Justin Cronin – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Wed, 23 Dec 2020 20:56:39 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Justin Cronin – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Opinião: Os Doze (A Passagem #2) de Justin Cronin https://branmorrighan.com/2013/10/opiniao-os-doze-passagem-2-de-justin.html https://branmorrighan.com/2013/10/opiniao-os-doze-passagem-2-de-justin.html#respond Fri, 25 Oct 2013 13:59:00 +0000

Os Doze (A Passagem #2)

Justin Cronin

Editora: Editorial Presença

Colecção: Via Láctea #111

Sinopse: Os Doze é a sequela de A Passagem, um bestseller internacional que nos dá a conhecer um mundo transformado num pesadelo feérico por uma experiência governamental que não correu como previsto. No presente, à medida que o apocalipse provocado pela mão humana se vai intensificando, três personagens tentam sobreviver no meio do caos. Lila, uma médica e futura mãe; Kittridge, que se viu obrigado a fugir do seu baluarte com poucos recursos; e April, uma adolescente que se esforça por manter em segurança o irmão mais novo num cenário de morte e destruição. Mas, embora ainda não o saibam, nenhum dos três foi completamente abandonado…

Opinião: Depois de uma obra soberba como A Passagem (em Portugal dividido em Volume I e Volume II), a fasquia para este segundo livro previa-se difícil de superar. A Passagem foi um daqueles livros impossíveis de esquecer, que deixam uma marca irremediável no leitor fazendo-o temer ler a sua continuação com receio de que a desilusão chegue. Os Doze não confirmaram esse temor, mas é certo que deixou no ar bem mais perguntas do que respostas, tendo sido a sua leitura um acto oscilante entre a surpresa, a confirmação, o desespero, a ansiedade e acima de tudo o emergir de uma sensação de fatalismo trágico.

O início do livro de cariz bíblico, faz prever um livro em tom mais poético, introspectivo, que levará o leitor a questionar-se inúmeras vezes sobre as motivações e a motriz que desencadeia todos os acontecimentos. Levando-nos pela mão a percorrer espaços temporais diferentes, Justin Cronin apresenta-nos novas personagens, novos factos sobre a origem do caos vampírico apocalíptico e ainda nos faz revisitar e relembrar parte da história dos protagonistas de A Passagem.

Todo o envolvimento dos doze,a demanda na sua reunião e toda a sua implicação e impacto na história da humanidade aqui fascista, fez-me projectar um pouco a história de Jesus Cristo com os 12 Apóstolos, mas em forma de Anti-Cristo e Apóstolos demoníacos. Também a associação de Peter com Noé, em que este fica encarregue de preservar espécimes humanos enquanto os vampiros são a nova forma de dilúvio, acaba por trazer toda uma carga teológica à trama.

Amy, a grande protagonista de toda a trilogia, é alvo de uma evolução admirável, desempenhando um papel cada vez mais preponderante. A sua ligação com Wolgast causa formigueiro em quem lê, um nervoso miudinho da iminência do que está para vir. Alicia é e será sempre das minhas personagens preferidas. A sua luta interior entre render-se à natureza feroz da sua nova realidade ou resistir é, para ela, de um sofrimento e condenação moral atrozes. Lila e Grey foram duas personagens que entraram para o meu leque dos ‘acarinhados’ e confesso que senti mesmo verdadeiramente uma compaixão enorme por eles.

Os Doze é uma autêntica epopeia, num mundo apocalíptico, no que toca à natureza humana, à sua crueldade, à sua capacidade de amar, mas acima de tudo de destruir por motivos mesquinhos, pessoais e completamente egoístas. É um livro longo, detalhado, explorador e que deixa um sentimento de incompletude, uma fome de um desfecho que encerre o círculo e que de alguma forma harmonize todas as pontas soltas. Aconselho vivamente esta trilogia a todos os amantes de ficção científica, fantástico, combinações inesperadas e emoções fortes. Adorei.

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Opinião: A Passagem – Livro I – Vol II de Justin Cronin https://branmorrighan.com/2013/09/opiniao-passagem-livro-i-vol-ii-de.html https://branmorrighan.com/2013/09/opiniao-passagem-livro-i-vol-ii-de.html#respond Wed, 11 Sep 2013 19:12:00 +0000

A Passagem (Livro I – Vol II)

Justin Cronin

Editora: Editorial Presença

Sinopse: Neste segundo volume a humanidade vive uma era de trevas em que a sobrevivência dita as leis, não só em função dos ataques dos mutantes virais, mas em relação a quase tudo. Passaram entretanto noventa anos sobre a catástrofe e a Vagante, como muitos lhe chamam, regressa de uma longa e solitária jornada de décadas. Como numa viagem iniciática, durante essa obscura deriva ganhou forma dentro dela o terrível conhecimento de que ela é a Única que tem o poder de salvar o mundo destruído por aquele pesadelo.

Opinião: Este é o segundo volume do livro A Passagem, cuja versão original é composta por apenas uma única obra. Não é, portanto, de estranhar que este segundo volume comece onde o anterior acabou, mas é de fazer notar a mestria do ponto de separação que a Editorial Presença fez. Mal nos embrenhamos nesta leitura, fica impossível largá-la. Se no primeiro volume já nos tínhamos sentido presos à narrativa e brutalmente atraídos para a mesma, neste somos completamente aprisionados.

Justin Cronin é um mestre no que toca a conjugar toda uma série de elementos no seu enredo. O perigo, a tristeza, o amor, os riscos, o ritmo de acção, estão todos maravilhosamente encaixados, nenhum sendo de mais ou de menos, mas antes provocando uma sensação de urgência em quem o lê. Ele sabe como projectar a mensagem que quer passar numa escrita elegante e poderosa. Os personagens tornaram-se os elementos mais fortes, a empatia que críamos com eles e com a sua batalha deixa-nos em expectativa constante.

Todo o conceito desta obra é fenomenal. Aos elementos distópicos e de ficção científica, o autor juntou o terror, formando uma combinação que poucos conseguem sequer almejar fazer com metade da sua beleza. Não quero adiantar muito sobre a obra, penso que deve ser lida de mente aberta e com a receptividade merecida. O que é certo é que fez a minha pulsação acelerar várias vezes, temendo pelo futuro dos nossos já conhecidos Peter, Amy, Lisha e restantes.

Quero também destacar a capacidade do autor nos fazer esquecer o conhecimento que nas primeiras páginas já tínhamos adquirido, levando-nos a redescobrir tudo agora pelos olhos dos elementos da colónia. Há medida que eles descobrem mais sobre as origens dos virais, dos isolamentos e de como o mundo ficou no estado actual, é como se também nós estivéssemos a fazê-lo. Isso foi fantástico. Recomendo esta obra a todos os amantes dos géneros que mencionei acima. Acreditem, não se vão arrepender, é uma daquelas leituras completamente obrigatórias. Adorei.

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Opinião: ‘A Passagem’ (Volume I) de Justin Cronin https://branmorrighan.com/2012/02/opiniao-passagem-volume-i-de-justin.html https://branmorrighan.com/2012/02/opiniao-passagem-volume-i-de-justin.html#comments Mon, 27 Feb 2012 15:39:00 +0000

A Passagem (Volume I)

Justin Cronin

Editora: Editorial Presença

Colecção: Via Láctea (#99)

Sinopse: A Passagem é o primeiro livro de uma grandiosa epopeia pós-apocalíptica. Uma experiência científica a que o exército dos Estados Unidos submete vários homens e uma menina, para os tornar invencíveis, resulta numa catástrofe cujos efeitos têm consequências inimagináveis. Os homens submetidos àquela experiência tornam-se detentores de extraordinários poderes, mas são monstros assassinos sedentos de sangue. Neste primeiro volume do livro acompanhamos a sangrenta destruição que se segue à invasão dos mutantes, bem como a penosa reorganização dos sobreviventes em pequenas comunidades precárias, onde a gestão dos escassos recursos é uma prioridade. Neste cenário de devastação instala-se uma dinâmica que vai modificando as personagens e as relações que se estabelecem entre elas.

Opinião: Não consigo começar esta opinião sem dizer que este é provavelmente um dos melhores livros que já li dentro do género fantástico/ficção científica. Com umas primeiras páginas que nos deixam desde logo presos à sua leitura, esta obra revela-se como algo diferente, maduro, vertiginoso e completamente viciante.

Tudo começa com uma exploração que acaba de forma dramática. A maioria dos exploradores morre e os que não morrem mostram ter sintomas muito estranhos convergindo numa virose que transmite algumas forças sobre-humanas, ao mesmo tempo que lhes dá uma sentença de morte. Com estes dados, os militares decidem fazer uma experiência científica. As primeiras cobaias começam por morrer prematuramente, mas à medida que o vírus vai sendo aperfeiçoado, torna-se claro que as melhores hipóteses que podem ter com aquele vírus é testá-lo numa criança. E é assim que conhecemos a Rapariga de Nenhures.

Este vírus, que teria como objectivo tornar os militares apenas mais fortes sem efeito secundários, rapidamente dá sinais de provocar uma mente colectiva em que sonhos e visões são incutidos pelos seres infectados aos que ainda não estão. E quando a consciência começa a fugir aos soldados americanos e as suas vontades começam a ser dobradas pelos infectados, o resultado não pode ser bom. Resta Amy, a Rapariga de Nenhures, que apesar de infectada, não mostra o comportamento violento de todos os outros, mas sim uma capacidade física e intelectual muito acima da média.

É uma história muito boa, com um ritmo equilibrado e que me agradou muito. Conhecemos muitas personagens e as suas histórias e é fácil ligarmo-nos a elas. Gostei muito da escrita do autor, da forma como desenvolveu as personagens e a importância que lhes deu. O mundo pós-apocalíptico que nos dá a conhecer está bem construído e o fim deste primeiro volume deixa-nos ansiosos para sabermos mais sobre o que vai acontecer.

Apesar de ser um volume introdutório (ou pelo menos foi com essa impressão que fiquei), muito nos é contado e quando acabamos de o ler, parece que já se passaram séculos desde que o começámos. Um livro maravilhoso, fascinante e que sem dúvida nos conquista. Gostei muito.

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