Peter V. Brett – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 04:55:53 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Peter V. Brett – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Opinião: A Guerra Diurna de Peter V. Brett https://branmorrighan.com/2014/08/opiniao-guerra-diurna-de-peter-v-brett.html https://branmorrighan.com/2014/08/opiniao-guerra-diurna-de-peter-v-brett.html#comments Wed, 27 Aug 2014 15:04:00 +0000

A Guerra Diurna

Peter V. Brett

Editora: ASA

Chancela: 1001 Mundos

Sinopse: Na noite da Lua Nova, os demónios erguem-se em força, procurando as mortes dos dois homens com potencial para se tornarem o lendário Libertador, o homem que, segundo a profecia, reunirá o que resta da humanidade num esforço derradeiro para destruir os nuclitas de uma vez por todas.

Arlen Fardos foi outrora um homem comum, mas tornou-se algo mais: o Homem Pintado, tatuado com guardas místicas tão poderosas que o colocam à altura de qualquer demónio. Arlen nega constantemente ser o Libertador, mas, quanto mais se esforça por se integrar com a gente comum, mais fervorosa se torna a crença destes. Muitos aceitariam segui-lo, mas o caminho de Arlen ameaça conduzir a um local sombrio a que apenas ele poderá deslocar-se e de onde poderá ser impossível regressar.

A única esperança de manter Arlen no mundo dos homens ou de o acompanhar reside em Renna Curtidor, uma jovem corajosa que arrisca perder-se no poder da magia demoníaca.

Ahmann Jardir transformou as tribos guerreiras do deserto de Krasia num exército destruidor de demónios e proclamou-se Shar’Dama Ka, o Libertador. Tem na sua posse armas ancestrais, uma lança e uma coroa, que consubstanciam a sua pretensão e vastas extensões das terras verdes se curvam já ao seu poderio.

Mas Jardir não subiu ao poder sozinho. A sua ascensão foi programada pela sua Primeira Esposa, Inevera, uma sacerdotisa ardilosa e poderosa cuja formidável magia de ossos de demónio lhe permite vislumbrar o futuro. Os motivos de Inevera e o seu passado encontram-se envoltos em mistério e nem Jardir confia nela por completo.

Outrora, Arlen e Jardir foram próximos como irmãos. Agora, tornaram-se os maiores rivais. Enquanto os inimigos da humanidade se erguem, os únicos dois homens capazes de os derrotarem encontram-se divididos pelos mais mortais de todos os demónios: aqueles que se escondem no coração humano.

Opinião: Três livros e centenas de páginas depois, tornou-se claro para mim que ler Peter V. Brett é impróprio para cardíacos. Já habituada à profundidade das suas narrativas e à complexidade dos seus enredos, é sempre um choque quando cada livro acaba. Em A Guerra Diurna, não só fiquei com cara de parva a olhar para o último parágrafo como rapidamente me fui assegurar que haveria pelo menos mais um livro – suspirei de alívio, irão haver mais dois, um lançado no país de origem em 2015 e o último, para meu desespero, só em 2018! 

Decorreram quase quatro anos desde que havia lido O Homem Pintado até ler A Lança do Deserto, mas após este último, e tendo A Guerra Diurna já em minha posse, não foi preciso muito tempo para o chamamento me vencer e pegar nele. O final anterior tinha-me deixado algo ansiosa, e foi com aquele misto de respeito, cuidado e apreensão que acabei por abrir este terceiro volume. Fiquei logo surpreendida por o início não ser no enquadramento que esperava, mas para meu deleite este revelou-se de uma essência riquíssima, em que muitas perguntas que se foram acumulando ao longo da obra anterior se desvaneceram. 

O centro desta narrativa inicial é Inevera e a sua família. Retrocedemos algumas décadas até à sua infância, onde conhecemos Soli, o seu bravo e guerreiro irmão, a sua mãe tecelã e o seu pai cobarde. Durante algumas dezenas de páginas, acompanhamos o crescimento de Inevera, a sua entrada no mundo de Everam e toda a perspectiva feminina do seu encontro com Jardir, que até agora só conhecíamos através dos olhos deste. Todo este voltar atrás, mostrou-se crucial para Inevera passar a ser uma personagem mais empática, em que o leitor vê-se confrontado com uma realidade que desconhecia e com a qual se poderá identificar. 

São quase 800 páginas de pura adrenalina. Apesar destes flashbacks do passado de Inevera, o enredo continua a evoluir, Alagai Ka é cada vez mais uma realidade, e o confronto entre Arlen e Jardir vai-se revelando inevitável. Não podem existir dois libertadores – apenas um unificador terá o poder de enfrentar a noite e vencer a grande ameaça. Qual deles será? Tudo neste livro está amplificado – as emoções, as guerras, a intensidade das relações e, principalmente, o poder dos alagai. Já conhecíamos os miméticos e os demónios da mente, mas é em A Guerra Diurna que passamos a conhecer ainda melhor a realidade dos servos de Nie e de como a sua inteligência colocará a existência humana em risco. 

Entre alianças imprevistas e outras resgatadas, a trama desenvolve-se num ritmo que oscila entre um teste à paciência do leitor ou então de tal forma abismal que fica difícil digerir tudo num instante. A evidência do poder feminino nesta cultura, também é algo que me tem agradado e que mostra uma outra face da batalha. Inevera, Leesha, Renna – só para nomear algumas – são personagens femininas que, mesmo tendo esse lado sensível e emocional que é característico nas mulheres, mostram uma capacidade de resolução e uma determinação férreas. Destemidas e prontas a assumir o controlo e sem medo de enfrentar qualquer perigo, são assim as mulheres desta saga. Mesmo nas suas diferenças, é fácil encontrarem algo comum – a sua força interior. 

A escrita de Peter V. Brett é inexplicavelmente viciante, a sua capacidade de criar esta teia intrincada, coerente, sólida e consistente, não deixa de me fascinar. Um dos melhores escritores de Literatura Fantástica que já li e cujo trabalho quero continuar a seguir. É esperar que a 1001 Mundos mal possa, traduza o quinto! 

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Opinião: A Lança do Deserto de Peter V. Brett https://branmorrighan.com/2014/07/opiniao-lanca-do-deserto-de-peter-v.html https://branmorrighan.com/2014/07/opiniao-lanca-do-deserto-de-peter-v.html#respond Wed, 30 Jul 2014 23:42:00 +0000

A Lança do Deserto

Peter V. Brett

Editora: ASA

Chancela: 1001 Mundos

Sinopse: O Sol põe-se sobre a Humanidade. A noite pertence agora a demónios vorazes que se materializam com a escuridão e que caçam, sem tréguas, uma população quase extinta, forçada a acobardar-se atrás da segurança de guardas de poder semi-esquecidas. Mas estas guardas apenas servem para manter os demónios à distância e as lendas falam de um Libertador; um general, alguns chamar-lhe-iam profeta, que em tempos uniu a Humanidade e derrotou os demónios. No entanto esses tempos, se alguma vez existiram, pertencem a um passado distante. Os demónios estão de volta e o Libertador é apenas um mito… Ou será que não?

Opinião: Vão fazer quatro anos que li o primeiro volume desta série – O Homem Pintado. Na altura, em que a grande moda era a Literatura Fantástica, principalmente vampiresca, quando li O Homem Pintado fiquei, desde cedo, fascinada e com a perfeita noção de que não é qualquer escritor que tem a capacidade de criar um universo com tamanha estrutura, personagens complexas e intensas, e ainda conseguir manter o leitor atento, sem dispersar, sedento pela continuação, reconhecendo a enormidade tanto da obra como do autor – Peter V. Brett. 

Apesar da leitura d’A Lança do Deserto só se ter proporcionado quase quatro anos depois, mesmo já esperando o entusiasmo com a leitura, não estava assim tão preparada para mais uma dose bruta de informação. Ao início,  nem sequer consegui perceber que tipo de ligação poderia ter com o anterior, temi, até, que me tivesse esquecido de alguma passagem crucial, mas mais tarde, quando todos os pontos se juntam, é impossível não ficar deslumbrado com a forma como o autor teceu a narrativa. É um entrelaçar de acontecimentos, coincidências, amores e desamores, lealdades e traições, que tem como objectivo único a sobrevivência. 

Nos primeiros capítulos conhecemos os Krasianos e a sua sociedade, a forma como estão organizados e estratificados. Uma mentalidade rigorosa, assaz violenta, não obstante aceite, e que não deixa espaço para fracos. A liderança do povo, pelo Shar’Dama Ka, é conquistada por Jardir, cujo percurso culmina com a crença de que é ele o Libertador, aquele que irá unificar todos os povos e libertar a humanidade dos demónios, que a cada ciclo de escuridão os ataca. Neste sentido, Jadir e Inevera, a sua  Jiwa Ka, primeira mulher, e líder das damaja’ting. Uma cultura muito diferente das cidades livres e cujo choque entre elas será inevitável. 

Também em relação aos vários tipo de demónios e ao que os move, o autor foi bastante perspicaz a introduzir uma série de informação nova. A relação intrínseca entre o núcleo e o próprio Homem Pintado, Arlen, foi bastante explorada e não foram raras as vezes que tememos pelo nosso protagonista. Leesha e Roger, os seus principais companheiros do livro anterior, têm uma grande evolução e tornam-se fulcrais para o destino das Cidades Livres. Também Renna, a prometida de infância de Arlen, aparece e evolui de forma a tornar-se na peça fundamental para que o Homem Pintado resista ao chamamento do núcleo.

A escrita de Peter V. Brett é fluída, carregada de emoção e a velocidade que oscila entre a luxúria e a agressividade, compõe um equilíbrio ponderado que faz com que o leitor nunca saiba bem o que esperar ao certo o que vem a seguir. Estou muito curiosa para ler A Guerra Diurna, que é referida várias vezes ao longo desta narrativa, pois representa a derradeira batalha entre humanos e nuclitas/alagai. É, sem dúvida, uma das melhores séries de Literatura Fantástica que já li. 

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Opinião: “O Homem Pintado” de Peter V. Brett https://branmorrighan.com/2010/08/opiniao-o-homem-pintado-de-peter-v.html https://branmorrighan.com/2010/08/opiniao-o-homem-pintado-de-peter-v.html#comments Tue, 24 Aug 2010 19:10:00 +0000

O Homem Pintado

Peter V. Brett

Editora: Gailivro

Nº de Páginas: 648

Sinopse:Num mundo povoado por demónios que dominam a noite, forçando os seres humanos a esconderem-se atrás de guardas mágicas à espera que o sol nasça, o jovem Arlen assiste ao massacre da sua família por causa da cobardia do pai. A partir desse momento tudo muda e Arlen parte numa viagem de descoberta que o levará a percorrer o mundo e a conhecer Leesha e Roger. Os três são a última esperança da humanidade na luta contra os demónios. Só que por vezes os demónios mais difíceis de vencer são os que trazemos dentro de nós. Juntos estes três jovens oferecem à humanidade uma última e fugaz hipótese de sobrevivência. Para aqueles que procuram o novo grande nome da fantasia a espera terminou. Ele é Peter V. Brett. Comparável a muitos mas diferente de todos, oferece-nos uma história brilhante que nos prende da primeira à última página. Dizer que é uma obra magistral é pouco para descrever a história épica da luta de Arlen, Leesha e Roger para salvar uma humanidade condenada a viver num medo permanente da noite e dos demónios que ela encerra.

Opinião: Peter V. Brett construiu um mundo fantástico em que, chegada a noite, demónios – nuclitas – erguem-se do Núcleo para habitarem a noite dos humanos. Eles atacam, destróiem, rasgam e mutilam qualquer um que  se atravesse nos seus caminhos. E entre eles e a destruição total, estão apenas as guardas – símbolos mais antigos do que se conseguem lembrar – de protecção entre outras, que vamos descobrindo ao longo do decorrer da história.

As personagens principais – Arlen, Leesha e Rojer – são extraordinárias. Tendo sofrido algum tipo de desgosto familiar, vão formando o seu carácter e a sua personalidade naquilo que pensam estar certo. Todos os três, têm uma enorme dificuldade em imaginarem-se presos a algum sítio, não se conformam com o facto de não conseguirem fazer nada em relação aos nuclitas e são esses sentimentos que, mesmo estando eles em pontos espaciais bastante diferentes, o destino leva a que as suas vidas se cruzem e entrelacem, numa demanda na luta pela sobrevivência. São personagens de que é fácil gostar, acarinhar e até mesmo, inconscientemente, zelarmos pela sua protecção e força.

Adorei a escrita de Peter V. Brett. Limpa, fluída e cativante. Achei os capítulos bem organizados e espaçados, alternando entre as histórias de cada uma das personagens e deixando-os em pontos que não nos dá hipótese senão continuar a ler para saciar a constante curiosidade.

Outro ponto que gostei de ver nesta obra, foi a diversidade de demónios que o autor criou. Muitas vezes falamos dos elementos que constituem a natureza, desde o fogo à água, do ar à terra, da madeira à rocha, e aqui vemos esses mesmos elementos representados nos demónios. Claro que depois há certas “armas” que se adaptam melhor a cada tipo de demónio, e é essa uma das coisas que vamos aprendendo. Algo que gostaria de saber é sobre a origem dos nuclitas. Mas no fim da obra, penso que o autor nos  propõe que no futuro falará disso. Espero que sim. São seres que geram muitas perguntas para as quais poucas respostas foram dadas.

Um livro que apesar das suas 600 páginas é facílimo ler (talvez pelo tamanho de letra que poderia estar mais reduzido poupando papel…) e não é nada denso ou negro como talvez possa parecer. Embora a capa seja intimidadora e fale em demónios, não se trata de um livro agressivo ou obscuro, mas sim de um livro de fantasia autêntica com alegrias e tristezas, partilhas e perdas. Adorei.

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