Rick Yancey – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:57:49 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Rick Yancey – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Opinião: A Última Estrela, de Rick Yancey (Livro #3 da Trilogia A 5ª Vaga) https://branmorrighan.com/2017/03/opiniao-ultima-estrela-de-rick-yancey.html https://branmorrighan.com/2017/03/opiniao-ultima-estrela-de-rick-yancey.html#respond Mon, 13 Mar 2017 11:21:00 +0000

A Última Estrela

Rick Yancey

Editora: Editorial Presença

Sinopse: O inimigo já não é o mesmo. O inimigo somos nós. Eles estão entre nós, eles estão sobre nós, eles não estão em lado nenhum. Querem a Terra, mas querem que seja nossa. Vieram para nos dizimar, mas querem salvar-nos. Porém, sob estes enigmas esconde-se uma verdade: Cassie foi traída. E também o foram Ringer. Zombie. Nugget. E todos os sete mil milhões e meio de pessoas que viviam no nosso planeta. Primeiro traídos pelos Outros e depois por nós próprios. Nestes últimos dias, os sobreviventes terão de decidir o que é mais importante: salvar-se… ou salvar o que nos torna humanos.

OPINIÃO: Ler esta trilogia foi uma aventura por si só. Adorei o primeiro livro, fiquei meia irritada com o segundo, e como já tinha esse pequeno desvio na minha animosidade em relação à mesma, comecei este terceiro volume (após releitura do segundo) com alguma apreensão. Correu melhor do que eu esperava, muito honestamente. Não que tenha achado o desfecho a coisa mais brilhante de sempre, mas porque foi resgatado algum ritmo e violência que faltou a O Mar Infinito (segundo livro). O que acho mais curioso, em tom de balanço inicial, é que o próprio estilo de narrativa mudou muito do primeiro para este último livro e senti alguma estranheza. Não tanto devido ao vocabulário usado, que também é mais leviano, mas porque me parece ter tirado alguma seriedade que o assunto merecia. 

Mas vamos ao que interessa: extraterrestres, não extraterrestres, silenciadores, humanos, miúdos-bomba, pessoas optimizadas. O planeta vive uma era em que nada é claro, em que a “Dorothy” não é a mesma “Dorothy” para toda a gente e o próprio leitor vive na dúvida sobre o que realmente se passa. Quem são os verdadeiros conspiradores, de onde vêm, qual o verdadeiro sentido de todas as vagas e que consequências finais é que isso terá na vida humana. E com o passar da narrativa, principalmente em A Última Estrela, pareceu-me que o autor, aos poucos, foi chegando ao cerne da questão principal, que nem sempre foi clara para mim. E acho que esse núcleo, que se veio a revelar central, não é nada mais nada menos do que… o amor! 

Imaginem que estamos numa era em que conseguimos programar memórias, emoções e comportamentos com um determinado objectivo. Imaginem que isso é passível de ser descarregado em seres humanos e que em certa idade o programa se torna activo. A programação é perfeita, tudo resulta em todos menos num. Mas se a programação é perfeita e tem “tudo” em conta, o que é que pode ter causado o desvio no comportamento do sujeito? Quem já começou a ler a série é claro que sabe de quem estou a falar. E depois das pistas que dei, perdoem-me se consideram spoilers, mas pouco diz sobre como acaba, podem deduzir o que é que é impossível de ter em conta quando se programa qualquer coisa? O amor é daquelas emoções que nunca se sabe bem como surge, quais os factores, quais as consequências. Os actos mais irracionais foram cometidos por amor a uma qualquer crença/pessoa. 

Em relação aos protagonistas, adorei a badass Ringer. Fiquei meia surpreendida com algumas opções do autor, mas acho que esteve à altura. Já a Cassie… Ai ai. Achei o discurso na primeira pessoa completamente idiota, a maior parte do tempo, mas no fim, Rick Yancey arranja maneira de a elevar aos nossos olhos. Já Nugget e Zombie foram os que mais preencheram o meu coração. Resumindo: depois de todo o caos instalado, de pouco ser o que parece, A 5ª Vaga termina com a maior parte das dúvidas esclarecidas, mesmo que de forma algo confusa. O grande ponto forte destes livros é o facto de o autor ter uma escrita bastante cinematográfica e os capítulos serem curtos. Passámos a ter vários narradores e isso ajuda a situarmo-nos nos devidos cenários. No geral, acho que o primeiro livro vale totalmente a pena ler e, por causa disso, torna-se necessário ler os restantes para que o ciclo se feche. 

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Opinião: O Mar Infinito (A 5ª Vaga #2), de Rick Yancey https://branmorrighan.com/2015/07/opiniao-o-mar-infinito-5-vaga-2-de-rick.html https://branmorrighan.com/2015/07/opiniao-o-mar-infinito-5-vaga-2-de-rick.html#comments Wed, 22 Jul 2015 17:28:00 +0000

O Mar Infinito (A 5ª Vaga #2)

Rick Yancey

Editora: Editorial Presença

Colecção: Via Láctea #123

Sinopse: Segundo volume da trilogia A 5.ª Vaga. Com a espécie humana quase extinta e com a quinta vaga em marcha, Cassie Sullivan e os seus companheiros têm de tomar uma decisão crucial: enfrentar o duro inverno e ficar à espera que Evan Walter, que nem tão-pouco sabem se ainda está vivo, regresse ou partir à procura de mais sobreviventes, porque o próximo ataque de os Outros é mais do que possível, é inevitável…

Opinião: O Mar infinito é o segundo livro da trilogia intitulada 5ª Vaga. Na primeira obra somos situados numa pós-destruição massiva da raça humana. Ninguém sabe em quem é que pode confiar, a probabilidade de encontrar alguém pertencente aos Outros em vez de alguém “normal” é quase total e o maior perigo reside nos “Silenciadores”, seres dotados de características humanas melhoradas (como melhor visão, maior rapidez e força, regeneração rápida, etc.), cuja missão é apenas matar ou capturar os humanos que restem. É no meio do caos, de uma batalha acabada de ser travada, com consequências para todos os envolvidos, que esse primeiro capítulo termina e que agora O Mar Infinito retoma. 

Quando terminei esta leitura lembrei-me de algo que li aqui há tempos sobre o Síndrome do Segundo Livro. Não sei se cá em Portugal esta terminologia é aplicada, mas sinceramente foi isso que senti quando o pousei. Eu gostei, muito mesmo, do 5ª Vaga. As personagens tão diferentes umas das outras, o enredo bem construído, uma linha de acção que nos prendia de sobremaneira, etc. Penso que talvez tenham sido as reviravoltas, ou a forma como Rick Yancey decidiu apresentar as diferentes frentes da história, que me baixaram um pouco o entusiasmo. Por outro lado temos a escrita que, independentemente de estar a gostar ou não do rumo da trama, é fantástica. O escritor tem uma capacidade imensa de passar certas mensagens de forma tão visual, tão crua e recta que o impacto é directo no leitor. 

Gostei da evolução de Ringer, para mim a verdadeira protagonista desta obra, e não Cassie. A narrativa em si, de capítulo em capítulo, vai tendo perspectivas diferentes de vários dos personagens, mas é Ringer quem assume a parte mais fria, mais analítica, de tudo o que os rodeia e é também quem sofre as maiores consequências. O romance entre Cassie e Evan ficou interessante apenas quando abordado pelo ponto de vista deste último, a Cassie que acompanhamos ao longo destas quase 300 páginas consegue ser um pouco irritante. É a aura de mistério à volta do que move Evan e do porquê de continuar aficcionado em Cassie que também dá combustível ao desenrolar dos acontecimentos, mas desde cedo novos factores entram em jogo e tudo o que julgávamos saber sobre este universo e sobre os Outros é posto em causa. 

Resumindo, só não gostei tanto deste livro porque o primeiro está mesmo muito bom e neste parece haver uma quebra considerável. O último terço do livro foi o que mais me entusiasmou, o cérebro estava a mil com as possibilidades e com o mistério prestes (ou não) a ser desvendado! Estou verdadeiramente curiosa pelo terceiro livro e só aí conseguirei fazer um verdadeiro balanço da trilogia que, para já, continua positivo. Venha o próximo e que ma faça ferver novamente o sangue a sério, coisa que este apenas conseguiu tentar, não com muito sucesso. Mas partilhem comigo as vossas opiniões, principalmente sobre a Ringer e o Evan! Boas leituras!

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Opinião: A 5ª Vaga, de Rick Yancey https://branmorrighan.com/2015/01/opiniao-5-vaga-de-rick-yancey.html https://branmorrighan.com/2015/01/opiniao-5-vaga-de-rick-yancey.html#respond Thu, 22 Jan 2015 16:01:00 +0000

A 5ª Vaga

Rick Yancey

Editora: Editorial Presença

Colecção: Via Láctea #115

Sinopse: A 5ª Vaga, o volume que dá início à trilogia com o mesmo nome, é uma obra-prima da ficção científica moderna. É um épico extremamente original, que nos apresenta um cenário de invasão extraterrestre do planeta Terra como nunca antes foi escrito ou sequer imaginado. Nesta narrativa assombrosa, uma nave extraterrestre fixa-se na órbita da terra, à vista de todos mas sem estabelecer qualquer interação. Até que, subitamente, uma gigantesca onda eletromagnética desativa todos os sistemas da Terra, e todas as luzes, comunicações e máquinas deixam de funcionar. A esta primeira vaga seguem-se outras, num crescendo de violência que devasta grande parte da humanidade. Será este o fim da existência humana sobre a Terra? Haverá ainda alguma salvação possível? Um thriller de alta voltagem, com todos os ingredientes para se tornar um grande clássico da literatura fantástica universal.

Opinião: Deixem-me lá colocar aqui a playlist dos Deftones para começar a escrever esta opinião! Pode parecer um pouco tonto, mas o processo de associação até se deu ao contrário. Dei por mim a ouvir My Own Summer, ou a Digital Bath, e a relembrar passagens deste livro de Rick Yancey, Mas pronto, confesso, eu gosto de arranjar as minhas próprias bandas sonoras para os livros. A 5ª vaga, que inicia uma trilogia, traz até nós uma invasão alienígena, um enredo com o qual é preciso precaução – entre o que parece e o que é, são várias as vezes em que damos por nós a mudar de opinião, até nos ser mostrado a verdadeira face do problema mas, mesmo aí, as questão não cessam pois outras se levantam. 

É fácil gostar deste livro, mesmo constatando alguns pontos menos fortes. As personagens, pelas situações com que são confrontadas, acabam por, desde muito cedo, prender a nossa atenção. O facto de a narrativa também ser interactiva, mudando de narrador protagonista, ajuda a que a dinâmica da leitura não se quebre. As emoções são exploradas de forma tão cuidadosa quanto intensa. Cada um dos personagens centrais tem muito com que lidar. Não só apenas têm noção que apenas sobram cerca de 3% de vida humana desde que a nave-mãe começou a sobrevoar a terra, como ainda não conseguem diferenciar, ao apenas verem alguém, se é humano ou não. E é com uma destas cenas que somos confrontados desde o início, um soldado que pede ajuda, mas que é logo baleado por Cassie, sem hipótese, por poder ser um deles. 

Cassie é a protagonista feminina desta trama, uma adolescente que assiste à morte da mãe, por doença de uma vaga anterior; mais tarde levam-lhe o irmão, com promessas que ficará seguro, para logo a seguir ver o seu pai a ser baleado pelo mesmo tipo de pessoas que lhes prometeram segurança. 

Já por outro lado temos Zombie, o protagonista masculino que quer esquecer o tipo de pessoa que era, também ele um adolescente que acabou por deixar a irmã para a morte, mas que agora é um soldado com uma missão que vem a descobrir não ser exactamente aquilo que ele pensava. Com um passado comum, é no futuro e na esperança de sobrevivência que ambos os caminhos se irão cruzar. 

Apesar de ser um thriller de ficção científica, esta não tem uma presença muito forte. As tecnologias extraterrestres não são muito exploradas nem detalhadas, ficando no ar, durante bastante tempo, quais as verdadeiras razões desta invasão. Penso que este é o fio mais frágil desta obra – todas as peças se movem em torno de uma premissa um tanto incerta. O romance que se vai desenvolvendo, entre Cassie e um Silenciador (um deles, que mata sem questionar), acaba por servir como de força motriz para se chegar a um entendimento, e que vai sendo vivido de forma tensa, mas também profunda. No fim, tudo culmina para que finalmente se possa desmascarar os orquestradores do terror que se vive, mesmo que ainda não se perceba muito bem o porquê de a Terra ter sido escolhida para tal.

Resumindo, A 5ª Vaga é um livro que coloca à prova, e no limite, o ser humano. Que evidencia que por muito que se observe a lógica das reacções de cada pessoa, os sentimentos serão sempre um factor surpresa. Não dizem que o amor é a maior arma que cada um possui? Valores como a amizade, família e confiança são vistos sob toda uma nova perspectiva. A escrita é dinâmica e fluida, e a acção tem um bom ritmo. Tirando alguns pormenores em termos de contextualização, que não me deixaram totalmente satisfeita, posso dizer que usufrui bastante da leitura e que vou querer ler a continuação. 

PS: Agora ouçam lá Deftones e digam-me se não vos faz lembrar os vários momentos do livro, principalmente os últimos, ou até as cenas entre a Cassie e o Evan (Silenciador)! Deixem-me juntar a Knife Prty e a Passenger! 

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