Leituras 2013 – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 04:55:50 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Leituras 2013 – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Opinião: Maximum Ride – Salvar o Mundo (Maximum Ride #3) de James Patterson https://branmorrighan.com/2014/01/opiniao-maximum-ride-salvar-o-mundo.html https://branmorrighan.com/2014/01/opiniao-maximum-ride-salvar-o-mundo.html#respond Fri, 10 Jan 2014 18:17:00 +0000

Maximum Ride – Salvar o Mundo

James Patterson

Editora: TOPSELLER

Sinopse: Alerta! Um grupo de seis jovens com poderes extraordinários está em fuga. O seu lider é Maximum Ride, ou Max, uma rapariga de 14 anos que consegue voar. Deve ser considerada perigosa.

Max e o seu bando estão destinados a grandes voos. Vivem em condições difíceis e não podem dar muito nas vistas. Afinal, seis miúdos com asas a atravessar os céus não passam despercebidos… Nesta aventura o grupo vai ter de escapar ao terrível plano genocida criado por cientistas maléficos, os batas-brancas. E como se não bastasse, há um traidor entre eles. A união entre todos os elementos vai ser posta à prova enquanto enfrentam os inimigos mais poderosos de todos os tempos.

Será que um romance insuspeito, um blogue seguido por milhões de fãs e algumas revelações vão contribuir para que a missão de salvar o mundo seja realmente possível? Os leitores de James Patterson não vão descansar enquanto não tiverem a resposta certa. Mas cuidado: estas páginas são completamente viciantes.

Opinião: Com Maximum Ride – Salvar o Mundo, chegamos ao ponto em que já nada é certo para o nosso pequeno grupo de voadores. Depois de em O Resgate de Angel os termos conhecido e afeiçoado a eles, em Adeus à Escola foi fácil perceber que ainda muito estaria para vir e que estes seriam sempre uma caixinha de surpresas. Neste terceiro volume foi com imensas saudades que iniciei a leitura. Apesar de ser uma saga mais direccionada para o público mais jovem, a verdade é que me tenho divertido imenso a lê-a e estava tremendamente na expectativa do rumo que a história iria tomar.

Max e os seus amigos têm inimigos novos. Os erasers desapareceram e para os substituírem os batas-brancas arranjaram uma versão supostamente melhorada em forma de robot. É quando pensam que estão em segurança para se afirmarem em algum local calmo que os problemas sérios aparecem acabando por dividir o grupo. O que é certo é que o objectivo continua o mesmo – impedir que mais de metade da população (todos aqueles que não têm qualquer características especial ou sobredesenvolvida) de perecerem da Terra. É quase no fim, já numa arena em que Max é posta à prova, em que ou mata ou é morta, que os maiores segredos e as verdadeiras ligações e lealdades são reveladas. 

O percurso da história dá-se a um bom ritmo e, como James Patterson já nos habituou, a escrita é descontraída e cheia de humor. Ler a série Maximum Ride é sempre uma actividade de relaxe e diversão. Apesar dos seus momentos tensos, o carinho que temos pelas personagens é já tão grande que só os queremos a salvo. A cada livro vão evoluindo um pouco, descobrindo-se a eles próprios e partilhando essas novas experiências connosco. Ver Max a passar pelas suas crises de uma rapariga adolescente comum foi muito engraçado. A nível de ficção científica o autor volta a puxar pela Voz, por seres melhorados e pela velha ameaça de dominar o mundo com uma raça superior. 

Maximum Ride – Salvar o Mundo foi mais um capítulo de intensa actividade, com muitas surpresas pelo meio e que deixou espaço para novas revelações. Não sendo uma leitura de cariz adulto, é óptima para o pessoal mais jovem que goste de FC e que queira iniciar uma aventura pelo universo fantástico dos nossos heróis voadores ou para um adulto com um espírito mais aventureiro.

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Opinião: Em Parte Incerta de Gillian Flynn https://branmorrighan.com/2014/01/opiniao-em-parte-incerta-de-gillian.html https://branmorrighan.com/2014/01/opiniao-em-parte-incerta-de-gillian.html#comments Mon, 06 Jan 2014 11:35:00 +0000

Em Parte Incerta

Gillian Flynn

Editora: Bertrand

Sinopse: O casamento pode dar cabo de uma pessoa…

Uma manhã de verão no Missouri. Nick e Amy celebram o quinto aniversário de casamento. Enquanto se fazem reservas e embrulham presentes, a bela Amy desaparece. E quando Nick começa a ler o diário da mulher, descobre coisas verdadeiramente inesperadas…

Com a pressão da polícia e dos media, Nick começa a desenrolar um rol de mentiras, falsidades e comportamentos pouco adequados. Mostra-se evasivo, é verdade, e amargo – mas será mesmo um assassino?

Entretanto, todos os casais da cidade se perguntam já se conhecem de facto a pessoa que amam. Nick, apoiado pela gémea Margo, assegura que é inocente. A questão é que, se não foi ele, onde está a sua mulher? E o que estaria dentro daquela caixa de prata escondida atrás do armário de Amy?

Com uma escrita incisiva e a sua habitual perspicácia psicológica, Gillian Flynn dá vida a um thriller rápido e muito negro que confirma o seu estatuto de uma das melhores escritoras do género.

Opinião: Existem leituras que nos passam ao lado, que apesar de nos terem proporcionado bons momentos de leitura, não deixam uma grande marca. Depois, existem também aquelas que nos deixam completamente estonteados, com a sensação que nos pegaram pelos pés e nos deixaram de cabeça para baixo, quais morcegos. Em Parte Incerta foi dessas leituras que num piscar de olhos somos autenticamente abalroados e todas as nossas convicções e emoções são baralhadas e descartadas. 

Gillian Flynn apresenta-nos uma obra que, quando terminamos a sua leitura, é difícil de classificar. Em parte romance, em parte policial, um bocadinho de thriller e imenso drama, cada um destes elementos em doses diferentes ao longo do livro. A capacidade da autora em nos conduzir numa determinada direcção, levando-nos a sentir certas empatias e ódios, para logo a seguir nos trocar as voltas está genial. 

Nick e Amy são duas personagens extremamente humanas e assustadoramente reais. São explorados vários ângulos do ser humano, desde a sua infância à maneira como a atitude parental acaba por ter influência no carácter e personalidade enquanto adulto, a forma como muitas vezes as pessoas adaptam a sua maneira de ser para agradarem, para serem aquela pessoa que os outros gostam mesmo que não seja essa a sua forma genuína e também a degradação das relações quando baseadas numa interacção frágil e cheia de segredos. 

A narrativa é simples e envolvente. Ao início começa de forma lenta, com o cozinhar da trama, a preparação para o grande salto que se dá sensivelmente a meio tornando a leitura compulsiva e deixando o leitor incrédulo. O ponto forte de todo o enredo é sem dúvida a oscilação de emoções sempre muito intensas. A empatia inicial, o ódio final, o desprezo pelo meio. Conjugando isso à familiaridade de certos acontecimentos, a verdade é que a história acaba por ter um forte impacto, por deixar a tal marca irreversível em quem o lê e também muito em que pensar. 

Eleito o Livro do Ano de 2012 pelos leitores da plataforma Goodreads, já com imensos prémios conquistados, inclusive o carimbo de best seller do New York Times, Em Parte Incerta é aquele romance que não deixará ninguém indiferente, seja para o bom ou para o mau. A adaptação cinematográfica está para breve, tendo já o Ben Affleck como Nick. Uma leitura conflituosa, sem dúvida alguma, mas brutal. Aconselho sem restrições, deixando a salvaguarda para um fim que sabe a pouco, mas que dificilmente poderia agradar a todos.

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Opinião: O Silo de Hugh Howey https://branmorrighan.com/2014/01/opiniao-o-silo-de-hugh-howey.html https://branmorrighan.com/2014/01/opiniao-o-silo-de-hugh-howey.html#comments Thu, 02 Jan 2014 12:17:00 +0000

O Silo

Hugh Howey

Editora: Editorial Presença

Colecção: Via Láctea #112

Sinopse: Num mundo pós-apocalíptico, encontramos uma comunidade que tenta sobreviver num gigantesco silo subterrâneo com centenas de níveis, onde milhares de pessoas vivem numa sociedade completamente estratificada e rígida, e onde falar do mundo exterior constitui crime. As únicas imagens do que existe lá fora são captadas de forma difusa por câmaras de vigilância que deixam passar um pouco de luz natural para o interior do silo. Contudo há sempre aqueles que se questionam… Esses são enviados para o exterior com a missão de limpar as câmaras. O único problema é que os engenheiros ainda não encontraram maneira de garantir que essas pessoas regressem vivas. Ou, pelo menos, assim se julga…

Opinião: As distopias têm andado na moda graças aos mundos pós-apocalípticos tão extraordinariamente criados e em O Silo temos o privilégio de testemunhar mais uma. Curioso, o percurso de edição desta obra que começou com pequenos capítulos numa small press, passando posteriormente para uma auto publicação na plataforma Kindle, tornando-se um best-seller do New York Times pouco tempo depois. Nesta obra, Hugh Howey presenteia-nos com um mundo submerso numa atmosfera corrosiva, em que o único porto seguro é o silo em que as pessoas se encontram, ou assim parece. No entanto, os segredos encerrados naquelas escadas e naquelas paredes parecem sussurrar cada vez mais alto e a ameaça de uma nova insurreição começa cada vez mais a pairar no ar.

São vários os personagens que vão ganhando protagonismo ao longo da trama. Tudo começa com o mistério da Limpeza, ou seja, com aqueles que por violação das leis são obrigados a deixar o silo sempre com a missão de limpar as lentes que proporcionam a visão do mundo exterior. E, apesar de todos dizerem que não irão limpar nada, afinal estão a ser condenados à morte, o que é certo é que todos, sem falha, acabam por fazer a Limpeza. Isto é, todos até ao dia em que alguém vai mais longe em relação aos segredos do silo e em vez de limpar as lentes, segue caminho, ultrapassa o limite de visão das câmaras do silo, e com isso instala o caos.

Estamos perante uma história cuja realidade não é difícil de imaginar. Interesses políticos, um mundo destruído por armas químicas (ou assim me pareceu), a sobrevivência da espécie através do confinamento, mas também o isolamento para que possam preservar todos os segredos que esse mesmo confinamento implica. Toda a estrutura do silo está organizada de forma a que, para manter o silo a funcionar a 100% sem risco de tragédia, todas as pessoas se mantenham de tal maneira ocupadas que não haja tempo para pensarem em mais nada e muito menos colocarem questões.

Gostei bastante da forma como as expectativas foram sendo geradas, impelindo-me sempre a ler mais uma página, a querer saber como é que todo aquele mistério iria ser desvendado. É certo que não existe um protagonista total e absoluto por quem o leitor se afeiçoe, mas à medida que existe uma pessoa a assumir esse protagonismo, conseguimos sentir uma empatia praticamente automática provocando um sentimento de incentivo e protecção em relação à mesma.

Foi uma leitura relativamente rápida e que deixou semeada a curiosidade. Vou ficar ansiosamente à espera que venha a continuação, pois este fim acabou por deixar ainda mais perguntas por responder. 

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Opinião: Os Adivinhos de Libba Bray https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-os-adivinhos-de-libba-bray.html https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-os-adivinhos-de-libba-bray.html#respond Sun, 29 Dec 2013 16:15:00 +0000

Os Adivinhos

Libba Bray

Editora: ASA/1001 Mundos

Sinopse: Evie O’Neill foi exilada da sua monótona e pacata cidade natal e enviada para as agitadas ruas de Nova Iorque – e fica radiante! Nova Iorque é a cidade dos bares clandestinos, das compras e dos cinemas! Pouco depois, Evie começa a andar com as glamorosas «Ziegfield Girls» e com atraentes carteiristas. O único problema é que Evie tem de viver com o seu tio Will, curador do Museu Americano de Folclore, Superstição e Ocultismo – também conhecido como «O Museu dos Arrepios», homem com uma pouso saudável obsessão pelo oculto.

Evie receia que ele descubra o seu segredo mais sombrio: um poder sobrenatural que até ao momento só lhe causou problemas. Porém, quando a polícia encontra uma rapariga morta que tem um estranho símbolo gravado na testa e Will é chamado ao local, Evie percebe que o seu dom pode ajudar a apanhar o assassino em série.

Quando Evie mergulha de cabeça numa dança com um assassino, outras histórias se desenrolam na cidade que nunca dorme. Um jovem chamado Memphis é apanhado entre dois mundos. Uma corista chamada Theta anda a fugir do seu passado. Um estudante chamado Jericho esconde um segredo chocante. E sem que ninguém saiba, algo sombrio e maligno despertou.

Opinião: Já há bastante tempo que andava para pegar numa das obras de Libba Bray, mas só agora com a edição portuguesa d’Os Adivinhos é que me decidi a finalmente dar-lhe uma oportunidade. Esta oportunidade acabou por se revelar bastante enriquecedora, e dei por mim bastante surpreendida com a capacidade da autora em criar uma obra extremamente rica em histórias complexas, pormenores sublimes e personagens muitíssimo interessantes. Tudo isto sem perder o fio à meada, orientando sempre o leitor nas alturas certas para que este se volte a focar na trama principal.

Encontramo-nos nos anos 20 e Nova Iorque fervilha em actividade. São tempos de mudança em que o velho e o novo lutam pelo seu espaço, havendo sempre lugar para as suas peculiaridades e superstições. Existe um burburinho, uma agitação que começa a assolar os mais antigos e uma certeza cada vez mais sentida: ‘Eles estão a chegar.’ Enquanto isso, um mal trabalha nas sombras, recriando uma lenda antiga e espalhando o temor pela população. 

Como protagonistas vamos tendo vários personagens com passados e presentes especiais, mas que escondem segredos cujo medo de os revelarem impelem-nos a vestirem outras peles, a passarem por outro tipo de pessoas. Porém, o destino parece começar a tecer as suas teias e a compeli-los para um mesmo epicentro. Certas coincidências levam-nos a quererem finalmente assumir os seus poderes, numa maior compreensão e luta contra o que se aproxima.

A narrativa é fluida, apesar de bastante pormenorizada. O leitor é muito bem contextualizado devido à escrita quase cinematográfica, sendo transportado para todos os cenários de forma bastante intensa. Num misto de terror fantástico com mistério e um pouco de romance à mistura, Os Adivinhos proporcionam uma riqueza diversificada de emoções e ansiedades. Nota-se que Libba Brey não se poupou a esforços no estudo e na investigação dos costumes e superstições daquele tempo. 

Todo o enredo e fim da trama funcionam quase como uma espécie de introdução para algo ainda maior que é agora despoletado. Depois de uns tantos marcos violentos e macabros, outros cómicos e ainda alguns de profunda cumplicidade, fica a extrema vontade de ler a continuação desta que promete vir a ser uma saga muito boa. Gostei imenso.

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Opinião: Pantaleão e as Visitadoras de Mario Vargas Llosa https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-pantaleao-e-as-visitadoras-de.html https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-pantaleao-e-as-visitadoras-de.html#respond Fri, 27 Dec 2013 15:38:00 +0000 Pantaleão
e as Visitadoras

Mario Vargas Llosa

Editora: D. Quixote

Sinopse

“Publicado
originalmente em 1973, e adaptado ao cinema por duas vezes, Pantaleão e as
Visitadoras é inquestionavelmente um dos livros mais divertidos e de maior
sucesso de Mario Vargas Llosa.

Pantaleão
Pantoja é um brilhante oficial do exército que enfrenta a missão mais delicada
da sua vida: organizar, dentro do mais absoluto sigilo militar, um serviço de
prostitutas para as Forças Armadas do Peru isoladas na selva amazónica, de forma
a evitar a onda de violações entre as mulheres da zona.

Baseado em
facto verídicos de que o autor tomou conhecimento na Amazónia, Pantaleão e as
Visitadoras é um romance irónico e divertido que traz à luz o funcionamento
ambivalente de uma instituição.”

Opinião

Relatório
número três

ASSUNTO GERAL: Blog BranMorrighan -Textos
de Opinião

ASSUNTO ESPECÍFICO: Pantaleão e as Visitadoras.


CLASSIFICAÇÃO: Secreto.

DATA E LOCAL: Lisboa, 26 de Dezembro de
2013.

             A
signatária, Colaboradora do Blog BranMorrighan
(joanapontoneto), Joana Catarina
Neto, cumprimenta respeitosamente S. Ex.ª o Senhor Leitor e leva-lhe o seguinte
ao seu conhecimento:

       
Que, como todo e qualquer livro cuja leitura se
principie, a entrada na cadência natural da sua escrita apresenta-se – e mais
tal se exalta no presente caso, do que em qualquer outro genérico livro a ser
utilizado a título de exemplo – como um desafio que anda de braço dado com a
curiosidade que emana ante o que se sabe não compreender, tal como Senhor
Leitor deverá sentir face ao presente ponto. Significa isto que a interligação
de parágrafos é, a começo, propositadamente aleatória – assim se pense! – e
propositadamente curiosa;

       
Que, face ao anterior ponto, não se preocupe o
Senhor Leitor, uma vez que diferentes são os estilos de escrita no objecto de
que é alvo o presente relatório;

       
Que sente a signatária ser da mais extrema
importância aqui realçar a comicidade de um livro que eleva ao mais alto
patamar de formalismo militar o processo construtivo de uma rede de – e desde
já me perdoe o Senhor Leitor a vulgaridade da expressão – prostitutas;

       
Que, não sendo estreia da signatária neste autor,
foi tal a surpresa pela diversificação de escrita – e claro está, também de
temática – que um sorriso, ou dois, foram deixados transparecer para as páginas
de Pantaleão;

       
Que, indica a signatária como alegação final, um
parecer veemente favorável é emitido para o Senhor Leitor, caso esteja nos seus
planos um serão bem passado, na companhia louca e aleatória da cidade de Iquitos e seus demais habitantes.

Deus
guarde V. Ex.ª

Assinado:

Colaboradora do Blog BranMorrighan (joanapontoneto), Joana Catarina Neto


joanapontoneto

Algumas
citações

“Que o signatário tem plena consciência da
obrigação de iniciar o Serviço fixando metas modestas e atingíveis, tendo em
conta a realidade e a filosofia oculta em rifões como «devagar se vai ao longe»
e «nem por muito madrugar amanhece mais cedo».”

“Sugere-se
que seja acrescentado qualquer complemento estético feminino, tal como um ramo
de flores, uma gravura ou desenho artístico, para lhe imprimir uma atmosfera
atraente.”

“Mas
depois, ante a incredulidade dos interrogadores, confessou que, sendo invertido
passivo desde há muitos anos, a sua verdadeira intenção tinha sido praticar o
seu vício com os militares, para mostrar a si próprio que podia suplantar com
vantagem uma mulher nas funções de visitadora.”

“Empoleirados
nas árvores, a aliviarem-se pelos olhos. Que queres tu, pazinho, o tesão é
humano. Se até a ti te aconteceu, que parecias uma excepção.”

“Se
ao menos tivesse organizado a coisa de uma maneira medíocre, defeituosa. Mas
esse idiota transformou o Serviço de Visitadoras no organismo mais eficiente
das Forças Armadas.”

“Aliás,
essa ideia de prestar homenagem a uma puta, precisamente por ser uma loucura,
tornava-se fascinante como tudo”

Comprar: http://www.wook.pt/ficha/pantaleao-e-as-visitadoras/a/id/11687985

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Opinião: Luz e Sombra de Leigh Bardugo https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-luz-e-sombra-de-leigh-bardugo.html https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-luz-e-sombra-de-leigh-bardugo.html#respond Thu, 12 Dec 2013 16:49:00 +0000

Luz e Sombra

Leigh Bardugo

Editora: 1001 Mundos / ASA

Sinopse: Rodeada por inimigos, a outrora grande nação de Ravka foi dividida em duas pelo Sulco de Sombra, uma faixa de escuridão quase impenetrável cheia de monstros que se alimentam de carne humana. Agora, o seu destino pode depender de uma só refugiada.

Alina Starkov nunca foi boa em nada. Órfã de guerra, tem uma única certeza: o apoio do seu melhor amigo, Maly, e a sua inconveniente paixão por ele. Cartógrafa do regimento militar, numa das expedições que tem de fazer ao Sulco de Sombra, Alina vê Maly ser atacado pelos monstros volcra e ficar brutalmente ferido. O seu instinto leva-a a protegê-lo , e ela revela um poder adormecido que lhe salva a vida, um poder que poderia ser a chave para libertar o seu país devastado pela guerra. Arrancada de tudo aquilo que conhece, Alina é levada para a corte real para ser treinada como um membro dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling. Com o extraordinário poder de Alina no seu arsenal, ele acredita que poderá finalmente destruir o Sulco de Sombra.

No entanto, nada naquele mundo pródigo é o que parece. Com a escuridão a aproximar-se e todo um reino dependente da sua energia indomável, Alina terá de enfrentar os segredos dos Grisha… e os segredos do seu coração.

Opinião: Foi com grande entusiasmo que iniciei a leitura de Luz e Sombra. A edição está muito bonita, desde a capa, aos mapas, a caracterização de cada capítulo e, parecendo que não, se é certo que não devemos julgar um livro pela capa, também é certo que quando a edição agrada à vista avançamos sempre com outro fervor. 

A história começa com um episódio da infância da nossa protagonista Alina Starkov e do seu grande amigo Maly aquando dos testes para saberem se seriam Grishas ou não. Grishas são seres não propriamente sobrenaturais, mas cujo conceito é conseguirem modelar e moldar os elementos básicos que os rodeiam. Existem Grishas de várias categorias como para curar, moldar ferro, invocar sombras, entre outros. Porém, os tempos que correm fazem com que os Grishas tenham cada vez menos poder na sociedade e começa-se a sentir no ar que a era deles está a terminar. Até que, numa das incursões ao Sulco, Alina salva a vida de Mal e com isso inícia um novo destino para todo o povo de Ravka.

Alina é uma Invocadora do Sol, detentora de um poder Grisha que não é visto há décadas, mas que é fulcral para os planos do Darkling. É a partir deste momento que a história começa realmente a desenvolver-se num ritmo mais enérgico e que o perigo começa a espreitar a cada esquina; nem tudo o que parece é e quanto ao Darkling nunca conseguimos realmente saber quais as suas intenções.

O conceito do mundo de Luz e Sombra, agradou-me bastante. Os diferentes tipos de Grisha, a forma como se caracterizam e se identificam uns aos outros e a própria lenda do veado. Pouco a pouco, Alina vai-se descobrindo e desbloqueando a força do seu poder criando expectativas sobre o seu papel na guerra travada em Ravka. Se até ao momento em que ela consegue dominar o seu poder eu devorava o livro, passado esse marco posso dizer que houve uma espécie de quebra. Leigh Bardugo tornou Alina numa Grisha poderosa, mas ao mesmo tempo fraca no que toca a detalhes que fariam toda a diferença. Também a minha atracção pelo próprio Darkling acabou por arrefecer um pouco, tendo sido Mal a personagem que mais acarinhei.

O enredo é claramente virado para um público jovem-adulto que goste de fantasia e romance numa única obra. A escrita é simples, rápida e directa. Proporcionou-me bons momentos de leitura e penso que se tivesse lido há uns anos atrás teria gostado ainda mais. Por esta altura esperava acontecimentos mais intensos, mais perigosos, mais profundidade na exploração dos personagens, mas como este é o primeiro livro da autora penso que a premissa é promissora. Venham os próximos, cá estarei para lê-los.

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Opinião: Sob o Céu que Não Existe/Under the Never Sky de Veronica Rossi https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-sob-o-ceu-que-nao-existeunder.html https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-sob-o-ceu-que-nao-existeunder.html#respond Tue, 10 Dec 2013 11:47:00 +0000

Sob o Céu que Não Existe

Veronica Rossi

Editora: Grupo Planeta

Sinopse: O mundo mantinha-os separados, mas o destino reuniu-os. Aria viveu toda a vida no Casulo protegido de Reverie. Este era o seu mundo e nunca pensou sobre o que estaria para lá das fronteiras.

Mas, quando a mãe desaparece, Aria vê-se confrontada a sair para o exterior para a procurar, e a sobrevivência no deserto o tempo suficiente para a encontrar parece impossível.

Então Aria encontra um estranho chamado Perry. Ele também está à procura de alguém. Mas é um Externo, um Selvagem, contudo é a única pessoa capaz de a manter viva na travessia do deserto.

E se conseguirem sobreviver serão a esperança um do outro para encontrar respostas às perguntas que vão surgindo à medida que se vão conhecendo.

Opinião: Este foi mais um livro que li na sua versão original e como tal estão representadas as duas capas. Under the Never Sky é uma distopia centrada numa comunidade dividida entre pessoas que vivem através de saltos em mundos virtuais e outras que vivem na verdadeira realidade, mais conhecida como “Death Shop” (Loja da Morte). Em comum têm o temor pela atmosfera mortífera Aether que ameaça ruir tudo à sua passagem. Uma leitura que começou algo lenta, mas que despertou a curiosidade suficiente para me entusiasmar com a ela.

O início, algo confuso, transporta-nos para a visão de Aria, cujas notícias da mãe deixou de ter e que decide, através dos seus próprios meios, descobrir o que se passa para não conseguir ligação com o local onde esta se encontra. Só que nem tudo corre bem e quando ela testemunha o que não era suposto, é transportada e abandonada para o Exterior, à mercê da Aether. 

A exposição de pessoas habituadas a estarem protegidas nos seus Casulos à atmosfera real tem sempre consequências danosas, mas há medida que o tempo passa e Aria vai sobrevivendo e até sentido-se melhor, descobre que existe muito sobre ela que desconhece. É na companhia inicialmente silenciosa e sombria de Perry que ela inicia a caminhada rumo à descoberta da verdade sobre quem é e do que se passa em Reverie. Perry é um Outsider que luta pela sobrevivência do seu povo e pelo bem estar do sobrinho. Quando o seu destino se cruza com o de Aria, as consequências tornam-se imprevisíveis, mas necessárias.

Demorei um pouco a habituar-me ao tipo de escrita da autora, não sei se foi por não estar habituada a ler em inglês, mas por vezes achei a narrativa algo desconexa e omissa. Ainda assim, com o continuar da história e o envolvimento com os personagens, acabei por sentir aquela ansiedade miudinha de saber como é que a história iria terminar. Tem personagens interessantes e cenários que espero virem a ser mais explorados nas próximas obras. Em termos de ficção científica achei pobrezinho. O conceito dos dons através dos sentidos estão engraçados, mas todo o foco na suposta investigação da mãe de Aria está pobre e o fim não prevê qualquer desenvolvimento nesse aspecto.

No fim fiquei com a sensação que é um livro com grande potencial, mas que soube a pouco e que poderia ser bastante mais trabalhado e melhorado. Vou ficar à espera do segundo volume com algum entusiasmo e na expectativa de perceber melhor a interação e o papel da Aether em algumas personagens, bem como o destino dos nossos protagonistas.

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Opinião: Quando o Cuco Chama de Robert Galbraith (J. K. Rowling) https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-quando-o-cuco-chama-de-robert.html https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-quando-o-cuco-chama-de-robert.html#respond Wed, 04 Dec 2013 14:37:00 +0000

Quando o Cuco Chama

Robert Galbraith (J.K. Rowling)

Editora: Editorial Presença

Sinopse: Quando uma jovem modelo, cheia de problemas na sua vida pessoal, cai de uma varanda coberta de neve em Mayfair, presume-se que tenha cometido suicídio. No entanto, o seu irmão tem dúvidas quanto a este trágico desfecho, e contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike para investigar o caso.

Strike é um veterano de guerra – com sequelas físicas e psicológicas – e a sua vida está num caos. Este caso serve-lhe de tábua de salvação financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrio tudo se torna – e mais se aproxima de um perigo terrível…

Um policial envolvente e elegante, mergulhado na atmosfera de Londres – que nos leva desde as ruas privilegiadas de Mayfair até aos bares clandestinos do East End, e daí para a agitação do Soho – Quando o Cuco Chama é um livro notável. Apresentando ao público o detetive Cormoran Strike, este é o aclamado primeiro romance policial de J.K. Rowling, escrito sob o pseudónimo Robert Galbraith.

Opinião: Quando se descobriu que J. K. Rowling, tão famosa pela série Harry Potter, se tinha “escondido” atrás de um pseudónimo para lançar um policial, os leitores ficaram, na sua maioria, super curiosos e entusiasmados. Lembro-me da euforia e da ansiedade enquanto se esperava que o livro fosse traduzido. A Editorial Presença fez mesmo um álbum no facebook onde mostrava o processo da produção do livro. Penso que todos são da opinião que muitas vezes uma obra não é apenas o que tem escrito, mas também toda a envolvência em que está inserida. Dito isto, confesso que não fugi à regra e mal tive oportunidade iniciei a leitura de Quando o Cuco Chama.

Foi uma agradável surpresa iniciar esta viagem pelas ruas misteriosas de Londres em busca de um possível assassino. Cormoran Strike, o nosso detective, está uma personagem extremamente bem construída e caracterizada. Desde as primeiras páginas ficamos não só curiosos sobre a trama principal em si, mas também sobre a sua história pessoal. É fácil compadecermo-nos pela sua condição mais debilitada e a empatia é automática. Robin, a sua inesperada companheira na descoberta do crime, acabou por não ter um papel tão preponderante como ao início achei que ia ter, mas pareceu-me que deixou algumas premissas em aberto para os próximos volumes, tendo sido fundamental para manter o interesse na leitura.

Em termos de acção, não é uma obra de um ritmo frenético, violento em que suspendemos a respiração a cada virar de página, mas antes uma caminhada num labirinto enigmático em que colhemos pistas aqui e ali, em que colocamos em causa tudo e mais alguma coisa e que nos faz reflectir sobre várias motivações humanas para se cometerem determinadas decisões e actos. Temas tão actuais como a ligação entre os extremos de riqueza e pobreza com as drogas, o mundo complicado da moda e da popularidade e ainda as relações por interesse, estão muito bem explorados. É incrível como fica realmente difícil saber em quem confiar, com quem falar, podendo levar ao desespero.

A versatilidade na escrita da autora é assaz evidente. Com Quando o Cuco Chama, J. K. Rowling provou não ser apenas uma escritora de feiticeiros e mundos mágicos, mas também uma promissora escritora no que toca ao policial britânico. Não sendo um livro de fazer ferver o sangue, faz fervilhar a mente e deixa a sua semente de curiosidade para a leitura do próximo livro. Cá ficarei à espera da próxima aventura de Strike & Robin.

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Opinião: A Última Viagem de Laurent Gaudé https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-ultima-viagem-de-laurent-gaude.html https://branmorrighan.com/2013/12/opiniao-ultima-viagem-de-laurent-gaude.html#respond Wed, 04 Dec 2013 11:45:00 +0000

A última viagem

Laurent Gaudé

Editora: Sextante Editora

Sinopse: Durante um festim na Babilónia, por entre risos e música, Alexandre, o Grande, cai subitamente por terra, febril. Os seus generais cercam-no, receiam o fim mas preparam já a sucessão, disputando a sua herança e o privilégio de dispor dos seus restos mortais. Um estranho mensageiro parte dos confins da Índia rumo a Babilónia. E, num templo longínquo, uma mulher jovem de sangue real é de novo chamada para junto do homem que derrotou o seu pai. O dever e a ambição, o amor e a fidelidade, o luto e a errância conduzem as personagens à embriaguez de uma última cavalgada. Numa escrita de fôlego épico, A última viagem segue o cortejo fúnebre do grande imperador, libertando-o da História e abrindo-lhe a infinitude da lenda.

Opinião: A História do mundo está recheada de grandes personagens, de pessoas que marcaram os milénios de forma indelével. Alexandre, o Grande, foi um deles. Este macedónio, que foi dono de um vasto império, era, e é, conhecido pela sua imponência, por nunca ter perdido uma única batalha na conquista dos seus territórios e por ter sido um lutador pela justiça, entre outros. No entanto, também era conhecido, no reverso da medalha, por ser alguém altamente instável e de uma sede de sangue difícil de saciar.

Em A Última Viagem temos uma visão dos últimos dias de Alexandre, em que a loucura e a doença tomam posse dele descontroladamente, e da epopeia para a libertação do seu espírito enquanto os seus guerreiros lutam pelo império que ele deixou sem sucessor. 

Gostei da estrutura da narrativa, alternando constantemente entre as visões das pessoas que estão mais intimamente ligadas a Alexandre, que vão ao seu encontro, ou de livre vontade ou porque assim foi imposto, com um único objectivo: libertá-lo das amarras da História, eternizando-o. A escrita é intimista, captura a atenção do leitor e transporta-nos para os vários cenários testemunhados por quem os narra.

É uma história de amor, crueldade, libertação, uma história de luta em tempos de instabilidade e de perda de um dos maiores líderes que a humanidade já teve. O perigo das ligações, dos possíveis sucessores. A luta de uma mãe que tem de escolher abdicar desse título para salvar o filho das carnificina pela sucessão a Alexandre. A comunhão dos espíritos para que o seu líder finalmente descanse em paz.

Foi uma leitura de bastantes emoções, apertos no estômago, sensações literais de opressão e desespero. Ao mesmo tempo conseguiu ser uma leitura carregada de beleza e significado. Gostei muito da escrita de Laurent Gaudé e penso que está aqui um bom retrato do que significa Alexandre para a Macedónia.

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Opinião: Crime de Luxo de Ngaio Marsh https://branmorrighan.com/2013/11/opiniao-crime-de-luxo-de-ngaio-marsh.html https://branmorrighan.com/2013/11/opiniao-crime-de-luxo-de-ngaio-marsh.html#respond Thu, 21 Nov 2013 14:03:00 +0000

Crime de Luxo

Crime à Hora do Chá – Volume 3

de Ngaio Marsh

Editora: ASA

Sinopse: As jovens debutantes suspiram, ansiosas. As mães casamenteiras planeiam minuciosamente cada lanche, baile e jantar. Em Londres, uma nova temporada está prestes a começar.

Mas por detrás de tão enérgica atividade, a alta sociedade está a ser vítima de um crime tão abjeto quanto silencioso. Alguém está a chantagear as mais notáveis famílias da cidade… e essa pessoa também planeia cuidadosamente todos os seus passos.

O inspetor-chefe Roderick Alleyn, ele próprio um aristocrata, move-se suficientemente bem naquele meio para perceber que algo de estranho se passa. Encontrou, até, o aliado perfeito. O seu amigo Lorde Robert Gospell aceitou misturar prazer e dever num dos bailes mais aguardados do ano.

E para mal dos seus pecados, o bom lorde descobriu o culpado…

Opinião: Desde que a ASA lançou a colecção Crime à Hora do Chá que fiquei imediatamente interessada, e o que é certo é que gostei tanto do primeiro volume que a espera pelos seguintes tem sido algo ansiosa. Crime de Luxo é já o terceiro lançado este ano e mais uma vez reforçou o porquê de eu gostar tanto destes policiais. Para além de estarem numa edição diferente, sempre acompanhados de um pacote de chá Lipton, abri-los e folheá-los é como entrar numa viagem para uma Inglaterra por vezes esquecida, com uma aristocracia rica em histórias, intrigas e mistérios.

Nesta obra, Ngaio Marsh apresenta-nos um enredo típico da sociedade londrina e das suas temporadas de apresentação de jovens debutantes. Só que ao invés desta temporada ter apenas o nervosismo habitual associado a quem produz os bailes, tem também uma intrincada rede de segredos, chantagens e perigos iminentes. Para resolver o grande mistério da chantagem às senhoras notáveis da cidade, o inspector-chefe Roderick alia-se um grande amigo, Lorde Robert Gospell, mais ternamente chamado Bunchy. Porém, esta associação acaba por ser fatal e um novo crime ainda mais hediondo fica agora por ser resolvido.

Adorei as personagens, todas elas bem caracterizadas, bem diferentes umas das outras e sempre projectando os vários estereótipos típicos daqueles meios. A trama vai evoluindo num frémito crescente e as teias vão sendo montadas na mente do leitor, tentando prever quem é que será o autor de crime tão inesperado. O inspector-chefe Roderick é um personagem que cativa muito facilmente, o seu colega Fox é sempre pertinente e tornaram-se os meus grandes companheiros desta leitura.

Algo que acabou por levantar algumas questões ao longo da leitura e de que só me apercebi depois de achar alguns factos mais estranhos, foi a constatação de que este não era o primeiro volume da série policial da autora, mas sim o sétimo. Isso justifica muitas atitudes, os porquês não revelados da vida amorosa do protagonista e até mesmo da dinâmica da dupla investigadora. Ainda assim a leitura foi muito agradável e só posso esperar que a editora venha também a publicar os restantes livros da escritora.

A escrita de Ngaio Marsh é tão própria do seu tempo como era previsível que fosse. Algo pomposa, completamente no bom sentido, em que se nota a sua paixão por relíquias antigas e pintura. Crime à Hora do Chá é sem dúvida uma colecção que recomendo sem reservas e que espero que me venha a proporcionar muitas mais boas leituras no futuro. Gostei imenso.

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