Ilustradores Portugueses – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 06:11:17 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Ilustradores Portugueses – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Diário de Bordo] Faltam 2 Meses! Já temos Ilustradora Oficial – Mariana Cáceres! https://branmorrighan.com/2017/10/diario-de-bordo-faltam-2-meses-ja-temos.html https://branmorrighan.com/2017/10/diario-de-bordo-faltam-2-meses-ja-temos.html#respond Fri, 13 Oct 2017 14:00:00 +0000

Mariana Cáceres, que nasceu em Lisboa em 1992, começou a desenhar por volta de 1996 e já tem idade para ter juízo. No entanto, continua a querer viver no mundo da ilustração com a sua colecção de canetas e aparos onde só metade deles é que funcionam. Licenciada em Desenho na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e em Ilustração no AR.CO, tenta sobreviver como ilustradora no mundo do freelance. Quando não está a ser sarcástica, gosta de escrever na terceira pessoa.

Está a chegar aquela altura do ano! Sim, aquela altura em que a juntar a tudo o que já está a acontecer na minha vida, vêm as preparações para se comemorar mais um ano de BranMorrighan. Vamos para o nono! NOVE ANOS de um blogue que começou da forma mais despretensiosa possível e que já me trouxe tanto, tornando-se num dos eixos principais da minha vida. Claro que o caminho, apesar de sozinha, tem sido tudo menos solitário e nada disto seria possível sem uma série de pessoas que, ao longo dos anos, foram reconhecendo valor naquilo que eu fazia e que contribuíram para que este projecto se tornasse muito maior do que eu alguma vez imaginei. Nunca fiz planos, por isso é mesmo bom saborear cada coisa que vai acontecendo só porque sim, porque faz sentido. 

Desde o quinto aniversário, ano em que comecei a organizar pequenos eventos, que tenho tido o privilégio de poder contar com uma ilustração representativa de cada ano. Começámos com Afonso Cruz em 2013, João Pedro Fonseca em 2014, Marta Banza em 2015, Mara Mures em 2016 e agora a querida Mariana Cáceres em 2017! Este post começou indo directa ao assunto, com a pequena introdução sobre a Mariana, pois é ela quem deve estar em destaque. Há umas semanas lancei-lhe este desafio e estou muito curiosa com o que poderá resultar desta colaboração. Em vez de fotografias suas, temos estas duas belas ilustrações, aqui presentes. 

Mariana Cáceres é um nome que já faz eco na mente de muitos, porém eu quero que chegue ainda a mais gente e é esse também o papel destas iniciativas. Tem um estilo completamente diferente dos anteriores ilustradores e todo o seu trabalho pode ser acompanhado pela sua página de Facebook: https://www.facebook.com/marianacaceresillustration/

Os pequenos pormenores, a constante fragmentação, as perspectivas viradas do avesso em que o estranho se torna belo, são características que encontro no seu trabalho e que me atraíram a fazer este convite. É como ver o mundo com outros olhos. E não é esse o poder do desenho, da ilustração? Desafiar-nos e levar-nos a despertar outros sentidos? 🙂 

Dia 13 de Dezembro, lá teremos o belo dia tão especial para mim. Parece que ainda me lembro de estar sentada na secretária, ainda em casa dos meus pais, noite cerrada lá fora e um frio sem chuva que me obrigava a vestir duas camisolas. Tinha 20 anos… Ai a nostalgia! Eheheh. Obrigada por todo o vosso apoio! Brevemente mais novidades! Obrigada à Mariana, por ter aceite o meu convite! Vai ser brutal, tenho a certeza. A ilustração oficial de aniversário será mostrada mais lá para a frente! 

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[8 Anos Blog BranMorrighan] Parabéns! Com Ilustração por Mara Mureș (Inclui outras ilustrações) https://branmorrighan.com/2016/12/8-anos-blog-branmorrighan-parabens-com.html https://branmorrighan.com/2016/12/8-anos-blog-branmorrighan-parabens-com.html#respond Tue, 13 Dec 2016 00:00:00 +0000 Ilustração por Mara Mureș – https://www.facebook.com/marabajouca

8 anos! OITO ANOS! Possa! Não vos quero cansar com mais um texto gigante, que tenho feito todo o santo ano, nem repetir o que disse aqui há uns dias (em que basicamente expliquei o que mais mudou na minha vida este ano), portanto a única coisa que quero realmente deixar aqui registado é um GRANDE OBRIGADA! Obrigada a todas as pessoas, sem excepção, que têm passado pela vida do blogue, e consequentemente pela minha, que têm contribuído para o crescimento constante deste espaço e feito de mim uma pessoa melhor. Porque todos os dias me deslumbro com a forma como tudo tem evoluído de forma tão natural e de como esta imprevisibilidade me fascina mais a cada ano que passa. Porque, principalmente nos últimos três anos, cada novo ciclo tem sido de uma riqueza à qual só me posso sentir grata. Porque mesmo quando as coisas correm mal, e acreditem que todos os anos há muita coisa a correr mal, eu aprendo. Muito. Hoje em dia, este blogue e a minha vida estão bastante entrelaçados. É claro que a maior parte do que se passa na minha vida não vem aqui parar, mas as coisas que mais me tocam, que mais me transformam, que mais me fazem actuar, vêm. E sem dar por ela, o BranMorrighan transformou-se um pouco num livro de memórias online em que, quando calho de pesquisar aleatoriamente no passado, encontro coisas que às vezes me fazem sorrir, outras vezes me levam as lágrimas aos olhos, mas essencialmente me recordam dos porquês. Como devem imaginar, foram muitas as questões que fui colocando ao longo do tempo. Não tão raras vezes me passou pela cabeça encerrar este espaço. Mas depois lembro-me de como fez a diferença aqui e ali, de como contribuiu para ajudar alguém, para me ajudar a mim. E é necessário manter estes porquês vivos para que não perca o sentido, o foco.

Este ano convidei a Mara Mureș a fazer a ilustração de aniversário. A Mara tem apenas 20 anos e é uma rapariga de um talento e sensibilidade únicos. A primeira vez que tomei contacto com ela já foi há uns dois ou três anos por causa dos Holy Northern Lights. Conheci melhor o seu trabalho depois do vídeo que fez para os First Breath After Coma: Gold Morning Days. Depois disso pedi-lhe que me mostrasse mais coisas suas – tinha encontrado alguém que queria ver aqui no blogue. Nesta ilustração ela usou lápis grafite para esboçar e caneta preta para os riscos finais. Com aguarelas pintou o conjunto de livros que aparecem em “8º Aniversário” e fez pequenas manchas de tinta à volta – para isso, ponho pequenas manchas no papel e sopro na direcção que quero. Depois com tinta da china preta pintou a figura a preto. Finalmente para escrever o nome do blog, usei uma régua mágica que faz letras mais perceptíveis que as minhas! 🙂 Sempre me disseram que tinha um nariz grande, desta vez isso ganhou um novo significado do qual gosto muito! Eheheh! A querida Mara tem mostrado outros tipos de trabalhos seus que agora coloco aqui online. 

Termino este post, deve ser o mais curto de todos os anos, mesmo tendo sido, potencialmente, o mais rico dos anos (leiam o outro post que deixei link no início!), agradecendo mais uma vez a todos, todos, todos vós, e que fiquem atentos porque, como tem sido tradição, nas próximas quatro semanas vamos ter pelo menos duas dezenas de passatempos, incluindo UM PASSE para Paredes de Coura e dezenas de livros, entre outros mimos! Não se esqueçam que a festa do Musicbox já está mais do que marcada e com bilhetes à venda (que já começaram a voar!). A do Porto, no Maus Hábitos, está praticamente fechada, é a 3 de Fevereiro e brevemente teremos cartaz e mais informações! Durante as comemorações também vou partilhar convosco meia dúzia de textos de pessoas que de alguma forma têm entrado na minha vida, na vida do blogue, e que me dizem muito. Um grande abraço cheio das melhores energias e da maior gratidão, pois sem vocês nada disto se tinha tornado realidade. MUITO OBRIGADA!

PS: Especial obrigada àqueles que lêem mesmo os meus posts gigantes, ou se compadecem das minhas birras em posts de desabafos ou queixinhas da vida de aluna de doutoramento! Aquecem-me sempre o coração, de verdade! 

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[HOJE] Nas Entrelinhas da Fotografia – Interpretar Retratos https://branmorrighan.com/2016/10/hoje-nas-entrelinhas-da-fotografia.html https://branmorrighan.com/2016/10/hoje-nas-entrelinhas-da-fotografia.html#respond Sun, 16 Oct 2016 13:22:00 +0000

As fotografias de Marta Banza unem-se ao enorme talento de 10 artistas – pintores, ilustradores manuais e ilustradores digitais – que aceitaram um desafio: Retratar uma pessoa que não conhecem e do qual só têm acesso aos olhos, à boca e a uma pequena descrição da personalidade, escrita pela fotógrafa.

O resultado? Poderão ver durante 1 mês a partir de dia 16 de Outubro, no Club Setubalense! 

A inauguração terá comes e bebes e será de entrada gratuíta. Lá vos esperamos!

Artistas: Joana Mendes (Mãos Frias); Ricardo Guerreiro Campos; Augustus John (Augustus); Zé Minderico; Inês Do Carmo; Inês Matos; Sara Rodrigues (SazzaWazza); Gabriel Gozzer (Organic Machine); Ana Quintino; André Damascena

PS: Conseguem identificar um dos pares de olhos da imagem??? :))) 

https://www.facebook.com/events/640728066105881/

https://www.facebook.com/MBanzaPhotography/

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[7 Anos Blogue Morrighan] A Marta Banza em Entrevista – Ilustradora oficial do 7º Aniversário e muito mais! https://branmorrighan.com/2015/12/7-anos-blogue-morrighan-marta-banza-em.html https://branmorrighan.com/2015/12/7-anos-blogue-morrighan-marta-banza-em.html#respond Sun, 13 Dec 2015 19:03:00 +0000 A querida Marta Banza… Conheci-a pessoalmente na comemoração do 6º aniversário do blogue no Maus Hábitos, Porto. Tinha convidado o Tio Rex para fazer parte do cartaz dessa noite e ele fazia-se acompanhar pela sua belíssima mais-que-tudo Marta Banza. Gostei logo dela. Um pouco tímida, algo reservada, mas simpática e atenciosa. O Miguel estava meio adoentado e o carinho e a preocupação, ao mesmo tempo que tentava estar presente para os restantes mostrou desde logo um coração cativante. Fomo-nos cruzando algumas vezes, para mim nunca suficientes, mas mesmo à distância criou-se uma amizade muito querida, uma empatia e um reconhecimento mútuo em muito mais do que se calhar ao início eu poderia imaginar. Em tudo o que faz, a Marta mete a alma e o coração. O seu talento vai para além da sua voz melodiosa e do desenho, atravessando a fotografia, o vídeo, o que for necessário para se expressar artisticamente. Estava na hora de conhecermos a mulher que está por trás de um grande homem, que é o Miguel Reis, mas que também ela tem um papel por si só. Com todo o respeito pelo meu querido tio, acho que está na altura de conhecermos a Marta Banza, artista portuguesa, cujo talento ultrapassa em muito a colaboração no projecto Tio Rex e que por isso merece por si mesma ter o seu destaque individual. Da minha parte só posso estar grata por, no meio de todos os seus afazeres e estudos, a Marta ter aceite fazer parte desta comemoração dos 7 Anos do Blogue BranMorrighan. A sua interpretação do que lhe pedi está perfeita!

Querida Marta, muita força, muita motivação, muito entusiasmo e todo o fôlego do mundo para que possas continuar a lutar pelo que queres! Obrigada por fazeres parte disto.

Fiquem com a sua entrevista!

https://www.facebook.com/MBanzaPhotography/

Olá Marta! Antes de mais obrigada por teres aceite fazer parte deste 7º aniversário do blogue BranMorrighan? Não nos queres falar um pouco sobre ti antes de avançarmos? 

Obrigada eu! Fazer parte do aniversário do teu blogue é um enorme prazer. Falar sobre mim? Não há muito para dizer na verdade! Nunca gostei muito de falar sobre mim, mas posso dizer que pessoas que me são próximas me descrevem como sendo uma pessoa simples. 

Muita gente poderá reconhecer-te de acompanhares o Tio Rex pela estrada fora. Como é ser sua companheira e ao mesmo tempo participar no seu trabalho artístico? 

Curiosamente, foram dois caminhos que se cruzaram muito cedo…Desde o início que ser sua companheira no amor e na música andam de mãos dadas. O que nos introduziu um ao outro foi precisamente um palco, a partir daí tudo surgiu naturalmente. Tem sido, acima de tudo, uma experiência entusiasmante e feliz. Para além de me ajudar a permanecer no mundo da música (onde realmente me sinto Eu), gosto de acreditar que contribuo da melhor maneira que sei para o seu projeto. Desde o início que o admiro muito como artista e estes anos apenas ajudaram a admirá-lo inclusive como pessoa. Partilho o palco da música com a pessoa com quem partilho o palco da vida – que mais podia eu pedir? 

Tens uma página de artista dedicada à fotografia. Lá afirmas “Para mim, fotografar é a arte da observação. É sobre encontrar algo interessante num lugar comum… Eu descobri que tem pouco a ver com as coisas que vemos e tudo a ver com a maneira como vemos as coisas.” O que é que procuras quando olhas para algo? Como é que te surge a necessidade de fotografar alguma coisa? 

Desde já tenho de te dizer que me sinto muito contente por teres feito essa pesquisa… Gosto muito que percebam o que está por de trás da minha “arte”. Para querer fotografar algo, esse algo tem de despertar qualquer coisa em mim. Não gosto de fotografar só por fotografar, e ver o que daí surge. Posso ir a caminhar pela rua sentir vontade de fotografar qualquer coisa onde veja que a luz está a incidir de uma maneira particular, por exemplo. Procuro também mostrar o que vejo da maneira mais genuína que consigo: todos nós vemos as coisas que nos rodeiam de forma diferente, e quero que a fotografia que eu tiro reflita especificamente o que os meus olhos viram e o sentimento que eu senti. Por outro lado, adoro fotografar pessoas, captar detalhes que escapam ao olho nu. Acredito mesmo que todos temos algo de belo à nossa maneira, e é mesmo muito gratificante para mim quando fotografo alguém e a pessoa se sente bonita ao ver as fotografias.

Sentes que falta essa emoção na maior parte dos trabalhos artísticos que vão aparecendo? 

Não sei se posso afirmar que existe falta de emoção… Como, para mim, a fotografia é algo de tão pessoal, percebo que possa também ser mal compreendida. Quem sabe se também não vêem falta de emoção nas minhas fotografias? No entanto, sei que é cada vez mais “fácil” ser “fotógrafo”. Escrevo ambas entre aspas porque ser fotógrafo de verdade não é assim tão fácil (e com isto não quero dizer que eu faço jus à definição, mas procuro). A acessibilidade a máquinas muito boas a preços confortáveis, juntamente com a facilidade com que se partilha uma fotografia hoje em dia, acaba por tornar esta actividade algo banal, e os que realmente se dedicam a isto com corpo e alma podem acabar mascarados no meio de tanta informação. No entanto, há que não confundir qualidade da máquina/fotografia com Qualidade do trabalho. 

Como poderão ver na ilustração do aniversário, e já noutros posters, também te tens aventurado na ilustração. É algo que queres continuar a fazer ou vais fazendo só por desafio momentâneo? 

Confesso que sempre adorei desenhar. Antes dedicava-me a desenhar retratos, cheguei a fazer um pequeno workshop, mas aos poucos fui perdendo tempo para continuar a praticar. Ainda faço uns rabiscos, aqui e ali… Nomeadamente, como sugeres, por desafio. Mas é certo que sempre que esses desafios aparecem, fico mais que contente por poder dar asas à imaginação e desenferrujar os dedos!

Fotografia Eugénio Ribeiro

A verdade é que também tu tens uma belíssima voz. Ouvi dizer que poderá haver a possibilidade de um dia, para além da Marta Banza Fotógrafa e Ilustradora, poderemos ter uma Marta Banza cantora. É um sonho ou tornou-se num desejo? 

“Belíssima” depende bastante dos gostos haha! Mas se houver alguém que gosta já fico muito contente. Essa possibilidade existe, de facto. Até há relativamente pouco tempo, digamos uns 4 anos, não considerava essa hipótese porque só me sentia bem a cantar sozinha. Com o tempo fui-me apercebendo que me sinto bem a fazê-lo em palco também, e tornou-se num desejo a partir do momento em que as pessoas à minha volta me fizeram sentir que se calhar poderei ter algum lugar nesse palco. Para além disso canto desde os meus 10 anos, em corais, e sempre foi algo que me entusiasmou. Se tudo correr bem, o desejo será cumprido, um dia. 

Como é que cada uma destas artes se complementa em ti?

Sempre estive muito dentro do mundo das artes. Sempre que toco ou canto, o mundo à minha volta concentra-se nesse momento. Sempre que coloco a máquina ao pescoço, as horas passam mais devagar. E, da forma mais simples e mais honesta que consigo explicar, sinto-me feliz. Posso mesmo dizer que estas vertentes artísticas me fazem sentir mais próxima de mim, mais activa. 

Mas avancemos para coisas um pouco mais informais, que eu sei que tens excelentes gostos. Queres-nos falar sobre o livro que mais te marcou até hoje? Ou alguns livros que tenham deixado rasto em ti? 

Que boa pergunta! Adoro ler, foi algo que me passou o meu pai e o bichinho lá foi ficando e crescendo. Tenho uma estante no meu quarto onde guardo os livros que mais gostei até agora… Um dos últimos que li e que, apesar de grande, me manteve sempre interessada, foi “O Último Cabalista de Lisboa”, de Richard Zimler. Não sei qual me marcou mais até hoje, mas um que me ficou na cabeça desde que acabei de ler foi “As Velas Ardem Até Ao Fim”, de Sandór Márai. Aconselho a sua leitura e, se acontecer o mesmo que a mim, vão fechar a última página do livro mais lentamente do que quando o abriram. 

Que outros artistas é que segues e admiras? 

Acabo por acompanhar mais artistas no mundo da música, e são variados. Internacionais acompanho e admiro muito o Benjamin Clementine. Para além de ter um talento enorme e fora do comum, em termos artísticos é o que sonharia ser. Cá da nossa terra, gosto de estar a par do que os Lavoisier vão fazendo porque foram dos poucos artistas que me arrepiaram dos pés à pontinha dos cabelos num concerto ao vivo. Mas tenho tantos outros artistas cujo trabalho gosto de ir desbravando… Há tanto de novo e bom à espera de ser descoberto. 

E agora vou puxar do ego e pedir-te uma mensagem aqui para o blogue 🙂

Haha, vou tentar ao máximo fazer-lhe jus… Não é todos os dias que encontramos um blogue como o teu, especialmente por ter a pessoa que tem por de trás. Nos dias de hoje é fácil fingir o interesse pelo trabalho do próximo, e ainda é mais fácil fingir orgulho nos outros. Este blogue é um porto de abrigo a quem quiser escapar a tudo isso – a Sofia consegue promover artistas, livros, pessoas, eventos, de uma forma muito humana e nua, desprovida de pretensiosismos. E isso vale mais do que muita gente poderá achar. <3 i="" nbsp="">

Ilustração do 7º Aniversáriohttp://www.branmorrighan.com/2015/12/7-anos-blogue-morrighan-7-anos-e-toda.html

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[Novos Símbolos BranMorrighan] O Corvo Escreve e Ouve Música, Ilustrações por José Oliveira https://branmorrighan.com/2015/02/novos-simbolos-branmorrighan-o-corvo.html https://branmorrighan.com/2015/02/novos-simbolos-branmorrighan-o-corvo.html#respond Mon, 16 Feb 2015 18:37:00 +0000

O José Oliveira, ilustrador português, ofereceu-me esta bela prenda reflectindo as duas facetas mais activas do blogue. Ambas estão feitas em papel, com canetas próprias, por isso aqui ficam os prints. A primeira já está a ser usada como imagem de perfil na página do Facebook do blogue. Espero que gostem, eu fiquei deliciada! 

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Entrevista a João Pedro Fonseca, Artista Português https://branmorrighan.com/2014/02/entrevista-joao-pedro-fonseca-artista_18.html https://branmorrighan.com/2014/02/entrevista-joao-pedro-fonseca-artista_18.html#comments Tue, 18 Feb 2014 18:55:00 +0000 Descobri virtualmente o JP numa feliz coincidência enquanto fazia a minha pesquisa para a entrevista aos Riding Pânico. O João estava como um dos administradores da página e não o tendo identificado como um membro da banda, armei-me em curiosa e fui averiguar a ligação que este teria à banda. A verdade é que actualmente não tem nenhuma, mas em compensação tem todo um portfólio que vale a pena descobrir, saborear e admirar. Ele pinta tradicional e digital, faz artworks para músicos, projecções visuais, escreve de vez em quando, entre outros. Vou-vos deixar com a entrevista dele que vale bem mais a pena ler do que qualquer coisa que eu tenha para vos contar mais. 

Olá João! O que é que nos podes contar sobre ti? Quem é o João Pedro Fonseca que aos 23 anos já conta com um portfólio tão variado?  

Bem, sendo o mais breve possível e não caindo no erro de escrever uma bíblia, sou um rapaz que cresceu em Lamego desde que me conheço a mim e à minha barba. Lá, fiz artes no secundário e mal acabei vim a correr para a FBAUL (Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa) tirar a licenciatura em pintura. No meio desta transição, conheci e vou conhecendo pessoas fantásticas que têm uma imensa influência nas minhas artes a nível cultural, intelectual, filosófico e experimental, pessoas que vivem na ânsia de viver, recheadas de vida e ensinos, que nunca param, e pessoas que ficam, que são hoje os meus amigos mais próximos, do qual a maior parte pertence à editora Zigur Artists (ZA). Com eles consegui explorar caminhos que nunca pensaria trilhar, inclusive o da música, performance e artworks gráficos, chegando mesmo a fazer parte de alguns projectos ao vivo, como Mr. Herbert Quain e C&C. O meu portfólio pode-se considerar variado porque vivo constantemente sedento de novos estímulos, explorar o máximo número de ferramentas onde me possa expressar, onde a insistência na exploração da ferramenta é às vezes mais exaustiva que o objectivo de chegar a um produto final. Muitas vezes, o meu conceito ideológico empregue num projecto acaba por se desmaterializar durante o processo dando algo que à priori nada tinha haver, é como estar a planear pintar uma maça e de repente dar por mim a deixa-la cair de um prédio de 26 andares só para registar o estilhaço. Acho que é mesmo este o à vontade na manobra de pensamentos e processos que me possibilita ter uma boa variedade de trabalhos.    

Foi em Novembro de 2009 que iniciaste oficialmente o teu percurso no mundo da arte. Quais é que foram os teus primeiros trabalhos? 

Exacto. Foi a data que marquei como início nas redes sociais não só porque fica bonito mencionar que tivemos uma fase de “salto artístico”, mas porque na realidade é mesmo verdade. Foi o ano em que travei grandes amizades que me fizeram crescer a todos os níveis e que hoje ainda preservo. Pessoas como o Afonso Lima , Manel Guimarães e o José Santos, são notáveis e talentosos que mais tarde fundariam a ZA. Os meus primeiros trabalhos foram todos eles centrados na procura da fórmula do realismo, entrar na mente dos grandes artistas que damos no ensino básico como Miguel Ângelo, Leonardo DaVinci, Rubens e etc… mas depois comecei a notar que faziam mil e uma teorias da conspiração desses artistas para vender livros. Achei isso uma atitude super moderna e foi então que me elucidei; estava no séc. XXI e tinha que deixar de ser um pré-velho-rezingão e modernizar-me, desprendi-me então dessa tentativa do procurar o realismo absoluto para dar lugar a outros conceitos mais exploradores, mas nunca sem deixar as habilidades aprendidas do realismo pois acho que é uma ferramenta incrível para ingressar mais facilmente por qualquer outro caminho artístico. Contudo, todo este processo de desprendimento foi gradualmente lento e de puros acasos na exploração dos materiais. 

Falaste na Zigur Artists, em que é que consiste esse projecto e qual o teu papel nele? 

Como diz a descrição “Somos um colectivo de artistas e uma netlabel com vontade de trabalhar, editar e promover.”, essencialmente a ZA quer fazer coisas acontecer onde o maior motor é a música, lá se encontram Coure and Colours, Morsa, Tales and Melodies e Mr. Herbet Quain. O meu papel nisso tudo está mais focado a nível gráfico, elaboração de posters, artworks de álbuns,  ilustrações, imagem do Festival da Zigur Fest, VJ (video projecções), entre outras coisas efectivas à imagem. Muitas coisas menos, ironicamente, tocar música. 

Vem por Aqui dos Ermo, foi considerado por vários sites de música um dos melhores álbuns de 2013. Dado que todo o artwork foi feito por ti, sentiste que de alguma maneira este destaque ao álbum deles te beneficiou de alguma forma?  

Trabalhar com o António e o Bernardo foi incrível, eles são incríveis e o álbum é incrível! Acho que a capa beneficiou ambas as partes, os Ermo deram-me uma liberdade enorme para desenhar o que eu quisesse ao estilo que mais me estimulava. Foi um enorme prazer e não estava mesmo a contar que o artwork tivesse tanto impacto. Vários artistas, desde actores a músicos, me deram os parabéns, foi super gratificante e com isso outros artistas já começaram a requisitar os meus serviços.  

És autor de trabalhos muito diversificados. Desde artworks de álbuns a pinturas mais obscuras, alguns nús… O que é que te inspira nas tuas criações? 

O que mais inspira as minhas criações são mesmo todos os momentos que vou vivendo, os pequenos pormenores que servem de combustão ao motor da vida; após uma directa beber um café no meio de uma caótica manhã Lisboeta, observar um cubo de gelo a derreter-se num guardanapo, perder o número de vezes que ouço sempre a mesma música nos supermercados, adicionar no facebook “amigos” que não conheço, etc, todas estas contemporaneidades, mas, essencialmente, as pessoas que vou conhecendo, os livros que vou lendo, as músicas que vou ouvindo e os locais que vou visitando. Todas estas acções e sensações têm a consequência de ficarem agarradas à minha pele e que por vezes necessito de as largar em forma de peças de arte, outras vezes deixo-as transformarem-se em cicatrizes.  

Muitas obras que faço têm um carácter obscuro porque já é algo que não me consigo desprender e já admiti a mim mesmo: faz parte de mim, eu tenho essa tendência, gosto de tudo o que seja surreal, tenha um impacto dramático muito forte e pesado, até mesmo invasivo e inquietante ao espectador. Mas juro que não andei a matar animais em pequeno, tenho a ficha limpa.   

Quando andei a navegar pelo teu site, descobri que para além de toda a arte da pintura e ilustração também escreves algumas coisas de vez em quando. O que é que está por trás desses textos?  

Vou logo directo ao ponto. Sempre fui mau a Português e só passei com nota 10. Nunca senti a necessidade de escrever, pelo contrário, era algo que evitava completamente, mas como já referi, sou viciado em explorar todo o tipo de expressões artísticas e houve uma altura em que me envolvi com uma escritora que fez crescer em mim uma grande curiosidade pelo mundo das letras. Após o envolvimento comecei a esboçar textos muito pequenos. A certa altura dei conta que já tinha muitos e foi então que decidi publicar alguns e lá foi. Hoje ainda escrevo, mas não tenho publicado com regularidade. Tenho que tratar disso!  

Já pensaste em fazer uma espécie de publicação mista? Em que exibes tanto as ilustrações como os textos? Brincares um bocadinho com as interpretações tanto das imagens como dos textos?

Sim, já, mas deixei de pensar quando me convidaram para ilustrar contos e textos, então nunca mais explorei a ideia. Penso que se uma imagem está acompanhada de um texto, então a pessoa não tem que pensar sobre a imagem, o significado está ali. Eu gosto que as pessoas pensem sobre o que vêm, que se questionem sobre os significados das coisas.

Qual é a tua relação com a fotografia?   

A fotografia nasceu na preguiça de desenhar e pintar, como também com o intuito de as usar como peças documentais para futuras recordações. O registo é muito mais imediato estando a um clique entre o dedo e o botão mágico. Com o tempo e o aprimorar do gosto visual, os conceitos começaram a ganhar formas mais esteticamente pensadas e trabalhadas, tentado não só simplesmente alcançar o “registo” visual, mas também uma ideia, uma sugestão ou uma chamada de atenção, onde vários caminhos ideológicos eram assumidos. E foi assim comecei a levar mais a sério a ferramenta que é a fotografia.  


Vi um trabalho teu em que basicamente és tu dentro de uma banheira com um jogo de tintas brutal. Em que é que consistiu em concreto? Qual a mensagem que é suposto transmitir?  

Bem, estas fotografias foram um projecto de Pintura Digital feito na última semana da disciplina. Não sabendo o que fazer, encontrava-me no banho submerso na banheira. Estava tão cansado que as poucas pingas que caiam na água pareciam balas a bater na parte de trás da minha cabeça. A água em contacto com a água nunca deixa de ser transparente mas o seu peso psicológico na minha mente era tão forte que as pingas assumiram uma forma negra, cercando a minha face, descaracterizando-a, quase que numa intenção de roubar as minhas emoções, os meus sentidos, em troca de um sufocante manto negro. E assim experimentei trazer essa sensação à realidade; usei tinta da china, um jogo de luzes personalizado e uma perspectiva área para captar o cenário, nascendo assim a sessão fotográfica. O resto das fotos foram consequência desta primeira, mas transportada para outros ambientes, tal como diz a descrição do projecto: o trabalho expõe a vulnerabilidade do homem e o seu meio ambiente à intervenção de elementos quotidianos.  

Disseste que não fazias música, mas acabas por fazer parte dela quando participas com as projecções visuais. Inclusive, estiveste ao vivo em tela com o RA. Conta-nos como foi essa experiência e o que te motivou a juntares-te a ele em palco.  

Estas participações com elementos visuais nas músicas vieram porque queria dar algo mais à música fora dos artworks, principalmente ao vivo, em palco. E com o Ricardo Remédio (RA) foi assim que aconteceu. Mal ouvi o EP dele, Rancor, ainda não estava fechado o cartaz da 2º Edição do Zigur Fest, disse de imediato que queria pintar uma tela ao vivo enquanto ele tocava o EP e o António M. Silva convidou-o. Foi das sensações mais fantásticas que tive, nunca me absorvi tanto com algo. Curiosamente conheci o Ricardo umas horas antes do concerto, ele ainda não tinha muito bem a noção do que ia acontecer, mas o mais interessante é que nem falámos nisso, pois passámos as horas a falar de conceitos filosóficos, gostos culturais e etc… só 5 minutos antes do concerto é que me pergunta:

“Mas tu vais mesmo pintar uma tela ao vivo?” 

“Sim, vamos!” 

Nunca tinha sentido tantos nervos na minha vida como antes de entrar em palco. Era a primeira vez que estava a pisar um e ainda por cima para pintar uma tela ao som de música, algo que nunca tinha feito antes. O que me levou a chamar o Ricardo foi mesmo esta minha necessidade de “deitar tudo cá para fora” porque a música dele é de uma inquietação interior prestes a explodir, tão forte que necessitava de um elemento visual, algo que materializasse a música visualmente.    

O que projectaste na tela, já estava planeado?  

Sim, já tinha uma certa ideia, mas todo o resultado final, os pigmentos, o estilo da forma e o jogo de cores não estava nada planeado, tanto eu como os espectadores estávamos no mesmo compasso de espera a ver o que iria sair dali.   

Especificamente na projecção visual estás associado ao projecto Herbert Quain. Fala-nos dessa parceria e em como é que ela te completa enquanto artista.  

O Manuel Bogalheiro também conheci umas horas antes do concerto onde eu ia actuar pela minha primeira vez como VJ e ele com o Live de Mr. Herbert Quain. Foi curioso, mas o mais curioso ainda foi eu ter feito o artwork todo do álbum “How I learned to stop worrying and start loving the waiting” e o mundo visual de Quain sem o nunca ter conhecido pessoalmente. Voltando ao live, eu não tinha noção alguma do que era ser VJ, mas resultou tudo tão bem que até hoje fazemos todos os lives juntos pois uma parte complementa a outra para dar vida a Mr. Herbert Quain. 

E o Manuel é uma pessoa incrível, dos maiores prazeres que tenho é fazer parte de Quain, mas mais ainda é tê-lo como amigo. É um ser humano incrível, com um nível cultural astronómico e um talento musical fenomenal. Para mim, não por eu fazer parte do projecto e ele ser meu amigo, considero o Manel dos artistas mais talentosos que já conheci. Criou um mundo maravilhosamente delicioso que por imensa sorte tive oportunidade de dar imagem e até hoje estou imensamente grato pois já aprendi tanto com este projecto… mas a todos os níveis, não só artístico como também humano, que no fundo é o mais essencial; crescermos mais como seres humanos! É o que tenho aprendido mais com as minhas aventuras ao lado do Manuel Bogalheiro, nas viagens e nos lives, que a vida é um livro que se abre com imensas páginas por preencher onde o branco tem obrigação de ser a cor mais ausente.  

De um modo geral, em Portugal, de que forma é que a arte anda a ser valorizada e/ou desvalorizada?  

A arte em Portugal é valorizada por quem a sabe valorizar e desvalorizada por quem não a quer sequer tentar entender, e infelizmente a massa do “não quero” é muito superior. O pior em Portugal, na minha opinião, é como diria Gonçalo M. Tavares, é a existência de um julgamento estranho da modéstia no qual nos embrenhamos;  “Batem-se palmas a quem basicamente diz que não é muito bom a fazer o que faz. E quando alguém diz que tem confiança no que faz, utiliza-se uma palavra pejorativa: arrogante.” A arte deixa então de ter um sentido lato para dar lugar a um caminho limitado, de uma só direcção. Parte da culpa passa pela nossa educação e pelos pobres recursos culturais abertos ao público, os estímulos artísticos são pouco desenvolvidos… Vivemos também numa era de um apogeu crescente que contribui para essa mesma carência, o capitalismo, onde as pessoas são dominadas por um sistema vicioso que controla as suas tendências culturais.  Vivemos na geração noodles, cada vez mais são instantâneos os produtos e obras que nos passam à frente, imensamente saborosos ao inicio, mas criados para nos tirarem o espaço para pensar, raciocinar, ou até mesmo opinar, deixando-nos vazios no fim. Tornam-nos, por consequência, instáveis e emocionalmente voláteis. É triste, pois quem aí vence é o que vem de fora e o que é nacional é chutado a um canto.  Na minha opinião, existe uma falsa consciência cultural onde de tenra idade ter “consciência” de cultura é escolhermos um clube de futebol e mais tarde decorarmos todas as bandas musicais conhecidas e

não conhecidas, onde quem não conhecer a banda (com o nome mais esquisito do mundo) do 206º video recomendado de artistas similares a Radiohead pelo youtube é classificado como burro e inculto. A meu ver, uma boa parte das pessoas vivem mergulhadas e alienadas por este fenómeno que atingiu Portugal numa ápice que é os festivais musicais, criam-se estilos, grupos sociais distintos e febres constantes, alienando-as de outros caminhos culturais que também podem e devem ser explorados (mas se calhar não são tão rentáveis para estes grandes nomes capitalistas). Infelizmente, a moda social é criar festivais para tudo, música, cinema, letras, etc… restringindo o público do poder de escolha e cultural.  Nunca Portugal teve tantos bons artistas como hoje e tão mal divulgados e apreciados. Mas felizmente a música portuguesa traz com ela uma coisa bela, é a oportunidade de artistas plásticos conseguirem divulgar o seu trabalho, sendo convidados a fazerem capas, videoclips, etc… as bandas que o fazem só merecem todo o respeito! Contudo, o público é totalmente ambíguo no querer, quer coisas novas, mas quando surge algo novo questiona-se da ridicularidade que aquilo é, não pára para pensar e reflectir sobre uma obra, principalmente mais conceptual, quer tudo feito e instantâneo, tal e qual como os noodles.  

Estudas na faculdade de Belas Artes que tem estado no centro de grande polémica relacionada com o governo. Que iniciativas governamentais, ou não, é que poderiam haver para dar um empurrão na arte portuguesa?  

Sinceramente acho que o governo não pode ajudar em nada, pois só tem olhos para o lucro, tal e qual como a razão que gerou esta polémica entre o Museu do Chiado e a FBAUL. A arte portuguesa precisava de mais fundos, mais oportunidades de divulgação. Embora seja muito bonito trazer para os museus portugueses os Renoirs e os Van Goghs, os artistas portugueses também são interessantes, não estão mortos e podemos vê-los ao vivo e questioná-los com porquês sobre as suas obras. Felizmente, começam-se a criar grupos grupos artísticos onde vão montando, bloco a bloco, torres consistentes para pendurarem os seus trabalhos e toda a gente ver, é de louvar e de enaltecer! Não faz sentido não haver cooperação entre artistas portugueses. Somos um país tão pequeno, e se ainda por cima houver rivalidade em se ser o artista do país, é impossível porque no mapa mundial quando olham para Portugal vêem sempre a cara do Cristiano Ronaldo. 

A ilustração tradicional tem mais encargos económicos do que a digital, mas a digital também acaba por ser mais trabalhosa a nível de esforço e detalhe. Qual é que preferes? Tradicional ou digital?   

Tradicional! Sempre! Infelizmente não faço tanto porque o dinheiro que gasto em fazer uma digital é 0 e uma tradicional ainda é uns bons euros! O digital é super interessante mas não existe nenhuma espontaneidade, nenhum acaso, é tudo matemático, tudo números informáticos e um ecrã brilhante. 

Para quando uma exposição do João Pedro Fonseca? 

Embora receba alguns convites para exposições, sempre recusei. Nunca me senti preparado porque ainda não achei o meu eu nas telas de branco para o poder expor tão publicamente, mas este ano sim! Acho que será o ano que finalmente vou sair da caverna!  

Projectos prestes a explodirem?  

Fácil, mesmo, mesmo neste momento o Artwork de;

Mr. Herbert Quain – “Forgetting is a Liability”; 

o de; 

Tales and Melodies, 

e umas performances, pinturas, ilustrações e videos de projectos pessoais.  

Perguntas Rápidas: 

Artista favorito: Bill Viola 

Músico favorito: Ben Frost 

Pessoa que mais admiras: Gonçalo M. Tavares 

Cidade de que mais gostas: Lamego 

Combinação Prato + Bebida Ideal: Francesinha (do piolho no Porto) e Sagres Bohémia  

Pergunta da praxe: Já conhecias o blog Morrighan? Que mensagem podes deixar para os seus leitores?  

Não conhecia não. Posso dizer que é muito interessante porque a quantidade de artigos e entrevistas a artistas portugueses é completamente deliciosa!

Site do João Pedro Fonseca: http://joaopedrofonsecaart.blogspot.pt/

Facebook: https://www.facebook.com/JoaoPedroFonsecaArtist?fref=ts

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Obrigada JP. És grande! Votos de muito sucesso e felicidade.

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[Aquisições – Parceiros] Primeiros Artigos pela Princess Pea! https://branmorrighan.com/2013/11/aquisicoes-parceiros-primeiros-artigos.html https://branmorrighan.com/2013/11/aquisicoes-parceiros-primeiros-artigos.html#comments Wed, 20 Nov 2013 13:30:00 +0000




Aqui estão os cadernos e agenda enviados pela Princess Pea! Adoro o facto de utilizarem ilustradores portugueses, basearem-se em escritores portugueses e desta maneira conseguirem um toque único nos seus produtos. Todas as citações são inspiradoras e sem dúvida que lhes vou dar um bom uso!

Ainda não conhecem a Princess Pea? Podem consultar a sua página do facebook aqui: https://www.facebook.com/PrincessPea.net?fref=ts

No aniversário do blogue teremos mais uma colaboração para um fantástico passatempo! Quem é que não gostava de ter cadernos e agendas baseados nos maravilhosos escritores Fernando Pessoa e Afonso Cruz? Este último foi o ilustrador em todos estes artigos! Não conhecem as suas obras? Pois então espreitem aqui:

O Livro do Ano

Jesus Cristo Bebia Cerveja

A Boneca de Kokoschka

Os Livros Que Devoraram o Meu Pai 

Entrevista ao autor emhttp://www.branmorrighan.com/2013/01/entrevista-afonso-cruz-escritor.html

Até breve!

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Entrevista a Sara Simões, Ilustradora Portuguesa https://branmorrighan.com/2010/06/entrevista-sara-simoes-ilustradora.html https://branmorrighan.com/2010/06/entrevista-sara-simoes-ilustradora.html#comments Thu, 10 Jun 2010 22:20:00 +0000 Boa noite a todos! Hoje apresento-vos a Sara Simões. Como devem ter reparado pelo título do post, não é escritora, mas sim ilustradora 🙂 E digo-vos já que é uma de qualidade!! Penso que também nos faz bem, irmos conhecendo quem ilustra tantas páginas que passam pelos nossos olhos. Após a entrevista, deixo-vos duas ilustrações da autora. Até já 🙂

Sara Simões – ilustradora e autora do livro Uma mão cheia de amoras

Sobre mim:

Em criança, eu já gostava de ficar sossegada num cantinho a desenhar. Hoje ando sempre com o meu diário-gráfico (caderno de desenho A5 a que também chamo por vezes “kit anti-secas”) e aproveito as viagens de comboio para praticar um pouco o desenho de figura humana, ou um tempo de espera para registar o aspecto de uma rua ou de uma árvore. Na verdade sinto-me um pouco nua se sair de casa sem um caderno e qualquer coisa que risque. O meu percurso profissional começou com a conclusão da licenciatura em Design Industrial e já passou pelo projecto de mobiliário e stands para feiras, a concepção de personagens, ambientes e storyboards para animação 3D, a ilustração e a criação de interfaces gráficos para software educativo. Em 2005 iniciei o curso de Ilustração Científica com o biólogo e ilustrador Pedro Salgado. Este curso junta duas das coisas de que mais gosto: o desenho e a natureza. Pús-me a desenhar musgos e outras plantas e a partir de então nunca mais quis largar a ilustração. Desde 2007 faço desenho de campo com Pedro Salgado e o Grupo do Risco (http://www.grupo-do-risco.pt/), associação de defesa do ambiente, que realiza expedições com o objectivo ulterior de divulgar o património ambiental e a biodiversidade através da arte, nomeadamente através de exposições e livros. Já participei nas expedições às Berlengas, Douro Internacional e Amazónia.

Estilo e método de trabalho em ilustração:

O tipo de ilustração que mais gosto de realizar é de tipo naturalista e tem muita influência da ilustração científica. Prefiro técnicas tradicionais como a grafite, a aguarela e a tinta-da-china e gosto especialmente dos temas ligados à botânica. Trabalho muito a partir da observação directa dos modelos desenhando à vista, ainda que as minhas ilustrações possam ter algum trabalho complementar de composição e alguns ajustes para acentuar o que pretendo comunicar. O trabalho de ilustração do livro Uma mão cheia de amoras começou, na verdade, antes de eu o ter decidido fazer. Alguns dos elementos que aparecem no livro, como as árvores ou as bolotas, já me interessavam anteriormente e apareciam nos meus diários-gráficos. Algumas fotografias antigas de caminhadas que eu tinha feito também me serviram como referência e inspiração. Quando fui convidada pela ilustradora Marina Palácio para criar um novo livro para a sua colecção Massa Folhada (http://massa-folhada.blogspot.com/) decidi trabalhar o tema da floresta. Então fiz muitos esboços para experimentar o tipo de ambiência que me interessava criar e fiz novas caminhadas, desta vez, equipada com a câmara de video. Foi a partir de todas essas coisa que idealizei um percurso pela floresta com uma série ambientes e que “cozinhei” as ilustrações finais.

Influências:

As principais influências no meu trabalho são a Ilustração Científica, a caligrafia chinesa e a linguagem da xilogravura (sou admiradora do trabalho de Dürer, Doré, Aubrey Beardsley…) Além disso tenho o meu gosto pela natureza, pelas caminhadas, pelas plantinhas que encontro e que gosto de desenhar. Também tenho a consciência de que o ambiente natural está ameaçado e de que as pessoas estão demasiado concentradas na sua vida citadina confortável e que é necessário voltar a aproximá-las da natureza. Espero que o meu trabalho seja uma pequena ajuda para despertar mais compreensão e respeito pelo mundo natural.

Projectos Futuros:

Gosto muito de desenhar as plantas portuguesas e o seu desenvolvimento ao longo do ano. Por isso penso criar uma agenda ilustrada com os fenómenos naturais próprios de cada época: por exemplo os bolbos a florescer no início da primavera ou as laranjas maduras no inverno. Será uma forma de usar um objecto utilitário para transmitir ao seu utilizador uma consciência das mudanças que se operam em cada semana do ano e que são dignas da sua atenção.

O que dirias a alguém que sonha ser ilustrador?

O mais importante é desenhar, de preferência olhando para as coisas com o fascínio de quem as vê pela primeira vez. Experimentar também é indispensável: o diário-gráfico é um óptima ferramenta para tentar uma técnica nova, fazer disparates sem preconceitos e aprender com eles. Por fim, ter algumas referências ajuda muito. Ir acompanhando ilustradores cujo trabalho admiramos, ir ver exposições, ter os livros dos nossos favoritos sempre por perto… são formas de melhorarmos como criativos e como profissionais. Em síntese: domínio do desenho, rédea solta à criatividade e algumas referências que nos apaixonam.

Livros da autora:

Uma mão cheia de amoras

Este livro é uma homenagem à floresta.

À floresta primitiva, com carvalhos, sobreiros e azinheiras, que existiu na Península Ibérica, antes da introdução de espécies de crescimento mais rápido para obtenção de madeira e de espécies exóticas ornamentais que se revelaram invasoras.

E à floresta que cada pessoa percorre ao longo da própria vida, ora como uma saga de perigos e desorientação, medos e tropeções, espinhos e tempestades.

É necessário dar espaço à natureza nas suas diversas facetas, estações, habitats e criaturas.E é necessário dar espaço a várias paisagens interiores, emoções, estados de espírito e experiências.Outros livros com ilustrações da autora:– Guia de Campo dos Briófitos e Líquenes das Florestas Portuguesas (JB-MNHN, 2009)- ilustrações naturalistas;– romance Nocturnus de Rafael Loureiro (edição de autor, 2007 e 2008) – capas de dois livros;– agenda-catálogo do congresso Ilustração no feminino (Junta de Freguesia de São João da Madeira, 2008) – Ilustrações do conto A mulher mais bela do mundo.Links:Portfolio online: www.sarasimoes.pt.vuBlog sobre os meus desenhos e ilustrações: http://velhadaldeia.blogspot.comBlog do projecto Massa Folhada: http://massa-folhada.blogspot.com/Site do Grupo do Risco, colectivo ligado ao desenho de campo: http://www.grupo-do-risco.pt/


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