Morrighan – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 04:47:06 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Morrighan – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Escritos Aleatórios #62 https://branmorrighan.com/2016/10/escritos-aleatorios-62.html https://branmorrighan.com/2016/10/escritos-aleatorios-62.html#respond Mon, 24 Oct 2016 22:37:00 +0000

Não sei lidar com este fervor, com este anseio de ti. Canso-me de tudo o que não te traz até mim durante períodos que parecem intermináveis. Sinto a tua falta, do teu cheiro, da tua pele na minha. Podia ser apenas mais um romance lamechas, uma rotina de casal que arrefece e abandona. Mas não existe abandono algum nisto que sinto; existe fogo, fúria, ansiedade, algo tão forte que consome à passagem e me deixa sem chão.


E depois vem a realidade. O baque. Olho para o vazio que me espera, para a ausência que se faz sentir quando paro, quando não estás, quando tomo consciência que não estarás mais. Percorro as ruas na noite cerrada na esperança de me perder, de te esquecer. Encontro a solidão, enlouquecida, sufocante. Aos poucos entranha-se na pele a perda, a escuridão, a presença da morte. A única constante é o luto e a luta por mais um dia, por sobreviver a mais uma ronda de memórias que não podem ter acontecido. 

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Escritos Aleatórios #60 https://branmorrighan.com/2015/03/escritos-aleatorios-60.html https://branmorrighan.com/2015/03/escritos-aleatorios-60.html#respond Fri, 20 Mar 2015 17:50:00 +0000 Ela leva-o até ao destino. Sente-se bem, feliz, as coisas não estão como deviam estar, não são como podiam ser, mas existe este local de tranquilidade, de acesso com prazo de validade limitado e prestes a expirar, onde por momentos se pode permitir sorrir, imaginar uma vida diferente. 

Ela para o carro, liga os quatro piscas e acciona o travão de mão. Ele está a olhar lá para fora, a chuva tinha começado de repente e com uma força considerável. Por momentos parece perdido. Ela olha-o, espera uns momentos, pousa a sua mão na dele e pergunta-lhe, precisas de alguma coisa?, diz-lhe que não, estou bem, estava a apenas a pensar em quando é que nos voltaríamos a ver.

Aquele fugaz momento de sinceridade abrupta iluminou-a por dentro. Não que houvesse esperança, mas pela simplicidade do momento e das palavras que lhe tocaram de forma tão terna. Havemos de encontrar o nosso caminho, cada um o seu, pensou ela. Na ausência da resposta verbal, tornada sonora através da voz, ele despediu-se com um beijo na sua testa e deixou o carro. Ela viu-o correr para a porta do seu prédio e arrancou, uma lágrima rolou-lhe pelo rosto. As suas opções tinham sempre um preço, e a solidão, o isolamento emocional, seria sempre o que lhe custaria mais. 

Morrighan

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Escritos Aleatórios #58 https://branmorrighan.com/2014/07/escritos-aleatorios-58.html https://branmorrighan.com/2014/07/escritos-aleatorios-58.html#respond Sun, 06 Jul 2014 23:24:00 +0000 Umbommomentoparasepensar...chuva+nibusva

“Não te posso dizer que tenho saudades tuas. Não posso. O meu desejo por ti não diminuiu, a minha ânsia por te encontrar e te poder tocar só aumentou, e todos os dias só penso em como é que vou conseguir passar mais um dia nesta agonia.

Mas vou conseguindo. O trabalho, as amizades, as distracções, tudo junto faz com que haja momentos durante o dia, por vezes dias inteiros, em que não penso em ti e no que tivemos. Não penso no teu olhar, no teu cheiro, na forma como fixavas o teu olhar em mim quando pensavas que estava distraída. Não penso no som do teu riso e na forma como provocavas o meu e fazias com que sentisse que era capaz dos maiores tormentos só para ter mais uma oportunidade de estar contigo. A passear por Lisboa, a observar como as pessoas interagiam, a admirar como muitos eram tão livres nas suas expressões.

Por vezes parece-me que nunca te tive, que nunca me pertenceste verdadeiramente. Que mesmo a forma como conjugávamos vontades e como tudo surgia tão naturalmente não passou de um sonho distante, de outro mundo. Agora que preciso de viver num tempo presente, sem ti, sem nós, sem o quanto me fazias amar-te tão desmesuradamente, não sei se o consigo fazer. Continuas a voltar à minha mente, continuo a ouvir a tua voz. Continuo a andar contigo por ruas imaginárias, a viver uma vida só que noutro tempo, noutro universo.

Quando todos estes pensamentos voltam, seja passado uma hora ou um mês desde a última vez que os tive, tenho a certeza que existem certas coisas que ultrapassam qualquer tipo de compreensão, qualquer tipo de explicação. Porque é que acontecem no momento em que acontecem, porque é que por vezes nos tiram o tecto e ficamos de cabeça perdida e outras vezes nos tiram o chão e não mais nos conseguimos voltar a erguer numa base sólida?.

Perder-te foi como perder parte de mim. Fazes-me falta. O teu sorriso, o teu olhar, a tua forma apaixonada de me surpreenderes com um abraço e um beijo no pescoço quando mais preciso. O teu nariz a roçar na minha orelha até me virares para ti e me plantares um beijo na testa. Até o meu olhar subir de encontro ao teu e os nossos lábios se curvarem em sintonia, até se encontrarem, até explodirem de paixão, tal o fogo que nos consumia quando estávamos por perto. Acabou. Tudo. Teria dado a minha vida por ti. Amo-te.”

Morrighan

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Escritos Aleatórios #54 https://branmorrighan.com/2014/06/escritos-aleatorios-54.html https://branmorrighan.com/2014/06/escritos-aleatorios-54.html#respond Sat, 14 Jun 2014 00:10:00 +0000

“Sinto-me a ser consumida. Por um fogo que não vejo, que não sei de onde vem. Sinto-me a arder de algo que não sei descrever. É como um burburinho, que começa no peito e alastra-se pelos braços, pelas pernas, chega a cabeça e explode, num turbilhão de sussurros que não ouso ouvir. Sei o que são. Segredos não pronunciados, desejos não consumados, anseios que não ouso pronunciar. Gostava de conseguir exorcizar esta sinestesia que teima em não me abandonar. 

Quero fundir-me em ti. Quero que mergulhes em mim e me faças esquecer tudo. Quero que me possuas, que me leves para outro nível de desapego de mim mesma. Sei que me queres. Que esta electricidade que passeia por nós se torna cada vez mais difícil de resistir, de abandonar sem consumar. Não te amo, mas é em ti que me quero perder, é de ti que quero o sentimento de posse e de possibilidade. Leva o que quiseres de mim, desde que me dês aquilo que quero. O mais singelo acto de redenção. Não quero cuidados, não quero mimos, mas quero fogo, quero que todo este fogo que tenho em mim encontre o seu apogeu, se satisfaça e me dê tréguas por algum tempo.

Olho-te, seduzes-me, tento-te. Podemos falar do que quisermos, mas mesmo que não tenhamos consciência disso, estamos a pensar no mesmo. Nos lábios que não se tocam, no toque que mesmo não acontecendo faz o sangue ferver. Corpos suados, exauridos, rendidos. Imagino-te a aproximares-te de mim, a olhares-me nos olhos. Sinto-me a perder o controlo. Quero-te e vou ter-te. Puxo-te para mim e beijo-te! Sinto o teu resfolegar descompassado, mas rapidamente as tuas mãos estão nas minhas costas, nas minhas pernas, a puxar-me para ti. 

Preciso disto. Quero isto. Dá-me o que quero. Sem perguntas. Sem justificações. Apenas fode-me com paixão, como se fôssemos os únicos seres vivos à face da Terra.”

Morrighan

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Escritos Aleatórios #53 https://branmorrighan.com/2014/06/escritos-aleatorios-53.html https://branmorrighan.com/2014/06/escritos-aleatorios-53.html#respond Thu, 05 Jun 2014 22:25:00 +0000

Enquanto tenho saudades tuas, fortaleço. Enquanto sofro por ti, cresço. Enquanto aceito que não voltarás, ergo-me. Houve o tempo em que abraçar-te era ser forte. O tempo em que beijar-te era como levitar e amar-te como ser invencível. Era o sentimento de pertencer a algo maior, algo intangível, arrebatador e abrasador.

Não sei a que me agarrar. Sem o teu rosto. Sem o teu sorriso. Sem o teu olhar. O teu toque. A intensidade com que me amavas e em êxtase me dizias que me amavas.

Ténue, o que separa a felicidade da tristeza pura. Essa, cristalina, inquantificável, mas presente, perene, enraizada, angustiada.

Diz-me. Como? Como ser forte outra vez? Como sorrir como se o mundo tivesse significado? Como olhar à minha volta e sentir que vale a pena continuar? Jaz em mim a certeza de que há algo mais, que… Há uma segunda, terceira, quarta, infinita oportunidade para quem se sente preparado para a aceitar. Não é preciso procurar, ela encontra-nos, assim a deixemos.

Vou ser encontrada, sei disso. Até lá, espero que as saudades passem, o sofrimento atenue e a tua partida se torne tão indiferente quanto a intensidade do meu amor por ti.”

Morrighan

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Escritos Aleatórios #52 https://branmorrighan.com/2014/06/escritos-aleatorios-52.html https://branmorrighan.com/2014/06/escritos-aleatorios-52.html#respond Tue, 03 Jun 2014 23:07:00 +0000

“Corpo nu. Frio. No chão. A tua ausência. Como um manto gelado que me prega ao chão. Vejo-te. Consumo-te. Consumo-me. Perco a alma pelo caminho. Não te encontro. Perdi-te. Perdi-me. Mas sei que há mais. Neste abandono. Neste eu que te deseja. Mas não te quer. Que reclama pela liberdade desassossegada do coração que sente sem pedir autorização. Levanto-me. Enfrento-te. Aqueço. Visto-me. De força. De ambição. De todos os nadas que formam substância. Qual pele que nunca foste. Passo por ti. Não olho para trás. Sorrio. O horizonte nunca me pareceu um destino tão belo.”

Morrighan

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Escritos Aleatórios #51 https://branmorrighan.com/2014/05/escritos-aleatorios-51.html https://branmorrighan.com/2014/05/escritos-aleatorios-51.html#respond Sat, 31 May 2014 00:00:00 +0000

“Continuo. Paro. Penso. Não consigo parar. Mais uma vez. Só uma. Agora. Sim. Não faz sentido de outra maneira. PARA!!! Vê. Olha. Sente. Olha para mim. Diz-me o que tens aí guardado. Não quero ouvir mais. Quero sentir mais. Para depois te deixar. Para me abandonar. Para te foder além mar.”

Morrighan

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Escritos Aleatórios #50 https://branmorrighan.com/2014/05/escritos-aleatorios-50.html https://branmorrighan.com/2014/05/escritos-aleatorios-50.html#respond Thu, 29 May 2014 22:44:00 +0000

“Estou furiosa.

Contigo.

Mas principalmente comigo.

Esta agonia da tempestade que não passa, que não me larga.

Sinto-me como um quarto que acabou de ser invadido por uma corrente de ar tão forte que explodiu com a janela e atirou tudo pelos ares, para o chão, fazendo-me esquecer a que lugar é que cada coisa pertence. 

É assim que me sinto.

Desarrumada.

Caótica.

Desesperada.

Por ti.

Pelo toque que não chega.

Pela emoção que não se concretiza.

Pelo desejo não saciado.

São loucos aqueles que pensam que controlam as emoções. Estas são a expressão máxima da liberdade. Não pedem permissão para aparecer e ficarem a beber um copo. Ou dois. Ou três. Até que fiquemos tão embriagados que percamos a noção de nós mesmos. Chega uma altura em que ansiamos pela chegada da inconsciência, da ausência da sensibilidade. Que esta embriaguez traga um dia seguinte sem qualquer memória do que o levou até ela. Que houvesse a libertação de algo que está condenado sem ter começado. Que, na estupidez absurda, se ignora, optando por transportar tudo para um mundo paralelo possível. 

Um segredo escondido, o nosso segredo. Mas existe sempre uma linha que cruza o universo e nos faz ver que mais tarde ou mais cedo somos reclamados pela realidade sem dó nem piedade.

Quero aplacar esta fúria em ti.

Quero ter-te.

Quero sentir-te.

Quero ultrapassar as barreiras e reclamar-te como meu.

Quero o teu cheiro na minha pele.

O teu sorriso nos meus lábios.

As tuas mãos no meu corpo.

Quero que me olhes nos olhos enquanto te puxo para mim, enquanto conquistas o teu espaço dentro de mim.

Quero o teu respirar no meu ouvido enquanto te entregas e te dás a mim.

Quero os teus braços à minha volta enquanto repouso no teu peito.

Depois podes-te ir embora.

Podes não mais voltar.

Podes.

Desaparecer.

Libertar-me.

Esquecer-me.

Esqueço-te.

Enquanto te quero.

Enquanto te amo.

Enquanto te odeio.”

Morrighan 

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Escritos Aleatórios #49 https://branmorrighan.com/2014/05/escritos-aleatorios-49.html https://branmorrighan.com/2014/05/escritos-aleatorios-49.html#respond Wed, 28 May 2014 21:24:00 +0000

“Encontro-te enrolado em ti mesmo, aí, no meio do chão despido, gelado. Formas uma concha impenetrável que se tornou no meu maior desafio. Porque eu quero juntar-me a ti. Quero fazer parte dessa escuridão que te envolve, quero estar colada a ti, qual capa protectora. 

Movo-me devagar, observo-te e à tua beleza tão diferente da banal. É fácil adivinhar que adormeceste de exaustão enquanto, provavelmente, os teus demónios chamavam por ti e brincavam contigo. 

Estava indecisa se havia de voltar. Afastas-me tantas vezes sem uma única palavra que por muito que eu compreenda, e acredita que melhor do que ninguém eu vejo e sinto através de ti, sinto-me mais vezes derrotada do que amada. Ainda assim, não consigo permanecer longe de ti nem dessa tua tormenta. Está para lá de qualquer compreensão o que me liga a ti. De cada vez que quero fugir, de cada vez que quero escapar e dizer que já chega, vejo-me de novo a caminhar na tua direcção num ciclo vicioso imprevisível, cuja única certeza é a de que nos magoaremos, não fosse este um amor impossível.

Entre os teus demónios e os meus, procuramos apenas momentos de alívio um no outro. E, apesar do meu amor por ti ser real, é claro para mim, passado este tempo todo, que para ti não sou mais que um porto seguro, um abrigo para a tua insanidade. Porque tu não és de ninguém, mas de tudo e todos ao mesmo tempo. Porque enquanto não te entregares nem confiares, nem acreditares que alguém é capaz de te amar por inteiro independentemente do teu passado, dos teus pesadelos e assombros, estarás apenas a criar ilusões para ti e para quem te abre o peito às balas – como eu.

Sabendo disto tudo, mesmo estando exausta, escolho deitar-me a teu lado, encostar-me a ti e receber os teus braços à minha volta, como fazes sempre. O truque é ficar de costas para ti. Encostas o teu nariz ao meu pescoço, sempre de forma inconsciente, voltas a respirar profundamente e eu sei que agora estás em paz. E se os pesadelos voltarem, sei que me agarrarás em desespero, sem acordares totalmente. Eu acordarei em sobressalto, mas preparada, virar-me-ei para ti, colocarei as minhas mãos na tua face, beijar-te-ei lentamente os lábios e dir-te-ei que estou aqui. O teu corpo deixará de tremer, os teus medos serão libertados e voltarás ao mundo da inconsciência o resto da noite.

Começa a amanhecer e eu levanto-me. Bato a porta devagar e viro costas sem olhar para trás.”

Morrighan – 9/2/2014 – 11h23

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Escritos Aleatórios #48 https://branmorrighan.com/2014/05/escritos-aleatorios-48.html https://branmorrighan.com/2014/05/escritos-aleatorios-48.html#comments Tue, 27 May 2014 23:00:00 +0000

“Desejo-te ainda antes de te ver, anseio-te ainda antes de te sentir.

És parte de um outro eu que ainda não me pertence, que não sei se alguma vez existirá. É como se de cada vez que estamos falamos, um mundo paralelo se fosse formando, com as suas personagens e vontades próprias. 

Ganham vida e forma outras necessidades, outras concretizações. A liberdade é a palavra de ordem e o preconceito não tem lugar ali. 

Vamos alimentando esse mundo com fantasias por realizar, mas que se tornam reais quando as nossas mentes se tocam. Não há esforço, vergonha ou timidez, mas antes uma deliciosa rendição onde os corpos se encontram, os olhares se confrontam e a alma se enaltece. 

Anseio pelo teu toque, a tua língua na minha, o teu corpo no meu. Os suspiros, a dança desesperada para que o momento chegue e não passe. Tudo e isso e tão mais, até que não reste nada por arder.”

Morrighan

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