Sofia Vaz Ribeiro – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Wed, 23 Dec 2020 21:06:49 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Sofia Vaz Ribeiro – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Druidismo] Os Autores Clássicos e os Druidas II https://branmorrighan.com/2013/01/druidismo-os-autores-classicos-e-os_18.html https://branmorrighan.com/2013/01/druidismo-os-autores-classicos-e-os_18.html#respond Fri, 18 Jan 2013 18:47:00 +0000

Plínio, o Velho (23 EC – 79 EC)

Em Naturalis Historia, manuscrito elaborado em 77 EC, Plínio aborda as ervas sagradas utilizadas pelos druidas e descreve o ritual de colheita das mesmas, temática abordada ao longo deste almanaque.


Marco Túlio Cícero
(106 AEC – 43 AEC)

Em De Divinatione, Cícero fala de um homem com quem travou conhecimento pessoalmente, possivelmente um druida, e cujas particularidades seriam as seguintes:

«Este homem professava não apenas um conhecimento profundo do sistema da natureza, ao qual os gregos chamam fisiologia, mas também predizia eventos futuros, parcialmente através do augúrio e parcialmente através da conjectura.»


Pompónio Mela
(séc. I EC)

Em De Chorographia, Pompónio Mela relata-nos:

«Eles [os Gauleses] têm uma eloquência muito própria e os druidas como mestres da sabedoria. Estes afirmam conhecer a magnitude e forma da terra e do mundo, o movimento do céu e das estrelas, e a vontade dos deuses. Eles ensinam de forma privada aos mais nobres, e por muito tempo, às vezes por vinte anos, numa gruta, ou em florestas inacessíveis. (…) Juntamente com os mortos, eles queimam e enterram objectos que lhes pertenceram enquanto vivos (…)»


Públio Cornélio Tácito
(56 EC – 117 EC)

Este historiador romano fala-nos especificamente dos druidas na Grã-Bretanha e legou-nos um relato simultaneamente surpreendente e comovedor, aquando da invasão da Ilha de Mona:

«Ali na costa estava um exército, repleto de homens e armas, e as mulheres corriam para trás e para a frente à maneira das Fúrias, com vestes fúnebres, de cabelo desgrenhado e carregando tochas diante deles. Também os Druidas, que lançavam terríveis preces em seu redor, com as mãos erguidas para o céu, atingiam os soldados com assombro provocado por esta estranha visão; de modo que, como se os seus membros estivessem colados ao corpo, eles ofereciam os seus corpos imóveis aos ferimentos. Depois, pelas exortações dos seus líderes e pelo seu próprio encorajamento mútuo, para não terem medo de guerreiros efeminados e fanáticos, eles envergavam os estandartes, derrubavam os seus oponentes e envolviam-nos nas suas próprias fogueiras (…) Então, era colocada uma tropa de guarda sobre os vencidos e os seus bosques eram derrubados, os quais tinham sido consagrados às suas cruéis superstições; pois eles consideravam legítimo oferecer o sangue dos prisioneiros nos seus altares e consultar os deuses através das entranhas dos homens.»

* [Retirado de A Guerra das Gálias, Júlio César (tradução de Angelina Pires realizada a partir de uma edição em latim do séc. XVI), Edições Sílabo, Lisboa, 2004]
por Sofia Vaz Ribeiro (http://obod.com.pt)

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[Druidismo] Os Autores Clássicos e os Druidas I – Júlio César https://branmorrighan.com/2013/01/druidismo-os-autores-classicos-e-os.html https://branmorrighan.com/2013/01/druidismo-os-autores-classicos-e-os.html#respond Wed, 09 Jan 2013 17:35:00 +0000

Muitos foram os autores clássicos que mencionaram as práticas sagradas dos druidas nas suas obras. Apesar de ser necessário abordarmos estes legados como oriundos de povos distintos, muitas vezes inimigos, e que muito poderiam ter a acrescentar ou alterar à verdadeira prática, é um facto que estes registos são a base do corpo da doutrina druídica que subsiste actualmente. Os relatos que aqui apresentamos são apenas uma recolha parcial, uma vez que existem outros autores clássicos com observações pertinentes acerca do druidismo.

Júlio César (séc. I AEC)

César fala-nos dos druidas na sua obra De Bello Gallico (A Guerra das Gálias). É inquestionável o interesse desta obra do ponto de vista estratégico e militar, mas a credibilidade das passagens é amplamente discutida. Há a hipótese de algumas particularidades atribuídas aos druidas e à sua doutrina poderem ser uma invenção de Júlio César. É, no entanto, o mais amplo relato que chegou até nós sobre estes sacerdotes.

«Os primeiros [os druidas] ocupam-se das coisas divinas, presidem aos sacrifícios públicos e privados, tratam das práticas religiosas. Um grande número de jovens vem receber instrução junto deles, que são objecto de grande veneração. (…) A sua doutrina nasceu, pensa-se, na Britânia e foi daí trazida para a Gália. Hoje ainda, aqueles que querem ter um conhecimento mais profundo da doutrina vão geralmente instruir-se para lá. (…) Os druidas não costumam ir para a guerra nem pagar impostos como o resto dos Gauleses. São dispensados do serviço militar e ficam isentos de toda a espécie de encargos. Atraídos por tão grandes vantagens, muitos vêm espontaneamente seguir o seu ensinamento, mas muitos são-lhes mandados pelos pais ou parentes próximos. Aí decoram, ao que se diz, um grande número de versos. Por isso alguns permanecem durante vinte anos na escola. Eles consideram que a religião proíbe que esses ensinamentos sejam passados à escrita, enquanto que para o resto em geral, para as contas públicas e privadas, servem-se do alfabeto grego. Parece-me terem estabelecido essa prática por duas razões: porque não querem nem divulgar a sua doutrina, nem ver os seus alunos, confiando na escrita, negligenciar a memória. (…) O que tentam essencialmente incutir é que as almas não morrem mas passam, após a morte, de um corpo para outro. Esta crença parece-lhes particularmente propícia para estimular a coragem, ao suprimir o temor da morte. Também discutem muitíssimo sobre os astros e o seu movimento, sobre o tamanho do mundo e da terra, sobre a natureza das coisas, sobre a potência e o poder dos deuses imortais, e transmitem essas especulações à juventude. (…)

Servem-se do ofício dos druidas para esses sacrifícios [humanos]. De facto, pensam que o poder dos deuses imortais só pode ser apaziguado pagando a vida dum homem com a vida de outro homem. (…)

Todos os Gauleses pretendem descender de Dis Pater. É uma tradição que lhes foi transmitida pelos druidas. É por essa razão que medem o tempo pelo número de noites e não pelo de dias. (…)»*

É de vincar que, de um ponto de vista académico, não há qualquer prova de que os druidas tenham praticado sacrifícios humanos. Esta poderá ter sido mais uma contribuição astuta do militar Júlio César como forma de justificar a invasão da Gália e obter o apoio do povo romano.

* [Retirado de A Guerra das Gálias, Júlio César (tradução de Angelina Pires realizada a partir de uma edição em latim do séc. XVI), Edições Sílabo, Lisboa, 2004]
por Sofia Vaz Ribeiro (http://obod.com.pt)

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Opinião: ‘Mandrágora – O Almanaque Pagão 2009’ de Gilberto de Lascariz (Coordenador) https://branmorrighan.com/2012/01/opiniao-mandragora-o-almanaque-pagao.html https://branmorrighan.com/2012/01/opiniao-mandragora-o-almanaque-pagao.html#comments Sun, 15 Jan 2012 12:05:00 +0000

Mandrágora – O Almanaque Pagão 2009 

Usos e Costumes Mágicos da Lusitânia

Vários

Coordenador: Gilberto Lascariz

Sinopse: Um Calendário para a Vivência da Alma durante o Ano.

Desde os calendários megalíticos aos almanaques sumérios, gregos e egípcios, que o Tempo era o mediador das fainas terrestres da vida agrária e pastoril e das fainas mágico-religiosas da vida da alma. A função deste almanaque é de restaurar através do rito e de uma nova consciência essa época arcaica em que homens, plantas, animais e deuses conviviam em harmonia.

Este é um calendário para viver o ano de uma forma artística, poética e mágica.

Trata-se de viver o ano não só com o corpo mas também com a alma. Por isso, era necessária uma nova linguagem e uma nova filosofia de almanaque. Aqui descobrirá não apenas como celebrar as festividades sazonais do ano pagão, mas também roteiros mágicos para a sua vivência mística, um calendário detalhado dos dias festivos pagãos ao longo dos 12 meses, bem como muitos outros assuntos e saberes tradicionais.

Opinião: Há semelhança do Mandrágora 2011 este Almanaque serve como guia para vivermos um ano em harmonia com os ciclos da natureza. Embora tenha sido concebido para os ciclos de 2009 em termos de datas, constelações e luas, tem muitos textos que podem ser lidos independentemente do ano em que se está. São livros que embora faça sentido ler no ano em questão, não se perde nada em adquiri-los mais tarde, caso não o tenhamos feito nesse ano.

O tema de 2009 foi ‘Usos e Costumes Mágicos da Lusitância’ e este volume presenteia-nos com uma série de textos sobre lugares ‘mágicos’ ainda existentes em Portugal, para além de como os festivais ainda são realizados em algumas zonas do país. Temos também quatro textos sobre quatro ervas mágicas como a Mandrágora e a Beladona e ainda nos é dado a conhecer quatro deidades lusitanas e os vestígios que ainda existem das mesmas em alguns locais/monumentos.

Está um volume muito bom e completo e não posso deixar de o recomendar a todos os interessados no assunto. Não pensem que por ser de 2009 está desactualizado e não tem utilidade. Contém bastante informação e factos sobre a presença dos costumes mágicos em Portugal. Muito bom.

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Opinião: “Mandrágora – O Alamaque Pagão 2011: No Bosque Sagrado dos Druidas” https://branmorrighan.com/2011/01/opiniao-mandragora-o-alamaque-pagao.html https://branmorrighan.com/2011/01/opiniao-mandragora-o-alamaque-pagao.html#comments Wed, 26 Jan 2011 11:59:00 +0000

MANDRÁGORA – O ALMANAQUE PAGÃO – 2011

No Bosque Sagrado dos Druidas

O Druidismo celebra a passagem da Roda do Ano através das suas oito festividades que se manifestam não só na Natureza mas também no nosso interior.

Viajando ao longo do Calendário Celta das Árvores, este é um Almanaque da Alma para que viva em pleno os ciclos mágicos da Terra de acordo com a antiga tradição dos Druidas.

Um Almanaque para a Vivência da Alma ao Longo do Ano

Inclui:

• Calendário de Festividades e Mistérios Pagãos para 2011

• Ervas e Árvores Druídicas

• A Roda do Ano Celta

• Artesanato Mágico

• Meditações sobre o Awen

• Paisagens Sagradas

• Deuses Celtas

• Contos Bárdicos

• …entre outros 

Coordenador: Alexandre Gabriel

Direcção Editorial: Gilberto de Lascariz, Melusine de Mattos & Sofia Vaz Ribeiro

Colaboradores: Carlos Cunha, Fátima Branquinho, Francisco Canelas de Melo, João Rui Pais, Philip Carr-Gomm & Valquíria Valhalladur

Opinião: A colecção Mandrágora da Zéfiro Editora tem como objectivo ser uma ‘edição depositária de um conhecimento intemporal, válido para consulta e uso habitual na sua prática mágica.’ Nesta edição de 2011, aborda várias práticas e conhecimento druídico.

Organizado por meses ‘celtas’, cada um contém informação sobre o festival que decorre nesse mês (se houver algum), lendas celtas, como construir artefactos celtas, informações sobre os deuses ‘mais importantes’ celtas entre outros.

É um guia bastante útil e ao mesmo tempo um livro que pode ser considerado como introdutório ao druidismo. Contém todos os conceitos fundamentais para se perceber a filosofia druídica como também fornece várias ferramentas e conhecimentos para nos integrar neste mundo.

Apesar da forma como está dividido, pode ser lido num todo numa primeira vez, mas depois aconselho a que a cada mês se volte a reler o correspondente a esse mês. Assim, podemos viajar no espírito de cada festival, conhecendo os deuses, as paisagens, as lendas e muito mais de forma mais consciente.

Para além de membros da editora como o Alexandre Gabriel e a Sofia Vaz Ribeiro, Mandrágora 2011 conta com a participação do chefe da OBOD – Philip Carr-Gomm. Sem dúvida uma equipa fantástica que conseguiu reunir muito do essencial da cultura celta e colocar num pequeno livro à disposição de qualquer pessoa. Mesmo para aqueles que não são druidas ou pagãos, não deixa de ser uma leitura construtiva em que se aprende uma cultura nova e quem sabe, aprende-se a respeitar as opções de cada um.

Awen,

Morrighan (Sofia Teixeira)

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