Julianna Baggott – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 04:41:27 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Julianna Baggott – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Opinião: Fusão, de Julianna Baggott https://branmorrighan.com/2015/06/opiniao-fusao-de-julianna-baggott.html https://branmorrighan.com/2015/06/opiniao-fusao-de-julianna-baggott.html#respond Sun, 28 Jun 2015 19:42:00 +0000

Fusão

Julianna Baggott

Editora: Editorial Presença

Sinopse: Em Fusão, voltamos a encontrar Pressia, a jovem determinada a descobrir os segredos do passado; Lyda, a guerreira; Bradwell, o revolucionário; El Capitan, o guarda e por fim Partridge, um Puro. Juntos organizam um grupo de guerrilha para pôr termo a um plano secreto e diabólico que está a ser arquitetado pela elite científica da Cúpula. Se conseguirem vencer milhares de vidas poderão ser salvas, mas se não, a humanidade corre um grave perigo… 

Este segundo volume da trilogia, iniciada com o volume Puros, é o relato de uma aventura épica mas é também uma história de amor inesquecível.

Opinião: Quase um ano, foi o tempo de espera para termos a continuação de Puros nas mãos. Uma espera que por um lado parece que foi rápida (com tantos livros que tenho sempre por ler), mas que por outro, ao terminar a leitura, parece que foi longa demais. Fusão não só me conquistou como me fez olhar para o volume anterior com outros olhos, ainda mais aguçados. É verdade que as distopias estiveram, e se calhar ainda estão, muito na moda, mas difícil começava a ser encontrar um universo que se destacasse dos demais. Nessa linha, a Editorial Presença tem feito um bom trabalho, tendo publicado Alvorada Vermelha há relativamente pouco tempo e apontando na continuação desta saga (mesmo com o período longo de espera). 

Há uma coisa que é precisa ser dita logo desde início – se não se lembram muito bem do Puros, se calhar vale a pena passarem-lhe uma vista de olhos. Não digo que é preciso reler tudo, embora nunca seja demais, mas pelo menos lerem na diagonal para despertarem a vossa memória a alguns pormenores, pelo menos se ficaram tanto tempo como eu à espera da continuação. É que ao contrário do que muitos autores fazem, Julianna Baggott não teve muito espaço de manobra para relembrar muito do que já se passou e parte do exacto ponto onde acabou o livro anterior. O ritmo vai-se tornando cada vez mais intenso e as últimas 100 páginas foram definitivamente devoradas esta manhã. Não descansei enquanto não tinha o livro dado por terminado. 

A escritora conseguiu criar um mundo complexo sem que seja complicado para o leitor percebê-lo e a todas as suas nuances. As detonações deixaram as pessoas fundidas ao que lhes estava mais próximo nesse momento, formando assim várias “espécies” por entre aqueles que sofreram com elas. Neste volume, temos um maior desenvolvimento em relação às Mães (mães que ficaram fundidas aos filhos em alguma parte do seu corpo ou que os perderam) e sem dúvida que se tornam num grupo de personagens bastante particular e cujo comportamento é bastante curioso. Mas também conhecemos elementos novos, como Fignan, uma pequena caixa que esconde segredos e um conhecimento imenso, para além de uma ferramenta muito útil quando solicitada. 

É de louvar e admirar a capacidade de criação de narrativas paralelas da autora. Os destinos dos vários protagonistas vão-se separando e cruzando, tendo vários pontos de divergência, mas ainda assim nunca perdemos o fio à meada. É um volume recheado de informação, fervilhante no que à acção diz respeito e ainda inclui um ingrediente numa dose bem superior que no livro anterior – romance. Se em Puros parecia que havia um ligeiro vazio, superável, nesse aspecto, em Fusão a opção foi explorar um lado mais emocional e romântico dos personagens principais. Com toda a destruição e perda há, ainda assim, espaço para que laços se fortaleçam e outros provoquem consequências que só no terceiro volume poderemos tomar conhecimento. 

A demanda na luta pela verdade e pela esperança na igualdade prometia sangue e foi sangue que teve. Existem cenários de autêntica destruição, de uma frieza e imagética tão fortes que é impossível não franzirmos os olhos ou sentirmos um aperto na barriga enquanto os lemos – tal qual como se estivéssemos no cinema. Para terminar, quero destacar El Captain/Helmud como os personagens que mais cresceram do volume anterior para este, sendo que os momentos finais apertam-nos mesmo o coração. Que acontecerá a Bradwell? E a Patridge/Lyda? Deuses, o que será de Iralene após ter ajudado Patridge arriscando a sua vida já de si… Suspensa? E, claro, Pressia, de coração e ideologias divididas, que toma uma decisão em tom de desespero e agora ficamos sem saber no que irá resultar. E já me esquecia… Que papel estará ainda guardado para Hastings? Sim, acho que vos estou a provocar. Gostei mesmo desta série e só espero que a possam ler também. Gostei muito! 

OPINIÃO PUROS: http://www.branmorrighan.com/2014/08/opiniao-puros-de-julianna-baggott.html

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Opinião: Puros, de Julianna Baggott https://branmorrighan.com/2014/08/opiniao-puros-de-julianna-baggott.html https://branmorrighan.com/2014/08/opiniao-puros-de-julianna-baggott.html#respond Wed, 13 Aug 2014 21:45:00 +0000

Puros

Julianna Baggott

Editora: Editorial Presença

Colecção: Via Láctea

Sinopse: Depois de uma série de detonações atómicas destinadas a exterminar grande parte da Humanidade, apenas uma pequena elite de puros deveria ter sobrevivido, protegida dentro da Cúpula até que a Terra se regenerasse por completo. Mas não foi isso que aconteceu… Muitos foram os que sobreviveram às explosões, deformados, com mutações terríveis, refugiados entre as ruínas da cidade, num clima de opressão por parte da milícia entretanto formada, que os aterroriza e explora. Pressia Belze é uma jovem de dezasseis anos, uma mutante que tenta fugir à milícia; Partridge é um rapaz da elite, um Puro atormentado pela suspeita de que um plano secreto está a ser desenvolvido pela elite científica da Cúpula. Numa terra devastada, os caminhos destes dois jovens acabam por se cruzar, dois sobreviventes em busca de um futuro menos sombrio, que nem desconfiam do laço secreto que os une…

Opinião: As bombas atómicas são uma realidade, as deformações também, e imaginar um futuro em que os humanos se acham no direito e capacidade de julgar que só uns poucos merecem ser poupados, não é assim tão difícil, pois não? É este o conceito base, deste que é o primeiro livro de uma trilogia. Julianna Baggott, uma estreia nas minha prateleiras e nas minhas leituras, conseguiu construir um universo que, apesar de ser considerado distópico, é completamente plausível, assustadoramente possível, mas, acima de tudo, muito de emoções e descrições muito fortes. 

Começamos por conhecer Pressia e Partridge – ela um alvo das detonações, ele um Puro da Cúpula. Através dos olhos de Pressia, vamos conhecendo a realidade de quem não foi protegido, daqueles que acabaram fundidos com os objectos ou as pessoas que estavam mais próximos, aquando das explosões. Pressia, que nunca largava a sua boneca, ficou com ela em vez de uma das suas mãos. O seu avô, com uma ventoinha no pescoço. O lema destas pessoas e dos novos seres que surgiram cr.om as denotações – a sobrevivência! Enquanto isso, na Cúpula, Partridge vai-se questionando em relação a muito do que ouve e vê por lá. As codificações genéticas não estão a funcionar na sua totalidade, e o facto de o seu comportamento ser uma das características não afectadas, começa, aparentemente, a preocupar o seu pai – o grande responsável pela Cúpula.

No decorrer da narrativa, os horrores são vários, as possibilidades infinitas, mas existe um fio condutor constante, ao longo de toda a obra, que a autora conseguiu incutir em quem lê para não desesperar – a esperança! Aparece sob várias formas, mas seja por desespero ou por mera crença, é a esperança que move os protagonistas e mais, é a necessidade de sentir que alguma coisa tem de estar certa naquele mundo tão erróneo. O enredo é complexo, mas não complicado, as personagens principais são jovens em plena adolescência que só querem lutar, mas é nos adultos que o verdadeira terror é transmitido, com motivações egoístas, uma sobranceria que não lhes compete ter e a razão pela qual as vidas de Pressia e Pertridge nunca mais serão as mesmas. 

Com um bom ritmo de acção, Puros traz uma dose de realidade que muitos ignoram, envolvendo-a com uma trama de ficção científica e com uma imagética muito forte, perto de cinematográfica. O fim, deixou um gosto agridoce – depois de tantas descobertas, amores e desamores, encontros e desencontros, a estória termina de uma maneira algo repentina, sem que me tenha feito questionar avidamente sobre o que virá a seguir. Ainda assim, é inegável que está muito bem escrito, construído, a sequência de eventos faz-nos folhear o livro sem cessar e, é claro, vou ficar à espera do próximo volume para saber até onde vai a imaginação da autora, para saber até onde consegue ir um ser humano quando obcecado por um ideal que não lhe pertence. 

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