Florbela Espanca – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Wed, 23 Dec 2020 21:17:24 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Florbela Espanca – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Florbela Espanca “Desejos Vãos” https://branmorrighan.com/2011/03/florbela-espanca-desejos-vaos.html https://branmorrighan.com/2011/03/florbela-espanca-desejos-vaos.html#comments Thu, 31 Mar 2011 23:27:00 +0000

Desejos vãos

Eu queria ser o Mar de altivo porte

Que ri e canta, a vastidão imensa!

Eu queria ser a Pedra que não pensa,

A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,

O bem do que é humilde e não tem sorte!

Eu queria ser a Árvore tosca e tensa

Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza…

As árvores também, como quem reza,

Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol, altivo e forte, ao fim de um dia,

Tem lágrimas de sangue na agonia!

E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…

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Florbela Espanca “Ser Poeta” https://branmorrighan.com/2011/03/florbela-espanca-ser-poeta.html https://branmorrighan.com/2011/03/florbela-espanca-ser-poeta.html#respond Thu, 17 Mar 2011 21:16:00 +0000

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhas de oiro e de cetim…

É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…

É seres alma, e sangue, e vida em mim

E dize-lo cantando a toda a gente!

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Volúpia – Poema para Beltane https://branmorrighan.com/2010/04/volupia-poema-para-beltane.html https://branmorrighan.com/2010/04/volupia-poema-para-beltane.html#respond Fri, 30 Apr 2010 15:09:00 +0000
E como amanhã é o dia de Beltane, quero partilhar convosco um poema de Florbela Espanca super adequado =)

Volúpia

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade…
A núvem que arrastou o vento norte…
— Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço…
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças…

Um Poema de Florbela Espanca, lindo para a época de Beltane

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