Leituras RS – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Wed, 23 Dec 2020 21:11:08 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Leituras RS – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Opinião: “O Desertor” de Daniel Silva https://branmorrighan.com/2010/11/opiniao-o-desertor-de-daniel-silva.html https://branmorrighan.com/2010/11/opiniao-o-desertor-de-daniel-silva.html#comments Sun, 28 Nov 2010 14:57:00 +0000

O Desertor

Daniel Silva

Editora: Bertrand

Nº de Páginas: 448

Sinopse: Seis meses após o dramático final de “Regras de Moscovo”, Gabriel Allon regressa à lua-de-mel com Chiara e ao restauro de uma peça setecentista do Vaticano. Mas a sua paz é efémera. De Londres chega a notícia de que Grigori Bulganov, espião e desertor russo que lhe salvou a vida em Moscovo, desapareceu sem deixar rasto. Nos dias que se seguem, Gabriel e a sua equipa travarão um duelo mortal com Ivan Kharkov, um dos homens mais perigosos do mundo. Confrontado com a possibilidade de perder a coisa mais importante da sua vida, Gabriel será posto à prova de maneiras inconcebíveis até então. E nunca mais será o mesmo. Com um enredo surpreendente e um conjunto de personagens inesquecíveis, este é o “thriller” mais explosivo do ano e o melhor livro de Daniel Silva até à data.

Opinião: Daniel Silva tem uma escrita simples e directa, com poucos floreados. O foco está na acção, a descrição fica relegada para segundo plano e o onanismo literário é praticamente inexistente. Os seus livros caracterizam-se por inúmeras deslocações entre vários países e decorrem num período de tempo pouco pronunciado e a um ritmo bastante elevado, como qualquer thriller que se preze, lembrando a série televisiva 24.

Partindo do final de “As Regras de Moscovo”, é feita uma pequena contextualização para compreendermos quem são os personagens do conflito.

Desta vez, a “guerra” é com os russos. Grigori Bulganov, o desertor, Ivan Kharkhov, o mau da fita. Ambos ex-KGB, um foragido com muita lábia, outro um estalinista fanático traficante de armas (entre outras actividades) multi-milionário com… Muitos segredos.

Gabriel Allon entra em acção quando o amigo Grigori (que o salvou no livro anterior) desaparece em Londres a caminho de uma partida de xadrez: a partir daí, envolve-se num empreendimento a nível mundial, num esforço para o encontrar e aos seus raptores. Contudo, ao mesmo tempo que a busca avança, sucede um evento imprevisto que apressa e alarga ainda mais a busca, prometendo agarrar os leitores até ao final.

Se a escrita é fluida, a acção sempre intensa e o clímax espectacular, a verdade é que a história segue uma linha emocional previsível, tipicamente hollywoodesca, à imagem das obras anteriores.(7.5/10 por RS)

]]>
https://branmorrighan.com/2010/11/opiniao-o-desertor-de-daniel-silva.html/feed 1
Opinião: “As Regras de Moscovo” de Daniel Silva https://branmorrighan.com/2010/11/opiniao-as-regras-de-moscovo-de-daniel.html https://branmorrighan.com/2010/11/opiniao-as-regras-de-moscovo-de-daniel.html#comments Wed, 24 Nov 2010 13:22:00 +0000

As Regras de Mocovo

Daniel Silva

Editora: Bertrand

Nº de Páginas:

Sinopse: A morte de um jornalista leva Allon à Rússia, onde descobre que, em termos das artes do ofício da espionagem, até mesmo ele tem alguma coisa a aprender. Agora, está a jogar segundo as regras de Moscovo. E na cidade existe uma nova geração de estalinistas que conspiram para reivindicar um império perdido e desafiar o domínio global de um velho inimigo: os Estados Unidos da América. Um desses homens é Ivan Kharkov, um antigo coronel do KGB que construiu um império de investimento global sobre os escombros da União Soviética. No entanto, escondido no interior desse império, está um negócio lucrativo e mortífero. Kharkov é um negociante de armas – e está prestes a entregar as armas mais sofisticadas da Rússia à al-Qaeda. A não ser que Allon consiga descobrir a hora e o local da entrega, o mundo irá assistir aos ataques terroristas mais mortais desde o 09 de Setembro – e o tempo está a passar muito depressa. Cheio de prosa rica e de reviravoltas na trama de cortar a respiração, o livro As Regras de Moscovo é simultaneamente um entretenimento superior, uma cáustica história exemplar sobre as novas ameaças que estão a aparecer no Leste – e o melhor romance de Silva até ao momento.

Opinião: Daniel Silva traz-nos mais um thriller na linha dos anteriores: espionagem, crime, e acção frenética, com Gabriel Allon como personagem principal.

Desta vez, e para não ser apenas “mais um”, o confronto é estabelecido com os russos, mais precisamente com Ivan Kharkov, um ex-agente do KGB que enriqueceu com o tráfico de armas (entre outros negócios, uns mais ilícitos que outros).

Numa prosa directa e com refinada ironia à mistura, sem nunca descurar o desenvolvimento emocional de cada personagem (há a salientar, claro, a relação entre Uzi, Gabriel e Shamron e ainda o paradoxo vivido por Elena), Daniel Silva põe-nos nas mãos uma trama que começa com o assassinato de um jornalista russo em Itália, quando se preparava para divulgar um segredo que outros já tinham morrido a tentar partilhar.

A partir daí, o nosso protagonista embarca numa viagem a um ritmo alucinante, que o leva a descobrir (e deslindar, como não podia deixar de ser) uma conspiração com vista à venda de armas à al-Qaeda por parte de Kharkhov. Contudo, esta é uma aventura em que não pode embarcar sozinho e, como tal, juntam-se aos serviços secretos israelitas a CIA e o MI5, adicionando ainda mais emoção à narrativa.

Entre espancamentos, operações de vigilância que correm mal, restauração de obras de arte, resgates, negociações políticas, descrições do estado social e político da Rússia e as histórias e traumas pessoais das personagens, este é um romance que se lê em pouco tempo, não por ser curto, não por ser escasso em conteúdo, sim porque nos arrebata o fôlego. 7/10 RS

]]>
https://branmorrighan.com/2010/11/opiniao-as-regras-de-moscovo-de-daniel.html/feed 1
Opinião: “O Evangelho do Enforcado” de David Soares https://branmorrighan.com/2010/10/opiniao-o-evangelho-do-enforcado-de.html https://branmorrighan.com/2010/10/opiniao-o-evangelho-do-enforcado-de.html#comments Tue, 05 Oct 2010 12:11:00 +0000

O Evangelho do Enforcado

David Soares

Editora: Saída de Emergência

Nº de Páginas:368

Sinopse: Nuno Gonçalves, nascido com um dom quase sobrenatural para a pintura, desvia-se dos ensinamentos do mestre flamengo Jan Van Eyck quando perigosas obsessões tomam conta de si. Ao mesmo tempo, na sequência de uma cruzada falhada contra a cidade de Tânger, o Infante D. Henrique deixa para trás o seu irmão D. Fernando, um acto polémico que dividirá a nobreza e inspirará o regente D. Pedro a conceber uma obra única. E que melhor artista para a pintar que Nuno Gonçalves, estrela emergente no círculo artístico da corte? Mas o pintor louco tem outras intenções, e o quadro que sairá das suas mãos manchadas de sangue irá mudar o futuro de Portugal. Entretecendo História e fantasia, O Evangelho do Enforcado é um romance fantástico sobre a mais enigmática obra de arte portuguesa: os Painéis de São Vicente. É, também, um retrato pungente da cobiça pelo poder e da vida em Lisboa no final da Idade Média. Pleno de descrições vívidas como pinturas, torna-se numa viagem poderosa ao luminoso mundo da arte e aos tenebrosos abismos da alienação, servida por uma riquíssima galeria de personagens.

Opinião: David Soares sabe sobre o que escrever, que momentos abordar, sabe criar história, imaginar personagens e acima de tudo fortalecê-las e fazer-nos acreditar nelas, apoiando-se na sua pesquisa.

Seguindo praticamente a mesma estrutura de Conspiração dos Antepassados (com divisão temporal e também espacial), é-nos apresentado um romance que narra a história de um consistentemente macabro Nuno Gonçalves, que se torna um enorme pintor e também um assassino, fruto da partilha involuntária do seu ser com o Geronte, uma criatura com poderes sobrenaturais em avançado estado de decomposição, que só presta contas aos Decanos, seres ainda mais poderosos. Não fosse isto suficientemente fascinante, é introduzida ainda a parte necessária e suficiente da Ínclita Geração.

Nuno cresce com a crença de que está destinado a grandes feitos. Com a morte da mãe muda-se com o pai para Lisboa, onde descobre, enfim, como se tornar pintor e explorar o seu potencial (ou pelo menos o do seu lado humano). Estuda e melhora até se tornar no pintor da cidade, momento em que lhe são encomendados pelo regente D. Pedro uns certos painéis… Contudo, os nobres não apreciam o resultado final: D. Pedro cai em desgraça e Nuno é preso, sendo libertado 5 anos mais tarde (por ocasião da morte de D. Pedro) e promovido a pintor régio de D. Afonso V.

Teoricamente poderíamos pensar que é mais complicado a David Soares criar estas personagens, visto que o seu legado físico é mais curto (por comparação com a obra de Pessoa e Crowley, por exemplo), no entanto isso também lhe dá maior liberdade e, na minha opinião, permitiu-lhe criar personagens mais sólidas e inteligíveis, sobressaindo Henrique e Nuno, pelo seu carácter marginal.

No geral é um excelente livro (que podia ter tido um trabalho de revisão mais apurado, para eliminar os residuais, mas embaraçosos, erros que apresenta, p.e., poder =/= puder), com várias histórias laterais e curiosidades engraçadas, bem escrito e com vocabulário diversificado, que acaba apenas por pecar pela não existência de um clímax pronunciado: mais uma vez, a leitura é intensa, mas a acção torna-se demasiado constante (com alguns picos ao longo do texto, é certo). (Classificação – 8.5/10 por RS)

]]>
https://branmorrighan.com/2010/10/opiniao-o-evangelho-do-enforcado-de.html/feed 5
Opinião: “A Conspiração dos Antepassados” de David Soares https://branmorrighan.com/2010/09/opiniao-conspiracao-dos-antepassados-de.html https://branmorrighan.com/2010/09/opiniao-conspiracao-dos-antepassados-de.html#comments Sun, 05 Sep 2010 00:27:00 +0000

A Conspiração dos Antepassados

David Soares

Editora: Saída de Emergência

Nº de Páginas: 400

Sinopse: Na tradição dos melhores thrillers, David Soares convida-nos a espreitar debaixo do véu e a vislumbrar a mais assustadora conspiração da História: um livro assinado por Francisco d’Ollanda, o maior artista português do Renascimento, é cobiçado por uma seita disposta a tudo para o obter. Que terrível segredo terá nas suas páginas para justificar tanto sangue?

Fernando Pessoa, o ilustre poeta português, é convidado por Aleister Crowley, o mágico inglês, a entrar numa aventura cheia de mistério, acção e suspense para descobrir esse segredo que, afinal, talvez tenha a ver com D. Sebastião, e a verdadeira razão porque os portugueses foram derrotados em Alcácer-Quibir.

Do exotismo da Tunísia às ruelas húmidas de Londres, das mandíbulas da Boca do Inferno ao coração da Quinta da Regaleira, A Conspiração dos Antepassados é uma viagem inesquecível. Misturando verdade, lenda e magia, David Soares apresenta-nos algo nunca visto na literatura portuguesa: um romance cuja meticulosa pesquisa vai agradar aos estudiosos de Fernando Pessoa, e cuja energia e emoção vai encantar os fãs de uma grande aventura.

Opinião: David Soares traz-nos neste romance uma perspectiva fundamentada por um estóico trabalho de investigação, ainda que com um toque subjectivo e pessoal, sobre a vida de duas personalidades e personagens que marcaram o século vinte: Fernando Pessoa e Aleister Crowley (diz-se cráuli!), fabricando no caldeirão da palavra um livro que se sabe envolver e desenvolver e que nos sabe entreter, pelo seu ritmo, pelos pormenores deliciosos e pela qualidade da escrita e da narrativa, na qual são misturados elementos mágicos, mitologia de vária índole (sempre com o Quinto-Império como ponto comum), lenda e factos históricos.

Deixando de parte o Prólogo, que dá o mote para o desenvolvimento e que só é compreendido numa fase avançada, nos dois primeiros capítulos o autor caracteriza primeiro Pessoa e depois Crowley, respectivamente. Entre fetiches macabros, onanismo, traumas maternais, rituais mágicos bastante anais, coprofagia e abusos físicos e psicológicos, somos levados numa viagem sensorial bastante intensa. Com uma escrita rica, diversificada e bastante descritiva (crua e sem eufemismos), são-nos mostradas as motivações e o íntimo de cada protagonista.

A partir do terceiro capítulo o livro embala definitivamente, ganhando um novo andamento com o encontro entre Pessoa e Crowley e o desenvolvimento da trama, que se baseia em interesses comuns entre os dois protagonistas e que tem a sua génese num… Horóscopo. 

A narrativa é bastante fluida, o conteúdo histórico é relevante e interessante (e aplicado em doses q.b.) e, no geral, o livro tem um ritmo bom, embora por vezes demasiado constante, que, no entanto, é compensado pelos vários one liners geniais, de um humor negro subtil e inteligente.

No geral, uma boa mensagem, da qual podemos desconfiar um pouco ao início, mas que nos compensa (e muito) com o virar de cada página. 8.5/10 (RS)

]]>
https://branmorrighan.com/2010/09/opiniao-conspiracao-dos-antepassados-de.html/feed 1