Juliet Marillier – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Sun, 10 Jan 2021 10:36:36 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Juliet Marillier – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Revelada capa e sinopse do novo romance de Juliet Marillier – A Harpa dos Reis https://branmorrighan.com/2020/07/revelada-capa-e-sinopse-do-novo-romance.html https://branmorrighan.com/2020/07/revelada-capa-e-sinopse-do-novo-romance.html#respond Tue, 07 Jul 2020 19:25:00 +0000

Para mim é sempre uma alegria divulgar Juliet Marillier. Primeiro, porque adoro a escritora, segundo porque este blogue existe com este nome por causa da sua obra O Filho das Sombras. Quem é que não se lembra que um dos guerreiros era Bran, com o corvo tatuado na cara? 

A verdade é que já li este livro em inglês, mal saiu nos Estados Unidos. Tinha de haver alguma vantagem em estar a viver neste país insano, não acham? Eheh! E apesar de o primeiro amor, ser sempre o primeiro amor, a verdade é que Juliet Marillier é capaz de nos encantar e de nos arrebatar com tanto fervor como há décadas atrás. Ainda não vou escrever já sobre o que achei de A Harpa dos Reis, na verdade vou reler o livro até este ser lançado em Portugal, mas posso-vos dizer que mesma a trabalhar a tempo inteiro li o livro em três ou quatro dias. Dito isto, preparem os vossos corações! 

Sinopse: Uma jovem é ao mesmo tempo bardo e guerreira nesta emocionante fantasia histórica, o primeiro livro da nova série – Bardos Guerreiros – de Juliet Marillier.

Liobhan, de dezoitos anos, é uma cantora possante e toca muito bem flauta. O irmão possui uma voz que derrete o coração mais duro e é um talento raro na harpa.

Liobhan e o irmão Broc, filhos de Grim, estão a ser treinados numa ilha de guerreiros, quando lhes é confiada a missão de recuperar a Harpa dos Reis, um símbolo antigo da realeza, que desapareceu, a tempo da coroação do novo rei. 

Mas, quando a ambição entra em conflito com a consciência, Liobhan tem de tomar uma decisão ousada e as consequências poderão partir-lhe o coração.

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Opinião: O Covil dos Lobos (Blackthorn & Grim #3), de Juliet Marillier https://branmorrighan.com/2017/08/opiniao-o-covil-dos-lobos-blackthorn.html https://branmorrighan.com/2017/08/opiniao-o-covil-dos-lobos-blackthorn.html#respond Wed, 09 Aug 2017 19:02:00 +0000

O Covil dos Lobos (Blackthorn & Grim #3)
Juliet Marillier

Editora: Planeta

OPINIÃO: Já todos sabem que adoro Juliet Marillier. Aliás, os mais atentos e os que seguem o blogue há mais tempo (daqui a quatro meses já faz nove aninhos) sabem que o Bran, do BranMorrighan, muito se deve ao seu livro O Filho das Sombras (o segundo da trilogia de Sevenwaters). Uma conjugação enorme de factores e simbologias levaram a que desse o nome que dei ao blogue, mas anterior a isso era a minha admiração pela escrita da autora. Confesso, depois da Trilogia de Sevenwaters (muito antes de ter passado a saga com seis livros), cada livro que li seu foi sempre numa expectativa meia ofegante.

Quando temos um livro, ou uma série de livros, que nos marca profundamente, estamos sempre à espera que venha um próximo ou, quem sabe, um melhor ainda. Os livros de Blackthorn & Grim não tiveram em mim o mesmo impacto que os de Sevenwaters, mas uma coisa é certa, prenderam-me do início ao fim e encantaram-me de uma forma  ímpar que já se tornou característica de Juliet Marillier. 

O Covil dos Lobos vem fechar as histórias dos protagonistas Blackthorn e Grim, ou assim parece. Foram longas jornadas de aventuras, de corações apertados, alguns sorrisos no rosto, muito desespero, mas acima de tudo muita esperança. A arte de contar histórias de uma forma forte e aveludada ao mesmo tempo não é para todos, mas a escritora australiana já nos habituou à sua capacidade, literalmente, fantástica de nos conquistar com os os universos tão mágicos e as emoções tão reais que se fazem sentir ao longo de cada capítulo. Gostei muito de Blackthorn desde o primeiro livro, mas penso que concordarão comigo quando digo que o percurso de Grim também foi, todo ele, extraordinário.

As personagens femininas de Juliet Marillier são sempre admiráveis e pontos de referência, mas as personagens masculinas que escolhe destacar têm sempre algo de diferente ao que estamos habituados e fazem com que o fascínio se instale. Existe sempre um equilíbrio muito bonito entre o feminino e o masculino nas suas obras. Aqui, em especial, estamos perante dois parceiros que, ao contrário de séries anteriores da autora, têm um peso adicional.

A sua faixa etária e tudo o que passaram/tiveram, atribui-lhes uma maturidade e uma noção do que o que lhes rodeia um pouco mais real, mais dura. Não se descobre que a vida pode ser dura, partimos do princípio que existe um nível de maldade acima do imaginável e o caminho agora é em direcção a algum apaziguamento.

De forma semelhante ao que aconteceu nos dois livros anteriores, para além destes nosso dois protagonistas tão queridos, conhecemos outros protagonistas paralelos, Cara e Bardán, que estão envoltos num mistério indecifrável, mas também ele cheio de sofrimento e de amor. As histórias dos quatro acabam por se entrelaçar num grande puzzle. O puzzle não foi difícil de resolver e penso que muitos leitores chegarão às conclusões certas muito antes de elas serem dadas como certas, mas nem isso tira a vontade de continuar a ler. Pelo contrário, ficamos na ânsia de confirmar as nossas expectativas. 

Antes de me despedir não posso não deambular um pouco pelas emoções que esta trilogia, mas especialmente este livro, me fez sentir. Blackthorn é uma fonte de inspiração para qualquer mulher. Viu a sua família ser assassinada, foi violada, agredida e humilhada, ficou cega de vingança, arriscou-se mil vezes, mas finalmente, também graças a Grim, voltou a ter um vislumbre de alguma paz e de uma possibilidade de um futuro minimamente feliz.

E depois tivemos Grim, sempre descrito de forma a o imaginarmos quase como um pequeno gigante desajeitado, enquanto só me dava vontade de o abraçar constantemente. Também ele tem um passado duro, também ele foi acorrentado e maltratado, humilhado ao ponto de não mais conseguir voltar a dormir uma noite que fosse, até partilhar a pequena cabana na Floresta dos Sonhos, com Blackthorn.

A forma como se foram complementando, como cresceram juntos ao longo destes três livros e como por fim conseguem encontrar alguma rendição deixou-me de lágrima no olho. Todas as histórias paralelas também estiveram carregadas de emoções fortes, enigmas sobrenaturais, um combate constante entre o dever e o querer. Gostei particularmente deste Bardán, o homem selvagem. Senti uma empatia imediata com ele. Fico a torcer para que as suas vidas (Bardán e Cara) tenham o desfecho que merecem. 

Não sei porquê, tinha a ideia de que iam ser sete livros, talvez por causa da maldição dos sete anos, e não apenas três. Não sei se a autora vai voltar a escrever sobre este universo, mas se voltar é mais do que bem-vindo. Confesso que achei o fim um pouco apressado, todo o desfecho com o vilão algo limpinho demais, mas foi o que foi. É sempre bom poder sair deste universo durante uns dias, são sempre viagens maravilhosas. 

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[DESTAQUE] Em Julho, pela Editorial Planeta: O Covil dos Lobos, de Juliet Marillier https://branmorrighan.com/2017/06/destaque-em-julho-pela-editorial.html https://branmorrighan.com/2017/06/destaque-em-julho-pela-editorial.html#respond Tue, 27 Jun 2017 08:53:00 +0000

O COVIL DOS LOBOS – Série Blackthorn & Grim

Juliet Marillier

432 páginas │ PVP: 20,95€ 

Disponível a partir de 5 de Julho

Chega agora o último livro da trilogia Blackthorn & Grim, da autora best-seller do romance fantástico. Um livro intenso que tem como pano a Irlanda medieval. Com o talento a que já nos habituou e uma narrativa empolgante, Juliet Marillier volta ao registo adulto e constrói um mundo fantástico excepcional. 

SÉRIE

Esta série conta-nos o percurso de Blackthorn, uma curandeira que esteve presa injustamente. Grim foi seu companheiro de cela e após a libertação viajam juntos para a floresta de Dalriada. Embora tenha posto os planos de vingança de parte é-lhe difícil não ceder aos impulsos. Um livro cheio de magia, que mistura as lendas celtas com maestria, no dia-a-dia das suas personagens. 

LIVRO

Neste último livro, a curandeira Blackthorn conhece demasiado bem as regras do pacto que celebrou com os Encantados: não procurar vingança, acudir a todos os pedidos de ajuda, praticar apenas o bem. No entanto, depois do último desafio que teve de enfrentar com a ajuda do seu companheiro, Grim, Blackthorn sabe que não pode desistir da sua demanda para submeter ao crivo da justiça o homem que lhe arruinou a vida. Apesar das suas lutas interiores, a mulher sábia aceita ajudar a princesa de Dalriada a tomar conta de uma jovem perturbada que foi recentemente trazida para Winterfalls. Ao mesmo tempo, Grim é enviado para a casa dessa jovem, no Vale dos Lobos, a fim de ajudar o seu pai abastado numa estranha tarefa: a de reconstruir uma casa em ruínas, no coração da floresta. Grim não tardará a perceber que nem tudo, no Vale dos Lobos, é o que parece ser — o lugar está repleto de perigosos segredos e de mentiras fatais… Em Winterfalls, o toque maléfico do velho inimigo de Blackthorn reabre as feridas do passado e reacende a sua antiga paixão pela justiça. Com o perigo em duas frentes, Blackthorn e Grim vêem-se perante uma escolha dolorosa: permanecerem, mais uma vez, unidos na adversidade, ou travarem as suas batalhas sozinhos. 

AUTORA

Juliet Marillier nasceu na Nova Zelândia, em Dunedin, uma cidade com fortes raízes na tradição escocesa. Licenciou-se com distinção em Linguística e Música, na Universidade de Otago, e tem tido uma carreira variada que inclui o ensino, a interpretação musical e o trabalho em agências governamentais. Actualmente, Juliet vive numa casa de campo centenária, perto do rio, em Perth, na Austrália, onde escreve a tempo inteiro. É membro da ordem druídica OBOD. Partilha a sua casa com dois cães e um gato. Juliet Marillier é uma autora internacionalmente reconhecida e os seus romances já conquistaram vários prémios. Visite o sítio da autora em: www.julietmarillier.com 

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Opinião: A Torre de Espinhos (Série Blackthorn & Grim #2) , de Juliet Marillier https://branmorrighan.com/2016/07/opiniao-torre-de-espinhos-serie.html https://branmorrighan.com/2016/07/opiniao-torre-de-espinhos-serie.html#respond Sun, 24 Jul 2016 13:09:00 +0000

A Torre de Espinhos (Série Blackthorn & Grim #2)
Juliet Marillier

Editora: Editorial Planeta Portugal

Opinião: Já não existem contadoras de histórias tão boas como Juliet Marillier, ou pelo menos não me tenho cruzado com mais autor nenhum capaz de pegar em lendas tão antigas e transformá-las ou dar-lhes uma nova forma de forma tão apaixonante. Conheci esta autora há quase nove anos atrás, há apenas nove anos atrás, através da minha afilhada académica e foi o casamento perfeito.

Alguns meses antes de a ler tinha começado a procurar e estudar fervorosamente todo o tipo de lendas relacionadas com mitologia celta, o que inclui os Encantados e toda uma panóplia de seres com as suas próprias dinâmicas e guerras, até ao seu desaparecimento quando o cristianismo se sobrepôs a tudo o resto. Tendo começado com a Trilogia de Sevenwaters, a fasquia ficou automaticamente elevada para qualquer livro dentro do mesmo género, incluindo da mesma autora.

A Torre de Espinhos, vem dar continuidade a O Lago dos Sonhos, cujos protagonistas Blackthorn e Grim trazem consigo pesos dos seus passados que os esmagam e que influenciam todas as decisões que tomam. Neste volume da série Blackthorn & Grim, vão ser deparados com um novo desafio que acarreta com ele uma série de conflitos que cada um terá de enfrentar por si mesmo, mas que sem o outro o ciclo nunca ficará completo. No centro temos Geiléis e a lenda da torre dos espinhos que vai sendo contada por camadas, de forma muito inteligente, mantendo o leitor cada vez mais agarrado às páginas da obra. 

O que mais admiro em Juliet Marillier é a capacidade que tem de atribuir uma textura emocional incontestável em cada um dos seus personagens. Mesmo com aqueles cujo papel é secundário, mesmo com aqueles pelos quais podemos não sentir empatia, o que nunca acontece, ou raramente acontece, é sentirmos indiferença pelo que estamos a ler.

É fácil viajar entre os extremos de estarmos completamente empáticos e a sentirmos ao rubro o que Grim, por exemplo, pensa e sente, mas também é muito, muito fácil, sentirmos aquela emoção de querermos esmagar outras personagens pela sua natureza vil. Geiléis certamente não foi alguém consensual nem constante ao longo da história. Tanto senti empatia como vontade de a esganar, mas também esse jogo faz parte para que a avidez nunca atenue e queiramos chegar ao fim rapidamente. 

Normalmente, a protagonista feminina nos livros de Juliet Marillier é incontestavelmente um dos pontos fortes, mas nesta série não tenho dúvidas que é em Grim que o eixo roda com mais fervor. À parte da trama principal com a torre dos espinhos, foi Grim quem mais evoluiu, quem mais se colocou à prova, com quem mais sofri.

Quanto a Blackthorn, começa a ser um pouco… exagerado o facto de ela se manter tão cega, mesmo quando no fim tudo lhe é apresentado de forma tão clara. Resumindo, Juliet Marillier continua com uma mestria inigualável e mergulhar numa das suas obras é entrar numa outra dimensão em que o que está à nossa volta desaparece completamente. Mais do que recomendado! 

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Opinião: O Lago dos Sonhos (Blackthorne & Grim #1), de Juliet Marillier https://branmorrighan.com/2015/07/opiniao-o-lago-dos-sonhos-blackthorne.html https://branmorrighan.com/2015/07/opiniao-o-lago-dos-sonhos-blackthorne.html#comments Fri, 10 Jul 2015 19:57:00 +0000

O Lago dos Sonhos (Blackthorne & Grim #1)
Juliet Marillier

Editora: Grupo Planeta

Opinião: Não há ninguém, mas mesmo ninguém, neste mundo como Juliet Marillier. Caindo no perigo de me tornar repetitiva a cada opinião que faço sobre esta escritora, não será exagerado afirmar que nunca li obras tão bem tecidas, com uma tão grande mestria e magia enquanto contadora de estórias. Existem momentos alegres, momentos de profunda tristeza, gargalhadas e lágrimas, um amor imenso que tem sempre um desespero em igual medida a acompanhar.

O equilíbrio é a palavra-chave em todas estas obras, mas o que não não tem nada de equilibrado é o poder das emoções provocadas no leitor. A trilogia de Sevenwaters, da mesma autora, é a minha preferida de todos os tempos. Nada depois disso me tem surpreendido ou superado em fascínio. Daí todos estes elogios acabados de serem tecidos pois, apesar de O Lago dos Sonhos não ser superior, estamos perante um livro que nos prende do início ou fim e que volta a revelar uma capacidade única de criação de enredos fortes e personagens que vão desde o mais cativante ao mais odioso. 

As primeiras páginas deixam o leitor logo sobreaviso. Não existe um tactear calmo e apresentador, mas antes um cenário de uma violência e repressão evidentes. A narrativa começa com Blackthorne na primeira pessoa, mas ao longo de toda a obra vai partilhando esse protagonismo com Grim e Oran, sendo que cada perspectiva é fundamental para o encaixe de todas as peças do desafio que será apresentado.

São três personagens muito diferentes uns dos outros, mas cujos destinos se entrelaçam em prol da procura da harmonia e de alguma paz. Tal como já nos habituou, Juliet Marillier tem a capacidade de atribuir as maiores cicatrizes e a maior coragem nos habitantes das suas criações. Mesmo após as maiores atrocidades existe uma força brutal que os faz continuar, mesmo que com vista à desistência pelo meio.

Blackthorne é uma personagem feminina magnífica, nada do género cândido e complacente, mas antes uma força da natureza indomável que já viu a sua família a arder, já foi violada e que agora se vê sob uma promessa aos Seres Encantados, cujo objectivo nem sequer consegue compreender. A determinação e a força com vista à vingança serão apenas igualadas pelo papel que Grim vai assumindo na sua vida. Também ele esconde segredos não revelados, mas nada o demoverá no que toca a proteger Blackthorne. E juntos passam por uma série de dificuldades, não só na resistência de Blackthorne a acostumar-se à companhia dele como depois pelas dificuldades e provas a que a população de Dalriada os colocará.

No outro extremo da trama temos Oran, que paralelamente vai descobrindo que afinal pode amar alguém e mal pode esperar pelo dia em que conhecerá Flidais, a sua prometida. Mas o encontro em nada se revela sequer perto dos seus sonhos ou reflecte sequer o calor trocado através de cartas com a sua prometida. Algo está muito errado e quando até o seu melhor amigo parece estar de costas viradas é em Blackthorne e em Grim que deposita as suas confianças.

O desenrolar do enigma tem tanto de mágico como de fervoroso. Só posso falar por mim, mas este foi um daqueles livros que me fez virar página após página de forma constante e viciante; o mundo à minha volta desaparecia e tudo o que via e sentia eram as imagens e as emoções evocadas pela escrita. O fim deixa muito em suspenso, mas quando pousamos o livro o que fica é um sentimento de ternura e de compaixão. Não interessa que idade se tem quando se lê Juliet Marillier, existe um nível de encantamento tal nas suas obras que o difícil é não nos deixarmos absorver por completo. Venha a restante trilogia! Gostei muito. 

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Opinião: A Voz (Shadowfell #3), de Juliet Marillier https://branmorrighan.com/2015/04/opiniao-voz-shadowfell-3-de-juliet.html https://branmorrighan.com/2015/04/opiniao-voz-shadowfell-3-de-juliet.html#respond Sat, 04 Apr 2015 22:40:00 +0000

A Voz (Shadowfell #3)

Juliet Marillier

Editora: Grupo Planeta

Sinopse: Há um ano, Neryn nada tinha a não ser um Dom Iluminado que mal compreendia e o sonho vago de que a mítica base rebelde de Shadowfell pudesse ser real. Agora, é a arma secreta dos Rebeldes e a sua grande esperança de fazerem vingar essa revolta secreta contra o rei Keldec, que terá lugar no dia do Solstício de Verão. O destino de Alban está nas suas mãos. No entanto, para se preparar para a batalha sangrenta que a espera mais adiante, Neryn terá de procurar primeiro o ensinamento de mais dois Guardiães. Entretanto, Flint, o homem por quem se apaixonou, está no limite das suas forças enquanto espião na corte do rei e acumulam-se as suspeitas da sua traição.

A confiança dissipa-se de dia para dia quando a notícia da existência de uma outra Voz chega aos ouvidos dos Rebeldes: uma Voz leal a Keldec, que possui todo o poder de Neryn e nenhuma da sua benevolência ou autoridade arduamente conquistada. Nas vésperas da insurreição, Neryn terá de descobrir uma forma de reconhecer – e explorar – a fragilidade do seu adversário. Em jogo, está a liberdade do povo de Alban, a possibilidade de os Boa Gente saírem dos esconderijos e a oportunidade de Flint e Neryn se unirem finalmente.

Opinião: Andava a guardar a leitura deste livro como quem guarda um tesouro proibido. Quem segue o blogue há algum tempo, ou qualquer pessoa que conheça minimamente os meus gostos literários, sabe que Juliet Marillier é das minhas autoras preferidas de sempre. Descobri-a através da Trilogia de Sevenwaters e foi de lá que o Bran, do nome do blogue, veio. De certa forma, a minha relação com os livros desta autora são como uma longa caminhada em que através de lições dolorosas, cheias de dor, sacrifício e abdicação, também percorremos um percurso de rejubilo, de crescimento e de cura. A Voz, último livro da série Shadowfell, traz-nos o tão aguardado desfecho no que ao destino de Alban, e com ele de Neryn e de Flint, diz respeito.

Já percorremos este trilho antes, o dos mitos antigos em que seres místicos habitavam cada recanto com a sua singular magia, os quatro elementos representados, numa série de lendas que convergem maioritariamente no mesmo sentido – a fuga desses seres pela incompreensão e repressão humanas. Alban é regido por um tirano, alguém que, com o tempo e com a pessoa errada do seu lado, se tornou maquiavélico, intolerante, obcecado por um sentido de lealdade desmesurado. A cada Encontro, evento anual do Solstício de Verão, a violência e os castigos escalam cada vez mais e o povo está a chegar a um ponto de ruptura. A lealdade passou a obediência cega por medo, cada passado e cada palavra dados são calculados infinitas vezes, mas já se começam a dar alguns fenómenos de que talvez as coisas estejam prestes a mudar.

Durante demasiado tempo Flint teve de desempenhar um papel que ao mesmo tempo o corroía por dentro. Neste último volume, o seu papel enquanto o homem mais leal ao rei é levado ao limite e as consequências são brutais. Enquanto isso, Neryn também arrisca a sua vida propondo-se a viver numa duplicidade em que um passo fora da linha pode condenar todos a um terrível destino. É na esperança, na fé e no amor, que também os une, que reside a força que os continua a fazer mover. É este o talento supremo de Juliet Marillier, tecer estórias que atravessam momentos tão brilhantes quanto tenebrosos, cheios de perda, mas também cheios de um ímpeto feroz, de constante superação. 

Ler Juliet Marillier, para mim, é uma espécie de acto de redenção, de uma certeza que sairei renovada ao fechar o livro. A candura das suas personagens, o utilizar uma sabedoria antiga para criar enredos inesquecíveis, faz com que eu tenha sempre este desejo de guardar os seus livros para alturas em que sinta mesmo o “chamamento” para pegar neles e foi por isso que decidi, com alguma nostalgia, terminar esta série neste momento – porque precisava. E a opinião de um último livro de uma trilogia acaba por ser sempre um balanço de toda a estória, sendo que da minha parte está mais do que recomendada. Um grande bem haja para esta grande escritora e para a sua capacidade em, depois de enfrentar valorosamente o cancro, criar o mundo maravilhoso de Shadowfell. 

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Opinião: A Chama de Sevenwaters/Flame of Sevenwaters de Juliet Marillier (Sevenwaters #6) https://branmorrighan.com/2014/03/opiniao-chama-de-sevenwatersflame-of.html https://branmorrighan.com/2014/03/opiniao-chama-de-sevenwatersflame-of.html#respond Sat, 01 Mar 2014 14:46:00 +0000

A Chama de Sevenwaters (Sevenwaters #6)

Juliet Marillier

Editora: Grupo Planeta

Sinopse: Dez anos depois do terrível incêndio que quase lhe custou a vida, Maeve, filha de Lorde Sean de Sevenwaters, regressa a casa.

Traz nas mãos disformes as marcas desse acidente e dentro de si a coragem férrea de Liadan e Bran, os pais adoptivos, e um dom muito especial para lidar com os animais mais difíceis.

Embora as cicatrizes se tenham fechado, Maeve ainda teme as sombras do passado — e o regresso a casa não se faz sem dificuldades.

Até porque Sevenwaters está à beira do caos.

Opinião: Sevenwaters… É impossível não ser completamente abalroada por uma extrema nostalgia, um carinho enorme e uma sensação de saudades inexplicável. Não sei se já tinha partilhado isto convosco, mas foi através da trilogia original de Sevenwaters que o bichinho da leitura se apoderou novamente de mim. Na altura a minha afilhada académica sugeriu-me Juliet Marillier e acabou por me emprestar os três livros que devorei ao ritmo de quase um por dia. Quando peguei em A Chama de Sevenwaters, foi quase como reviver A Filha da Profecia no sentido em que estava perante um novo fim, este definitivo, do mundo de Sevenwaters.

É chegada a hora de encerrar este ciclo e não podíamos ter melhor protagonista que Maeve, a fazer relembrar Liadan em tantos aspectos e fazendo-nos recordar também de Bran e da sua coragem infinita. É nessas duas personagens que Maeve se inspira e baseia para encontrar forças nos momentos mais complicados. As linhas dos destinos da família de Sevenwaters estão intrinsecamente ligadas às do Outro Mundo desde que Finbar foi raptado e o receio de que este tenha ficado com marcas irreversíveis desde então intensifica-se com o desenrolar da acção.

Depois de um desaparecimento misterioso de dezenas de aliados de Sean, alguns começam a aparecer mortos nas condições mais estranhas até que já só restam aparecer os filhos do líder. Para apaziguar o tumulto, dado que os desaparecimentos acontecem dentro das fronteiras de Sevenwaters, Maeve vê-se obrigada a regressar a Sevenwaters. O seu regresso é tudo menos pacífico para si e não fosse a sua melhor amiga e companheira, as coisas seriam ainda mais difíceis. Dada a sua limitação física por causa das mãos, muitas vezes sente-se observada e julgada, levando-a ao isolamento. 

O ambiente está caótico, numa fúria eminente e quando Finbar desaparece, Maeve irá encontrar desafios que irão colocá-la à prova e aos seus instintos. Confiar ou não confiar, o que temer, o que fazer, o medo, o pânico, tudo elementos que irão ser confrontados com a sua força de vontade férrea e a certeza de que tem que fazer o seu melhor para que tudo acabe bem. Dois irmãos com dons diferentes, mas que conjugados irão mudar para sempre o destino tanto de Sevenwaters como do Outro Mundo.

Não fiquei minimamente indiferente à narrativa. A autora soube como tocar no coração dos seus leitores provocando, por vezes, uma tristeza imensa e noutras uma euforia que nos prende a cada letra, cada palavra, cada frase. São destinos que se cruzam e que impõem sacrifícios, males que têm de ser combatidos custe o que custar e ao mesmo tempo o constatar que muitas vezes o mal é cometido com boas intenções, mas que muitas vezes essas boas intenções não passam de máscaras para disfarçar a cobardia.

Um livro forte, intenso, com a familiar magia da trilogia original e que fecha de forma honrada a história da grande família de Sevenwaters. Uma história repleta de amor, perda, luta, morte, conquista e sobretudo de sacrifício. Até mais, Sevenwaters.

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Opinião: O Voo do Corvo/Raven Flight (Shadowfell #2) de Juliet Marillier https://branmorrighan.com/2014/02/opiniao-o-voo-do-corvoraven-flight.html https://branmorrighan.com/2014/02/opiniao-o-voo-do-corvoraven-flight.html#respond Tue, 04 Feb 2014 16:33:00 +0000

O Voo do Corvo (Shadowfell #2)

Juliet Marillier

Editora: Grupo Planeta

Sinopse: Depois de concluir a sua longa e árdua viagem até à base dos Rebeldes em Shadowfell, Neryn tornou-se uma parte vital da rebelião contra o tirânico rei Keldec. Cada passo que dá no sentido de aperfeiçoar os seus dons e afirmar-se como uma Voz poderosa e única na sua geração leva-os mais perto da meta pretendida. Mas, primeiro, Neryn terá de procurar os Guardiães das quatro Vigias para completar o seu treino e o tempo escasseia. Entretanto, Flint, o espião rebelde por quem se apaixonou, foi de novo chamado à corte de Keldec. O laço que os une é tão forte que, mesmo à distância, se procuram em sonhos, partilhando momentos preciosos – ainda que inquietantes – da vida um do outro. Os Rebeldes vêem com desconfiança este novo amor. Permitir que a emoção se sobreponha à lógica fria do movimento pode pôr tudo em risco. No fim, o amor poderá revelar-se a força motriz da esperança ou a brecha traiçoeira na armadura da rebelião.

Opinião: A história de Neryn e Flint começou em Shadowfell e a promessa de que muito ainda estava para acontecer cumpriu-se. O Voo do Corvo, continuação dessa narrativa, é uma obra que não apazigua, pelo contrário, revolve-nos por dentro semeando a ansiedade e a necessidade de avançar sempre cada vez mais na história. Acima de tudo acaba por ser um ponto de paragem obrigatório entre o início e o fim da trama, servindo mais como uma ponte entre o que aconteceu e o que está para vir. 

Neryn, depois da sua recuperação, começa finalmente algum treino físico antes de partir à procura do conhecimento que os Guardiães lhe podem fornecer para se tornar na Voz que todos esperam. É Tali quem fica encarregue de a acompanhar e assim partem as duas, rumo a um destino incerto, mas cujos resultados esperados funcionam como força motriz.

Para quem iniciou a sua aventura na escrita de Juliet Marillier com o mundo de Sevenwaters, será sempre complicado evitar fazer comparações no que toca às histórias de amor e até à contribuição das personagens femininas. Neryn não é uma personagem tão forte e empática como Liadan ou até Sorcha, nem Flint um Red ou um Bran. Talvez por ser virado para o público jovem-adulto a autora tenha optado por fazer algo mais leve, mas que ainda assim enternece os mais românticos. 

Gosto da forma como Juliet Marillier continua a aplicar a sua costela druida nas suas obras. Sendo eu uma curiosa pela doutrina druida, agrada-me a conjugação da aprendizagem da Voz com os elementos, a dinâmica do respeito e da manipulação dos mesmos sempre consciente da importância e da ligação à natureza. Cada elemento tem as suas características e a forma como cada um é abordado está original e solene.

A narrativa alterna entre boa dose de acção e emoção com alguns momentos mais parados. Ficamos muito tempo sem notícias dos Rebeldes e quando chegam nem sempre é para nos deixar de sorriso no rosto. Não esperem paninhos quentes nem finais totalmente felizes. Adorei o papel de Tali e admiro-a imenso. Também gostava de ver esta história narrada através de Flint, penso que daria uma perspectiva muito interessante e com mais informações sobre o reino de Keldec. As poucas visões que nos são dadas sabem a pouco.

Resumindo, quando se começa fica difícil largar e o fim deixa-nos a sofrer pelo próximo capítulo para que possamos fechar a história da rebelião. Tem amor, violência, crueldade, sentido de lealdade e uma capacidade de sacrifício estonteantes. A escrita é fluida e intensa e os personagens de personalidades fortes e únicas. Uma bela continuação que nos deixa a querer mais. 

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Opinião: A Vidente de Sevenwaters (Sevenwaters #5) de Juliet Marillier https://branmorrighan.com/2013/08/opiniao-vidente-de-sevenwaters.html https://branmorrighan.com/2013/08/opiniao-vidente-de-sevenwaters.html#comments Wed, 21 Aug 2013 10:01:00 +0000

A Vidente de Sevenwaters (Sevenwaters #5)

Juliet Marillier

Editora: Grupo Planeta

Sinopse: Sibeal entregou-se desde cedo à vida espiritual. Desde nova que sabia que a sua vocação era ser druidesa. Contudo, antes de cumprir os seus votos, Ciarán, o seu mestre, convence-a a passar o verão em Inis Eala, ilha onde estão a morar as suas irmãs com os seus maridos.

Apesar de contrariada, Sibeal acede ao pedido do mestre. Contudo, pouco tempo depois de chegar dá-se um terrível naufrágio perto da ilha. Apenas duas pessoas são resgatadas do mar, um homem e uma mulher. Graças ao seu dom da Visão, a jovem cedo percebe que existe um terceiro sobrevivente, e arrisca a própria vida para o recuperar.

Desde este incidente, que os habitantes de Inis Eala sentem que algo de grave está para acontecer. A verdade vai ficar oculta por muito tempo mas, à medida que é descoberta, faz com que protagonista faça uma viagem interior e perceba quem realmente é e quais as suas intenções.

Opinião: Para os leitores de Juliet Marillier, penso que o posso dizer sem cair em erro, o mundo de Sevenwaters será sempre especial. Os três primeiros livros, inicialmente a trilogia original, marcaram-nos de tal maneira que se por um lado a existência da continuação nos excitava, também nos fazia temer pelo rumo que a história podia tomar. A Vidente de Sevenwaters é o quinto livro deste mundo tão genuíno e mágico criado pela autora e os meus sentimentos em relação ao mesmo foram um misto de contradições com deslumbramento.

Sibeal é descendente da longa linhagem de Sevenwaters e, como tal, traz no seu sangue a sensibilidade aos elementos e aos deuses. Desde criança que é mais perspicaz e mais inteligente do que a média e rapidamente mostra uma grande vocação para servir os propósitos dos seres superiores. Com a mestria de Ciarán, Sibeal desenvolve os seus talentos de forma inigualável e prepara-se finalmente para assumir os seus votos em pleno. Falta-lhe apenas uma experiência – passar o Verão com as suas irmãs em Inis Eala, a ilha dos grandes guerreiros formados por Bran.

E tudo podia ter corrido como previsto, sem grandes sobressaltos, se não fosse o tal terceiro sobrevivente da horrenda tempestade que assolou a ilha. Este rapaz sem nome, sem memória, sem qualquer identidade e enfermo, irá mudar para sempre o rumo da vida de Sibeal, quer ela queira e esteja preparada ou não.

Uma história diferente da que estamos habituados, num ritmo mais lento, numa tentativa de aumentar a aura de mistério. A narrativa vai oscilando entre as duas vozes – Sibeal e Felix. O romance entre os dois é pontuado pelo tom trágico com que a autora já nos habitou anteriormente e, ainda que não sendo ao nível de pares anteriores, consegue enternecer o leitor.

Outro novo factor é a introdução da mitologia Selkie, que ainda não tinha visto em nenhuma das suas obras anteriores. O enredo criado à volta destas criaturas é interessante, sendo mesmo a linha condutora de toda a história.

Custa-me um pouco não dizer maravilhas de um livro de Sevenwaters porque, apesar de estar longe de ser um mau livro, estando inserido nesta série que é tão acarinhada pelos fãs da escritora sabe a pouco. Falta aquele acelerar da pulsação, aquele batimento cardíaco imparável, aqueles sorrisos e lágrimas que arrebatam o leitor. Digo isto, não obstante de o ter lido rapidamente. Como referi, o livro não é mau e é sempre bom rever personagens que nos são tão queridas e em A Vidente de Sevenwaters somos levados a recordar imenso do que aconteceu na trilogia que convergiu nos acontecimentos actuais.

Não sendo uma obra prima, é um livro que se lê bem, com uma bonita história de amor que se foca na luta entre o dever e as emoções, que reaviva eventos passados e nos deixa nostálgicos. O sexto livro da séria A Chama de Sevenwaters já se encontra à venda e conto lê-lo brevemente, curiosa sobre o que ainda está para vir.


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Opinião: ‘Shadowfell’ de Juliet Marillier https://branmorrighan.com/2013/01/opiniao-shadowfell-de-juliet-marillier.html https://branmorrighan.com/2013/01/opiniao-shadowfell-de-juliet-marillier.html#comments Tue, 08 Jan 2013 12:12:00 +0000

Shadowfell

Juliet Marillier

Editora: Grupo Planeta

Sinopse: Na terra de Alban, onde o jugo tirânico de Keldec reduziu o mundo a cinzas e terror, a esperança tem um nome que só os mais corajosos se atrevem a murmurar: Shadowfell.

Diz a lenda que aí se refugia uma força rebelde que lutará para libertar o povo das trevas e da opressão.

E é para lá que se dirige Neryn, uma jovem de dezasseis anos que detém um perigoso Dom Iluminado: o poder de comunicar com os Boa Gente e com as criaturas que vivem nas profundezas do Outro Mundo.

Será Neryn forçada a fazer esta perigosa viagem sozinha? Ou deverá antes confiar na ajuda de um misterioso desconhecido cujos verdadeiros desígnios permanecem por esclarecer?

Perseguida por um império decidido a esmagá-la e sem saber em quem pode confiar, Neryn acabará por descobrir que a sua viagem é um teste e que a chave para a salvação do reino de Alban pode estar nas suas próprias mãos.

Opinião: Após uma longa e ansiada espera, finalmente temos mais uma obra de Juliet Marillier disponível para ser devorada. A minha experiência nas histórias da autora baseia-se principalmente nas viagens por Sevenwaters e sucessivas gerações. Fora desse mundo li apenas Sangue-de-Coração e agora Shadowfell. Não sabia bem o que esperar. Quando temos um autor em tão elevada consideração, tememos que nos possa desiludir. Fiquem descansados, a autora não o fez!

Em Shadowfell, Juliet Marillier apresenta-nos um mundo onde a magia é agora considerada uma abominação. O que antes era uma arte respeitada e de valor tornou-se alvo de perseguição, de tortura e de repúdio. Mas não para toda a gente… Keldec faz-se munir de uma guarda de elite cujos elementos são portadores das magias mais poderosas, utilizando-os como armas contra os mais fracos e contra todos aqueles que possam ter resquícios do Dom.

Aldeias destruídas, povo oprimido e que exala medo por todos os poros, e uma rapariga em fuga – Neryn. Neryn é especial. Sabe que detém o Dom Iluminado, porém essa ideia fá-la tremer com receio que o descubram e decide reprimir toda e qualquer fonte de poder que possa ter dentro de si. Quando se depara com a morte do pai, o último elemento da família ainda com vida, as condições em que tal toma lugar faz com que a sua vida se cruze com a de um estranho, Flint. Não mais os seus destinos se destrançarão.

A demanda de Neryn vai querer muita força interior, vai ser posta à prova repetidamente e haverá uma altura em que ela não saberá quem realmente lhe quer bem ou quem é que é mesmo o inimigo. Neryn e Flint são duas personagens fortes que conquistam desde cedo o leitor. Enquanto Neryn vai descobrindo e desenvolvendo o seu Dom, as suas batalhas e lutas interiores fazem o próprio leitor pensar no que fariam no lugar dela. Quanto a Flint foi, para mim, a minha personagem favorita. A autora capacitou-o de uma personalidade tal que é impossível não nos compadecermos com o fardo que carrega. Também Regan, personagem que conhecemos mais para o fim, nos desperta a curiosidade sobre si e penso que ainda haveremos de saber mais sobre ele.

Os Boa Gente são um grupo de personagens que me faz lembrar o Povo Antigo da trilogia Pilares do Mundo de Anne Bishop. Aliás, uma sensação que me acompanhou sempre um pouco ao longo da leitura desta obra foi essa mesma. Que estava a ler uma nova versão de uma história mais antiga que o Saber, mas que vários autores vão tentando retratá-la.

A escrita de Juliet Marillier sempre foi o seu ponto forte. De alguma maneira ela consegue envolver-nos, aquecer-nos e fazer com que seja impossível largarmos a leitura. Apesar de não ser um O Filho das Sombras (o meu preferido da autora), é um livro que se lê muito bem, com uma história de luta, sofrimento, amor e amizade e que deixa um fim em aberto. Espero que a autora escreva rapidamente a continuação de Shadowfell! Gostei muito.

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