Nuno Capela – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:44:25 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Nuno Capela – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 A Noite Mesmerizante com Marlon Williams, no Lisboa ao Vivo https://branmorrighan.com/2018/11/a-noite-mesmerizante-com-marlon.html https://branmorrighan.com/2018/11/a-noite-mesmerizante-com-marlon.html#respond Mon, 19 Nov 2018 09:59:00 +0000 Fotografia Nuno Capela

Marlon Williams esteve este Sábado no Lisboa ao Vivo e o resultado foi um público mesmerizado e de coração roubado. 

Marlon Williams, oriundo da Nova Zelândia e com apenas 27 anos, conta já com uma sólida fracção de admiradores de todas as idades. Foi mesmo isso que se provou no passado Sábado, no Lisboa ao Vivo. Luzes apagadas, eis que surge o primeiro foco ao piano e lá está ele a iniciar um concerto que se caracterizou por um constante crescendo de intensidade. Se nos primeiros temas parecia algo tímido, tendo comentado que não esperava tanta gente na sala, já que era a primeira vez que actuava em Lisboa, a performance dos últimos temas já foi completamente desprovida de constrangimentos, num jogo de sedução hipnotizante. 

Uma pequena nota em tom de curiosidade. Marlon Williams já havia estado em Lisboa aos 18 anos para um concerto. Esse concerto, no entanto, havia sido com o coro católico do qual fazia parte. Pode ter passado algum tempo desde a sua vinda, mas não será demais dizer que passou a existir uma espécie de love affair com o nosso país, já que foi a segunda vez que veio a Portugal  este ano. Os primeiros corações roubados aconteceram no Festival Paredes de Coura em Agosto e na passada Sexta-feira tocou no Festival Para Gente Sentada. 

Este regresso a Portugal teve então o mote de apresentar o seu mais recente disco “Make Way for Love”  a norte e a sul do país. Entrado em palco, sentado ao piano, os primeiros suspiros já se faziam ouvir. Não é segredo nenhum que Marlon Williams transporta uma grande dose de charme com ele e todo o seu reportório envolve uma certa melancolia sedutora. 

No seu jeito de menino que anda pelo mundo, por vezes sonhador, outras vezes de coração perdido, Marlon Williams é senhor de uma voz extraordinária. Se ouvir os discos em casa consegue ter o efeito de evocar uma espécie de realidade anestesiante, ao vivo a experiência é totalmente arrepiante. A seu favor tem a banda talentosa que traz consigo, com especial destaque para o baixista que tem uma voz igualmente notável. As harmonias entre os dois funcionam de forma belíssima. 

Entre ritmos mais fortes e baladas a invocarem o lado mais emocional, a viagem que se faz com Marlon Williams é uma espécie de road trip  da adolescência à vida adulta, com bagagem ainda por resolver. Temas como What’s Chasing You, Party Boy, Vampire Again, I’m Lost Without You e Nobody Gets What They Want Anymore não faltaram e foram, sem dúvida, dos mais aclamados. Este último, como  já poderão saber, consta num tema conjunto com a sua ex-namorada Aldous Harding. Em tom de brincadeira, o músico alegou que toda a gente deveria fazer o mesmo, ter uma música com o ex-companheiro . Que era terapêutico! A certa altura, o músico neozelandês apresentou uma nova canção dedicada aos filhos que (ainda) não tem. Ou pelo menos assim espera, brincou o músico. Os risos partilhavam-se e a boa disposição era palpável.  

O que, na verdade, acaba quase por ser contraditório com o teor das suas canções. E este é um fenómeno admirável nos concertos de Marlon Williams. Não é que se comemore os desastres amorosos, mas sente-se a partilha de emoções e quase como que um reforço do tradicional “eventualmente ficará tudo bem”. 

Penso que não haverá quem tenha saído do Lisboa ao Vivo sem se sentir deslumbrado e arrebatado. Claro que findo o concerto se exigiu um encore e o espectáculo  terminou com Marlon Williams apenas entregue ao microfone. Escusado será dizer que foi uma performance  que nos provou que estamos perante um músico com uma voz invejável, capaz de ir dos agudos aos graves de forma sublime, e que sabe como usar a história da sua vida para criar belíssimas canções, encantando por onde passa. 

Nota de destaque também para Ryan Downey, o artista que fez a primeira parte da noite. Munido apenas de duas guitarras, uma acústica e uma eléctrica, mostrou-nos um pouco do seu belíssimo trabalho e voltou ao palco para uma actuação especial com Marlon Williams. Um músico que considero que vale a pena manter debaixo de olho.

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[Reportagem] Roger Waters na Altice Arena: o poder do activismo num grito anti-Trump https://branmorrighan.com/2018/05/reportagem-roger-waters-na-altice-arena.html https://branmorrighan.com/2018/05/reportagem-roger-waters-na-altice-arena.html#respond Mon, 21 May 2018 12:45:00 +0000 Fotografia Nuno Capela

Roger Waters tem andado na boca do mundo com o seu activismo declarado sob várias formas. “Us and Them”, a sua digressão que começou há exactamente um ano e na qual apresenta temas do seu último disco e dos Pink Floyd, tem sido uma das suas mais emblemáticas e brutais formas de expressão.

Se é verdade que os Pink Floyd marcaram e continuam a marcar geração atrás de geração, o britânico não deixa o legado morrer e mantém-no bem vivo através de um alinhamento que tem a capacidade de nos fazer voltar atrás no tempo musicalmente, mas que nos deixa bem presentes no que à actualidade política diz respeito. Caracterizada por uma magnitude inebriante tanto sonora como visual, a actuação na Altice Arena fica na memória pela sua emotividade que percorre espectros entre a contemplação e o amor, mas também o terror e revolta. Os apelos à empatia humana e à resistência ao sistema foram constantes, nunca descurando da qualidade da execução musical.

Às 21h00 o ecrã gigante da Altice Arena torna-se palco de um vídeo que prima pela paisagem aparentemente pacífica, mas que de alguma maneira incita à reflexão ou à extrapolação sobre os seus vários potenciais significados e desenvolvimentos. Termina em céu de sangue e só mais tarde vamos fazendo associações a esta pequena introdução. No fim voltamos ao princípio e o círculo fecha-se. Até lá, e enquanto não sabemos bem o que se vai passar, quando damos por nós começa a gravação de “Speak to Me” e todos os elementos já se encontram em palco. São 21h20 e o melhor ainda está para vir.

Foi tudo desenhado ao pormenor. Se por um lado estávamos num concerto, por outro parecia que estávamos numa espécie de sala de cinema 3D, com som panorâmico em que o arrebatamento estava a virar de cada nota. A atenção era constantemente dividida entre o palco e o seu leque magnífico de artistas com o ecrã gigante que transmitia imagens cujos significados variavam consoante as canções. Em “Breathe” já o público se fazia ouvir a plenos pulmões e cedo se adivinhou que o concerto tinha tudo para ser bastante emotivo. Roger Waters é tão expressivo quanto alguém pode ser e de tempos a tempos cumprimentava o público, por vezes até individualmente (dentro do possível). Sentia-se uma grande proximidade com ele e com a restante banda.

Não será demais dizer que foi um concerto em crescendo. As vozes femininas em “Time”, cujo vestuário encaixou perfeitamente no efeito visual dos ecrãs parecendo que flutuavam em pleno espaço, arrepiaram. “Welcome to the machine” trouxe mais uma bela dose de realidade e dos tempos que enfrentamos que foi prolongada com os temas seguintes que pertencem já ao reportório pessoal de Roger Waters. Entre as projeções nos ecrãs conseguimos vislumbrar uma Deusa da Justiça (representação grega) a contracenar com o discurso sobre refugiados e morte, tendo sempre como alvo os maiores representantes políticos e, principalmente, Donald Trump. O presidente norte-americano foi o maior alvo de todo o concerto e é admirável como Roger Waters abre o peito às balas de forma tão contagiante. Houve alturas em que a febre era tão partilhada que facilmente se podia sentir aquele frémito de motim.

Em “Wish You Were Here”, as emoções voltam a sucumbir, houve quem largasse umas lágrimas ali perto, para logo a seguir termos outra manifestação activista em “Another Brick In The Wall”. Ao palco subiram crianças portuguesas vestidas como presidiárias, encapuçadas, que ao longo do tema primeira tiraram os capuzes e depois parte da vestimenta em que por baixo tinham uma camisola a dizer “RESIST”! Terminado o tema, foi tempo para um intervalo de 20 minutos em que no ecrã gigante rodavam, para além da palavra RESIST, frases cujos alvos iam desde o CEO do Facebook à nova directora da CIA. Ao mesmo tempo que todas estas frases rodavam no ecrã, eram diversos os sons que ribombavam pela arena, transportando-nos para locais de guerra, ambulâncias e outros cenários que servem como um abanão à dormência da sociedade perante o caos que continuamos a noticiar na Palestina e em Israel.

Acabada a pausa, vemos surgir uma instalação suspensa por cima do público que acabaria por servir como ecrã panorâmico para a segunda parte do concerto. Em palco, dá-se uma altura em que os próprios músicos encenam uma espécie de freak show, com máscaras de porcos enquanto se servem de champanhe. A mensagem torna-se clara “pigs rule the world”, até ao momento em que Roger tira a sua máscara e levanta uma tábua com outra mensagem bastante clara: “fuck pigs”. A partir daqui o simbolismo do porco, sempre associado a Donald Trump, torna-se central. São várias as citações que aparecem nos ecrãs, todas elas ditas por Trump, todas elas impregnadas de uma arrogância e capitalismo que levam à declaração final, em português: Trump é um Porco. Enquanto assistimos a isto, existe um porco gigante voador que de um lado diz “Stay Human” e do outro a devida tradução “Mantém-te Humano”.

Ainda antes do encore temos o privilégio de regressar a “Money”, com aquele solo sempre pugente, “Us and Them”, que arrancou um coro forte do público, “Brain Damage”, sempre capaz de nos fazer entrar em contacto com o pequeno lunático que temos em nós, e “Eclipse”, um dos temas mais simbólicos do disco “Dark Side of The Moon”, dos Pink Floyd.

O encore chega após uma pequeníssima pausa e Roger Waters aproveitou mais uma vez para interagir com o público. Apresentou a banda que o acompanha, incluindo o seu “guitarrista hippie” magnífico que faz, e extremamente bem, as vozes de David Gilmour nas canções de Pink Floyd. Reforçou também a ideia de que é cada vez mais importante mantermos a capacidade de sentirmos empatia com o ser humano e revela que a próxima canção é baseada num tema que “roubou” a um “herói” poeta palestiniano. Seguiram-se então os temas “Wait for Her”, “Oceans Apart” e “Part of Me Died” (esta última particularmente tocante), para o concerto encerrar com a carismática “Comfortably Numb”.

Actuação terminada, Roger Waters agradece ao público. A sua euforia e força é contagiante e o público responde, ovando magnificamente, retribuindo assim de forma inequívoca e efusiva. Não será demais dizer que dificilmente não se saiu daquele espectáculo um pouco mais humano, um pouco mais solidário, tremendamente mais consciente. Obrigada, Roger Waters, pela tua irreverência e por continuares a ser uma inspiração.

Primeira parte:

Speak to Me (Pink Floyd)

Breathe (Pink Floyd)

One of These Days (Pink Floyd)

Time (Pink Floyd)

Breathe (Reprise) (Pink Floyd)

The Great Gig in the Sky (Pink Floyd)

Welcome to the Machine (Pink Floyd)

Déjà Vu

The Last Refugee

Picture That

Wish You Were Here (Pink Floyd)

The Happiest Days of Our Lives (Pink Floyd)

Another Brick in the Wall Part 2 (Pink Floyd)

Another Brick in the Wall Part 3 (Pink Floyd)

Segunda parte:

Dogs (Pink Floyd)

Pigs (Three Different Ones) (Pink Floyd)

Money (Pink Floyd)

Us and Them (Pink Floyd)

Smell the Roses

Brain Damage (Pink Floyd)

Eclipse (Pink Floyd)

Encore:

Wait for Her

Oceans Apart

Part of Me Died

Comfortably Numb (Pink Floyd)

Fotografias Nuno Capela

Reportagem originalmente escrita para a SAPOMAG: https://mag.sapo.pt/showbiz/artigos/roger-waters-na-altice-arena-o-poder-do-ativismo-num-grito-anti-trump

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[Reportagem] Tudo agora. Os incríveis Arcade Fire no Campo Pequeno https://branmorrighan.com/2018/04/reprotagem-tudo-agora-os-incriveis.html https://branmorrighan.com/2018/04/reprotagem-tudo-agora-os-incriveis.html#respond Tue, 24 Apr 2018 09:57:00 +0000

Disclaimer: Esta reportagem foi escrita de madrugada para ser entregue à SAPO MAG. Perdoem-me alguma falta de coerência, mas o deslumbramento era tanto como o cansaço. Melhor concerto! Obrigada SAPO MAG pela oportunidade.

Esta reportagem não pode começar de outra maneira a não ser a dizer que os Arcade Fire deram um concerto absolutamente incrível. Com um Campo Pequeno esgotadíssimo, era palpável no ar a ansiedade que se fazia sentir para receber a banda canadiana.

Já com uma mão cheia de discos no reportório, “Infinite Content” é o nome da tour que tem como mote “Everything Now”, o último disco, uma digressão que ficará certamente marcada pela sua grandiosidade e produção notáveis.

Desde o início do concerto que todos os pormenores se revelaram preciosos e cheios de significado. O cenário montado é diferente do tradicional, uma espécie de arena quadrada no meio da sala do Campo Pequeno, incluindo as redes de uma arena de luta. No entanto, a única luta que houve dentro daquele quadrado foi em forma de dança, de expressividade e de explosão de emoções.

O palco continha ecrãs superiores que tanto transmitiam em direto vários pontos do palco, como transmitiam um misto de manipulação e sobreposição de planos ou até de outros materiais gráficos da banda, como vídeos dos singles.

Ao vivo, os Arcade Fire são um exemplo de competência feliz. Cada elemento é multifacetado, rodando nos inúmeros instrumentos que entram e saem de palco, e as vozes de Win Butler e de Régine Chassagne nunca nos deixam ficar mal. A energia com que percorrem o palco e se entregam a cada canção é invejável. Tudo isto aliado à produção de luz e vídeo com que se apresentaram, fez com que o concerto tomasse contornos e dimensão soberbos.

“Everything Now”, tema homónimo ao mais recente disco, abriu as hostes e a euforia instalou-se. O ambiente foi electrizante e os próprios elementos da banda não se fizeram rogados em trepar postes de apoio ou aproximarem-se do público. E voltando aos pormenores, neste tema, por exemplo, os ecrãs passavam a mensagem “TUDO AGORA”. Muitas das letras de Arcade Fire incentivam ou provocam, e essa comoção e empatia com os seus fãs notou-se principalmente pelo respeito e manifestação entusiasta que foi constante ao longo do concerto.

Mesmo quando Régine ou Butler percorriam o público vindos de um pequeno palco lateral, tudo aconteceu de forma perfeitamente fluída e sem atropelamentos ou confusões. Mas não se enganem, isto não quer dizer que o público estivesse calmo ou apático. Houve alturas em que as paredes do Campo Pequeno devem ter estremecido com a força dos cânticos dos fãs que se fizeram ouvir fortemente.

Há um sério caso de amor entre o público português e os Arcade Fire. Na bancada não havia ninguém sentado durante o concerto todo e até nas canções mais recentes a plateia se fazia ouvir. O encore viria a ser obrigatório com Butler num inicialmente calmo “We Don’t Deserve Love”. Foi um momento bonito do espectáculo, que contrastou com a intensidade que temas como “Ready to Start” ou “Creature Comfort” impuseram durante o restante concerto. Foram quase duas horas e meia, mas podiam ter sido mais. O público certamente agradeceria.

Para fechar, os Preservation Hall Jazz Band juntaram-se à banda em palco e com pompa e circunstância, sempre com o carinho do público, lá regressaram aos camarins, mas não sem antes pararem à porta para mais um reforço em coro. Este foi, para mim, um dos melhores concertos que alguma vez vi.

ALINHAMENTO:

Everything Now

Rebellion (Lies)

Here Comes the Night Time

Haïti

No Cars Go

Electric Blue

Put Your Money on Me

It’s Never Over (Oh Orpheus)

Neighborhood #4 (7 Kettles)

Neighborhood #2 (Laika)

Neighborhood #1 (Tunnels)

The Suburbs

The Suburbs (Continued)

Ready to Start (Damien Taylor Remix outro)

Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)

Reflektor

Afterlife

Creature Comfort

Neighborhood #3 (Power Out) (com snippet de ‘I Give You Power’)

Encore:

We Don’t Deserve Love

Everything Now (Continued) (com Preservation Hall Jazz Band)

Wake Up (com Preservation Hall Jazz Band)

Fotografias NUNO CAPELA

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[Diário de Bordo] Riding Pânico apresentaram “Rabo de Cavalo” no Musicbox Lisboa https://branmorrighan.com/2017/03/diario-de-bordo-riding-panico.html https://branmorrighan.com/2017/03/diario-de-bordo-riding-panico.html#respond Sat, 18 Mar 2017 21:37:00 +0000

Fotografias por Nuno Capela

Não me consigo recordar bem quando é que descobri os Riding Pânico. No entanto, recordo-me bem da sensação que tive ao vê-los pela primeira vez. Não é novidade para ninguém neste blogue que sou uma pessoa que sente muito a música ao vivo. Mais do que em casa, ou no carro, ou em qualquer outro lugar “ambulante”. Trata-se de algo puramente energético. Às vezes há discos que ouvimos e parecemos delirar com eles, mas que ao vivo parecem até ficar estranhos, parecem não ser a mesma coisa. Depois temos o outro lado. Discos que ouvimos em casa e gostamos imenso, mas que ao vivo fazem corar o que ficou gravado. E com isto não quero diminuir, de forma alguma, o trabalho de produção e execução do disco, quero antes enaltecer a capacidade que os músicos têm de dar uma forma ainda mais física e  dimensional à música. Os Riding Pânico, mesmo com todas as mudanças de formação ao longo dos anos, têm sido uma destas bandas.

Rabo de Cavalo é, a meu ver, um disco que ao início se estranha, mas que depois se entranha. Penso que poderão concordar que está bastante diferente dos registos anteriores, daí o estranhar. No meu caso o entranhar chegou depois de os ver ao vivo. Normalmente quando um disco estreia, com concerto de apresentação em data próxima e comigo a ter planos de ir, poucas vezes o ouço. Sim, é verdade. Poucas vezes o ouço porque se vou ter a oportunidade de o ver ao vivo, quero depois transportar essa vivência para futuras audições. E os seis músicos em palco fizeram bem o seu trabalho. Sendo uma banda que não tem tocado com muita frequência, e ainda para mais sendo um concerto de apresentação, foi natural assistir a um crescendo de familiaridade e conforto em palco. Confesso, acho que tem o seu quê de fascinante seis músicos que me parecem tão diferentes uns dos outros, conseguirem partilhar e transmitir tanta harmonia, mesmo entre todas as dissonâncias. O comprometimento com cada instrumento é visceral, mas a forma como também se procuram uns aos outros para distribuírem a sua força, entusiasmo, calma ou euforia, é o que faz dos Riding Pânico uma banda de referência.

O alinhamento foi o que seria de esperar, músicas novas, intervaladas de outras mais familiares. Testemunhámos que há espaço para tudo. Para sons muito perto do pós-rock, para outros mais crus, diria que alguns até são mais “tropicais”. Existe ali uma linha irreverente, serpenteante, que marca o compasso em vários temas. A verdade é que os Riding Pânico se tornaram neste “monstro” – no bom sentido – mutável que se tem metamorfoseado não só com as vivências de quem se vai mantendo ao longo dos anos, mas também com os novos contributos de novos elementos que se têm juntado. Neste momento os Riding Pânico são: Fábio Jevelim, Makoto Yagyu, Miguel Abelaira, João Nogueira, João Pereira e José Penacho. Facilmente reconhecerão estes nomes de outros projectos. Foi uma noite muito bonita, direita ao que interessa, sem encores, mas com muita gratidão de ambas as partes – banda e fãs, que agora só querem saber de novas datas. Foi uma bela forma de me despedir de Portugal por uns tempos. Obrigada, Riding Pânico! 

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[Foto Reportagem] 8º Aniversário BranMorrighan no Maus Hábitos! Aventura pelo Porto com The Rite of Trio, Few Fingers, Surma, Then They Flew e Malibu Gas Station https://branmorrighan.com/2017/02/foto-reportagem-8-aniversario.html https://branmorrighan.com/2017/02/foto-reportagem-8-aniversario.html#respond Mon, 06 Feb 2017 19:18:00 +0000

O PORTO É AMOR!

Fotografias da nossa aventura com a câmara do Nuno Capela, mas com fotografias não só dele como minhas e do Eugénio Ribeiro. Brevemente o Diário de Bordo, com menos fotografias, quem sabe com outras, com o testemunho da aventura que foi! Com Maus Hábitos, The Rite of Trio, Few Fingers, Surma, Then They Flew e Malibu Gas Station! Só quero deixar claro que sou a pessoa mais grata do mundo por ter estas pessoas na minha vida! Muito obrigada a todos os que tornaram o dia 3 de Fevereiro uma realidade tão boa! Mil beijos!

PS: Fotografias tiradas na Torre dos Clérigos, na Lello, na Leica, nos Aliados, no Maus Hábitos e num ou outro sítio extra. Beijos! 

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[Foto Reportagem] First Breath After Coma no CCB, primeira parte de José James, Misty Fest https://branmorrighan.com/2016/11/foto-reportagem-first-breath-after-coma-2.html https://branmorrighan.com/2016/11/foto-reportagem-first-breath-after-coma-2.html#respond Tue, 15 Nov 2016 14:17:00 +0000

Fotografias Nuno Capela

NOTA: Durante o som o Roberto, vocalista, não esteve presente por estar a trabalhar, mas chegou a tempo de dar um belo concerto! 🙂

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[Foto Reportagem] Concertos Why Portugal – Dia 10 – Surma no Musicbox https://branmorrighan.com/2016/11/foto-reportagem-concertos-why-portugal_13.html https://branmorrighan.com/2016/11/foto-reportagem-concertos-why-portugal_13.html#respond Sun, 13 Nov 2016 16:57:00 +0000

Fotografias de Nuno Capela e Sofia Teixeira

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[Diário de Bordo] Surma, na Galeria Zé dos Bois https://branmorrighan.com/2016/10/diario-de-bordo-surma-na-galeria-ze-dos.html https://branmorrighan.com/2016/10/diario-de-bordo-surma-na-galeria-ze-dos.html#comments Tue, 25 Oct 2016 15:54:00 +0000

Fotografias de Nuno Capela, excepto as dos matraquilhos (parede preta riscada) que são da Vera Marmelo com a máquina do Nuno Capela, eheheh

Que a Débora, desde que vestiu o papel de Surma, não tem parado, ninguém pode negar. Tem viajado pelo país inteiro, já passou por Espanha e Alemanha, está prestes a ir a França e certamente muitos outros destinos não lhe faltarão. Mas pouco serão como a Galeria Zé dos Bois, onde na passada Sexta-feira abriu para Alex Cameron. Foi a minha primeira vez na ZdB, é verdade. Um crime hediondo porque apesar de acompanhar de perto a actividade do espaço cultural, nunca tinha ido. Fiquei completamente apaixonada. A P A I X O N A D A! E tendo feito parte dos bastidores de uma actuação, fiquei completamente encantada com o carinho, simpatia, familiaridade e boa disposição com que aquelas horas pré-concerto foram passadas. A equipa foi a mesma de outras vezes: a Débora, a Joana, eu e o Capela. E bom bom, foi termos a Vera Marmelo connosco, cujo trabalho já divulguei aqui no blogue e que é uma pessoa daquelas raras, que é mesmo bom termos por perto! 

O concerto foi lindo e a Débora tem a capacidade de me surpreender de cada vez que a vejo ao vivo. Dado que já a vi dezenas de vezes, acho que dizer isto é muito. Ela está a crescer a um ritmo que me comove e que me orgulha. Sempre tão genuína, tão cândida e ao mesmo tempo atrevida. É um mix que lhe assenta que nem uma luva e que espero que ela possa manter esta inocência o máximo de tempo possível. E é isto! Foi uma Sexta-feira mesmo, mesmo boa! Desculpem qualquer trapalhada no texto, foi escrito meio à pressa, mas de coração! 

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[Foto Reportagem] Surma no Milhões de Festa, por Nuno Capela https://branmorrighan.com/2016/08/foto-reportagem-surma-no-milhoes-de.html https://branmorrighan.com/2016/08/foto-reportagem-surma-no-milhoes-de.html#respond Mon, 08 Aug 2016 11:18:00 +0000

Fotografias pelo Nuno Capela

Eu estava em Londres em trabalho e com muita pena minha não pude acompanhar a Surma nesta bela experiência no Milhões de Festa, mas o Nuno Capela aceitou o desafio de o fazer por mim e mais uma vez o seu registo fotográfico passa de forma extraordinariamente vivida a alegria e a cumplicidade vividas no festival. Até breve! 

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[Foto Reportagem] First Breath After Coma apresentaram Drifter num Musicbox praticamente Esgotado https://branmorrighan.com/2016/08/foto-reportagem-first-breath-after-coma-3.html https://branmorrighan.com/2016/08/foto-reportagem-first-breath-after-coma-3.html#respond Sat, 06 Aug 2016 21:40:00 +0000

Fotografias por Nuno Capela

Ontem no Musicbox foi mais ao menos assim – UM ESPECTÁCULO! Como sou suspeita e já começaram a sair reportagens, deixo-vos a do Música em DX para vocês comprovarem que não é só de mim, estes rapazes estão mesmo uns senhores gigantes em palco e a maioria ainda nem o quarto de século atingiu! No fim deu para descontrair, falar com fãs e, claro, fazer o belo do tetris para encaixar o material todo. Os próximos concertos agendados passam pelo Vodafone Paredes de Coura e pela participação no festival Reeperbahn, na Alemanha! Quem for ao melhor festival português, prepare-se que dia 19, pelas 18h00 vão ter provavelmente um dos melhores concertos do dia/festival! 🙂 

Um obrigada do tamanho deste mundo ao Nuno Capela por mais uma vez fazer um trabalho brutal na cobertura dos concertos aqui para o BranMorrighan. Tenho o maior orgulho nas bandas da Omnichord Records, em todas elas, e por isso volto a reiterar o meu agradecimento ao Hugo Ferreira pelo convite em fazer parte disto e às bandas por me acolherem tão bem e fazerem-me sentir como parte da família. Mil beijos e apanhem-nos por aí! 

PS: Deixo-vos aqui o que escrevi hoje, já com a emoção mais calma, no meu perfil pessoal do Facebook: «Conheci estes “miúdos” (eles já não me levam a mal que os trate assim) na FNAC do Chiado há quase três anos atrás. Era apenas blogger, ainda longe de imaginar o início desta maravilhosa aventura com a Omnichord Records, e fiquei logo enamorada pela abordagem ao post-rock já com uma personalidade tão própria. Drifter, o disco lançado em Maio, vem com uma impressão digital já tão vincada, tão deles, que tornou-se impossível compará-los a outros, mesmo quando se tenta comparar aos maiores. É que este caminho é só deles e é-o muito bem. Aqui uma amostra ao vivo no CCB, mas tenho a dizer que o melhor concerto que vi deles desde que lançaram o disco foi ontem no Musicbox, com mais de 200 pessoas em que boa parte tinhas as letras na ponta da língua. Segue-se o Festival Paredes de Coura dia 19, com a participação do David Santos na Umbrae (Noiserv), e não tenho dúvidas que vai ser tão bom ou melhor ainda. 

O nome First Breath After Coma pode ter tido origem numa música dos Explosions in the Sky, mas há muito que a semelhança é apenas essa e agora são ambos projectos que poderiam andar lado a lado em digressão, tocando-se apenas nesse pormenor, pois são ambos gigantes de um género que mexe tanto com os nossos corações e emoções. Fixem bem e apanhem-nos onde puderem.»

F I R S T    B R E A T H    A F T E R    C O M A

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