Dom Quixote – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:54:58 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Dom Quixote – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Sugestões de Natal por João Morales: Leva-me Contigo, de Afonso Reis Cabral https://branmorrighan.com/2019/11/sugestoes-de-natal-por-joao-morales_27.html https://branmorrighan.com/2019/11/sugestoes-de-natal-por-joao-morales_27.html#respond Wed, 27 Nov 2019 16:43:00 +0000

Leva-me Contigo

Afonso Reis Cabral

176 págs

16,60 euros

Dom Quixote

Um livro que relata uma viagem, na primeira pessoa, ganhando contornos de obra de comunhão das formas mais inesperadas: «continuação de boa viagem, amanhã ficas em Abrantes???? É que eu vou fazer um bolo para te oferecer…», lemos num dos vários posts de facebook que são reproduzidos nas páginas deste diário de viagem. E sentimos rapidamente como a viagem de Afonso Reis Cabral foi, não apenas seguida, mas partilhada, na mais ampla acepção da palavra, por mais gente que os seus leitores regulares. Os encontros ao longo do percurso, as paisagens e o que suscitam, o cansaço e a alegria retemperadora da conquista, tudo contribui para este percurso ganhar vida a cada passada.

Afonso Reis Cabral conta com dois romances publicados, O Meu Irmão (Prémio Leya 2014) e Pão de Açúcar (Prémio José Saramago 2019). Este novo livro, Leva-me Contigo – Portugal a Pé Pela Estrada Nacional 2, testemunha o percurso iniciado em Chaves – no célebre Quilómetro Zero, marco distintivo do início da mais longa estrada portuguesa, que cruza o país de alto a baixo, até Faro. O formato do livro surpreende e cativa imediatamente, repleto de imagens e transpondo as mensagens enviadas por telemóvel, tal qual como surgem no visor do aparelho. As opções de paginação deste livro são um dos elementos decisivos para o seu sucesso, ao mesmo tempo que acentuam a datação do seu conteúdo – um bom exemplo da transformação de uma experiência, primeiro em relato regular nas redes sociais, depois, no tradicional livro, dinamizado por um olhar contemporâneo.

O estilo descontraído e a noção de proximidade constante com o leitor – que começou por ser cada um dos seguidores da página de facebook do autor – acentuam a partilha, enquanto garantem o ritmo deste diário de viagens.

O corpo todo ajudou a escrever este livro, com o desgaste que se imagina e descreve. Mas outras compensações nasceram dessa contingência, como em Santa Comba: «Depois fui ao Centro de Saúde zelar pelos músculos. A enfermeira aconselhou descanso, coisa que não tenho para me dar, mas achou que os pés até estavam a sobreviver. Para lá, uma família deu-me boleia. Para cá, a taxista recusou-se a receber».

João Morales

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Passatempo: A Memória da Árvore, de Tina Vallès https://branmorrighan.com/2018/10/passatempo-memoria-da-arvore-de-tina.html https://branmorrighan.com/2018/10/passatempo-memoria-da-arvore-de-tina.html#respond Fri, 05 Oct 2018 08:50:00 +0000

Viva!

Mais um fantástico passatempo desta vez com a parceria da Dom Quixote para o exemplar de A Memória da Árvore, de Tina Vallès! Para se habilitarem a ganhá-lo basta preencherem correctamente o formulário com as seguintes regras:

– O Passatempo termina às 23h59 do dia 31 de Outubro

– Só será aceite uma participação por dia

– Só serão aceites participações de Portugal

– Partilhar o link deste post numa rede social não é obrigatório, mas agradece-se a divulgação

Boa Sorte!


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Vencedor do Passatempo: O Homem das Cavernas, de Jørn Lier Horst https://branmorrighan.com/2018/08/vencedor-do-passatempo-o-homem-das.html https://branmorrighan.com/2018/08/vencedor-do-passatempo-o-homem-das.html#respond Fri, 31 Aug 2018 10:19:00 +0000

Viva! Cá estamos para anunciar mais um vencedor, desta vez para O Homem das Cavernas, de Jørn Lier Horst . Este passatempo contou com 1194 participações e o vencedor escolhido através do random.org foi:

Daniela Alexandra Lopes Eira , 4

Parabéns Daniela! Tens um mail na tua caixa de correio para responderes com os teus dados para que o livro te possa ser entregue. Obrigada a todos mais uma vez e em breve mais passatempos.

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Vencedor do Passatempo: Lealdade, de Letizia Pezzali https://branmorrighan.com/2018/08/vencedor-do-passatempo-lealdade-de.html https://branmorrighan.com/2018/08/vencedor-do-passatempo-lealdade-de.html#respond Fri, 31 Aug 2018 10:11:00 +0000

Viva! Cá estamos para anunciar mais um vencedor, desta vez para Lealdade, de Letizia Pezzali. Este passatempo contou com 1001 participações e o vencedor escolhido através do random.org foi:

Ana Maria Fernandes Marques, 717

Parabéns Ana! Tens um mail na tua caixa de correio para responderes com os teus dados para que o livro te possa ser entregue. Obrigada a todos mais uma vez e em breve mais passatempos.

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Passatempo: O Homem das Cavernas, de Jørn Lier Horst https://branmorrighan.com/2018/07/passatempo-o-homem-das-cavernas-de-jrn.html https://branmorrighan.com/2018/07/passatempo-o-homem-das-cavernas-de-jrn.html#respond Wed, 18 Jul 2018 09:42:00 +0000

Viva!

Mais um fantástico passatempo desta vez com a parceria da Dom Quixote para o exemplar de O Homem das Cavernas, de Jørn Lier Horst! Para se habilitarem a ganhá-lo basta preencherem correctamente o formulário com as seguintes regras:

– O Passatempo termina às 23h59 do dia 30 de Agosto

– Só será aceite uma participação por dia

– Só serão aceites participações de Portugal

– Partilhar o link deste post numa rede social não é obrigatório, mas agradece-se a divulgação

Boa Sorte!


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Passatempo: Lealdade, de Letizia Pezzali https://branmorrighan.com/2018/07/passatempo-lealdade-de-letizia-pezzali.html https://branmorrighan.com/2018/07/passatempo-lealdade-de-letizia-pezzali.html#respond Wed, 18 Jul 2018 09:36:00 +0000

Viva!

Mais um fantástico passatempo desta vez com a parceria da Dom Quixote para o exemplar de Lealdade, de Letizia Pezzali! Para se habilitarem a ganhá-lo basta preencherem correctamente o formulário com as seguintes regras:

– O Passatempo termina às 23h59 do dia 30 de Agosto

– Só será aceite uma participação por dia

– Só serão aceites participações de Portugal

– Partilhar o link deste post numa rede social não é obrigatório, mas agradece-se a divulgação

Boa Sorte!


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Recensão: O Fogo Será a Tua Casa, de Nuno Camarneiro https://branmorrighan.com/2018/06/leituras-joao-morales-o-fogo-sera-tua.html https://branmorrighan.com/2018/06/leituras-joao-morales-o-fogo-sera-tua.html#respond Sun, 10 Jun 2018 12:17:00 +0000

O Fogo Será a Tua Casa

Nuno Camarneiro

Dom Quixote

248 págs

15,90 euros

O fogo das palavras

Nuno Camarneiro é o protagonista do seu mais recente romance, O Fogo Será a Tua Casa. Uma narrativa que navega entre os problemas que afectam o Islão e a redenção pela palavra.

Por João Morales

A ficção é a arte de inventar vidas e destinos, usando como matéria-prima aquilo que de mais parecido os escritores têm ao seu dispor – as vidas e destinos que conhecem ou sonham. No seu mais recente romance Nuno Camarneiro (Prémio Leya 2012, com Debaixo de Algum Céu) coloca-se a si mesmo no centro da acção, imaginando-se cativo de radicais islâmicos, num país do Médio-Oriente, na companhia de outros ocidentais. A narrativa cumpre a dupla função de permitir-lhe presumir reacções e raciocínios nascidos em situação tão extrema, ao mesmo tempo que aborda uma questão pertinente e bem contemporânea: “quando só tens um livro tudo o que lá vem escrito é para ser repetido a levadio a sério”, lemos, logo no início. 

Mas o laboratório de escrita que se revela a circunstância criada pelo autor possibilita ainda outro artifício, talvez a mais enraizada metáfora que trespassa o livro e o coloca acima das circunstâncias objectivas onde tudo se passa. Michel, Agnes, Kerem, Terry, Nuno, optam por contar histórias entre si, curtas narrativas que permitem contextualizar o passado e a personalidade de cada um, mas também alimentar uma dimensão onírica destinada a ultrapassar as reduzidas fronteiras físicas que confinam o grupo. No fundo, as histórias são uma forma de adiar a morte. Simbolicamente, talvez tenham sido sempre isso, mesmo quando pensamos na História da Humanidade e na condição que nos enforma, entre sonhos, mitos, desejos e constrangimentos vários.

O formato dos diálogos, herança da técnica de escrita dos guiões, com as falas mais avançadas nas páginas, prescindindo do travessão mas ganhando com isso alguma velocidade e naturalidade, resulta de forma empática e natural. Quase todo o livro decorre no mesmo cenário. Toda a atenção do leitor se concentra nos relatos tidos à vez, na articulação entre as personagens, manifestada pelas suas falas. A palavra está no centro das atenções e de toda a acção. Mas há algumas reflexões sobre o próprio poder da escrita: “todos estes romances são como quebra-cabeças, em que cada leitor se esforça por ultrapassar os factos para tentar chegar à verdade. À sua única e última verdade”.

Entrevista a Nuno Camarneirohttp://www.branmorrighan.com/2018/06/entrevista-nuno-camarneiro-ate-sermos.html

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Em Março, pela Dom Quixote: Querida Ijeweale, de Chimamanda Ngozi Adichie – Como Educar Para o Feminismo https://branmorrighan.com/2018/03/em-marco-pela-dom-quixote-querida.html https://branmorrighan.com/2018/03/em-marco-pela-dom-quixote-querida.html#respond Sat, 10 Mar 2018 17:54:00 +0000

Querida Ijeweale – Como Educar Para o Feminismo

Chimamanda Ngozi Adichie

Número Páginas / 96

Dimensões / 181 x 06 x 120 mm

ISBN / 9789722064309

Editora / DOM QUIXOTE

Ensina a tua filha que a ideia de ‘papéis para cada género’ é uma tolice. Nunca lhe digas o que ela deve ou não deve fazer só por ser menina. «Porque és menina» nunca é razão para nada. Jamais.” 

LIVRO

Ensaio que nasceu do desafio de uma amiga que lhe perguntou qual a melhor forma de educar a filha como feminista. A escritora respondeu com uma carta: Querida Ijeawele…Neste texto intimista, faz 15 sugestões. O seu objectivo? Fortalecer as novas gerações de mulheres e proporcionar-lhes as ferramentas para crescerem com um maior sentido de identidade e independência. Da aparência à parentalidade, do casamento à sexualidade e até mesmo à escolha dos brinquedos na infância, a autora explora temas fundamentais e incita as mulheres a desprenderem-se dos velhos mitos e de uma sociedade predominantemente machista (ainda que, nalguns casos, de forma encapotada).

AUTORA

Chimamanda Ngozi Adichie é uma das vozes mais poderosas que se erguem neste debate. Embora seja um manifesto sobre o feminismo, este ensaio não é apenas para mulheres. Porque o feminismo não pressupõe a exclusão dos homens. Pressupõe a igualdade de direitos para todos, independentemente de género, religião, idade ou preferências. Com humor, inteligência e compaixão, Chimamanda reflecte sobre o que significa ser mulher nos dias de hoje, numa obra que luta apenas um mundo mais justo para todos. “Em vez de ensinar a tua filha a agradar, ensina-a a ser sincera e amável. Ensina-a a dizer o que pensa, a dizer a verdade, a reflectir sobre a realidade. Ensina-a que se algo a incomodar não se deve acomodar, deve gritar. O feminismo começa na educação.Penso que é moralmente urgente ter conversas francas sobre como criar as crianças de modo diferente, sobre como tentar criar um mundo mais justo para as mulheres e os homens.”

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Opinião: Pantaleão e as Visitadoras de Mario Vargas Llosa https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-pantaleao-e-as-visitadoras-de.html https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-pantaleao-e-as-visitadoras-de.html#respond Fri, 27 Dec 2013 15:38:00 +0000 Pantaleão
e as Visitadoras

Mario Vargas Llosa

Editora: D. Quixote

Sinopse

“Publicado
originalmente em 1973, e adaptado ao cinema por duas vezes, Pantaleão e as
Visitadoras é inquestionavelmente um dos livros mais divertidos e de maior
sucesso de Mario Vargas Llosa.

Pantaleão
Pantoja é um brilhante oficial do exército que enfrenta a missão mais delicada
da sua vida: organizar, dentro do mais absoluto sigilo militar, um serviço de
prostitutas para as Forças Armadas do Peru isoladas na selva amazónica, de forma
a evitar a onda de violações entre as mulheres da zona.

Baseado em
facto verídicos de que o autor tomou conhecimento na Amazónia, Pantaleão e as
Visitadoras é um romance irónico e divertido que traz à luz o funcionamento
ambivalente de uma instituição.”

Opinião

Relatório
número três

ASSUNTO GERAL: Blog BranMorrighan -Textos
de Opinião

ASSUNTO ESPECÍFICO: Pantaleão e as Visitadoras.


CLASSIFICAÇÃO: Secreto.

DATA E LOCAL: Lisboa, 26 de Dezembro de
2013.

             A
signatária, Colaboradora do Blog BranMorrighan
(joanapontoneto), Joana Catarina
Neto, cumprimenta respeitosamente S. Ex.ª o Senhor Leitor e leva-lhe o seguinte
ao seu conhecimento:

       
Que, como todo e qualquer livro cuja leitura se
principie, a entrada na cadência natural da sua escrita apresenta-se – e mais
tal se exalta no presente caso, do que em qualquer outro genérico livro a ser
utilizado a título de exemplo – como um desafio que anda de braço dado com a
curiosidade que emana ante o que se sabe não compreender, tal como Senhor
Leitor deverá sentir face ao presente ponto. Significa isto que a interligação
de parágrafos é, a começo, propositadamente aleatória – assim se pense! – e
propositadamente curiosa;

       
Que, face ao anterior ponto, não se preocupe o
Senhor Leitor, uma vez que diferentes são os estilos de escrita no objecto de
que é alvo o presente relatório;

       
Que sente a signatária ser da mais extrema
importância aqui realçar a comicidade de um livro que eleva ao mais alto
patamar de formalismo militar o processo construtivo de uma rede de – e desde
já me perdoe o Senhor Leitor a vulgaridade da expressão – prostitutas;

       
Que, não sendo estreia da signatária neste autor,
foi tal a surpresa pela diversificação de escrita – e claro está, também de
temática – que um sorriso, ou dois, foram deixados transparecer para as páginas
de Pantaleão;

       
Que, indica a signatária como alegação final, um
parecer veemente favorável é emitido para o Senhor Leitor, caso esteja nos seus
planos um serão bem passado, na companhia louca e aleatória da cidade de Iquitos e seus demais habitantes.

Deus
guarde V. Ex.ª

Assinado:

Colaboradora do Blog BranMorrighan (joanapontoneto), Joana Catarina Neto


joanapontoneto

Algumas
citações

“Que o signatário tem plena consciência da
obrigação de iniciar o Serviço fixando metas modestas e atingíveis, tendo em
conta a realidade e a filosofia oculta em rifões como «devagar se vai ao longe»
e «nem por muito madrugar amanhece mais cedo».”

“Sugere-se
que seja acrescentado qualquer complemento estético feminino, tal como um ramo
de flores, uma gravura ou desenho artístico, para lhe imprimir uma atmosfera
atraente.”

“Mas
depois, ante a incredulidade dos interrogadores, confessou que, sendo invertido
passivo desde há muitos anos, a sua verdadeira intenção tinha sido praticar o
seu vício com os militares, para mostrar a si próprio que podia suplantar com
vantagem uma mulher nas funções de visitadora.”

“Empoleirados
nas árvores, a aliviarem-se pelos olhos. Que queres tu, pazinho, o tesão é
humano. Se até a ti te aconteceu, que parecias uma excepção.”

“Se
ao menos tivesse organizado a coisa de uma maneira medíocre, defeituosa. Mas
esse idiota transformou o Serviço de Visitadoras no organismo mais eficiente
das Forças Armadas.”

“Aliás,
essa ideia de prestar homenagem a uma puta, precisamente por ser uma loucura,
tornava-se fascinante como tudo”

Comprar: http://www.wook.pt/ficha/pantaleao-e-as-visitadoras/a/id/11687985

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[DESTAQUE] Em Setembro pela Dom Quixote: O Lobo das Estepes de Hermann Hesse https://branmorrighan.com/2013/09/em-setembro-pela-dom-quixote-o-lobo-das.html https://branmorrighan.com/2013/09/em-setembro-pela-dom-quixote-o-lobo-das.html#comments Fri, 13 Sep 2013 13:51:00 +0000

O Lobo das Estepes

Hermann Hesse

Ano da Edição / Impressão / 2013

Número Páginas / 268

ISBN / 9789722053068

Editora / DOM QUIXOTE

Disponibilidade a partir de 24 de Setembro

LIVRO

Originalmente publicado em 1929, O Lobo das Estepes continua a marcar a nossa alma como um clássico da literatura moderna. Harry Haller é o lobo das estepes: selvagem, estranho, tímido e alienado da sociedade. O seu desespero e desejo pela morte atraem-no para um submundo encantado e sombrio. Através de uma série de encontros obscuros – alternadamente românticos, bizarros e selvagens – o misantropo Haller começa gradualmente a redescobrir os sonhos perdidos da sua juventude. Este retrato acelerado de um homem que se sente ele próprio meio-humano, meio-lobo tornou-se a bíblia da contracultura da década de 1960, capturando o humor de uma geração descontente e continua, até hoje, a ser uma história de alienação e redenção humana.

AUTOR

Romancista e poeta alemão, Hermann Hesse nasceu em 1877 na pequena cidade de Calw, na orla da Floresta Negra e no estado de Wüttenberg. Como os pais depositavam esperanças no facto de Hermann Hesse poder vir a seguir a tradição familiar em teologia, enviaram-no para o seminário protestante de Maulbronn, em 1891, mas acabou por ser expulso. Passando a uma escola secular, o jovem Hermann tornou a revelar inadaptação, pelo que abandonou os seus estudos.

Hermann Hesse começou depois a trabalhar, primeiro como aprendiz de relojoeiro, como empregado de balcão numa livraria, como mecânico, e depois como livreiro em Tübingen, onde se teria juntado a uma tertúlia literária, “Le Petit Cénacle”, que teria, não só grandemente fomentado a voracidade de leitura em Hesse, como também determinado a sua vocação para a escrita. Assim, em 1899, Hermann Hesse publicou os seus primeiros trabalhos, Romantischer Lieder e Eine Stunde Hinter Mitternacht , volumes de poesia de juventude.

Depois da aparição de Peter Camenzind, em 1904, Hesse tornou-se escritor a tempo inteiro. Na obra, reflectindo o ideal de Jean-Jacques Rousseau do regresso à Natureza, o protagonista resolve abandonar a grande cidade para viver como São Francisco de Assis. O livro obteve grande aceitação por parte do público.

Em 1911, e durante quatro meses, Hermann Hesse visitou a Índia, que o teria desiludido mas, em contrapartida, constituído uma motivação no estudo das religiões orientais. No ano seguinte, o escritor e a sua família assentaram arraiais na Suíça. Nesse período, não só a sua esposa começou a dar sinais de instabilidade mental, como um dos seus filhos adoeceu gravemente. No romance Rosshalde (1914), o autor explora a questão do casamento ser ou não conveniente para os artistas, fazendo, no fundo, uma introspecção dos seus problemas pessoais.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Hesse demonstrou ser desfavorável ao militarismo e ao nacionalismo que se faziam sentir na altura e, da sua residência na Suíça, procurou defender os interesses e a melhoria das condições dos prisioneiros de guerra, o que lhe valeu ser considerado pelos seus compatriotas como traidor.

Finda a guerra, Hesse publicou o seu primeiro grande romance de sucesso, Demian (1919). A obra, de carácter faustiano, reflectia o crescente interesse do escritor pela psicanálise de Carl Jung, e foi louvada por Thomas Mann. Assinada nas primeiras edições com o nome do seu narrador, Emil Sinclair, Hesse acabaria por confessar a sua autoria. Deixando a sua família em 1919, Hermann Hesse mudou-se para o Sul da Suíça, para Montagnola, onde se dedicou à escrita de Siddharta (1922), romance largamente influenciado pelas culturas hindu e chinesa e que, recriando a fase inicial da vida de Buda, nos conta a vida de um filho de um Bramane que se revolta contra os ensinamentos e tradições do seu pai, até poder eventualmente encontrar a iluminação espiritual. A obra, traduzida para a língua inglesa nos anos 50, marcou definitivamente a geração Beat norte-americana.

1919 foi também o ano em que Hesse travou conhecimento com Ruth Wenger, filha da escritora suíça Lisa Wenger e bastante mais nova que o autor. O escritor renunciou à cidadania alemã, em 1923, optando pela suíça. Divorciando-se da sua primeira esposa, Maria Bernoulli, casou com Ruth Wenger em 1924, tendo o casamento durado apenas alguns meses. Dessa experiência teria resultado uma das suas obras mais importantes, Der Steppenwolf (1927). No romance, o protagonista Harry Haller confronta a sua crise de meia-idade com a escolha entre a vida da acção ou da contemplação, numa dualidade que acaba por caracterizar toda a estrutura da obra.

Em 1931 voltou a casar, desta feita com Ninon Doldin, de origem judaica. Com apenas quatorze anos, havia enviado, em 1909, uma carta a Hermann Hesse, e desde então a correspondência entre ambos não mais cessou. Conhecendo-se acidentalmente em 1926, foram viver juntos para a Casa Bodmer, estando Ninon separada do pintor B. F. Doldin, e a existência de Hesse ter-se-à tornado mais serena.

Durante o regime Nacional-Socialista, os livros de Hermann Hesse continuaram a ser publicados, tendo sido protegidos por uma circular secreta de Joseph Goebbels em 1937. Quando escreveu para o jornal pró-regime Frankfürter Zeitung, os refugiados judeus em França acusaram-no de apoiar os Nazis. Embora Hesse nunca se tivesse abertamente oposto ao regime Nacional-Socialista, procurou auxiliar os refugiados políticos. Em 1943 foi finalmente publicada a obra Das Glasperlernspiel, na qual Hesse tinha começado a trabalhar em 1931. Tendo enviado o manuscrito, em 1942, para Berlin, foi-lhe recusada a edição e o autor foi colocado na Lista Negra Nacional-Socialista. Não obstante, a obra valer-lhe-ia o prémio Nobel em 1946.

Após a atribuição do famoso galardão, Hesse não publicou mais nenhuma obra de calibre. Entre 1945 e 1962 escreveria cerca de meia centena de poemas e trinta e dois artigos para os jornais suíços.

A nove de Agosto de 1962, Hermann Hesse veio a falecer, aos oitenta e cinco anos, durante o sono, vítima de uma hemorragia cerebral.

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