João Vairinhos – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Sat, 23 Jan 2021 11:50:15 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png João Vairinhos – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Os Meus Discos] Vénia, de João Vairinhos https://branmorrighan.com/2021/01/os-meus-discos-venia-de-joao-vairinhos.html https://branmorrighan.com/2021/01/os-meus-discos-venia-de-joao-vairinhos.html#respond Mon, 18 Jan 2021 20:31:33 +0000 https://branmorrighan.com/?p=24860 Vénia

Vénia
João Vairinhos

Com uns meses de atraso, aqui fica a devida menção honrosa a um daqueles que foi, para mim, um os discos do ano. Vénia é o primeiro EP de João Vairinhos, disponível em vinil no seu bandcamp. Diz a sua biografia que “é um baterista que cresceu como músico no circuito punk/hardcore nacional. Atualmente colabora de forma regular com MURAISLÖBORicardo Remédio e Wildnorthe, e de forma mais pontual noutros projectos como os The Youths com Bruno Cardoso (XINOBI), ou Altura (João Brito), com quem gravou um EP colaborativo com o nome The Citadel.

Com um currículo destes, quem não ficará curioso por ouvir o resultado de uma experiência a solo? O single de estreia, Vala Comum, abriu portas para um universo que nos veio mostrar um lado de João Vairinhos ainda inexplorado e que muito se tem apurado desde a sua primeira criação Eternos São os Corvos. A viagem que percorremos com Vénia é uma que é capaz de inspirar os cenários literários e cinematográficos mais intensos, em que todo o ambiente nos parece encaminhar para aquele acontecimento que poderá mudar a vida de todos.

Curioso que, nos temos em que vivemos com a pandemia a morder-nos os calcanhares, a criação deste disco foi uma espécie de premonição. Os seus três temas – Chegaram, Vala Comum e Vénia – encadeiam-se de uma forma orgânica e desafiadora, ao mesmo tempo que contemplativa e de cariz distópico. Com o caos em que vivemos, os hospitais sobrelotados, as mortes a aumentarem, o desespero e a solidão que a tantos assaltam, ouvir estes disco é uma espécie de catarse.

A partir do momento em que os sinos são evocados na faixa “Chegaram”, iniciamos uma marcha que podia ser muito bem pelo universo de Hades, com todas as aventuras e desventuras da selvajaria com que são relatadas as aventuras dos deuses. Mas tal como Hades tem Perséfone, também a criação de João Vairinhos tem um cariz sedutor pelas sombras que evoca e que destrói. Este universo noir conta com as colaborações de Sérgio Prata Almeida na faixa “Vala Comum” e de Ricardo Remédio na faixa homónima “Vénia”, que vieram enriquecer ainda mais a paisagem fascinantemente dantesca.

As sonoridades exploradas estão longe de conter apenas a bateria com a qual estamos habituados a ver o músico português a ser dono e senhor. Fazendo uso de outras maquinarias, o aprendiz tornou-se mestre. Vénia constrói uma realidade na qual nos podemos refugiar e reflectir, na qual nos podemos desconstruir e recriar, estando à mercê de luz e escuridão, rendendo-nos aos demónios interiores que enfrentamos e seguindo em frente. Já dizia Bukowski “what matters most is how well you walk through the fire“. Fica a recomendação: não sei se encontram melhor companhia.

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Vénia ao João Vairinhos e à sua Vala Comum https://branmorrighan.com/2020/04/venia-ao-joao-vairinhos-e-sua-vala-comum.html https://branmorrighan.com/2020/04/venia-ao-joao-vairinhos-e-sua-vala-comum.html#respond Thu, 16 Apr 2020 04:03:00 +0000
Foto: Pedro Roque (Eyes of Madness)

No seu press release podemos ler “A convite do blog BranMorrighan, compôs a sua primeira música a solo com o título “Eternos São Os Corvos“, disponibilizada no início de 2019 no bandcamp da mixtape comemorativa do seu 10o aniversário.”

É claro que este post não é sobre mim, ou sobre o blogue, mas dado o teor pessoal do mesmo não podia deixar de me sentir tão sortuda, orgulhosa e privilegiada por o BranMorrighan me ter proporcionado conhecer artistas como o João Vairinhos. Conheci-o após um concerto de LÖBO, mas também o poderia ter conhecido num concerto de Ricardo Remédio, Wildnorth, entre outros. A sua história com a música é longa. 

E esta é uma das características mais evidentes do João Vairinhos – a sua elasticidade em participar em projectos com características super diferentes, mas aos quais ele empresta a sua alma de forma discreta, porém visceral. Porque para alguns artistas só há uma forma de dar, que é dar tudo. E ele é assim. 

Falemos de “Vala Comum”, o seu single de avanço ao EP que se chamará Vénia. Não deveria ser preciso, pelo menos para os leitores assíduos, mas deixo a salvaguarda que tudo o que vou dizer daqui para a frente é uma interpretação muito pessoal. Como sempre.

E tenho de começar por dizer que esta não é uma viagem rotineira, não é mais uma composição que ouvimos e que passa. É uma viagem que nos tira do nosso sítio, que nos desassossega, que exige uma entrega sincera por parte de quem ouve. O ouvinte terá de se abrir para o tema e enfrentar as suas próprias sombras interiores, os seus receios, as suas vulnerabilidades. A experiência sonora toca nos nossos filamentos mais viscerais, provocando-nos e alienando-nos ao mesmo tempo. Uma alienação que poderá ter gosto a salvação ou a condenação, dependendo do torpor interior.

O vídeo que o acompanha, uma narrativa visual criada por Mariana Vilhena, aprofunda este percurso incerto reforçando os pontos fortes da composição. A evolução de “Vala Comum” é inquietante. Começa forte, com a sua percussão rimbombante no nosso peito e o uso de repetição de ritmos fortes e metamórficos como forma de movimento. Estamos a chegar a meio do tema quando se dá um aparente romper com o que até ali testemunhámos.

A partir desse momento existe um amortecimento, um sentimento de levitação e um etéreo que nos envolve e que evolui quase de forma poética, persistindo toda a energia noir que nos agarrou desde o início e que nunca nos deixa sentir completamente confortáveis, embora nos pareça tão familiar. No final da viagem somos outro e somos o mesmo, ao mesmo tempo. 

Ter amigos que são. E ter amigos que respeitamos tanto que mesmo sem andar motivada para escrever no blogue, não podia não o fazer. Porque a gratidão é uma coisa bonita, tal como a admiração. Espero que os meus leitores que não estejam acostumados a este tipo de paisagens sonoras se permitam experienciar algo diferente. A inspiração que tantas vezes precisamos, ou até mesmo aquele sentimento de empatia e espelho emocional, que é tão bem-vindo, pode sempre chegar de onde menos se espera. Obrigada, João. Uma Vénia a ti e que o teu EP chegue rápido. 

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Eternos São os Corvos https://branmorrighan.com/2019/08/eternos-sao-os-corvos.html https://branmorrighan.com/2019/08/eternos-sao-os-corvos.html#respond Sun, 11 Aug 2019 16:17:00 +0000

Ter o blogue BranMorrighan tem-me proporcionado experiências incríveis e únicas. Esta vida paralela que tenho levado (muito menos nos últimos anos por causa do doutoramento) tem sido das fontes mais enriquecedoras de realização e orgulho. Orgulho por mim e por aqueles que tenho visto crescer. Orgulho pelos desafios encontrados, mas também pelos desafios propostos que tomaram a forma de belíssimas obras de arte. De compilação literárias e mixtapes musicais, confesso sem problema nenhum que parte de mim fica toda babada quando vê os projectos crescerem para além dos desafios apresentados.

É o caso do João Vairinhos, que assume oficialmente a sua carreira a solo, depois de ter sido desafiado a compor individualmente para a mixtape dos #10anosblogbranmorrighan. O tema já se encontra no Spotify e, quem sabe, até ao final teremos novidades suas em nome próprio. Entretanto, ele não pára, claro. Nos seus projectos colectivos actuais contam nomes como LÖBO, Ricardo Remédio, The Youths e Wildnorthe. Se o seu nome à bateria já é nacionalmente conhecido, só posso esperar que também tenham o privilégio de o descobrir noutras texturas e atmosferas criativas. Eu sei que eu já sou fã. 

Fica aqui a ligação para este tema que me diz tanto, também ilustrado por uma fotografia que eu própria tirei enquanto andei perdida pelas estradas de Cambridge, UK. 

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[10 Anos Blog BranMorrighan] João Vairinhos é o novo artista da Mixtape https://branmorrighan.com/2019/01/10-anos-blog-branmorrighan-joao.html https://branmorrighan.com/2019/01/10-anos-blog-branmorrighan-joao.html#respond Fri, 11 Jan 2019 15:38:00 +0000

Um dos maiores privilégios que tenho tido desde que criei o BranMorrighan é conhecer e lançar novos talentos. Bem, quando digo novos, não digo necessariamente em idade ou até em experiência, mas imaginem um artista que esteve sempre em bandas e que de repente ousa lançar o seu material a solo. Já aconteceu e volta agora a acontecer com o João Vairinhos, um dos bateristas mais talentosos do nosso punk/rock/doom/tudo-o-que-quiserem. Depois de algum tempo fora dos palcos, nos últimos anos tem tocado com os Löbo e com Ricardo Remédio, mas é também um dos dinamizadores da Regulator Records. Aliás, deixem-me partilhar convosco uma curta BIO oficial:

Apaixonou-se pela bateria aos 14 anos numa garagem, como milhares de miúdos dessa idade, e aos 18 anos juntou-se a 3 amigos e fundou a banda punk/hardcore DAY OF THE DEAD, que acabou por fazer 5 tours internacionais (Europa, Estados Unidos e Brasil). Nos dias que correm é baterista dos THE YOUTHS, dos LÖBO e colabora no projecto a solo do RICARDO REMÉDIO (LÖBO, RA).

Quis o universo que nos cruzássemos e desafiei-o então a criar um tema da sua autoria para a Mixtape dos #10anosblogbranmorrighan. Esta publicação já vem com uns dias de atraso (as teses de doutoramento conseguem ser castradoras), mas não podia estar mais orgulhosa do feedback que tenho visto desde que o João começou a partilhar esta sua estreia a solo. Acredito que não seja fácil sair-se da pele de estar numa banda, em que a atenção é partilhar, para se ser o foco da atenção, mas há talento que seria um desperdício não ser manifestado. E como uma coisa não invalida a outra, vão continuar a ver o João Vairinhos a tocar em bandas (aliás, ele toca com o Ricardo Remédio na festa de aniversário do blogue já no dia 18 de Janeiro no Musicbox) e, daqui a uns tempos, espero eu, a solo também. Ora ouçam.

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