Filho da Mãe – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:43:25 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Filho da Mãe – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Diário de Bordo] Prestes a voar para Helsínquia! https://branmorrighan.com/2018/05/diario-de-bordo-prestes-voar-para.html https://branmorrighan.com/2018/05/diario-de-bordo-prestes-voar-para.html#respond Sun, 13 May 2018 20:22:00 +0000

Vou falar de mim, mas o meu cão é um amor e a foto ilustrativa do post fica a dele. Derreto-me com aqueles olhos meiguinhos e é a primeira vez que me vou afastar dele por uns dias! Vai correr tudo bem 🙂 

Ora bem, este Diário de Bordo é uma espécie de desculpa e, ao mesmo tempo, um apontamento pessoal do que quero ainda partilhar convosco ao longo desta semana. Começo com uma excelente notícia: tive mais um artigo científico aceite em journal, mais propriamente no Journal of Computational Biology, o que é excelente para o meu doutoramento! Outra boa notícia é que na próxima semana estou de regresso à Finlândia, Helsínquia. Vou participar no 4th Workshop on Data Structures in Bioinformatics, apresentando o trabalho Link Significance in Phylogenetic Analysis. Estou muito entusiasmada por voltar a viajar. Percorrer outros pedaços de mundo tem sido uma experiência incrível, principalmente no que toca a filtrar ao que é que se dá (ou não) valor, para além de que interagir com outros tipos de cultura nos torna mais humildes. 

Em termos de leituras terminei recentemente Caraval, de Stephanie Garber. Estou um pouco indecisa sobre o que ler a seguir, mas tenho ainda o Quando Tu Voltaste, de Maria Realf, para terminar. Já o leram? Está também na lista dos próximos a ler o Sorrisos Quebrados, de Sofia Silva, A Glória e Seu Cortejo de Horrores, de Fernanda Torres, entre tantos outros! A ver quais é que me acompanharão até ao norte da Europa 🙂 

Partilhando convosco também um pouco mais da minha experiência com o Yoga, tenho a dizer que tem sido libertador. A minha incursão ao universo do exercício físico tem sido a tentar equilibrar dias em que faço praticamente só cárdio (principalmente elíptica), outros dois em que faço Yoga (com dois professores de estilos diferentes, um mais físico e outro mais espiritual), estou a pensar introduzir o Pilates (fiz uma ver e acho que é mesmo muito útil para a postura), quando posso treino com o David Dias (uma vez por semana ou de duas em duas semanas) e ainda, de quando em vez, faço Spinning ou RPM. Como o meu objectivo não é perder peso, mas apenas manter-me saudável e, fazendo as coisas minimamente com rotina, ficar mais tonificada, a verdade é que já começo a sentir melhorias nas dores de costas e também a sentir uma maior solidez muscular. É preciso paciência, é um processo que demora semanas (eu não tomo complementos para aumentar ou o que for), mas na minha opinião vale a pena.

Ainda esta semana tenho para partilhar convosco o que foi o lindíssimo concerto de Filho da Mãe no Teatro Maria Matos. Apesar de já ter passado quase uma semana (não me tenho mesmo conseguido sentar e escrever algo com estrutura), é um texto que tem de acontecer. Na Sexta-feira também tive a oportunidade de assistir ao vivo a apresentação de Umbra, o novo disco dos Indignu. São sempre colossais ao vivo. 

E para já é tudo que tenho ainda um milhão de coisas para fazer 🙂 Uma última dica! Se apanharem os Whales em alguma das FNAC espalhadas pelo país, aproveitem! Eles estão com um set acústico lindíssimo que em concerto normal não acontece. Beijos e até já! 

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Sobre a Tarde de Ontem… https://branmorrighan.com/2015/08/sobre-tarde-de-ontem.html https://branmorrighan.com/2015/08/sobre-tarde-de-ontem.html#respond Thu, 27 Aug 2015 12:08:00 +0000

Fotografias Eugénio Ribeiro

Ontem foi tarde em maratona de entrevistas! A primeira foi com Rosemary Baby e as restantes com pessoas ligadas ao Magafest! Comecei com a Inês Magalhães, anfitriã das MagaSessions que deram origem ao Magafest e depois continuei com alguns artistas que irão actuar dia 5 na Casa Independente – Simão, Silence is a Boy, Jibóia e Filho da Mãe! Espero conseguir publicar as conversas todas até meio da próxima semana! São fãs destes artistas? Até já 🙂 

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[Reportagem] Tó Trips & Filho da Mãe – Guitarras ao Alto no Teatro Maria Matos https://branmorrighan.com/2015/01/reportagem-to-trips-filho-da-mae.html https://branmorrighan.com/2015/01/reportagem-to-trips-filho-da-mae.html#respond Fri, 30 Jan 2015 10:30:00 +0000

Fotografias cedidas pelo Teatro Maria Matos, autoria José Frade

A noite de Terça-feira, dia 20 de Janeiro, trouxe a Lisboa, ao Teatro Maria Matos, o projecto Guitarras ao Alto, protagonizado pelos músicos Tó Trips (Dead Combo) e Filho da Mãe. Depois de uma estreia por terras alentejanas, que foi um sucesso, deram a oportunidade aos lisboetas de presenciar um espectáculo ímpar, uma dança de guitarras acompanhada pela arte projectada de Cláudia Guerreiro. 

Passava pouco das 22h quando o silêncio absoluto se instalou. Palco iluminado, duas cadeiras, quatro guitarras, uma mesa e dois copos de vinho, eis que entram os nossos anfitriões. Tudo tem início de forma calma e quase contemplativa, Filho da Mãe dá os primeiros acordes, Tó Trips junta-se posteriormente, e quando damos por nós estamos fascinados com uma narrativa não só sonora como ilustrada, com a Cláudia a acompanhar o ritmo na tela, numa estética vibrante a provocar a imaginação de cada um. 

Existe uma liberdade contagiante na performance destes dois artistas, um exorcizar de emoções através de cada uma das guitarras nas suas diferentes manifestações quando dedilhadas à vez. A cada malha, um diálogo sublime em tom de sussurro harmonioso alternado com uma dicotomia de expressões com um Tó Trips bastante calmo e um Filho da Mãe mais expansivo. 

Apesar de alguma monotonia em certos momentos, a intensidade da atmosfera mantém-se palpável até ao último momento do encore. O sentimento de respeito e admiração transforma-se em murmúrios no final do concerto enquanto lamentamos ter passado tão rápido. Uma verdadeira manifestação de cultura portuguesa, a conjugação destes três artistas, num palco também ele de referência e um público sôfrego por mais. 

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PEIXE:AVIÃO / FILHO DA MÃE & JIBÓIA no Teatro Maria Matos https://branmorrighan.com/2014/09/peixeaviao-filho-da-mae-jiboia-no.html https://branmorrighan.com/2014/09/peixeaviao-filho-da-mae-jiboia-no.html#respond Sat, 13 Sep 2014 11:13:00 +0000

No dia 20 de Setembro, a música e o cinema entrelaçam-se dando origem a dois concertos vindos de duas propostas que o Curtas de Vila do Conde de 2014 endereçou a Filho da Mãe & Jibóia e aos Peixe:Avião. PEIXE:AVIÃO subirá ao palco Ménilmontant, de realização, argumento e montagem por Dimitri Kirsanoff. Já FILHO DA MÃE & JIBÓIA, dará forma musical a In the Land of the Head Hunters. 

Mais informações e bilheteira aquihttp://www.bilheteiraonline.pt/Comprar/Bilhetes/20550-peixe_aviao_filho_da_mae_jiboia-maria_matos_teatro_municipal/

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TREMOR com Sequin, noiserv, Filho da Mãe, Memória de Peixe, Jibóia e The Glockenwise https://branmorrighan.com/2014/03/tremor-com-sequin-noiserv-filho-da-mae.html https://branmorrighan.com/2014/03/tremor-com-sequin-noiserv-filho-da-mae.html#respond Sun, 16 Mar 2014 20:21:00 +0000

Mirror People, Sequin, Torto, Lovers & Lollypops Soundsystem, Teresa Gentil, bem como Sara Cruz, Lulu_Monde e Self Assistance encerram o cartaz da primeira edição desta iniciativa que junta a Lovers & Lollypops à Yuzin Agenda Cultural.

Falta um mês para que Ponta Delgada se encha de música. É já a 12 de Abril que a ilha de São Miguel junta mais um ponto à sua beleza natural: a música. O TREMOR vai envolver a população local e colocar, ainda mais, as ilhas nos roteiros turísticos nacionais e internacionais. 

Este TREMOR de música, ousado, criativo é, acima de tudo, uma proposta de vibração colectiva e urbana, para repetir várias vezes. Mirror People, o projecto a solo de Rui Maia (X-Wife); Sequin, prestes a editar o disco de estreia; Torto, o trio de virtuosos portuenses e o Lovers & Lollypops Soundsystem são, a par das bandas Lulu_Monde e Self Assistance e das cantautoras Teresa Gentil e Sara Cruz, os últimos nomes a serem anunciados para o cartaz. Recorde-se que, além destes projectos, o line-up é composto por Glockenwise,  Filho da Mãe, Noiserv, Gonçalo, Memória de Peixe e Jibóia.

Durante um dia, o centro histórico da maior cidade da ilha de São Miguel vai, portanto, encher-se de música e gente e será tomado de assalto nos seus mais variados palcos. Assim, sítios tão distintos entre si, desde uma galeria até uma igreja serão, por um dia, espaços de música. A lista completa dos espaços é: Arco 8, Ateneu Criativo, Travessa do Artista, Teatro Micaelense, Cantinho dos Anjos, Hostel 3/4, A Tasca, Loja Londrina, Baía dos Anjos, Igreja de Santa Bárbara e Galeria Fonseca Macedo.

O objectivo do TREMOR, onde a música encontra Ponta Delgada, é deixar uma marca na cultura açoriana, no ano zero de um evento que se pretende duradouro. Mais surpresas, aparições na cidade e actividades paralelas ficam ainda por desvendar.  Os bilhetes já podem ser encontrados neste endereço [http://www.last2ticket.com/ev813-Bilhetes-Online-Tremor] e têm o custo único de 12 euros. 

É desta que forma que um novo abalo chega aos Açores. Tremer criativamente é sempre uma dádiva. Não a deixem passar ao lado.

BANDAS

THE GLOCKENWISE

Para os Glockenwise, a ganga e a acne (pelo menos, na sua grande maioria) já eram. Mas, apesar da evolução, dos quilómetros de estrada, de concertos transpirados, de várias digressões europeias, de uma nova maturidade, de grandes palcos e de palcos menos grandes, toda a jovialidade dos quatro miúdos barcelenses mantém-se. Aqui não há falhas: é só boa onda, rock’n’roll a sério e a crença de que, um dia, será a distorção a comandar o mundo. Ouçam  Building Waves (2011, Lovers & Lollypops/VICE) e Leeches (2013) e vão perceber que a juventude é um estado de espírito.

FILHO DA MÃE

Com Palácio, editado em 2011, Filho da Mãe tornou-se rapidamente num dos nomes mais aplaudidos da música portuguesa. Ao vivo, Filho da Mãe ganha uma transcendência que dificilmente pode ser explicada em palavras, muito por culpa da sensibilidade e da intensidade das suas criações na guitarra acústica. Ao segundo disco, Rui Carvalho mostra que ser Filho da Mãe é ser um espírito livre, quer na criação musical, quer na evocação sensorial. “Cabeça” foi considerado um dos melhores discos portugueses de 2013 e ao vivo promete elevar-nos até ao conforto das nossas mais belas paisagens mentais. 

JIBÓIA

Jibóia são tapeçarias a voar, o cheiro a Shawarma e o aroma estranho (mas aditivo) da chamuças. Mais do que tudo, Jibóia é fogo nos pés, o corpo a bambolear e uma telepatia com o Oriente, de pés assentes no Ocidente.

Apoiado pelo seu Casio, Óscar Silva já mostrou no EP de estreia que consegue fazer toda a gente entrar na dimensão da psicadelia saltitante. Agora, prestes a editar um novo registo pela Lovers & Lollypops, Jibóia promete não menos do que caril picante, sem quaisquer problemas digestivos.

Noiserv

David Santos mora num globo só seu, um globo multi-instrumental, onde a pop e a folk se cruzam. Na verdade, o seu projecto a solo, Noiserv, dispensa muitas apresentações: com dois longa-durações que amolecem o mais empedernido dos corações, David é ainda membro de uma das bandas mais reconhecidas pela crítica nacional, os You Can’t Win, Charlie Brown. Almost Visible Orchestra, o seu mais recente trabalho em nome próprio, foi editado no ano passado e, pelo seu braço dado com a cinematografia, é daqueles registos em que basta fechar os olhos para fugirmos do quotidiano.

Gonçalo

Esta é a história de Gonçalo Alvarez, na sua incursão a solo, longe (mas sempre perto) do calor dos seus companheiros dos Long Way To Alaska. Explicamos isto em forma de conto, porque não há outra maneira de o fazer: o lirismo, a doçura e, claro, o final feliz são facilmente reconhecíveis em QUIM, o EP de estreia do bracarense. Afinal de contas, há alguma coisa mais valiosa do que a beleza que sai para fora sem esforço?

Nestas cinco canções, Gonçalo explora a doçura da pop, de braços abertos com a natureza. No fundo, uma banda-sonora para os dias de hoje. QUIM conta ainda com a participação de Nuno Abreu (dos LWTA) no tema “Crianças” e é a desculpa perfeita para um escape laboral para aquele sítio conhecido como o país das maravilhas.

Memória de Peixe

A guitarra no centro de tudo, a instrumentalidade e o improviso como palavras-chave. Eis os Memória de Peixe, agora com uma nova formação (Miguel Nicolau e Marco Franco) e, em breve, com um novo disco. A banda de Lisboa editou, em 2012, o seu trabalho hómonimo de estreia, que granjeou elogios nacional e internacionalmente e que os catapultou a tocarem em grandes eventos, desde o Optimus Primavera Sound até ao festival Milhões de Festa. Os Memória de Peixe acreditam na imagem e no pormenor: nada é feito ao acaso. E ainda bem.

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[Música] Texto de Afonso Cruz sobre o álbum Cabeça de Filho da Mãe https://branmorrighan.com/2013/11/musica-texto-de-afonso-cruz-sobre-o.html https://branmorrighan.com/2013/11/musica-texto-de-afonso-cruz-sobre-o.html#respond Wed, 27 Nov 2013 13:00:00 +0000

Lembram-se de vos ter apresentado o novo disco de Filho da Mãe? (http://www.branmorrighan.com/2013/11/musica-novo-disco-de-filho-da-mae.html) Lembram-se também da sua entrevista? (http://www.branmorrighan.com/2013/11/entrevista-filho-da-mae-musico-portugues.html

Pois bem, também o nosso tão querido escritor Afonso Cruz se rendeu a Cabeça e escreveu umas palavras sobre o mesmo. Ora vejam: 

“Lembro-me de, em miúdo, olhar para o meu tio-avô a tocar guitarra. As unhas encurvadas e amarelas dos cigarros, o cabelo branco e liso, colado à cabeça. Não havia muitas perguntas, o mundo era simples. Na verdade, aquilo que eu via não era um homem encanecido, dobrado sobre si mesmo, a dedilhar, era, isso sim, algo mais evidente, como haveria de perceber mais tarde: a guitarra e o guitarrista eram a mesma música. Mas o nosso crescimento passa pelo arrefecimento do mundo, pela necessidade de o dissecar, de o enfiar no microscópio e em equações de terceiro grau. O mundo começa a ganhar linhas rectas, torna-se geométrico, onde até as lágrimas são uma espécie de matemática. Pitágoras dizia, e os seus seguidores, como aquele de Crotona, repetiam, que a música e a matemática são exactamente a mesma coisa. 

Uma oitava corresponde precisamente a 1/2 da corda da viola; a terceira nota natural é 1/3 da corda; e a quinta natural é 3/4. E isto é apenas um pequeno exemplo de como as músicas que ouvimos são feitas de matemática, tal como as pedras são feitas de música e os nossos sentimentos são rigorosamente geométricos. É assim que se compreende a música utilizando a razão. Mas, lamentavelmente, não se ouve nada, não se sente nada. Para isso é preciso fazê-lo com o corpo, que, sendo uma espécie de tabuada, não deixa de ser feito de terra e de entender essa linguagem que se escreve com uma pá. Por vezes é preciso um filho da mãe capaz de nos colocar outra vez naquele lugar da infância, naquele espaço antigo, onde a guitarra e o guitarrista eram a mesma música. Melancólico, o filho da mãe, consegue conjugar memórias, partindo de uma base que se repete e que se vai tornando cada vez mais complexa, como os pássaros fazem quando cantam. Os ritmos cruzam-se, para cima e para baixo, como barcos a vencer tempestades, fazendo com que tudo se confunda, os ossos com a pele, o interior com o exterior, a sede com o vinho. Não é só tocar, é escavar os sons e trazê-los para fora da guitarra. E a música, com o seu poder catártico, faz-nos acordar. Não há arte nenhuma capaz de nos fazer mover, mexer e dançar como faz a música. Para 

que, no dia do Juízo, os mortos se levantem, serão necessárias trombetas. Ou, sendo menos ortodoxo, guitarras. Um quadro do Rembrandt não atinge os ossos, chega a muitos lugares, mas não faz dançar, não faz bater o pé. Se há alguma coisa capaz de nos fazer levantar, dançar, exultar, de um momento para o outro, é a música. Abre caminho pelas nossas veias,pelos músculos, é feita de carne e fala essa linguagem. Todo o universo se move por causa da música das esferas, por causa dos acordes que Deus tocou no Início, dobrado sobre si mesmo, a dedilhar uma guitarra. Tudo se move por causa de um filho da mãe.

Afonso Cruz

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Entrevista a Filho da Mãe, Músico Português https://branmorrighan.com/2013/11/entrevista-filho-da-mae-musico-portugues.html https://branmorrighan.com/2013/11/entrevista-filho-da-mae-musico-portugues.html#comments Thu, 14 Nov 2013 08:31:00 +0000 Esta minha aventura pelo mundo da música podia ser recente se desde que me conheço como gente não vibrasse ao seu som. Felizmente, e através do blog, tenho tido a oportunidade de começar a interagir com alguns dos meus músicos preferidos e cuja minha admiração lhes pertence por completo. Já temos por aqui o Noiserv, o Hélio Morais e os Linda Martini, juntando-se agora um músico que faz parar tudo à sua volta mal coloca a sua guitarra ao colo. Claro que só podia ser o Filho da Mãe. Espero que gostem tanto de saber sobre ele como eu gostei. Aqui fica a sua entrevista e desde já o meu profundo agradecimento pela disponibilidade.

Olá Rui, fala-nos um pouco sobre ti:

Pior pergunta que me podiam fazer na escola…pior pergunta que podiam fazer numa entrevista de trabalho. Aqui vai: Toco desde pequenino mas achava que queria ser realizador de cinema. Vivi a minha vida toda virado para as humanidades mas no fundo queria era ser cientista. A arqueologia acabou por me formar enquanto pessoa e enquanto profissional. Pôs-me coisas muito boas na cabeça mas partiu-me as costas e maior parte das vezes pagava-me mal. Habituado a recibos verdes, a não ter muito dinheiro e a passar maior parte do tempo ocupado mas oficialmente desempregado…a transição para a música a tempo inteiro fez-se quase por si só. Resolvi tirar uma espécie de sabática e dedicar-me só aquilo que nunca deixei de fazer em todo o segundo livre que tinha – Tocar. Acabou por se estender muito mais no tempo do que pensei inicialmente.

Para quem ainda não te conhece, diz-nos como caracterizas este teu projecto Filho da Mãe a nível musical:

É algo que vem de longe e que só veio à tona por causa da experiência do rock e hardcore. Parece, e é, contraditório.

O estilo de música que praticas em Filho da Mãe é bastante diferente do dos projectos em que já deste/dás o teu contributo (If Lucy Fell e I Had Plans e Asneira). Que necessidade sentiste em explorar e em expressar este estilo tão… pessoal?

Não foi por causa de uma necessidade. A necessidade já existia e continuaria a existir mesmo que Filho da Mãe nunca tivesse acontecido. É a necessidade de fazer música, seja qual for o género musical que pareça fazer sentido no momento. Foi mais a oportunidade…um momento em que algumas coisas pareciam estagnar à minha volta. Comecei a remoer umas músicas ou esboços…algumas pessoas começaram a dar-me força para avançar com algo a solo e lá fui eu. Na altura estava em tour com I Had Plans…acho que foi por aí que a ideia se começou a formar nalguma coisa de concreto.

É sabido que não tens formação musical e ainda assim consegues sempre surpreender a cada espectáculo muitas vezes fazendo sentir ao ouvinte que lhes chegas ao âmago. Qual a reacção das pessoas ao ter conhecimento deste facto? (do não teres formação musical) Desvalorizam um pouco ou ainda te dão mais valor, ficam mais entusiasmadas?

Acho que no essencial, depois ou durante o concerto ninguém quer saber da formação. Há quem não acredite que não a tenha, há quem ache que me faz falta, e haverá quem ache inadmissível não a ter…maior parte das pessoas parece achar estranho eu não ter formação musical. No entanto, creio que quem tem formação consegue perceber que não a tenho logoe que me ouve tocar…para ser sincero não me interessa nada isso. Não tenho nada contra a formação, seria estúpido se tivesse, por agora parece-me bem continuar como estou, e a reacção das pessoas a esse nível será sempre legítima seja ela qual for…

Palácio foi o teu primeiro álbum e agora está mesmo a chegar aí Cabeça. Qual o balanço do resultado do primeiro álbum e o que podemos esperar deste novo?

Adorei sentir a receptividade ao Palácio…e a estranheza que lhe sentiram também…deste podes esperar algo diferente..com tempo e intenção diferentes. Tem talvez algo mais de banda sonora..surpreendeu-me também, já que não tinha nada planeado quando o fui gravar. Gostei do resultado por ser algo que não foi muito pensado (conscientemente) na altura…

Qual a maior diferença entre estar sozinho e acompanhado em palco? Enquanto Filho da Mãe, sentes falta de companhia?

Acho que me começo a habituar estar sozinho em palco por mais estranho que seja sempre. Cada vez gosto mais.

Consegues imaginar o que é que os teus fãs sentem ao ouvir-te? Já te aconteceu dizerem que a tua música os ajudou ou que os mudou de alguma maneira?

Já me disseram isso uma outra vez, mesmo com outras bandas…não creio, no entanto que tenha fãs…acho que consegui (contra o meu negativismo no início) tocar algumas a pessoas de um modo mais pessoal. É óptima essa sensação. Por mim já fico feliz quando me dizem que foi uma boa companhia no comboio.

Como é que vês o panorama da musical produzida em Portugal actualmente? Achas o público português receptivo ou preconceituoso?

Depende…odeio avaliar o público. Não o percebo a não ser quando estou no palco..acho que percebo um bocado melhor as coisas nessa situação. Penso, no entanto, que o público português está finalmente receptivo a mais coisas. Tem sede e quer beber.

Agora uma pergunta mais pessoal… Até que ponto é que a Claudia Guerreiro (Linda Martini) te inspira? (risos) Como reagem as pessoas quando sabem que os dois formam um casal?

A Cláudia é uma das razões pela qual Filho da Mãe existe…isso é um facto. Mas não por sermos um casal. Tenho algumas pessoas ao meu redor a quem dou muito valor musicalmente e sem as quais, as coisas comigo não seriam iguais. Mas não por mera orientação ou dependência, nalguns casos crescemos juntos com a música sempre presente. A Cláudia é uma dessas pessoas…se deixássemos um dia de ser um casal, Filho da Mãe continuaria a pertencer-lhe de algum modo. Quanto ao resto não sei como reagem as pessoas…

Para quando uma nova aparição do projecto Fazer para desistir?

Boa pergunta! Mantém-te com atenção que nós também vamos tentar…

Enquanto leitora não consigo desassociar a música da literatura. Quase todos os livros têm algum tipo de banda sonora e, inclusive, existem autores que só conseguem escrever a ouvir música. Que tipo de livro é que achas que a tua música poderia inspirar?

Adorava responder-te melhor a isso. Gosto de escrever. Gostava de escrever algo mais completo um dia…é uma tarefa que me intimida mas ao mesmo tempo que me entusiasma. Acho que a minha música podia perfeitamente inspirar um daqueles livros confusos…

Costumas ler ou escrever? Algum livro preferido?

Tenho alguns problemas em definir livros, guitarristas, músicos e escritores preferidos… Gosto de escrever mas já não leio tanto como lia. Comecei a ler Saramago tarde (sim é verdade) alguns autores estrangeiros e mais recentemente Valter Hugo Mãe. Lembro-me de bater com a cabeça nas paredes com Lobo Antunes…gosto que me dificultem a vida…Carl Sagan no entanto, marcou-me a adolescência..e não te consigo explicar porquê..

Tens algum sonho, algum objectivo, que ainda não tenhas concretizado, mas que anseies?

Gostava de escrever um livro um dia. Mas não creio estar preparado ou fazer puto de ideia do que é necessário para cumprir esse objectivo. Há tanta coisa que não concretizei e que não vou concretizar, que nem sei se quero saber…

Que projectos tens em mente para o futuro?

Gostava que tudo isto continuasse a ser possível. Gostava de fazer outro disco e responder-te a outra entrevista; gostava de me surpreender com uma musica que nunca me tinha passado pela cabeça; quero tocar fora de Portugal, não por ter alguma expectativa de sucesso lá fora, mas porque tocar implica ir conhecendo ambientes novos e mudar um pouco por causa disso. Tenho algumas ideias..mas há tempo para pensar bem nelas, antes de começar a falar delas…

Agora uma pequena pergunta da praxe que faço a todos os entrevistados: já conheciam o blog BranMorrighan? O que achas do espaço? Que mensagem podes deixar aos seus leitores? (no caso de nem nunca o teres visto mais escuro ou claro não existe problema nenhum, é mera curiosidade!)

Sou-te sincero. Conheci o site através desta entrevista. Felicito-te pelo trabalho de divulgação de cultura. É algo que de facto só se faz quando se gosta mesmo..doutro modo nada haveria a ganhar. Enquanto músico lucro com isso…e congratulo-me porque exista. Mas não conheço muito bem o que por aí se passa…shame on me.

Sobre o novo disco de Filho da Mãe: http://www.branmorrighan.com/2013/11/musica-novo-disco-de-filho-da-mae.html

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[Música] Novo disco de Filho da Mãe… Cabeça + Disco/Bilhete https://branmorrighan.com/2013/11/musica-novo-disco-de-filho-da-mae.html https://branmorrighan.com/2013/11/musica-novo-disco-de-filho-da-mae.html#respond Thu, 07 Nov 2013 18:56:00 +0000

FILHO DA MÃE EDITA “CABEÇA” DIA 11 DE NOVEMBRO

DISCO BILHETE PARA CONCERTO DE 15 DE NOVEMBRO NO TEATRO DO BAIRRO, LISBOA

“Cabeça” é o segundo álbum de Filho da Mãe. Foi pensado e gravado entre Terra Feita (Gerês), e Montemor-o-Novo no Espaço do Tempo, onde foi essencialmente composto e gravado.

Música “Não te mexas” para download: http://we.tl/1wwmGU7W2K

Depois de “Palácio” (Rastilho Records 2011), “Cabeça” chega em CD como uma edição de autor com o apoio da Cultura Fnac. O formato digital é distribuído em território nacional pela Universal Music Portugal e é editado em Vinyl pela Lovers & Lollypops. O CD chega às lojas dia 11 de Novembro e é oficialmente apresentado no dia 15 do mesmo mês, no Teatro do Bairro. A entrada para o concerto é feita mediante a apresentação do talão de compra do disco e a compra do disco é possível na Fnac e no Teatro do Bairro apenas na noite do concerto.

As primeiras datas de apresentação contam ainda com 22 de Novembro em Castro Verde, 23 no Festival Ecos do Sado, 24 em Paris com Glenn Jones, 28 no “Le Guess Who” em Utrecht, Holanda, 29 no Centro Gallego em Barcelona, 30 em Zaragoza e em Vic a dia 1 de Dezembro.

Depois de dois anos de concertos e colaborações chega então “Cabeça” e o que dentro dela vai:

Porra de sítio em que os monstros se encontram e discutem as imitações uns dos outros. Parecem contrafeitos e aborrecidos enquanto raspam os cornos nas paredes e se fingem incomodados com as razias dos insectos. Não se apercebem da enorme sombra que projectam em tudo, do monte gigante de lixo e dejectos que acumulam, do sopro constante a que obrigam os ouvidos.

“Cabeça” foi gravado e masterizado por Guilherme Gonçalves.

“Terra Feita” e “Quadro Branco” foram gravadas por Makoto Yagyu.

O teaser da gravação de “Não te Mexas” no Coro Alto no Espaço do Tempo em Montemor-o-Novo foi filmado por Cláudia Guerreiro e editado por Ricardo Tabosa. Podes vê-lo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=1TUVHnsYU6k

Facebook Filho Da Mãehttps://www.facebook.com/umfilhodamae?fref=ts

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