:papercutz – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:34:39 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png :papercutz – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 :PAPERCUTZ lançam tema ‘Your Beliefs’ antes do seu concerto no Iceland Airwaves https://branmorrighan.com/2019/11/papercutz-lancam-tema-your-beliefs.html https://branmorrighan.com/2019/11/papercutz-lancam-tema-your-beliefs.html#respond Sun, 17 Nov 2019 17:47:00 +0000

Os :PAPERCUTZ disponibolizaram um novo tema: ‘Your Beliefs’. Como só eles sabem fazer, as atmosferas e os ritmos criados, envoltos na bela voz de Emmy Curl, fazem com que sejamos transportados para dimensões que nos tocam de forma primitiva e directamente no âmago das nossas emoções e da nossa fisicalidade.

Recentemente, tocaram no mais importante festival de música independente na Islândia, Iceland Airwaves: https://icelandairwaves.is /https://icelandairwaves.is/lineup/#/papercutz. Durante este último ano, o projecto efectuou duas digressões Europeias (Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália e Polónia) passando por festivais nos Estados Unidos, Reino Unido, Suíça entre muitos outros, uma residência artística em Nova Iorque e foram escolhidos para o programa da União Europeia para circulação de artistas no seu espaço, INES#talent. Para 2020 o grupo prepara-se para concertos em território nacional com o avanço de um concerto em Setembro a convite do Centro Cultural De Belém.

[Verse 1]

Take it, take it all from me.

Break my moment of peace.

Cause I’m too tainted for your beliefs.

See them fading when there’s no relief.

So take it, take it all from me.


[Pre-Chorus]

Caught in a bliss,

tears me apart,

crossed through the mirror,

to a side I can start

my time to live out,

thoughts wicked and strange.


[Chorus]

Held in a gaze that no words can’t change.


[Verse 2]

Take it, take it all from me.

If I fake it until there’s no one here.

Cause I’m too tired of your beliefs.

You’re no stranger to my heathen griefs.


[Pre-Chorus]

My time to live out,

thoughts wicked and strange.


[Chorus 2]

Held in a gaze that no words can’t change.


[Outro]

I can’t seem to get it right but your ways sound undefined.”

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[DESTAQUE] GrandFather’s House e :PAPERCUTZ em Tour Europeia Conjunta https://branmorrighan.com/2018/10/destaque-grandfathers-house-e-papercutz.html https://branmorrighan.com/2018/10/destaque-grandfathers-house-e-papercutz.html#respond Sat, 20 Oct 2018 12:08:00 +0000

GrandFather’s House e: PAPERCUTZ, dois projetos bem conhecidos no panorama musical indie português, partem numa tour europeia em conjunto, entre 19 de outubro e 13 de novembro, depois de terem participado no Waves Vienna 2018 e de trabalharem juntos numa residência artística – com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão – em torno das músicas de ambos os projetos, com a finalidade de criarem um espetáculo único e dinâmico a apresentar em Portugal, brevemente.

A formação e a abordagem musical de ambos é um aspeto que os distingue mas que complementará o espetáculo de forma a juntar o melhor dos dois mundos: de um lado os GrandFather’s House com uma abordagem mais orgânica e “musculada” com bateria e guitarras elétricas muito presentes, do outro, :papercutz com uma estética mais eletrónica e ambiental.

DATAS:

19 OCT – SALA KOMINSKY – VIGO – ES

20 OCT – LA TRIBU – SANTANDER – ES

21 OCT – SALA CREEDENCE – ZARAGOZA – ES

23 OCT – CANAL 10 – HAUTRAGE – BE

24 OCT – LES 3 AUVERHNATS – BEAUMONT – BE

25 OCT – PENNY LANE – RENNES – FR

26 OCT – LE PAPIER BUVARD – SOULVACHE – FR

27 OCT – EL CHICO – BORDEAUX – FR

28 OCT – LE MOLOTOV – MARSEILLE – FR

30 OCT – ÔBOHEM BAR CULTUREL – TOULOUSE – FR

31 OCT – LE CIRCUS – CAPBRETON – FR

01 NOV – LA CACHORRA YEYE – ALBACETE – ES 0

2 NOV – SALA LA PALMA – MADRID – ES

03 NOV – CHAT NOIR – BADAJOZ – ES

ÚLTIMAS DATAS – PORTUGAL TBA

GRANDFATHER’S HOUSE

Grandfather’s House surge em 2012 e conta agora com quatro elementos em palco. Contam já com três trabalhos editados, sendo que o último, “Diving”, contou com a participação do músico de renome Adolfo Luxúria Canibal. O projeto com uma sonoridade sombria e introspectiva, com influências rock e synth-pop, tem sido cada vez mais aclamado pelo público e pela crítica, sendo que o último álbum foi considerado um dos melhores álbuns de 2017 para muitos blogs e revistas (destacando 2º melhor álbum de 2017 para os leitores da BLITZ). A banda conta com mais de 350 concertos, sendo que este reconhecimento tem levado a projeto a passar por grandes palcos, tais como Festival SZIGET (HU) 2016, Festival Vodafone Paredes de Coura (PT) 2013, 2016 e 2018, Festival para Gente Sentada (PT) 2016, Festival Waves Vienna (AT) 2018, Festival Super Bock Under Fest (ES) 2018, Festival Avante (PT) 2013, Noites Ritual (PT) 2015, Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, entre outros.

:PAPERCUTZ

Os :PAPERCUTZ do premiado produtor Bruno Miguel, tem vindo a desvendar a sua nova sonoridade em festivais internacionais e estão de volta a concertos em Portugal. A nova vocalista, Catarina Miranda conhecida pelo seu trabalho como Emmy Curl, é um dos elementos responsáveis por essa nova abordagem sonora, evocando harmonias pop e motivos corais encontrados em geografias não ocidentais. Polirritmia e melodias melodias soturnas e exóticas interpretadas por sintetizadores analógicos, batidas urbanas, texturas ambientais e percussões de raiz tribal são outros dos elementos que se dispersam pela estética renovada do projecto portuense.

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[9 Anos Blog BranMorrighan] Nial, Jerónimo, Grandfather’s House, Jonny Abbey e :papercutz na Festa do Maus Hábitos em Fotografia! https://branmorrighan.com/2018/02/9-anos-blog-branmorrighan-nial-jeronimo.html https://branmorrighan.com/2018/02/9-anos-blog-branmorrighan-nial-jeronimo.html#respond Mon, 05 Feb 2018 14:40:00 +0000

Fotografias Jorge Oliveira

Dia 2 de Fevereiro de 2018 foi um dos dias mais especiais vividos através do blogue. Foi o dia de comemoração do nono aniversário do BranMorrighan no Maus Hábitos e no fim o sentimento só podia ser de alegria e gratidão. Tendo levado quatro concertos de estilos tão diferentes, ainda por cima sem as ter visto ao vivo, tinha tudo para ser imprevisível, mas foi tudo do melhor. A partilha de apoio e reconhecimento entre as bandas e o blogue fez com que tudo corresse de feição. Do soundcheck ao jantar, dos concertos ao djset, não faltou boa disposição, uma entrega incrível e um deslumbramento ainda maior. O Maus Hábitos recebeu-nos impecavelmente, como sempre, e a casa este composta do início ao fim. Dito isto, só quero deixar o maior dos agradecimentos a todos os presentes e dizer-vos que me sinto mesmo uma sortuda. Nial, Jerónimo, Grandfather’s Houser, Jonny Abbey e :papercutz, vocês foram absolutamente PERFEITOS. Foi maravilhoso produzir este aniversário convosco. Estarei sempre aqui para o que precisarem e podem contar sempre com todo o apoio do BranMorrighan. Obrigada ao Maus Hábitos, principalmente ao Salgado (o maior patrão), ao Casaleiro (dos melhores técnicos de som que conheço), ao Tiago e ao Confra (por todo o apoio logístico) e, por último, mas não menos importante, ao Jorge Oliveira que se estreou a fotografar para o blogue! Para o ano comemoramos uma década e a fasquia não podia estar mais alta. Obrigada por fazerem com que todo o meu esforço e trabalho valha a pena! Tenho a certeza que ainda nos vamos cruzar muitas vezes 🙂 

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[9 Anos Blog BranMorrighan] Festa de Aniversário no Maus Hábitos – 2 de Fevereiro https://branmorrighan.com/2018/01/9-anos-blog-branmorrighan-festa-de.html https://branmorrighan.com/2018/01/9-anos-blog-branmorrighan-festa-de.html#respond Fri, 26 Jan 2018 13:23:00 +0000 https://www.facebook.com/events/177006629566473/

É com um entusiasmo imenso que levo mais uma festa de aniversário ao Maus Hábitos, já no dia 2 de Fevereiro! O cartaz consta numa mistura de sonoridades que vai desde a electrónica ambiental e experimental ao indie rock, passando por um rock mais lascivo e denso e por batidas mais dançantes. Os protagonistas são Nial, Jerónimo, Grandfather’s House, Jonny Abbey e ainda contamos com djset de :papercutz. Mais uma noite de descobertas que pretende destacar jovens talentos da música portuguesa! Apareçam 🙂 


NIAL

“nial: exploração auditiva que atravessa várias fronteiras, é na música ambiental que encontramos o seu ponto de partida. Aventureiro por veredas da eletrónica, da eletroacústica e da música neoclássica, a narrativa de nial é livre, contemplativa e harmoniosa com o espaço em que executa os seus lives. Exímio caçador do que o rodeia, é nas field recordings e nas improvisações de outros músicos que encontra a sua base de exploração, e é com estas que concebe uma viagem que não tem um principio e que dificilmente finda na sua performance ao vivo.”

António Cardoso

(ZigurArtists)

OUVIR: www.nialproject.com

JERÓNIMO

As caras certamente já vos são conhecidas. Os irmãos JERÓNIMO decidiram juntar-se e formar um projecto homónimo. São eles: Gil Jerónimo (Les Crazy Coconuts), Luís Jerónimo (Nice Weather For Ducks) e Nuno Jerónimo (mais conhecido como Nuno Rancho, dos Few Fingers). A música é de base indie numa simbiose de experimentalismo e de electrónica, com alguns momentos de texturas atmosféricas e ambientalistas. Lançaram o seu primeiro single “Big bites’ em Outubro do ano passado, foram finalistas na edição de 2018 do Festival Termómetro e prometem mais novidades em breve!

OUVIR: https://j3ronimo.bandcamp.com/track/big-bites

GRANDFATHER’S HOUSE

Grandfather’s House é uma banda de Braga que surge em 2012. Com Tiago Sampaio na guitarra, Rita Sampaio nos sintetizadores e voz e João Costeira na bateria, contam até hoje mais de 250 concertos dados por todo o país e internacionalmente. Com o seu primeiro EP “Skeleton”, editado em 2014, percorrem Portugal na sua promoção. Em 2016, editam o longa-duração, “Slow Move”, sendo aclamados pelo público e pela crítica – tendo, com este, lançado dois singles – “Sweet Love Making” e “My Love”. Lançaram o seu terceiro disco – “Diving” -, em Setembro de 2017, resultado de uma residência artística no espaço GNRation (Braga) contando com as participações de Adolfo Luxúria Canibal, Nuno Gonçalves e Mário Afonso, na voz, teclados e saxofone, respetivamente. Com um método de composição mais complexo, que contou com a participação de mais um elemento em todos os temas – o músico convidado, Nuno Gonçalves (teclas) – a banda, explora assim, uma sonoridade mais densa. O disco foi extremamente bem recebido, tendo sido considerado um dos discos do ano para vários meios de comunicação nacional.

OUVIR: https://www.youtube.com/watch?v=Y7QTw12Z9Z4

JONNY ABBEY

A viagem de Jonny Abbey começou num período de introspecção passado sozinho e na companhia de outros músicos. O seu trabalho como produtor e músico de outros artistas permitiu­lhe compreender que a música não pertence a ninguém, apenas flutua, e caber nos a nós absorvê­la e eternizá­la à nossa maneira. Batidas electrónicas, ambientes Indie e melodias Pop caracterizam a sua sonoridade, onde a guitarra e os teclados são os instrumentos de eleição para uma combinação desinibidora do digital com o analógico. ‘O álbum de estreia “Unwinding”, reflecte a vibrante cena musical presente na cidade do Porto, onde o mesmo reside, e leva­nos a viajar por ambientes alternativos, mantendo sempre a vertente “catchy” do estilo Synth­Pop. Conta também com participações de Lewis M. (Luis Montenegro de Salto e Rapaz Ego), inFeathers e Sandra Martins. É um disco de edição de autor, sendo da autoria do artista a composição, interpretação, gravação, mistura e edição. Foi gravado e misturado nos estúdios “O Silo” e masterizado por Andrés Malta. Encontra-se neste momento a gravar o segundo álbum que começará a ser revelado na noite de 2 de Fevereiro no Maus Hábitos.

OUVIR: https://www.youtube.com/watch?v=jjDfm6BMFFU

:PAPERCUTZ

:PAPERCUTZ é uma projecto de pop electrónica da cidade do Porto, formado por Bruno Miguel, com olhos postos no resto do mundo. O grupo cuja última edição foi no Japão tem vindo a desvendar a sua nova sonoridade em festivais entre Ásia e Estados Unidos, encontra-se a preparar a edição para este ano do próximo álbum de nome “King Ruiner”, evocando harmonias pop e motivos corais encontrados em geografias não ocidentais. O produtor do projecto apresenta um set em formato club de alguma das suas referências do novo trabalho e cuja mais recente mistura estreou na Red Bull Radio: https://www.redbullradio.com/shows/alumni-mix/episodes/papercutz

OUVIR: https://soundcloud.com/papercutz/red-bull-radio-mix

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Entrevista a :papercutz, Banda Portuguesa – O Novo Disco “King Ruiner” sai a 27 de Novembro https://branmorrighan.com/2017/09/entrevista-papercutz-banda-portuguesa-o.html https://branmorrighan.com/2017/09/entrevista-papercutz-banda-portuguesa-o.html#respond Wed, 06 Sep 2017 09:19:00 +0000 Fotografia Christelle De Castro

Facebook: https://www.facebook.com/papercutz/

Bandcamp: https://papercutz.bandcamp.com/

Olá Bruno, queres-nos falar um pouco sobre ti antes de criares :papercutz? (Como foi o teu percurso, gostos e hobbies até então)

Penso que nunca tinha respondido a uma pergunta bem assim… sem ir muito atrás mas como ajuda a contextualizar, um adolescente normal do Porto, sendo que a educação que tanto eu e os meus irmãos tivemos (sou o mais velho de três) passou por nos dedicarmos a algumas actividades que gostávamos desde cedo e de uma forma séria. Eu fui atleta natação, tive aulas de Inglês e de informática e a música era o meu hobbie. Isso colocou em mim um sentido de disciplina que ainda hoje em dia uso. Mas a música servia também de escape a tudo isso. Além de que era uma forma de conhecer novos amigos ainda numa altura em que havia muitos concertos underground pela Invicta. Ao criar uma banda de garagem acabas por fazer parte desse circuito rapidamente. Com o tempo, a música tornou-se algo mais sério, mas continuo a gostar de todas estas outras áreas e algumas delas tem me sido úteis no decorrer dos meus dias. Aliás a minha formação universitária é em Engenharia Informática. Infelizmente não descobri forma de ligar essa componente à música de uma forma profissional ou poderia ter sido o caminho que teria seguido. Quando terminei a Universidade ainda cheguei a exercer, como programador e professor, mas comecei a ter a possibilidade de poder seguir a música como carreira, sound design e mais tarde compositor e é isso que tenho feito desde então.

Como é que surge a ideia de criares este projecto?

Suponho que tal como aconteceu com outros músicos, fazia parte de uma banda de garagem que chegou mesmo a editar alguns registos, e com concertos ao vivo, mas sentia a necessidade de uma exploração pessoal da música eletrónica. A ideia inicial era simplesmente explorar temas que misturavam a pop e a eletrónica, com timbres mais refinados dos que os praticava na altura e pelos quais comecei a sentir alguma curiosidade. Como tive uma boa receptividade neste caminho e em que me sentia mais realizado, decidi continuar e dedicar-me musicalmente apenas a :papercutz. 

Sendo um projecto com uma componente muito forte de música electrónica, tenho curiosidade: também todas as tuas maiores influências são deste género musical?

Não, de todo. Aliás penso que isso acaba por ser notório em :papercutz, por exemplo gosto bastante de música instrumental clássica minimal, basta ouvir algum dos motivos de temas instrumentais ou até arranjos em outros vocais, tenho uma paixão pelo Blues que acabou por se tornar mais clara em algumas melodias deste mais recente álbum (Blues do deserto como Ali Farka Touré), nota-se o gosto por géneros mais extremos em alguns sons negros e agressivos, entre muitos outros géneros. Como tive a sorte de viver os meus tempo de Universidade numa casa em que acomodava vários gostos musicais, nunca senti a partir dai, algo que não fosse um apelo por ouvir música fora da minha zona de conforto.

Tudo começa contigo e em ti, mas ao longo do tempo outras pessoas se têm juntado e colaborado contigo. Guia-nos um pouco sobre esta história de :papercutz, que já conta com quase 10 anos.

O que começou com um trabalho a solo evoluiu de forma a incluir a participação de outros músicos, com quem tenho tido a sorte de trabalhar. Esses músicos normalmente estão associados a respectivos álbuns e concertos de apresentação. Já trabalhei com várias vocalistas, guitarristas, teclistas, percussionistas, até mesmo com um quarteto de cordas e metais com quem toquei alguns concertos ao vivo e estão presentes no registo anterior, ‘The Blur Between Us’. Além disso já partilhei estúdios com engenheiros e produtores distintos, alguns nacionais e outros estrangeiros. E tenho ainda os técnicos responsáveis pelo nosso som nos concertos ao vivo. Com todos eles há sempre, uma pré-produção, uma ligação pessoal e várias conversas saudavelmente agarridas para que se mantenha um trabalho coeso. Depois existe uma questão recorrente que é entregar as canções para serem trabalhadas por outros artistas que admiro, num formato de remisturas e cujo resultados são alguns dos E.P.s ou até um álbum especial que foi editado, uma versão interpretativa da quase totalidade dos temas da edição  de estreia de nome ‘Lylac’. As letras também tem sido partilhadas com alguns escritores convidados e a componente visual passa por uma troca de ideias com a Susana Maia que é uma espécie de directora artística porque ou desenvolve a imagem e comunicação ou convida pessoas externas ao projecto para tal. Ou seja apesar de passar tudo por mim, é realmente um produto de várias mãos.

O que é que para ti sempre foi essencial na composição dos temas e na construção de uma identidade singular?

Em parte isso o que mencionas, ter uma identidade própria mas apresentar um trabalho e uma visão cujas pessoas, com algum tempo, possam compreender e rever-se nele através dos seus gostos musicais e da sua experiência de vida. Em termos de arranjos isso passa por trabalhar um formato canção ou descontruí-lo em termos instrumentais, e na parte lírica, eu inspiro-me na minha experiência, na de conhecidos, filmes ou livros que gosto, o que se traduz numa mensagem quasi-universal.

Cada trabalho acaba por ter uma espécie de “missão” no que transmite?

Cada álbum tem um conceito, uma história e até uma narrativa, e os temas e letras servem esse fim. A única missão é poder criar uma obra com algum significado para quem a conhecer, o mesmo que eu sinto com outros trabalhos e que me moldaram como artista e até mesmo como indivíduo. Mas se as pessoas quiserem ouvir a música de uma forma totalmente descomplexada, não vejo nada contra, aliás são essas camadas que tornam o universo pop, até o mais aventureiro, rico e interessante.

Todas as edições até agora lançadas têm edições físicas com grafias muito cuidadas. A estética é essencial ou complementar? (ou ambas 😊 )

A estética é complementar. O que é essencial é que não desvirtue a música e idealmente lance novas interpretações dos temas ou do som que representa. É por isso que temos muito cuidado nas escolhas que fazemos ou com quem desenvolvemos essa parte. Fico contente de vários mencionarem isso que dizes.

Achei fascinante o facto de :papercutz estar representado no Japão. Estive lá a viver algum tempo, recentemente, e achei um país com uma cultura muito difícil para quem vem de fora. Como é que se deu essa relação com o Japão e qual o teu balanço sobre o mesmo?

É verdade, e tenho assistido ao facto de se estarem a fechar cada vez mais para a sua produção interna apenas. Eles acabaram por incorporar influências externas e está-se a tornar difícil que tenham procura por músicos externos que pretendam ter algum espaço no mercado deles que é um dos maiores (em termos de ouvintes) de todo o mundo. É um cultura pela qual tenho grande admiração e espero que não se fechem de todo. Fomos contactados por uma pequena editora Tóquio, a Kilk, para a edição do ‘The Blur Between Us’ e vamos continuar a trabalhar com eles no novo álbum. Eles tem alguém que se dedica apenas a assinar artistas estrangeiros e não somos o primeiros com quem trabalham da Europa. Infelizmente não conseguimos ir tocar lá na altura apresentação do álbum porque os custos são altos e apesar de termos aparecido em algumas rádios e revistas decidimos em conjunto esperar um pouco mais até criar mais ouvintes interessados em vir aos concertos e que já possam conhecer alguma da nossa discografia, não só um ou outro tema. A editora está a preparar alguns concertos em pequenas salas espectáculos em Tóquio (uma delas é inclusive deles a ‘Hisomine’) e arredores para Primavera de 2018, mas ainda é cedo para afirmar se será possível. Tudo vai depender de como o novo álbum será recebido.  

Em termos de currículo, podemos dizer que tens um invejável. Eurosonic, SXSW (em dose repetida), Estados Unidos, entre outros. Como é que estas oportunidades surgiram? Achas que tem sido mais fácil proliferares lá fora do que em Portugal?

Maioritariamente são convites que nos são feitos ou propostas de agentes com que trabalhamos. Daí não termos muitas datas em formato tour, um certo comodismo talvez mas uma vez tendo essas condições e com algum impacto no resto da nossa trajectória nunca nos fez muito sentido simplesmente alugar uma carrinha e contactar pequenos espaços fora de Portugal na esperança que algo de muito significativo possa acontecer. Mas admiro quem o faça. Sim, acho que teria sido mais fácil, mas também penso que alguma da vontade e persistência que tenho pode advir do facto de ter feito tudo a partir de Portugal. 

Sentes que o facto de teres actuado em festivais como o Eurosonic e SXSW te proporcionou oportunidades que de outra maneira não terias?

Não é de todo obrigatório participar nesses eventos, mas no nosso caso faz algum sentido porque temos pessoas interessadas no que fazemos fora de Portugal, um facto constante desde o primeiro álbum, e se acreditamos no que fazemos então temos de ir de encontro a agentes que possibilitem um dia estarmos num palco à frente desses interessados ou que estes possam ter acesso ou ouvir falar do nosso trabalho. E isso aconteceu connosco em termos de concertos e edições.

Tens alguma memória de alguma experiência que te tenha marcado especialmente?

Eu não ligo muito a prémios porque a sua natureza num contexto musical é algo estranho, mas logo no início dos nossos concertos ao vivo, a nossa editora na altura submeteu a música do álbum estreia para um festival da indústria e acabamos por ganhar um prémio e ir tocar a Londres, com criticas positivas de radialistas da BBC e da XFM  o que na altura fez-me acreditar que tínhamos algo diferente para oferecer.

E chegando agora ao presente, que balanço fazes da participação no Red Bull Music Academy?

Foi uma experiência bastante particular porque tive contacto com produtores de vários cantos do mundo, com uma paixão equivalente à minha pelo que fazem, sendo que muitos deles estão neste momento como eu, a lançar novos trabalhos ou em palcos espalhadas um pouco por todo lado, e durante algum tempo pudemos partilhar ideias e composição. Ainda hoje em dia estou em contacto com alguns e ajudamo-nos em decisões criativas e outras mais técnicas. Isto claro fora o contacto e aprendizagem que tive com formadores como Flying Lotus e Four Tet ou de oradores como Eno. Foram tempos ricos e interessantes que ainda hoje em dia vou processando.

O novo disco está para breve. O que podemos esperar dele e que datas é que já podem anunciar?

Para conhecer este álbum o ideal é virem a um concerto nosso. O álbum é rico em harmonias corais, melodias exóticas por sintetizadores e guitarra, percussão tribal, batidas electrónicas e acho que é o nosso registo que melhor se traduz ao vivo até ao momento. Aliás, ele nasce muito da experiência que tenho tido em concertos e estúdio com a Catarina, a vocalista de ‘King Ruiner’. Quanto às datas, pelo facto de estarmos a tratar cada concerto de uma forma especial, penso que as pessoas já perceberam o porquê de irmos anunciando uma de cada vez. O nosso próximo concerto é em casa, no Porto 6 de Outubro no Plano B. 

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[DESTAQUE] :PAPERCUTZ no LISB_ON no dia 1 de Setembro https://branmorrighan.com/2017/08/destaque-papercutz-no-lisbon-no-dia-1.html https://branmorrighan.com/2017/08/destaque-papercutz-no-lisbon-no-dia-1.html#respond Thu, 31 Aug 2017 13:36:00 +0000

Os :PAPERCUTZ estão de volta a Lisboa numa participação única no festival Lisb-On onde além de mostrarem alguns dos temas do seu novo álbum ‘King Ruiner’ com lançamento no fim de 2017, vão tocar temas novos em colaboração com outros artistas nacionais da Red Bull Music Academy numa curadoria pela Red Bull Portugal.

Os :PAPERCUTZ têm vindo a desvendar a sua nova sonoridade em festivais entre Ásia e Estados Unidos. A nova vocalista, Catarina Miranda conhecida pelo seu trabalho como Emmy Curl, é um dos elementos responsáveis por essa nova abordagem sonora, evocando harmonias pop e motivos corais encontrados em geografias não ocidentais. Polirritmia e melodias interpretadas por sintetizadores analógicos, batidas urbanas, texturas ambientais e percussões de raiz tribal são outros dos elementos que o tema introduz e que se dispersam pela estética renovada do projecto Portuense.

MAIS SOBRE A BANDA

:PAPERCUTZ é uma banda de pop electrónica da cidade do Porto, formada e liderada por Bruno Miguel. O primeiro tema surge em 2005 na compilação Novos Talentos Fnac, que destaca artistas de música portugueses, escolhidos por Henrique Amaro da rádio nacional Antena 3. Na mesma altura, Bruno remistura o single Camaleão, para o E.P. com edição pela Rastilho Records, da banda de Braga Peixe:Avião. Em Junho de 2008 lançam o primeiro single Ultravioleta Rmx’s, elogiado pelo jornalista Nuno Galopim que sublinha “o momento de saudável agitação que tem vivido, este ano, o panorama pop/rock português (e suas periferias)” e o álbum Lylac, em Outubro, ambos pela editora Canadiana Apegenine Recordings. O trabalho é recebido pela imprensa nacional e internacional com boas críticas. Um dos temas do álbum, ‘A Secret Search’ ganha o segundo prémio do International Songwriting Competition. O júri era composto Tom Waits, Robert Smith, entre outros notáveis. Em Abril de 2009, ganham um prémio referente à categoria “Off the beaten track”, no The People’s Music Awards cuja cerimónia com concertos ao vivo decorreu em Londres. Do júri faziam parte Annie Nightingale (dj da radio BBC) e Emre Ramazanoglu (produtor associado a Lou Rhodes) e o produtor da XFM Eddy Temple-Morris e o prémio “Ones to Watch” em Agosto, uma iniciativa do Myspace sendo a primeira banda portuguesa a alcançar este reconhecimento.

A promoção de Lylac leva os :papercutz a apresentar-se ao vivo, em 2009 e 2010 na Europa e nos Estados Unidos, com passagem pelo Festival South by Southwest em Austin Texas e pelo Exit Festival, em Novi Sad, Servia. O álbum de remisturas Do Outro Lado Do Espelho (Lylac Ambient Reworks) é lançado em 2010 com o selo da editora inglesa Audiobulb Records. A remistura do tema Lylac, pelo produtor e pianista Helios (Keith Kenniff) e o vídeo do japonês Daihei Shibata formaram a combinação escolhida por Bruno Miguel e galardoada na edição de 2010 do Protoclip, Festival International du Clip Musical, em Paris com estreia em Portugal em Julho do mesmo ano, na seleção oficial de vídeos musicais do Festival de Curtas Vila do Conde. Na antevisão de um novo álbum surgem os convites para Bruno Miguel remisturar temas de outros projectos internacionais e a propósito da compilação que celebra o primeiro aniversário da publicação inglesa de música electrónica Future Sequence, nasce a re-interpretação do tema Disintegration, do álbum seminal dos The Cure, com o mesmo nome.

A banda passou uma parte do ano de 2011 em Nova Iorque, onde trabalhou com o produtor Chris Coady (Beach House,Yeah Yeah Yeahs, TV On The Radio) e o resultado foi o segundo álbum de originais ‘The Blur Between Us’ que sai em Julho 2012 pela editora inglesa Sounds Of A Playground, com uma edição nacional em Setembro pela Rastilho Records e que vê os :papercutz a assumirem um álbum mais negro, comparativamente ao álbum anterior, contando para tal com a participação do escritor José Luís Peixoto. O jornalista Vítor Belanciano do Público destaca a sua “pop electrónica estimulante de contornos sombrios” e o radialista Nuno Ávila considera-o um dos melhores álbuns nacionais do ano. De fora recebem destaque em publicações Inglesas e Americanas como The Fader, MTV Iggy Dummy Magazine entre outras , sendo ainda selecionado como ”Un disco per l’Europa” por Thierry Vissol, um projecto da comissão Europeia.

A banda volta a tocar no festival South by Southwest mas também em Portugal com apresentações oficiais do álbum por todo o País. No fim de 2012 Bruno Miguel foi selecionado para a Red Bull Music Academy, que o leva de volta a Nova Iorque para trabalhar em estúdio com monitores como Four Tet ou Flying Lotus, ao mesmo tempo que tem novas apresentações ao vivo. Passa também por uma nova fase de composição em 2013 e inicia uma colaboração com a editora Enchufada (dos Buraka Som Sistema) através do tema single ‘Storm Spirits’.

De volta a Portugal os :papercutz terminam os seus concertos de apresentação de ‘The Blur Between Us’ com passagem pelo festival Neopop, Fusing, Casa da Música e Paredes de Coura entre outros. No fim de 2013 os :papercutz veem um álbum seu ser editado pela primeira vez no Japão pelas mãos da Kilk Records. Considerado álbum do mês da distribuidora More Records, recebeu destaque em publicações como Fudge e airplay de Kiss Fm Kobe e Fm North Wave, algo inédito para uma artista estrangeiro novo do catálogo da Kilk Records. O grupo encontra-se em concertos, tendo atuado pela primeira vez na Ásia no fim de 2015 no festival Wonderfruit, já este ano de novo nos Estados Unidos em Las Vegas no festival Further Future, e a preparar o terceiro álbum de originais com lançamento em 2017.

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