Ficção Científica – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:57:49 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Ficção Científica – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Recensão: Sonhos Eléctricos, de Philip K. Dick https://branmorrighan.com/2018/10/recensao-sonhos-electricos-de-philip-k.html https://branmorrighan.com/2018/10/recensao-sonhos-electricos-de-philip-k.html#respond Mon, 22 Oct 2018 16:05:00 +0000

Sonhos Eléctricos – Volume Um

Philip K. Dick (tradução de Helena Briga Nogueira e Paulo Faria)

Relógio D’Água

216 págs

17 euros

por João Morales

As notas de introdução a estes contos, escritas pelos diferentes guionistas que adaptaram cada um deles a episódios da série transmitida na Amazon Prime, são unânimes ao realçarem a clarividência de um dos maiores autores de Ficção Científica, que se apoiou no género para levar muito mais longe a sua demanda literária e filosófica, pois, como escreve Jack Thorne sobre “O Passageiro”, «como sempre na obra de PKD o conto acaba por levantar questões profundas sobre aquilo que queremos enquanto seres humanos. E sobre aquilo que devíamos obter».

O conto de abertura, “Peça de Exposição”, transporta-nos para uma exposição sobre o século XX, estreitando relações entre as duas épocas e questionando as fronteiras espácio-temporais, bem como a dimensão estanque da realidade. PKD cruza ideias com Jorge Luis Borges ou com preceitos antigos da filosofia oriental: «Nos sonhos, as pessoas estão sempre em segurança até o sonhador acordar».

Já referido, “O Passageiro”, volta a questionar a possível influência do presente sobre actos e factos remetidos para um passado com identidade própria, através da alusão continuada por vários personagens a uma localidade que parece não existir.

No conto “O Planeta Possível” surge um termo que se repetirá amiúde, fruto das opções de tradução mas nem por isso menos elucidativo de um certo contexto mental: «estava acompanhado por um robiçal, um enorme robô-serviçal, que a amparava com o braço». Novamente em cima da mesa, a cegueira inerente à espécie humana, vislumbrada muitos anos antes de ser tão debatida universalmente pelas suas escolhas ecológicas, economicistas e industriais. 

Um corpo suspenso, enforcado, à vista de todos, pode ser objecto da maior indiferença? Não só a resposta é afirmativa, como essa cena inaudita é o ponto de arranque para uma conspiração maquiavélica em torno da aniquilação da raça humana. Magnífico ritmo e toda dimensão metafórica de PKD a evidenciar-se. 

“O pai-coisa” é uma história de criaturas e elementos de horror, passada em família. Com “O fabricante de capuzes” regressa toda a denúncia ideológica que PKD tantas vezes esgrimiu, mesmo em narrativas que só anos depois foram olhadas com a perspicácia necessária para ultrapassarem a condição de mero entretenimento. Um capuz. E as personagens questionam: «o que tem ele a esconder (…) porque tem medo da sonda?». A resposta é ainda mais surpreendente: «um homem inocente não tem motivos para esconder os seus pensamentos». Como saída, o autor coloca o confronto entre o totalitarismo e os ideais libertários na voz dos personagens: «Quem devia então guiar a humanidade?, perguntou Franklin.  Quem devem ser os líderes? Ninguém. A humanidade deve guiar-se a si própria».

“Foster estás morto” é uma história que nasce no caldo da Guerra Fria e das ameaças constantes de um Armagedão nuclear, pilares de equilíbrio entre facções assumidamente opostas e que dividiram o mundo em dois blocos antagónicos, de forma dura e crua, mas, pelo menos, explícita. 

Resumindo: um conjunto de histórias em que PKD agrupa diversas das suas temáticas, aplicando uma técnica narrativa sagaz que permite a leitores menos atentos fruírem de uma história de aventuras, com as características da Ficção Científica sempre em primeiro plano. Contudo, quem se detenha com um pouco mais de acuidade e aprofunde a simbologia e a metaforização das circunstâncias, rapidamente se depara com relatos de grande rigor antropológico, inseridos numa lógica civilizacional que privilegia a crítica e a denúncia. PKH é um autor sobejamente politizado, apesar de poucas vezes isso ser referido, até porque, politizado não significa, forçosamente, partidarizado. Um livro para vários tipos de leitores e de enorme riqueza.

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Opinião: A Última Estrela, de Rick Yancey (Livro #3 da Trilogia A 5ª Vaga) https://branmorrighan.com/2017/03/opiniao-ultima-estrela-de-rick-yancey.html https://branmorrighan.com/2017/03/opiniao-ultima-estrela-de-rick-yancey.html#respond Mon, 13 Mar 2017 11:21:00 +0000

A Última Estrela

Rick Yancey

Editora: Editorial Presença

Sinopse: O inimigo já não é o mesmo. O inimigo somos nós. Eles estão entre nós, eles estão sobre nós, eles não estão em lado nenhum. Querem a Terra, mas querem que seja nossa. Vieram para nos dizimar, mas querem salvar-nos. Porém, sob estes enigmas esconde-se uma verdade: Cassie foi traída. E também o foram Ringer. Zombie. Nugget. E todos os sete mil milhões e meio de pessoas que viviam no nosso planeta. Primeiro traídos pelos Outros e depois por nós próprios. Nestes últimos dias, os sobreviventes terão de decidir o que é mais importante: salvar-se… ou salvar o que nos torna humanos.

OPINIÃO: Ler esta trilogia foi uma aventura por si só. Adorei o primeiro livro, fiquei meia irritada com o segundo, e como já tinha esse pequeno desvio na minha animosidade em relação à mesma, comecei este terceiro volume (após releitura do segundo) com alguma apreensão. Correu melhor do que eu esperava, muito honestamente. Não que tenha achado o desfecho a coisa mais brilhante de sempre, mas porque foi resgatado algum ritmo e violência que faltou a O Mar Infinito (segundo livro). O que acho mais curioso, em tom de balanço inicial, é que o próprio estilo de narrativa mudou muito do primeiro para este último livro e senti alguma estranheza. Não tanto devido ao vocabulário usado, que também é mais leviano, mas porque me parece ter tirado alguma seriedade que o assunto merecia. 

Mas vamos ao que interessa: extraterrestres, não extraterrestres, silenciadores, humanos, miúdos-bomba, pessoas optimizadas. O planeta vive uma era em que nada é claro, em que a “Dorothy” não é a mesma “Dorothy” para toda a gente e o próprio leitor vive na dúvida sobre o que realmente se passa. Quem são os verdadeiros conspiradores, de onde vêm, qual o verdadeiro sentido de todas as vagas e que consequências finais é que isso terá na vida humana. E com o passar da narrativa, principalmente em A Última Estrela, pareceu-me que o autor, aos poucos, foi chegando ao cerne da questão principal, que nem sempre foi clara para mim. E acho que esse núcleo, que se veio a revelar central, não é nada mais nada menos do que… o amor! 

Imaginem que estamos numa era em que conseguimos programar memórias, emoções e comportamentos com um determinado objectivo. Imaginem que isso é passível de ser descarregado em seres humanos e que em certa idade o programa se torna activo. A programação é perfeita, tudo resulta em todos menos num. Mas se a programação é perfeita e tem “tudo” em conta, o que é que pode ter causado o desvio no comportamento do sujeito? Quem já começou a ler a série é claro que sabe de quem estou a falar. E depois das pistas que dei, perdoem-me se consideram spoilers, mas pouco diz sobre como acaba, podem deduzir o que é que é impossível de ter em conta quando se programa qualquer coisa? O amor é daquelas emoções que nunca se sabe bem como surge, quais os factores, quais as consequências. Os actos mais irracionais foram cometidos por amor a uma qualquer crença/pessoa. 

Em relação aos protagonistas, adorei a badass Ringer. Fiquei meia surpreendida com algumas opções do autor, mas acho que esteve à altura. Já a Cassie… Ai ai. Achei o discurso na primeira pessoa completamente idiota, a maior parte do tempo, mas no fim, Rick Yancey arranja maneira de a elevar aos nossos olhos. Já Nugget e Zombie foram os que mais preencheram o meu coração. Resumindo: depois de todo o caos instalado, de pouco ser o que parece, A 5ª Vaga termina com a maior parte das dúvidas esclarecidas, mesmo que de forma algo confusa. O grande ponto forte destes livros é o facto de o autor ter uma escrita bastante cinematográfica e os capítulos serem curtos. Passámos a ter vários narradores e isso ajuda a situarmo-nos nos devidos cenários. No geral, acho que o primeiro livro vale totalmente a pena ler e, por causa disso, torna-se necessário ler os restantes para que o ciclo se feche. 

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Opinião: O Mar Infinito (A 5ª Vaga #2), de Rick Yancey https://branmorrighan.com/2015/07/opiniao-o-mar-infinito-5-vaga-2-de-rick.html https://branmorrighan.com/2015/07/opiniao-o-mar-infinito-5-vaga-2-de-rick.html#comments Wed, 22 Jul 2015 17:28:00 +0000

O Mar Infinito (A 5ª Vaga #2)

Rick Yancey

Editora: Editorial Presença

Colecção: Via Láctea #123

Sinopse: Segundo volume da trilogia A 5.ª Vaga. Com a espécie humana quase extinta e com a quinta vaga em marcha, Cassie Sullivan e os seus companheiros têm de tomar uma decisão crucial: enfrentar o duro inverno e ficar à espera que Evan Walter, que nem tão-pouco sabem se ainda está vivo, regresse ou partir à procura de mais sobreviventes, porque o próximo ataque de os Outros é mais do que possível, é inevitável…

Opinião: O Mar infinito é o segundo livro da trilogia intitulada 5ª Vaga. Na primeira obra somos situados numa pós-destruição massiva da raça humana. Ninguém sabe em quem é que pode confiar, a probabilidade de encontrar alguém pertencente aos Outros em vez de alguém “normal” é quase total e o maior perigo reside nos “Silenciadores”, seres dotados de características humanas melhoradas (como melhor visão, maior rapidez e força, regeneração rápida, etc.), cuja missão é apenas matar ou capturar os humanos que restem. É no meio do caos, de uma batalha acabada de ser travada, com consequências para todos os envolvidos, que esse primeiro capítulo termina e que agora O Mar Infinito retoma. 

Quando terminei esta leitura lembrei-me de algo que li aqui há tempos sobre o Síndrome do Segundo Livro. Não sei se cá em Portugal esta terminologia é aplicada, mas sinceramente foi isso que senti quando o pousei. Eu gostei, muito mesmo, do 5ª Vaga. As personagens tão diferentes umas das outras, o enredo bem construído, uma linha de acção que nos prendia de sobremaneira, etc. Penso que talvez tenham sido as reviravoltas, ou a forma como Rick Yancey decidiu apresentar as diferentes frentes da história, que me baixaram um pouco o entusiasmo. Por outro lado temos a escrita que, independentemente de estar a gostar ou não do rumo da trama, é fantástica. O escritor tem uma capacidade imensa de passar certas mensagens de forma tão visual, tão crua e recta que o impacto é directo no leitor. 

Gostei da evolução de Ringer, para mim a verdadeira protagonista desta obra, e não Cassie. A narrativa em si, de capítulo em capítulo, vai tendo perspectivas diferentes de vários dos personagens, mas é Ringer quem assume a parte mais fria, mais analítica, de tudo o que os rodeia e é também quem sofre as maiores consequências. O romance entre Cassie e Evan ficou interessante apenas quando abordado pelo ponto de vista deste último, a Cassie que acompanhamos ao longo destas quase 300 páginas consegue ser um pouco irritante. É a aura de mistério à volta do que move Evan e do porquê de continuar aficcionado em Cassie que também dá combustível ao desenrolar dos acontecimentos, mas desde cedo novos factores entram em jogo e tudo o que julgávamos saber sobre este universo e sobre os Outros é posto em causa. 

Resumindo, só não gostei tanto deste livro porque o primeiro está mesmo muito bom e neste parece haver uma quebra considerável. O último terço do livro foi o que mais me entusiasmou, o cérebro estava a mil com as possibilidades e com o mistério prestes (ou não) a ser desvendado! Estou verdadeiramente curiosa pelo terceiro livro e só aí conseguirei fazer um verdadeiro balanço da trilogia que, para já, continua positivo. Venha o próximo e que ma faça ferver novamente o sangue a sério, coisa que este apenas conseguiu tentar, não com muito sucesso. Mas partilhem comigo as vossas opiniões, principalmente sobre a Ringer e o Evan! Boas leituras!

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Opinião: Aqui e Agora, de Ann Brashares https://branmorrighan.com/2014/09/opiniao-aqui-e-agora-de-ann-brashares.html https://branmorrighan.com/2014/09/opiniao-aqui-e-agora-de-ann-brashares.html#respond Sun, 14 Sep 2014 17:26:00 +0000

Aqui e Agora

Ann Brashares

Editora: Editorial Presença

Colecção: Noites Claras #22

Sinopse: Prenna James é uma jovem de dezassete anos que imigrou para Nova Iorque quando tinha doze. Só que Prenna não chegou a Nova Iorque vinda de outro país… ela veio de outro tempo, de um futuro onde uma doença transmitida através de mosquitos se tornou uma pandemia arrasadora que deixou o mundo em ruínas. Prenna e as outras pessoas que conseguiram escapar são obrigadas a seguir um conjunto de regras muito rígido: nunca revelar de onde são, nunca interferir com o curso da história e nunca, em circunstância alguma, estabelecer uma relação mais íntima com alguém que não faça parte da comunidade. Prenna faz tudo como lhe dizem, acreditando que está a ajudar a prevenir os problemas que um dia vão assolar o planeta. Mas tudo isso irá mudar no dia em que Prenna conhece Ethan Jarves…Emocionante e arrebatador, Aqui e Agora é um romance que lança um olhar sobre um amor impossível e a oportunidade de mudar o futuro.

Opinião: Aqui e Agora é o meu romance de estreia na escrita de Ann Brashares. Numa escrita claramente direccionada para leitores jovens-adultos, a autora apresenta-nos uma estória passada nos dias de hoje, mas sob a perspectiva de alguém que veio do futuro. Prenna James, viaja do seu tempo, numa diferença de quase cem anos, para os dias de hoje. Abordando a temática dos viajantes do tempo, o enredo mostra-se simples, perspicaz em várias observações, mas carece de um desenvolvimento mais consistente. 

Foi uma leitura rápida, sem grandes sobressaltos, em que acompanhei Prenna e Ethan ao longo das quase três centenas de páginas. O início, misterioso e inquisidor, proporcionou aquele impulso que todo o leitor gosta de sentir quando começa uma obra. É a única altura onde temos a estória vista pelos olhos de Ethan. A partir desse momento, é através de Prenna que seguimos o desenrolar dos acontecimentos. O seu povo, vindo do futuro e alvo de uma peste mortífera, só pode subsistir no tempo presente, o de Ethan, se seguir um conjunto de regras rígido e sem nunca colocá-lo em causa. 

Medicação diária, óculos que nunca podem ser retirados, chamadas de atenção em momentos específicos como se fossem vigiados vinte e quatro horas por dia – é nestas condições que os Viajantes vivem. Não se podem relacionar com nativos, não podem chamar a atenção sobre si, e não seria inédito se alguém desaparecesse com alguma justificação plausível, mas falsa. É neste mundo semi-distópico que a narrativa se passa, em que a busca por uma bifurcação temporal que salve o futuro é a grande demanda dos dois protagonistas.

A acção é relativamente rápida, Prenna e Ethan vão desenvolvendo uma espécie de relação íntima em que a distância, ainda assim, tem que estar presente. O envolvimento emocional com eles acontece, mas da minha parte não foi tão profundo quanto estaria à espera. Penso que no decorrer de toda a exploração imagética da obra, faltou profundidade na caracterização dos personagens. Há alguns factos e pormenores que nos são atirados sem que saibamos bem porquê, de onde vêm ou que razões existem para elas. 

De um ponto de vista actual, estamos perante problemáticas reais e especulações credíveis. Foi isso que mais me cativou no livro. Todas as previsões que fazem já para daqui a 10 ou 50 anos, são assustadoramente possíveis e nada difícil de imaginar. Também o sentido de sacrifício e de muitas vezes as escolhas altruístas não serem de todo as que nos fazem mais felizes foi outro ponto que me tocou. Não tendo ficado completamente deslumbrada, não me arrependo de ter pegado em Aqui e Agora, e para quem gosta de leituras leves com uma pitada de amor impossível e alguma ficção científica à mistura, esta é a obra certa. 

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Opinião: A Ascensão do Nove, de Pittacus Lore https://branmorrighan.com/2014/09/opiniao-ascensao-do-nove-de-pittacus.html https://branmorrighan.com/2014/09/opiniao-ascensao-do-nove-de-pittacus.html#respond Mon, 08 Sep 2014 20:09:00 +0000

A Ascensão do Nove

Pittacus Lore

Editora: Editorial Presença

Colecção: Noites Claras #21

Sinopse: Neste terceiro volume da série juvenil iniciada com o título Sou o Número Quatro, a história é retomada a partir do ponto em que termina O Poder de Seis. Das nove crianças que conseguiram escapar à destruição do seu planeta de origem, Lorien, pelos cruéis Mogadorianos restam apenas seis. Estas crianças são os Garde, que se refugiaram na Terra em diversos continentes. À medida que crescem e desenvolvem poderes especiais, ou Legados, vão sendo preparados para um confronto final com os seus inimigos. Para conseguirem salvar o seu mundo e o nosso, têm de se reunir porque só juntos são suficientemente poderosos para enfrentar os seus inimigos. Mas entretanto, mais uma menina conseguiu escapar de Lorien…

Opinião: A minha aventura no universo de Pittacus Lore iniciou-se há mais de dois anos. Na altura, li de uma assentada só os dois primeiros volumes – Sou o Número Quatro e O Poder de Seis – rendendo-me assim à narrativa simples, mas apaixonada, do autor. Com a memória um pouco enferrujada, foi agradável voltar a descobrir o estilo intercalado do desenrolar da história, pertencendo cada capítulo a um protagonista diferente, sendo que cada um tem o seu tipo de letra e sendo também assim que os distinguimos. O poder dos Mogadorianos está cada vez mais estabelecido na Terra e, agora que o grupo se separou para encontrarem novos Garde, as dificuldade e temeridades ganham nova dimensão. 

Este Ascensão do Nove, mostra uma maior maturidade da história em relação aos volumes anteriores. Apesar de ser uma série juvenil, é evidente o crescimento das personagens que a compõem e, como é próprio deste tipo de obras, as demandas e as lições têm um papel de destaque. Existe uma evolução na ligação entre as personagens que faz com que também o leitor se sinta cada vez mais absorvido por cada personalidade. Sendo cada um único à sua maneira, com diferentes Legados e diferentes sensibilidades, penso que terá havido aqui uma certa preocupação em maturar cada um dos carácteres. 

Não tendo uma velocidade de acontecimentos tão vertiginosa, como talvez os dois anteriores tiveram, neste livro podemos encontrar novos desafios, novas intrigas e ainda alguns desfechos dolorosos. Foi bom saber mais sobe o Nove e a Dez – a nossa pequena que conseguiu chegar à Terra através de uma segunda nave saída de Lorien. Foi excelente acompanhar o Quatro e o Nove, a cada capítulo de confronto uma nova empatia e ver a Seis a sentir-se quase como uma mãe, responsável por manter todos a salvo. O Oito foi uma boa adição ao enredo, trazendo consigo novos fascínios, mas também incertezas.

Também a imprevisibilidade de algumas manifestações ajudou a criar um bom suspense e a leitura deu-se de forma bastante rápida e fluída. É sempre complicado falar de livros que estão entre o início e o fim de uma série, mas uma coisa posso afirmar com toda a certeza, vou continuar a seguir Pittacus Lore e o que ainda estiver por ser publicados sobre os nossos Lorienos preferidos. Se têm algum parente jovem que nem por isso gosta de ler, experimentem oferecer-lhe estas aventuras. 

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Opinião: O Marciano de Andy Weir https://branmorrighan.com/2014/07/opiniao-o-marciano-de-andy-weir.html https://branmorrighan.com/2014/07/opiniao-o-marciano-de-andy-weir.html#comments Tue, 08 Jul 2014 20:30:00 +0000

O Marciano

Andy Weir

Editora: TOPSELLER

Sinopse: Uma Missão a Marte. Um acidente aparatoso. A luta de um homem pela sobrevivência.

Há exactamente seis dias, o astronauta Mark Watney tornou-se uma das primeiras pessoas a caminhar em Marte. Agora, ele tem a certeza de que vai ser a primeira pessoa a morrer ali.

Depois de uma tempestade de areia ter obrigado a sua tripulação a evacuar o planeta, e de esta o ter deixado para trás por julgá-lo morto, Mark encontra-se preso em Marte, completamente sozinho, sem perspectivas de conseguir comunicar com a Terra para dizer que está vivo. E mesmo que o conseguisse fazer, os seus mantimentos esgotar-se-iam muito antes de uma equipa de salvamento o encontrar.

De qualquer modo, Mark não terá tempo para morrer de fome. A maquinaria danificada, o meio ambiente implacável e o simples «erro humano» irão, muito provavelmente, matá-lo primeiro.

Apoiando-se nas suas enormes capacidades técnicas, no domínio da engenharia e na determinada recusa em desistir — e num surpreendente sentido de humor a que vai buscar a força para sobreviver —, ele embarca numa missão obstinada para se manter vivo. Será que a sua mestria vai ser suficiente para superar todas as adversidades impossíveis que se erguem contra si?

Fundamentado com referências científicas actualizadas e impulsionado por uma trama engenhosa e brilhante que agarra o leitor desde a primeira à última página, O Marciano é um romance verdadeiramente notável, que se lê como uma história de sobrevivência da vida real.

Opinião: O género literário Ficção Científica é todo ele um universo de conjecturas, especulações, alguns desejos não concretizados, mas acima de tudo a expansão da mente para aquilo que, mais dia menos dia, se poderá tornar real. A leitura d’O Marciano fez a minha cabeça andar a mil. Se como gosto pessoal já tenho interesse neste tipo de livros, o meu lado de engenheira ficou completamente louco com o acompanhar da estória de Mark, com todos os cálculos milimétricos para a sua sobrevivência, e ainda com as suas engenhocas, de forma a conseguir subsistir completamente sozinho em Marte.

Imaginem-se astronautas numa expedição a Marte, quando, subitamente, uma tempestade violentíssima se levanta, obrigando-os a abortar a missão. A sobrevivência é a única coisa que interessa e têm de descolar o mais rápido possível, sob pena de eventualmente morrerem. Cada um da vossa equipa luta por guiar o outro até à aeronave, mas de repente um de vocês é atingido e fica para trás. Eles têm de continuar, é imperativo que o façam se não querem morrer todos. Chegados à nave, os vossos colegas tentam identificar os sinais vitais pelos transmissores do vosso fato, mas este apenas emite o vazio das pulsações, mantendo-se apenas a temperatura corporal como normal, não tendo ainda passado tempo suficiente para começar a arrefecer. Sem encontrarem qualquer tipo de solução para vos ajudar e com completa invisibilidade para vos encontrar, arrancam de regresso à Terra, convencidos que vocês morreram. Só que afinal estão vivos, e a próxima expedição é só dali a quatro anos. Como é que irão sobreviver tanto tempo? 

Andy Weir é um génio, quanto mais não seja pela sua imaginação e capacidade de desenrasque que atribuiu ao seu protagonista – Mark. Toda a trama acaba por se tornar numa tortura para o leitor, e cada avanço de Mark na sua luta pela sobrevivência traz consigo, mais cedo ou mais tarde, uma situação em que o retrocesso é doloroso, sentido, angustiando o leitor ávido que só quer que o Mark tenha o direito e a felicidade de regressar a casa. Os seus monólogos, a falta que sente dos colegas, tudo isso enriquece o personagem em termos humanos, deixando o leitor completamente desarmado. 

A narrativa é muito diferente do que se possa estar habituado. O discurso é directo e a linguagem sem qualquer filtro, quer em termos de vocabulário comum como científico. É aqui que a estória também acaba por ganhar muito da sua genuinidade, pois acabamos a ser transportados completamente para Marte, visualizando tudo com os olhos de Mark, através da forte imagética da escrita do autor. Também é um livro que evidencia muito a empatia e a capacidade de lutarmos por um par, seja ele quem for. Milhões de dólares são gastos em prol do salvamento de Mark, sem que se levantem qualquer tipo de objecções, e todos os habitantes acompanham avidamente cada passo dos preparativos para que este possa ser resgatado.

Não me quero alongar mais, mas quero recomendar completamente O Marciano para os amantes de Ficção Científica. Não só é dos livros mais bem-humorados e optimistas que já li, como toda a componente científica, o salvamento, os cálculos para a criação de uma horta em Marte, as experiências para que Mark conseguisse os componentes químicos necessários para os seus objectivos, enfim, basicamente todo o enredo em si é para mim uma leitura indispensável para os amantes do género. Este foi um livro que se tornou um vício. Uma grande aposta da TOPSELLER.

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Opinião: Convergente (Divergente #3) de Veronica Roth https://branmorrighan.com/2014/04/opiniao-convergente-divergente-3-de.html https://branmorrighan.com/2014/04/opiniao-convergente-divergente-3-de.html#comments Wed, 16 Apr 2014 16:21:00 +0000

Convergente (Divergente #3)

Veronica Roth

Editora: Porto Editora

Sinopse: A sociedade de facções em que Tris Prior acreditava está destruída – dilacerada por actos de violência e lutas de poder, e marcada para sempre pela perda e pela traição. Assim, quando lhe é oferecida a oportunidade

de explorar o mundo para além dos limites que conhece, Tris aceita o desafio. Talvez ela e Tobias possam encontrar, do outro lado da barreira, uma vida mais simples, livre de mentiras complicadas, lealdades confusas e memórias dolorosas. Mas a nova realidade de Tris é ainda mais assustadora do que a que deixou para trás. As descobertas recentes revelam-se vazias de sentido, e a angústia que geram altera as vontades daqueles que mais ama. Uma vez mais, Tris tem de lutar para compreender as complexidades da natureza humana ao mesmo tempo que enfrenta escolhas impossíveis de coragem, lealdade, sacrifício e amor. Convergente encerra de forma poderosa a série que cativou milhões de leitores, revelando os segredos do universo Divergente.

Opinião: Passaram-se quase dois anos desde que iniciei a aventura no mundo criado por Veronica Roth. Chegada a altura de ver concretizado o desfecho desta história, foi inevitável não sentir aquele nervoso miudinho de expectativa e temor. De cada vez que se fecha uma trilogia existe algum sofrimento por antecipação, pois sabemos que após a leitura deste volume final não haverá mais nenhum, e são frequentes os momentos de acção em que nos vemos divididos perante a escolha do autor e o desejo inconsciente do leitor. Convergente reflecte o expoente máximo dessa dualidade, desse sentido de dever perante os personagens, mas que nem sempre segue o rumo que poderíamos esperar.

Se em Divergente nos foi apresentado um mundo de facções, cada uma com as suas características em que se tentava conciliar todas para uma convivência comum pacífica, em Insurgente as coisas complicam-se e as acções aí perpetuadas mudaram, para sempre, o rumo de alguns dos personagens principais. Tris e Tobias continuam a ser os protagonistas narrando, cada um a sua perspectiva num estilo de acção continua, mas em que a aproximação com o leitor acaba por se tornar mais íntima. 

Quando a história rompe no exterior das barreiras, a ansiedade chega para ficar. Sendo o ambiente novo, rapidamente tudo se torna familiar – os preconceitos, as sobrancerias, os medos, as mentiras, as traições, mas também o amor (já estabelecido e o redescoberto), a compaixão, o sacrifício. Divergente tem sido uma série que se alimenta de emoções, de batalhas interiores sobre o que está certo e errado, testando os limites éticos constantemente e levando ao extremo a análise de moralidade humana. 

Uma das grandes diferenças deste livro para os anteriores é o ritmo da narrativa. Enquanto os acontecimentos no passado quase que se atropelavam para terem lugar, este tem uma abordagem mais táctica, mais pensada, as conspirações estão sempre prestes a explodir, mas há sempre ali pequenos picos de adrenalina que acabam por voltar a acalmar a acção logo a seguir. É apenas no fim, nesse fim que tanto faz chorar a maioria dos leitores, eu incluída, que as páginas já não se percorrem linha a linha pausadamente, mas quase voam. Eu só me lembro de pensar “Não pode ser, não acredito, a autora não faria isto.” Bem, deixo-vos na dúvida se fez ou não e o quê.

A verdade é que pousado o livro, ao pensarmos um pouco sobre o mesmo, sobre toda a evolução da trilogia, faz todo o sentido que tenha acabado como acabou. Indo mais ao encontro do que tem sido a história ao longos dos séculos e contrariando um pouco o romance previsível de que tudo está bem quando acaba bem, Veronica Roth confronta o leitor com uma realidade perfeitamente possível, mesmo que não nos dias de hoje. Tris e Quatro serão sempre um casal querido, com uma história de amor posta à prova mais vezes do que eles desejariam, mas cujas provas de amor, do verdadeiro amor, nunca faltaram. E enquanto termino esta opinião, um nó se forma na garganta e um ardor me assalta os olhos, pois é impossível não ter flachbacks dos vários momentos marcantes ao longo dos três livros. Para reler mais tarde, sem dúvida. 

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Opinião: Maximum Ride – Salvar o Mundo (Maximum Ride #3) de James Patterson https://branmorrighan.com/2014/01/opiniao-maximum-ride-salvar-o-mundo.html https://branmorrighan.com/2014/01/opiniao-maximum-ride-salvar-o-mundo.html#respond Fri, 10 Jan 2014 18:17:00 +0000

Maximum Ride – Salvar o Mundo

James Patterson

Editora: TOPSELLER

Sinopse: Alerta! Um grupo de seis jovens com poderes extraordinários está em fuga. O seu lider é Maximum Ride, ou Max, uma rapariga de 14 anos que consegue voar. Deve ser considerada perigosa.

Max e o seu bando estão destinados a grandes voos. Vivem em condições difíceis e não podem dar muito nas vistas. Afinal, seis miúdos com asas a atravessar os céus não passam despercebidos… Nesta aventura o grupo vai ter de escapar ao terrível plano genocida criado por cientistas maléficos, os batas-brancas. E como se não bastasse, há um traidor entre eles. A união entre todos os elementos vai ser posta à prova enquanto enfrentam os inimigos mais poderosos de todos os tempos.

Será que um romance insuspeito, um blogue seguido por milhões de fãs e algumas revelações vão contribuir para que a missão de salvar o mundo seja realmente possível? Os leitores de James Patterson não vão descansar enquanto não tiverem a resposta certa. Mas cuidado: estas páginas são completamente viciantes.

Opinião: Com Maximum Ride – Salvar o Mundo, chegamos ao ponto em que já nada é certo para o nosso pequeno grupo de voadores. Depois de em O Resgate de Angel os termos conhecido e afeiçoado a eles, em Adeus à Escola foi fácil perceber que ainda muito estaria para vir e que estes seriam sempre uma caixinha de surpresas. Neste terceiro volume foi com imensas saudades que iniciei a leitura. Apesar de ser uma saga mais direccionada para o público mais jovem, a verdade é que me tenho divertido imenso a lê-a e estava tremendamente na expectativa do rumo que a história iria tomar.

Max e os seus amigos têm inimigos novos. Os erasers desapareceram e para os substituírem os batas-brancas arranjaram uma versão supostamente melhorada em forma de robot. É quando pensam que estão em segurança para se afirmarem em algum local calmo que os problemas sérios aparecem acabando por dividir o grupo. O que é certo é que o objectivo continua o mesmo – impedir que mais de metade da população (todos aqueles que não têm qualquer características especial ou sobredesenvolvida) de perecerem da Terra. É quase no fim, já numa arena em que Max é posta à prova, em que ou mata ou é morta, que os maiores segredos e as verdadeiras ligações e lealdades são reveladas. 

O percurso da história dá-se a um bom ritmo e, como James Patterson já nos habituou, a escrita é descontraída e cheia de humor. Ler a série Maximum Ride é sempre uma actividade de relaxe e diversão. Apesar dos seus momentos tensos, o carinho que temos pelas personagens é já tão grande que só os queremos a salvo. A cada livro vão evoluindo um pouco, descobrindo-se a eles próprios e partilhando essas novas experiências connosco. Ver Max a passar pelas suas crises de uma rapariga adolescente comum foi muito engraçado. A nível de ficção científica o autor volta a puxar pela Voz, por seres melhorados e pela velha ameaça de dominar o mundo com uma raça superior. 

Maximum Ride – Salvar o Mundo foi mais um capítulo de intensa actividade, com muitas surpresas pelo meio e que deixou espaço para novas revelações. Não sendo uma leitura de cariz adulto, é óptima para o pessoal mais jovem que goste de FC e que queira iniciar uma aventura pelo universo fantástico dos nossos heróis voadores ou para um adulto com um espírito mais aventureiro.

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Opinião: O Silo de Hugh Howey https://branmorrighan.com/2014/01/opiniao-o-silo-de-hugh-howey.html https://branmorrighan.com/2014/01/opiniao-o-silo-de-hugh-howey.html#comments Thu, 02 Jan 2014 12:17:00 +0000

O Silo

Hugh Howey

Editora: Editorial Presença

Colecção: Via Láctea #112

Sinopse: Num mundo pós-apocalíptico, encontramos uma comunidade que tenta sobreviver num gigantesco silo subterrâneo com centenas de níveis, onde milhares de pessoas vivem numa sociedade completamente estratificada e rígida, e onde falar do mundo exterior constitui crime. As únicas imagens do que existe lá fora são captadas de forma difusa por câmaras de vigilância que deixam passar um pouco de luz natural para o interior do silo. Contudo há sempre aqueles que se questionam… Esses são enviados para o exterior com a missão de limpar as câmaras. O único problema é que os engenheiros ainda não encontraram maneira de garantir que essas pessoas regressem vivas. Ou, pelo menos, assim se julga…

Opinião: As distopias têm andado na moda graças aos mundos pós-apocalípticos tão extraordinariamente criados e em O Silo temos o privilégio de testemunhar mais uma. Curioso, o percurso de edição desta obra que começou com pequenos capítulos numa small press, passando posteriormente para uma auto publicação na plataforma Kindle, tornando-se um best-seller do New York Times pouco tempo depois. Nesta obra, Hugh Howey presenteia-nos com um mundo submerso numa atmosfera corrosiva, em que o único porto seguro é o silo em que as pessoas se encontram, ou assim parece. No entanto, os segredos encerrados naquelas escadas e naquelas paredes parecem sussurrar cada vez mais alto e a ameaça de uma nova insurreição começa cada vez mais a pairar no ar.

São vários os personagens que vão ganhando protagonismo ao longo da trama. Tudo começa com o mistério da Limpeza, ou seja, com aqueles que por violação das leis são obrigados a deixar o silo sempre com a missão de limpar as lentes que proporcionam a visão do mundo exterior. E, apesar de todos dizerem que não irão limpar nada, afinal estão a ser condenados à morte, o que é certo é que todos, sem falha, acabam por fazer a Limpeza. Isto é, todos até ao dia em que alguém vai mais longe em relação aos segredos do silo e em vez de limpar as lentes, segue caminho, ultrapassa o limite de visão das câmaras do silo, e com isso instala o caos.

Estamos perante uma história cuja realidade não é difícil de imaginar. Interesses políticos, um mundo destruído por armas químicas (ou assim me pareceu), a sobrevivência da espécie através do confinamento, mas também o isolamento para que possam preservar todos os segredos que esse mesmo confinamento implica. Toda a estrutura do silo está organizada de forma a que, para manter o silo a funcionar a 100% sem risco de tragédia, todas as pessoas se mantenham de tal maneira ocupadas que não haja tempo para pensarem em mais nada e muito menos colocarem questões.

Gostei bastante da forma como as expectativas foram sendo geradas, impelindo-me sempre a ler mais uma página, a querer saber como é que todo aquele mistério iria ser desvendado. É certo que não existe um protagonista total e absoluto por quem o leitor se afeiçoe, mas à medida que existe uma pessoa a assumir esse protagonismo, conseguimos sentir uma empatia praticamente automática provocando um sentimento de incentivo e protecção em relação à mesma.

Foi uma leitura relativamente rápida e que deixou semeada a curiosidade. Vou ficar ansiosamente à espera que venha a continuação, pois este fim acabou por deixar ainda mais perguntas por responder. 

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Opinião: Sob o Céu que Não Existe/Under the Never Sky de Veronica Rossi https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-sob-o-ceu-que-nao-existeunder.html https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-sob-o-ceu-que-nao-existeunder.html#respond Tue, 10 Dec 2013 11:47:00 +0000

Sob o Céu que Não Existe

Veronica Rossi

Editora: Grupo Planeta

Sinopse: O mundo mantinha-os separados, mas o destino reuniu-os. Aria viveu toda a vida no Casulo protegido de Reverie. Este era o seu mundo e nunca pensou sobre o que estaria para lá das fronteiras.

Mas, quando a mãe desaparece, Aria vê-se confrontada a sair para o exterior para a procurar, e a sobrevivência no deserto o tempo suficiente para a encontrar parece impossível.

Então Aria encontra um estranho chamado Perry. Ele também está à procura de alguém. Mas é um Externo, um Selvagem, contudo é a única pessoa capaz de a manter viva na travessia do deserto.

E se conseguirem sobreviver serão a esperança um do outro para encontrar respostas às perguntas que vão surgindo à medida que se vão conhecendo.

Opinião: Este foi mais um livro que li na sua versão original e como tal estão representadas as duas capas. Under the Never Sky é uma distopia centrada numa comunidade dividida entre pessoas que vivem através de saltos em mundos virtuais e outras que vivem na verdadeira realidade, mais conhecida como “Death Shop” (Loja da Morte). Em comum têm o temor pela atmosfera mortífera Aether que ameaça ruir tudo à sua passagem. Uma leitura que começou algo lenta, mas que despertou a curiosidade suficiente para me entusiasmar com a ela.

O início, algo confuso, transporta-nos para a visão de Aria, cujas notícias da mãe deixou de ter e que decide, através dos seus próprios meios, descobrir o que se passa para não conseguir ligação com o local onde esta se encontra. Só que nem tudo corre bem e quando ela testemunha o que não era suposto, é transportada e abandonada para o Exterior, à mercê da Aether. 

A exposição de pessoas habituadas a estarem protegidas nos seus Casulos à atmosfera real tem sempre consequências danosas, mas há medida que o tempo passa e Aria vai sobrevivendo e até sentido-se melhor, descobre que existe muito sobre ela que desconhece. É na companhia inicialmente silenciosa e sombria de Perry que ela inicia a caminhada rumo à descoberta da verdade sobre quem é e do que se passa em Reverie. Perry é um Outsider que luta pela sobrevivência do seu povo e pelo bem estar do sobrinho. Quando o seu destino se cruza com o de Aria, as consequências tornam-se imprevisíveis, mas necessárias.

Demorei um pouco a habituar-me ao tipo de escrita da autora, não sei se foi por não estar habituada a ler em inglês, mas por vezes achei a narrativa algo desconexa e omissa. Ainda assim, com o continuar da história e o envolvimento com os personagens, acabei por sentir aquela ansiedade miudinha de saber como é que a história iria terminar. Tem personagens interessantes e cenários que espero virem a ser mais explorados nas próximas obras. Em termos de ficção científica achei pobrezinho. O conceito dos dons através dos sentidos estão engraçados, mas todo o foco na suposta investigação da mãe de Aria está pobre e o fim não prevê qualquer desenvolvimento nesse aspecto.

No fim fiquei com a sensação que é um livro com grande potencial, mas que soube a pouco e que poderia ser bastante mais trabalhado e melhorado. Vou ficar à espera do segundo volume com algum entusiasmo e na expectativa de perceber melhor a interação e o papel da Aether em algumas personagens, bem como o destino dos nossos protagonistas.

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