Os Meus Filmes – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:51:17 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Os Meus Filmes – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Cinema] Opinião: Manhattan Nocturne, de Brian DeCubellis https://branmorrighan.com/2017/07/cinema-opiniao-manhattan-nocturne-de.html https://branmorrighan.com/2017/07/cinema-opiniao-manhattan-nocturne-de.html#respond Tue, 11 Jul 2017 12:07:00 +0000

SINOPSE

Porter Wren (Adrien Brody), é um jornalista de tablóides nova-iorquino com um apetite por escândalos. Ele vende morte, tragédia e qualquer coisa que passe por verdade. Em casa é um homem modelo, dedicado à esposa (Jennifer Beals). Mas quando uma estranha sedutora (Yvonne Strahovski) lhe pede para investigar o homicídio não solucionado do seu marido, Porter não consegue resistir.

ELENCO: Adrien Brody (O Pianista, Budapest Hotel) | Yvonne Strahovski (Dexter) | Campbell Scott (Spiderman)

REALIZADOR: Brian DeCubellis

GÉNERO: Crime, Drama, Mistério

OPINIÃO

Manhattan Nocturne é um filem baseado no livro Manhattan Night, considerado um dos melhores livros do ano, em 1996, pelo New York Times. Em Portugal, estreia a 13 de Julho e graças à Films4you, pude assistir com antecedência ao mesmo.  

Confesso, tenho um fraquinho pelo Adrian Brody. Já não sei bem qual foi o primeiro filme dele que vi, mas perto de há quinze anos atrás, quando vi O Pianista, houve algo na sua interpretação que me fez, durante algum tempo, procurar toda a sua filmografia. Depois a febre passou e há uns anos que não via nenhuma interpretação sua. Quando reparei que era um dos protagonistas deste filme, e como gosto de uma boa história de drama e mistério, fiquei muito curiosa. O toque noir sempre ficou bem a Brody e o filme, apesar de não ser brilhante, não desiludiu.

Não vou afirmar que Manhattan Nocturne é um dos melhores filmes que já vi, não tem o enredo mais genial, mas é estranhamente viciante. Passados os primeiros minutos de alguma expectativa sobre que rumo o protagonista, Porter, iria tomar, dei por mim vidrada nas possibilidades que cada um dos personagens poderia trazer para a história. Tudo começa com uma troca de olhares sedutores, quando Porter Wren é obrigado a ir a esta festa que celebra a compra do jornal onde trabalha por outras grande empresa, liderada pelo magnata Hobbs. Wren e Caroline Crowley trocam um magnetismo tão grande que se torna previsível que algo de dramático irá sair dali. Tal como se torna inevitável pensar que Hobbs ainda terá algum papel malicioso ali pelo meio, mas isso deixo para vocês, não quero colocar aqui nenhum spoiler.

Penso que o realizador conseguiu juntar ao drama e ao mistério uma componente psicológica muito interessante. Para além das dinâmicas de amor, paixão e traição, através do falecido marido de Crowley (um realizador cinematográfico), explora também dinâmicas algo psicóticas e controladoras, senão abusivas, entre o casal Crowley. Tudo através de repetidas gravações que o realizador fazia questão de manter, mesmo que os presentes não tivessem noção de que estavam a ser filmados. A única excepção era a da própria Carolina que chegou a aceitar um desafio insólito que acabou por se transformar no cerne de todo o plot do filme.

Apesar de todos estes pontos positivos, e desta camada psicológica atractiva que se entranha pouco depois do filme começar, senti que faltou algo mais para sentir um real impacto do filme em mim. Mesmo quando este está prestes a terminar e nos são revelados os segredos finais, dada a aproximação ao estilo noir, senti falta de uma maior intensidade tanto na estética como no fatalismo. Ainda assim, como disse anteriormente e reforçando esse ponto de vista, foi um filme que fluiu bastante bem e que não aborreceu, de todo. Gostei.

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[Cinema] Opinião: AGNUS DEI – As Inocentes, de Anne Fontaine https://branmorrighan.com/2016/10/cinema-opiniao-agnus-dei-as-inocentes.html https://branmorrighan.com/2016/10/cinema-opiniao-agnus-dei-as-inocentes.html#respond Mon, 24 Oct 2016 10:02:00 +0000

SINOPSE

Polónia, 1945. Mathilde, uma jovem médica da Cruz Vermelha francesa, está numa missão para ajudar sobreviventes da guerra. Quando uma freira lhe pede auxílio, é levada até um convento onde se escondem várias religiosas grávidas e incapazes de conciliar a sua fé com o estado em que se encontram. Mathilde transforma-se na última esperança daquelas mulheres.

OPINIÃO

Vi este filme há pouco mais de uma semana, curiosamente tinha terminado o livro “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”, de Svetlana Alexievich. O que é que têm em comum? Ambas as obras, filme e livro, têm mulheres como protagonistas e mostram uma outra face da Segunda Guerra Mundial. Enquanto o livro mostra o papel da mulher soviética na guerra, AGNUS DEI – As Inocentes é baseado no diário de uma médica francesa, Madeleine Pauliac, e passa-se no pós-guerra, na Polónia, logo após a libertação, em 1945. 

O filme começa com uma freira desesperada à procura de um médico que não seja russo nem alemão. Encontra um posto francês da Cruz Vermelha e decide pedir ajuda a Mathilde, que primeiro lhe nega, para os colegas não se aperceberem, mas depois vai ter com ela e decide ajudá-la. Quando Mathilde chega ao convento, depara-se com um cenário surpreendente – uma freira contorce-se na cama, grávida. O bebé não está na posição correcta para nascer e ela tem de fazer, de imediato, uma cesariana. A madre superior do convento contorce as expressões, obviamente contrariada e repugnada com a gravidez. É outra freira, a irmã Maria, quem vai ter um papel bastante determinante na narrativa e que acaba por ajudar Mathilde.

Segundo o diário real de Madeleine Pauliac, naquele convento 25 freiras foram violadas pelos soviéticos, 20 foram mortas, e 5 ficaram grávidas. Um cenário macabro, que pouco enaltece a face soviética da guerra e ao que parece esta história tem sido abafada ao longo do tempo. No filme, a narrativa decorre sempre com uma espécie de suspensão da respiração. São temas demasiado delicados. A maior luta é a interior, dentro do convento. Freiras que não conseguem aceitar a gravidez não só pela violação como também pela contradição que é com a sua fé. Este é um combate travado constantemente e que põe em causa a devoção à religião. Como é que é possível que após todos os terríveis acontecimentos elas mantenham a fé? Mas a verdade é que a grande maioria mantém e a sua força é inspiradora. O mesmo não se pode dizer da madre superior. 

Mathilde é uma mulher extraordinária. Destemida e persistente. É a ajudar e a salvar pessoas que vê um propósito na sua vida e vai fazer o que for necessário para tal. Arrisca a sua vida várias vezes pelas freiras e salva-as de outra nova possível violação. Uma protagonista e uma actriz, Lou de Laâge, à altura do papel esperado, muito bem desempenhado. Quem também faz um papel imenso é a madre superior do convento. Novamente temos outra interpretação de fé que distorce o que seria de esperar. A reviravolta dá-se lentamente, mas firme. 

Gostei muito do filme. Não tem uma acção fervilhante, antes compassada ao ritmo cardíaco de quem está numa expectativa latente. Pelo meio temos momentos que nos atemorizam, que nos comovem, que nos revoltam, mas que em última instância nos deixam com um sorriso no rosto, quanto mais não seja pela bravura que testemunhamos naquelas mulheres. Um filme necessário para mostrar outro lado da guerra, outro lado da fé, outro lado da esperança. 

O filme vai estrear nas salas de cinema a 3 de Novembro e já ganhou o PRÉMIO DO PÚBLICO – PRÉMIO RTP, na 17ª Festa do Cinema Francês que decorreu no Cinema São Jorge. Com este prémio, depois da sua comercialização, AGNUS DEI – As Inocentes tem passagem assegurada na televisão  pública nacional, a RTP.

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[Diário de Bordo] The Man Who Knew Infinity https://branmorrighan.com/2016/08/diario-de-bordo-man-who-knew-infinity.html https://branmorrighan.com/2016/08/diario-de-bordo-man-who-knew-infinity.html#respond Fri, 26 Aug 2016 18:11:00 +0000

Raramente tenho tempo para ver filmes. Ou melhor, verdade seja dita, raramente tenho disponibilidade mental para me sentar durante duas horas, quieta e sem fazer mais nada, a ver um filme. Chamem-lhe hiperactividade ou estupidez, mas são raros os momentos em que encontro alguma paz de espírito para o poder fazer. Inesperadamente, ontem acabei por ver este – The Man Who Knew Infinity. Foi um impulso. Vi que era Biografia/Drama, o que normalmente só vejo em casos especiais porque para drama já temos muitas vezes a vida real, mas ainda assim avancei com o mesmo. Srinivasa Aiyangar Ramanujan é o protagonista, um matemático oriundo da Índia que fez descobertas importantíssimas para o mundo em que vivemos hoje. Aliás, um dos seus manuscritos encontrados post mortem está a ser usado para estudos sobre os buracos negros. E daí talvez tenha sido essa a razão pela qual acabei por ver este filme. Talvez por ser sobre um matemático. Talvez por ser sobre a luta de quebrar fronteiras e mostrar que o conhecimento pode vir de qualquer lugar e que deve ser respeitado. Talvez por ser sobre tudo ter um preço, às vezes demasiado elevado. Ou então foi apenas porque sim. 

Não é que seja um filme genial, afinal acaba por cair em imensos lugares comuns da maior parte das biografias dramáticas, mas acho que a sequência narrativa está muito cativante. Gostava de ter sabido mais sobre o próprio matemático em si, em vez de ao de leve ir tocando na sua história pessoal. O filme desenrola-se mais sob a perspectiva do contraste entre culturas e a não aceitação, até que por fim, pelo meio de eventos dramáticos, se vêem obrigados a reconhecer a genialidade de Ramanujan, mas talvez tarde demais. Os planos de imagem e o trabalho fotográfico estão muito bem captados, de tal forma que a emoção é uma constante e até eu, que sou assim meio pedra, deitei umas boas lágrimas. Há ali qualquer coisa na caracterização de Ramanujan que me tocou profundamente. E não tem a ver com o facto de ter deixado a mulher na Índia, e com isso sofrer pela sua ausência, nem tem bem a ver com o facto de não ser aceite logo pela comunidade científica britânica. Penso que a ligação pode estar na dificuldade que ele mostra em expressar de onde é que a maior parte das suas ideias vêm, na vontade louca de ver o seu trabalho concluído e reconhecido, o detestar desenvolver aquelas longas provas matemáticas. Ahahah. Sim, normalmente deixo as provas matemáticas para o meu orientador enquanto eu me dedico à aplicação prática das nossas ideias. 

Acho que qualquer investigador científico de qualquer área se pode de alguma maneira ligar a esta narrativa. Ou não. E apenas o filme teve sorte em apanhar-me num dia mais sensível. Ainda assim, é um filme que se vê bastante bem e que não é perda de tempo nenhum. 

DESCRIÇÃO PÚBLICO

Srinivasa Aiyangar Ramanujan (Dev Patel) nasceu na índia, em 1887. Já na infância, a sua inteligência excepcional deixa todos à sua volta impressionados. Por causa disso, ganha uma bolsa para o Liceu de Kumbakonam, onde desperta a admiração dos professores. Na adolescência começou, por auto-recriação, a estudar séries aritméticas e séries geométricas e com apenas 15 anos conseguiu encontrar soluções de polinómios de terceiro e quarto grau. Com essa idade teve acesso a um livro que marcou a sua vida: “Synopsis of Elementary Results on Pure Mathematics”, a obra de George Shoobridge Carr, um professor da Universidade de Cambridge (Inglaterra). O livro apresenta cerca de seis mil teoremas e fórmulas com poucas demonstrações, o que influenciou a maneira de Ramanujan interpretar a Matemática. Aos 16 anos fracassou nos exames de inglês e perdeu a bolsa de estudos. Sem desistir, continuou as suas pesquisas de forma autodidacta. Estudando e trabalhando sozinho, recria tudo o que já fora feito em Matemática. Mais tarde, decidiu frequentar uma universidade local como ouvinte. Os professores, percebendo as suas qualidades, aconselharam-no a enviar os resultados dos seus trabalhos para o grande matemático inglês G. H. Hardy (Jeremy Irons). Em 1913, impressionado com o seu intelecto, Hardy convida-o para ir para Cambridge (Inglaterra). Ali, apesar de todas as dificuldades de adaptação e de algum cepticismo do corpo docente, ele tornou-se professor no Trinity College (Cambridge) e foi agraciado com o ingresso na Royal Society de Ciências. Em 1919, adoeceu com tuberculose e voltou para a Índia…

Com realização e argumento de Matt Brown (“Ropewalk”), “O Homem Que Viu o Infinito” conta a história verídica de Srinivasa Aiyangar Ramanujan (1887 – 1920), um dos mais influentes génios matemáticos do século XX. PÚBLICO

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[Diário de Bordo] E aquele final do filme Convergente? https://branmorrighan.com/2016/07/diario-de-bordo-e-aquele-final-do-filme.html https://branmorrighan.com/2016/07/diario-de-bordo-e-aquele-final-do-filme.html#respond Sun, 17 Jul 2016 13:30:00 +0000

Apesar de ter lido os livros de Veronica Roth ao ritmo a que saíram, o mesmo não se passou com os filmes. E eu sei que isto vem com um delay/atraso do caraças, mas ter visto ontem o filme voltou a levantar-me aquela questão que muitas vezes se coloca quando um livro é adaptado a filme: quão aceitável é que é que se mude alguns eventos cruciais que se passam no livro? Não vou colocar aqui spoiler algum para quem ainda não viu o livro, mas quero a opinião de quem viu. Concordam com as mudanças? Verdade seja dita, quando li o livro a coisa tocou-me particularmente e ontem (não tendo lido nada sobre eventuais diferenças, nunca procuro nada sobre livros e filmes antes de os ler e ver) parecia sempre ansiosa pelos momentos em que iria levar com o baque novamente. É verdade que vai haver mais um filme? E pronto, é isto. Se leram o livro e viram o filme deixem-me a vossa opinião! 

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[Curtas] A aventura pelo Inside Out (ou Divertida-mente em português) https://branmorrighan.com/2015/12/curtas-aventura-pelo-inside-out-ou.html https://branmorrighan.com/2015/12/curtas-aventura-pelo-inside-out-ou.html#respond Mon, 14 Dec 2015 11:22:00 +0000

Eu sei, eu sei, já antes houve um post aqui no blogue sobre este filme, muito bem escrito pelo Emanuel Madalena e que podem ler aqui. A questão é que eu ainda não tinha visto o filme e, como devem imaginar, Domingos à noite são sempre aquele momento da semana em que uma ligeira depressão e ansiedade por vezes se apoderam de nós quando sabemos que vamos ter uma semana complicada. Como esta minha semana vai ser um nadinha frenética, para não variar muito, decidi que em vez de ler ia ver um filme – a verdade é que ver um filme obriga a um esforço cerebral menor (pelo menos no meu caso em que já tenho as imagens e não as tenho de estar a projectar do texto, como caso estivesse a ler). 

Escolhi o Inside Out. Já tinha ouvido falar imenso dele e pareceu-me o género de filme em que podia alternar entre uns bons sorrisos e ainda alguma melancolia própria de quem sabe que nem tudo é perfeito. E o filme é muito sobre isto mesmo, tendo como partida desde logo o momento do nascimento. Aos poucos uns seres muito adoráveis vão surgindo na nossa mente e o processo de “luta pelo comando” e as respectivas reacções da nossa Riley são adoráveis. E até aos seus 12 anos acompanhamos de forma figurada a vários processos emocionais causados pelas várias mudanças na vida da nossa pequena. Não vou fazer uma crítica ao filme porque o Emanuel já a fez e concordo absolutamente com ele, mas não podia deixar aqui registada agora a minha recomendação pessoal. 

Estava-me a lembrar também de uma discussão com amigas minhas de quais dos filmes que nos tinham feito chorar e vá, tenho de admitir, este trouxe-me algumas lágrimas aos olhos. Achei surpreendentemente bonita a forma como a história evolui e de como mostra que por vezes é preciso abdicarmos do melhor para nós, ou do que achamos melhor, para que outrem possa encontrar o seu equilíbrio. Muito, muito bonito! Deixo-vos novamente o link para a opinião do Emanuel: 

http://www.branmorrighan.com/2015/06/opiniao-divertida-mente-inside-out-de.html 

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[Cinema] Inauguração d’O Cinema da Villa em Cascais com Antestreia de Homem Irracional, de Woody Allen https://branmorrighan.com/2015/09/cinema-inauguracao-do-cinema-da-villa.html https://branmorrighan.com/2015/09/cinema-inauguracao-do-cinema-da-villa.html#respond Tue, 22 Sep 2015 17:14:00 +0000

Foi com imenso gosto que aceitei ir à inauguração d’O Cinema da Villa, em Cascais. Está um espaço muito bonito e confortável, tem zona de café-bar e até de compra de DVDs de filmes, mas é na programação que o grande trunfo se encontra, sendo que promete agradar a vários gostos, incluindo também uma forte aposta no cinema independente. Os blockbusters farão parte da ementa, tal como ciclos de autor, filmes documentais e ainda de animação. Cascais parece ter ficado bem mais rico! 

Em relação ao filme com que os convidados foram brindados – Homem Irracional, de Woody Allen – penso que não poderiam ter escolhido melhor. Apesar de o cinema já estar a funcionar há algum tempo, a organização esperou, e muito bem, por um filme que fizesse jus à qualidade que o espaço promete. Este foi primeiramente exibido em Cannes, fora da competição, e eis que agora chega a Portugal tendo como um dos alicerces a obra literária de William Barret – Irrational Man: A Study In Existential Philosophy.

A acção começa precisamente com um professor de filosofia –  Abe Lucas (Joaquin Phoenix) – a sofrer de impotência temporária, cuja vida pessoal se resume à bebida e à divagação. Se por um lado a maioria das pessoas o conhece como um génio da filosofia existencial, quem começa a conviver mais de perto com ele sente que pouca existência real existe ali. Eis então que aparece Jill Pollard (Emma Stone) desafiando-o a argumentar com ela uma série de aspectos que vão falando na aula, mas também incitando-o a ter mais vontade de viver. E essa vontade passa também por viverem uma paixão que só se concretiza após Abe planear o crime perfeito. Se começamos com uma vertente filosófica, eis que quando Abe e Jill estão num café a ouvir as injustiças que uma mulher está a passar por causa de um juiz, Abe decide que o mundo ficará melhor sem ele e toma a decisão de dar sentido à sua vida planeando o crime perfeito. Não há como associá-lo ao crime – ele e a vítima não têm qualquer tipo de relação e a forma como tudo é arquitectado torna impossível a sua detecção. Ou assim ele julga. A obsessão na rotina da vítima começa, tudo é planeado ao pormenor e ao milissegundo, enquanto Jill pensa estar a viver uma grande história de amor, com um homem que é auto-destrutivo, sim, mas também fascinante. 

Fico-me por aqui porque o filme tem uma vida muito própria. Woody Allen tem décadas de experiência cinematográfica e voltou a apostar num guião ambicioso que poderá provocar opiniões muito distintas. O que mais ficou gravado ao longo do filme foram os pequenos pormenores. As pequenas falas que parecem fúteis à primeira vista, as pequenas acções que parecem não ter importância, mas que mais tarde aparecem reflectidas num derradeiro acto. Claro que o elenco ajuda, os actores foram muito bem escolhidos e os papéis desempenhados de forma exemplar. 

Pessoalmente tiro daqui que a cada um tem uma maneira muito própria de ver o mundo e de interpretar a sua própria existência. Os objectivos de vida que traçamos, as relações que escolhemos viver em detrimento de outras são muitas vezes seleccionados sob condições muito emocionais e muito pouco racionais. Onde é que fica o equilíbrio entre uma coisa e outra? Até que ponto as nossas escolhas não condenam não só a nossa pessoa, mas também quem nos rodeia? Sinceramente acho que vale muito a pena ver este filme. Gostei. 

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E agora, o que se segue? [Diário de Bordo LXI] A minha relação com Green e a Ante-Estreia “Cidades de Papel” https://branmorrighan.com/2015/07/e-agora-o-que-se-segue-diario-de-bordo_23.html https://branmorrighan.com/2015/07/e-agora-o-que-se-segue-diario-de-bordo_23.html#comments Thu, 23 Jul 2015 10:25:00 +0000

21h00 no El Corte Inglês e eis que os reconhecimentos começam! Ora chega a Fernanda, ora a Márcia, ora as Cristinas e a Vera, e eis que os sorrisos se expandem e a pergunta do dia se vai fazendo “leste o livro?”. Ora, pois claro que no meu caso li. Estávamos em 2013 e eu louca pelos livros do John Green por causa do A Culpa é das Estrelas. Cidades de Papel, editado pela Editorial Presença, desde então já mudou de cara, de colecção, levou agora uma imagem extra por causa do filme, mas quando eu li era ainda um pequeno livro da colecção Noites Claras e a capa, a meu ver, era lindíssima. Podem ver aqui

No que toca aos romances de John Green, ou se deixa A Culpa é das Estrelas para o fim, ou se o lemos ao início todos os seus outros escritos vão parecer menores. Claro que isto é relativo e é a minha opinião, mas vejamos: eu li A Culpa é das Estrelas porque me cruzei primeiro com o À Procura de Alaska e fiquei… Uaaaauuuu! Este homem sabe como mexer com a cabeça do leitor e sabe como expressar demasiado bem certas emoções. Obviamente que o das estrelinhas acabou por ultrapassar também esse de forma considerável.

Cidades de Papel foi então o terceiro livro que li de John Green e eis que se confirma que a nível de intensidade emocional nada tem a ver com os outros dois. É na mesma com adolescentes, aborda na mesma toda aquela sensação vertiginosa do primeiro amor, da inocência e da sua perda, mas… Bem, nenhum livro pode, ou deve, ser igual ao outro. No entanto, eu gostei do mesmo. Existe qualquer coisa na escrita de Green e na forma como espelha a ansiedade, as inseguranças e o querer acreditar em algo que muito provavelmente é impossível, que causa uma espécie de vício. 

Em relação às adaptações cinematográficas, já sabemos que normalmente o livro supera sempre o filme, mas com A Culpa é das Estrelas a coisa manteve-se justa e o filme está bastante fiel. Chegou então a vez de ver como é que Cidades de Papel se iria sair. Na verdade, pelo estilo de livro que é, tinha tudo para dar um bom filme e assim foi. Após receber, amavelmente, o convite da Editorial Presença para a Ante-Estreia lá fui, mais umas quantas bloguers, e o filme tanto deu para rir como para ter um ou outro momento mais morto, e ainda (quase) largar uma lagrimazinha no fim (mas eu sou uma mariquinhas, com tendência para me compadecer dos corações partidos). 

Na verdade, esta versão na 7ª Arte acaba por mostrar o essencial do livro, sendo que os diálogos e as personagens estão muito bem espelhadas, mas onde o fim levou uma reviravolta que a meu ver em nada prejudicou quem já conhecia a história. Se no livro ficamos em suspenso, com sabor a pouco, na tela temos direito a um desfecho mais concreto. Ri-me imenso, estes filmes para adolescentes com os actores certos conseguem sempre arrancar de mim umas boas gargalhadas. Mas não é uma comédia, desenganem-se, como podem ter lido pela opinião, é antes um abrir olhos.

No final, enquanto eu falo mal da Margot e constatamos as diferenças entre o livro e o filme, lá chegamos ao átrio e a despedida tem que acontecer. Na brincadeira disse que foi o “encontro das comadres”, sempre tão bem dispostas e prontas a discutir livros! Fica a recordação da fotografia no início do post e deixo também esta, com a Joana Gonzalez do Histórias de Elphaba, com quem jantei e mantenho uma amizade, graças à blogosfera, há uns bons anos. Não é que ela mereça, é uma peste, mas pronto, recordar é viver! Ahahah! 

Quero deixar um mega agradecimento à Editorial Presença por ter proporcionado não só a oportunidade de ver o filme, que estreia hoje!, como também de encontrar este pessoal que normalmente só em Feiras do Livro e afins é que acaba por acontecer. 

Abreijos a todos e até breve! 

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Ai que ele vem aí…! [Diário de Bordo XXVII] Conheci o Sandro William Junqueira; Vi a Culpa é das Estrelas – Chorei por um ano! https://branmorrighan.com/2014/09/ai-que-ele-vem-ai-diario-de-bordo-xxvii.html https://branmorrighan.com/2014/09/ai-que-ele-vem-ai-diario-de-bordo-xxvii.html#respond Fri, 12 Sep 2014 21:16:00 +0000

Foi apenas há dois dias que escrevi o último Diário de Bordo? Deuses! Parece que foi há um mês! Como é que em tão pouco tempo acontece tanta coisa? É um mistério. Vou tentar resumir, tentando que o mais importante, mesmo assim, fique para não vos dar uma seca muito grande. 

Comecemos com o próprio dia de Quarta-feira. Chegadas as 19h, estava eu na Leya Buchholz, na Comunidade de Leitores, para ouvir falar sobre o «No Céu Não Há Limões», de Sandro William Junqueiro. Nunca li nada do autor, é um facto, mas também o é que não vou estar muito mais tempo sem o ler e já tratei disso mesmo – de adquirir pelo menos um dos seus livros. As opiniões variavam entre os dois extremos – para uns excelente, para outros um desentendimento completo. Consegui perceber que é daqueles livros que ou se amam ou se odeiam e isso, só de si, fez-me ficar curiosa. A derradeira viragem na minha vontade, para eu querer imenso ler este autor, deu-se quando, pelas 21h30, foi a vez de também o autor e a sua editora da Caminho, se juntarem à conversa. 

Adorei conhecer o autor, completamente. Fiquei fascinada com a forma como se expressou e lidou com as mais diversas opiniões e sugestões de interpretação. É incrível como uma simples expressão, ou uma imagem, pode ser tão diferente na mente de cada um e dificilmente é aquela que o autor tem na cabeça quando a projecta. O facto de ser consensual que é um livro que dá que pensar e que abre caminhos em vez de os fechar, fornece todo um leque de possibilidades que, como leitora, gosto de explorar. Uma experiência muito boa e a qual devo agradecer à insistência da Márcia Balsas, do blogue Fugir para Ler – obrigada Márcia! Insiste mais vezes para coisas boas! Sim, sim, já sei. Roda dos Livros! Dia 27? 🙂 

Sabem o que é que também aconteceu de engraçado nesse dia? A publicação, no Facebook do Gerador, da minha Declaração de Amor à Blogosfera! É que há umas semanas, sentei-me no Fábulas, no Chiado, a falar com o Tiago Sigorelho sobre ideias geradoras e eis que ele se sai com este desafio – “Quem melhor do que tu para declarar amor à blogosfera?”

Não sei se haverá alguém mais indicado, mas certamente, pelos anos e dedicação, já trago comigo um belo calo! Para quem não está a associar isto das declarações de amor e do projecto Gerador, pode revisitar este link – http://goo.gl/lFImKY – em que tudo isto e muito mais está explicado. Quero agradecer de coração ao Tiago pelo convite e ao Pedro Saavedra pelo empurrão que me deu para eu ir na direcção certa, com a motivação certa. Também com o Gerador vamos ter novidades brevemente, mas essas só vos posso contar daqui a um dia ou dois. Fiquem atentos! 

Passando ao dia de ontem… Foi a vez de ver, finalmente, A Culpa é das Estelas em filme! Se quando li o livro a opinião ficou completamente sem sentido e emocional, podem lê-la aqui, ontem recusei-me a escrever sobre a adaptação cinematográfica. E a explicação é muito simples, e é por isso que não vou fazer um post próprio para a opinião – eu projectei todas as emoções, desde o início, que senti no livro para o filme. Ainda não tinham passado cinco minutos e eu já estava de lágrimas nos olhos. Mais ridículo ainda – quando vi o trailer há uns meses atrás, adivinhem… Chorei! Pronto, “okay”, eu tenho definitivamente um problema com esta estória, com a efemeridade da vida e com a forma como uma doença pode, de um dia para o outro, levar quem mais amamos. Talvez por já ter passado por algo idêntico e da sensação de impotência ser das piores que o ser humano pode ter, talvez pelo receio inerente de que volte a acontecer, o que é certo é que, por favor, entre risos e choro, o raio das lágrimas foram uma constante. 

Acho que a adaptação está bem conseguida. É muito difícil termos um filme 100% fiel ao livro, mas o essencial, neste caso, está lá e está bem. Acho que as personagens foram muito bem escolhidas e, agora mais calma, os cenários estavam todos muito bonitos, os locais conferiram a sua magia e a casa do escritor é tal qual como eu imaginava!  Eu até podia ter vergonha de admitir esta sensibilidade, mas como faz parte de mim, e isto até é um Diário, bem, aguentem-se! Eheheh. 

Sabem o que é que vem aí? Já à meia-noite? Pois é, como estão a ler este Diário de Bordo têm direito a saber primeiro que toda a gente! Só vos digo que estou ansiosaaaaaaaa por fazer o post a anunciar este concurso. Adoro o mundo de Fernando Pessoa, o desassossego que é isto de viver uma vida em que temos de tomar decisões, em que as incertezas parecem constantes, em que os medos habitam no nosso subconsciente e aparecem quando menos esperamos…! Ora bem, amigos escritores que estejam a ler este post, preparem-se que daqui a umas horas vão saber tudo, tudo, tudo! Mais, como eu acho que a ilustração também é arte, e porque dou mesmo valor ao talento que temos em Portugal, a capa vai ficar ao cargo de um de vocês! Ao mesmo tempo que uns escrevem, espero que a imaginação de outros fervilhe e que passe para uma tela de computador! A imagem vencedora será a imagem do aniversário do blogue, à semelhança da ilustração que o nosso querido Afonso Cruz fez o ano passado de propósito para o blogue.

E é isto! Estou tão contente por poder partilhar todas estas coisas convosco! Falando da parte profissional/académica, estou exausta! Hoje foi a ver de ler: Learning to live in a global commons: socioeconomic challenges for a sustainable environment! Basicamente, um dos maiores desafios para a sustentabilidade do meio-ambiente é mesmo a forma como as pessoas lidam com o consumo e como é que as interacções entre as pessoas, ou entre as várias comunidades de pessoas, interfere no dilema de actuar sob o seu próprio benefício ou tendo em conta o bem estar geral. É sabido que o ser humano é um ser que pensa muito em si próprio primeira, boa parte das vezes, o que faz com que aja de forma egoísta quando poderia muito bem abdicar de algo para um bem geral. Um exemplo é o consumo excessivo de energia ou até a emissão de poluição cujos limites são várias vezes ultrapassados. E é por isso que se estudam dinâmicas comportamentais e também modelos evolutivos de vários sistemas, sejam eles ecológicos, económicos, físicos ou sociais – todos partilham a peça fulcral, o facto de dependerem de agentes que podem ser imprevisíveis e cuja interacção pode gerar comportamentos inesperados. Ora, o blá blá acabou, isto parece tudo muito simples, mas agora pensei nos modelos matemáticos necessários, nas parametrizações e simulações necessárias, para se conseguir estudar e prever tudo isto! Principalmente quando cada agente, seja humano, bactéria, bolsa de valores, o que for, tem sempre tantos elementos envolventes. Tantas variáveis!

Assutados? Confesso, foi um bocadinho de propósito, mas só porque também não sei bem bem daquilo que estou a falar. Ando à descoberta, mas está a ser giro! Agora deixo-vos para ir preparar o concurso e essas coisas todas! Obrigada por no Facebook termos chegado aos 6000, por aqui no Blogger já sermos 2700, por todo o apoio e carinho que me têm dado. Este pânico do doutoramento atenua-se sempre que me ponho no teclado a falar convosco. Beijos e até ao próximo Diário de Bordo! 

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[CINEMA] Crítica ao filme «Enemy» – O Homem Duplicado – por Tiago Silva https://branmorrighan.com/2014/06/cinema-critica-ao-filme-enemy-o-homem.html https://branmorrighan.com/2014/06/cinema-critica-ao-filme-enemy-o-homem.html#respond Sun, 22 Jun 2014 22:47:00 +0000

A escrita de Saramago é uma ordem por decifrar

Se a adaptação ao cinema de qualquer obra literária constitui sempre uma tarefa complexa e exigente, lidar com a escrita de Saramago e reinventá-la de modo a permitir a sua representação visual é um esforço particularmente trabalhoso — não por qualquer delito ou ambiguidade do autor, antes pela efervescência e singularidade do seu discurso. Esta ideia tornou-se evidente aquando da estreia de Ensaio Sobre a Cegueira de Fernando Meirelles (encarado como medíocre e decepcionante pela generalidade dos espectadores, apesar dos emocionados elogios tecidos pelo escritor) e acentua-se com este Enemy de Denis Villeneuve. Sendo trabalhos em que os realizadores se comprometeram a deixar de lado as questões mais formais e a focar-se exclusivamente na acção, é natural que não se verifique qualquer reflexão sobre o processo e a densidade da escrita, com os seus enigmas tão característicos; o que não chega a ser censurável, embora pudesse produzir resultados bem mais interessantes. No entanto, esta nova tentativa de assimilação da sua prosa é indubitavelmente mais pertinente.

Convém salientar, antes de mais, que Enemy é uma interpretação deveras livre da obra de onde extrai o seu conteúdo e que quem procurar fidelidade aos vários aspectos da narrativa sentir-se-á desiludido: é que o homem duplicado que nos é lentamente revelado nas páginas do livro é diferente daquele que é interpretado por um Jake Gyllenhaal competente e enloquecido pelas várias facetas da sua identidade. No filme, apenas se aproveitam algumas premissas que servem de base à história, transformando-se grande parte da atmosfera em que os acontecimentos se desenrolam: tudo é mais opressivo, claustrofóbico e desesperante, não só pela ausência do delicioso sarcasmo tão presente no romance, como pela fotografia soturna e trabalho de som admirável, que ataca os sentidos sem qualquer aviso na sequência inicial, onde o desejo atinge níveis doentios. E é sobretudo de desejo obsessivo e controlador que se fala durante a hora e meia seguinte. O ambiente obscuro criado por estes primeiros planos mantém-se durante toda a diegese e faz do filme uma experiência verdadeiramente perturbadora e verosímil.

Os ecos de Franz Kafka eram já notórios no livro e Villeneuve faz questão de engrandecer essas peculiaridades, transfigurando-as através de uma desorientação mental que roça o ensurdecedor; o que resulta bem na maior parte da narrativa e confere originalidade ao seu trabalho, apesar de algumas falhas ocasionais criadas pela montagem e que revelam alguma insegurança, especialmente na transição entre planos (os flashes, as constantes fusões em negro, as elipses) e na falta de um dispositivo que assegure a fluidez dos acontecimentos. Ainda que muito daquilo que vemos em Enemy se processe ao nível do inconsciente, o surrealismo cai por vezes num espalhafato despropositado — e neste sentido, as comparações com Lynch são hiperbólicas e até dispensáveis. O realizador tem, no entanto, o mérito de provocar no espectador uma sensação semelhante aquela que nos acompanha nos dias posteriores à leitura do thriller: a paranóia e a consciência do absurdo de tudo trepam por nós como os aracnídeos imprevisíveis do filme. Em suma, Enemy é uma homenagem hábil à obra de Saramago. Mas ainda não foi desta vez que conseguiu encontrar equivalente fílmico.

Tiago Silva

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[Cinema – Opinião Blog Morrighan] The Hunger Games – Em Chamas visto em IMAX https://branmorrighan.com/2013/11/cinema-opiniao-blog-morrighan-hunger.html https://branmorrighan.com/2013/11/cinema-opiniao-blog-morrighan-hunger.html#comments Fri, 15 Nov 2013 13:32:00 +0000

Tive a maravilhosa oportunidade me iniciar nos Jogos da Fome, The Hunger Games, em 2010. Quando a Editorial Presença me propôs iniciar esta aventura, foi com curiosidade que peguei nos livros, mas foi com um fervor intenso que os pousei após o término da leitura. Vê-los transformados em filme, tem sido uma experiência fantástica.

Foi uma espera sofrida, mas valeu completamente a pena. Graças ao Hunger Games Portugal – Jogos da Fome Portugal tive a oportunidade inédita de assistir em primeira mão ao filme que ilustra o segundo livro: The Hunger Games – Em Chamas (ou Catching Fire na sua versão original). Se a ideia de ver esta ante estreia me deixou com aquele fervilhar interior, ainda por cima em IMAX, foi completamente extasiada que saí daquela sala de cinema.

Para quem conhece a história sabe que as emoções neste livro são fortes e intensas. Li o livro em Dezembro de 2010 e confesso que já não me recordava de todos os pormenores, mas à medida que as imagens desfilavam perante os meus olhos, as memórias ressaltavam tal como aquele aperto chegava quando previa que algo mais triste iria acontecer.

À semelhança do filme anterior, na minha opinião ainda mais aprimorada, a caracterização das personagens e dos cenários está fenomenal. O guarda-roupa, as maquilhagens, toda a imagética está deslumbrante. Também o carinho que já temos pelos nossos protagonistas faz com que todos estes factores conjugados nos levem a uma ligação emocional profunda, o que acaba por ser um dos pontos fortes deste filme.

Eu confesso, derramei lágrimas descontroladas ao longo do filme várias vezes. Desde a escolha dos vencedores para esta edição especial d’Os Jogos da Fome, ao trio amoroso Peeta, Katniss e Gale, à rebelião versus opressão, ao fim que nos deixa completamente desamparados… Bem, foi uma experiência e tanto!

Adorei as interpretações das personagens Finnick, Mags e Johanna Mason! Mantendo-se do filme anterior, Cina este novamente muitíssimo bem interpretado por Lenny Kravitz e claro, o apresentador mais excêntrico de sempre Caesar Flickerman deu o seu toque especial. A arena foi um cenário pelo qual estava muito ansiosa e apesar de não o ter achado descomunal, acaba por ser uma fase crucial para a trama da história. “Lembra-te quem é o inimigo” é mesmo o mote para a sobrevivência.

Não vou falar da história, nem adiantar pormenores porque em primeiro lugar não quero spoilar ninguém e segundo porque acho que o filme merece ser visto e sentido. Será uma visualização que certamente irei repetir. Nem quero pensar no que estará para vir no próximo filme!

O meu muito, muito obrigada à Ana do Hunger Games Portugal – Jogos da Fome Portugal por me ter proporcionado esta oportunidade! Deixo-vos com um teaser mais para o emocional (sim, eu comovi-me mesmo à séria com o filme. I’m a crying baby, I know!) J

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