Porto Editora – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Sun, 09 Oct 2022 18:19:29 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Porto Editora – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Opinião] A Boa Sorte, de Rosa Montero https://branmorrighan.com/2022/10/opiniao-a-boa-sorte-de-rosa-montero.html https://branmorrighan.com/2022/10/opiniao-a-boa-sorte-de-rosa-montero.html#respond Sun, 09 Oct 2022 18:19:27 +0000 https://branmorrighan.com/?p=25407
A Boa Sorte

A Boa Sorte
Rosa Montero

Porto Editora

Porque a beleza ajuda a sarar a dor do mundo. Esta é uma das últimas passagens do livro, e tão bem que o resume. Mais do que sobre beleza e dor, A Boa Sorte é um romance cuja dicotomia, entre o bem e o mal, é a verdadeira protagonista.

Ao conhecermos Pablo, o personagem principal, conhecemos as vísceras da mente humana. É como que se através da sua história nos servíssemos dela para fazer paralelos em que as nossas reacções se assemelham, procurando algum refúgio na solidão dos nossos pensamentos. Para nos ajudar nessa viagem, temos Raluca, uma personagem que simboliza o extraordinário que é manter a alegria de viver após uma vida de trauma, a começar pela sua infância.

Confesso que nem sempre achei o livro ligeiro de se ler. Depois de já ter livro outros livros de Rosa Montero, A Boa Sorte, surgiu-me de início como algo que eu não compreendia bem. Misterioso, sim. Intrigante, sem dúvida. Porém, talvez tenha sido impaciente em querer perceber que trama rodeava Pablo. Se por um lado estava curiosa com aquele homem que a caminho de uma conferência decide sair numa paragem, voltar atrás para um piadeiro completamente escabroso, comprar um apartamento e ali ficar no meio da sujidade… Por outro senti falta de um diálogo interior que nos mostrasse um pouco mais.

Rosa Montero é uma escritora de pormenores e estes saltam à vida. Os personagens que rodeiam Pablo e Raluca são incarnações tão humanas de contrastes entre a avareza e a bondade, a violência surda e a velhice impotente. Há coisas difíceis de aceitar ao longo de A Boa Sorte. Temos descrições de relações familiares falhadas, de amor que deveria ser visceral, inexistente, de maldade patológica e da surpresa da ausência de carinho quando talvez fosse a reacção natural.

Ainda assim, há quem considere este livro uma história de amor. Penso que sim, que talvez o seja. Mais do que isso, penso que é um livro que despe a psique humana, expondo a necessidade que temos de amar e sermos amados, com tudo o que não conseguimos controlar pelo meio. Com mais ou menos suspense pelo meio, é este o percurso que vamos fazendo.

E se há coisa que Rosa Montero conseguiu neste romance foi semear esperança ao longo do mesmo. Nem sempre uma tarefa fácil, quando tudo parece antever um possível fim trágico. No entanto, e talvez por a vida real já poder ser tão trágica, a autora quis-nos deixar de sorriso nos lábios, mostrando um respeito pelo carinho que devemos ter pela vida e pelas segundas e terceiras oportunidades.

Tudo está bem quando acaba bem, e não há melhor consolo que uma boa história de redenção, mesmo que não seja pelo mesmo, mas só como uma tentativa de equilibrar o mal que já paira no mundo e que tantas vezes se aproxima de forma assustadora de nós. A Boa Sorte talvez não fique como uma história memorável, mas sem dúvida ajuda na construção da impressão digital que Rosa Montero deixa nos seus leitores: que o ser humano é imperfeito, complexo, mas ainda assim fascinante.

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[Opinião] A Erva das Noites, de Patrick Modiano https://branmorrighan.com/2022/08/opiniao-a-erva-das-noites-de-patrick-modiano.html https://branmorrighan.com/2022/08/opiniao-a-erva-das-noites-de-patrick-modiano.html#respond Wed, 24 Aug 2022 09:34:28 +0000 https://branmorrighan.com/?p=25384
A Erva das Noites

A Erva das Noites
Patrick Modiano

Porto Editora

Há alguns anos que tenho este livro. Por vezes cheguei a levá-lo em viagens comigo com a intenção de o ler. No entanto, o clichê é verdadeiro e os livros só são lidos quando querem ser lidos. Se forçamos… E ainda não percebi bem se forcei a leitura ou se apenas tive dificuldade em aceitar a personalidade de Jean, o nosso protagonista de A Erva das Noites. Foi a primeira vez que li Patrick Modiano e as referências eram as melhores. Não sei se começar por este pequeno romance em particular foi a melhor escolha, li algures que este livro é melhor compreendido à luz da familiaridade com a sua escrita, mas ainda assim não resisti.

A Erva das Noites, através de apontamentos num caderno preto do protagonista e através dele mesmo, leva-nos a caminhar, literalmente, com Jean por ruas de França, através de um misto entre memórias e estado onírico. Na sua juventude, Jean conheceu um grupo de jovens que habitavam no Hotel Unic, em Montparnasse, e que levavam uma vida de segredos e mistérios, com personalidades um tanto quanto voláteis. Entre esses jovens, encontrava-se Dannie, por quem nunca assume uma paixão, mas a qual se sente pelo deslumbramento e silêncios, por vezes calculados outras vezes ingénuos, descritos na primeira pessoa.

É através da sua relação com Dannie que conhecemos estes outros, os seus comportamentos, e que vamos navegando por uma investigação policial que foi feita aos mesmos ainda durante a sua juventude. Mas os dois grandes pontos centrais nesta walk on memory lane, na minha opinião, são a forma como passados quase cinquenta anos se percepciona o passado e as opções tomadas, e depois a relação com Dannie e o quanto Jean não sabia sobre ela, mas ainda assim transportava consigo um nível de adoração que ainda faz ecos no presente.

Tendo sido a primeira vez que li Patrick Modiano, e dadas algumas expectativas altas, penso que fiquei com a sensação de saber a pouco. Não se trata da qualidade da sua escrita, que realmente tem um tom poético, saudosista, romântico e ao mesmo tempo quase indiferente, como se o distanciamento pudesse ainda magoar, mas sobretudo proteger. Estou convencida que foi a história em si, mais propriamente a relação de Jean com Dannie, que acaba por ser a força motriz do livro. Dito isto, penso que o gosto por esta narrativa será sempre algo muito pessoal. Se a vossa decisão em lê-lo for baseada na qualidade da sua escrita, então sim, vale muito a pena.

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[Opinião] A Tentação de Sermos Felizes, de Lorenzo Marone https://branmorrighan.com/2022/08/opiniao-a-tentacao-de-sermos-felizes-de-lorenzo-marone.html https://branmorrighan.com/2022/08/opiniao-a-tentacao-de-sermos-felizes-de-lorenzo-marone.html#comments Sun, 14 Aug 2022 10:26:50 +0000 https://branmorrighan.com/?p=25366
A Tentação de Sermos Felizes, de Lorenzo Marone
Porto Editora

A Tentação de Sermos Felizes engana-nos logo pela capa e pelo título. O que é que quero dizer com isto? Quero dizer que, se forem como eu, à primeira vista parece um romance de algibeira e, novamente, se forem como eu, isso pode fazer com que não seja muito atraente à primeira vista. No entanto, este livro foi-me oferecido por uma grande querida amiga minha e isso fez com que pegasse nele mais cedo ou mais tarde. A surpresa boa é que podia ter pegado nele mais cedo!

Este romance é narrado por um idoso, Cesare, de 77 anos que vive agora sozinho num apartamento num prédio habitado por personalidades bastante singulares. A senhora dos gatos, o amigo velhote que já não sai de casa e agora um casal mais jovem cuja relação desperta curiosidade desde o início. Para além disso, tem dois filhos, Sveva e Dante, cujas personalidades são tão distintas e com quem se desleixou durante tanto tempo. A sua rotina diária vê laivos de chama quando interage com Rossana, a sua “enfermeira”. Ao mesmo tempo que o enredo se desenrola no presente, Cesare vai-nos contando sobre três mulheres inacessíveis que ficaram no seu passado.

A Tentação de Sermos Felizes é muito mais do que um romance, é uma dissertação sobre a velhice e a solidão, um relato cru e realista sobre o que as não decisões podem provocar a longo prazo. Também o tema da violência doméstica e do custo do silêncio, mesmo a pedido das vítimas, é brutalmente arrebatador. A homossexualidade dentro da família, os amores não vividos, os filhos a herdarem comportamento dos pais, o preconceito com outras classes sociais e conclusões tiradas antes do tempo, tudo narrado sem falinhas mansas, fazem desta obra e destas personagens uma pequena relíquia.

Lorenzo Marone constrói neste livro uma narrative inteligente, mordaz, sensível e comovente, ao mesmo tempo que nos provoca uma constante reflexão. Enquanto não se vive uma dor na primeira pessoa, não podemos entendê-la. E, no entanto, quantas pessoas usam impropriamente as palavras “como eu te entendo”. Não entendes mesmo a ponta de um corno, meu lindo, era o que devíamos responder-lhes. Sai daqui uma bela recomendação. Quem sabe para o final do vosso Verão. Podem comprar aqui.

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[Diário de Bordo] Eu e o Livro do (Des)Conforto, de Matt Haig https://branmorrighan.com/2021/09/diario-de-bordo-eu-e-o-livro-do-desconforto-de-matt-haig.html https://branmorrighan.com/2021/09/diario-de-bordo-eu-e-o-livro-do-desconforto-de-matt-haig.html#respond Sat, 25 Sep 2021 18:58:38 +0000 https://branmorrighan.com/?p=25195

Matt Haig tornou-se um autor bestseller com Razões para Viver e O Mundo à Beira de um Ataque de Nervos. Entretanto lançou um romance e mais recentemente a Porto Editora lançou O Livro do Conforto. Este último é um livro dividido em quatro partes, cada uma das partes compostas por textos curtos, poemas, aforismos, citações e reflexões. Decidi criar uma entrada Diário de Bordo em vez de uma entrada de opinião, porque a verdade é que a minha opinião sobre este livro é mesmo muito pessoal.

A Sofia que leu Razões para Viver é uma Sofia um bocadinho diferente desta que agora pegou no Livro do Conforto (os meus dedos teimam em escrever desconforto e depois lá tenho eu de corrigir a tempo…). E digo isto porque a Sofia de hoje, eu mesma, apesar de não ter passado por nenhuma depressão profunda passou pela experiência de ter ataques de pânico de tal forma limitadores que começar a fazer psicoterapia se tornou na melhor decisão de sempre.

Passando agora para a primeira pessoa, acho que a minha dificuldade com este livro tem precisamente a ver com isso, com o facto de na minha experiência pessoal não me identificar com a forma como algumas coisas foram expostas ou abordadas. E porque isto é um dar e receber, quero também relembrar que já antes partilhei aqui parte da minha experiência com Saúde Mental, tópico que é importantíssimo que se fale cada vez mais sem preconceitos.

Também acho crucial fazer este disclaimer – cada experiência é uma experiência e o consolo que funciona para uns não tem de ser o mesmo que funciona para todos os outros. Com isto quero salvaguardar que não desprezo nem desvalorizo a experiência do autor, mas antes que o que ele considera motivacional para mim foi, por vezes, alienador ou redutor. Claro que nem todas as entradas provocaram este efeito. Gostei particularmente das entradas em que Matt Haig foi buscar personagens históricas, filósofos, o imperador Marco Aurélio ou a grandiosa Maya Angelou.

Talvez seja eu a ver uma leveza demasiado grande neste Livro do Conforto para o propósito proposto. Tendo-me já encontrado em situações completamente desconfortáveis, penso ter sentido que não seria a ler este livro que me iria sentir melhor. No entanto, não descarto a hipótese de ser um livro de bolso razoável para volta e meia o consultarmos e nos lembrarmos, então de forma leve, que a vida é mais que o ruído que criamos nas nossas próprias cabeças.

Ou seja, não há nada de errado com o conteúdo deste livro. Talvez seja apenas mais um livro de auto-ajuda, de alguém que realmente já partilhou a sua experiência e de quem sabemos ter legitimidade para expressar o que o ajuda a não estar no escuro. Confesso que talvez a tradução não me ajude a sentir mais empatia. Depois de passar tanto tempo a ler só em inglês, e sabendo as diferenças e o impacto que pode ter na expressão da língua, ler em português não só foi estranho como quase que parece reduzir um bocadinho a importância do conteúdo.

Dito isto, queria partilhar na mesma esta experiência de leitura para que caso um de vocês passe pelo mesmo não se sinta sozinho. Às vezes quando lemos autores bestseller, ainda para mais se gostámos de livros anteriores, existe a pressão de termos de gostar de todos e se dissermos o contrário que vamos parecer esquisitos. Mas hey, se há coisa em que concordo com Matt Haig é que cada um é como cada qual e não lhe tiro mérito nenhum.

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Vencedor do Passatempo Contra mim, de Valter Hugo Mãe https://branmorrighan.com/2021/02/vencedor-do-passatempo-contra-mim-de-valter-hugo-mae.html https://branmorrighan.com/2021/02/vencedor-do-passatempo-contra-mim-de-valter-hugo-mae.html#respond Sun, 21 Feb 2021 11:23:46 +0000 https://branmorrighan.com/?p=25027

Viva! Cá estamos para anunciar mais um vencedor, desta vez para Contra Mim, de Valter Hugo Mãe. Este passatempo contou com 397 participações e o vencedor escolhido através do random.org foi:

Ana Luísa, 232

Parabéns Ana! Tens um mail na tua caixa de correio para responderes com os teus dados para que o livro te possa ser entregue. Obrigada a todos mais uma vez e em breve mais passatempos.

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Opinião: Lá Onde o Vento Chora, de Delia Owens https://branmorrighan.com/2020/04/opiniao-la-onde-o-vento-chora-de-delia.html https://branmorrighan.com/2020/04/opiniao-la-onde-o-vento-chora-de-delia.html#respond Tue, 21 Apr 2020 01:54:00 +0000
Lá Onde o Vento Chora

Lá Onde o Vento Chora
Delia Owens

Editora: Porto Editora

É engraçado como algumas histórias chegam até nós. A verdade é que foi preciso mudar-me para o outro lado do oceano para ler este livro. E nem sequer o li em inglês. Esta foi uma das minhas escolhas impulsivas quando me deparei com a decisão de ter de escolher apenas três livros. Ainda assim, demorei a pegar nele. Parecia que quanto mais elogios sobre ele lia, quanto mais a Amazon mo recomendava, mais eu ganhava resistência em lê-lo.

Já vos aconteceu algo parecido? Verem um livro a ser tão falado que ao contrário do esperado a curiosidade baixa em vez de aumentar? É um fenómeno um pouco estranho, admito, porém também defendo que são os livros que escolhem quando devem ser lidos. Há coisa de um mês, Lá Onde o Vento Chora pegou-me pela entranhas. 

Lembram-se do meu último post sobre a vontade e a resistência de voltar a escrever? As emoções evocadas por esse processo? A leitura deste livro foi muito semelhante. Provocou-me uma espécie de desconforto, incitando-me ao mesmo tempo a continuar e a “não fechar os olhos” à história. Quando li que este era o primeiro romance de Delia Owens, não quis acreditar.

No entanto, dada a sua biografia, a  maturidade gritante e o nível de consciência primeva passou a fazer mais de sentido. Entrar nesta leitura tem o perigo de nos sentirmos a mergulhar num universo tão visceral que é fácil perdermo-nos em emoções arrebatadoras. Quantos de nós nunca se sentiram completamente fora do seu habitat natural, desenquadrados num mundo cujas regras nem sempre são compreensíveis e que avança sem nos pedir autorização, evoluindo independentemente do nosso querer e da nossa limitada percepção ou compreensão? 

O caminho que fazemos com Kya é este. Uma miúda que cresce longe do que é considerado “a vida normal”, numa pequena casa num pântano, com uma família disfuncional (o pai bate na mãe e nos irmãos e só não lhe bate a ela porque ainda não calhou) que vai desaparecendo aos poucos. Cada um, começando pela mãe e depois pelos irmãos, saem pela porta fora sem nunca mais voltarem. Kya espera todos os dias no alpendre da casa pelo regresso da mãe, mas todos sabemos como é que esta parte da história acaba, certo?

Não, não tanto assim, mas deixo isso para vocês descobrirem quando lerem o livro. Não obstante, Kya tem de aprender a sobreviver, a subsistir, a crescer num isolamento que só peca por os seres humanos não serem tão bons companheiros como a mãe natureza e os seus animais. A interação de Kya com outras pessoas vai ensinando-a que não há lugar para ela em quase lado nenhum senão no pântano. Ainda assim quem é que aguenta uma vida inteira de solidão humana depois de já ter sentido um pouco do poder de gostar de alguém? 

Do desaparecimento da sua família à sua vida adulta passam vários capítulos. Durante esses capítulos somos quase levados a crer que o livro é sobre a morte misteriosa que aconteceu na povoação, porém todos sentimos a verdade a pulsar nas nossas veias. Tem muito mais a ver com o íntimo do ser humano do que com um mero mistério.

E Delia Owens foi por demais inteligente a montar a narrativa. A escritora envolve-nos nas suas descrições da natureza, força-nos a olhar e a sentir tudo de forma genuína e sem filtros, com calma e paciência. Obriga-nos a compreender a íntima relação perdida dos ser humano com o universo e a sua natureza selvagem. E quando nos esquecemos e não respeitamos, as consequências conseguem ser brutais. A incompreensão e a intolerância são os dois ingredientes que fazem deste livro o sucesso que ele tem.

Dito isto, Lá Onde o Vento Chora foi uma bela surpresa. Não sinto que foi um dos melhores livros da minha vida, mas sem dúvida foi uma leitura que me tocou em sítios muito familiares. Comoveu-me, enfureceu-me, fez-me rir e quase chorar, mas mais importante ainda surpreendeu-me com o nível de profundidade a que ainda conseguimos ir às origens. Ao mundo em que aprendizagem, comércio, relações pessoais e sobrevivência têm como base o instinto e a confiança inocente da partilha. E tal como já tinha sido descrito num dos textos mais antigos de sempre, a bíblia, o acordar para a traição pode ter consequências tremendas e fatais. Gostei bastante e recomendo. 

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Vencedor do Passatempo: A Rede de Alice, de Kate Quinn https://branmorrighan.com/2020/04/vencedor-do-passatempo-rede-de-alice-de.html https://branmorrighan.com/2020/04/vencedor-do-passatempo-rede-de-alice-de.html#respond Sun, 19 Apr 2020 22:06:00 +0000

Viva! Cá estamos para anunciar mais um vencedor, desta vez para A Rede de Alice, de Kate Quinn. Este passatempo contou com 605 participações e o vencedor escolhido através do random.org foi:

Maria Simões , 595

Parabéns Maria! Tens um mail na tua caixa de correio para responderes com os teus dados para que o livro te possa ser entregue. Obrigada a todos mais uma vez e em breve mais passatempos.

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Passatempo: A Rede de Alice, de Kate Quinn https://branmorrighan.com/2019/12/passatempo-rede-de-alice-de-kate-quinn.html https://branmorrighan.com/2019/12/passatempo-rede-de-alice-de-kate-quinn.html#respond Sun, 29 Dec 2019 12:33:00 +0000

Viva!

Mais um fantástico passatempo desta vez com a parceria da Porto Editora para o exemplar de A Rede de Alice, de Kate Quinn! Para se habilitarem a ganhá-lo basta preencherem correctamente o formulário com as seguintes regras:

– O Passatempo termina às 23h59 do dia 2 de Fevereiro

– Só será aceite uma participação por dia

– Só serão aceites participações de Portugal

– Partilhar o link deste post numa rede social não é obrigatório, mas agradece-se a divulgação

Boa Sorte!

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Opinião: O Mundo à Beira de Um Ataque de Nervos, de Matt Haig https://branmorrighan.com/2019/04/opiniao-o-mundo-beira-de-um-ataque-de.html https://branmorrighan.com/2019/04/opiniao-o-mundo-beira-de-um-ataque-de.html#respond Sun, 28 Apr 2019 12:19:00 +0000

O Mundo à Beira de Um Ataque de Nervos

Matt Haig

Editora: Porto Editora

Opinião Razões para viverhttp://www.branmorrighan.com/2016/04/opiniao-razoes-para-viver-de-matt-haig.html

OPINIÃO: Ler Matt Haig é sempre sinónimo de levar com uma dose de realidade pura e dura. Não tendo nada a ver um com o outro, a verdade é que sempre que leio Matt Haig lembro-me de Mark Manson. Este último tem um discurso muito mais duro e, até, sarcástico, mas a verdade é que ambos atacam questões pertinentes sobre a saúde psicológica de cada um. Depois de um livro arrasador, Razões para viver, a Porto Editora volta a editar Matt Haig com o livro O Mundo à Beira de Um Ataque de Nervos. No primeiro mergulhámos intensamente sobre a vida pessoal do autor, revivendo com ele a passagem do abismo da vontade de suicídio à vontade de voltar a viver. Neste segundo constatamos como é que o mundo extremamente online em que vivemos actualmente pode ser um factor de risco para recaídas, ou até mesmo caídas, psicológicas. 

Para quem já possa ter experienciado ataques de ansiedade, ataques de pânico, ou viva num sobressalto ansioso mais ou menos constante, este é mais um livro que nos faz sentir que não estamos sozinhos nesta luta. E dado ter o cunho bastante pessoal de Matt Haig, quer nos identifiquemos completamente com a sua postura quer não, as questões que levanta e as estratégias que apresenta são extremamente válidas. Cada um tens as suas sombras e cada um encara a ansiedade de maneira diferente, dando-lhe diferentes formas consoante os tormentos. O Mundo à Beira de Um Ataque de Nervos reforça como o facto de estarmos todos conectados como nunca, nos torna também mais solitários do que nunca. 

Nem de propósito, há pouco tempo vi um documentário sobre o efeito das redes sociais nas atitudes das pessoas. O documentário ilustrava, com casos reais, como muita gente simulava vidas que não tinham qualquer reflexo na vida real. Adolescentes deprimidos que se levantavam da cama e criavam cenários hipotéticos (como uma rapariga toda maquilhada pronta para sair com amigos ou um rapaz a fazer uma pose qualquer de masculinidade) para logo a seguir a tirarem uma fotografia e postarem no Instagram, voltarem para os seus pijamas, sofás/camas, completamente abatidos. Também recentemente li outra publicação que estudava como é que esta constante observação da vida dos outros e das (supostas) conquistas alheias aumentavam o sentimento de depressão e até tendências suicidas. 

Dito isto, acho que quem se sente afectado por estas circunstâncias de pressão online deve ler este livro. Eu própria tenho fases em que não suporto estar nas redes sociais. No meu caso pouco tem a ver com a vida dos outros, mas antes com o facto de a certa altura começar a sentir a tal pressão em estar online, em postar nas redes sociais, etc. etc., para ser dada como viva/válida perante os outros. Matt Haig passou/passa pelo mesmo. O que não faz sentido nenhum. Matt Haig chega a ilustrar uma situação em como um comentário que fez no Twitter, inicialmente completamente inofensivo, se tornou num incêndio grotesco que lhe tirou completamente o sono e o arrastou para um estado de ansiedade brutal.

Um dos maiores conselhos de Matt Haig, que eu suporto a 100% é ousarem andarem desligados das redes sociais. Para além de não fazerem publicações, pura e simplesmente não vejam feeds nenhuns. “Ah e tal, mas também vejo notícias, etc.” Seleccionem os sites de notícias que mais visitam e visitem-nos directamente em vez de ser através de uma rede feed de sítios da internet sem terem de cair numa rede social. Existem livros de auto-ajuda e depois existem livros de autêntica ajuda. O Mundo à Beira de Um Ataque de Nervos, de Matt Haig, é um dos que vale a pena. 

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Vencedor do Passatempo: O Código das Mentes Extraordinárias, de Vishen Lakhiani https://branmorrighan.com/2019/04/vencedor-do-passatempo-o-codigo-das.html https://branmorrighan.com/2019/04/vencedor-do-passatempo-o-codigo-das.html#respond Fri, 05 Apr 2019 10:24:00 +0000

Viva! Cá estamos para anunciar mais um vencedor, desta vez para O Código das Mentes Extraordinárias, de Vishen Lakhiani. Este passatempo contou com 395 participações e o vencedor escolhido através do random.org foi:

José Gonçalves, 144

Parabéns José! Tens um mail na tua caixa de correio para responderes com os teus dados para que o livro te possa ser entregue. Obrigada a todos mais uma vez e em breve mais passatempos.

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