José Rentes de Carvalho – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 06:02:13 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png José Rentes de Carvalho – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Citações Aleatórias #38 – J. Rentes de Carvalho https://branmorrighan.com/2016/01/citacoes-aleatorias-38-j-rentes-de.html https://branmorrighan.com/2016/01/citacoes-aleatorias-38-j-rentes-de.html#comments Sun, 31 Jan 2016 17:01:00 +0000

Domingo, 26 de Setembro


Ideal seria escrever frases perfeitas, ter com frequência pensamentos originais. Mas a realidade não se condói: pensamento original não me vem nenhum e, para que não saiam de todo tortas, as frases que escrevo requerem paciência e disciplina de monge.

De modo que este domingo passou como inúmeros outros têm passado: a escrever e a apagar frases impróprias para consumo. 

J. Rentes de Carvalho em Pó, Cinzas e Recordações

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Opinião: Montedor, de José Rentes de Carvalho https://branmorrighan.com/2014/09/opiniao-montedor-de-jose-rentes-de.html https://branmorrighan.com/2014/09/opiniao-montedor-de-jose-rentes-de.html#comments Fri, 19 Sep 2014 21:26:00 +0000

Montedor

José Rentes de Carvalho

Editora: Quetzal

Sinopse: Ao longo das gerações são sem conta as famílias portuguesas onde há alguém como o triste protagonista de Montedor: rapaz sem futuro, com um passado apenas de sonhos, arrastando-se num presente que é verdadeira morte lenta.

Mau grado a simplicidade das personagens e das cenas, há no romance uma tensão permanente, pode com verdade dizer-se que quase cada página encerra um momento dramático, ou antecipa uma tragédia, a qual, talvez porque raro chega a acontecer, cria um desespero cinzento, retratando bem, e cruamente, os medos e o sofrimento da sociedade portuguesa, passada e presente.

Publicado pela primeira vez em 1968, Montedor é o romance de estreia de J. Rentes de Carvalho, sobre o qual escreveu José Saramago: «O autor dá-nos o quase esquecido prazer de uma linguagem em que a simplicidade vai de par com a riqueza (…), uma linguagem que decide sugerir e propor, em vez de explicar e impor.»

Opinião: Tenho vergonha de o admitir, mas a verdade é que até ter Montedor nas mãos, nunca antes tinha lido José Rentes de Carvalho. Há uns meses adquiri o Ernestina, mas sou daquelas leitoras que precisa de sentir um impulso forte para pegar em determinados livros e quando soube que ia sair a primeira obra do autor, decidi esperar. Montedor, de publicação original em 1968, chega agora ao público português de cara lavada e acessível a todos. 

É engraçado como cada estória, por vezes, tem mais do que aquilo que lemos e, ao pesquisar sobre este livro, encontrei esse mesmo facto pela voz do autor em relação a esta obra: “Eu não tinha qualquer hipótese de construir um futuro em Portugal, eu era rebelde, era mau, era intolerante, furioso… Tinha uma raiva grande, e sair de Portugal salvou-me, porque, se tivesse ficado, ia ser o protagonista de Montedor, o sujeito que está sempre à espera do que sonha e que nunca vai acontecer. Isso cria um desespero interior que é fatal para a pessoa” – retirado do Público. 

Quando rompemos as primeiras páginas, começamos a acompanhar este rapaz e as suas inseguranças. Ao início, é fácil compadecermo-nos com essa suposta fragilidade, mas com o decorrer da trama ganhamos a certeza de que talvez não haja solução possível para aquela insatisfação e busca constantes. Vemo-nos perante uma sociedade portuguesa caracterizada de forma muito tradicional, em que a igreja ainda é de suma importância no seio da sociedade e a mentalidade que impera é um tanto quanto mesquinha. Aquela imagem da “Sua Reverência” ser quem mais tem influência na comunidade, o facto de só os “doutores” não serem casos perdidos e elementos inúteis da mesma, são tudo temas abordados.

O que, a meu ver, se torna central neste primeiro romance de José Rentes de Carvalho é o tão conhecido desespero, dos dias de hoje, de querer sair do país. Vivemos numa era moderna em que quem pode vai para fora por não sentir esperança em Portugal. Que dizer das pessoas que viveram a sua juventude durante os tempos de guerra, da PIDE e da soberba instabilidade internacional? Para além do passo errante é esta aflição, esta tentativa de ser completamente livre num mundo onde o rapaz possa concretizar os seus sonhos que Montedor nos mostra.

Com uma linguagem simples, transmitida em forma de montra, o estilo de narrativa do nosso escritor português é de puro deleite, frontal, sem qualquer constrangimento e muito expressivo. Estou, sem dúvida, com vontade de ler mais obras suas. Ao todo, já são onze as que estão publicadas pela Quetzal e, quem sabe, não pego em Ernestina brevemente. Recomendo. 

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Literatura em Viagem presta homenagem a J. Rentes de Carvalho https://branmorrighan.com/2014/05/literatura-em-viagem-presta-homenagem-j.html https://branmorrighan.com/2014/05/literatura-em-viagem-presta-homenagem-j.html#respond Wed, 07 May 2014 14:11:00 +0000

A 8.ª edição do LeV — Literatura em Viagem presta uma homenagem a José Rentes de Carvalho. 

Sob o tema «Nasci Escritor», Matosinhos recebe esta sessão no dia 10 de maio, pelas 21.30, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca. Bruno Vieira Amaral, Francisco José Viegas e Carlos Nogueira são os convidados especiais.

Nascido em 1930 em Vila Nova de Gaia, José Rentes de Carvalho é um caso muito particular da literatura portuguesa. Dividido entre Estevais e Amesterdão, descoberto tardiamente em Portugal, retrata o nosso país com a intensidade de quem o conhece como ninguém e com a acutilância de quem o observa à distância. Desde 2009 que a Quetzal vem publicando a sua obra, em títulos já conhecidos do público como Ernestina (2009), La Coca (2011), A Amante Holandesa (2011), Mazagran (2012) ou o recentemente editado Portugal, A Flor e A Foice (2014).

Para esta sessão reserva-se o anúncio de novidades literárias sobre o autor.

De ascendência transmontana, nasceu em 1930 em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Frequentou no Porto o liceu Alexandre Herculano, e mais tarde os liceus de Viana do Castelo e Vila Real. Fez o serviço militar em Lisboa, onde simultaneamente frequentou os cursos de Românicas e Direito. Obrigado por razões políticas a abandonar Portugal, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda, para onde foi como assessor do adido comercial da Embaixada do Brasil. Licenciou-se na Universidade de Amesterdão com uma tese sobre O Povo na Obra de Raul Brandão. Nessa universidade foi docente de Literatura Portuguesa de 1964 a 1988. Desde então dedica-se principalmente à continuação da sua obra literária. A sua bibliografia inclui um vasto número de colaborações em revistas, publicações culturais e jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses.

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