Sequin – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:34:04 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Sequin – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [DESTAQUE] Holy Nothing, Sequin, Paus e Walter Benjamin com novos vídeos https://branmorrighan.com/2014/11/destaque-holy-nothing-sequin-paus-e.html https://branmorrighan.com/2014/11/destaque-holy-nothing-sequin-paus-e.html#respond Sat, 22 Nov 2014 12:50:00 +0000

Depois do EP Boundaries, eis que os Holy Nothing lançam o primeiro single “Cumbia” que antecede o novo trabalho. Uma conjugação de elementos dançantes com electrónica imensamente contagiante e que abre então o apetite para músicas futuras. 

Entrevista: http://www.branmorrighan.com/2014/09/os-artistas-portugueses-no-vodafone.html

O mundo de Ana Miró é um brilhante multicolorido em formato de palete. De facto, as canções de Sequin são verdadeiras bolas de espelho, bem a condizer com o ambiente nocturno e dançável dos seus temas.

E agora, chega o terceiro single extraído do disco de estreia, que vem dar ainda mais razão ao parágrafo acima. Chama-se “Flamingo” e, claro, o seu sentido maior é o movimento, com doçura pop. O vídeo foi realizado por Pedro Pinto e co-produzido pelo próprio e por Ana Miró.

Já se passaram alguns meses desde a edição de “Penelope”, o disco de estreia desta alentejana que, cada vez mais, apaixona quem a ouve e vê. Inúmeros concertos depois, incluindo internacionalizações e passagens pelos mais importantes festivais do país (Vodafone Paredes de Coura, NOS Alive, Milhões de Festa, entre outros), Sequin é, sem dúvida, uma das surpresas do ano.

Entrevista: http://www.branmorrighan.com/2014/06/entrevista-ana-miro-sequin-musica.html

Foi lançado hoje o video official de “Cume”, o Segundo single retirado do mais recente álbum dos Paus: “Clarão”. Esta é a melhor maneira de celebrar um ano muito importante para a banda portuguesa.

O vídeo em si já é uma celebração. O colectivo ZDB, CHERYL e VOLKOV COMMANDERS convidaram fãs a vestirem a pele dos Paus e depois destruírem a própria banda.

Os Paus têm sido chamados a atuarem nalguns dos maiores festivais de música do mundo como o caso do Eurosonic (Groningen, Holanda), SXSW (Austin, EUA), NRMAL (Monterrey, México), Primavera Sound (Barcelona, Espanha), Optimus Alive (Lisboa, Portugal), Low (Benidorm, Espanha), Jabberwocky (London, Reino-Unido) e Le Guess Who? (Utrecht, Holanda).

Entrevista: http://www.branmorrighan.com/2014/07/entrevista-paus-banda-portuguesa-banda.html

O último vídeo do Walter Benjamin é para a última canção inédita que o músico editou, Drive Anyway. O vídeo é composto exclusivamente de imagens caseiras do tempo em que vivia com a sua banda em Roman Road, Londres, e da sua viagem de volta para Lisboa – destino de viagem tão simbólico para o nome Walter Benjamin.

A música, gravada na casa de Roman Road, em 2012, com o companheiro Jakob Bazora, só poderia ter um vídeo a celebrar a amizade e um período tão fundamental para o crescimento do escritor de canções enquanto pessoa. É um encerrar de múltiplos capítulos que só terminará definitivamente no dia 12 de Dezembro no Lux, em mais uma noite Black Baloon, praticamente um ano após concerto em que Walter e os amigos deram uma vida nova ao clássico álbum dos Smiths, The Queen Is Dead. Há tantos convidados que o problema agora é saber como irão todos caber no demasiado pequeno palco do Lux. A noite começa às 23:00 e acaba quando o Lux fechar as portas com um DJ set de Pedro Ramos, Quem és tu Laura Santos? e do próprio Walter.

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[Os Artistas Portugueses no Vodafone Paredes de Coura IV] – Dia 4 – Sequin & Sensible Soccers https://branmorrighan.com/2014/08/os-artistas-portugueses-no-vodafone_24.html https://branmorrighan.com/2014/08/os-artistas-portugueses-no-vodafone_24.html#respond Sun, 24 Aug 2014 22:52:00 +0000 Último dia de Paredes de Coura, as saudades já apertam, mas a despedida promete e foi com esse espírito que iniciámos este 23 de Agosto. No cardápio constou Sequin, de Ana Miró, e Sensible Soccers, um quarteto de Fornelo que tem encantado e conquistado o mais variado público.

Fotografia Hugo Lima

Foi às 18h que Sequin entrou no palco secundário para dar início a mais um dia de festival. Para surpresa da artista, a tenda secundária encontrava-se bem preenchida, com mais público do que seria habitual para uma hora em que normalmente ainda se toma banho no rio ou apressa-se o jantar. Apresentando-se em full band, com Filipe no sintetizadores e Tiago no baixo, Ana Miró entra em palco em jeito de menina, sempre simpática e com um encanto muito próprio. Não sendo um tipo de concerto que eu escolheria ouvir àquela hora, mas antes ao início da madrugada, deu para começar a noite de concertos de forma agradável, pé dançante e boa disposição. Na sua música electrónica, com o baixo a ressoar no nosso peito, Sequin mostrou-nos parte do seu trabalho, incluindo coisas novas. Interagindo com o público enquanto cantava, e puxando por ele, obteve uma boa resposta e o balanço é positivo. A verdade, é que poucos ficam indiferentes à sensualidade de Ana Miró em palco, que é complementada com a sua voz e com as letras das suas músicas. Fica a nota que, no mesmo palco, mas numa hora mais tardia, daria para desfrutar muito mais do concerto.

Fotografia Hugo Lima

Sensible Soccers, um nome que depois de ouvido não é mais esquecido. Conheci-os através do seu mais recente trabalho “8”. Apaixonei-me perdidamente pela AFG e daí a entregar-me a toda a sua música foi um instante. Já os tinha visto ao vivo, mas Paredes de Coura é Paredes de Coura e só podia ser especial. Começando logo a abrir com a AFG, a partir daí foi sempre a somar e a dançar. Que o Manuel Justo não me leve a mal, mas aquela dança enquanto toca, mexendo as ancas bem melhor do que muitas mulheres, é uma inspiração para quem quer mexer o corpo. E não podemos esquecer o seu sorriso, claro. É  constante, é contagiante. Também o Hugo Gomes, parecendo espantado com a reacção do público, virou-se muitas vezes para o mesmo, agradecendo e acenando, fazendo o público sentir-se bem vindo e acolhido. Entre sorrisos acanhados e outros inevitáveis, também o Filipe e o Emanuel, nas suas respectivas guitarras, viveram a música à sua maneira, conseguindo transmitir a sua entrega ao que estavam a tocar. Muitos já devem ter visto vídeos – eu sei que já tinha visto um, mas  ao vivo nunca – em que aparece um rapaz em boxers/calções a dançar, na música Sofrendo por Você. Não é que fomos brindados com a sua presença? Trazendo um toque requintado ao concerto, o balanço que faço é evidente – os Sensible Soccers são uma banda despretensiosa que gosta do que faz e que é boa a fazê-lo. Não só é evidente a sua paixão pelo que fazem, como também não precisam de qualquer malabarismo ou teatro para que gostem deles. De poucas falas, mas de muitas expressões, são daqueles que falam aos corações e não às aparências. Um auditório cheio e completamente receptivo tornaram o cenário idílico. Para repetir, sem qualquer dúvida.

Fica a nota que Sensible Soccers a fechar, nem que fosse o palco secundário, onde também o ambiente é mais íntimo, teria sido o amor. A luz pode ficar-lhes bem, mas há um toque na obscuridade e no jogo de luzes que dá logo outra energia. Mas isto é só a minha opinião pessoal.

Resumindo e concluindo, grande cartaz português e um grande orgulho no que é nosso! 

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Sequin desvenda “Heart to Feed” e datas da sua Tour https://branmorrighan.com/2014/07/sequin-desvenda-heart-to-feed-e-datas.html https://branmorrighan.com/2014/07/sequin-desvenda-heart-to-feed-e-datas.html#respond Wed, 16 Jul 2014 10:43:00 +0000

Sequin desvenda “Heart to Feed”

Antes da passagem pelo Milhões de Festa, Ana Miró mostra o segundo single extraído de Penelope

Entrevista de Sequin ao Morrighan: http://www.branmorrighan.com/2014/06/entrevista-ana-miro-sequin-musica.html

“Heart To Feed” é daqueles temas que se colam à pele, não só pela sua sensualidade, mas também, e sobretudo, pela sua familiaridade. Todos nós já passámos por situações como as retratadas: o amor que escapa por entre os dedos, sem nada mais a fazer. Aqui, em formato de música, este coração é explicado com negritude, mas (e simultaneamente) com a hipótese de dançarmos e expurgamos as dores.

Com a chegada do Verão e de uma significante ronda de concertos, Sequin apresenta o novo single extraído de “Penelope”, o seu disco de estreia, editado em Abril com o selo da Lovers & Lollypops. “Heart To Feed” foi realizado por José Lemos e, tal como o tema que ilustra, observa as relações humanas à lupa.

TOUR Sequin

26 Julho/ Festival Oito20e4, Espinho

27 Julho/ Milhões de Festa, Barcelos

16 Agosto/ Fusing, Figueira da Foz

22 Agosto/ Festival Alcains, Castelo Branco

23 Agosto/ Vodafone Paredes de Coura, Paredes de Coura

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Entrevista a Ana Miró, Sequin, Música Portuguesa https://branmorrighan.com/2014/06/entrevista-ana-miro-sequin-musica.html https://branmorrighan.com/2014/06/entrevista-ana-miro-sequin-musica.html#respond Tue, 24 Jun 2014 21:59:00 +0000 Ana Miró tem 25 anos. Viveu em Évora a maior parte da sua vida, onde iniciou o seu percurso musical, mas foi em Lisboa que deu origem ao projecto Sequin. É também a voz feminina de Jibóia e, como não há duas sem três, tem ainda um terceiro projecto chamado Heats. Foi na tradicional e única Louie Louie, em plena Baixa-Chiado, que acabámos a falar do seu percurso, centrando-nos no seu trabalho a solo. Penelope, primeiro LP de Sequin, foi lançado em Abril, um ano depois do seu primeiro single: Beijing, última faixa do disco, que foi um autêntico sucesso. Mulheres portuguesas na música electrónica são raras, mas temos aqui, claramente, uma de grande qualidade! 

Começámos pela típica pergunta sobre a origem do gosto pela música e como é que este se veio a concretizar: «Sempre gostei de música e comecei a estudá-la logo desde pequena. Nunca foi nada muito sério, era mais divertido que outra coisa e, por isso, encarava-o como um hobbie. Acabei por estar sempre ligada às artes. Comecei a fazer teatro, pelo qual me interessei academicamente, mas a música era algo constante. Na minha adolescência tive algumas bandas, experimentei tocar ao vivo – que é sempre diferente de tocar em casa – e tive outros projectos, maioritariamente na onda do rock. Depois decidi vir para Lisboa. Mudei de curso, mas na música fiquei um bocado parada. Nas bandas que tinha, cada elemento estava em sítios diferentes, principalmente por causa da universidade, e acabei por estagnar algum tempo (2 anos, penso). 

Entretanto, um grande amigo meu, o Óscar Silva, começou um projecto novo, sozinho, e na brincadeira, numas férias de Verão, perguntou-me se não queria fazer um cover da Gal Costa. Foi um Verão muito na onda da música brasileira, dos anos 70, e achámos piada fazer aquilo. Acabou por correr tão bem, que depois de apresentarmos a música no Milhões de Festa em 2012, ele perguntou-me se não queria fazer um original e eu aceitei. Nesse momento, pensei mesmo “Só há uma coisa que eu sei fazer bem, com toda a certeza, que é a música. Cantar, mais ou menos (risos), e compor também”. Então, muito influenciada pela experiência do Óscar, que sempre esteve em bandas e depois fez um projecto completamente diferente de tudo o que conhecia, achei que também seria capaz de o fazer e foi então que comprei um teclado novo (risos). Já a questão dos sintetizadores vem de quando era criança e aprendi a tocar orgão de igreja, com o pedal de chão para fazer o baixo. Os sintetizadores acabaram por me ficar na cabeça e quando decidi experimentar fazer algo sozinha quis mesmo tentar tocar sintetizador e acabei por me interessar nessa área. Na sequência disto, surgiram alguns temas. Eu já compunha há muito tempo, mas nunca de raiz. Tinha sempre músicos a fazer a outra parte instrumental em que eu só dava dicas. Depois foi fácil começar a compor, acho que tinha muita vontade. Sequin acabou por surgir numas férias de Natal em que não tinha nada para fazer (risos). »

“Beijing” foi o primeiro single lançado em Maio de 2013, mas curiosamente é a última faixa do disco. Sequin explica-nos como foi parte do processo até à nascença de Penelope: «A altura em que lancei a Beijing foi quando me comecei a sentir preparada para actuar ao vivo e já tinha uns cinco temas para além da Beijing. Só pus o projecto cá para fora, quando tive a certeza que se me convidassem para tocar ao vivo, eu estaria preparada. Tens que pensar, quando mandas um projecto cá para fora, que não podes ter só uma música. Senti-me pronta, já tinha pelo menos meia hora de concerto e então lancei a Beijing cá para fora. Nunca pensei que tivesse tanto hype! (risos) Foi uma música que gravei na casa de um amigo, uma coisa muito caseira, nada profissional, e nunca pensei que fosse tão apreciada. Sempre gostei de música electrónica, mas não era a minha área. A composição das músicas acabou por ser muito ao meu gosto, mas não tinha noção de como era fazer música electrónica. A Beijing acabou por ficar no disco por sentir que fazia sentido, no todo, estar lá, mas não era a música mais importante. Afinal ela já teve todo o airplay que devia ter.»

Que gosto bastante certeiro!, disse-lhe eu. (risos) «Sim, foi uma boa experiência. Sempre gostei dos anos 80 e das suas sonoridades. Havia imensos temas que ficavam na minha cabeça e sempre pensei – Quando puder fazer a minha música, quero que seja algo que me dê mesmo gosto ouvir e dançar – e acho que isso é o mais importante. Tem que ser dançável. Mesmo que seja uma coisa mais introspectiva, tem que me fazer dançar de alguma maneira.»

A nível de influências, Ana Miró conta-nos que as tem e que acabam por se notar, mas que na altura da composição não pensa nisso: «É óbvio que tenho influências, eu gosto de música em geral. Eu gosto de vários estilos de música e acaba sempre por soar parecido com algo, mas na altura da composição acaba por ser alguma melodia que me surge na cabeça e acabo sentada no teclado a produzi-la, apenas não estou a pensar se vai soar parecido com isto ou aquilo. Mas as influências estão lá — tenho bastantes músicas que vão para The Knife. Outra cantora que sempre achei interessante é Bat For Lashes, entre outros.»

Penelope, o nome do seu disco de estreia, é também uma personagem lendária da mitologia grega. Mulher de Ulisses, esteve à sua espera durante anos que este regressasse da Guerra de Tróia. A associação ao disco não é inocente: «Em primeiro lugar eu queria dar o nome de uma mulher ao álbum e depois eu tenho uma coisa, preciso de dar nomes de pessoas às coisas que têm significado para mim. Seja a uma gato ou a uma boneca. (risos) O disco é uma entidade e o nome e a história de Penelope representam uma metáfora para a minha relação com a música. Ela esperou anos por Ulisses sem saber se algum dia ele ia voltar, sempre perseverante e sempre fiel, independentemente do resto. Relaciono isso com o que me aconteceu, foi sempre uma coisa que eu gostava de fazer e da qual nunca desisti. Em Portugal é muito difícil, é um meio muito estéril. E eu acabo por ligar as coisas todas, cheias de imagética esquisita e metáforas, incluindo as letras das músicas. A história tem um bocado que ter com o triunfar, mas sem ligar a isso.»

O disco acaba por nos contar uma história, em que as músicas acabam por rodar muito sobre o amor e a fase da vida de Ana Miró na altura da produção do disco: «São sobre o amor e de concretizar o amor. A própria música Naive acaba por falar um bocado dessa Penelope do disco – eu sou o que sou e dou aquilo que consigo dar, mas tenho uma luz que está sempre aqui para mim e vou continuar a olhar em frente aconteça o que acontecer. O disco acaba por espelhar um pouco da minha vida naquela fase. Tens músicas mais dark e mais obscuras e depois tens outras que parecem espelhar mais felicidade.» Criado este balanço, a conclusão é simples, todo o disco é uma evolução de si mesma. Ana Miró conta-nos também que a última música que produziu, Hikaru Garden acaba por ser o auge dessa evolução: «Como foi a última música que compus, é a que mais me diz agora, mas também sempre. Eu acho esta música bastante épica, sempre crescente e acaba por fechar um bocado esse ciclo.»

Ao vivo, Sequin faz-se acompanhar por dois músicos, Filipe nos sintetizadores e Tiago no baixo. «Se tocasse sozinha, ia estar muito limitada. Sempre fui frontwoman e vocalista e custa-me estar atrás das máquinas. Ao mesmo tempo, também quero tocar, mas se fosse sozinha, não conseguiria reproduzir todas as linhas do disco, como com eles os dois, é possível. Tem de ser uma experiência diferente, e para mim, mais intensa do que ouvir o disco. Portanto eu tento, ao vivo, fazer uma coisa mais aproximada, mas ao mesmo tempo mais poderosa. Sozinha não conseguiria. Assim consigo estar mais ligada ao público e relacionar-me mais facilmente. Estive praticamente um ano a tocar sozinha e não gostei muito da experiência, é muito solitário. É sempre diferente quando tocas em banda. É muito por causa disso que só tenho este projecto a solo, gosto de estar a desenvolver outras coisas em banda.»

Sobre os outros projectos, as influências começam a viajar facilmente de uns para os outros. Ana Miró conta-nos que a maior diferença entre estar sozinha e em banda é o controlo que há no processo de criatividade. «Quando estás sozinha, às tantas pões-te a pensar demais e não sabes bem que caminho seguir. Em banda isso é mais fácil de gerir, porque há mais gente a ter ideias e a discutir as coisas. Gosto muito de todos os meus projectos e não quero largar nenhum.»

A Galiza teve particular importância na aurora dos seus concertos, mas entretanto outros se seguiram. Perguntei à Ana, quais as maiores diferenças, na sua opinião, entre o público e a cultura musical de Portugal e do resto da Europa. «A nível de público, sinceramente, não senti diferença. Acho que gostaram igualmente e mostraram o mesmo entusiasmo. Para mim, os portugueses têm sido super fixes. Uma coisa que nunca pensei conseguir foi agradar a gregos e a troianos (risos). E com este disco tenho conseguido. Portugal acaba por ter muito por onde se tocar. A nível de concertos, tens muitos sítios, mas muitos com poucos recursos. Conheces gente que faz coisas incríveis e com nada, e isso é mesmo triste. Sinceramente, acho que o difícil por cá é a indústria e não as pessoas; essas estão completamente sedentas, se não vão mais aos concertos, deve-se muito à crise por que passamos.» Ana Miró evidenciou ainda o facto de sermos um país pequeno e haver pouca compra de discos. «Mesmo os preços dos concertos, por 5€ ou 10€ que sejam, acabam por muitas vezes fazer diferença a boa parte dos jovens a partir dos 16 anos.»

Fazer apenas música na vida, é o sonho de qualquer artista musical, mas uma impossibilidade na maioria dos casos. «Eu não consigo. Faço música e estudo, mas é muito complicado conciliar as duas coisas. A música não é só produzir e dar concertos — são as entrevistas, o planeamento dos artworks, etc. Acabas é por te relacionar com imensa gente. Como não tens recursos para pagar a pessoas que te ajudem, tens de esperar que haja disponibilidade por quem esteja disposto a colaborar. Muitas vezes, as pessoas pensam que nadamos em dinheiro, mas é mesmo difícil. Eu não consigo fazer mais nada, não há tempo.»

Uma curiosidade, fora da música, mas que acabou por ficar intimamente ligada ao disco Penelope, é o blogue Conception Rouge, da autoria da nossa artista. Ou seja, para além de produtora e cantora, ela também escreve e, na minha modesta opinião, muito bem! Perguntei-lhe com qual das suas facetas o blogue mais se relacionava e se se via a lançar um livro, mesmo que apenas de poemas. «(risos) Sim, acho que me via a lançar um livro de poemas. Em relação ao conteúdo, apesar das músicas do disco estarem em inglês, foram beber muito a estes textos. Não que tenha feito uma tradução, mas foram muito inspiradas em coisas que já tinha escrito.» Quanto ao tipo de livro que Penelope poderia gerar, Ana Miró ri-se imenso, mas responde: «Se fosse um romance, acho que teria uma narrativa um pouco depressiva, da descoberta do eu e da relação com os outros. Acho que não ia ter muita piada de ler… (risos)» Ora, eu cá acho que teria imensa piada de ler!

Em relação a projectos futuros como Sequin, já existem músicas novas, que se fizerem sentido farão parte do novo disco. «Uma vez que se começa, não consigo parar. Já tenho músicas novas, mas para já vou apresentar o disco, talvez introduzir algumas músicas… Como já toco estas músicas há tanto tempo, sinto necessidade de ir fazendo coisas diferentes. Nesse sentido, estou a seguir um caminho um bocado diferente do deste disco, mas acho que não choca muito. As coisas têm que mudar e Penelope foi uma espécie de apresentação daquilo que posso fazer. Apesar de todas as músicas terem a ver umas com as outras, acabam por ser muito diferentes em termos de sonoridades. Eu quis fazer isso para também poder ter liberdade no futuro de poder optar por um desses caminhos, sem ficar presa a algum tipo de registo. No fundo, acaba tudo por soar a Sequin. (risos)»

E assim terminou mais uma entrevista, com a simpática Ana Miró cujo trabalho merece ser ouvido e devidamente apreciado.

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[Música do Dia] Naive de Sequin com Letra https://branmorrighan.com/2014/06/musica-do-dia-naive-de-sequin-com-letra.html https://branmorrighan.com/2014/06/musica-do-dia-naive-de-sequin-com-letra.html#respond Fri, 20 Jun 2014 10:30:00 +0000

Ana Miró, mais conhecida como Sequin ou como a voz feminina de Jibóia, lançou o seu primeiro álbum a solo, Penelope, em Abril deste ano. Tendo feito logo furor com a música Beijing há mais de um ano atrás, torna-se agora uma confirmação de um talento único dentro da música electrónica maioritariamente habitada por homens. Estive à conversa com a Ana no início desta semana e espero conseguir transcrever a entrevista o mais rapidamente possível. Entretanto deixo-vos com o seu último single e as sugestões de não só comprarem o seu disco como ainda de a irem ver ao vivo mal possam. 

It’s kind of strange, this move 

But I feel like getting in the groove 


I never thought that at this time 

I could live this high 


Is just a bunch of naive questions 

Is just a way to get into action 

Is just a bunch of strange desires 

I just need to get inspired 


‘Cause I am what I am 

And I give what I can 


I’ve never I felt like this before 

But I have a light, it’s shining along 


Now you see me, you miss my ways 

I can’t believe, now I’ve got no shame 


I am yours 

I give you all

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Sequin, novo projecto de Ana Miró, com disco “Penelope” https://branmorrighan.com/2014/06/sequin-novo-projecto-de-ana-miro-com.html https://branmorrighan.com/2014/06/sequin-novo-projecto-de-ana-miro-com.html#respond Mon, 16 Jun 2014 09:27:00 +0000 http://sequinsequin.bandcamp.com/

Penelope é um disco cosmopolita, no qual as barreiras tecnológicas se quebram para dar lugar ao movimento humano, à multiculturalidade, ao passo apressado do dia-a-dia e, sobretudo, ao abanar cinético para espantar demónios. Aliás, “Naive”, o tema de avanço, retrata isso mesmo.

A voz de Ana Miró — habitual cúmplice de JIBÓIA —, na sua primeira aventura a solo, é o grande destaque para um trabalho fresco, que agarra nas duas mãos as entranhas da pop e da electro.  Ao todo, falamos de dez malhas que nos levam por caminhos de mistério, de sensualidade e, porque não?, de exotismo. Francamente influenciado pela electropop de uns Ladytron ou The Knife, Penelope é o resultado sólido que as experiências ao vivo trouxeram a Miró e ao seu talento natural enquanto compositora. 

Gravado nos Discotexas Studios e produzido por Moullinex, Penelope foi editado a 21 de Abril, com o selo da Lovers & Lollypops. De recordar que Sequin esteve encarregue de fazer a abertura para o concerto das norte-americanas Warpaint, na Aula Magna, em Março.

Brevemente entrevista com Ana Miró na pele de Sequin. 

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