O Abominável – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:34:47 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png O Abominável – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Playlist da Quinzena] 1 a 15 de Abril de 2015 – As Escolhas de Vítor Pinto (O Abominável) https://branmorrighan.com/2015/04/playlist-da-quinzena-1-15-de-abril-de-2.html https://branmorrighan.com/2015/04/playlist-da-quinzena-1-15-de-abril-de-2.html#respond Wed, 01 Apr 2015 08:29:00 +0000

O mês de Abril começa com o dia mais quente desta semana, mas também com uma playlist de alguém que gosto muito e que tive a oportunidade de conhecer quando me cruzei com os O Abominável. Na verdade todo o grupo é excelente e hei-de convidá-los a participarem nesta rubrica também, mas calhou um dia trocar algumas impressões com o Vítor e ele mostrar-me uma playlist sua no Spotify que guardei logo. Cruzava tantos estilos que acabei a conhecer coisas novas e achei que fazia todo o sentido convidá-lo para esta rubrica. Se nunca tiveram a oportunidade de ver O Abominável, por agora eles estão inactivos, mas não podia terminar este post sem referenciar o frontman/vocalista extraordinário que o Vítor é. Uma pessoa cheia de energia, com um mundo inteiro por mostrar e que por isso só poderia vir aqui parar. Obrigada, Vítor.

1 – Mysteries – Newly Thrown (New Age Music is Here, 2014)

Descobri os Mysteries há pouco tempo através de um videoclip com um conceito invulgar realizado pelo Kris Moyes, e como uma coisa leva à outra, fiquei imediatamente intrigado com o seu primeiro registo “New Age Music is Here”.

O burburinho desta banda começa pelo facto de serem completamente anónimos, inclusive para a sua editora “Felte Label”, especula-se que a mesma os agenciou a partir do momento em que estes deixaram uma Demo à sua porta. Aparentemente o objectivo deste anonimato nasce da vontade de não quererem que a atenção de o seu possível público vá mais além do que a música que fazem, conceito esse com o qual me consigo identificar e talvez por isso não ter conseguido ficar indiferente depois de confrontado com este novo trio.

2 – How to Destroy Angels – Ice Age (Welcome Oblivion, 2013)

Gosto desta canção por se destacar do registo usual do Welcome Oblivion, uma pérola no meio de uma experiência musical que só uma pessoa como Trent Reznor poderia conceber.

Todo o álbum é bastante enigmático e intrínseco.

3 – Viet Cong – Continental Shelf (Viet Cong, 2014/2015)

Agrada-me que o Post-Punk ainda consiga sofrer mutações em pleno Século XXI e os Viet Cong são um exemplo perfeito disso.

Para quem gostar do género, o álbum homónimo e por consequente o primeiro da banda está cheio de contrastes e melodias muito interessantes, acaba por ser um processo experimental por cima do registo mais “negro” e cru a que o Post-Punk já nos habituou.

4 – Radiohead – Feral (King of the Limbs, 2011)

Deve ser difícil qualificar exactamente o impacto que Radiohead teve no nicho, seio e indústria musical, mas para quem conhece a banda minimamente sabe que ela foi uma espécie de viragem do jogo e uma inspiração para muitos músicos.

Não obstante o que mais me cativa neles é que a banda foi-se tornando gradualmente na epítome sonora de como jogar com a Música “Acústica” e electrónica e construir assim composições pertinentes e interessantes, jogo esse que tem vindo a ser aprimorado e que na minha opinião, foi eximiamente eficaz no último registo da banda até a data.

Esperemos que 2015 ainda seja o ano de um novo lançamento.

5 – Zazen Boys – Ghost of a Cyborg (Stories, 2012)

Acho bastante piada que o Math Rock seja uma espécie de música Pop no Japão, País este pelo qual tenho um enorme fascínio em muitos aspectos, a música é um deles.

Zazen Boys são da Capital, Tokyo, e são bem mais que “Math Rock”, são também uma espécie de “Math-Funk”(?), se o mesmo existir.

Um grupo de músicos incríveis com seis álbuns desde 2004 até ao presente com a maioria dos temas cantados na sua língua materna, o que não deixa de ser extremamente interessante como uma experiência sonora imersa em ritmos ousados.

6 – Kendrick Lamar – Complexion (A Zulu Love), (To Pimp a Butterfly, 2015)

Conheço o básico do Hip-Hop, conheço o movimento na sua forma histórica e muitas das suas figuras através de Registos visuais e escritos, no entanto, já vi alguns dos “grandes” ao vivo mas não me considero uma pessoa que vive dentro do espectro do Hip-Hop, considero-me sim, um apreciador de algumas situações.

Kendrick Lamar (que por acaso também já vi ao vivo e será para mim um dos grandes), recebi-o talvez de forma tão fervorosa como qualquer outra banda ou artista que me apanhasse desprevenido e me agarrasse no momento. Encontrei-o nas ruas do seu Good Kid, M.A.A.D City de 2012, principal motivo que me levou a querer vê-lo ao vivo, mas confesso que o seu ultimo registo, “To Pimp a Butterfly”, é para mim uma obra de arte na arte de transmitir uma mensagem e conceito dentro de um estilo. Não serei a melhor pessoa para definir a importância ou relevo disto no seio do Hip-Hop, mas como obra musical é para mim um dos álbuns de referência do ano de 2015 até a data.

7 – Sonic Youth – Disconnection Notice (Murray Street, 2002)

Preciso de ressalvar que sou fã da discografia inteira de Sonic Youth e que por consequente não há nenhum álbum que não goste pelos suas diferenças ou falta delas, mas neste caso em particular saliento a minha afeição especial pelo Murray Street. Este conta pela primeira vez na história da banda com a junção de um 5º elemento para a gravação do mesmo em estúdio e não é nada mais nada menos que Jim O’ Rourke, um músico que gosto bastante.

Escolhi a Disconnection Notice simplesmente porque é uma das minhas faixas favoritas da banda, e porque me traz uma certa nostalgia especialmente na parte da ponte de guitarra do min 1.50, que por algum motivo me faz lembrar o canal People & Arts, canal esse que via com alguma assiduidade há alguns anos atrás. (Risos)

8 – King Krule – Out Getting Ribs (6 Feet Beneath The Moon, 2013)

Archy Marshall, também conhecido como Zoo Kid, Edgar the Beatmaker ou mais celebrizado como King Krule, é um rapaz que lançou o seu primeiro álbum aos 19 anos, e é incrível que uma pessoa tão jovem contenha todos os seus talentos orientados e de certa forma, vincados.

“Out Getting Ribs” é uma música que fez com 16 anos, captada e mistura no seu quarto, e talvez a prova definitiva da minha análise anterior.

9 – Tinariwen – Arhegh Danagh (Emmaar, 2014)

Filhos do Sahara, a norte do Mali, Tinariwen é para mim uma experiência completamente espiritual, a qualidade que mais persigo quando oiço World Music, um estado de espírito que seja longínquo da minha zona de conforto mas que me faça sentir numa espécie de lar ou nostalgia possível e equivalente, como se esse lado que nunca existiu na minha realidade pudesse ser puxado de mim para fora.

É uma banda que existe desde 1979, com uma rotatividade significativa de membros, mas que nunca perdeu o rasto a sua premissa e a sua mensagem.

10 – José Gonzalez – What Will (Vestiges and Claws, 2015)

Também a espiritualidade e a mensagem no caso de José Gonzalez são os principais motivos que me fazem acompanha-lo de perto.

É um Artista fiel ao seu canto, mestre de Covers e Originais, com uma discografia muito especial e com um poder de transportar todas as pessoas que se prestem numa viagem de reflexão intensa.

11 – Mojave 3 – In Love With a View (Excuses for Travellers, 2000)

Um clássico discográfico na minha opinião e um dos discos que ao lado de Tiger Milk dos Belle & Sebastian me dá mais gozo ouvir na varanda em dias de sol.

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[DESTAQUE] O Abominável dá concerto de despedida no Passos Manuel https://branmorrighan.com/2015/03/destaque-o-abominavel-da-concerto-de.html https://branmorrighan.com/2015/03/destaque-o-abominavel-da-concerto-de.html#respond Wed, 11 Mar 2015 16:00:00 +0000

Os nossos extraordinários O Abominável decidiram fazer uma pausa no seu percurso. Lançaram o seu último disco – Enteléquia – em Setembro de 2014 e vão agora apresentá-lo em tom de despedida no Passos Manuel. Antes do adeus, deixaram uma música inédita – Osso – já tocada no concerto que deram no Maus Hábitos na Festa de Aniversário do BranMorrighan. 

A noite desta próxima Sexta-feira promete ser uma noite bem especial e conta também com o DJ Set posterior de André Tentugal (We Trust). Para acompanhar o quinteto d’O Abominável vamos ter:

Elísio Donas (Ornatos Violeta)

Igor Ribeiro (Ghetthoven)

Nelson Graf Reis (We Bless This Mess)

Concerto às: 22H00

Preço: 5euros

Evento: https://www.facebook.com/events/1577895235788344/ [+INFO]

Quem puder ir, não falte! Eles dão uns concertões do caraças e são gente boa que até a alma aquece! Entrevista, letras do álbum e mais info no BranMorrighan aqui: http://www.branmorrighan.com/search/label/O%20Abomin%C3%A1vel

Que o regresso seja rápido! 

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[6 Anos Blogue Morrighan] Festa de Aniversário no Maus Hábitos (PORTO) – Cartaz Oficial por João Pedro Fonseca https://branmorrighan.com/2015/02/6-anos-blogue-morrighan-festa-de.html https://branmorrighan.com/2015/02/6-anos-blogue-morrighan-festa-de.html#respond Mon, 02 Feb 2015 21:47:00 +0000 Cartaz por João Pedro Fonseca

Depois de um Musicbox Lisboa que encheu para ver e aplaudir Twisted Freak, azul-revolto e The Allstar Project, eis que chega a vez do blogue BranMorrighan avançar para norte com outros projectos! Porque não é só em Lisboa que acontecem as coisas giras, e porque aqui a blogger tem uma forte costela nortenha, eis que a comemoração destes 6 Anos chega também ao Porto! 

Quem nos recebe é o já mítico Maus Hábitos – Espaço de intervenção Cultural, e no cardápio vamos ter mais projectos que marcaram o primeiro ano do blogue na cena musical e que merecem ser ouvidos e vistos. No alinhamento da noite começaremos com o tio mais famoso de Portugal, Tio Rex, com a sua guitarra vibrante a apresentar o seu “5 Monstros”; seguimos para o rock português de O Abominável, grupo portuense cheio de garra que lançou recentemente o seu primeiro LP “Enteléquia”; Tales and Melodies, de guitarra pujante e vozes sonantes, é quem continua com o espectáculo a apresentar o seu primeiro trabalho “There’s Always Something Related to It”; por fim temos Les Crazy Coconuts, jovem banda de Leiria, 2º Lugar na última edição do Festival Termómetro, que nos traz uma mistura de rock’n’roll com electrónica, tendo o sapateado um lugar de destaque e de requinte na performance ao vivo. 

Alinhamento (4€)

22h30 . Tio Rex

23h30 . O Abominável

00h30 . Tales and Melodies

01h30 . Les Crazy Coconuts

Marquem já na agenda! Mais informações, aqui: https://www.facebook.com/events/344825079036952/?ref=3&ref_newsfeed_story_type=regular !

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[6 Anos Blogue Morrighan] Mensagens de Aniversário Dedicadas que ontem circularam pelo Facebook! https://branmorrighan.com/2014/12/6-anos-blogue-morrighan-mensagens-de.html https://branmorrighan.com/2014/12/6-anos-blogue-morrighan-mensagens-de.html#respond Sun, 14 Dec 2014 12:01:00 +0000

Quero agradecer a todos os que nos desejaram os Parabéns, a mim e ao blogue, sem deixar ninguém de fora, mas também queria destacar estas mensagens de carinho, escritas em moto próprio, nas várias páginas que fui tendo conhecimento. Os autores são auto-explicativos, mas fica a referência que o David Félix é dos meus queridos O Abominável, o Bruno Matos é um autor, agora também editor, que já acompanha o blogue desde os seus primórdios, e a Kátia é das minhas leitoras mais antigas e carinhosas. Por trás do Planeta livro está o querido Mário Rufino e por trás da Biruta Records, espero não me estar a enganar, está o querido Rui Correia. Na Luso Sounds, uma página francesa de divulgação de música portuguesa, interessantíssima e que tem sido um enorme gosto contactar com. Os nossos Bella Mafia estão ali representados pelo grande Tiago.

Tenho mais mensagens para vos mostrar, algumas chegaram por mail, mas achei que estes gestos deviam ser reconhecidos. Grande beijinho e até já! 

PS: Tudo sobre o 6º Aniversário, incluindo passatempos, pode ser consultado aqui: 

http://goo.gl/7O4yMc

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Entrevista aos O Abominável, Banda Portuguesa, sobre o álbum Enteléquia https://branmorrighan.com/2014/12/entrevista-aos-o-abominavel-banda.html https://branmorrighan.com/2014/12/entrevista-aos-o-abominavel-banda.html#respond Mon, 01 Dec 2014 16:50:00 +0000 Como blogger, muitos têm sido os músicos como me tenho cruzado, mas confesso que não são tantos aqueles que realmente deixam a sua marca em mim, enquanto pessoa. Considero que esta parte humana é muito importante, às vezes tanto ou mais do que a qualidade da sua música, e, apesar do nome, O Abominável é uma banda que guardo com muito carinho como uma das descobertas mais porreiras de 2014. Não sei se é do sotaque portuense, que tantas saudades me provoca de casa, se é da postura totalmente descontraída e genuína, foi uma espécie de amor à primeira vista. O disco Enteléquia saiu a 29 de Setembro, conversámos algum tempo depois e ao ouvir agora a entrevista, não me lembro de ter rido tanto, no meio dos temas mais sérios, como me ri com o Vítor, o Rui, o David e o Leo. Não tive o prazer de conhecer ainda o João, mas há-de acontecer. Deixo-me de devaneios e passemos à entrevista. 

A banda formou-se em 2011 e o início teve origem entre amigos e de forma muito “punk” (risos): «Tínhamos muito gosto em fazer música, eu (Rui), o Vítor e o David éramos todos amigos no secundário e no final de 2010 estávamos à procura de guitarrista. O David falou com o João, através do MySpace onde ele tinha algumas músicas só dele, ele apareceu num dos nossos ensaios e quando tocou connosco dissemos logo “Este gajo é grande cena!” (risos) e a partir daí começámos a tocar todos juntos. No início de 2011, surgiu então o que é a base d’O Abominável. Digo a base porque entretanto temos aqui o Leonardo, o nosso miúdo (reguila!), que entrou no Verão do ano passado. É um oportunista (risos), mas por pena ficou! (risos) Mas o início foi um bocado esse, primeiro nós os quatro e desde 2013 com o Leonardo, sempre a construirmos, todos juntos, o que somos hoje.» 

Para gente tão simpática e bem disposta, o nome “O Abominável” parece quase estranho. Porquê esse nome? «Por uma razão estúpida. (risos)», diz-nos o Rui. Vítor completa: «O nome era para se encaixar numa banda em que era só eu, o Rui e o Félix (David)… Depois fomos tendo alguns guitarristas que foram experimentando e precisávamos de um nome para a banda, é sempre aquela coisa. E eu ainda não era muito bom a criar nomes, confesso (risos). Os meus nomes tinham conceitos muito complexos e soavam muito mal. Na altura, quando surgiu O Abominável, até tinha sugerido O Abominável Homem Mundo (risos), mas depois sugeriram só O Abominável e ficou. Se quisermos criar uma história por trás do nome, não sei se consigo. Quer dizer, eu não sou muito bonito (é nesta altura que nos desmanchamos ainda mais a rir!), logo por aí podemos criar inúmeras coisas. É um nome que tem impacto, é assim odioso, mas ao mesmo tempo gostam de nós, é como um paradoxo vivo. (risos)» 

O primeiro EP – Que Só o Amor me Estrague – saiu em 2013 e o momento que marca o início deste percurso em disco é o interesse do David Lobão (O Bisonte): «Ele gostou mesmo de nós e acabou por se tornar nosso produtor no EP e no álbum também trabalhou connosco.» A nível de identidade musical, esta foi sendo construída ao longo do tempo: «Nós viemos de uma base mesmo punk, éramos maus, mas cheios de atitude. (risos) O EP acabou por ser o primeiro momento em que começámos a compreender melhor a nossa forma de fazer as coisas. Foi a primeira ponta do iceberg. Com a vontade do David Lobão em trabalharmos com ele e ao puxar-nos para o seu estúdio, acabámos por começar mais a sério. Antes disso tínhamos cinco músicas já pré-produzidas, em que só três entraram no EP, uma delas o single Nada Passa Sem Ficar. Por curiosidade, tínhamos uma que era a Isabel, que era uma cena mesmo 90’s (risos), muito engraçada, que ainda tocámos algumas vezes, mas não fazia muito parte daquilo que queríamos para o EP. É de salientar que a decisão começou num concerto em Zebreiros, Gondomar, foi aí que o David nos disse “Porque não gravar?”. Se os sonhos não nascem em Zebreiros, não sei onde nascem! (risos)» 

A transição do punk para o rock mais patente em Enteléquia acabou por ser natural à medida que foram explorando os sons que iam criando: «Se falarmos em termos comparativos é como os pintores, antigamente, que quando começavam a pintar faziam tudo de forma hiperrealista e só mais tarde tinham a liberdade de fazerem outras coisas. Connosco foi um bocado o mesmo, mas o nosso hiperrealismo era muito mau, era tipo desenhos de crianças de cinco anos (risos). E só agora, enquanto nos estamos a descobrir, é que estamos a inverter os papéis nesse sentido. No fundo começámos punk como podíamos ter começado com reggae, não pensámos muito no rock que a banda tinha que ter porque nem sabíamos o que era estar numa banda. Há quem crie bandas a pensar que vão ser como os Doors ou os Rolling Stones, mas nós nunca pensámos nisso. As músicas que fazem parte do álbum são o culminar da fase presente da nossa banda, mas entretanto já temos músicas de outros géneros. Nunca nos soubemos conter muito, nem queremos.»

À primeira vista, e pegando na própria descrição da banda sobre o álbum, Enteléquia mostra-se um disco conceptual, intimamente ligado à filosofia aristotélica. De onde terá surgido toda esta aura mais erudita e o que se pretende transmitir? «O Enteléquia, a meu ver, e de forma muito pessoal (Vítor), porque eu estava a expor uma das coisas que está mais inerente na minha existência – o medo da morte – que é uma coisa que me acompanha desde há muito tempo, senti que, devido ao trajecto e à riqueza das músicas e a forma como foram surgindo, devia expor nas letras e nas músicas isso – essa existência em si. Nunca fui pessoa de conseguir aceitar a finitude e achei que teria piada expor isso, é quase como confrontar os meus próprios medos. Então, o álbum fala muito disso. A capa também é isso que representa, é a linha do A ao B e no meio disso tudo o que há de direito. Desde as coisas mais complexas, como a morte, às mais banais, como um sonho marado. Na Mónade, por exemplo, eu satirizo com o facto de a primeira vez que um homem perde a virgindade ser num sonho. O primeiro sonho molhado, porque não? São tudo coisas que acho que fazem parte da riqueza desse trajecto e representa um bocado isso. No caso do Enteléquia e em termos filosóficos, parti mais para a perfeição do ser. O que é que é a perfeição do ser? E então converge um bocado nesse ponto.» 

A edição do disco em si, está disponível apenas em formato digital nas várias plataformas. As edições físicas têm sempre os seus custos e hoje em dia também se começa a aceitar melhor o formato electrónico. Perguntei-lhes o que sentiam em relação ao digital versus físico: «Hoje em dia é tudo muito imprevisível. Sabemos que o online hoje em dia é quase a parcela da justiça possível. Há tantas bandas a surgirem todos os dias, tantos músicos que fazem uns bits e depois mandam… O rácio das pessoas que entram para o mundo da música é imenso. Não estamos a falar de há vinte ou trinta anos em que era possível fazer muitas novidades. Desde os anos 90, com a revolução da internet e das tecnologias, começou-se a aperceber que se pode fazer todo o tipo de música, então em Portugal temos imenso isso. De que maneira é que isso vai ao encontro das vendas? Quem é que vende? Quem é que irá comprar sem um incentivo? Como, por exemplo, uma entrada para um concerto, em que o bilhete é o disco. Se a decisão nos prejudicou nesse sentido? Para nós é muito mais fácil descobrir lançando online porque ter uma emissão de cds nas Fnacs seria complicado para nós neste momento. É claro que a edição física é sempre interessante tê-la, até porque quando ouvem o disco e gostam, dizem-nos que querem comprar. Em termos culturais, o objecto físico é sempre uma forma de ajudar, mas em Portugal também é um bocado paradoxal. Em termos de imprensa, por exemplo, tu és uma pessoa muito aberta nesse aspecto, mas há muita gente que não é capaz de fazer divulgação se não receber um cd. E isso é um bocado estúpido, já que estamos a queimar material porque uma pessoa pode ouvir o álbum, não tem que se sentir especial só porque recebeu um disco. Uma coisa é gostar do álbum e realmente querer o cd, agora fazer divulgação só porque tem um cd nosso? Hum. Fica a questão. Não percebo.»

Por falar em imprensa, não é difícil encontrar algumas comparações feitas pelo vários sites de referência. Os O Abominável não foram excepção e os Bisonte e os Ornatos Violeta são duas bandas às quais têm sido comparados. Perguntei-lhes como é que se sentiam em relação às mesmas: «Faz-nos sentir tristes por um lado, mesmo entendendo a intenção das pessoas quando utilizam certos termos comparativos. Em Portugal, por muito imparciais que as opiniões tentem ser, há sempre uma necessidade de se comparar. “Ai, este arroz é tão bom que parece aquele que comi no restaurante do senhor Fernando!” (risos), porque não “Este arroz é bom.”? E há isso cá. Quando é com os Ornatos já tentamos perceber se é uma coisa positiva ou como um termo pejorativo. E depois há outro problema que é: mesmo que fosse influenciado em Ornatos, Linda Martini, Mão Morta, o que fosse, as pessoas não estão muito receptivas perante isso, o que acho mau. Porque se o pessoal se queixa que não há movimentos é porque também parte das pessoas não aceitarem que, se querem um movimento específico de um sítio, é normal que as bandas se influenciem umas às outras. Tens casos em que parece ódio quando comentam que são parecidas, não compreendo. Acaba por acontecer em certas reviews que, mesmo que positivas, se têm lá logo a comparação, nem sabes sem o que pensar. É como se só por eu ter barba, sou parecido a todos os gajos que têm barba…»

A participação de Elísio (ex-Ornatos) no disco pode ter influenciado um pouco essa comparação, mas em termos de referências, existe uma que assumem: «Posso-te dizer os Pixies, acho que na forma de criar conseguem ser uma boa referência, mas de resto todos nós ouvimos coisas muito diferentes. Até porque se eu pensar numa linha qualquer que vá de encontro a algo, quando depois estamos todos juntos, acaba por dar origem a uma coisa completamente diferente. Essa liberdade diz muito sobre a nossa banda. Não acontece irmos para um ensaio a pensar em tocarmos algo a soar a isto ou àquilo. Para o álbum, em termos de convidados, e pegando no que falávamos há pouco da referência dos Ornatos, quando convidámos o Elísio foi um bocado “toma lá a chapa e agora, o que queres dizer?” e também a nossa vontade perante a crítica. Como não nos afecta musicalmente, estamos completamente à vontade, porque não fomos totalmente influenciados por Ornatos, para termos alguém de Ornatos a tocar connosco sem esse preconceito. Aliás, todos os nossos convidados são músicos do Porto.»

As expectativas em termos de recepção do público deste novo Enteléquia estão ainda muito moderadas e esperam pela continuidade para tirarem conclusões: «Fazemos as coisas com todo o sacrifício e gosto, porque é uma coisa que adoramos fazer, mas já aprendemos com muita coisa que fomos passando que não vale a pena gerar expectativas e, nesse sentido, o mais importante é estarmos felizes com o nosso trabalho. Quando lançamos um produto nosso é como um filho (risos), neste caso de cinco pessoas. Como é óbvio queremos que o nosso filho seja bem tratado e tentamos criar as melhores condições para isso e para que as pessoas o percebam. Tudo o resto é o mundo aí fora e não dá para controlar.»

O concerto de apresentação especial, com todos os convidados, vai ser no Porto, no Passos Manuel, no dia 20 de Dezembro. 

https://www.facebook.com/events/386018164895532/?ref=22


Fica a nota, como mensagem para os leitores, que o Leonardo Rocha, 20 anos, está solteiro e é bom rapaz! Ahahah, foi um fim de entrevista tão divertido que realmente foi um gosto conhecer esta malta do norte.

Também ainda sobre os O Abominável, o primeiro Queres é (a) Letra! foi-lhes dedicado e podem acompanhar cada música e cada mini-opinião minha no link: http://www.branmorrighan.com/search/label/O%20Abomin%C3%A1vel 

Facebook

https://www.facebook.com/oabominavel

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[Queres é (a) Letra!] Especial Exclusivo – O Abominável – Álbum Enteléquia – Corda https://branmorrighan.com/2014/11/queres-e-letra-especial-exclusivo-o_16.html https://branmorrighan.com/2014/11/queres-e-letra-especial-exclusivo-o_16.html#respond Sun, 16 Nov 2014 12:30:00 +0000

Enteléquia, o álbum dos O Abominável, chega ao fim deste Queres é (a) Letra! com a música Corda. Esta é, provavelmente, a música que mais foge ao estilo do restante disco, mas que acaba por não destoar, mantendo a intensidade e ferocidade sonora que lhes é característica. Conta com a participação de Maze e podem ouvi-la já de seguida. Todas as outras podem ser encontradas na tag O Abominável

Para trás, a trás 

Que o tempo foi mudar 

Foi mudar o quesito, o progresso capaz 

O cheiro a formol que nos viu resistir 

Num canto de sombra que deixou de surgir

Para trás, a trás

Que o tempo foi parar 

Foi matar o bom senso para nos matar


Maze:


Vi o passado alterado 

Com o acto do presente 

Novo futuro fabricado no interior da mente

Petrificado aguardava na sala de espera

Projectava na tela uma enorme quimera

Larguei a ampulheta, espalhei no chão a areia 

A foice que nos ceifa

Que nos retira a seiva

Estalo os nós dos dedos

Vou combater os medos

O contínuo espaço tempo não guarda segredos


É o regresso a essência

Uma nova inocência

Do terço a sepultura, programada obsolescência

A pressão, claustrofobia, a posição fetal

Sinto as quatro dimensões na escuridão total


Cortam a corda, oiço a voz que grita Acorda

Solto a caixa de Pandora, a hora é agora 

Vou fabricar novas memórias

Celebrar vitórias 

Tragédias, comédias, derrotas, glórias


Tantos nós para atar

Pontes por construir

Muros por demolir 

Rumos por definir 

Erros a cometer e mergulhos no vazio


Uma vida para ser vivida de fio a pavio

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[Queres é (a) Letra!] Especial Exclusivo – O Abominável – Álbum Enteléquia – Calíope https://branmorrighan.com/2014/11/queres-e-letra-especial-exclusivo-o_14.html https://branmorrighan.com/2014/11/queres-e-letra-especial-exclusivo-o_14.html#respond Fri, 14 Nov 2014 09:24:00 +0000

Queres é (a) Letra! está de volta com a oitava música de Enteléquia – Calíope. Gosto imenso desta música. Os acordes iniciais são fantásticos, a letra é poderosa e o crescendo da música explode dentro de nós para decair novamente num ritmo mais suave. Uma das minhas preferidas! 

Tu falas o que eu não falo…


E eu falo para entender as coisas que ainda não tentei decifrar

Tentei fazer um plano de minúcia fácil ao nosso bem estar

Por querer tanto chegar até ti


Sem saber eu quis ficar no lugar que preenchi

Ao ouvir o bafejar desse teu novo lugar

Foi onde aprendi esse tom


E eu falo para perceber os livros abertos que não soube folhear

Abri o corpo num espectro cinzento por te ver em tumulto

E por querer tanto chegar até ti



Sem saber eu quis ficar no lugar que preenchi

Ao ouvir o bafejar desse teu novo lugar

Foi onde aprendi esse tom

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[Queres é (a) Letra!] Especial Exclusivo – O Abominável – Álbum Enteléquia – Mónade https://branmorrighan.com/2014/11/queres-e-letra-especial-exclusivo-o_13.html https://branmorrighan.com/2014/11/queres-e-letra-especial-exclusivo-o_13.html#respond Thu, 13 Nov 2014 11:01:00 +0000

Iniciamos o último terço do álbum com Mónada, a sétima faixa de Enteléquia d’O Abominável. É realmente um orgulho ter iniciado o Queres é (a) Letra! com esta banda que será das próximas a ter a entrevista publicada no Morrighan. 

A primeira vez que me senti dentro dela eu não era alguém

Na realidade desfocada do tempo eu sentia alguém mas não era ninguém


E se o preço era sonhar a dentro essa era o meu bem


Na primeira vez que me senti dentro dela eu não era alguém

A carne ficou concreta na mente, era tão real, o momento Astral


E se o preço era sonhar a dentro essa era o meu bem

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[Queres é (a) Letra!] Especial Exclusivo – O Abominável – Álbum Enteléquia – Um Circo e Tu https://branmorrighan.com/2014/11/queres-e-letra-especial-exclusivo-o_11.html https://branmorrighan.com/2014/11/queres-e-letra-especial-exclusivo-o_11.html#respond Tue, 11 Nov 2014 10:00:00 +0000

Um Circo e Tu, é a sexta faixa do álbum Enteléquia dos O Abominável. É, também, uma das canções com a letra mais intensa, questionando, sugerindo, soltando uma espécie de fera interior. Sou suspeita, porque gosto muito deste disco, mas é vale absolutamente todo o tempo que lhe dedicarmos. 

Abri a porta já descalço e sentia

Todo o calor no olhar de quem me via

Foi por pena ou apenas foi correcto

Entra para o carro e já te digo em concreto


Vai ser tão certo


Entrei no carro como num filme de cinema

E no ar ela jurava segredo

A raiva sobe como a cegues estremece

Do seu olhar para a minha face como sempre acontece


Vai ser tão certo


Vem, como queres que eu venha


No rumo ao destino espreitava-lhe o carro

E no canto já lhe via a arma

Sem querer falar ela já nem pensava

Na sua mente já nem hesitava


Vai ser tão certo


Porque ela não me matou

Não me quis magoar

Será o ódio como o amor?

Acabou em sexo ao luar

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[Queres é (a) Letra!] Especial Exclusivo – O Abominável – Álbum Enteléquia – Palavra do Eu https://branmorrighan.com/2014/11/queres-e-letra-especial-exclusivo-o_8.html https://branmorrighan.com/2014/11/queres-e-letra-especial-exclusivo-o_8.html#respond Sat, 08 Nov 2014 13:31:00 +0000

Queres é (a) Letra! na sua quinta publicação, desta vez com Palavra do Eu. Uma música intimista, com uma guitarra intensa na deambulação das palavras que realmente temos dentro de nós. Umas vezes expressamo-las, outras nem por isso. A música, essa sim, é certa e pode-se e deve-se ouvir sempre. 

As palavras que eu guardo cá dentro

São as palavras que descrevem o teu bom humor 

E as palavras que me servem cá dentro 

São as palavras que me medem a pulsação


E sim, é para isso que serve tudo o que eu faço 

No mito vulgar das palavras que eu acho para te dizer

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