J. Rentes de Carvalho – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 06:02:41 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png J. Rentes de Carvalho – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Opinião: Pó, Cinza e Recordações, de J. Restes de Carvalho https://branmorrighan.com/2016/02/opiniao-po-cinza-e-recordacoes-de-j.html https://branmorrighan.com/2016/02/opiniao-po-cinza-e-recordacoes-de-j.html#respond Wed, 17 Feb 2016 12:02:00 +0000

Pó, Cinza e Recordações

J. Rentes de Carvalho

Editora: Quetzal

Sinopse: Escrito entre Maio de 1999 e Maio do ano 2000, este é o diário do milénio de um dos mais relevantes autores portugueses da actualidade, J. Rentes de Carvalho, então a caminho dos setenta anos. Excerto da primeira entrada, a 15 de Maio: «É essa uma das poucas vantagens da velhice: poder viajar no tempo. Não como o faz a juventude, com o privilégio de ansiar pelo futuro, mas ironicamente em marcha-atrás. Recebendo lições de modéstia, deixando pelo caminho as certezas que o não eram, rindo de ter tomado a sério a palavra eternidade. A caminho dos setenta. (…) A sopesar se me restam ainda cinco, dez, quinze anos, ou se amanhã – nunca hoje, sempre amanhã! – a Parca se canse de dobar o meu fio e o corte de uma tesourada.»

Opinião: 2016 começou de uma forma muito particular. Não me consegui decidir sobre que livro começar a ler e então decidi reler outros dois que já tinha lido há algum tempo. Terminados, a sensação de nostalgia continuou. O ano era novo, mas eu não me sentia propriamente renovada, afinal o tempo é continuo por muito que falemos em novos começos e novas metas em determinadas alturas, e quando olhei para as minhas estantes Pó, Cinza e Recordações atraiu-me até si. Em parte pelo título, em parte pelo autor que é e o arcaboiço que traz consigo, ainda para mais sendo um livro-diário e não um romance. Todo este misto de emoções levou-me a pegar nesta obra e, embora tenha passado um mês desde que o comecei, foi o livro certo na altura certa.

Bem sei que um diário talvez não seja a melhor forma de entrar em contacto com a escrita de um, essencialmente, romancista, mas também penso que é a forma mais pura de talvez conhecer alguma da sua essência. Romanceadas ou não, as entradas percorrem vivências do autor, mas também algumas reflexões e devaneios. Tenho a curiosidade de me ter apaixonado pelos registos ao Domingo. Passo a explicar. Aqui no blogue eu tenho uma rubrica que são as Citações Aleatórias em que vou partilhando pequenos excertos que de alguma maneira me tocam enquanto leio alguma obra. Nem sempre tenho a oportunidade de registar convenientemente essas partes, mas sempre que posso lá o faço e dei por mim a encontrar o padrão de Domingo em cada um dos registos que seleccionava. Claro que se calhar o autor ou mesmo qualquer leitor nunca fez este registo, mas achei uma curiosa coincidência, principalmente por serem entradas extremamente pessoais. 

Quando não são assim tão pessoais, as descrições centram-se principalmente em acontecimentos com personalidades potencialmente conhecidas ou meros habitantes da aldeia onde vivia. Os pequenos e grandes incómodos da intromissão da vida alheia ou apenas o reconhecimento e valorização das pequenas coisas que podem fazer alguma diferença. Noto principalmente um espírito muito crítico e inconformado. Dividindo-se entre Portugal e Alemanha, tendo um estatuto misto em cada um dos países, onde tanto o reconhecem como talvez o desprezem, J. Rentes de Carvalho mostra uma humanidade nos seus registos que podem impressionar pela sinceridade, mesmo quando parece roçar um pouco a arrogância ou até a vergonha da admissão. 

Acima de tudo, Pó, Cinza e Recordações transmite uma sinceridade rara nos dias de hoje. Os medos, as perspectivas, as esperanças, os orgulhos, as vergonhas, tudo num raio-x do que pode compor um ser humano, mas que nem todos têm a coragem de, olhando-se ao espelho, admitir. Ao longo deste ano que podemos acompanhar, o autor escreveu Ernestina, romance que tenho por aqui, e estou cheia de vontade de pegar nele. Lembro-me de uma entrada em que J. Rentes de Carvalho admite que os seus romances têm como protagonistas muitas destas pessoas que se cruzam com ele. Quem sabe o que poderei encontrar em romances anteriores que ainda venha a reconhecer? Para quem o quiser colocar na sua lista de compras e o vier a adquirir, aconselho apenas que o consumam com moderação, levem o vosso tento a percorrer as entradas e não tenham pressa, correm o risco de perder preciosismos muito bons na ânsia de saber mais. 

Mais sobre o autor: 

http://www.quetzaleditores.pt/autores/ficha?id=9596

http://quetzal.blogs.sapo.pt/tag/j.+rentes+de+carvalho

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Citações Aleatórias #41 https://branmorrighan.com/2016/02/citacoes-aleatorias-41.html https://branmorrighan.com/2016/02/citacoes-aleatorias-41.html#respond Wed, 10 Feb 2016 10:08:00 +0000



Domingo, 13 de Fevereiro


Pode ser uma visão pessimista, mas a vida é um longo exercício na arte de perder.

Perdemos a mocidade, a inocência, os sonhos, a esperança. A cada momento que passa perde-se sem remédio, e o que se viu jamais se reverá com sentimento igual, nenhum amor se pode repetir, nenhuma alegria se deixa duplicar. Salva-nos da loucura a ilusão, a crença infantil duma vida eterna num céu onde nada se perde e tudo se torna melhor.

Muitos devem ter dito e escrito isto, mas senti-lo, vê-lo confirmado, é dolorosa surpresa.

J. Rentes de Carvalho, Pó, Cinza e Recordações

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Citações Aleatórias #40 https://branmorrighan.com/2016/02/citacoes-aleatorias-40.html https://branmorrighan.com/2016/02/citacoes-aleatorias-40.html#respond Sun, 07 Feb 2016 13:41:00 +0000


Domingo, 23 de Janeiro


Para ser franco, falta-me a vontade de querer saber o que os outros pensam de mim. Nem como eles me vêem ou julgam. Aos louvores sou alérgico, nas chamadas críticas sinceras não acredito, e tenho de rir quando alguém, com um sorriso finório, afirma conhecer-me como a palma das suas mãos.

Pretensão estulta, essa, pois ando há uma vida a estudar-me e não consigo descobrir quem são os estranhos de que sou feito.

J. Rentes de Carvalho, Pó, Cinza e Recordações

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Citações Aleatórias #39 https://branmorrighan.com/2016/02/citacoes-aleatorias-39.html https://branmorrighan.com/2016/02/citacoes-aleatorias-39.html#respond Sat, 06 Feb 2016 19:18:00 +0000



Segunda-feira, 4 de Outubro


Com as suas névoas, Fernando Pessoa não é poeta por quem eu delire. Aproxima-me, contudo, o sentimento de melancolia que ele tão bem exprime. Aquela melancolia à portuguesa, cheia de insatisfações e insondáveis dores, paradoxos, desejos contraditórios de fugir e ao mesmo tempo ficar, o todo envolto numa colossal apatia.

J. Restes de Carvalho, Pó, Cinza e Recordações

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Citações Aleatórias #35 – J. Rentes de Carvalho https://branmorrighan.com/2016/01/citacoes-aleatorias-35-j-rentes-de.html https://branmorrighan.com/2016/01/citacoes-aleatorias-35-j-rentes-de.html#respond Mon, 11 Jan 2016 09:24:00 +0000



Que isto é meio caminho andado para solidão, sei-o de há muito. Mas tanto quanto dela tenho experiência, também aprendi que os males da solidão são relativos, pois com livros e fantasia é que se criam mundos à medida do nosso sonho. O que não impede que o sonho seja faca de dois gumes: nas satisfações que dá pesa sempre a impossibilidade e, ao acordarmos dele, a ânsia do que se não possui ou alcançou dói ainda mais fundo.

J. Rentes de Carvalho, Pó, Cinza e Recordações

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Lançamento de Portugal, a Flor e a Foice, de J. Rentes de Carvalho, no próximo sábado, na Fnac Chiado https://branmorrighan.com/2014/03/lancamento-de-portugal-flor-e-foice-de.html https://branmorrighan.com/2014/03/lancamento-de-portugal-flor-e-foice-de.html#respond Mon, 17 Mar 2014 16:36:00 +0000

Portugal, a Flor e a Foice

No ano em que se comemora o 40.º aniversário da Revolução dos Cravos, a publicação de Portugal, a Flor e a Foice, até aqui inédito em Portugal, promete dar que falar. 

Escrito em 1975, em cima dos acontecimentos que então convulsionavam Portugal (e que eram acompanhados com entusiasmo e apreensão pela Europa e o resto do Mundo), Portugal, a Flor e a Foice é a observação pessoal que um português culto e estrangeirado faz do seu país em mudança. 

Nesta apreciação aguda e de tom sempre crítico, todos os mitos da História Portuguesa são, senão destruídos, pelo menos questionados: o Sebastianismo, os Descobrimentos, Fátima; denunciadas instituições como a Monarquia e a Igreja; e impiedosamente escalpelizado não apenas o antigo regime mas também, e sobretudo, o 25 de Abril. Com acesso a círculos restritos nos anos que antecederam e sucederam a Abril de 1974, e a documentos ainda hoje classificados, J. Rentes de Carvalho faz uma História alternativa da Revolução e das suas figuras de proa, em que novos factos e relações de poder se conjugam num relato sui generis, revelador e, no mínimo, desconcertante.

José Rentes de Carvalho

De ascendência transmontana, J.Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Frequentou no Porto o Liceu Alexandre Herculano, e mais tarde os de Viana do Castelo e de Vila Real, tendo cursado Românicas e Direito em Lisboa – onde cumpriu o serviço militar. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo ou a revista O Cruzeiro. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda, como assessor do adido comercial da Embaixada do Brasil. Licenciou-se (com uma tese sobre Raul Brandão) na Univ. de Amesterdão, onde foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. A sua bibliografia inclui romances (entre eles, Montedor, 1968, O Rebate, 1971, A Sétima Onda, 1984, Ernestina, 1998, A Amante Holandesa, 2003), contos, diário (Tempo Contado ou Tempo sem Tempo), crónica (Mazagran, 1992) e guias de viagem. O seu Portugal, een gids voor vrienden (Portugal, Um Guia para Amigos), de 1988, esgotou dez edições. Com os Holandeses (Waar die andere God woont, publicado originalmente em neerlandês, em 1972, e um sucesso editorial na Holanda) é a primeira obra de J. Rentes de Carvalho no catálogo da Quetzal. O mais recente título de Rentes de Carvalho é Gods Toorn over Nderland – A Ira de Deus sobre a Holanda. Em 2012 foi galardoado com o Grande Prémio de Literatura Biográfica APE/Câmara Municipal de Castelo Branco 2010-2011com o livro Tempo Contado.

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