John Connolly – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Wed, 23 Dec 2020 20:51:30 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png John Connolly – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Opinião: ‘Os Portões’ de John Connolly https://branmorrighan.com/2012/08/opiniao-os-portoes-de-john-connolly.html https://branmorrighan.com/2012/08/opiniao-os-portoes-de-john-connolly.html#respond Tue, 21 Aug 2012 20:16:00 +0000

Os Portões

John Connolly

Editora: Bertrand

Sinopse: O jovem Samuel Johnson e o seu cão, Boswell, estão a tentar mostrar iniciativa quando começam a pedir «doçura ou travessura» três dias antes do Halloween, e é assim que são testemunhas de coisas esquisitas que acontecem no n.º 666 da Crowley Avenue. Os Abernathys andam a fazer olhinhos ao submundo, tudo sem más intenções, mas, quando sem querer evocam o próprio Satanás, criam um abismo no Universo através do qual se conseguem ver dois enormes portões. São os portões do Inferno. E há umas criaturas bastante medonhas que estão mortinhas por sair…

Agora, o destino da humanidade está nas mãos de um miúdo pequeno, um cão mais pequeno ainda e um demónio muito azarado chamado Nurd…

Opinião: Os Portões é a segunda obra que leio de John Connolly e está escrita num registo tão diferente de Os Amantes que fiquei deveras surpreendida com a versatilidade do autor. Enquanto Os Amantes é uma leitura para adultos, mais pesada e séria, Os Portões está escrito num registo mais juvenil e por isso mais direccionado para adolescentes/jovens/adultos.

Samuel é um rapazinho extremamente inteligente. Quem é que se lembraria de numa aula, em que é suposto se mostrar algo criativo, aparecer com um alfinete e começar a divagar com a teoria de quantos anjos podem estar na cabeça deste?

Quando passa pela casa da sua vizinha e vê que as pessoas lá dentro começam a mudar de forma, para além de ouvi-los dizer que o portal está finalmente a ser aberto, depressa se apercebe que nunca ninguém lhe irá dar ouvidos quando relatar o que está a presenciar.

Enquanto isso, na Terra do Nada, Nurd, um demónio, começa a sentir uns formigueiros estranhos na pele até que de repente se vê no meio de um mundo cheio de cores. Pena que é logo aspirado para dentro de um aspirador, voltando à Terra do Nada. Quando volta a sentir outro formigueiro, vai parar a meio de uma estrada e… bem, o resultado é que leva com um carro em cima e é recambiado novamente para a Terra do Nada. Quantas mais vezes terá ele semelhantes azares?

Ao mesmo tempo, a senhora Abernathy vai soltando mais demónios e ficando cada vez mais enfurecida com Samuel. Como é que um rapazinho pode fazer frente e até vencer os seus demónios?

Para ajudar à estranheza desta situação toda, no CERN, o acelerador de partículas tem funcionado de maneira muito peculiar tendo ocorrido mesmo fenómenos anormais. O sistema reescreveu-se e de alguma forma deixou de funcionar. De que forma estará isto relacionado com o portal aberto na casa dos Abernathys? De que maneira poderá Samuel, Nurd e os restantes resolver estes problemas? Será possível resolvê-los sequer?

Numa miscelânea de elementos surpreendentemente engraçados e intrigantes, o autor consegue prender-nos à leitura de forma bastante hilariante. A ironia patente na sua escrita e as notas de rodapé geniais tornam toda esta aventura bastante divertida e ainda conseguimos dar umas valentes gargalhadas. Gostei.

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Opinião: ‘Os Amantes’ de John Connolly https://branmorrighan.com/2012/07/opiniao-os-amantes-de-john-connolly.html https://branmorrighan.com/2012/07/opiniao-os-amantes-de-john-connolly.html#respond Sun, 01 Jul 2012 20:39:00 +0000

Os Amantes

John Connolly

Editora: Porto Editora

Sinopse: Charlie Parker há muito que enfrenta os seus fantasmas. Depois de ter saído da Polícia de Nova Iorque, e agora que vê a sua licença de detetive privado ser-lhe retirada, decide investigar algo que desde sempre o inquietou: o seu passado. Nomeadamente as circunstâncias trágicas que levaram o pai, Will Parker, a matar um jovem casal de namorados, tendo em seguida posto termo à sua própria vida, num ato tresloucado e sem motivo aparente.

Um misterioso casal de amantes, detentores do segredo que tanto atormenta Charlie Parker, obriga-o a mergulhar a fundo na sua própria história, mesmo que isso signifique descobrir verdades incómodas e mentiras comprometedoras.

Opinião: Os Amantes é a minha obra de estreia escrita por John Connolly. Sendo um policial e, por isso, uma leitura diferente da habitual, foi com alguma expectativa que comecei a lê-lo. Adoro policiais, mas preciso que desde cedo me fascinem, que me façam pensar e que me intriguem ao ponto de eu ficar ansiosa por desfolhar página atrás de página à procura da resolução da trama. Connolly conseguiu isso.

Charlie é um homem atormentado. Com um passado nubloso e um presente tempestuoso, ele vai agora atrás dos mistérios que tanto o assombram. As circunstâncias da morte do seu pai são mais do que estranhas e ele não vai descansar enquanto não desvendar todas as motivações por de trás das acções insólitas cometidas nessa altura. Charlie é, sem dúvida, uma personagem muito intensa. Está bastante bem caracterizada e é bastante fascinante a forma como ele parece ter, de alguma maneira, uma relação muito estrita com o Mal. Ao mesmo tempo que o combate, é como se ao mesmo tempo o atraísse.

Ao longo da obra vamos travando conhecimento com personagens bastante diferentes umas das outras. Um jornalista curioso e destemido que quer saber a verdade independentemente das ameaças ou entraves que lhe possam aparecer; dois amigos de Charlie que são como sombras de atitudes por vezes duvidosas, mas registo imaculado; uns quantos polícias diferentes uns dos outros em ideologias, mas que apesar de tudo se defendem sempre mutuamente.

A escrita do autor está fascinante. Ele consegue misturar elementos reais com algum sobrenatural criando o conceito de demónios, que são como parasitas nos corpos humanos. Andam aos pares, um elemento feminino e um elemento masculino, e para se encontrarem quando assumem forma humana, vão cometendo crimes hediondos deixando-se o seu símbolo bem marcado como forma de rasto.

Este é um policial que pode mexer bastante com o leitor. Connolly surpreendeu-me bastante pela positiva e vai ser sem dúvida um autor que vou querer acompanhar. Gostei Bastante.

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