem tido perante as opiniões ligadas a esta obra. Se por um lado algumas pessoas acham que ele é dos melhores protagonistas alguma vez criados, por outro há quem o ache o grande problema desta história. O que é engraçado é que durante a narrativa Tiny Cooper atravessa várias fases e existe um momento crucial em que ele próprio reflecte e demonstra o porquê de ser como é. Aqui existem duas hipóteses – ou compreendemos e nos revemos, ou não e tudo se pode tornar um bocado complicado. Quem é que na sua adolescência nunca teve problemas em relação ao que os outros poderiam dizer sobre si? Ou porque é muito alto, ou muito baixo, ou gordo, ou demasiado magro, ou tem o nariz grande ou então porque pura e simplesmente é homossexual e nem sequer tem a coragem de o admitir?

#G e #L são bastante diferentes um do outro. O primeiro tem pais presentes, um grupo de amigos que, apesar de diminuto, só não contém mais gente porque este gosta de se manter calado e invisível, enquanto #L só tem a mãe em casa, tem crescido sempre com a necessidade de medicamentos para a depressão e toda a sua perspectiva é muito mais dura e sombria. Ambos reflectem muito realisticamente parte das personalidades que os adolescentes conseguem ter, dependendo do ambiente em que cresceram. Aliás, cheguei a ler uma opinião cuja autora dizia que não gostava deste tipo de livros porque eram tão realistas que era como reviver parte do seu passado e que não gostava disso. Se por um lado este pode ser um factor que afaste alguns leitores, por outro é também uma grande chamada de atenção para os que passam ao largo destas circunstâncias.

Não é tanto o romance que fascina aqui, mas acho que com todos os factores paralelos a leitura acaba por ser muito interessante. Tem momentos de grande diversão, mas também tem outros tantos de reflexão. Pode não ser uma obra-prima, mas é certamente um livro que muitos deviam ler. 

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Opinião: A Cada Dia, de David Levithan https://branmorrighan.com/2015/02/opiniao-cada-dia-de-david-levithan.html https://branmorrighan.com/2015/02/opiniao-cada-dia-de-david-levithan.html#respond Thu, 26 Feb 2015 14:13:00 +0000

A Cada Dia

David Levithan

Editora: TOPSELLER

Sinopse: A cada dia um novo corpo. A cada dia uma nova vida. A cada dia o mesmo amor pela mesma rapariga. A cada dia, A acorda no corpo de uma pessoa diferente. Nunca sabe quem será nem onde estará. A já se conformou com a sua sorte e criou regras para a sua vida: Nunca se apegar muito. Evitar ser notado. Não interferir.

Tudo corre bem até que A acorda no corpo de Justin e conhece Rhiannon, a namorada de Justin. A partir desse momento, as regras de vida de A não mais se aplicam. Porque, finalmente, A encontrou alguém com quem quer estar a cada dia, todos os dias.

Opinião: Depois de lermos John Green é normal ficarmos atentos aos seus gostos, afinal A Culpa é das Estrelas é dos livros mais, nem de propósito, brilhantes da última década. Sabendo que o escritor já tinha colaborado com David Levithan noutra obra e colocado um carimbo adulatório nesta, A Cada Dia tornou-se numa leitura obrigatória. Mas não foi só esta associação que me provocou o interesse, também a premissa, numa promessa de explorar vários temas sensíveis, ajudou a que este livro passasse à frente de uns quantos outros. 

Já se imaginaram a acordar todos os dias num corpo diferente, tendo noção da vossa própria identidade, mas tendo que assumir a do corpo em detrimento da vossa? O que faria isso de vocês em termos de género? Rapaz ou rapariga? Será que isso realmente interessa quando a existência é efémera e as ligações temporárias? Estas questões são apenas a gota de um oceano de perguntas e de temas que David Levithan acaba por levantar ao longo da narrativa. De uma forma ligeira, mas bem alimentada e impulsionada, o autor criou um romance em tom juvenil, com A no centro, que tem uma pertinência transversal a qualquer faixa etária. 

A tem 16 anos, desde que se lembra que existe que salta de corpo em corpo e, que tenha noção, não sabe de mais ninguém que seja como ele. Com o tempo, A apercebe-se que há coisas que ele nunca sentirá na totalidade como, por exemplo, saber que existe alguém que se preocupa com ele e chorará a sua morte. Por outro lado, A acumula uma série de experiências e de conhecimento que poucos terão algum dia noção. Através de A conhecemos a realidade de jovens drogados, de obesidade mórbida, de interiores fúteis, mas também de corações cheios e despreconceituosos. Ele não quer saber se é homem ou mulher e se esse corpo que habita é heterossexual ou homossexual, ele procura a ligação com as pessoas e não com o género. 

É nesta mentalidade que ao conhecer Rhiannon e ao apaixonar-se verdadeiramente pela primeira vez, no lugar de viver as paixões sentidas pelos corpos que habita, que A se decide a lutar por essa ligação, tendo esperança que Rhiannon o/a reconheça independentemente do corpo em que esteja. Um trilho complicado que A decide percorrer, lutando contra tudo e todos para fazer valer a sua visão do mundo. 

A escrita está muito boa. Como disse anteriormente, apesar de vários cenários fortes, toda a obra é lida de um só fôlego, num espírito leve, ao mesmo tempo que estimula a reflexão. Também a certa altura da história, após um incidente em que A falha com o corpo que habita, a trama ganha novos contornos e o próprio fim acaba por prometer uma continuação curiosa, explorando agora mais a vertente do tipo de ser que é A. Será que ele poderia habitar um corpo por mais tempo que as meras vinte e quatro horas? E é com muita na cabeça que pousamos o livro e esperamos pelo próximo. Gostei. 

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