Portugal Festival Awards – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:34:47 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Portugal Festival Awards – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Entrevista sobre a 3ª Edição dos Portugal Festival Awards à organização https://branmorrighan.com/2015/11/entrevista-sobre-3-edicao-dos-portugal.html https://branmorrighan.com/2015/11/entrevista-sobre-3-edicao-dos-portugal.html#respond Mon, 16 Nov 2015 21:45:00 +0000 Os Portugal Festival Awards vão para a sua terceira edição já amanhã no Cinema São Jorge. Já aqui antes expressei algumas considerações sobre o evento (podem ler aqui) e já o ano passado estive à conversa com a organização (que também podem ler aqui). Este ano fica uma entrevista rápida sobre o facto de não só a edição estar esgotada como já muitos músicos e festivais exibirem os seus prémios como factor de distinção. A grande novidade do evento deste ano é que vai ter transmissão em directo para a Fuel TV! 


É um facto: os Portugal Festival Awards criaram um carimbo que é usado como distintivo de qualidade tanto por festivais como por bandas. Ter conseguido isso em apenas dois anos é notável. Esperavam essa distinção tão cedo? Como é que se sentem em relação a isso?

Na verdade nós não esperávamos nada… (risos) Criar os Portugal Festival Awards era, por si só, um enorme desafio para duas pessoas sem qualquer tipo de experiência no meio da música. Conseguir fazê-lo 3 anos consecutivos é, para nós, uma grande vitória. Mas é inegável que o reconhecimento que tivemos por parte dos festivais e dos músicos nos enche de orgulho. Nunca nas nossas melhores expectativas pensámos que iríamos ter festivais e músicos a utilizar o nosso selo de vencedor e de nomeado  como o carimbo que referes. É incrível, mesmo.

Quão importante é que vocês consideram que estes prémios podem ser para os novos artistas e para os festivais mais pequenos?

Esperamos que bastante. Os Portugal Festival Awards foram criados para premiar os melhores festivais nacionais, é um facto. Mas o seu principal objectivo é o de divulgar tudo o que acontece a este nível no nosso país. Queremos ser esse tipo de plataforma. E é por isso que tentamos tratar todos os festivais (e artistas) por igual, independentemente da sua dimensão e mediatismo.

Este ano o júri engloba ainda mais pessoas de áreas mais diversas que nos anos anteriores. Com que critérios é que são escolhidas estas pessoas? 

Acima de tudo o que pretendemos é ter pessoas que sejam reconhecidas nas mais diversas áreas ligadas às categorias em que têm de deliberar. É importante que essas pessoas, para além do eventual mediatismo que possam ter, sejam conhecedoras daquilo que é o panorama festivaleiro nacional (digamos assim). E, sinceramente, acho que este ano o conseguimos. Esperamos que para o ano este número possa aumentar!

A terceira edição, a deste ano, já está com lotação esgotada! O que é que vocês acham que levou a este despertar de interesse tão grande por parte do público? 

Boa pergunta! (risos) Eu, pessoalmente, sou sempre um pouco pessimista com o evento – acho sempre que não vai aparecer ninguém! (risos) Mas o que é um facto é que esgotámos com vários dias de antecedência e isso só pode querer dizer uma coisa: que as pessoas gostam de vir ao evento. Essa é uma das nossas bandeiras: os Portugal Festival Awards são um produto de entretenimento. Mais do que uma entrega de prémios, somos um produto de entretenimento. E o produto é composto pelas activações de marca antes do evento, pela cerimónia – que tem um ritmo bastante bom (nada enfadonho, mesmo!) e actuações únicas – e, este ano, pela after-party no Hard Rock. Isso é o que “vendemos”, digamos assim. E as pessoas têm gostado do que vendemos, aparentemente.

As actuações vão contar novamente com a The West European Symphony Orchestra. O ano passado estive presente nas actuações e resultou mesmo muito bem. É uma conjugação a manter?

A West European Symphony Orchestra está connosco desde a primeira edição e tem sido um casamento feliz. Os músicos ficam satisfeitíssimos por tocarem com eles, eles ficam contentes por tocarem com os músicos, nós ficamos contentes por eles ficarem contentes e o público ganha com tudo isto. Acho que funciona muito bem, mesmo. E o facto de podermos assistir a artistas que, na maior parte dos casos, nunca actuaram com uma orquestra, torna também a experiência única.

O que é que esperam da edição deste ano em termos de destaques na comunicação social e de crescimento? 

Esperamos crescer, acima de tudo. Chegar a mais pessoas e diferentes. Tornar os Portugal Festival Awards um dos eventos de referencia na área da música no nosso país.

Acham que o São Jorge se pode vir a tornar pequeno para o Portugal Festival Awards? Já pensaram para onde o poderiam levar a seguir? 

Gostamos muito do Cinema São Jorge! Mas também gostávamos de levar o evento para fora de Lisboa ou para uma sala maior… Vamos ver!

]]>
https://branmorrighan.com/2015/11/entrevista-sobre-3-edicao-dos-portugal.html/feed 0
Sobre os Prémios do Portugal Festival Awards (votações terminam amanhã) https://branmorrighan.com/2015/11/sobre-os-premios-do-portugal-festival.html https://branmorrighan.com/2015/11/sobre-os-premios-do-portugal-festival.html#respond Sun, 08 Nov 2015 14:31:00 +0000 Votação termina dia 9 de Novembro

O Portugal Festival Awards vai para a sua terceira edição e é importante salientar que a sua existência tornou possível o conceito de carimbo de distinção para os festivais e artistas que ganham prémios. De alguma maneira, ter o selo de melhor festival, seja de que categoria for, ou de melhor artista, acaba por ser usado como um selo que é apresentado como distintivo quando cada entidade – festival ou artista – pretende reforçar a sua qualidade. Existe a votação do público, existe a votação do júri, mas independentemente de quem ganha e quem perde, o facto é que quando olhamos para os nomeados damos conta que existe muita coisa a ser feita em Portugal, algumas das quais nem sequer temos noção.

Não pretendo ser isenta no texto que se segue, fica desde já o aviso. Este até poderia ser um post apenas de reflexão, mas como as votações acabam amanhã acho importante relembrar alguns dos esforços feitos em prol do que é a música portuguesa. Apesar do esforço que faço por acompanhar o que se vai fazendo de norte a sul do país, é claro que muito me escapa, daí ser impossível falar com imparcialidade.

No que toca a festivais em Portugal, há pelo menos cinco de que todos têm sempre noção dado o seu mediatismo: NOS Primavera Sound, Vodafone Paredes de Coura, NOS Alive, Super Bock Super Rock e MEO Sudoeste. Claro que não é à toa que os prefixos são das maiores marcas de telecomunicações de Portugal e daí também serem dos maiores festivais no nosso país. Mas há muito mais a ser feito, com muito empenho e paixão. Dos cinco que mencionei até agora, há um que não falho há pelo menos cinco anos – Paredes de Coura. É um festival muito especial, quem lá passa não esquece e fica com saudades. Os cartazes nunca desiludem, acabo por conhecer sempre música nova e as bandas portuguesas presentes podem não ser mediáticas, mas são boas. Também o NOS Primavera Sound é um outro mundo, mas do qual só fiz parte um ano. Sem dúvida que quero voltar a repetir a experiência, torcendo para que mais bandas portuguesas possam integrar as fileiras dos palcos. Dos restantes festivais, o Sudoeste não me vê a sombra e o deslumbramento com o Alive e o SBSR tem-se perdido ao longo dos anos. Gabo o palco da Antena 3 no SBSR e o facto de ter levado boas jovens bandas portuguesas.

A questão agora é também esta, pelo menos na minha óptica. Eu sei que quem vai aos grandes festivais de música não vai pelas bandas portuguesas, mas pelos nomes internacionais que se calhar não veriam noutro contexto. Porém, verdade seja dita, muitas bandas começam a ganhar mais propostas ou mais notoriedade por terem conseguido marcar presença nesses festivais, mesmo que seja para tocarem meia hora a abrirem o palco secundário. Estiveram presentes, vai para o currículo, o interesse aumenta. Mais ou menos, mas acho que percebem a ideia.

O que eu não percebo muito bem é como é que desvalorizamos ou desprezamos festivais que se dedicam exclusivamente à música portuguesa, à cultura portuguesa e que lutam pelo talento dos nossos músicos tentando dar-lhes condições e experiências únicas. E aqui quero relembrar o Fusing que desapareceu por deixar de ser economicamente viável, mesmo quando oferecia experiências para além do cartaz de excelência, mas olhando para o presente e futuro possíveis quero dar três exemplos com que fui tomando contacto mais próximo – Festival Bons Sons, Um ao Molhe e Zigurfest.

Começando pelo Bons Sons, este foi o festival que mais me surpreendeu este ano. A dedicação das pessoas, a forma como os palcos foram planeados e as bandas distribuídas, o acolhimento caloroso, o envolvimento das pessoas da aldeia em algo que realmente se nota que tem muito daquele povo, marca quem por lá passa. Foi incrível a quantidade de bandas portuguesas que por lá passaram, os géneros distintos e para todos os gostos, das mais emergentes às mais antigas e já afirmadas. Na minha opinião acho que o Bons Sons acaba por ser uma escola de música portuguesa. Penso que mesmo para os artistas as experiências que vivem lá acabam por ser diferentes. Ou, pelo menos, tem sido esse o feedback que me tem chegado. E depois existe toda a questão da sustentabilidade, da preocupação com o ambiente, do merchandising personalizado e feito à mão pelas pessoas da aldeia, entre tantas outras coisas. E vai fazer 10 anos. Nas condições em que é feito todos os anos, penso que isso reflecte muita dedicação e paixão, porque não retribuir?

 

A uma escala mais pequena, temos o Um ao Molhe e o Zigurfest. O Um ao Molhe, para quem não conhece, é um festival itinerante de one-man/woman-bands. É fruto de muita dedicação e compromisso por quem acredita que os músicos também se devem unir e colaborar num caminho que costuma ser bastante solitário. O festival ainda só teve uma edição, mas a segunda já está a ser preparar e com uma lista ainda maior de artistas portugueses. É um projecto ao qual estou atenta, que quero apoiar como puder e que espero que vocês possam a vir acompanhar e até estarem presentes.

O Zigurfest é o meu calcanhar de aquiles pois ainda não consegui estar presente em nenhuma edição. A ZigurArtists, organizadora do festival, está recheada de pessoas valorosas e com as quais gosto de colaborar sempre que posso. O festival, em Lamego, tem proporcionado experiências únicas e exclusivas a quem lá passa (e que faz questão de me contar para eu me ficar a sentir ainda pior por ser apenas uma pessoa e não me conseguir multiplicar!). Quando conhecemos o trabalho, as condições, o empenho e as motivações de quem se dá ao trabalho de lutar pelos artistas portugueses, é impossível não querermos fazer parte da experiência.

Tendo um blogue que se dedica de alma e coração à divulgação de música portuguesa, achei que esta altura em que o Portugal Festival Awards vai ter mais uma edição tornava oportuno fazer uma reflexão da minha experiência com os festivais. É claro que existem dezenas de outros festivais, não os estou a desprezar ou a desvalorizar, mas só posso falar daquilo que sei e testemunho.

Em relação aos artistas portugueses nomeados, quero deixar um mega abraço de apoio aos Thunder & CO., projecto que tenho acompanhado desde que Nociceptor saiu e que espero que continue a singrar. Não que não goste dos outros nomeados, mas fazendo a reflexão de 2015 foram quem mais ouvi, com quem mais interagi e com quem senti mais afinidade. 

Que a cerimónia seja muito bonita e que quem merece seja reconhecido! 

]]>
https://branmorrighan.com/2015/11/sobre-os-premios-do-portugal-festival.html/feed 0
Portugal Festival Awards 2015 – Votações Encerram dia 9 https://branmorrighan.com/2015/11/portugal-festival-awards-2015-votacoes.html https://branmorrighan.com/2015/11/portugal-festival-awards-2015-votacoes.html#respond Fri, 06 Nov 2015 12:34:00 +0000

O Portugal Festival Awards está de volta para mais uma edição no Cinema São Jorge e está na fase das votações para eleger os melhores festivais e músicos/bandas que passaram pelos mesmo durante o último ano. Brevemente adiantarei mais sobre a edição de 2015, mas entretanto relembro que o ano passado estive à conversa com os organizadores e se quiserem saber mais sobre a iniciativa podem ler aqui: http://www.branmorrighan.com/2014/11/entrevista-conversa-com-organizacao-do.html

Para os mais curiosos, o ano passado também foi feita uma Foto-Reportagem e respectiva Reportagem que podem ver aqui e ler aqui.

]]>
https://branmorrighan.com/2015/11/portugal-festival-awards-2015-votacoes.html/feed 0
Entrevista aos D’Alva (Alex D’Alva Teixeira & Ben Monteiro), Banda Portuguesa https://branmorrighan.com/2015/04/entrevista-aos-dalva-alex-dalva.html https://branmorrighan.com/2015/04/entrevista-aos-dalva-alex-dalva.html#respond Fri, 03 Apr 2015 00:23:00 +0000 Foi no início da noite do Portugal Festival Awards que tive o enorme prazer de me sentar na esplanada do Cinema São Jorge, que acolheu o evento, a falar com Alex D’Alva Teixeira e Ben Monteiro sobre o seu projecto conjunto – D’Alva. Têm uma década de diferença no que toca à idade, mas no que toca à vontade de fazer mais e diferente estão em plena sintonia. São conhecidos pela sua alegria, pelos seus hashtags, mas principalmente pelo primeiro disco #batequebate. Provavelmente são dos poucos projectos Pop que vou ouvindo, sendo que o que me chamou verdadeiramente à atenção foi a versatilidade tanto lírica como sonora. Estiveram nomeados para Artista Revelação, não ganharam, mas fizeram a performance mais bonita da noite. Fica a conversa que antecipou esse momento. 

Fotografia por Sofia Teixeira

O projecto D’Alva vem como consequência natural da colaboração do Ben Monteiro com o Alex D’Alva Teixeira. Este último tinha lançado um EP homónimo, em 2012, pela Flor Caveira, «mas a dinâmica a dois já existia», tendo sido o próprio Ben a produzir esse EP. «Esse EP era uma espécie de uma amostra do que seria um álbum a solo de Alex D’Alva Teixeira. No entanto, esse álbum nunca aconteceu porque no processo de o fazer começámos a escrever juntos e a compor juntos. O Ben deixou de ter um papel meramente de produtor para começarmos a fazer canções juntos. Daí a necessidade de haver um novo nome que agregasse não só o Ben, mas também todas as outras pessoas da banda.» (Alex)

«À medida que fomos trabalhando juntos, começou a surgir uma entidade no que fazíamos, fosse no que ouvimos, no que produzimos ou até visualmente, nas coisas que gostamos. Era algo que não me definia apenas a mim, não definia apenas o Alex, mas antes o trabalho que fazíamos juntos.» (Ben)

O Ben contou que já tinha sugerido, inicialmente, o nome D’Alva ao Alex, mas este respondeu «Eu não gosto da ideia de ter um nome artístico e então quis usar o meu próprio nome, até porque na altura havia a necessidade de me afirmar enquanto artista e até mesmo enquanto indivíduo. O EP é muito pessoal. O disco também, mas esse já engloba mais a mentalidade dos dois. Aliás, o Ben produz música sozinho que não soa nada a D’Alva. Tal como o EP, apesar de parecido, acaba por ser diferente do disco.» Fica a curiosidade que desde a entrevista o Ben tem um projecto a solo novo, Mount Keeper, que já conta com duas músicas que valem a pena ouvir.

#batequebate é o nome do primeiro disco dos D’Alva e rapidamente ficou “na boca do povo”. Por trás do disco, que ainda demorou algum tempo «nós tínhamos um conjunto de canções, mas faltava sempre alguma que o fechasse», não houve nenhuma intenção específica, mas antes a necessidade de haver um fio condutor que ligasse as músicas todas: «Este é um disco muito heterogéneo, que vai a muitos sítios diferentes, mas existiu a necessidade de criar uma espécie de narrativa.»(Alex)

«Só depois de já estar tudo feito é que percebemos que o disco era muito coeso e que fazia todo o sentido. Fomos percebendo que o disco tinha características que nem sequer foram intencionais. Mesmo a própria sequência da tracklist, acabámos por nos aperceber que funciona quase como uma viagem. Começamos na primeira música com os anos 80 e acabamos com uma música é que muito mais perto das coisas mais actuais, como James Blake ou até Twigs, se bem que nem sequer conhecíamos ainda Twigs quando a fizemos. Portanto, começámos num sítio e acabámos noutro, mas nem sequer foi intencional. O nosso disco está carregado de bons acidentes.» (Ben)

Não sendo um disco conceptual é, ainda assim, um disco que acaba por ter um largo espectro de abrangência «Quando tu ouves, parece que é um conjunto de canções e acho que é assim que deve soar um disco Pop nos dias em que vivemos. Acho que um álbum Pop vai a esses sítios diferentes. Tu não ouves a mesma textura, os mesmos timbres, do início ao fim. Se reparares, mesmo ao nível das letras, cada canção fala de um tema diferente e tem um ambiente diferente. É como o carrossel na casa do terror que te vai levando para câmaras diferentes. Só que aqui não é a casa do terror (risos). Imagina que é a praia, uma festa dos anos 80 em Nova Iorque e por aí.» Curiosa com esta imagética tão diversificada, o Ben e o Alex acabaram por fazer uma tour turística pela disco: «Na primeira estás num concerto do Stevie Wonder nos anos 80, na segunda estás numa festa do início do hip hop em Nova Iorque, a #LLS é o funk brasileiro, o Segredo também é totalmente o Brasil, estás a sambar, o Lugar Estranho imagina que estás num concerto no casino e não tens o fato vestido (risos), mas muito glitter (risos), na Aquele Momento estás nos anos 90, num concerto das Spice Girls com um coral Gospel em cima, o Barulho já é Beastie Boys, o Barulho II se calhar é Kaney West, não sei, Só Porque Sim já é uma colaboração do Kaney West com o Frank Ocean (risos), a Homolgação não existe, talvez Buraka super progressivo, e depois tens a Primavera que é totalmente actual, mas não fizemos de propósito.»

Terminada a viagem sonora, é contada a origem das letras e uma possível mensagem a ser passada cá para fora: «Nós escrevemos sobre aquilo que vivemos. Ao início era mais sobre coisas que o Alex estava a passar, depois começámos a passar muito tempo juntos e a nossa vida começou a ser muito a mesma coisa. Por exemplo, eu passei por uma depressão e há ali uma música que fala sobre ansiedade. Eu sofro de depressão e ansiedade, e curiosamente é uma música alegre que fala disso. Portanto todas as coisas que estávamos a passar, foram parar às temáticas. Mas é mais isso, sabes? Nós não planeámos o que queríamos passar cá para fora, mas fomos falando do que se passava connosco.» (Ben)

«Como eu costumo dizer, nós não temos uma agenda até porque falamos de coisas muito actuais do nosso quotidiano. Temos uma música que é sobre jogar raquetes de praia, temos outra que é sobre o Facebook, outra sobre levares uma nega…» (Alex) Aqui o Ben manda a sua dica «sobre não gostarem da música que tu fazes…». O Alex retoma, «Sim, eu não queria ir tão longe, mas é verdade. (risos)»

Quem ouve o disco do princípio ao fim, consegue perceber a cumplicidade e a elasticidade do trabalho artístico – desde a familiaridade com a mãe do Alex a participar, telefonando ao Alex para falar com Ben!, entre tantos outros pormenores. Na questão das categorias «no fim do dia a etiqueta Pop é a que assenta melhor. É a que consegue agregar essas coisas todas diferentes. Houve uma altura em que a música Pop parece ter ficado um bocadinho mais suja, quando apareceram os fenómenos mais massificados, mas na verdade é isso que fazemos, música Pop. Mesmo que as influências venham tanto da Britney Spears como de Nirvana.» Chegada esta altura, o Ben pegou no seu smartphone e mostrou-me a colecção que tinha na biblioteca musical, que comprovou a diversificação de influências tendo desde Mew, Friendly Fires, Blake e Chet Faker a bandas de metal progressivo, pop coreano e ainda sua estimada Ana Cláudia. «E punha aqui mais coisas. (risos)»  O Alex completa: «O nosso conceito de Pop é um bocado diferente. Para nós Friendly Fires e The Naked and Famous são pop e do melhor que há.»

«Não pensámos muito na coisa, sabíamos que queríamos fazer música para dançar e que fosse interessante para quem fosse a um concerto, mas de resto fomos fazendo consoante o que achávamos que fazia falta. Até mesmo como fazer uma balada sem ser cheesy… Nunca houve uma agenda com intenção, por exemplo, de uma música ter que passar na rádio, aliás, nós até sabotámos algumas canções que estavam a ir muito bem. (risos)» (Ben) 

Esta descontracção não só está presente no disco como também nos vídeos que vão apresentando. No momento da entrevista ainda só tinham o vídeo frescobol (agora têm também o #LLS) que foi gravado com dois iPhones, muito na filosofia de que com pouco se pode fazer muito e que não é por isso que as coisas saem com pouca qualidade. «Na verdade existem dois mundos, o de quem está de fora, o espectador, aquilo que vês, e há uma realidade que acaba por ser uma boa metáfora. Por trás das cortinas de um palco nada é bonito e glamoroso, raramente é. Sais para trás das cortinas e aquilo é tudo muito funcional, muito cinzento, há sítios que são horríveis. E a música também tem esse lado, como qualquer indústria, e nós preferimos não fazer teatro e assumir que estamos a fazer música. Temos um disco que está a correr muito bem mas, por exemplo, ele está a trabalhar num call center e não tem problemas nenhuns com isso. Essa é a postura principal – be real. Viver sem inventar demais e sem artifícios. Em relação aos iPhones, podemos fazer alguns statements com isso, claro, mas é também para liberar quem faz música. Perceber que há muita coisa que não se faz por não haver dinheiro ou material e isso nem sempre é o mais importante. O nosso disco foi gravado no GarageBand, um software livre que vem com o Mac. À partida não é considerado profissional, mas nós gravámos assim. Com os iPhones foi a mesma coisa, se a câmara do iPhone tem qualidade suficiente porque é que hei-de alugar uma câmara que me fica uns 200€ ao dia quando posso pedir dois iPhones emprestados a alguém e fica tão bom. O importante na música é a canção, não o vídeo. Hoje em dia usa-se tanto a mesma fórmula e o mesmo plano nos vídeos que nós quisemos sabotar um bocado isso. Se esta câmara dá porque não fazer com ela?» 

O que é certo é que com um primeiro disco, vídeos “feitos à mão” e com um espírito muito do it yourself, conseguiram um tremendo sucesso tendo tocado logo mais do que uma vez no NOS Alive. Perguntei-lhes qual teria sido a razão, dado que é raro em Portugal, de num primeiro trabalho, dentro daquelas condições, acabar por sair destacado. Qual seria a fórmula para aquele hype! O Alex comenta o facto de anteriormente já ter havido o EP e que se calhar também se deveu a isso «Nós apresentámo-nos com o vídeo da Homolgação em que a música ainda fazia parte do meu EP, mas depois aparece com outro nome e o pessoal ficou curioso. Já havia alguma expectativa e depois saiu o single, que ainda gerou mais barulho à volta do álbum.»

Eu, por exemplo, conheci os D’Alva através da nossa Vera Marmelo e comentei isso com eles. O Ben destaca que talvez tenha sido um conjunto de vários factores ao mesmo tempo: «Há sempre uma dose grande de sorte, mas foram mesmo muitas coisas que contribuíram para estarmos aqui. Mas quero acreditar que no fim do dia é a música que nos coloca aqui. Eu acho que a nossa música é boa e no final do dia é isso que conta. Havia gente na expectativa, mesmo quem não estava achou a música boa, e é completamente diferente do que estavam à espera. A maior parte dos nossos amigos faz música alternativa e então toda a gente estava à espera que fizéssemos o mesmo. Depois sai o single, as pessoas gostam da música, sai o disco, quem o apanhou logo diz que devorou e depois veio a parte de pensar em como seria ao vivo. Aí teríamos de colocar a fasquia mesmo lá em cima e correu tudo bem. O que eu cheguei a dizer ao Alex foi que isto ou corria mal ou corria muito bem. E que se as pessoas aceitassem ouvir o disco de mente aberta iriam reagir à música da mesma maneira como nós a fizemos e foi assim. Um ano antes do disco sair, já andávamos a ensaiar para sair bem, não deixámos para depois. E tudo isto ajudou. Mas se a música e os concertos não forem bons, não adianta. E sentimos que ainda está a crescer.»

Fotografia por Vera Marmelo

O terem editado pela NOS Discos acabou por se mostrar bastante benéfico e eles destacaram isso: «Ter editado pela NOS Discos foi muito bom. Temos muita flexibilidade para fazer as coisas no nosso timing, sentimos um grande apoio da parte deles, protegidos até, acreditaram mesmo ainda antes de ouvir o disco… Queríamos que fosse logo para a internet, sem que as pessoas tivessem que pagar, e chegar ao maior número de pessoas possível…» (Ben)

«E não só, a NOS Discos foi a única editora que não nos tentou impor coisas ou pôr o dedo. É algo que por princípio não vais querer que interfiram na tua arte.» (Alex)

«Até porque o que estávamos a fazer era tão diferente do que o que se estava à espera que tivemos músicos, que não vou dizer, que ouviram o nosso disco antes de estar terminado e comentaram que aquilo estava um bocado estranho. Eu respondi que aquilo iria ser o single e hoje em dia as pessoas acabam por reconhecer isso. Mas é verdade, a equipa que se gerou à nossa volta é excelente. Há pessoas na net que nos acusam de cunhas, mas nós não tínhamos um tostão, não conhecíamos ninguém…» (Ben)

«É verdade, eu ainda trabalho num call center por alguma razão, let’s be honest. E não só, houve uma altura em que eu tinha de pedir dinheiro emprestado para ir ao continente! (risos) Nós abdicámos de muita coisa por este disco.» (Alex)

A sinceridade do Alex e do Ben, a sua genuinidade, chegam e sobram para termos uma boa noção de que nem tudo o que parece é, e que há muito trabalho que não se vê por trás da tal cortina, incluindo sacrifícios. Lembro-me que naquele dia estavam fascinados com o facto de irem tocar com uma orquestra e de o Alex ter comentado «que sonhão!» e rimo-nos os três. Aproveitando esse comentário, perguntei-lhes que palcos é que gostavam de pisar, alguns dos referidos são o Coliseu , o Casino de Lisboa, o Lux, a Queima das Fitas de Coimbra e depois o Alex referiu a ZdB que não é de comum acordo com o Ben e ele explicou porquê: «Eu gsoto da ZdB e do pessoal da ZdB, mas com D’Alva não sei se faz sentido.» O Alex defendeu que era uma sala histórica na música independente em Portugal e que ele gostava de fazer parte dessa história. A lista continuou por várias festas populares (algumas em acordo, outras nem tanto), mas a conclusão foi evidente: «Ainda há tantos sítios onde tocar!».  É neste momento que o Ben começa a confrontar o Alex com alguns locais, como o Avante, Rock in Rio e … a primeira parte de One Direction! «Eu tocava na boa!», diz o Ben em tom algo irónico. Quando o Alex se apercebe disso diz que ele fazia e passa a explicar porquê: «Não sei qual é o medo. Não deixas de ser tu próprio. Nós fomos convidados para fazer a primeira parte de Guano Apes e se fosse em 2001 fazia, mas hoje em dia… Não sei se faz sentido ver D’Alva a fazer isso. Agora, nós somos versáteis ao ponto de fazer coisas com sentido em contextos diferentes. Quando tocámos na festa de Carcavelos eu estava com medo, não sabia se fazia sentido. Estavam crianças de colo, avôs dessas crianças, famílias inteiras! E toda a gente nos veio dar os parabéns.» 

Comentando o percurso até ali eles constataram: «As coisas que queríamos ter feito, não sei como, em seis meses já as riscámos da lista. E houve uma série de coisas que não estávamos à espera, como hoje (Portugal Festival Awards), que são altamente.» (Ben)

«E mesmo olhando para trás, tocar no Alive sempre foi grande sonho, mas tocar na Moda Lisboa tipo, nigaaa (risos), isso é um big deal, não é qualquer banda que toca no Moda Lisboa. Ainda há muita coisa para fazer, muita coisa para explorar. Então da parte do Ben, em particular, ainda há muita coisa.» (Alex)  «É?» (Ben) «Sim.» (Alex) Depois do suspense durante um segundo, o Ben deixa a curiosidade no ar, continuando sobre a Moda Lisboa como se nada tivesse sido dito sobre si: «A Moda Lisboa foi especial porque é um mundo completamente diferente. Há um ano atrás nós já queríamos estar envolvidos de alguma maneira com a Moda Lisboa e acabou por acontecer da maneira mais inesperada possível. E no final do dia o que fica destas coisas em que nos vemos envolvidos e não estávamos à espera, são as relações com as pessoas. Está a ser uma viagem mesmo muito bonita em que eu, com a idade que tenho, não esperava fazer.» 

Esclareça-se que o Ben tem pouco mais de 30 anos, mas faz os tais dez anos de diferença do Alex. Discutimos um pouco as maiores discrepâncias das duas gerações, como o Ben ter crescido quando surgiu o CD e o Alex já apanhar o mp3 e o cd a morrer. «Se calhar sou eu que tenho um espírito jovem e consigo estar na boa (risos).» (Ben) «No fundo acabamos por ter imenso em comum e acabamos por nos entendermos bem e estarmos todos dentro das mesmas coisas.» (Alex)

Terminando e concluindo, deixando um conselho a quem agora começa: «No final do dia nós trabalhámos imenso, tivemos muita sorte, mas continuamos a trabalhar muito e não paramos. Nós fazemos questão que não fique nada por fazer. Se for preciso nem dormimos. Nós damos toda a energia que temos para que a música fique fixe, que os concertos fiquem fixes. E não é só de boca. Mas há sempre muita coisa para aprender e para fazer melhor. Para qualquer outra banda que está a começar, os números não interessam, não interessa o que as editoras dizem ou pensam, façam a vossa cena, não precisam de imitar ninguém. Encontrem a vossa maneira de dizer as vossas coisas. Demora, mas vale a pena.» (Alex/Ben) Como nota de rodapé o Ben deixou registado que se eles não ganhassem o prémio daquela noite que achava que ia ser o Jimmy P a ganhar. Não é que acertou? 

Podem seguir os nossos D’Alva no Facebook:

https://www.facebook.com/somosdalva

NOS Discos: 

http://nosdiscos.pt/discos/artistoptimusdiscos/batequebate

E verem ainda o #LLS:

]]>
https://branmorrighan.com/2015/04/entrevista-aos-dalva-alex-dalva.html/feed 0
[Opinião Blog Morrighan] Portugal Festival Awards 2014 https://branmorrighan.com/2014/11/opiniao-blog-morrighan-portugal.html https://branmorrighan.com/2014/11/opiniao-blog-morrighan-portugal.html#respond Thu, 13 Nov 2014 16:16:00 +0000 Foi na passada Terça-feira que se realizou a segunda edição dos Portugal Festival Awards. Com o intuito de premiar o esforço que é feito pelas promotoras nacionais na divulgação dos seus festivais, mas também dos seus artistas, esta entrega de prémios, desde cedo, prometia ser um momento especial. Para além da coragem para com pouco fazer muito, todos os pormenores fizeram a diferença. 

“Foi uma noite de festa que celebrou todos os players da indústria dos festivais em Portugal, que movimenta mais de 2 milhões de espectadores por ano. Estamos muito satisfeitos com a cerimónia deste ano e por verificar que os promotores, marcas e músicos estão cada vez mais despertos para a importância de premiar que mais se destacou no panorama festivaleiro nacional”, referiu Rita Pires da organização.

Cheguei às 19h, com entrevista marcada com um dos artistas nomeados para Artista Revelação. D’Alva, é este o nome com o qual a dupla Alex D’Alva Teixeira e Ben Monteiro se apresenta e foi com eles que estive à conversa antes de toda a cerimónia começar. Foi um autêntico gosto conhecê-los – pessoas simples e directas, com uma paixão transparente sobre aquilo que fazem. Não ganharam, mas podiam muito naturalmente ter sido os escolhidos e, para mim, a sua actuação foi das mais bonitas da noite. Mas já lá vamos. 

Após a entrevista com os D’Alva, aos poucos foram chegando alguns convidados e caras conhecidas. A recepção foi feita de forma dinâmica e até classy, com uma passadeira vermelha que não foi muito respeitada por quem lá andava a passear. Se está previsto chegarem artistas, que até poderiam ser fotografados neste momento especial, não seria de as pessoas terem noção e abrirem espaço? Talvez na próxima edição a organização se possa focar também neste pormenor e ter alguém nessa área, até mesmo para os fotógrafos poderem registar estes momentos sem atrito. Ultrapassada a passadeira, uma zona de entrevistas e de registo de momentos divertidos com os CTT era o que os esperava. Já no andar do auditório, não faltou imaginação para a criação de bebidas e até distribuição de alguns petiscos. Foi uma área que facilmente encheu, mas o ambiente era de alegria e alguma expectativa.


Iniciada a cerimónia, com introdução da West European Symphony Orchestra e apresentação da Luísa Barbosa e do Diogo Dias, foi a vez de começar a entrega de prémios. Entregaram-se três seguidos: 

Melhor Campismo

Vodafone Paredes de Coura (Vencedor)

Melhores WC’s

NOS Alive (Vencedor)

Melhor Festival Não Urbano

Vodafone Paredes de Coura (Vencedor)

É claro que o meu orgulho pelo Vodafone Paredes de Coura é infinito. Para quem leu o meu post sobre a edição deste ano, ou até mesmo os das edições anteriores, consegue perceber facilmente a experiência única que é viver este festival. Muitos parabéns também ao NOS Alive, as mulheres agradecem as boas casas de banho! (Prémio entregue pela fotógrafa Rita Carmo que tão bem ilustrou o quão diferentes podem ser os dias das mulheres, em relação aos dos homens!)

Aqui deu-se a primeira pausa na entrega de prémios com a actuação dos D’Alva. O tema – Primavera – conjugado com a orquestra, proporcionou um momento intenso, harmonioso e muito genuíno. Se alguém duvidava da nomeação para Artista Revelação do Ano, penso que facilmente essa duvida se desfez. 

Passou-se a mais quatro categorias, sempre de muito bom humor, com dois apresentadores simpáticos e muito interactivos. Foram elas: 

Melhor Festival Académico

Queima das Fitas de Coimbra (Vencedor)

Festival Mais Sustentável by Level Up

Bons Sons (Vencedor)

Melhor Festival Urbano

NOS Alive (Vencedor)

Melhor Micro-Festival

Indie Music Fest (Vencedor)

Em relação a estas quatro categorias, não houve grandes surpresas. Mais uma vez temos o NOS Alive a ganhar o Melhor Festival Urbano e foi dada a devida atenção à edição do Bons Sons que tanto tem inovado em relação à sustentabilidade do festival. 

Mais quatro galos que chegaram ao destino, mais uma actuação. Foi a vez de outra nomeação para Artista Revelação subir ao palco – Sequin. Ana Miró fez-se acompanhar de Tiago e Filipe para se juntarem à orquestra e interpretarem “Hiraku Garden”. De realçar que a artista foi recentemente premiada em Espanha como “Melhor Artista Revelação Europeia”, do Festival Cáceres Pop Art.

Antes de um pequeno intervalo, foram entregues ainda os seguintes prémios: 

Contribuição para o Turismo

NOS Primavera Sound (Vencedor)

Melhor Comunicação

LISB/ON #Jardim Sonoro (Vencedor)

Melhor Actuação ao Vivo – Artista Internacional by Fuel TV

Arctic Monkeys (Vencedor)

Melhor Festival de Pequena Dimensão

Milhões de Festa (Vencedor)

Aqui tivemos mais um galo para o João Carvalho, com o NOS Primavera Sound, um dos melhores festivais do nosso país e ainda um reconhecimento ao Milhões de Festa que tem marcado pela diferença. Já a eleição de Artista Internacional… Bem, os Arctic Monkeys deram provavelmente o pior concerto em Portugal dos últimos três anos e a concorrerem com James Blake ou Rolling Stone, por exemplo… Hum…! 

Foi a vez de Jimmy P subir ao palco, a fechar a primeira parte do Portugal Festival Awards. Não conhecia, confesso. Tendo entrevistado D’Alva naquele mesmo dia, Jimmy P foi aquele projecto com o qual nunca tomei contacto. Nos festivais a que fui também não calhei de me cruzar com ele, mas nada que a sua actuação não resolvesse. 

Depois de um pequeno intervalo, em que NBC, que celebrou recentemente 20 anos de carreira, apresentou o seu novo single “Gratia”, voltámos para mais uma actuação com os For Pete Sake, também nomeados para Artista Revelação. Este sexteto era já meu bem conhecido e não só já tinha estado à conversa com eles no belo Jardim da Estrela como vê-los ao vivo durante o Verão foi uma agradável surpresa. Atitude e presença não lhes falta. 

O quarto bloco de entrega de prémios levou mais alguns premiados ao palco:

Melhor Activação de Marca

Vodafone Music Sessions (Vencedor)

Melhor Cartaz by Casal Garcia

NOS Alive (Vencedor)

Melhor Actuação ao Vivo – Artista Nacional by Antena 3

Buraka Som Sistema (Vencedor)

Melhor Festival de Média Dimensão

Sumol Summer Fest (Vencedor)

Aqui quero deixar uma nota para as Vodafone Music Sessions. Tal como o João Carvalho disse quando foi receber o prémio, houve sessões em que os próprios artistas, depois das mesmas, ficaram com vontade de comprar casa, lá em Paredes de Coura. Eu fui a todas, desde o miradouro ao campo de futebol abandonado, passando pela serralharia e pela ponte romance, e cada concerto foi mesmo muito especial. Os meus parabéns aos restantes vencedores.

A última actuação da noite, e antes de se saber quem seriam então os derradeiros vencedores das categorias ditas com mais impacto, coube a Tiago Saga, em representação dos Time for T., uma bela surpresa de 2014 para a música portuguesa.  Dizem que quando um português canta em inglês que se nota sempre. Por muito que consiga disfarçar o sotaque, que há algo ali que os denuncia sempre. Com o Tiago isso torna-se impossível. Foi outra grande performance que fechou de forma muito agradável as actuações da noite.

A fechar, tivemos as seguintes categorias:

Contribuição para a Divulgação da Música Portuguesa

Sol da Caparica (Vencedor)

Melhor Actuação ao Vivo – Artista Revelação by Antena 3

Jimmy P (Vencedor)

Melhor Festival de Grande Dimensão

NOS Alive (Vencedor)

Da primeira categoria, sem querer colocar em causa a atribuição do prémio, confesso que pensei que o vencedor iria ser o Fusing. No Artista Revelação a escolha não era fácil, mas reforço, não conhecia o Jimmy P e a terceira categoria, entregue ao NOS Alive, acaba por reflectir o impacto cada vez maior que o festival tem tido em Portugal e no estrangeiro. 

Foi uma noite muito, muito gira, a cada passo era possível encontrar tanto novos talentos como alguns mais antigos que hoje em dia são uma referência para os mais novos. Foi um prazer rever tantas pessoas com as quais já interagi e só não as nomeio porque foram realmente muitas. Tenho que dar os parabéns à organização, correu tudo muito bem e só posso esperar que continuem com este ritmo de crescimento. Se o ano passado alguns fizeram ouvidos moucos aos prémios, este ano já muitos despertaram e tenho a certeza que não tarda se tornarão não só num símbolo de reconhecimento como uma marca de qualidade. 

Fotografias por Sofia Teixeira. Foto Reportagem completa aqui: 

http://www.branmorrighan.com/2014/11/foto-reportagem-portugal-festival.html

]]>
https://branmorrighan.com/2014/11/opiniao-blog-morrighan-portugal.html/feed 0
[Foto Reportagem] Portugal Festival Awards 2014 https://branmorrighan.com/2014/11/foto-reportagem-portugal-festival.html https://branmorrighan.com/2014/11/foto-reportagem-portugal-festival.html#respond Thu, 13 Nov 2014 13:05:00 +0000

Fotografias por Sofia Teixeira

]]>
https://branmorrighan.com/2014/11/foto-reportagem-portugal-festival.html/feed 0
[Entrevista] À Conversa com a Organização do Portugal Festival Awards https://branmorrighan.com/2014/11/entrevista-conversa-com-organizacao-do.html https://branmorrighan.com/2014/11/entrevista-conversa-com-organizacao-do.html#respond Sun, 09 Nov 2014 19:00:00 +0000 Foi na passada Sexta-feira que me dirigi à Labs Lisboa para me sentar com o João e a Rita à conversa sobre o Portugal Festival Awards. Esta cerimónia, a caminho da sua segunda edição – já na próxima Terça-feira no Cinema São Jorge -, irá promover e eleger tanto os melhores festivais ocorridos em 2014 como as melhores actuações. O objectivo máximo? Divulgar e premiar quem tanto trabalha em prol da evolução dos festivais em Portugal, numa era em que estes se tornaram autênticas montras de exposição de bandas e de momentos de comunhão e cruzamento entre públicos diversos. O meu muito obrigada pela simpatia de ambos e Terça lá estarei para testemunhar este grande evento. Fiquem então com a nossa conversa. 

Portugal tem festivais a fazerem mais de 20 anos, mas só o ano passado surgiu uma iniciativa que os premiasse. A motivação vem de uma necessidade que encontraram: «Foi um passo natural depois de nos apercebermos da quantidade e diversidade de festivais a serem feitos em Portugal. Neste último ano identificámos mais de 200 festivais de música e só consideramos aqueles em que a música seja realmente o foco principal. Com isto, percebemos que a indústria já atingiu um determinado patamar de desenvolvimento e qualidade e que era um passo natural começarmos a ter um reconhecimento público do trabalho que é feito, do esforço que é desenvolvido pelos promotores e todas as entidades ligadas à indústria; apercebemo-nos que no último ano tivemos mais de dois milhões de espectadores nos festivais de música, que é um número bastante significativo; em termos de turismo, os festivais já conseguem atrair pessoas do estrangeiro, ultrapassando os números do futebol, o que é interessante. Isto já é feito a nível internacional, sabemos disso, mas achámos que neste momento a nossa indústria já estava preparada para receber uma iniciativa destas. »

Quanto às reacções da primeira edição, ocorrida o ano passado (2013), o balanço é positivo e já há sinais que este ano estão a ser levados ainda mais a sério: «O ano passado as pessoas ainda não sabiam bem o que é que isto significava, digamos assim. Ajuda termos uma divisão clara entre o que são categorias votadas pelo público e categorias votadas por um júri. As do júri são muito mais técnicas, portanto a opinião que é ali valorizada é uma opinião técnica por pessoas que têm experiência. As do público são pessoas que vão aos festivais e gostam dos festivais. Ter um selo a dizer que eu ganhei nesta categoria porque a maior parte das pessoas votaram em mim – e não são assim tão poucas, cerca de 10 000, 12 500, este ano, e esperamos que seja sempre a crescer -, achoamos que acaba por ser um selo que é muito valorizado não só pelos promotores dos festivais, mas também pelas marcas que investem nos festivais. Pensamos que ter o logótipo Portugal Festival Awards, a dizer que ganhei nesta categoria, é uma coisa que já faz diferença e depois deste ano pensamos que vai fazer ainda mais. Para além de termos mais apoios, do número de festivais considerados ter aumentado de 63 para 106, temos muito mais buzz em termos de imprensa e de artistas nomeados porque acham que é importante estarem lá caso ganhem. O salto do ano passado para este ano é grande. É óbvio que é um tema sensível, afinal estamos a falar de premiar o trabalho de alguém, mas até agora tem sido bem recebido. Não temos sponsors que sejam naming sponsors de festivais, por opção nossa, os elementos do júri são o mais diversificados e eclécticos possível e até nisso esperamos continuar a crescer, tanto em número como em qualidade. Esta independência ajuda-nos a transmitir a ideia de que este é um evento isento, em que 12 das 18 categorias são escolhidas pelo público, portanto o que está aqui é voto público. Reflecte a maneira como as pessoas vivem cada um destes eventos. Para não falar que temos tudo bem dividido – pequenos, médios e grandes festivais, se é urbano ou não, tentamos equalizar um pouco o campo de jogo.»

Os critérios para um festival ser eleito para votação dependem do número de espectadores médio diário, que acaba por ser o elemento discriminatório para as várias categorias em que podem ser inseridos: «Queremos os pequenos a competir com os pequenos, médios com médios e grandes com grandes. Nas outras categorias avaliamos se usam uma estrutura urbana para se desenvolver ou se é construído praticamente de raiz numa zona não urbana. Aqui os critérios de selecção nas categorias de público acabam naturalmente por ser baseados na experiência de festivaleiro, já nas categorias de júri é um pouco diferente. Por exemplo, na categoria da contribuição para a divulgação da musica portuguesa só foram validadas candidaturas que tivessem o cartaz com cerca de 90% de músicos portugueses. Em termos dos artistas, em particular, as nossas categorias para melhor actuação ao vivo estão divididas entre artista revelação (artistas emergentes que tenham no máximo um LP editado), artista nacional (artistas que estejam já num patamar superior) e artista internacional. Neste caso, os candidatos a artista revelação e nacional, foram escolhidos pela Antena 3 e os artistas internacionais pela FuelTV, nossos parceiros. No fundo, a nossa única exigência é que tenham sido performance em festivais nacionais e que estes tenham tido um impacto positivo nos espectadores e nos media. Acabamos por ser apenas uma plataforma intermediária das decisões da indústria. Não tomamos decisões nenhumas, apenas validamos se determinado festival cumpre os critérios necessários para cada categoria. Os nomeados são escolhidos pelos nossos parceiros media, os vencedores são escolhidos pelo público e pelo júri, ou seja, não temos qualquer palavra a dizer no meio deste processo todo (risos).»

Este ano, as actuações ao vivo são compostas pelos artistas nomeados para Artista Revelação, a Rita e o João justificam essa escolha: «O nosso objectivo, enquanto plataforma de divulgação dos festivais, passa também muito por cumprir outros desígnios sendo um deles divulgar a música portuguesa. Aquilo que achámos que poderia enriquecer o evento de entrega de prémios era uma ou mais actuações ao vivo. Uma ideia que achámos que iria resultar muito bem foi ter os artistas a tocarem com uma orquestra. Principalmente se forem artistas emergentes, isto acaba por ter impacto – temos actuações únicas, que nunca se realizaram. Com o apoio da Antena 3 e da The West European Symphony Orchestram, conseguimos ter os cinco nomeados para Artista Revelação a tocar ao vivo, o qu também contribui para a divulgação do trabalho deles. Acaba por ser, outra vez, uma escolha natural que enriquece o evento e também a experiência dos próprios artistas. Não queremos que seja mais uma entrega de prémios fechada sobre si própria, só para a indústria, mas que seja antes acessível a qualquer pessoa que queira comparecer. O nosso objectivo foi tentar que o produto final, que é um evento, tendo categorias de artistas e artistas a actuar, possa abrir um pouco o público alvo que pode assistir a eventos deste tipo e fazê-los perceber que uma entrega de prémios não tem que ser um evento chato, mas antes um espectáculo. O importante é não ver isto como uma cerimónia enfadonha – é um produto que é bom e no qual acreditamos.»

Como objectivo último, a organização acredita estar a ajudar a divulgar não só os grandes promotores, mas também, e principalmente, os festivais mais pequenos: «A nível nacional, acreditamos que ajudar os festivais mais pequenos a chegarem a mais público é um marco importante, e queremos muito contribuir para isso, por outro lado aumenta também aquilo que os festivais significam para o público. A nível internacional, uma das coisas que queremos conseguir atingir com isto é ter influência na decisão de um estrangeiro quando este estiver a decidir onde ir passar uma semana de férias e para qual comprar o bilhete. Se vir um festival que foi premiado, se calhar isso tem peso na sua decisão. Um exemplo que podemos dar em relação ao ano passado, e não querendo individualizar porque é um festival que só acontece de dois em dois anos, é o caso do festival Salva a Terra que o ano passado ganhou o prémio de festival mais sustentável. Depois de ter ganho esse prémio, a RTP fez uma reportagem sobre o festival com o pressuposto de ter sido o festival que ganhou Festival Mais Sustentável no Portugal Festival Awards e perceber como é que este funcionava. Isso é o retorno que queremos. Um festival grande é claro que precisa de retorno, mas tem meios de promoção que os mais pequenos não têm e com estes prémios achamos que é uma boa forma de se promoverem. O facto de o público poder votar em termos de dimensão de festivais, acaba por tornar as votações mais renhidas. Podem votar na mesma nos festivais de grande dimensão sem prejudicarem a sua opinião pelos mais pequenos, onde existe uma grande ligação entre o festival e as pessoas desses locais. Uma das principais simbologias que queremos é – o meu festival vai crescer porque eu  ganhei um galo no Portugal Festival Awards.» 

Para mim, dada esta vontade imensa de divulgar a música portuguesa, uma perspectiva interessante é vermos o impacto destes prémios nos programadores estrangeiros no sentido de estes, aquando da organização da agenda dos vários locais de espectáculos, consultarem artistas premiados para os levarem lá para fora. «Nunca tínhamos pensado nisso, mas agora que falas…! (risos) Ainda assim, é difícil chegar ao estrangeiro e após duas edições pensamos que ainda é cedo. Já estamos referenciados nos European Festival Awards, mas é um trabalho que leva o seu tempo e que exige recursos que a nossa equipa ainda não tem. Mas não deixa de ser, provavelmente, um objectivo poder ser reconhecido internacionalmente como a banda que ganhou o prémio do Portugal Festival Awards. E ainda há a outra perspectiva dos agentes estarem a ver onde vão colocar os seus artistas e consultarem os premiados para escolherem determinado festival por ter ganho esse prémio. Sim, não tínhamos pensado nisso, mas é um ponto de vista interessante. (risos)»

O que está previsto fazer logo após a entrega de prémios é uma análise dos mesmo e de como tudo correu. «Isto é um evento anual e o processo é muito longo e tem de ser feito continuamente ao longo do ano. A comunicação é constante e todo o feedback da respectiva indústria é importante para também continuarmos a crescer. Nós fazemos isto para a indústria, por isso não faz sentido fazermos isto sem ela. Estamos sempre disponíveis para qualquer pessoa que queira contribuir que esteja ligada ao meio. Fazemos tudo muito por amor à camisola, ainda não dá para viver (risos), embora gostássemos, mas de um ano para o outro já sentimos algum crescimento e queremos que isto seja grande. Também queremos fazer com que haja mais actividade ao longo do ano e não apenas aquele evento único de ano a ano. Quem sabe um dia não conseguimos ter não só os artistas revelação a tocar, mas também os internacionais. (risos) O objectivo tem que ser sempre crescer e conseguirmos fazer mais de ano para ano. Mas para já estamos muito concentrados para Terça-feira e para que tudo corra bem.»

Site Oficial:

http://portugalfestivalawards.pt/

Facebook:

https://www.facebook.com/PortugalFestivalAwards

]]>
https://branmorrighan.com/2014/11/entrevista-conversa-com-organizacao-do.html/feed 0
Passatempo: Ganha 1 Bilhete Duplo para o Portugal Festival Awards https://branmorrighan.com/2014/11/passatempo-ganha-1-bilhete-duplo-para-o.html https://branmorrighan.com/2014/11/passatempo-ganha-1-bilhete-duplo-para-o.html#respond Sat, 08 Nov 2014 15:45:00 +0000

Participar aqui: 

https://www.facebook.com/blogbranmorrighan/photos/a.125912820765928.16239.125833890773821/882597021764167/?type=1

]]>
https://branmorrighan.com/2014/11/passatempo-ganha-1-bilhete-duplo-para-o.html/feed 0
[DESTAQUE] 2ª Edição dos Portugal Festival Awards, no dia 11 de Novembro, no Cinema São Jorge https://branmorrighan.com/2014/11/destaque-2-edicao-dos-portugal-festival.html https://branmorrighan.com/2014/11/destaque-2-edicao-dos-portugal-festival.html#respond Thu, 06 Nov 2014 11:46:00 +0000

2ª EDIÇÃO DOS PORTUGAL FESTIVAL AWARDS EM NOVEMBRO 

NO CINEMA SÃO JORGE

Os Portugal Festival Awards regressam este ano a Lisboa, numa segunda edição que traz novidades. A cerimónia de entrega de prémios tem data marcada para 11 de Novembro e terá lugar no Cinema São Jorge, na Avenida da Liberdade. 

Esta segunda edição conta com novas categorias, sendo que os principais destaques vão para a categoria de melhor festival académico, à qual as associações de estudantes podem concorrer, os micro-festivais, distinguidos numa categoria própria (até 1.500 espectadores por dia) e a música portuguesa, que é reforçada com duas categorias para melhor performance ao vivo, com a curadoria da Antena 3, e uma categoria de mérito para a divulgação da música nacional.

A escolha dos vencedores é feita pelo público através de votação online e por um júri do qual fazem parte Zé Pedro (Xutos & Pontapés), Tó Trips (Dead Combo), Miguel Cadete (BLITZ/Expresso), Ana Teresa Ventura (SIC), Álvaro Costa e Nuno Calado (Antena 3), Ana Markl (Canal Q), Joana Cruz (RFM), Pedro Ramos (Radar), Rita Carmo (BLITZ), entre outras personalidades reconhecidas nas áreas da música, dos media, do turismo, da sustentabilidade e da publicidade, que podem ser consultadas em www.portugalfestivalawards.pt.

Os Portugal Festival Awards, que premeiam em várias categorias os festivais de música em Portugal, disponibilizam também este ano uma plataforma digital de angariação de fundos – ou crowdfunding. Com esta iniciativa, a organização espera angariar um total de 3000€ que contribuirão para a realização do evento. As recompensas oferecidas podem ser consultadas em www.nosqueremos.pt, a mais recente plataforma de crowdfunding portuguesa, especialmente desenvolvida para a indústria da música e dos espectáculos.

]]>
https://branmorrighan.com/2014/11/destaque-2-edicao-dos-portugal-festival.html/feed 0