Os Meus Teatros – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:23:49 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Os Meus Teatros – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Opinião Teatro] Estreia da peça “Baile” no Teatro São Luiz https://branmorrighan.com/2015/09/opiniao-teatro-estreia-da-peca-baile-no.html https://branmorrighan.com/2015/09/opiniao-teatro-estreia-da-peca-baile-no.html#respond Mon, 14 Sep 2015 12:12:00 +0000

Foi na passada Quarta-feira que me dirigi ao Teatro São Luiz para assistir à belíssima estreia da peça “Baile”, uma criação de Carla Maciel e Sara Carinhas com direcção musical de Paulo Furtado (The Legendary Tigerman). 

Em palco juntaram-se dez protagonistas – cinco mulheres e cinco homens, elas dedicadas à encenação, eles à música para elas. Destes dez nomes – Ana Brandão, Carla Galvão, Carla Maciel, Manuela Azevedo (Clã) e Sara Carinhas; João Cabrita, Miguel Marques, Pedro Vidal, Nuno Sarafa e Pedro Pinto – muitos já eu reconhecia do universo musical e foi precisamente essa junção mais intrínseca das duas artes – música e teatro – que me levaram ao sempre maravilhoso palco do São Luiz. Sou uma amante de teatro, mas confesso que ultimamente a minha curiosidade tende sempre para projectos não tão convencionais e que desafiem as peças tradicionais. E foi isso mesmo que encontrei naquela noite, uma forma de expressão que entre a dança, a música, a poesia e outras narrativas, conseguiu deslumbrar uma plateia que tanto suspendia a respiração como desatava às gargalhadas, como também não se continha nos aplausos.

Podemos encontrar Sophia de Mello Breyner Anderson por entre as várias referências, com o seu conto Praia, que ajudou na caracterização dos músicos e ainda na construção de toda a peça. Também o reportório musical é de luxo e a harmonia das vozes e das coreografias fizeram com que Baile se tornasse num espectáculo único. Desde o primeiro momento que o jogo de luzes foi fundamental para o ambiente criado e esse esteve simplesmente perfeito. Foi também surpreendente a forma como dava por mim tão focada em certa parte do cenário para de repente outra ser iluminada com outra caracterização sem que tivesse dado conta de qualquer movimentação. Claro que o propósito é esse, mas é preciso que a equipa de toda a peça seja talentosa e esteja bem sincronizada para tudo correr tão bem como correu. 

Gostei da liberdade que a peça emanou, fazendo um brinde à amizade, às memórias que nos assaltam a mente, ao silêncio que é bom sentir sem que seja constrangedor, à força que cada uma daquelas cinco mulheres transmitiu em palco. Também os músicos estiverem irrepreensíveis e foram fundamentais para que a narrativa fosse tão vivida e emotiva. O final foi muito bonito, com todos alinhados em palco e ainda com a junção de Paulo Furtado, director musical desta obra de arte, que fez anos nesse dia. Para quem escolheu permanecer no Teatro São Luiz, a festa continuou no Jardim de Inverno com o meu excelso Paulo Furtado a passar música, juntamente com o seu amigo A Boy Named Sue. Conheço poucos que façam sets de tanta qualidade como este último e foi a primeira vez que vi o Paulo Furtado a passar música, mas tenho a dizer que a combinação foi um sucesso e não tardou a que o espaço se animasse com ainda mais dança. 

Noite bonita e a recordar, mas agora o que importa é que também vocês possam experienciar a peça. Sem dúvida que “Baile” vale a pena e vai estar em cena até 20 de Setembro. Têm esta semana toda para passar por lá, não há desculpas. Com um teatro tão bonito e protagonistas tão valorosos, só quem não vai é que perde.

Podem consultar a descrição, biografias e reportório aqui: http://issuu.com/teatro_sao_luiz/docs/web-folhadesala_baile-16×23

]]>
https://branmorrighan.com/2015/09/opiniao-teatro-estreia-da-peca-baile-no.html/feed 0
[Opinião Blog Morrighan] o Trailer – Improvio Armandi – A arte de improvisar no seu melhor! https://branmorrighan.com/2014/06/opiniao-blog-morrighan-o-trailer.html https://branmorrighan.com/2014/06/opiniao-blog-morrighan-o-trailer.html#respond Mon, 16 Jun 2014 23:02:00 +0000

Parece que foi ontem, mas foi já em Setembro de 2013 que experimentei pela primeira vez o teatro interactivo. Através da peça Palco do Crime vesti a pele de uma interveniente, de uma detective, na peça. Houve toda a adrenalina em questionar os suspeitos, adivinhar o culpado e por fim o rejubilar ou a desilusão na aposta feita. Em “o Trailer” experimentei outro tipo de interacção – o de ter realmente algo a dizer no rumo que a peça acabou por tomar, literalmente!

Pisada a entrada do Teatro Comuna, entregaram-nos logo um papelinho em que tínhamos de escrever uma frase. Frase essa que seria usada durante a encenação, independentemente do que estivesse lá escrito ou da história a decorrer. Escritos e entregue os papéis, avançámos para uma das mesas redondas e sentámo-nos em plena expectativa do que se iria passar.

Entram então em palco os Improvio Amandi – João Cruz, Telmo Mendes, Hugo Rosa, Rui Moreira e Juan Pereira. Depois de um efusivo “Boa noite!”, o que pedem ao público é simples. Escolher um local, um objecto e no fim tirar à sorte um género cinematográfico. Isto duas vezes. Juntas todas as peças – “Amadora + Tesoura + Ficção Científica” e “Maternidade Alfredo da Costa + Óculos + Policial” – eles entram em acção e constroem dois trailers, findos os quais cabe ao público escolher qual das histórias improvisadas por eles deve passar a uma longa metragem. Acabou por ganhar o segundo trailer.

Escusado será dizer que a animação e as gargalhadas foram o prato principal da noite. Desde um polícia, filho de outro polícia que era grande no seu tempo, completamente humilhado pelos seus pares e apelidado de “Borra-Pichas” a uma pega ucraniana, o limite para a imaginação não existe. Instantes antes do fim da peça, momento praticamente congelado para a distribuição dos ditos papelinhos com as frases, chega o momento em que o público congela, ansioso por ouvir a sua frase da boca dos actores e em ver como é que esta se encaixa na história. E o mais fantástico de tudo, é que mesmo as mais imprevistas acabaram por fazer o deleite e provocar o riso dos espectadores.

Improvio Armandi mostrou ser um grupo de actores com uma enorme empatia e capacidade de adaptação tremendas. Mesmo nos momentos em que conterem-se fica impossível, nunca perdem a postura nem o fio à meada, mantendo sempre o público interessado e extasiado. Sem dúvida que recomendo esta experiência a todas as pessoas, sem qualquer excepção. Uma noite divertida, bem disposta e que dá vontade de repetir com outro público só para ter direito a mais uma história hilariante.

Mais informações sobre a peça aqui: https://www.facebook.com/events/243755199150273/?fref=ts

Fotos Sofia Teixeira

]]>
https://branmorrighan.com/2014/06/opiniao-blog-morrighan-o-trailer.html/feed 0
[Opinião Blog Morrighan] Palco do Crime no Teatro da Comuna – Uma Experiência que Vale a Pena https://branmorrighan.com/2013/09/opiniao-blog-morrighan-palco-do-crime.html https://branmorrighan.com/2013/09/opiniao-blog-morrighan-palco-do-crime.html#respond Wed, 04 Sep 2013 18:29:00 +0000

João Cruz, Carlos Paiva, Joana Almeida, Anaisa Raquel e Telmo Mendes voltam-se a juntar numa iniciativa que teve a sua primeira aparição em Julho deste ano. 

“A atriz Lúcia Coutinho foi encontrada morta nas catacumbas do Teatro da Comuna, e é o público, dividido em cinco equipas de oito elementos, que vai descobrir o culpado deste crime! O público irá conhecer e interrogar cinco suspeitos, relacionados com a vítima, que apresentam um motivo para cometer este horrendo crime.

Mas quem será o culpado? Como? Porque razão? Quando? É o espetador que irá descobrir e prender a pessoa certa!”

É este o espírito desta fantástica aventura que o espectador experiencia. Após o convite da Don’Adelaide Produções ao blog, não consegui ficar indiferente e chamei logo a joanapontoneto para se juntar a mim e irmos então as duas servir de investigadoras!

Aqui fica o nosso relato:

Don’Adelaide Productions – Palco do Crime: Cluedo Teatral

Dia 3 de Setembro, às 21:30, Teatro da Comuna

“Crime, disse ela”, mas desta feita a exclamação não acompanhou a pronúncia.

Homicídio, ainda para mais!

Lúcia chamavam-lhe em vida, Coutinho era o seu apelido – e imaginem só! ser-se assassinada, assim, sem dó, todas as semanas, Lúcia, sua pobre coitada – foi encontrada, sem vida, na cave do Teatro Comuna.

E tal não foi o crime – imaginem, imaginem só! – que tiveram de nos convidar a investigar este terrífico acontecimento. E dizemo-vos mais! Foi a toque de medo – um tímido medo, é certo – que passámos a ombreira da porta do Comuna. Sejamos honestos, já todos sabemos como isto funciona na televisão, testes de ADN, pólvora e mais uma data de tantas outras coisas, mas quando isto é na realidade a coisa muda sempre de figura.

E não é que tínhamos razão?

Passada a porta, o palco estava montado e nós transformámo-nos em personagens. E, amigos, não se enganem, que estava nas nossas mãos a responsabilidade de descobrir o culpado! De crachá e folha de investigação lá nos reunimos as nossas armas!

As questões eram várias e as respostas eram poucas – horas inconstantes, desconfianças que iam e vinham, meu deus, o que fazer? Como descobrir? Quem terá sido? Ele, ela? E os detalhes estavam lá. E nada batia certo.

Um desafio, é o que chamamos a esta peça. Um divertido desafio, é certo, mas um desafio ainda assim: é sairmos da nossa zona de conforto, é sairmos da nossa noção pré-definida de peça de teatro, é sermos um outro alguém durante uma hora e meia.

E durante uma hora e meia julgamos, criticamos, questionamos, aprendemos – talvez até desesperemos, imaginem! Mas não se apoquentem, amigos, que era impossível não sorrir nesta investigação (estas novas modas de ter um ambiente de trabalho saudável até tem que se lhe diga, assim gostavámos de ser investigadoras, acreditem-nos!).

Um enredo comum que nos é trazido da forma mais incomum, onde o desfecho nos pertence e onde os actores – que desempenharam uma papel soberbo, verdade! – têm um dinamismo tão grande que esta peça, não é uma peça apenas: ontem, fomos investigadoras. (E até achamos que nos safámos bem!).

Nunca esperámos ser desafiadas numa peça de teatro e divertirmo-nos tanto a fazê-la. A equipa da Don’Adelaide Productions está mais do que de parabéns! O ambiente criado, inclusive aquela descida à cave arrepiante, com o pormenor do boneco de lápis enfiado sabe-se lá onde (a cara era uma coisa disforme) que nos mexia com as entranhas até ao nosso âmago, ajudou a que a cada passo fosse mais fácil estarmos na pele das nossas personagens. Foi, sinceramente, fantástico.

“Palco do crime” estará em cena todas as terças e quartas de Setembro às 21h30 no Teatro da Comuna com bilhetes a 8€ e descontos para grupos superiores a 6 pessoas.

A quem deu o contacto do blog a esta fantástica equipa, muito, muito obrigada. Tão cedo não esqueceremos esta noite tão diferente e tão única.

]]>
https://branmorrighan.com/2013/09/opiniao-blog-morrighan-palco-do-crime.html/feed 0