Diário de Bordo EuroSprint Tour’18 – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:43:28 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Diário de Bordo EuroSprint Tour’18 – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Diário de Bordo EuroSprint Tour ’18 – Fugly + Whales] Vírus https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_24.html https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_24.html#respond Sat, 24 Mar 2018 20:19:00 +0000

Acordei às 10 da manhã ainda todo rebentado da garganta, estava completamente afónico, mal conseguia proferir uma palavra. Aos poucos todos se levantaram e, entretanto, descobrimos que o Cirrose não tinha ido trabalhar, decidiu tirar folga e queria aproveitar para me levar ao médico para ver o que afinal tinha. Não podia continuar a tour se não conseguisse cantar e por isso tínhamos de resolver o problema o mais cedo possível. Já tinha cancelado o concerto do dia anterior na perspectiva de melhorar no dia seguinte e não podíamos dar seguimento a essa maré de azar.

A boa notícia é que não era nada de grave, um vírus que apanhei por algum motivo e que dentro de uns dias já ficaria melhor. A má notícia é que muito provavelmente contagiei toda a malta que está na tour comigo. Bela merda. 

O truque é descansar, segundo a médica, dormir o máximo de horas possível, sem falar muito, sem fumar, sem beber álcool. Que treta. Fui à Holanda e não pude fumar um “joint” e fui à Bélgica e não bebi uma cerveja que fosse… Que mal aproveitado. O que vale é que na Polónia a Vodka é barata e até lá já devo estar bom. Ainda por cima a Vodka que eles lá têm é de “matar bicho”.

O resto do dia foi mais relaxado, ficamos a trocar impressões sobre música e festivais com o Cirrose, a mostrar alguma música que conhecíamos e ele a nós.  Ainda tivemos uma sessão de Netflix e depois fomos todos dormir. 

Toca a ir para a Germânia. Tudo a pé de manhã cedinho. Nem 8 da manhã eram e já estávamos a caminho de Chemnitz, terra que teve o nome de Karl Marx Stadt durante a divisão da Alemanha pós-segunda guerra mundial, a poucos quilómetros da cidade de Leipzig. Eu estava a sentir-me melhor, mas sabia que ainda não estava a 100% para o concerto da noite. Tivemos que fazer algumas alterações à setlist de modo a tirar todas as músicas que estou a esforçar demasiado a voz. E mesmo assim vi-me grego para cantar direito. A voz falhava-me como se de um puto de 13 anos com a voz em transformação se tratasse.

Foi uma noite muito porreira. Para além do dono do bar ser um gajo mesmo simpático e muitas canecas de cerveja alemã nos serviu (das quais eu não bebi devido à medicação), a casa estava cheia, um calor de morte, e alguns portugueses a ver o concerto. Os Whales puseram o pessoal a abanar o capacete, fizeram o aquecimento e depois quando tocámos, já estavam uns alemães em tronco nu a rebolar no chão de entusiasmo. Foi o que valeu, porque eu não consegui cantar em muitos dos momentos, mas ao menos o pessoal estava a fazer festa na mesma. Ainda me vieram chamar Dave Grohl no final do concerto, que é sempre um bom elogio.

O Simões entretanto, começou a demonstrar sinais de estar a ceder ao vírus que eu espalhei por toda a gente. Fui levá-lo à cama e ele espetou um brufen na goela e foi dormir. Vamos lá ver se amanhã não acorda toda a gente doente.

Jimmy (Pedro Feio)

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[Diário de Bordo EuroSprint Tour ’18 – Fugly + Whales] Dia 8 https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_21.html https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_21.html#respond Wed, 21 Mar 2018 16:04:00 +0000

A noite foi passada no apartamento de um casal simpático amigo do André Simões. O apartamento era relativamente pequeno, mas bastante acolhedor. Foi um desafio meter tanta gente a dormir lá, tivemos montar um puzzle para conseguir deitar os oito meninos bonitos, mas no fim a missão foi cumprida e todos descansaram.

Após acordar fomos presenteados com sopinha caseira., comprada num talho português onde aqueles que tenham saudades do nosso Portugal podem matar essas saudades com oferta de bastantes produtos nacionais, vinho, enchidos e muito mais. Com o stock de vitaminas reposto partimos em direcção a Eindhoven. A viagem foi curta e suave. 

Chegámos, descarregámos o material, fizemos o soundcheck e estávamos prontos para partir tudo! O espaço, Stroomhuis, um edifício restaurado onde existe uma comunidade bastante activa no mundo das artes, tinha uma decoração arrojada e alternativa, mas muito bem conseguida. Havia um quarto com camas para todos, o que é óptimo, chuveiros com água quente, perfeito, e uma sala quentinha onde jantámos e passámos a maior parte do tempo.

Após um jantar delicioso feito pelo chef Frans subimos ao palco e fizemos o que cá viemos fazer – partir tudo! O público entrou a pouco e pouco no espírito e no fim foi uma boa festa com direito a moche e tudo.

Os concertos acabaram e fomos todos para a sala praticar o inglês e beber copos com o pessoal da comunidade do espaço. Uma noite deveras bem passada com o lavar os dentes, xixi e cama para repor baterias para mais um dia de estrada nesta incrível Europa. 

Pedro Carvalho

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[Diário de Bordo EuroSprint Tour ’18 – Fugly + Whales] Dia 6 https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_20.html https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_20.html#respond Tue, 20 Mar 2018 09:03:00 +0000

Para nós, Whales, a tour começou há pouco tempo e por isso a energia ainda tem alguma carga. Ainda assim, pudemos descansar e visitar um pouco a cidade neste day off em Limoges.

Limoges é uma cidade pacata do centro-sul de França (fica a 150km do oceano Atlântico) e pudemos verificar isso com um passeio que fizemos quando acordámos, após uma noite bastante agradável e duradoura. 

Quem nos guiou foi a malta do spot onde tocámos e que nos deu casa. Aproveito para agradecer a esta malta, foram uns porreiros e receberam-nos tão bem.

Entre passeios à beira do rio Vienne, cerveja artesanal num pub entre as ruas típicas de Limoges e um belo de um hambúrguer no final do dia, acabámos por ir todos para casa descansar para no dia a seguir nos levantarmos cedo para seguir viagem. 

Au revoir Limoges!!

Vasco Silva

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[Diário de Bordo EuroSprint Tour ’18 – Fugly + Whales] Dia 5 https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_55.html https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_55.html#respond Sun, 18 Mar 2018 20:05:00 +0000

Acordámos sobressaltados, eram 9h da manhã, pelo Morgan, que nos fez uma visita guiada pela baixa de Toulouse, onde tivemos o prazer de parar numa típica esplanada francesa rodeada de pessoas a beberem o seu café matinal e a lerem os seus livros. Após pedir um jus d’orange sentimo-nos revitalizados para uma viagem de 3h até Limoges, uma cidade humilde e com pessoas que vivem o seu quotidiano de forma pacata e sem preocupações. 

Com a chegada ao Zic zinc, bar onde íamos ter o concerto, fomos recebidos com simpatia pelos proprietários que nos deram um cartão de boas vindas com comida e muita cerveja à mistura. Com o anoitecer começámos a montar o backline para aquele concerto que considerei muito energético por parte das duas bandas. De seguida, arrumámos o material na carrinha e iniciámos uma noite com muita diversão até às 6 da manha. E depois…. (gostava de relatar o resto mas não me lembro).

Roberto Oliveira

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[Diário de Bordo EuroSprint Tour ’18 – Fugly + Whales] Dia 4 – La belle Toulouse https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_31.html https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_31.html#respond Sun, 18 Mar 2018 10:52:00 +0000

Acordar em Capbreton rodeado de quatro músicos “bem-dispostos” e com vontade de fazer 4 horas comigo dentro de uma Van com destino à minha segunda casa Toulouse. Fizemos uma nacional com paragem pelo meio para almoçar, sempre com o tempo contado já que às 14:30h locais os Whales davam entrada na Euro Sprint Tour. Obrigado Ryanair!

Com a comitiva completa (8 chicos) avançamos para o centro da cidade onde o meu amigo/irmão Morgan aguardava por nós com vontade de beber umas cervejas e começar a fazer novos amigos Portugueses. Entre abraços de saudades e colocando conversas em dia passamos uma bela tarde até rumar ao Axis Musique, na periferia de Toulouse. 

Quando se faz uma tour, quando se anda na estrada nem tudo é um mar de rosas… Os problemas surgem e em tempo útil há que os resolver. Esta Venue que nos acolheu foi a ultima opção para podermos tocar e fazer a festa nesta minha cidade. A cidade está a sofrer o fecho de salas Underground por parte da policia o que faz com que as opções fiquem reduzidas. 

Em frente, o Axis Musique tem uma sala de concerto, salas de ensaios, um bar e dois proprietários simpáticos e com uma boa dose de humor. Por ser a primeira data da tour com as duas bandas os soundcheck’s prolongaram-se durante quase quatro infinitas horas, o jantar era servido sempre que se arranjava uma ranhura. 

Inicio dos concertos, com uma sala a querer ficar composta e um publico acolhedor com alguns portugueses amigos (de Monção) residentes em Toulouse a fazerem a festa entre copos de cerveja e vinho do Porto. Foi a primeira vez que vi Whales ao vivo e que me deixa com água na boca para perceber o processo criativo destes três jovens rapazes de Leiria. Este concerto deles foi bem conseguido que teve algumas caraterísticas especiais, foi o primeiro concerto que vi deles como já disse, foi o primeiro concerto da banda fora de Portugal em dia de edição de disco, brilhante não? Seguiu-se Fugly e ao meu terceiro concerto fiquei rendido à qualidade da banda, muito amor para este quarteto do meu Porto, que seguramente marcará regresso em breve a Toulouse. 

Chegado o final dos concertos o processo foi simples, desmontar, arrumar, montar o tetris e ir descansar num apartamento. 

Com o despertador apontado para às 9 da manhã, porque tínhamos de sair do apartamento, fomos fazer turismo pela cidade com o melhor guia local, Morgan. Entre feiras de velharias, café, croissants, lojas de guitarras e km’s a pé pelas ruas de Toulouse chegaram as 13h, hora apontada para embarcar para nova Cidade, Limoges no coração de França. 

Muito obrigado mais uma vez Toulouse e suas gentes e muito amor para o Morgan, vemo-nos em Julho, agora em Portugal! 

André Simões 

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[Diário de Bordo EuroSprint Tour ’18 – Fugly + Whales] Dia 3 https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_18.html https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_18.html#respond Sun, 18 Mar 2018 10:43:00 +0000

São onze da manhã e por algum motivo acordamos todos ao mesmo das nossas camas improvisadas na plateia de Le Circus. A fome aperta e então o Jimmy, o Nuno e o Hierro juntam-se para irem ao E. Leclerc buscar mantimentos. O Simões dedica-se aos e-mails da Bullet Seed e eu fico a fazer rigorosamente nada.

Estava alto sol e então juntamo-nos no pátio para mais umas bières artisanales e uma deliciosa refeição preparada pelo chef Simones. Tudo isto sempre ao som de boa música vinda da mini-coluna do Jimmy, que tem um som surpreendentemente incrível! A sério.

Durante a tarde, o Nuno ficou a trabalhar na sua tese de mestrado, eu aproveitei para organizar uns takes de uma gravação que fiz no Salão Brazil e o resto da malta foi de mãos dadas para a praia passear e explorar bunkers da primeira grande guerra.

O Antoine Le Roux regressa ao Le Circus e é hora de fazer soundcheck. “Hey, hey! Check, one, two…” – Está feito. Jantar feito pela gente simpática do sítio e estávamos prontos. Ah! Também aproveitamos para fazer o nosso vídeo promo para o festival MIL. Já nos andávamos a baldar há algum tempo e aproveitamos a presença do amigo Antoine para facilitar a coisa.

Para mim era a segunda vez nesta sala, e já na Tour de The Lazy Faithful com O Manipulador tinha sido dos meus sítios favoritos. O espaço tem alta vibe criativa e tem bom backline para por a banda a soar. O concerto foi jarda, mas como não era Halloween, foi mais calminho do que na minha primeira vez.


Rafa

P.S.: Andei à espreita no Leboncoin.fr e encontrei um Boss DD-3 a 60paus. Estou sem dinheiro.

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[Diário de Bordo EuroSprint Tour ’18 – Fugly + Whales] Dia 2 – Kraken released https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_15.html https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18_15.html#respond Thu, 15 Mar 2018 15:22:00 +0000

Depois de uma dormida aconchegada no hostal Alaska, fizemo-nos à estrada pelas 10 da manhã com direção ao Norte. Tirámos turnos a conduzir e a repor o sono enquanto cruzávamos a paisagem ora plana e desértica ora marcada pelos picos de Europa e seus hermanos. Fizémos algumas paragens em estações de serviço por terras esquecidas para tomar café e dar uns toques numa bola (isto até o Nuno a cabecear para um telhado).

Chegámos a Capbreton mesmo a tempo do programa da surf.fm, a rádio local para ouvintes de rock e aficionados pelo desporto rei da região. Depois de uma entrevista animada e apresentação da banda, álbum e Euro Sprint tour, acompanhámos o resto do programa sem perceber muito do que se passava para além de ouvir umas bandas francesas fixes enquanto mamávamos umas cervejas artesanais locais.

Viémos depois até ao Le Circus, sítio familiar para os que vieram na tour dos Lazy, que é um armazém onde tudo acontece: paletes por todo o lado, materiais velhos ressuscitados com uma função artística (incluindo aplicadores de tampões), um palco e backline do caralho e donos com um parafuso a menos mas super porreiros. Estamos cheios de pica para fazer aqui a festa. Por enquanto fizémos só um gig calminho, eu e o Jimmy, num bar de uns amigos do Antoine chamado Cap’Kraken, para promover o concerto “full power” de amanhã no armazém circense. 

J. Hierro

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[Diário de Bordo EuroSprint Tour ’18 – Fugly + Whales] Dia 1 – Huevos Rotos y Calamares https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18.html https://branmorrighan.com/2018/03/diario-de-bordo-eurosprint-tour-18.html#respond Wed, 14 Mar 2018 13:18:00 +0000 https://www.instagram.com/p/BgTRGfLFyjW/?taken-by=fuglyfuglyfugly

Começámos bem. Partimos na nossa primeira tour às 10 da matina, todos com cara de sono e com a carrinha já toda desarrumada. Madrid foi a primeira cidade por isso, fizemos uma viagem de 7 horas dentro de um veículo rodeados de malas, sacos, instrumentos e comida, como se de uma feira se tratasse. 

Madrid para quem conduz uma carrinha de 2,50m de altura e mais uns quantos de comprimento, é uma merda. Quando se chega ao centro, o caos instala-se. Carros, motas, bicicletas e peões em todo o lado e não há sitio para estacionar. Tens de parar o trânsito para descarregar o material enquanto uma fila de carros apita atrás de nós, atirando uns insultos em castelhano. 

O Wurlitzer é um local familiar para nós, pois já lá tínhamos estado no ano passado e foi um prazer voltar a esta sala. Era uma terça-feira, normalmente não é um dia que tenha muita gente por isso não estávamos com grandes esperanças, mas como era o primeiro dia, a energia estava no máximo. Feito o soundcheck, encontrámos as Hickeys, banda que iam fazer a primeira parte da noite e fomos jantar todos juntos. Huevos rotos y calamares, a melhor junção que se podia fazer acompanhado por una caña . 

Voltando à sala, as Hickeys já tinham começado a tocar: uma banda de quatro raparigas com um rock de garagem cheio de energia e atitude, fazendo jus ao Girl Power que elas transmitiam. O projecto era bastante recente e notava-se em alguns momentos do concerto alguma insegurança, mas nada que mais meia dúzia de concertos na bagagem não resolvam! Estivemos com alguns amigos madrilenos, malta dos Ola La Meta e No Crafts, que entre abraços e copos de whisky-cola nos contaram as suas peripécias e nos desejaram muita sorte para o resto da tour. Gracias Madrid!

Jimmy (Fugly)

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