Pernas de Alicate – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:37:04 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Pernas de Alicate – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Entrevista a Pernas de Alicate, Projecto Musical Português https://branmorrighan.com/2014/11/entrevista-pernas-de-alicate-projecto.html https://branmorrighan.com/2014/11/entrevista-pernas-de-alicate-projecto.html#respond Sun, 02 Nov 2014 22:43:00 +0000 A primeira vez que tomei contacto com o projecto Pernas de Alicate foi aquando do lançamento de uma edição física do seu trabalho, em estilo mini-livro (podem ler aqui). Carlos BB e Sara Feio, baterista e ilustradora, são os elementos fixos do projecto, mas muitos outros intervenientes têm dado forma às suas ideias. Não existindo em formato disco, o trabalho de Pernas de Alicate é único e personalizado, tema a tema. Toda a composição é cuidada e elaborada minuciosamente. Enquanto Carlos BB trata da parte musical, Sara Feio cria o seu próprio imaginário para as músicas que vão sendo construídas. Recentemente, lançaram o tema Pássaros (ler aqui) que conta com músicos como Miguel da Bernarda (Brass Wires Orchestra), Ana Miró (Sequin), Cláudia Guerreiro (Linda Martini), Gil Amado (Long Way To Alaska, We Trust) e João ‘Shela’ Pereira (Riding Pânico). “Que equipa de peso!”, hão-de dizer vocês, e eu concordo. Inevitavelmente, fui parar à mesinha da sala de estar de Carlos e Sara para conversarmos sobre este projecto – Pernas de Alicate – que não responde a regras nem a padrões, mas que revoluciona e supera em tudo o que toca. 

Curiosa sobre o que teria juntado o Carlos e a Sara, perguntei-lhes como surgiu o projecto Pernas de Alicate. Ingénua e distraída Sofia Teixeira que não reparou logo à primeira que estava perante um casal! «Juntar, já estávamos juntos, não é? (risos)», diz-me a Sara. (Duh, Sofia!), mas amavelmente ela continua: «Nós temos muito input no trabalho criativo um do outro e temos bastante confiança no gosto um do outro. Na altura, o BB queria fazer um projecto a solo de música, a banda principal que ele tinha estava parada e ele tinha vontade de fazer um projecto que fosse só dele. Sendo um baterista é um bocado difícil fazer um projecto a solo se não souberes tocar outros instrumentos.» 

«E eu por acaso não sei. (risos)» 

«Então começou a pensar numa maneira de ter convidados e ir fazendo músicas em que a produção era ele que fazia. Eu comecei a ajudá-lo, mais em modo incentivo, com a parte da imagem. Nos meses em que andámos a trabalhar nisso, a parte da imagem acabou por ficar bastante grande e acabou por crescer um pouco por aí. Ele convidou-me para fazer parte do projecto e quando saiu o primeiro vídeo já estava assumido que era um projecto dos dois, com música e imagem.»

Sendo um projecto em que ambas as artes se complementam – música e imagem – a apreciação não pode ser completa se apenas se assistir a um sem o outro. BB explicou-me que essa tem sido, em parte, uma das suas lutas: «Infelizmente, a música é sempre muito mais falada do que a imagem e nós também queremos apostar na imagem. E isso tem a ver com a cultura do país – a música continua a ser muito mais falada do que a ilustração, a escultura, a fotografia, entre outros que acabam por ser marginalizados.» Sara complementa: «A música é muito mais popular e muito mais fácil de chegar às massas do que é, por exemplo, a ilustração ou a fotografia. Não tens pessoas a irem a exposições, seja de ilustração ou fotografia, como vão a festivais de música. Nós não temos disco, vão havendo músicas, que funcionam como singles, e depois há a parte da imagem. O BB, no cantinho dele, trata dos convidados, da composição e de tudo relacionado com a música, e eu no meu cantinho, trato da parte do vídeo e de convidar pessoas para fazerem peças em que soltem a sua imaginação em relação a um tema.» Em Pernas de Alicate, som e imagem «existem de forma independente, mas são dependentes uma da outra. As imagens que a Sara faz existem independentemente da música. A imagem já tem uma vida própria, não precisa da música para viver. Mas também as músicas que eu faço não dependem das imagens da Sara. O que os une é a edição do vídeo.», explicou BB.

Ao longo do tempo, muitos ajustes têm sido feitos no próprio projecto. Em relação a Pássaros, este é um tema que mostra essa independência entre som e imagem: «A história da música é completamente diferente da história do vídeo. São ambas à volta do amor e decepções, mas na música é sobre os avós do BB – o avô morreu e logo a seguir a avó morreu como nos passarinhos – e no vídeo tem mais a ver com as máscaras que temos e as mentiras que contamos nas relações. Há um fio condutor, mas nunca são exactamente a mesma coisa. O vídeo nunca é a interpretação do que é a música. Vamos fazendo aquilo que nos apetece.» (Sara) 

«Nós tentamos fazer um projecto que seja um tanto quanto imediato. O disco é uma coisa de banda e isto não é uma banda, vai mais além do que é uma banda normal. Aqui existe música e imagem e queremos que seja mais imediato. Nas bandas gravas um disco e só o lanças passado não sei quanto tempo, a música já não respira da mesma maneira. Nós queremos que tanto a imagem como a música sejam coisas que ainda estejam vivas. Não lançamos por lançar, só lançamos quando as coisas estão mesmo ao nosso critério e isso por vezes pode fazer com que demore mais tempo. Só quando estamos todos confortáveis e contentes com o que temos é que mandamos cá para fora.»

Fotografia por Rui Aguiar

«Não é um projecto para fazer dinheiro.», é a resposta imediata da Sara quando questionei como é que lidavam com a parte comercial do projecto, não havendo, pelo menos, a componente disco para para poderem retirar algo daí. «Não há muitas maneiras de fazer dinheiro nisto. Nós convidamos pessoas, são colaborações, e mesmo que fizéssemos algum dinheiro, que seria mínimo, dividido por toda a gente dava para irmos tomar um café lá a baixo (risos).  Nós também não concordamos em convidar pessoas e sermos nós a receber dinheiro e os outros que se lixem. Não, isto são colaborações no sentido em que há coisas que eu gostava de fazer e não tenho projectos onde explorar essas ideias e convido pessoas que acho que também gostavam de fazer certas coisas que não podem fazer no trabalho em que são pagos.» 

«Comigo é a mesma coisa, tenho outros projectos em que não consigo expandir ao máximo tudo aquilo que quero fazer e neste projecto encontrei esse espaço para poder, como pessoa e como músico, extravasar e derramar todas as ideias. O mesmo se vai passando com os músicos convidados e que gostavam de experimentar coisas novas e diferentes.»  O Blacksheepstudios, do BB, e o facto de a Sara ter algum material de vídeo, ajudam a que os custos sejam menores, mas ainda assim acabam por gastar dinheiro com o projecto. Há uns meses lançaram uma edição física, mas o que reouveram serviu apenas para cobrir os custos. «Falando monetariamente e de uma forma comercial, hoje em dia ninguém faz dinheiro com os discos. Eles são gravados, enviados para as rádios para os promotores ouvirem, mas é na estrada que ganham o dinheiro. »

Levar Pernas de Alicate para actuações ao vivo seria uma solução, mas não é fácil: «É complicado porque é uma coisa que se torna bastante dispendiosa. Tem muitos convidados e nem todos os espaços dão para ter uma componente visual forte. Funciona melhor como um evento, uma espécie de exposição onde os artistas, da parte visual, possam ter os seus trabalhos expostos. Senão estamos a descaracterizar o projecto, estando só a música em destaque. Se hoje em dia é complicado teres salas de concertos, então conseguir um espaço com estas condições que precisamos para a coisa correr como nós queremos…  Nós não queremos desenrascar. Nós ou fazemos, ou não fazemos.» (Carlos)

Em termos de convites, existe uma distância entre as várias pessoas das diversas áreas que é preciso diminuir, quebrar barreiras para que possam surgir novas colaborações facilmente: «Eu sinto que tanto na cena musical como na artística, as pessoas são muito afastadas uma das outras. Com este projecto, a grande ideia é também combater isso. Vivemos num país que é tão pequenino, não se ganha quase dinheiro nenhum com esta porcaria e se as pessoas se afastam e não se juntam para fazer coisas novas… A única hipótese de isto avançar é as pessoas serem mais unidas. Até agora tenho recorrido a pessoas mais próximas, mas nas próximas músicas vou tentar passar para pessoas que não são tanto do meu meio. Só que aqui, ao ter que passar por agentes e tudo mais, há muito que se perde. Eu quero que a vontade do artista prevaleça e isto dos agentes, às vezes, é como vender a alma ao diabo, é mais uma barreira caso o artista queira e o manager não. Pode ser um autêntico braço de ferro.» (Carlos)

Na componente musical a intenção é «tirar as pessoas do conforto e criar algum desconforto. Quero que as pessoas trabalhem e pensem de maneira completamente diferente do que o que fariam nos seus projectos.» (Carlos) A intenção é, claramente, não haver um estilo definido, a única premissa certa é «somos duas pessoas e existem colaborações.»

Já na componente visual a Sara explicou que ao início era ela que fazia tudo, tirar fotografias e ilustrações, mas que entretanto também isso mudou. «É claro que sei carregar num botão, mas achei que era muito mais interessante chamar uma pessoa que fizesse de maneira profissional e que se calhar também desse algum input. Gosto que as pessoas também tragam para a mesa as suas ideias. Claro que eu tenho os meus gostos e vou escolher as pessoas consoante o que gosto nos seus trabalhos, mas sem as castrar. A ideia é, às tantas, estarmos todos num sítio desconfortável cheios de desafios por explorar. Não é fácil, mas é giro (risos).»

Certo é que Pernas de Alicate é um projecto original e genuíno, de pessoas que querem expandir os seus horizontes e ir além dos preceitos. A juntar a isto, temos a curiosidade de o nome do projecto se dever ao facto de ser a alcunha que a mãe  de BB lhe colocou quando era pequenino «BB já é um nome que existe desde que ando ou falo, Pernas de Alicate era o que a minha mãe me chamava muitas vezes. Jogava futebol e tinha as pernas arqueadas (risos). Outra questão tem a ver com a forma como o projecto se rola. Já numa banda a bateria é o que dá o mote e a base rítmica. Aqui, como as músicas começam por ser construídas pela base, por mim e pela bateria, daí também as pernas de alicate, que primeiro vem das pernas e depois o resto. Mas sim, vem muito pelo nickname (risos).»

Depois do tema «Pássaros», segue-se um novo que está praticamente pronto, mas que ainda não nos é revelado muito: «Há uma segunda parte que também tem ilustradores, fotógrafos e escultores. Tenho receio de dizer datas porque nem sempre conseguimos lançar as coisas quando queremos. Dependemos também do tempo livre dos colaboradores, cuja prioridade é, obviamente, o que lhes paga a renda ao final do mês.»

Um financiamento seria a solução perfeita para este projecto. Para além de acelerar bastante o processo de produção, todos os processos ficariam agilizados. O problema é que mesmo quando concorrem a vários concursos de financiamentos, dada a versatilidade do projecto, não aceitam nem do lado da música nem do lado artístico. «Esse é um dos principais problemas, não se enquadra em nenhuma das categorias. Ou é demasiado abrangente ou acham demasiado ambicioso…» (Sara) «Eu e a Sara estamos no meio de um caldeirão em que tentamos fazer tudo e mais alguma coisa do que gostamos. Mas depois tens as duas facetas do mundo artístico – ou te prostituis e fazes uma coisa que não gostas, mas ainda podes estar dentro da tua área, ou então passas um bocadinho de fome e entras por aquele prisma que é “eu adoro fazer isto, mas vejo-me à rasca para pagar as contas”. (risos)» (Carlos)

Com ajudas externas ou não, Pernas de Alicate é um projecto a manter e é já no dia 15 de Novembro que irão realizar uma Matiné no Adamastor Studios (ler aqui). Foi um prazer enorme falar com o Carlos BB e com a Sara Feio. Sem dúvida são duas pessoas muito esclarecidas, de pés assentes na terra e com vontade de marcarem pela diferença. Um projecto que, na minha opinião, merece ser apoiado.

Pernas de Alicate:

www.pernasdealicate.com

http://pernasdealicate.tumblr.com/

https://www.facebook.com/PernasDeAlicate

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[DESTAQUE] Matiné com Pernas de Alicate no dia 15 de Novembro no Adamastor Studios https://branmorrighan.com/2014/10/destaque-matine-com-pernas-de-alicate.html https://branmorrighan.com/2014/10/destaque-matine-com-pernas-de-alicate.html#respond Fri, 24 Oct 2014 18:36:00 +0000

Matiné com Pernas de Alicate: Casa Para Pássaros

Sábado, 15 de Novembro, Entrada livre, 17h00

Adamastor Studios (Praça dos Restauradores n13-2dto, Lisboa)

Pernas de Alicate é a dupla Carlos BB e Sara Feio. Criam, individualmente, música e imagem e, conjuntamente, um universo que tem tanto de estranho como de fascinante, traduzido em obras únicas e tão a/dos dois. Mais sobre o projecto, aqui: http://www.branmorrighan.com/search/label/Pernas%20de%20Alicate

É chegada a hora de trazer o projecto à realidade palpável e a dupla irá proporcionar um evento só de um dia que inclui:

– Exposição dos trabalhos de ilustração, fotografia & instalação, de vários artistas convidados

– projecção de video

– live act c/ os convidados Solid Movement

Casa Para Pássaros chega uma vez mais até uma “casa” bem perto de nós. Dia 15 de Novembro pelas 17h00, na Praça dos Restauradores em Lisboa, o Adamastor Studios acolhe uma matinée cuja curadoria está a cargo de Pernas de Alicate.

O leitmotiv é o tema homónimo – concebido por Sara Feio e Carlos BB – e em exposição estarão trabalhos de alguns artistas visuais do campo da ilustração, da fotografia e da literatura.

Nesta matinée de fim tarde vai ser possível contemplar, ao som do live act do colectivo Solid Movement, um diversificado leque de imagens, bem como uma vídeo-projecção no âmbito de Casa Para Pássaros.

Sendo o universo deste projecto tão imagético quanto musical será ainda apresentado pela primeira vez o tema “Casa”, o mais recente remix da música “Pássaros”.

Dos artistas convidados estão já confirmados Teresa Cortez, David Penela, Catarina Monteiro (ilustradores), Luísa Baeta e Mariana Lopes (fotógrafos) e Filipa Cordeiro (texto/instalação).

Ainda com o Sol alto e após o Sol se pôr, esta é a oportunidade de continuarem a acompanhar o trabalho da dupla criativa Pernas de Alicate e de desfrutarem o final do dia.

Entrevista Brevemente

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[Música] Pernas de Alicate soltam “Pássaros” https://branmorrighan.com/2014/09/musica-pernas-de-alicate-soltam-passaros.html https://branmorrighan.com/2014/09/musica-pernas-de-alicate-soltam-passaros.html#respond Mon, 08 Sep 2014 10:00:00 +0000

VIDEO

Directed by Sara Feio

Choreography: Raquel Claudino

Make-up: Lea Magui Louro

Lighting: Sílvia de Sá

Editor: Sérgio Pedro

Actors: Inês de Sá Frias (crow) • Nadia Santos (fox) • Isa Pólvora

Camera: Bruno ‘Rosas’ Pinheiro

Additional Make-up: Inês Marques

Masks & props: Sara Feio

Props Assistant: Vanda Dias Ferreira

MUSIC

Drums: Carlos BB (Keep Razors Sharp, Men Eater)

Voice #1: Miguel da Bernarda (Brass Wires Orchestra)

Voice #2: Ana Miró (Sequin)

Guitar: Gil Amado (Long Way To Alaska, We Trust)

Keyboards: João ‘Shela’ Pereira (Riding Pânico)

Bass: Cláudia Guerreiro (Linda Martini)

Samples and effects: Solid Movement

Produced by Carlos BB

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LYRICS 

(by Miguel da Bernarda)

Your tree will grow strong

The seeds got rained on 

By the tears and sweat

You kept in a glass jar

Ten walls to bind us

Six mouths to feed

Four winds to break us

Two less to breathe

It’s too hard to breathe

Breathing is for us

The living ones

Longing is for us 

The loving ones

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PERNAS DE ALICATE is a collaborative project made of Music and Image.

More info on our website www.pernasdealicate.com

©Pernas de Alicate 2014

Pernas de Alicate é a dupla Carlos BB e Sara Feio.  Criam, individualmente, música e imagem e, conjuntamente, um universo que tem tanto de estranho como de fascinante, traduzido em obras únicas e tão a/dos dois.

Casa Para Pássaros é um tema em work in progress, do qual temos a primeira metade, os Pássaros. Como é apanágio de Pernas de Alicate, Carlos BB, a cargo da produção musical, dá o mote na bateria. A ele juntam-se Ana Miró (Sequin), Cláudia Guerreiro (Linda Martini), Miguel da Bernarda (BWO), Gil Amado (We Trust e Long Way To Alaska), Shela (Riding Pânico) e o colectivo Solid Movement. O resultado não podia ser mais entusiasmante.

A cadência de Pássaros leva-nos por um caminho hipnótico que se vai tornando cada vez  mais preenchido. O ritmo acelera para desacelerar e desacelera para acelerar. Há um conjunto de vozes que o complementa e que ecoa nos nossos ouvidos de forma inebriante, como se de um chamamento se tratasse. A parte musical de Pássaros puxa-nos para dentro de si mesma e faz-nos acompanhar o seu voo pelo desconhecido. Mas isto, uma vez mais, é só uma parte do que Pássaros é realmente. A parte visual é a outra metade.

O vídeo realizado por Sara Feio conta com a participação das actrizes Inês de Sá Frias, Nádia Santos e da modelo Isa Pólvora. O trabalho coreográfico desenvolvido por Raquel Claudino faz-nos seguir, com precisão, cada um dos movimentos que dão vida ao tema. As expressões faciais são fortes e penetrantes, como se nos quisessem obrigar a ler uma a uma as emoções que transparecem. Em contraponto, há um balanço suave e repetitivo das linhas de movimento dos corpos que cravam e complementam a sensação de hipnose. 

As cores quentes, as sobreposições, os efeitos de duplicação e espelho das imagens, agudizam a sensação de entorpecimento e  conferem ao tema uma aura em que luxúria e misticismo comungam.

Há uma “história” para ser contada mas há também a vontade de esconder qualquer coisa. Em cada movimento, uma parte do corpo intersecta outra e, ainda que nada seja claro, ou possa ser visto à luz do dia sem qualquer tipo de obstáculo, percebemos que a necessidade de ocultação da identidade está presente.

Pássaros faz-nos divagar pelo intrincado universo das relações e pela complexa perversidade humana, cujos pressupostos tão superficiais como ilusórios existem apenas, para se alcançar determinado fim. Como na alegoria do Corvo e da Raposa, que conceptualmente e imageticamente percepcionamos neste tema.

E como quase tudo em Pernas de Alicate parece existir às metades, aguardemos a saída de Casa, onde outros artistas do campo da fotografia e da ilustração se juntarão a BB e Sara para que Casa de Pássaros se nos apresente em toda a sua sumptuosidade. 

Ágata Alencoão

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[Música] Pernas de Alicate preparam-se para lançar Casa Para Pássaro https://branmorrighan.com/2014/09/musica-pernas-de-alicate-preparam-se.html https://branmorrighan.com/2014/09/musica-pernas-de-alicate-preparam-se.html#respond Thu, 04 Sep 2014 15:00:00 +0000

Pernas de Alicate é a dupla Carlos BB e Sara Feio. Criam, individualmente, música e imagem e, conjuntamente, um universo que tem tanto de estranho como de fascinante, traduzido em obras únicas e tão a/dos dois.

Casa Para Pássaros é um tema em work in progress, do qual no próximo dia 8 de Setembro é dado a conhecer ao público a primeira metade, os Pássaros. Como é apanágio de Pernas de Alicate, Carlos BB, a cargo da produção musical, dá o mote na bateria. A ele juntam-se Ana Miró (Sequin), Cláudia Guerreiro (Linda Martini), Miguel da Bernarda (BWO), Gil Amado (We Trust e Long Way To Alaska), Shela (Riding Pânico) e o colectivo Solid Movement. O resultado não podia ser mais entusiasmante.

O vídeo realizado por Sara Feio conta com a participação das actrizes Inês de Sá Frias, Nádia Santos e da modelo Isa Pólvora. O trabalho coreográfico desenvolvido por Raquel Claudino faz-nos seguir, com precisão, cada um dos movimentos que dão vida ao tema.

E como quase tudo em Pernas de Alicate parece existir às metades, teremos depois de aguardar pela saída de Casa, na qual será apresentada uma versão remix e onde outros artistas do campo da fotografia e da ilustração se juntarão a BB e Sara para que Casa de Pássaros se nos apresente em toda a sua sumptuosidade.

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[Música – Pernas de Alicate] “Mosca” por DJ Ride https://branmorrighan.com/2014/01/musica-pernas-de-alicate-mosca-por-dj.html https://branmorrighan.com/2014/01/musica-pernas-de-alicate-mosca-por-dj.html#respond Thu, 23 Jan 2014 07:21:00 +0000

O percurso de Pernas de Alicate tem-se pautado por imprevistos. Afortunados imprevistos. Diferentes expressões e diferentes universos que se cruzam e despertam atenção pela sua singularidade, sem deixar dúvidas nas escolhas feitas. O propósito é uma realidade musical e visual com contornos só mesmo possíveis pelo imediato do trabalho de quem ali se juntou. Depois de “Mosca” e “Barba”, as duas primeiras mostradas, há uma terceira fusão de vozes e de criatividade de diferentes pessoas a originar mais um momento. Sabemos que está para breve.

Até lá revela-se um dos pequenos brindes que até agora só podiam ter sido descobertos na edição física, continuando a remistura dos Octa Push bem guardada. Estamos a falar do re-work glitch para “Mosca” por Dj Ride, um dos mais conceituados dj’s e produtores da Nação. Há nova roupagem adaptada à personalidade fresca de Ride que, como todos sabemos, sente no hip hop uma das suas zonas de maior conforto. Beat detalhado com os graves bem carregados, numa experiência que ora pode soar perfeita em palco como também nunca ficaria desenquadrada em clubbing. Mais uma vez uma decisão feliz de Carlos Bb e Sara Feio, de alguém por quem tinham admiração há já algum tempo. Não pode ser só sorte mas sim a espontaneidade das escolhas. E o melhor disto tudo, volto a dizer, é nunca saber o que está para vir.

Texto Joaquim Quadros

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Pernas de Alicate lançam edição física https://branmorrighan.com/2013/12/pernas-de-alicate-lancam-edicao-fisica.html https://branmorrighan.com/2013/12/pernas-de-alicate-lancam-edicao-fisica.html#respond Tue, 10 Dec 2013 16:58:00 +0000 http://www.pernasdealicate.com/

Começou por música e alastrou-se pela imagem. Desde então tem-se feito tanto de vontade como de momentos. Pernas de Alicate resultam da harmonia criativa de Carlos Bb e Sara Feio. De um lado, encontros de músicos improváveis em novos terrenos, sempre com Carlos na bateria como condutor. Do outro, diferentes expressões visuais a pensar em conjunto com Sara. “Mosca” e “Barba” são os dois primeiros rebentos, onde gente como Alex Klimovitsky (Youthless), Miguel Nicolau (Memória de Peixe), Guilherme Gonçalves (Gala Drop) ou Fábio Jevelim (Riding Pânico) foram alguns dos intervenientes. Canções perversas (entendam-no como elogio), imprevisivelmente desviantes, com argumentos e personalidade para se tornarem das mais originais experiências da música portuguesa dos últimos tempos. Os vídeos e todas as direcções da produção visual reforçam ainda a ideia de que não se pode dissociar o som da paisagem, ou vice-versa.

Aqui não há EP’s nem álbuns, há instantes. Mas há que dar-lhes corpo também. É por isso mesmo que sai agora uma edição limitada em formato mini-livro com inúmeros pormenores coleccionados. Uma espécie de arquivo de todo o trabalho feito. Colaborações visuais, fotografias soltas, letras das músicas e a possibilidade de download dos dois temas já lançados, com um bónus extra: os remixes de “Mosca” por Dj Ride e de “Barba” pelos Octapush. Sim, podemos contar com mais material em erupção. Atípicos na abordagem, no método e nas estruturas de trabalho, apostam neste livro como primeiro lançamento físico resultante do percurso-experiência Pernas de Alicate.

Como se não bastasse o terceiro tema está a ser trabalhado para Janeiro. Já sabemos que há um talentoso baterista e uma inventiva ilustradora aos comandos, resta-nos esperar pelo resto. Esperar que vai ser diferente é o mais acertado.

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