Mr. Herbert Quain – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:35:58 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Mr. Herbert Quain – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Balanço] Os Melhores de 2014! Música Nacional https://branmorrighan.com/2015/01/balanco-os-melhores-de-2014-musica.html https://branmorrighan.com/2015/01/balanco-os-melhores-de-2014-musica.html#respond Sat, 03 Jan 2015 16:24:00 +0000

Facto – a Música Portuguesa atravessa uma das fases mais férteis de sempre. Qualidade e diversidade não lhe faltam, o difícil é conseguir acompanhar a velocidade com que trabalhos novos vão sendo editados e lançados. O facto de hoje em dia ser fácil produzir sem a necessidade de um estúdio, ajuda a que muitos projectos independentes vejam a luz do dia. Os equipamentos caseiros têm cada vez mais qualidade e esta mudança dos tempos nota-se também no tipo de música que tem vindo a ser produzida. A música electrónica, por exemplo, começa a ser vista sob uma nova perspectiva e muitos preconceitos têm sido desfeitos. 

É complicado avaliar um ano que foi tão recheado em lançamentos e dos bons. Fazer tops então é praticamente impossível e serão sempre de uma grande injustiça. Dado que o Morrighan é um blogue pessoal e dado que muito do meu trabalho é baseado em valor humano, as escolhas que aqui vão ser feitas são baseadas não só na qualidade, subjectiva aos meus gostos pessoais, do trabalho, como também na postura. Só este ano fiz mais de 70 entrevistas, a grande maioria pessoalmente, conheci mesmo muita gente, e quero registar esse lado positivo que ter um blogue tem. 

Também a nível de concertos e festivais o ano foi muito rico, mas aí é fácil – Festival Vodafone Paredes de Coura e Fusing for the win. Não pude ir ao Milhões de Festa nem ao Bons Sons (por estar no Fusing), mas desconfio que teriam sido duas experiências também elas muito boas. Estive num dos dias do Alive, o último, e tirando o primeiro concerto no palco principal, dos You Can’t Win, Charlie Brown, a restante noite foi passada no secundário. Também valeu muito a pena! 

Mas vamos aos discos! Este ano tivemos N lançamentos muito, muito bons. Seria impossível percorrê-los a todos, mas vou deixar aqui uma lista dos que realmente me marcaram (ou seja, aqueles que me vêm automaticamente à cabeça.:

Top LPs Nacionais

1. Diffraction/Refraction, You Can’t Win, Charlie Brown

2. Forgetting is a Liability, Mr. Herbert Quain

3. 8, Sensible Soccers 

4. A Bunch of Meninos, Dead Combo / 1975, Xinobi

5. Keep Razors Sharp, Keep Razors Sharp

6. Search for Meaning, Lotus Fever

7. No True Magic, a Jigsaw / How can we be joyful in a world full of knowledge, Bruno Pernadas

8. Canções Mortas, Coelho Radioactivo / Cornerstone, Brass Wires Orchestra

9. The Waiting, Yesterday / Time for T, Time for T / A Mountain and a Tree, Imploding Stars

10. Savage, Moe’s Implosion / Enteléquia, O Abominável

Sim, alguns foram ouvidos em igual medida, por isso ficam par a par. Deixo algumas menções honrosas, pois o ano foi mesmo fértil em discos, a: Donkey, Nobody’s Bizness / Black Bombaim & la la la ressonance / Hook, Killimanjaro / True, The Legendary Tigerman / Pesar o Sol, Capitão Fausto / The Sky Over Brooklyn, João Martins / Mambos de Outros Tipos, Throes + The Shine / We Play With Time, Twisted Freak / Penelope, Sequin / White Haus, White Haus / Um Mundo Quase Perfeito, Pedro e os Lobos / B Fachada, B Fachada / Norton, Norton / Badlav, Jibóia / #batequebate, D’Alva / V, Azevedo Silva / This is Los Waves So What, Los Waves.

Top EPs Nacionais

1. Ouija, azul-revolto

2. There’s Always Something Related to It, Tales and Melodies

3. 5 Monstros, Tio Rex

4. Soothing Edge, For Pete Sake

5. Bare, Gobi Bear

Menções honrosas a: Boundaries, Holy Nothing / The Sunflowers / Porcelain Love, Miss Titan / The Stone John Experience, Stone Dead / Vermelho Donzela, Bad Pig.

Para mim, o artista do ano de 2014 só podia ser um – Noiserv

Não lançou nenhum disco, mas lançou um DVD a comemorar os 10 anos e foi dos artistas que mais concertos deu em 2014. É impossível não admirar a postura de David “Noiserv” Santos, com a sua filosofia “Do it yourself” e sempre disponível para fazer mais e melhor. 

Em relação ao projecto que mais evoluiu em 2014First Breath After Coma

Vi-os pela primeira vez em 2013, mas em 2014 tive a oportunidade de os ver umas quantas vezes, a última no dia 27 de Dezembro de 2014. A evolução é mais que notória, tornaram-se uma banda de divisão superior, a querer morder os calcanhares das grandes bandas de post-rock, criando um género próprio, cantado, com faixas mais curtas, mas nunca menos intensas. Recomendáveis a qualquer altura do ano e em qualquer palco. 

Fotografia de Daniel Fernandes

A Cena ao VivoSensible Soccers

É claro que o 8 está em todos os tops e mais alguns! Para além de ter sido, efectivamente, um dos melhores álbuns de 2014, não é tanto em estúdio que me fascinam, mas ao vivo. A energia que criam enquanto tocam é inexplicável. São pessoas simples, que adoram o que fazem e cuja paixão pela música conseguem transbordar para quem os rodeia. Os sorrisos são contagiantes e o som é electrizante, fazendo o corpo mexer a seu belo prazer. Nota 10. 

Banda que merece todo o meu respeito pela sua carreira Primitive Reason 

Foi em 2014 que conheci pessoalmente, e entrevistei, os Primitive Reason, mais propriamente o Abel e o Guillermo. Foi empatia à primeira vista e não só, um respeito que poucos conseguem impor tão naturalmente como respirar. Artistas no completo sentido da palavra, impressionaram-me pela simplicidade e pela solidez com que voltaram ao meio musical depois de alguns anos parados. 20 anos não são para toda a gente, mas isto ainda não é nada para aquilo que querem fazer.

Existem outros projectos que tenho de, obrigatoriamente, referir. Bella Mafia, Pernas de Alicate, Les Crazy Coconuts, Nice Weather For Ducks, The Allstar Project, Bússola, Moullinex, Dear Telephone, Tiago Sousa, João Lobo e Nome Comum. Foram artistas com os quais fui trabalhando ao longo do ano e que me deu um gosto enorme falar sobre eles. Refiro-os aqui porque espero em 2015 ter boas notícias de cada um deles! Vamos ver o que este ano nos trás. 

Para terminar estes destaques, deixo só mais umas notas. Não gosto muito de bate-bocas pela web, mas estou cansada da desinformação, e respectiva propagação, que muitas vezes existe por aí. Quero, principalmente, congratular quem continua a lutar pela música portuguesa, independentemente do que as massas dizem. É impossível falar de 2014 sem referir, por exemplo, a Raquel Lains. Uma promotora exemplar no que toca à divulgação dos seus artistas e também na promoção que fez do Fusing. Outro destaque é, obviamente, o movimento Leiria Calling, que não se resigna e luta pela descentralização de atenções, com toda a qualidade leiriense saudável, a fervilhar, e a recomendar-se mais do que nunca. Também a ZigurArtists, netlabel, tem a minha admiração, seja pela postura, seja pela forma como também tratam os seus artistas. Gente jovem que também não se conforma. 

É sempre complicado não ferir susceptibilidades, mas quando olho para 2014 são estas as coisas que me vêm à cabeça. Claro que trabalhei com mais pessoas, às quais agradeço de coração toda a atenção despendida, claro que espero vir a conhecê-las melhor e que tenho grandes esperanças e expectativas para 2015, mas é de 2014 que falamos e aqui ficam as minhas memórias mais sinceras. 

No lado mais negativo, ficam algumas bandas que a certa altura poderiam estar no top, mas que passaram para as menções honrosas só porque realmente gostei do seu trabalho. É que quando estamos horas a trabalhar sobre certos artistas, seja em texto ou em fotografia, e depois nem um obrigada se recebe, bem, até à próxima! Venha 2015 e com ele muita coisa boa! 

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[Playlist da Quinzena] 1 a 15 de Dezembro de 2014 – As Escolhas de Manuel Bogalheiro (Mr. Herbert Quain) https://branmorrighan.com/2014/12/playlist-da-quinzena-1-15-de-dezembro.html https://branmorrighan.com/2014/12/playlist-da-quinzena-1-15-de-dezembro.html#respond Mon, 01 Dec 2014 21:05:00 +0000


Memoosh – Shape of Light: Foi uma das mais agradáveis surpresas de 2014. Dois produtores que já acompanhava há algum tempo, Memotone e Soosh, juntaram-se e fizeram um belo álbum que me absorveu desde as primeiras audições. Esta faixa combina uns pianos aparentemente delirantes com field recordings e uma percussão free jazz que parece estar sempre à beira do descontrolo. É daqueles temas com o poder de tanto nos servir para ser a primeira como a última música do dia.

Aphex Twin – Produk 29: O seu legado é incontornável. Aphex Twin voltou este ano com o primeiro álbum em nome próprio depois de 13 anos sem editar. A ter de escolher um tema, destaco este Produk 29. Por trás do que se nos oferece como uma estrutura de hip hop instrumental está aquilo que sempre distinguiu o seu trabalho: a sua capacidade de subverter o que nos parece familiar. Os ritmos estão sempre em metamorfose, os baixos podiam ser de uma faixa de dança à house de Chicago e a expansão dos sintetizadores podia-nos lembrar qualquer coisa fora de moda dos anos 80. A verdade: quando entramos na sua música, nada disto nos interessa.

Acid Pauli – La Voz Tan Tierna: Acid Pauli já é um veterano e passou grande parte da sua carreira a explorar a possibilidade do techno de Berlim ser qualquer coisa que não fosse feito por máquinas. Apenas em 2012 lançou o primeiro álbum, MST. E foi fácil perceber que havia tanto mais mundo em Acid Pauli para além da pista de dança. Este tema, um tributo à cantora chilena Violeta Parra, é dos que continuo a ouvir mais. Tem qualquer coisa de ritualista ou de tribalista mas, quando damos conta, parece ser a coisa mais aconchegante que podíamos ouvir.

Roll The Dice – Assembly: Só descobri esta dupla sueca este ano com o álbum Until Silence. Mas rapidamente se tornou num caso de pequena obsessão. É uma música capaz de rapidamente nos lançar num jogo livre de imagens e de projecções mas que, ao mesmo tempo, é marcada por uma métrica muito forte, uma certa austeridade que parece estar sempre a chamar-nos para onde a peça quer. O final apoteótico de Assembly é o exemplo perfeito disso. Para além disto, paira uma carga histórica neste tema. Como se todo o século XX e os seus traumas pudessem ter sido encapsulados nestes 10 minutos.

Moodymann – Sloppy Cosmic: Os caminhos são sempre percorridos de maneira diferente e os destinos finais poderão sempre continuar a surpreender-nos. Mas sabemos sempre qual é o ponto de partida de Moodymann, sabemos sempre qual é o seu compromisso. Sloppy Cosmic é um desses juramentos. É apropriação que é tributo aos Funkadelic. É uma militância por Detroit que é um comprometimento maior por questões sociais e raciais. É uma ode ao soul e ao funk numa fórmula que já ouvimos tantas vezes mas que Moody sabe como mantê-la irresistível.

Floating Points – King Bromeliad: É um dos suspeitos do costume que nunca me desiludiu. E esta King Bromeliad tem tudo aquilo a que Floating Points nos habituou: sintetizadores a trabalhar em várias linhas, baixos pujantes, quebras, crescendos e um groove, falsamente quebrado que nos impele a movimentos que achávamos que não sabíamos dançar. Há a luz de uma improvisação jazz mas também há o escuro de uma faixa que poderia tocar no fim de uma rave para acalmar as hostes. Não bastando isto, fico sempre na dúvida se estou perante uma obra altamente pensada ou perante algo que poderia ter sido gravado num único take.

Kassem Mosse – Untitled B1: Uma das faixas de pista que mais ouvi este ano. Até pode acontecer que nem se dê muito por ela nos primeiros minutos. Parece relativamente linear até que subitamente entra uma combinação de hi-hats, crashes e um baixo progressivo que nos lança numa jornada verdadeiramente épica. Estão sempre a relembrar-nos que a música de dança deve sê-lo para o corpo e também para a cabeça. Não tenho dúvidas que Kassem Mosse o consegue na perfeição.

Efdemin – Parallaxis (Traumprinz’s Over 2 The End Version): É a faixa de dança mais melancólica do ano. Quando entra um ritmo breakbeat depois da quebra, há ali euforia. Mas é momentânea e já não nos consegue alterar o espírito. Não se sabe muito sobre Traumprinz, também conhecido por Prince of Denmark, tirando que nos tem oferecido alguma da melhor música electrónica dos últimos tempos.

Black Atlass – Jewels: No formato canção, é capaz de ser o meu tema preferido de 2014. Lá em casa, não há vez que não a oiçamos e que não falemos daquela tarola desconcertante sempre a bater ligeiramente fora de tempo. É daqueles temas tão intensos, ou tão dramáticos, que, na verdade, não o podemos ouvir em qualquer momento.

Francis Harris – Dangerdream (How Che Guevara’s Death and Bob Dylan’s Life Millitarized Brigate Ross – Terre Thaemlitz Version): O exercício experimental que mais me impressionou neste último ano. Integra um álbum de que também gostei muito, Minutes of Sleep do americano Francis Harris, mas esta versão, que aparece como bonus track, é de Terre Thaemlitz (a.k.a. Dj Sprinkles), na minha opinião, uma das figuras mais importantes da actual cena electrónica. É um impressionante labirinto sonoro e imagético de 15 minutos, no qual somos progressivamente envolvidos por um nevoeiro de que não queremos sair. Pianos, trompetes, manipulações sónicas e pequenas doses de distorção dirigem esta sumptuosa desorientação. Tudo isto adensado pelo distante discurso em italiano sobre uma relação entre Che Guevara, Bod Dylan e as Brigadas Vermelhas.

Dezembro é um mês especial. É o mês em que o meu Morrighan faz anos, já lá vão quase seis, e, como tal, acho que só faria sentido ter rubricas com gente especial a ocupá-lo. Mr. Herbert Quain, de todos os músicos que conheci este ano, acabou por marcar pela diferença pela sua ousadia, talento e crescimento ímpares. Depois de conhecer o seu trabalho, não mais vi a música electrónica da mesma maneira e todo o método de samplagem ganhou uma nova beleza, tanto estética como imagética. Não será demais dizer que o seu Forgetting is a Liability é, para mim, um dos discos do ano e que, se o Manuel acha que este é apenas um disco de transição, ainda nos espera muito mais deste trilho que Mr. Herbert Quain parece ainda agora ter começado a trilhar. Muito se tem dito sobre ele aqui no Morrighan (sim, confesso-me 100% fã do seu trabalho) e podem ler tudo isso nos seguintes links: 

Entrevista 

http://www.branmorrighan.com/2014/03/entrevista-mr-herbert-quain-manuel.html

Entrevista – Especial Live Acts

http://www.branmorrighan.com/2014/12/nova-entrevista-mr-herbert-quain.html

Opinião Forgetting is a Liability

http://www.branmorrighan.com/2014/03/opiniao-blog-morrighan-forgetting-is.html

Outros

http://www.branmorrighan.com/search/label/Mr.%20Herbert%20Quain

Facebook do Mr. Herbert Quain:

https://www.facebook.com/MrHerbertQuain

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https://branmorrighan.com/2014/12/playlist-da-quinzena-1-15-de-dezembro.html/feed 0
Nova Entrevista a Mr. Herbert Quain – Especial Live Acts https://branmorrighan.com/2014/12/nova-entrevista-mr-herbert-quain.html https://branmorrighan.com/2014/12/nova-entrevista-mr-herbert-quain.html#respond Mon, 01 Dec 2014 18:10:00 +0000 Conhecer o Manuel Bogalheiro, aka Mr. Herbert Quain, foi um dos meus pontos altos, enquanto blogger, de 2014. Como tal, e porque acho que faz sentido num espaço como o Morrighan fazer destaques destes, depois de uma primeira entrevista mais conceptual, sobre si e o seu trabalho, desafiei-o não só a criar a Playlist da Quinzena, da primeira quinzena de Dezembro, como também a responder a algumas perguntas sobre as suas perfomances em Live Act. Palcos como o Musicbox e Lux, referências em Lisboa, já contaram com a sua presença e o futuro, esperamos nós, adivinha-se risonho. Num país onde a música electrónica vai crescendo ao seu próprio ritmo, é bom ver que cada vez mais a nossa mente se abre para tanto talento, mesmo que de pouco, ou nada, tenha de comercial. Não tenho grandes dúvidas de que Mr. Herbert Quain para além de ser já uma personagem marcante na literatura mundial, venha também a ser um nome de referência na música por todo o planeta. 

A última vez que conversámos foi no primeiro trimestre deste 2014. Tinhas acabado de lançar o teu segundo LP – Forgetting is a Liability. Na altura ainda não tinhas ganho distância suficiente do mesmo para o conseguires caracterizar ou fazer uma análise sobre o mesmo em comparação com trabalhos anteriores. Passados estes meses, já nos consegues falar um pouco a tua visão do mesmo?

Na verdade acho que não! Continuo a vê-lo como um disco de transição… para algo que, tenho que admitir, ainda não sei exactamente o quê. A experiência dos lives acho que também tem complicado (no bom sentido) esse percurso de transição. Parece-me que, de qualquer forma, e talvez por justamente ser um disco de transição, o consigo ver como um disco mais pessoal em relação ao primeiro.

A tour do álbum passou por Lisboa, Porto e Covilhã. Antes de passarmos a concertos posteriores, queres falar-nos de algum desses concertos em especial? Como foi tocar o teu novo álbum pela primeira vez no Café Au Lait, no Porto?

Tive experiências muito boas nesse pequeno périplo de apresentações. No Café au Lait foi a primeira vez que toquei no Porto e, apesar de alguns problemas com o som, gostei muito dessa noite. Foi também o primeiro live depois do álbum sair e acabou por ser um pouco a celebração disso com algumas das pessoas que mais tinham acompanhado o processo.

Como tem sido tocar, em algumas das vezes, sem a companhia e a parte visual do João Pedro Fonseca? Sem querer desvalorizar o excelente trabalho dele, achas que é um processo natural na progressão do Mr. Herbert Quain enquanto músico? Essa independência completamente a solo?

Não acho que seja um efeito de uma eventual progressão de Mr. Quain. Isso acabou por acontecer por percebemos que para certos contextos, nomeadamente os de club, poderia funcionar melhor assim. Qualquer coisa que assumisse a música pela música. A ausência de imagens acabaria por poder ajudar a uma experiência mais imersiva do público na pista e a uma relação mais directa com a música, sem qualquer mediação. De qualquer forma, mantenho-me próximo do João Pedro e continuamos a discutir ideias sobre possíveis abordagens. Penso, aliás, que, num futuro próximo e no contexto certo, voltaremos a apresentar algo com imagem. Mas queremos que seja especial, que não seja dado como adquirido, como algo que os lives de Mr. Quain tenham que ter.

Fotografia por Nuno Capela


Há pouco tempo, no Musicbox Lisboa, fizeste um live-act a partir do tema “Do Come Home” de The Legendary Tigerman. Como é que surgiu o convite? De onde vieram as inspirações para aqueles 46:46 de música?

O convite foi uma ideia tão corajosa quanto mirabolante do incansável Rui Estêvão: desafiar-me a fazer um live inteiro a partir das pistas de uma única música de The Legendary Tigerman. A peça seria para estrear uma noite no Musicbox curada por ele e pelo Magazino chamada Sala das Bicas. Quanto às inspirações, vieram de muitos lados mas, essencialmente, das próprias pistas dadas pelo Paulo Furtado. Depois de ter fragmentado, invertido, alongado, encurtado, etc, etc, etc, o material original, dei por mim a fazer coisas novas. O resultado final foi juntar essas manipulações numa peça, onde também incluí algumas produções que já tinha, e recriar isso ao vivo. Acabei por ficar muito satisfeito com essa noite e com a reacção de quem lá estava! E, mais uma vez, acabei a agradecer ao Rui Estêvão o convite para um desafio que, inicialmente, pensei como quase impossível!

Seguiu-se o Lux. Um palco emblemático da música electrónica. Sei que se calhar é difícil encontrar palavras para descrever uma experiência como a que tiveste, mas olhando para trás, para esse momento, quais são as primeiras emoções que te abalroam?

Bem, acho que acabaste de utilizar uma expressão que se pode aplicar ao que senti: abalroamento (emocional)! Foi muito especial, depois de muitos anos a ter dançado tanto e me ter inspirado tanto naquela pista. De repente estava do outro lado! É daquelas experiências que, mesmo depois de terem acontecido, não as conseguimos relativizar… continuamos a perguntar “o que é que aconteceu ali?!”

“Foram demasiados anos a ouvir os seus discos (e a tirar tanto deles) para pensar que um dia isto podia acontecer. Mas, quando o imprevisível acontece, não há alternativa se não sabê-lo aproveitar.” Foi assim que anunciaste esta tua ida ao Industria Club, no Porto, em que abriste para o lendário Moodymann. Queres-nos falar desses anos a ouvir os seus discos, do rapaz que eras, e do artista (tu, nos dias de hoje) que subiu ao palco para abrir para uma das suas referências?

Todos temos as fases em que formamos a nossa “família musical”. O Moodymann fez parte da minha desde muito cedo e, como mais alguns, estabelecemos com eles uma relação de reverência. Parece exagerado, mas chegamos a pensar que não são exactamente pessoas como nós, que não nos são acessíveis. Claro que isso é sobretudo uma ilusão de juventude. No entanto, acho que na noite em que toquei antes dele, revivi um pouco dessa ingenuidade que sentia na altura.

Passadas todas estas experiências, a nível de actuações ao vivo, que ambição/desejo é que ainda guardas dentro de ti? Local, artistas companheiros na mesma noite…

Na verdade, sinto-me muito realizado. Em menos de dois meses toquei em cada um dos dois clubes de Lisboa (Musicbox e Lux) onde terei visto mais concertos e djs portugueses e estrangeiros, e ainda tive a oportunidade de abrir para o Moodymann num clube igualmente muito importante. Sendo sincero, há poucos meses atrás, nunca pensaria que isto pudesse acontecer. Quando não se está à espera de tanto, ficamos apenas gratos. Claro que gostaria de testar a minha música noutros contextos ainda. Talvez no de um festival, por exemplo.

O que é que podemos esperar de Mr. Herbert Quain em 2015?

Eu espero que alguma coisa! Provavelmente mais alguns lives e, talvez, alguma música nova.

E já agora, que o Morrighan está quase a fazer seis aninhos e a entrar para a escola, gostavas de lhe deixar uma mensagem?

Que continue o óptimo trabalho feito até aqui, com a mesma curiosidade e vontade com que vai divulgando tanta coisa boa que se faz cá por Portugal!

Mr. Herbert Quain no Morrighan:

http://www.branmorrighan.com/search/label/Mr.%20Herbert%20Quain

Facebook

https://www.facebook.com/MrHerbertQuain

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[DESTAQUE] Mr. Herbert Quain no Lux – Amanhã, dia 17 de Outubro https://branmorrighan.com/2014/10/destaque-mr-herbert-quain-no-lux-amanha.html https://branmorrighan.com/2014/10/destaque-mr-herbert-quain-no-lux-amanha.html#respond Thu, 16 Oct 2014 16:27:00 +0000

Espaço a sentir. 


É o que nos dá Manuel Bogalheiro – Mr. Herbert Quain. Aparente herdeiro de uma tradição que saiu do trip-hop, das instrumentações taciturnas e dos discos que preencheram domingos a clubbers à procura de ocupar a alma, Quain transpõe para a nossa década a certeza que o sintético e o orgânico continuam a estar muito bem juntos e indistinguíveis, mesmo que por detrás de cortinas de fumo e ecos, sem medo também de nos embalarem à dança, pausadamente, numa inegável lembrança de sonoridades como as de Nicolas Jaar. 

Inês Duarte


No Lux, a partir das 23h30 de amanhã, dia 17 de Outubro. 

Entrevistahttp://www.branmorrighan.com/2014/03/entrevista-mr-herbert-quain-manuel.html

Opinião do último discohttp://www.branmorrighan.com/2014/03/opiniao-blog-morrighan-forgetting-is.html

Foto Reportagem no Tradiio Livehttp://www.branmorrighan.com/2014/06/foto-reportagem-tradiio-live-parte-ii.html

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[Foto Reportagem] Tradiio Live – Parte II – Mr. Herbert Quain https://branmorrighan.com/2014/06/foto-reportagem-tradiio-live-parte-ii.html https://branmorrighan.com/2014/06/foto-reportagem-tradiio-live-parte-ii.html#respond Mon, 30 Jun 2014 19:56:00 +0000

Fotografias por Sofia Teixeira

Considero-me uma pessoa sortuda. À parte da minha vida profissional enquanto investigadora científica e professora universitária, tenho o prazer de me poder dedicar a este blogue que tanto me tem dado e ensinado. Sim, porque as experiências que vou vivendo graças à sua existência enriquecem-me mais do que eu acabo por conseguir transmitir, e isso é de um valor inestimável. 2014 tem sido um ano particularmente prolífero em relação à descoberta de projectos portugueses de qualidade no que toca à cultura musical.

Descobrir a plataforma Tradiio foi uma espécie de doce proibido, pois apesar de o meu tempo livre ser, por vezes, altamente limitado, na primeira fase da aplicação aquilo tornou-se um verdadeiro vício. Mais ainda quando constatei que um dos meus mais recentes artistas preferidos se encontrava por lá. Mr. Herbert Quain, o projecto de Manuel Bogalheiro, é conhecido aqui pelo blogue. Não só já o entrevistei como escrevi uma pequena review do seu último álbum. Ou seja, para quem me lê, espero que este nome não seja de todo desconhecido. Na verdade, na minha modesta opinião, não conhecer Mr. Herbert Quain devia ser considerado perto de crime. Quanto mais não fosse por ter o mesmo nome de uma personagem de Jorge Luís Borges!

Se por vezes ser admirado por um nicho tem a sua magia, a verdade é que muitas vezes esse nicho só não se torna maior por haver poucas apostas no desconhecido. A música por samplagem, cá em Portugal, não é assim tão conhecida nem divulgada, porém temos pessoas de grande talento. Mr. Herbert Quain é, para mim, um talento mais do que confirmado e uma aposta mais do que ganha. Assim o foi no Tradiio, e assim espero que as pessoas se venham a aperceber do quão deliciosa e emocional pode ser a descoberta da música de Mr. Herbert Quain.

Não me quero estender muito mais – afinal cada um de vocês poderá comprovar por si próprio a qualidade do trabalho do Manuel. Dito isto, digo-vos também que ao vivo consegue ser ainda mais brutal. No Tradiio Live, o Manuel acabou por actuar sozinho, mas normalmente faz-se acompanhar por um VJ – o João Pedro Fonseca. Sem essa parte, que complementa imenso a imagética da música de Mr. Herbert Quain, Manuel Bogalheiro não se fez de rogado e deu ele mesmo um belíssimo concerto em que o ambiente e a sinergia com quem o ouvia foi-se tornando cada vez mais especial. Houve músicas e passagens que não me lembro de alguma vez ter ouvido antes e, mesmo estando a fotografar, foi impossível não me deixar transportar, por momentos, para a sonoridade, ganhando o corpo vida própria e um possível resquício de inércia desaparecendo por completo. 

Se já gosto de fotografar a preto e branco, com Mr. Herbert Quain ainda faz mais sentido. Gostei imenso de o ver no Tradiio Live. Atentem neste rapaz, Tradiio e planeta Terra, porque ele ainda tem muito para dar. Isto é só o início.

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Tradiio Live – HOJE – Programação https://branmorrighan.com/2014/06/tradiio-live-hoje-programacao.html https://branmorrighan.com/2014/06/tradiio-live-hoje-programacao.html#respond Sat, 28 Jun 2014 11:26:00 +0000

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[Música da Morrighan] Música do Dia – “Now” de Mr. Herbert Quain https://branmorrighan.com/2014/04/musica-da-morrighan-musica-do-dia-now.html https://branmorrighan.com/2014/04/musica-da-morrighan-musica-do-dia-now.html#respond Sun, 20 Apr 2014 12:17:00 +0000

Forgetting is a Liability é um dos meus álbuns preferidos editados em 2014. Sob o nome de Mr. Herbert Quain, Manuel Bogalheiro apresenta-nos todo um conjunto de sons, samplagens e ritmos que entram em nós, instalam-se nas nossas veias e ecoam durante muito tempo, mesmo depois de terminados. Sobre esta faixa específica já antes tinha escrito:

Dizem que no meio é que está a virtude e, seja coincidência ou não, é nesta quarta faixa “Now” que eu me sinto mais em sintonia, equilibrada e completa. Dado todo o conceito do álbum e todo o sentimento de que para conseguirmos seguir em frente é preciso esquecer, confesso que foi nos próprios samples escolhidos para esta música que mais intensamente revi a urgência que temos do presente para nos proporcionar um futuro livre de amarras, de grilhetas, amplificando ao máximo a necessidade de libertação. Libertação do passado e do agora para se estar pronto para um novo amanhã. Está patente a dualidade, a indecisão, mas ao mesmo tempo uma única certeza “I’m not coming back.”

E se ontem a ideia era não parar, aqui fica uma música que projecta bem as várias contradições existentes dentro de nós e a urgência de um Agora livre. 

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[Opinião Blog Morrighan] Forgetting is a Liability de Mr. Herbert Quain dificilmente será esquecido depois de ouvido https://branmorrighan.com/2014/03/opiniao-blog-morrighan-forgetting-is.html https://branmorrighan.com/2014/03/opiniao-blog-morrighan-forgetting-is.html#respond Wed, 12 Mar 2014 22:31:00 +0000

Há poucos dias anunciei a saída deste álbum a 10 de Março e, por estar rodeada de gente maravilhosa e que com pequenos gestos me enaltece a alma, acabei por ter acesso em primeira mão ao conteúdo de Forgetting is a Liability, alguns dias antes de estar completamente disponível. Tive de me conter até ao lançamento para que, quando me atrevesse a falar desta preciosidade, vocês pudessem ter a possibilidade de a descobrirem por vós mesmos. A verdade é que desde que a ouvi pela primeira vez, não mais consegui deixar de o fazer, nem que fosse apenas uma vez por dia.

“Nothing ever ends” é a afirmação categórica da primeira faixa “Dust of Time“. É aqui que começamos a nossa viagem por Forgetting is a Liability e, desde logo, nos assoma o desejo de que o disco não acabe. A questão principal aqui, a meu ver, é que toda a descoberta se vai tornando sôfrega, ansiosa, impaciente por um clímax que, ao mesmo tempo, não queremos que chegue já, ainda há muito por sentir, por explorar.

Passamos para “Elective Affinities” e mais uma vez Mr. Herbert Quain mistura referências antigas com recentes, numa mistura que faz o nosso coração bater ao ritmo da música, que quando damos conta já nos movemos em sintonia – se não num plano físico, pelo menos num plano astral em que a imaginação nos transporta de onde estamos para uma realidade nossa completamente sensitiva. “All my life I’ve been scared. I didn’t want you to be scared.” E é neste compasso, que nos invade por dentro/que nos devora o peito, que ele nos abandona para a próxima música.

Some rain will fall” é a grande amostra do quão mestre o Manuel se tornou na arte da samplagem. Com cinco contributos diferentes, de épocas distintas, ele consegue criar um som poderoso em que as vozes, e as próprias sentenças, fazem eco na nossa mente. É um convite a mergulhar numa dimensão mais reflexiva. 

Dizem que no meio é que está a virtude e, seja coincidência ou não, é nesta quarta faixa “Now” que eu me sinto mais sintonia, equilibrada e completa. Dado todo o conceito do álbum e todo o sentimento de que para conseguirmos seguir em frente é preciso esquecer, confesso que foi nos próprios samples escolhidos para esta música que mais intensamente revi a urgência que temos do presente para nos proporcionar um futuro livre de amarras, de grilhetas, amplificando ao máximo a necessidade de libertação. Libertação do passado e do agora para se estar pronto para um novo amanhã. Está patente a dualidade, a indecisão, mas ao mesmo tempo uma única certeza “I’m not coming back.”

Sorrow doesn’t live here anymore (I & II)” é o herdeiro de “Now” que nos pega pela mão e reinvoca o clássico “No Country for Old Men“, numa nova conjugação que converge numa miríade de memórias íntimas que foram e já não são. O ritmo compassado ameaça ligeiramente uma saborosa letargia, que nunca toma lugar, mas que se entranha. 

Quem for verificar as várias referências de cada música, rapidamente se apercebe de que as samplagens e os títulos das músicas têm uma relação praticamente intrínseca. Nada é inocente ou deixado ao acaso e novamente prova disso é “The Confession“, um som que nos arrepia, uma voz que chega quase inesperada, e é quase como um baque na nossa consciência, na nossa possível dormência. 

Em muitas mitologias/religiões/superstições, sete é um número repleto de magia. Ainda que não tendo nada qualquer relação com o sobrenatural, “After the waiting you’ll have it twice” seria uma boa desculpa para confirmar essa teoria. É com esta faixa que Mr. Herbert Quain dá por terminado o álbum que aborda todo o tema do esquecimento, como premissa para continuarmos vivos. É um dos meus temas preferidos principalmente pela sua energia. Oscilando entre momentos mais calmos e outros mais efusivos, é uma música que nos dá ânimo, que nos renova, mas que ao mesmo tempo, com as suas sentenças finais, nos faz reflectir sobre o repetir dos actos em relação a consequências passadas. “You can’t repeat the past.” “Of course you can, of course you can.” “Don’t you remember what happened?” 

Adoro o trabalho do Manuel. É impossível não admirar as suas escolhas, as suas selecções tanto a nível cinematográfico como literário, a forma como compõe cada tema não deixando nada ao acaso a não ser a interpretação. Não duvidem, esta opinião é a minha interpretação de cada tema, do conjunto, de tudo o que senti enquanto ouvia o disco. Se calhar nem eram estes os seus propósitos, mas foram estes os meus pensamentos e as minhas divagações. 

Mr. Herbert Quain é um projecto único, que vem dar uma vida que ainda não existe à música portuguesa e que, definitivamente, faz falta. Em si mesmo é uma obra de arte, pois consegue conter universos distintos que, ao som da música produzida, se harmonizam e encontram o seu apogeu dentro de cada um de nós à medida que vibramos com ele. Ele vai buscar o que ficou perdido no tempo, mistura-o com o actual e concebe o futuro. Um músico singular, este Mr. Herbert Quain, que só posso esperar que venha a prosperar muito e que lhe dêem o devido valor. Mal posso esperar pelas actuações ao vivo com o João Pedro Fonseca na projecção de imagens, estou curiosa com o resultado. Forgetting is a Liability tornou-se uma presença obrigatória na minha biblioteca musical. Esqueçam todos os conceitos pré-concebidos que possam ter sobre o que é música a sério e recebam este disco de mente aberta, o resultado pode ser surpreendente.

Disco e info sobre cada faixa: https://zigurartists.bandcamp.com/releases

Entrevista a Mr. Herbert Quain: http://www.branmorrighan.com/2014/03/entrevista-mr-herbert-quain-manuel.html

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Entrevista a Mr. Herbert Quain (Manuel Bogalheiro), Músico Português https://branmorrighan.com/2014/03/entrevista-mr-herbert-quain-manuel.html https://branmorrighan.com/2014/03/entrevista-mr-herbert-quain-manuel.html#respond Wed, 12 Mar 2014 06:33:00 +0000 Aos 26 anos, Manuel Bogalheiro, que dá vida ao seu alter ego Mr. Herbert Quain, este sem qualquer idade, é considerado, por quem o ouve, um músico do século XXI que ousa ir além do convencional trazendo até ao ouvinte uma experiência única. Faz doutoramento em Ciências Sociais e Humanas e estreou-se oficialmente sob a chancela da ZirgurArtists em Outubro de 2012 com o lançamento do seu primeiro álbum How I Learned to Stop Worrying and Start Loving the Waiting. A 10 de Março saiu outro disco seu, que não é considerado nem EP nem LP, mas um disco de transição, Forgetting is a Liability, que ainda antes de estar completamente disponibilizado já começara a criar a burburinho. Depois de o descobrir através do João Pedro Fonseca, gostei tanto da sua música que tornou-se inevitável convidá-lo para uma entrevista em que falasse mais sobre este projecto tão diferente do que se faz por cá. Fiquem então a saber mais sobre Mr. Herbert Quain.

Já produzes música há alguns anos, como é que foi o teu percurso até chegares à identidade Mr. Herbert Quain?

Quando era mais novo, até cerca dos 17 anos, fiz o conservatório de guitarra clássica. Depois disso descobri o computador enquanto ferramenta criativa que permite infinitas possibilidades de manipulação através do digital em relação à guitarra, em que eram precisas muitas horas de trabalho diário de uma forma muito formatada e rigorosa. Essa descoberta mostrou-me que a tecnologia possibilitava coisas que o ser humano não consegue fazer, isto é, um acorde de guitarra pode ser manipulado ao infinito de forma digital, por exemplo. Inicialmente, e motivado por isso, comecei a fazer música numa tentativa de recriar coisas que eu ouvia muito na altura, os Portishead, os Massive Attack, basicamente aquela onda do trip-hop de Bristol. Começou por aí, algumas coisas eram quase pequenos edits de músicas de que eu gostava muito. Na altura surgiu-me o nome de Herbert Quain para dar uma espécie de personalidade ao que fazia. Mais tarde peguei em músicas portuguesas da Simone de Oliveira e da Madalena Iglésias que acabaram por passar na rádio Oxigénio. E o início mais sério terá talvez começado quando surgiu a hipótese de lançar o álbum pela Zigur Artists. Na altura tinha ouvido uma rúbrica na rádio sobre um EP do Morsa, que também faz parte da editora, gostei muito e fui pesquisar sobre a Zigur Artists. Agradou-me e acabei por lhes enviar algum material que tinha. Eles responderam-me no próprio dia a dizer que tinham gostado. Quando mais tarde conheci o António M. Silva, percebi que tinha sido uma boa aposta e que estava a ter a possibilidade de fazer algo completamente livre sem quaisquer condicionamentos. Foi com o lançamento do álbum em 2012 que oficialmente ficou marcado o início do projecto.

Fizeste então o conservatório de guitarra clássica, mas hoje em dia a música que produzes é considerada entre o experimental e a electrónica. Foi a tal possibilidade de criares coisas através dos computadores que são humanamente impossíveis com instrumentos clássicos que te levou a seguir por esse caminho?

Claramente. O computador é uma ferramenta extraordinária que permite criar algo com uma economia de meios impensável há vinte ou trinta anos atrás. E claro que tanto se pode tratar de uma canção pop, num registo mais convencional, como de algo completamente abstracto num registo para o qual ainda não há categoria para o definir. Mas quando se grava qualquer coisa na rua e com aquilo se faz uma batida, aí já se está a fazer aquilo que talvez nunca tenha sido ouvido e que apenas é permitido por algo tecnológico. Não quero dizer com isto que se trate de uma pura simplificação do processo de fazer música. Talvez antes pelo contrário se complexifiquem algumas coisas. E não deixa de existir a necessidade dessas possibilidades tecnológicas serem preenchidas com a musicalidade, com o lado que é sempre irredutivelmente humano. Mas sem dúvida que o computador e as pequenas máquinas que utilizo são vistas como criadores de sons ou recuperadores, quando samplo outras músicas, de qualquer coisa que nunca tivesse sido ouvida antes, nem que seja pelo novo contexto em que aparece. Parece algo ambicioso, mas não é e às vezes é quase o erro que dá origem a qualquer coisa original. Aliás, o meu método de produção é muitas vezes por tentativa e erro, tentar cruzar uma coisa com outra, colocar um excerto a 10 BPM (em que a música fica mesmo muito lenta) e descobrir que novas texturas surgem daí, etc.. Daí ser um processo que me entretém, que me estimula e que, apesar de ser tão focado na técnica, não se torna uma coisa formatada, nunca se torna num processo mecânico. É um processo criativo.

A tua identidade enquanto músico, Mr. Herbert Quain, está fortemente ligada à personagem de Jorge Luís Borges. Porquê essa escolha? Que relação existe entre essa personagem e a tua música?

Herbert Quain é um escritor ficcional criado pelo Borges a quem ele escreve uma espécie de obituário. O curioso é que o Herbert Quain nunca existiu na realidade, portanto o Borges escreveu sobre os livros, que não foram escritos, e a vida de alguém que não existiu a não ser naquele obituário. Além de ter gostado da forma como o nome soava, percebi que esta ficção poderia ter um pouco a ver com a forma como vejo a música que faço. Fazendo eu música muito a partir de samples e de excertos do passado, acaba por resultar uma manta de retalhos ou um puzzle que podia ser de qualquer um. E aí, enquanto autor, sinto que poderia desaparecer e aquilo ficar como uma espécie de património de acasos do tempo, das combinações do antigo e o novo. No limite, ficar apenas uma personagem e uma obra, sempre com a dúvida do que é ficcional, do que é real, do que é que é samplado, do que é realmente composto e tocado, etc.

How I Learned to Stop Worrying and Start Loving the Waiting, o teu primeiro álbum, acaba por reflectir toda essa tua filosofia de misturar o antigo com o nome, a imagética das personagens, dos filmes, etc. Como é que se deu o processo criativo? Vês os filmes ou ouves as músicas com o propósito de as usares ou acaba por acontecer naturalmente?

Varia muito, às vezes é quase aleatório. Às vezes estou a ver um filme e há ali um diálogo que me chama a atenção e que sinto que me transmite algo que quero explorar. Outras vezes é o contrário, estou a produzir uma música e sinto que quero injectar ali um sentido narrativo e acabo por me lembrar de filmes que já tenha visto ou livros que já tenha lido. Não há uma regra, por assim dizer. É algo que também acontece em relação às músicas que samplo. Por vezes o processo começa com a samplagem de fragmentos de músicas de que gosto e que quero recontextualizar. Outras vezes, começo com a composição original de algo e acabam por surgir samples que ilustram aquilo que foi escrito por mim. Depende sempre, acaba por ser tudo muito sem regras, muito indefinido. Acho que cada música pode ter uma história de produção diferente das outras.

A tua história pessoal interfere na música que compões?

De uma forma directa não. Há sempre parte da nossa história pessoal naquilo que criamos. Mas quando penso numa certa narrativa para uma música ou para um disco nunca é propriamente autobiográfica e associo-a sempre à personagem do Mr. Quain.

O que tens produzido está tudo em formato digital e 100% disponível para download gratuito. Sendo a ZigurArtists precisamente uma netlabel, explica-nos como é que esta conjugação acabou por funcionar para a tua música sair cá para fora com um maior destaque.

Em relação a isso, tenho para eles um enorme sentimento de gratidão. Eu tinha o meu círculo de amigos que já sabia disto, houve alguma atenção do Rui Portulez da rádio Oxigénio antes de eu conhecer a ZigurArtists, mas depois essa pequenina erupção para a Antena 3 e para outras rádios, para alguns blogues e para o surgimento dos lives foi, sem dúvida, graças à ZigurArtists e à forma como souberam dar uma imagem mais institucional, por assim dizer, ao conceito Mr. Herbert Quain. O João Pedro Fonseca, por exemplo, não faz música e às vezes é quase como se fosse metade disto. Para além dos monólogos ou dos diálogos que integro nas músicas e que já contribuem para ver algo, por assim dizer, há uma outra dimensão imagética na música, e há sempre momentos hipotéticos de despedidas ou reencontros, de confissões ou de desabafos, e o João faz o trabalho de ilustrar isso de forma concreta, visual, seja no ecrã ou na tela, nas capas… A estética partiu de mim, o preto e branco, os filmes noir, o vintage, isso partiu de mim e geralmente sou eu quem escolho as imagens mas efectivamente é ele quem depois dá contexto concreto a isso. Mas toda a estrutura da ZigurArtists teve um papel muito importante, sem o qual o Mr. Herbert Quain não existiria da forma em que existe hoje. Tenho muito a agradecer ao António M. Silva, ao Afonso Lima, ao Manuel Guimarães, ao José Silva, entre outros que talvez agora me esqueça. Todos eles, sem qualquer ordem, deram um contributo em que cada um à sua maneira foi essencial.

Associaram muito o teu álbum a trabalhos de Nicolas Jaar e DJ Shadow. São fontes directas de inspiração para o que produzes?

São inspirações, claramente. Tanto um como outro. O Endtroducing… do DJ Shadow é dos meus álbuns preferidos; tudo o que o Nicolas Jaar faz bate-me e fica cá. Mas acho que essas associações se fazem mais por terem saído no primeiro press realease do álbum, acabando por catalogá-lo mais do que aquilo que efectivamente representa. E há muitas outras fontes de inspiração, algumas até mais directas, que estão reflectidas na minha música e que raramente são referidas.

Tal como disseste, o João Pedro Fonseca dá forma visual ao teu projecto actuando como VJ nas tuas actuações ao vivo. Como é que essa dinâmica tem funcionado?

Tem funcionado muito bem. O trabalho dele é incrível tanto a escolher as imagens dos filmes para utilizar, como depois a manipular as imagens ao vivo de acordo com a música. Penso que se gera ali um diálogo de imagem-música que naquele momento consegue interpretar muito bem aquilo que está a acontecer. Acaba por existir um clímax musical que ele consegue traduzir num clímax visual, tratando com imagens as quebras, os drops, etc. Entretanto tornámo-nos muito amigos e o projecto ganhou com essa cumplicidade em que existe um entendimento quase tácito. Tenho mesmo muita sorte em poder contar com ele.

Fazendo jus ao nome do teu primeiro álbum, foi preciso aprendermos a amar a espera para voltarmos a ver um novo trabalho teu cá fora. Forgetting is a Liability sai finalmente a 10 de Março…

Sim, possivelmente, eu também precisei de esperar. Aconteceu que o primeiro álbum deu-me mais do que aquilo que eu estava à espera. Não estava à espera das rádios ou de, por exemplo, ser integrado na compilação dos Novos Talentos da Fnac. Foi óptima a forma como o álbum foi recebido na Antena 3, em especial pelo Rui Estêvão, que esteve lá desde o primeiro momento e que acabou por se tornar numa grande fonte de incentivo, mas também pelo Henrique Amaro na Portugália ou pelo Rui Vargas. Como não esperava tanto, tive que assentar e tentar perceber realmente o que é que era isto para mim. Colocou-me uma responsabilidade que não esperava vir a ter para um segundo disco.

Esse impacto na comunicação social repercutiu-se no público em geral?

Foi muito gratificante ter chegado às rádios, por exemplo, mas não me esqueço, e nem convivo mal com isso, de que isto continua a ser a uma escala quase microscópica de pequenos nichos. Não penso que se possa dizer que isto tenha tido uma repercussão verdadeiramente popular. Agora, dentro desses nichos, o feedback tem sido óptimo, o que é muito compensador. De qualquer forma, também acabamos por desenvolver na editora uma postura low profile no que toca à imagem de Mr. Quain, gostando de pensar que estamos a criar uma espécie de comprometimento com quem nos encontra.

Achas que o facto de ter essa postura low profile te protege de alguma maneira de um escrutínio maior das grandes massas?

Qualquer pessoa que cria alguma coisa procurará sempre uma certa visibilidade. Mas essa procura em nenhum momento me condiciona o processo de criação. E achamos que também não deve necessariamente condicionar as formas de divulgação de algo. Optámos por esta postura, não por nenhum receio, mas por acharmos que é aquela que melhor reflecte o conceito do projecto.

Voltando ao lançamento do Forgetting is a Liability, depois de o ouvir fiquei com a impressão de que tem um cunho muito intimo, mais complexo que o teu trabalho anterior. Enquanto produtor do mesmo, como é que o caracterizas?

É algo ainda recente e do qual ainda não tenho um distanciamento suficiente para dizer se é mais ou menos pessoal, mais ou menos complexo. Sei que vejo este disco, sobretudo, como um lançamento de transição. Inicialmente era para ser um EP, com três ou quatro músicas, muito fechado. À medida que estava a trabalhar nas músicas, a narrativa adensou-se e senti necessidade de mais tempo, isto é, mais faixas para contar a história. Acabou por resultar em algo que não é nem um EP, nem um LP. Gostaria de o considerar como algo que está no meio do caminho até ao segundo álbum, no sentido de longa-duração. Até porque sempre coloquei um pouco mais de expectativa num segundo álbum, em que eventualmente gostaria de explorar colaborações com outros artistas, entre outro tipos de desafios a mim mesmo.

Fala-nos um pouco sobre esse conceito de Esquecimento que este disco aborda.

O primeiro disco andava à volta dessa ideia da espera. Este andará mais à volta dessa ideia do esquecimento e de um compromisso que devemos ter para esse acto. “Forgetting is a Liability” prende-se com essa ideia de necessidade, de que para viver é preciso esquecer. Contraria-se um pouco a ideia do quanto mais melhor e das vantagens da acumulação da memória. Apenas esquecendo se pode avançar. O percurso do álbum, até pelos títulos das músicas e pelas falas que estão lá, tenta transmitir um pouco isso.

Existe alguma relação directa/intencional entre os conceitos que acabaste de nos explicação e a componente científica dos teus estudos?

De forma directa, não. Em nenhum momento quero tornar isto numa coisa académica, por assim dizer. Claro que trato temas de que gosto: a memória, o passado, o tempo, o anacronismo, e que também podem ser tratados de forma académica. Mas não há uma intencionalidade propriamente dita nesse eventual cruzamento.


Em termos de actuações ao vivo, onde é que te sentiste melhor até agora?

Sendo suspeito mas sincero, o sítio onde me deu mais prazer tocar foi em Lamego, a terra da ZigurArtists. Foi lá o meu primeiro live e também foi lá o live de que disfrutei mais, no último Zigurfest em Agosto de 2013. Mas houve outros sítios onde me deu também muito prazer tocar, como por exemplo nos improváveis corredores Rádio Universitária de Coimbra.

Estando tu atrás de um ecrã durante o concerto, como é que acaba por se dar essa interacção com o público?

Eu espero que seja essencialmente pela música e, claro, pela imagem também. Tanto eu como o João estamos lá em carne e há uma energia e uma dimensão física na maneira como nós próprios reagimos à música que estamos a fazer ou a ilustrar. Mas espero que seja essencialmente pela música.

São poucos os artistas que conseguem viver da música em Portugal. Enquanto músico, que impacto é que essa percepção tem em ti? Alimentas o desejo de fazer isto a tempo inteiro?

É algo em que, na verdade, não penso muito. Por enquanto é um hobbie que me dá imenso prazer fazer mas que não passa disso e que posso conciliar com o doutoramento. À parte disto, claro que gostaria que fosse contrariado o cada vez menor investimento na cultura em Portugal, que muitos contratos entre editoras e artistas fossem revistos ou que, por exemplo, houvesse um reenquadramento das leis no que toca à samplagem e à propriedade intelectual, de forma a acabar com este actual estado em que tantas vezes a criatividade é boicotada por razões estritamente mercantis. Por outro lado, vejo a internet e as redes sociais como uma forma de abrirem um quadro mais participativo e mais descentralizado em relação às grandes produtoras e às grandes editoras. Quero acreditar que a tecnologia está a dar um passo importante e que depois as editoras dominantes e os próprios sistemas jurídicos e económicos se verão obrigados a ter de acompanhar.

Agora uma pergunta um pouco mais difícil, e com todo o respeito por ambas as partes, mas imagina que uma editora grande, uma Universal por exemplo, te abordava no sentido de te migrares para lá, dando um formato físico, que sei que é algo que desejas, ao teu trabalho. Dado que tens toda essa gratidão e apreço à ZigurArtists, seria uma decisão difícil?

Não posso esconder que tenho uma ambição em um dia ter um lançamento físico. Sou comprador e coleccionador de vinil e gostaria de ter a minha música em vinil. Mas não entendo que apenas isso pudesse ser condicionar uma decisão dessas. A ZA, antes de ser uma editora, é uma plataforma de apoio à criatividade e eu gosto muito de como as coisas lá se fazem. Se um dia se colocasse a possibilidade de editar por outro selo que me pudesse dar outras condições, gostaria muito que a ZA também pudesse estar envolvida e pudesse contar com o excelente modus operandis que até hoje me lá proporcionaram.

Agora as perguntas “fáceis”:

Autores preferidos: Tenho um certo interesse por autores sul-americanos como o Julio Cortázar, o Jorge Luís Borges ou o Roberto Bolaño. Depois há o George Orwell, o Aldous Huxley ou o Philip K. Dick mais ligados a distopia tecnológicas e políticas de que também gosto muito.

Obra preferida: É muito difícil e será sempre uma resposta redutora, mas talvez o Rayuela de Julio Cortázar. Amanhã a resposta poderia ser outra!

Músico preferido: É muito difícil… e redutor também! (risos) Talvez, numa espécie de tributo a uma banda que me fez querer fazer música e marcou a minha adolescência… os Portishead.

Uma pessoa que admires: Qualquer uma da minha família.

Combinação perfeita de Prato e Bebida: Comida portuguesa e vinho tinto.

Projectos num futuro próximo:

O disco saiu esta semana, vamos apresenta-lo ao vivo dia 21 no Café au Lait no Porto e há mais concertos que podem vir a acontecer para Maio e Junho. No imediato, perceber como o disco é recebido.

Sendo Forgetting is a Liability um disco de transição para ti, quer dizer que já estás a pensar no segundo?

Não. Este é um disco de transição para algo que, no entanto, ainda não sei o que é. É perceber o que acontece, portanto.

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Obrigada Manuel, pelo teu tempo e simpatia.

Mais sobre este projecto aqui

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Forgetting is a Liability de Mr. Herbert Quain já está disponível para escuta e download gratuito https://branmorrighan.com/2014/03/forgetting-is-liability-de-mr-herbert.html https://branmorrighan.com/2014/03/forgetting-is-liability-de-mr-herbert.html#respond Mon, 10 Mar 2014 15:36:00 +0000

Tal como anunciado anteriormente, Forgetting is a Liability é o novo disco de Mr. Herbert Quain e já se encontra disponível para audição e download gratuitos.

Quarta-feira é dia de publicar a entrevista feita ao músico Manuel Bogalheiro, mas até lá desfrutem desta sua mais recente produção.

Não querendo ser tendenciosa, adoro a Now 🙂 Brevemente um post a falar sobre este disco. 

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