Luís Costa – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:48:08 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Luís Costa – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Crónica Hélder Oliveira] Sim, Fui Professor do Luís (Nice Weather For Ducks) https://branmorrighan.com/2017/07/cronica-helder-oliveira-sim-fui.html https://branmorrighan.com/2017/07/cronica-helder-oliveira-sim-fui.html#respond Thu, 27 Jul 2017 11:06:00 +0000

Sim, fui professor do Luís.

Quando terminei um meu curso superior, comecei a minha atividade profissional como professor da área tecnológica de informática, num colégio a norte do concelho de Leiria. No primeiro ano, uma das minhas turmas, na área tecnológica de informática, tinha apenas cinco alunos. Um dos alunos chamou-me a atenção desde o início. Não porque ficasse na fila da frente, não porque fosse participativo ou porque demonstrasse mesmo alguma evidência de que estivesse interessado na matéria. Com uma enorme cabeleira “à Beatle”, ficava mesmo na última fila, caladinho do início ao fim da aula e com um olhar mais adormecido do que acordado.

No primeiro momento de avaliação fiquei preocupado, pois não haviam evidências de que aquele miúdo fosse fazer alguma coisa de jeito… Mais ainda, foi o primeiro a entregar, o que aumentou ainda mais a suspeita que aquela “alma” estaria entregue ao insucesso. Pois, mas o “Simpson” (assim era apelidado pelos colegas) teve a melhor nota nesse teste!

Então percebi que o Luís tinha uma inteligência e uma capacidade de absorção de conhecimento extraordinários! Os níveis de preguiça e vontade de fazer alguma coisa é que eram igualmente elevados! Ali estava… como vários outros: sem grande preocupação pelo futuro, mas porque alguém lhe dizia que era importante tirar o 12.º ano e, se possível, terminar um curso superior.

Apenas uns meses mais tarde descobri o que realmente “trazia o Luís à terra” quando pedi que desenvolvessem um pequeno website: o Luís resolveu fazer uma página sobre guitarras. Não que o Html, CSS’s ou Javascript lhe desinteressasse totalmente, mas a maior motivação estava nas tarefas relativas à seleção de conteúdos para construir a melhor galeria de guitarras. Fiquei curioso. A minha relação com a música obrigou-me a saber mais e a perceber de onde vinha todo aquele entusiasmo que lhe desconhecia até então.

Uma das guitarras da galeria era igual à do irmão, dizia-me o Luís orgulhoso e interessado em mostrar que aquele era o seu mundo. Esse irmão era o Nuno, já artisticamente conhecido por Nuno Rancho, e que, na altura, tocava nos Kyoto. Confesso que, nesse momento, não dei grande importância, pensando que se tratasse de mais uma daquelas bandas de miúdos que, num dos intervalos da escola, aprendiam uns acordes e, no intervalo seguinte, “bora lá fazer uma banda”. Obviamente que estava completamente enganado e constatei isso numa das festas da escola, quando alguém resolveu por a tocar uma das músicas do álbum “Question Mark”, acabadinho de sair. Até aqui, nunca tinha ouvido tocar ou cantar nenhum dos Jerónimos, mas lembro-me de ter perguntado várias vezes ao Luís: “Isto é mesmo o teu irmão?”. Era realmente espantoso e invulgar o que tinha acabado de ouvir…

Era apenas o inicio da descoberta dos irmãos Jerónimo. Mais tarde, já no tempo dos Team Maria (que ainda eram Timaria), conheci o Gil e o Nuno. Convidei-os para tocar comigo numa festa de Natal e eles aceitaram. Pouco depois o Nuno convidou-me para tocar nos Texas Killer Bee Queen e gravar umas pistas para um tema que andava a produzir “à distância” com um “tipo de Lisboa” (Luís Costa). Tratava-se do tema “Around Eight” dos The V-Men. Era o meu regresso à atividade musical. Em pouco mais de três anos, esta aventura trouxe-me o prazer de partilhar ensaios, palcos, festas, sessões de gravação e (muitas) amizades com estes talentosos “miúdos da Bajouca”. E, no meio disto tudo, quando outros se juntavam, havia sempre aquela pergunta: “Sabias que o Hélder foi professor do Luís?”. Pois, foi ele o ponto de partida de tudo isto. A aventura não durou tanto tempo como desejaria, mas o suficiente para dizer que valeu a pena ser professor do Luís.

Hélder Oliveira

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[8 Anos Blog BranMorrighan] O Luís Costa e o seu tão especial Gente Com Música Dentro https://branmorrighan.com/2016/12/8-anos-blog-branmorrighan-o-luis-costa.html https://branmorrighan.com/2016/12/8-anos-blog-branmorrighan-o-luis-costa.html#respond Mon, 19 Dec 2016 12:38:00 +0000

O Luís! Das pessoas mais humildes, mais simples e mais talentosas que eu conheço. O primeiro contacto foi via You can’t win, Charlie Brown, mas cedo descobri o seu trabalho a solo e também aí fiquei completamente fã. A última surpresa, e que bela surpresa, foi o seu Gente Com Música Dentro, o seu tumblr onde partilha a sua paixão pela fotografia e na qual não é menos dotado do que no seu talento musical. E existe esta particularidade em relação às suas fotografias que eu acho muito curiosa: nota-se um carinho enorme por aquilo que está a fotografar. Os momentos que escolhe registar, parecem falar connosco, contando-nos uma história que é só dele, mas que de alguma maneira salta para nós. Dá para perceber que são momentos especiais, diferentes, houve algo que ele procurou ali ou que lhe disse alguma coisa. Essa energia tão única, juntando às palavras que muitas vezes deixa sobre quem fotografa, faz do Gente Com Música Dentro um dos sítios mais especiais e queridos da web. É pessoal sim, mas não é a história do mundo feita também de momentos individuais que se tornam colectivos? Grande beijinho, Luís, e já sabes que te vou chatear para sempre com Aquele assunto! Eheheh 🙂 

Apercebi-me ao escrever este texto que o Bran Morrighan começou praticamente ao mesmo tempo que os You can’t win Charlie Brown, apenas com alguns meses de diferença. Olhando para trás, é giro ver como 2 projectos nascidos da carolice dos seus autores acabaram por crescer de uma forma bastante inesperada e ganharam uma dimensão que nenhum de nós poderia imaginar.

Talvez por conhecer bem as dificuldades de levar para a frente projectos destes enquanto se tenta conciliar mil e uma actividades diferentes, ganhei uma admiração enorme pela Sofia e pela sua energia e entusiasmo inesgotáveis. A paixão que ela tem por aquilo que faz é óbvia na forma como escreve, só assim se entende como uma pessoa sozinha conseguiu construir uma referência incontornável da blogosfera.

Por isso, quando ela me convidou para fazer uma pequena participação na celebração dos 8 anos do blog, nem hesitei – é claro que depois falhei o prazo inicial que ela me deu, mas toda a gente sabe que a intenção e a acção nem sempre andam ao mesmo ritmo! 😉

Um dos projectos em que a Sofia me tem apoiado incondicionalmente tem sido a fotografia, que apesar de ser uma paixão antiga só recentemente é que comecei a levar um pouco mais a sério. Felizmente é um hobby que se conjuga facilmente com a música: nos últimos 2 anos a máquina fotográfica tem-me acompanhado sempre nos You can’t win Charlie Brown e acabei por acumular umas boas centenas de fotos da banda, da perspectiva de um agente infiltrado.

Para este desafio da Sofia, escolhi algumas fotos que resumem este ano incrível que tivemos, mais focadas no “behind the scenes” porque sempre achei esse lado mais interessante do que as tradicionais fotos de concerto ou de sessões fotográficas planeadas.

Gravações Marrow – HAUS, Abril 2016

Festival Fica na Cidade – Funchal, Junho 2016

Festival Indie Music Fest – Baltar/Paredes, Setembro 2016

Gravação videoclipe Pro Procrastinator – Estúdio 15A (Pataca Discos), Setembro 2016

Gravação do programa “No Ar” para a RTP/Antena 3 – Setembro 2016

Concerto Casa das Artes de Famalicão – Outubro 2016

Cineteatro António Lamoso – Sta. Maria da Feira, Novembro 2016

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[Diário de Bordo] O projecto mais do que especial Gente Com Música Dentro https://branmorrighan.com/2016/03/diario-de-bordo-o-projecto-mais-do-que.html https://branmorrighan.com/2016/03/diario-de-bordo-o-projecto-mais-do-que.html#respond Thu, 31 Mar 2016 16:01:00 +0000 http://gentecommusicadentro.tumblr.com/

https://www.facebook.com/gentecommusicadentro/

Eu devia ter vergonha de só agora estar a divulgar este projecto. Fui adiando, adiando, mas não dá para adiar mais. Não quando o privilégio que sinto ao estar nele é tão grande. Gente Com Música Dentro é um projecto do Luís Costa, já aqui apresentado no blogue como guitarrista dos You Can’t Win, Charlie Brown, ou baterista dos So.ma. Foi o primeiro protagonista da rubrica Playlist da Quinzena aqui no BranMorrighan e desde que conheço o seu trabalho, tanto em banda como em nome próprio, que o sigo atentamente. Claro que a isso seguiu-se conhecê-lo um pouco como pessoa e só ajudou a que a certeza que tenho que estamos perante uma pessoa extraordinária aumentasse. 

No seu manifesto ele diz: O plano é que este blog seja um repositório de retratos que vou tirando à socapa aos meus amigos com quem partilho a paixão pela música. Digo à socapa porque na verdade não sou grande fã de retratos planeados, acho sempre mais piada aos momentos e expressões espontâneas captadas quando a pessoa não está a posar para uma foto. O que não quer dizer que no futuro não venha a incluir alguns retratos mais tradicionais aqui, como qualquer work in progress é provável que vá evoluindo por outros caminhos, logo se vê.

Pois bem, aqui há umas semanas o Luís foi ver o concerto de apresentação dos Few Fingers, com primeira parte da Surma, à Casa Independente, noite essa organizada por mim. Eu bem o vi de máquina na mão, ele bem me avisou para eu ter cuidado, mas a verdade é que realmente não dei conta de ele ter capturado umas quantas fotos comigo nelas. Hoje, o último mês de Março de 2016, fica marcado pela publicação de algumas dessas fotos no seu blogue que só tem pessoas de um luxo imenso. Como já deixei o link geral no início do post, deixo-vos aqui o link directo para o post sobre mim: 

http://gentecommusicadentro.tumblr.com/post/142012742480/sofiateixeira

E a comoção vem também porque para além das fotos ele escreveu algumas palavras que me tocam no coração de forma muito especial. Quando ele me pediu uma música para ser banda sonora do post, eu tive que lhe responder na mesma moeda, com uma música dele, do seu trabalho a solo. E por muitas razões que vos possam passar pela cabeça, a verdadeira poderá estar longe da verdade. Escolhi a Wide, do seu Layered, porque foi uma música que me fez companhia num dos momentos mais difíceis da minha vida, a morte do meu melhor amigo há um ano atrás. Foi por essa altura que ganhei a mania das longas caminhadas e a playlist embora fosse variando, continha sempre alguma música do Luís. Porque o Luís é das pessoas com mais música dentro dele. Ando a tentar convencê-lo a voltar a dar concertos em nome próprio… Está difícil, mas eu não desisto facilmente! Eheheh 🙂 

E é isto. Obrigada, querido Luís, por tamanha demonstração de carinho. Bem sei que escolhes a dedo os teus convidados e sinto-me mesmo extremamente honrada. Tenho acompanhado cada um dos teus posts, desde o primeiro, e estar ao lado de gente que também me é tão querida é mesmo qualquer coisa. Espero que todos possam seguir o trabalho do Luís, que para além da música tem obviamente olho para a fotografia. Deixem o vosso like na página dele no facebook (está no início do post) ou sigam-no através do tumblr. Ele merece! Um grande, grande beijinho cheio de gratidão!

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[Playlist da Quinzena] 1 a 15 de Setembro de 2014 – As Escolhas de Luís Costa (YCWCB, So.ma) https://branmorrighan.com/2014/09/playlist-da-quinzena-1-15-de-setembro-4.html https://branmorrighan.com/2014/09/playlist-da-quinzena-1-15-de-setembro-4.html#respond Mon, 01 Sep 2014 00:00:00 +0000

1. Tune-Yards – “Bizness”: Os Tune-Yards foram uma descoberta recente por culpa da malta dos Charlie Brown. Adoro a voz desta senhora (apesar de inicialmente pensar que era um senhor…) e a forma como usa loops ao vivo, estou bastante curioso de os ver no Vodafone Mexefest em Novembro.

2. Akron/Family – “Way up”: Já sou fã dos Akron/Family há alguns anos mas inexplicavelmente passou-me completamente ao lado o facto de terem lançado um álbum novo o ano passado. O Tomás (dos YCWCB) é que me avisou desse facto há umas semanas atrás e foi como descobrir que te esqueceste de abrir uma prenda do natal passado!

3. Tame Impala – “Endors Toi”: O Lonerism foi o meu álbum preferido de 2012, e recentemente voltei a redescobri-lo por culpa do álbum ao vivo que lançaram este ano. Continua a ser um dos melhores álbuns para ouvir no carro de janelas abertas no verão, o início desta música deixa-me sempre em estado de euforia!

4. Bruno Pernadas – “Huzoor”: Este é sem duvida o meu álbum português preferido de 2014, mas ao mesmo tempo é daqueles que me faz sentir incrivelmente pequenino enquanto músico comparado com um talento deste tamanho. O Pernadas é um musico e compositor incrível… para mim a maior proeza deste álbum é a forma como consegue misturar elementos que individualmente poderiam soar datados e até mesmo “foleiros”, mas ele consegue fazê-lo de uma forma extremamente sofisticada que soa perfeitamente actual e impossível de catalogar. Para além disso, qualquer álbum contemporâneo que inclua um solo de vibrafone para mim já ganhou o céu.

5. Rodrigo Amarante – “Irene”: O Rodrigo Amarante também é outra descoberta recente e foi um daqueles casos de amor à primeira audição. É completamente a minha praia, como diz o outro, e qualquer uma das músicas de “Cavalo” podia estar nesta playlist porque é um álbum perfeito do início ao fim.

6. Los Hermanos – “O velho e o moço”: Esta vem no seguimento da anterior, porque já era fã do trabalho do Rodrigo muito antes de conhecer o seu trabalho a solo, e sempre considerei os Los Hermanos um pouco como os “beatles brasileiros”. Gosto particularmente do som das guitarras deles e apesar de provavelmente não se notar em YCWCB, acho que acabaram por influenciar um pouco o meu próprio som de guitarra nos meus trabalhos a solo.

7. Silence 4 – “Self-suficient”: no fim-de-semana passado estive a ver um documentário sobre o início dos Silence 4 e entrei automaticamente em modo nostálgico. Os Silence 4 acompanharam-me num período muito particular da minha vida (a passagem do final da adolescência para a vida adulta, com todas as tensões associadas a esse processo), mas como é normal nestes casos de sobre-exposição há uma tendência para nos esquecermos da qualidade da música no meio de todo o hype. Gostei do documentário porque me recordou que na base de todo aquele fenómeno mediático estavam 4 tipos simples, com grandes canções e os mesmos sonhos e desejos que todas as outras bandas de garagem. Foi por esse mesmo motivo que escolhi um tema da primeira demo deles, há sempre uma inocência nas primeiras gravações que é impossível de replicar mais tarde na carreira.

8 e 9. Marvin Gaye – “Ain’t no mountain high enough” e Jackson 5 – “I want you back”: as minhas duas últimas escolhas vêm directamente da excelente banda sonora do “Guardiões da Galáxia”, não consegui escolher só uma porque tem músicas boas demais! Sem entrar em grandes pormenores para não revelar spoilers, o personagem principal do filme anda sempre com uma mixtape de hits dos anos 60, 70 e 80… tipo a M80 mas em bom. Acabei por escolher 2 músicas da Motown porque têm uma vibe do caraças e é impossível não ficar bem-disposto ao som disto!J

Foto Vera Marmelo

O Luís Costa é membro dos You Can’t Win, Charlie Brown e dos So.ma (sendo guitarrista nos primeiros e baterista nos segundos) e podem saber mais sobre ele, o seu percurso, os seus gostos e as suas perspectivas, na entrevista que deu ao blogue em: http://www.branmorrighan.com/2014/08/entrevista-luis-costa-musico-portugues.html

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Entrevista a Luís Costa, Músico Português (You Can’t Win, Charlie Brown e So.ma) https://branmorrighan.com/2014/08/entrevista-luis-costa-musico-portugues.html https://branmorrighan.com/2014/08/entrevista-luis-costa-musico-portugues.html#respond Sun, 31 Aug 2014 13:15:00 +0000 Isto da internet pode ter muita coisa má, mas o que é certo é que se tornou num meio rápido de chegar às pessoas, de conhecer umas quantas novas e ainda de acompanhar os nossos artistas, escritores, etc., preferidos. Existe uma banda portuguesa da qual não me canso – os You Can’t Win, Charlie Brown – e foi através dela que conheci o Luís Costa, o seu guitarrista. Amizade virtual para cá, concertos para lá, acabei por criar uma empatia muito grande com ele, pois é um músico cuja postura admiro e respeito. Com a criação de uma nova rubrica aqui no blogue, que eu já queria há muito, as Playlist da Quinzena, achei que poucas/nenhumas pessoas seriam mais indicadas para a estrear. Nesse sentido, quis que ficassem a saber um pouco mais sobre ele, percebendo-se assim o porquê da minha escolha. 

Fotografia por Sofia Teixeira

Fala-nos
um pouco sobre ti e como te iniciaste no mundo da música:

Essa
pergunta dava pano para mangas mas vou tentar resumir ao essencial… comecei a
tocar relativamente tarde, só aos 17 anos é que tive a minha primeira viola,
muito por influência das minhas bandas preferidas da altura: Nirvana, Pearl
Jam, Guns N’Roses, etc. Tive aulas de guitarra e solfejo durante 4 ou 5 meses
logo no início, depois a partir daí fui-me desenvencilhando sozinho. Na altura
uns colegas da minha turma tinham começado uma banda há pouco tempo e comecei a
andar muito com eles, ao ponto de ganhar a alcunha de “o
electricista” por estar sempre a ajudar nos concertos. Eventualmente lá
ganhei coragem para formar a minha própria banda, e foi o início de um longo
percurso que ainda estou a palmilhar.


Hoje em
dia, as pessoas conhecem-te mais como o guitarrista de You Can’t Win, Charlie
Brown, mas também fazes parte de outro projecto – So.ma! Como é que foste parar
a ambos os projectos?

Bom, eu
comecei pela guitarra mas desde o início que sempre tive muito interesse na
bateria, aproveitava sempre as pausas nos ensaios para ir dar umas batucadas.
Antes dos YCWCB toquei muitos anos como baterista numa banda chamada Madcab,
que acabou por entrar em hiato por falta de disponibilidade dos seus membros.
No início dos Charlie Brown ainda toquei bateria nalgumas músicas, mas depois
entrou o Tomás e fiquei definitivamente confinado aos instrumentos de corda.

Basicamente
a saudade da bateria e do rock foi-se acumulando, e como mantive sempre
contacto com a malta dos Madcab, a determinada altura resolvemos marcar uns
ensaios só para o gozo. Apesar de os primeiros ensaios terem sido bastante
deprimentes (parecíamos uns velhos a tocar glórias do passado!), haviam algumas
ideias que tinham ficado penduradas com o final dos Madcab e que nos pareceu
que podiam resultar num contexto diferente. Decidimos então que era melhor começar
um projecto novo em vez de estarmos a ressuscitar a antiga banda, até porque o
tipo de som que tínhamos em mente era muito mais directo e agressivo, e foi
assim que nasceram os So.ma.


Em YCWCB
és guitarritsta, mas em So.ma és baterista. Tens preferência por algum destes
instrumentos? Como é que é o teu envolvimento, como músico, com cada um deles?

Tenho de
confessar que dá-me muito mais gozo tocar bateria do que guitarra… sempre
tive mais interesse pelo lado técnico da bateria, a guitarra para mim tem sido apenas
um meio para um fim (compôr). Mas cada instrumento tem o seu espaço, e cada um
se adequa melhor a determinados sentimentos que queres transmitir. A bateria é
claramente o ideal para expressar raiva e frustação, não há nada melhor para o
stress do que malhares sem dó nem piedade num objecto inanimado! Por outro
lado, na guitarra é mais fácil de transmitir melancolia, tristeza, alegria, etc.
Daí procurar sempre conciliar os 2 instrumentos, tanto quanto possível.


Fotografia por Vera Marmelo

De todos
os concertos com ambas as bandas, houve algum que te tenha marcado de alguma
maneira?

Vários, sim.
Dos YCWCB, acho que teria de escolher o concerto nas comemorações do 25 de
Abril deste ano. Não pelo concerto em si, mas porque foi um daqueles momentos
em que “caí na real” e me apercebi de facto da dimensão que a banda
ganhou. Tocámos lado a lado com algumas das minhas bandas portuguesas
preferidas de sempre (Linda Martini, Dead Combo, Norberto Lobo) para uma Praça
do Comércio completamente repleta de gente, foi o realizar de um daqueles
sonhos de adolescência que parecia tão plausível quanto ir à Lua.

Com os
So.ma, a melhor recordação é a do primeiro concerto, no Musicbox. Tocámos 4 ou
5 temas e duvido que tenha passado os 15 minutos de duração, mas tínhamos anos
de saudades de rock acumuladas! Foi uma descarga tão grande e tão intensa que
lembro-me perfeitamente de estar quase a vomitar na última música, depois do
concerto precisei de uma meia-hora para me recompor.



E agora
aquela pergunta complicada… Que músicos de referência tens? Tanto na bateria
como na guitarra? Existe algum projecto musical que tenha tido um impacto
diferente na tua vida?

Bom, é de
facto complicado porque tenho a certeza que todos os músicos e bandas que ouvi
até hoje me influenciaram de alguma maneira. Mas suponho que a banda que teve
uma influência mais directa no facto de querer tocar guitarra foram os Nirvana.
Naquela altura o Kurt Cobain era o meu ídolo, e lembro-me perfeitamente de ver
o videoclip do Lithium e pensar “Este gajo é o tipo mais cool do mundo,
também quero fazer isto!”… infelizmente ainda não tive oportunidade de
partir uma bateria ou guitarra, mas quando for rico é a primeira coisa que
farei! 😉

A nível de
bateria houve 2 músicos que me fizeram querer mudar de instrumento: o Dave
Grohl dos Nirvana e o Jimmy Chamberlin dos Smashing Pumpkins. O Jimmy ainda
assim acho que foi o que me influenciou mais, tem uma finesse incrível e
pormenores técnicos maravilhosos.


Fazer
música a tempo inteiro, é um sonho que ainda trazes contigo ou já aceitaste que
terás sempre de ter um emprego fixo constante, fora a música?

Não, esse é
um sonho que já deixei de ter há muito tempo. E não digo isto num sentido
negativo, de todo. Simplesmente consegui arranjar um bom equilíbrio entre a
minha vida profissional e a música, e isso dá-me uma estabilidade que é muito
importante nesta fase da vida. Para além disso o facto de não depender
financeiramente da música dá-me liberdade total para só fazer aquilo que gosto
e com que me identifico, sem ter de estar preocupado em fazer compromissos para
pagar as contas no final do mês.


Imagino
que o t
eu tempo seja sempre apertado, mas consegues ter outros hobbies? O que é
que adoras mesmo fazer que não dispensas nem por nada?

Infelizmente
não, entre o trabalho, música e vida familiar, não me resta tempo para mais
nada. Tento fazer um bocadinho de desporto ao fim-de-semana só por motivos de
saúde, mas mesmo isso às vezes é condicionado por concertos fora de Lisboa.



E hábitos
de leitura, tens? Autores ou obras de que queiras falar um bocadinho?

Até tenho
vergonha de dar esta resposta num blog tão virado para a escrita, mas não pego
num livro há largos anos. O último que tentei ler foi o “Um grande
salto” do Nick Hornby, mas nunca o cheguei a terminar pelos motivos que
mencionei na pergunta anterior. Houve no entanto uma fase da vida em que li
bastante, ali no final da faculdade e primeiros anos de trabalho, quando ainda
vivia em casa dos meus pais. Dos livros que li nesse tempo, alguns dos meus
autores preferidos eram o Nick Hornby, Irvine Welsh e o Maestro António
Vitorino D’Almeida (autor dos únicos dois livros que me fizeram rir sozinho às
gargalhadas, o “Coca-Cola killer” e “Tubarão 2000”).


Fotografia Luís Costa

Sei que
és um grande defensor dos animais e que és completamente apaixonado pelo teu
cão. De onde veio esse sentimento de protecção?

Desde
pequenino que sempre adorei animais e cães em particular, mas os meus pais
nunca me deixaram ter um porque era alérgico aos pêlos. Sempre disse que quando
tivesse a minha própria casa iria ter um cão, e cumpri a minha promessa
(curiosamente, ganhei imunidade alérgica aos pêlos pela exposição diária a
eles).

O sentimento
de protecção acho que é inevitável quando tens um Ser que é completamente
dependente de ti para tudo na vida; imagino que seja o mesmo sentimento que os
pais têm pelos filhos. Infelizmente Portugal está extremamente atrasado em
relação a outros países Europeus no que toca a leis de protecção animal, e
apesar de termos dado um (pequeno) passo importante recentemente ainda há
muitíssimo por fazer e uma realidade tenebrosa que vai demorar décadas a mudar.



Que
experiência de vida é que já viveste que gostasses de partilhar com as pessoas?

Tenho 37
anos por isso felizmente já tive oportunidade de viver muitas experiências na
vida que recomendo, não dá para fazer uma listagem completa aqui… mas pegando
num caso recente, fiz este ano uma road-trip pela Islândia que foram as
melhores férias da minha vida, vi paisagens incríveis que nunca pensei ver.
Recomendo vivamente a quem puder!


Perguntas rápidas

Prato
preferido: sou um tipo simples: bife com batatas fritas!

Bebida
preferida: café

Pessoa que
admiras: Muitas, mas se só puder escolher uma, então que seja a minha mãe.

Local que
queres visitar que ainda não visitaste: Nova Iorque

Sítio onde
queres tocar que ainda não tocaste: nunca pensei muito nisso, mas talvez o
Olympia em Paris

O que é que
foi o teu pequeno-almoço? Torrada, pastel de nata e meia-de-leite.

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NOVIDADE BLOG MORRIGHAN – Mixtapes/Playlists Quinzenais de Artistas! https://branmorrighan.com/2014/08/novidade-blog-morrighan.html https://branmorrighan.com/2014/08/novidade-blog-morrighan.html#respond Sun, 31 Aug 2014 10:07:00 +0000 Fontehttp://shiftz.deviantart.com/art/FREE-Mixtape-Cover-V4-PSD-310156155

Tinha prometido algumas novidades no último Diário de Bordo, e como estamos em véspera de novo mês, a primeira fica já desvendada – a partir de Setembro de 2014, a cada quinzena haverá um artista convidado a apresentar uma playlist dedicada a essa quinzena. O formato é escolhido pelo artista (Spotify, Soundcloud, outros) e vem acompanhado (opcional) de um pequeno texto a justificar as escolhas. 

A primeira quinzena de Setembro, posso já revelar, está a cargo de Luís Costa, guitarrista dos meus queridos You Can’t Win, Charlie Brown e baterista dos So.ma. O Luís é uma pessoa que respeito muito e cuja postura admiro. É neste espírito que quero brindar estas Mixtapes e os artistas serão convidados sempre nesse ímpeto e não por serem mais ou menos conhecidos. 

Quando o artista em questão não tiver sido ainda entrevistado aqui no blogue, vou tentar fazer uma pequena entrevista antes, como foi o caso do Luís, que será publicada no dia antes da playlist. Como tal, fiquem atentos que  a entrevista ao Luís Costa, interessantíssima na minha opinião, está para sair a qualquer momento. 

Gostaram da ideia? Beijos e até logo! 

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