Nicola Yoon – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Sun, 10 Jan 2021 09:44:27 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Nicola Yoon – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Opinião: O Sol Também É Uma Estrela, de Nicola Yoon https://branmorrighan.com/2018/01/opiniao-o-sol-tambem-e-uma-estrela-de.html https://branmorrighan.com/2018/01/opiniao-o-sol-tambem-e-uma-estrela-de.html#respond Tue, 09 Jan 2018 10:21:00 +0000

O Sol Também É Uma Estrela
Nicola Yoon

Editora: Editorial Presença

OPINIÃO: O Sol Também É Uma Estrela é um daqueles livros que eu gostava de ter lido em adolescente. Porquê? Porque sei que tem todo o potencial para derreter corações apaixonados que ainda têm inocência e carisma suficiente para acreditarem no amor à primeira vista ou para se deixarem apaixonar de coração aberto rapidamente. Em Tudo, Tudo… E Nós, Nicola Yoon já tinha demonstrado mestria em envolver o leitor com os seus protagonistas, em abordar cenários delicados e transportar-nos para realidade com as quais talvez não sejamos confrontados com muita frequência.

Neste romance, para além de uma história que cruza as vidas dos encantadores Natasha e Daniel, a autora consegue abordar duas diferentes perspectivas sobre as consequências de emigração para os Estados Unidos. Natasha nasceu na Jamaica e toda a sua família está ilegalmente nos Estados Unidos, mesmo o seu irmão tendo já nascido no país. Daniel é asiático, os seus pais são coreanos e tiveram de lutar muito por uma vida digna. Estes pequenos grandes pormenores são pontos-chave em momentos desta obra de Nicola Yoon, que volta a ter o potencial de impressionar e conquistar leitores.

Um dos maiores contrastes que nos faz sentir, logo à partida, uma enorme empatia com Daniel e Natasha, é a forma tão diferente como encaram as suas vidas. São dois extremos que provavelmente encontram um equilíbrio no leitor. Ou seja, se por um lado Natasha tem uma mente super prática, pouco romântica e sempre objectiva, Daniel é um romântico incurável e tem alguma crença no destino para o qual acha estar destinado. Natasha vem abalar isso.

E o que eu achei curioso é que não serão poucas as pessoas que já foram um bocadinho como cada um deles. Foi também por isso que ao início disse que gostava de ter lido este livro há uns anos atrás, antes de a vida abanar com a inocência e a crença que tudo é possível se nos esforçarmos o suficiente, que tanto nos caracteriza enquanto somos jovens. 

Nicola Yoon tem uma escrita que já é uma impressão digital. A alternância entre os protagonistas na primeira pessoa, o aspecto sonhador e ao mesmo tempo duro. Esperanças recheadas de algum sofrimento e expectativas que até ao fim não sabemos bem como vão acabar. A forma como construiu a ponte entre Natasha e Daniel e depois alimentou o romance entre os dois está perfeitamente equilibrada com a envolvente familiar que terá implicações directas na sua relação. Ou seja, este romance é sobre este casal, mas é muito mais do que isso. O enredo é forte e bem contextualizado e caracterizado. Uma boa leitura.

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Opinião: Tudo, Tudo… e Nós, de Nicola Yoon https://branmorrighan.com/2016/11/opiniao-tudo-tudo-e-nos-de-nicola-yoon.html https://branmorrighan.com/2016/11/opiniao-tudo-tudo-e-nos-de-nicola-yoon.html#respond Wed, 30 Nov 2016 08:46:00 +0000

Tudo, Tudo… e Nós

Nicola Yoon

Editora: Editorial Presença

Sinopse: Madeline Whittier observa o mundo pela janela. Tem uma doença rara que a impede de sair de casa. Apesar disso, Maddy leva uma vida tranquila na companhia da mãe e da sua enfermeira – até ao dia em que Olly, um rapaz vestido de preto, se muda para a casa ao lado e os seus olhares se cruzam pela primeira vez. De repente , torna-se impossível para Maddy voltar à velha rotina e ignorar o fascínio do exterior – mesmo que isso ponha a sua vida em risco. Nicola Yoon escreveu um livro comovente com uma mensagem para leitores de todas as idades .

OPINIÃO: Quando soube da publicação deste livro, virei um pouco a cara. A comparação com A Culpa é das Estrelas deixa-me sempre num misto agridoce. Esse livro de John Green entrou na minha vida numa altura muito particular e marcou-me muito. Não particularmente pelo amor adolescente, mas mais pelo constante confronto com a possibilidade de uma morte próxima e de como a vida pode mudar tanto num abrir e fechar de olhos. Tudo, Tudo… e Nós, logo pela sua sinopse fazia antever alguma similaridade que, felizmente, não se confirmou assim tanto. Dei por mim a deixar-me fascinar pelo cuidado com que o livro tinha sido escrito, os pormenores gráficos, a candura que, não sendo exagerada, a protagonista foi capaz de transmitir.

Venho de uma série de leituras difíceis, com temas pesados, com estilos narrativos que tocaram no âmago do que é ser-se adulto e já se ter um passado com peso e um presente que procura algum sentido. Cruzar-me com esta obra, após estas leituras, foi um desentorpecer e um romper por entre essa densidade de pensamentos e reavivar a memória do que pode ser tão inocente, tão vivo, tão impulsivo e tão genuíno. Madeline, uma adolescente que comemora 18 anos algures na narrativa, não sabe o que é viver no mundo exterior ao seu quarto. Não sabe o que é iludir-se, desiludir-se, sentir-se como se lhe tivessem tirado o chão debaixo dos pés ou como se a tivessem colocado numa máquina de lavar com centrifugação máxima. Não sabe, até ao dia em que se depara com Olly. 

A história está muito bem contada, a linguagem e o ritmo estão bem equilibrados. Há um problema em lermos estes livros quando já somos “mais crescidos”. Há muitas nuances, que nos livros são pormenores ou apenas faíscas para outros acontecimentos, que possivelmente gostávamos de ver mais desenvolvidos. E isso aconteceu-me muito com a história de Olly e mais tarde com a mãe de Maddie. Uma coisa é certa, Nicola Yoon foi exímia na descrição da evolução do turbilhão de sentimentos que Maddie foi descobrindo à medida que se intensificava o seu contacto com Olly. O formato adoptado, com registos de diários e outros apontamentos manuais, fazem diferença. Fazem-nos relembrar como é que nós mesmas/os agíamos quando nos apaixonámos pela primeira vez. Não tenho qualquer problema em recomendar este livro a quem procura algo leve, bonito e até algo ingénuo. Ah! Confirma-se: quem gosta de John Green vai certamente gostar deste livro. 

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