The Legendary Tigerman – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Sun, 10 Jan 2021 00:00:05 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png The Legendary Tigerman – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Queres é (a) Letra!] The Legendary Tigerman – Holy Muse https://branmorrighan.com/2018/05/queres-e-letra-legendary-tigerman-holy.html https://branmorrighan.com/2018/05/queres-e-letra-legendary-tigerman-holy.html#respond Tue, 08 May 2018 18:35:00 +0000
Holy Muse

A viagem por Misfit continua com Holy Muse, um tema que nos leva directamente ao deserto, às encruzilhadas, ao desafio sobre as nossas obsessões e também sobre aquilo que nos espera com as nossas opções. É ouvir e apreciar.

YEAH,

THIS MORNING, I FELT I LOST MY MOJO

BUT I DIDN´T

ITS´S JUST LIFE THAT´S HARSH & CRUEL

YOU FAILED ME, AND I FAILED MYSELF

BUT I JUST NEED TO MOVE ON

LIKE EVERYONE ELSE

THIS MORNING, I FELT I LOST MY MOJO

CAUSE MY MUSES ARE MOSTLY WHORES

OR UNTOUCHABLE FALSE GODESSES

OR YOU, THE HOLY MUSE OF ALL, GONE

BUT A POET SHOULD HAVE THE RIGHT TO CHOOSE

FROM A DECENT STACK OF MUSES, IN CASE OF NEED

SHE SAID:

SATAN MIGHT LOVE YOU MORE THAN JESUS DOES

YEAH, I FELT I LOST MY MOJO

BUT I DIDN´T

´CAUSE I´M FEELING MORE ALIVE THAN EVER

SHE SAID BROTHER,

YOU BETTER WATCH YOUR STEP…

´CAUSE

SATAN MIGHT LOVE YOU MORE THAN JESUS DOES

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[Queres é (a) Letra!] The Legendary Tigerman – Black Hole https://branmorrighan.com/2018/04/queres-e-letra-legendary-tigerman-black.html https://branmorrighan.com/2018/04/queres-e-letra-legendary-tigerman-black.html#respond Sat, 28 Apr 2018 16:40:00 +0000

A primeira vez que ouvi canções do MISFIT ao vivo foi no concerto memorável “Rumble in the Jungle” que The Legendary Tigerman e Linda Martini proporcionaram. Com participações em temas uns dos outros, Black Hole foi das músicas mais arrebatadoras da noite. Nunca a tinha ouvido e a energia que às tantas se fez sentir não deixou margem para dúvidas, pelo menos para mim, que estávamos perante uma das melhores músicas do disco. A versão em estúdio é muito boa, mas ao vivo ganha uma alma que só Paulo Furtado consegue transmitir. Fiquem então com Black Hole e a sua letra!



I FOUND A BREACH IN MY HEART

AND NOW MY LIFE WILL NEVER BE THE SAME AGAIN

DREAMING INSIDE DREAMS

I FOUND A BLACK HOLE


SPINNING DOWN A VORTEX

OUTER SPACING THROUGH MY MIND

DEEP INSIDE A NIGHTMARE

I FOUND A BLACK HOLE


FROM MY HEART TO MY BLOOD

THROUGH MY BLOOD TO MY BRAIN

DEEP INSIDE MY MIND

I FOUND A BLACK HOLE


YOU GOTTA HOLD ME

YOU GOTTA HOLD ME

YOU GOTTA HOLD ME THROUGH THIS DARKNESS


LIFE´S FADING

ZERO GRAVITY

BLACK AND WHITE WHIRLPOOL

INTO A BLACK HOLE


NO MORE DREAMS

NO MORE LOVE

NO MORE PAIN

JUST A BLACK HOLE


FROM MY HEART TO MY BLOOD

THROUGH MY BLOOD TO MY BRAIN

DEEP INSIDE MY MIND

I FOUND A BLACK HOLE


YOU GOTTA HOLD ME

YOU GOTTA HOLD ME

YOU GOTTA HOLD ME THROUGH THIS DARKNESS

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[Queres é (a) Letra!] The Legendary Tigerman – Sleeping Alone https://branmorrighan.com/2018/04/queres-e-letra-legendary-tigerman.html https://branmorrighan.com/2018/04/queres-e-letra-legendary-tigerman.html#respond Thu, 19 Apr 2018 10:47:00 +0000

Uma das coisas que mais gosto em MISFIT e, em geral, nos trabalhos de The Legendary Tigerman é o teor pessoal e provocativo que dão uma personalidade muito própria às suas canções. Sleeping Alone parece-me ser um exemplo perfeito disso. E quem é que nunca se sentiu como na canção? 🙂


MONDAY MORNING & I GUESS I´M FINE

ROOM´S QUIET, THERE´S NO ONE AROUND

PURPLE ISLANDS ON MY MIND

I TOOK TOO MUCH POISON TOO MANY TIMES

I´M NOT FEELING SANE BUT MY BODY IS FIT

JESSICA AND MARY COULD BE GOOD TO EAT

SPIT FETISH AND POKER TV

ASIAN NIGHTS DOWN IN JOSHUA TREE

I NEED TO STOP AND FEEL THE FLOW

FLY TO DREAMLAND, HEAL MY SOUL


THESE DAYS I´M GLAD I´M SLEEPING ALONE

´CAUSE MY BED´S BEEN BUSY, BUT MY HEART´S BEEN COLD

MY HEART´S BEEN COLD


TUESDAY TO FRIDAY GUESS I DID OK

DREAMIN´ABOUT MY LIFE IN THE EARLY DAYS

TEDDY BOY HAIR AND LEOPARD SHIRTS

SMOKIN´JOINTS AND FIGHTING JERKS

BUT THOSE EARLY DAYS WERE NOT THAT FINE

I TOOK LOADS OF POISON ´TILL 99

I NEED TO STOP AND FILL THE FLOW

FLY TO DREAMLAND, HEAL MY SOUL


THESE DAYS I´M GLAD I´M SLEEPING ALONE

´CAUSE MY BED´S BEEN BUSY, BUT MY HEART´S BEEN COLD

MY HEART´S BEEN COLD

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[Queres é (a) Letra!] The Legendary Tigerman – Red Sun https://branmorrighan.com/2018/03/queres-e-letra-legendary-tigerman-red.html https://branmorrighan.com/2018/03/queres-e-letra-legendary-tigerman-red.html#respond Sat, 10 Mar 2018 17:42:00 +0000

Enquanto lá fora chove e faz frio, por aqui o coração e o sangue aquecem ao som de The Legendary Tigerman. Enquanto a banda continua em tour, aqui fica mais um tema de MISFIT! Relembro que recentemente entrevistei o Paulo Furtado e que podem ler essa entrevista aqui


BLACK HEAT

WHITE SALT

RED SUN

WHITE

BLACK

RED

FIRE


BLACK HEAT

WHITE SAND

RED LIGHTS

SALT

WHITE

RED

FIRE


RED SAND

WHITE HEAT

BLACK FLESH

WHITE

BLACK

RED

FIRE


RED SUN

BLACK SUN

FREASH MEAT

BLACK

FLESH

RED

BLACK

WHITE

FLESH

RED

RED

FLESH



FIRE

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[Queres é (a) Letra!] The Legendary Tigerman – The Saddest Girl on Earth https://branmorrighan.com/2018/02/queres-e-letra-legendary-tigerman_26.html https://branmorrighan.com/2018/02/queres-e-letra-legendary-tigerman_26.html#respond Mon, 26 Feb 2018 14:23:00 +0000

“The Saddest Girl On Earth” é o terceiro tema de MISFIT que nos próximos tempos será apresentado por várias salas do país. Esta é também uma canção que nos leva para um imaginário longínquo, sem sabe pelo deserto onde The Legendary Tigerman andou a gravar o disco, em que somos confrontados com uma criança que podia ser a criança interior de qualquer um de nós. Com ritmos mais calmos e um assobio que nos sobe pela espinha, existem também explosões de um som que exige a libertação, quem sabe finalmente o choro merecido.


WHEN SHE WAS BORN

SHE OPENED HER EYES

SHE WAS THE SADDEST GIRL ON EARTH

SHE´S BEEN THROUGH MUCH

WAY TOO MUCH

SHE IS THE SADDEST GIRL ON EARTH


WHEN SHE WAS FIVE, SHE KNEW HOW TO FIGHT

BUT STILL HADN´T LEARN HOW TO CRY

SHE LIVED HER LIFE

WAITING FOR A SIGN

BUT SHE NEVER LEARNED HOW TO CRY


SHE´S SIX FEET DOWN

DOWN IN THE COLD GROUND

WAITING FOR AN ANSWER TO COME

WAITING FOR AN ANSWER TO COME


SHE IS THE SADDEST GIRL ON EARTH

SHE IS THE SADDEST GIRL ON EARTH

SHE IS THE SADDEST GIRL ON EARTH

SHE IS THE SADDEST GIRL ON EARTH

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[Reportagem MDX] The Legendary Tigerman no Lux, o desajustado e a lição de rock’n’roll https://branmorrighan.com/2018/02/reportagem-mdx-legendary-tigerman-no.html https://branmorrighan.com/2018/02/reportagem-mdx-legendary-tigerman-no.html#respond Mon, 26 Feb 2018 08:49:00 +0000 Reportagem originalmente publicada no Música em DXhttps://www.musicaemdx.pt/2018/02/25/legendary-tigerman-no-lux-o-desajustado-e-licao-de-rocknroll/

Na noite de Quinta-feira passada, dia 22 de Fevereiro, o Lux Frágil voltou a ser palco para um dos projectos de maior referência do rock português, The Legendary Tigerman. Em Janeiro saiu o seu último disco, MISFIT, em que pela primeira vez, em estúdio, assumiu o formato banda, juntando-se a Paulo Furtado os músicos João Cabrita e Paulo Segadães. Foi no contexto da apresentação deste disco que o Lux esgotou para uma noite que se viria a mostrar memorável, tanto pela performance da banda como por pequenos momentos mais inusitados que tiveram o lado positivo de mostrar a fibra da qual The Legendary Tigerman é feito. Foi também uma noite que nos mostrou que o rock está longe de estar morto, principalmente enquanto houver um “MISFIT” como Paulo Furtado que dá o peito às balas em palco não deixando margem para dúvidas em relação ao seu talento e entrega, mesmo quando sente que as coisas estão “estranhas”. Mas já lá vamos.

A abrir a noite esteve Sean Riley (sem os seus Slowriders), apresentando algumas das canções que farão parte do seu disco de estreia a solo, a ser editado em Abril, Califórnia. Se há algo que caracteriza bem Afonso Rodrigues é o timbre único da sua voz a e a forma natural com que hipnotiza quem o ouve. Munido apenas de uma guitarra acústica (e de uma eléctrica num tema que compôs naquela semana e que disse ainda não a saber cantar muito bem – na nossa opinião esteve impecável) e da sua voz, Sean Riley levou-nos por paisagens sentidas, provocando a nossa imaginação no que toca aos cenários vividos e sentidos enquanto compunha as músicas. É que boa parte do disco foi sendo composto e gravado em quartos de motéis enquanto viajava, precisamente, com Paulo Furtado. Penso ser unânime que todos ficaram curiosos com o disco que está para vir.

A contrastar com o ritmo calmo e simples de Sean Riley, subiram então ao palco Paulo Furtado, João Cabrita, Paulo Segadães e Filipe Rocha para deixarem bem claro que o rock é um género indomável que ainda habita bem a alma daqueles que o incorporam. Começaram com a poderosa “Black Hole”, seguida de “The Saddest Girl on Earth”, e as descargas de energia não se tardaram a fazer sentir. Sou suspeita, MISFITé, provavelmente, o meu disco preferido deThe Legendary Tigerman, muito devido a uma maior ligação não só com a sonoridade como também com a parte lírica. Existe uma sensação de intimidade e de proximidade com o disco, como se este nos fosse despindo ao longo do mesmo. Ao vivo, todas estas dimensões ganham uma vida física que nos arrebata, muito devido não só à atitude explosiva do próprio Paulo Furtado como à dinâmica que este tem com os músicos que o acompanham. Se emTrue, disco de 2014, João Cabrita e Paulo Segadães já se tinham iniciado no universo de concertos de Tigerman (em que para mim fica a noite memorável em Paredes de Coura, na qual Filipe Costa também participou nos teclados), agora emMISFIT com Filipe Rocha no baixo existe um poder sonoro ainda maior. Com as canções sempre acompanhadas por projecções visuais, a dificuldade por vezes sentida era apenas em qual das vertentes do concerto mergulhar: se fechar os olhos e dançar, se ficar vidrado pelo electrizante Paulo Furtado ou se ficar fascinado pela conjugação palco/projecção.

20180222 - The Legendary Tigerman apresenta MISFIT @ Lux Frágil

O rock’n’roll sempre foi uma arma poderosa para as manifestações de desenquadramento na sociedade. O próprio título do disco não é inocente, Paulo Furtado assume que sempre se sentiu desajustado, o que sempre potenciou ainda mais o seu poder à guitarra/bateria/microfone (como tantas vezes o vimos em formato one-man-band). Quinta-feira, esse desajuste voltou a rugir com a inconformidade. A certa altura, Tigerman diz para o público que não percebe bem o que se está passar, mas que o concerto está a ser “estranho”. Mais tarde volta a intervir dizendo que “de 0 a 10, para mim, está a ser um 3”, pedindo desculpa por isso mesmo. Do que talvez o músico português não tenha noção dessa noite, é que mesmo com todos esses sentimentos da sua parte mostrou que existem poucos como ele. Foi sempre capaz de continuar a dar tudo o que podia. A certa altura compreendi um pouco o porquê de ele sentir aquela estranheza. Não me levem a mal, mas a reacção do público durante o concerto, ou pelo menos do público mais próximo do palco, esteve longe do que já presenciei em outros concertos. Mesmo no “tema bomba” que é sempre “21st century rock’n’roll” a adesão do público, que noutros concertos foi frenética e febril, ali no Lux Frágil foi morna.

20180222 - The Legendary Tigerman apresenta MISFIT @ Lux Frágil

Tendo presenciado a pré-apresentação do disco no Coliseu, em Dezembro, para mim não restam dúvidas que The Legendary Tigerman tem evoluído e passado por algumas metamorfoses que só podem deixar uma pegada lendária nas paredes do rock português. A noite de Quinta-feira terminou com um pequeno encore, em que ouvimos mais um valente “que se foda” em relação ao que corria menos bem, terminando com o já clássico “Sleeping Alone”. Um concerto de The Legendary Tigerman será sempre um concerto digno de se viver sem merdas, merecedor de toda a irreverência e paixão com que se possa corresponder.

Texto – Sofia Teixeira | Blog BranMorrighan

Fotografia – Luis Sousa

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[Queres é (a) Letra!] The Legendary Tigerman – Fix of Rock’n’roll https://branmorrighan.com/2018/02/queres-e-letra-legendary-tigerman-fix.html https://branmorrighan.com/2018/02/queres-e-letra-legendary-tigerman-fix.html#respond Wed, 21 Feb 2018 11:40:00 +0000

Fix of Rock’n’roll foi o primeiro single de MISFIT, numa altura em que se tem falado da morte do rock. Em entrevista Paulo Furtado afirma “Em todas as décadas se fala da morte do Rock´n´Roll, mas acho que ainda não é desta. Acho que isso nunca irá acontecer, há-de sempre haver um puto a pegar numa guitarra eléctrica e a sentir esse energia, que é muito diferente de tudo o resto.” Música e vídeo vêm provar isso mesmo, que não falta vontade nem ousadia de manter o rock’n’roll bem vivo. Amanhã temos a apresentação de MISFIT no Lux Frágil! 



UH UH UH

UH UH UH


I SAY I WANNA RUN OVER WATER

YOU SAY YOU WANNA WALK THROUGH THE FIRE

DON´T WANNA WAKE UP FOR THE SAME OLD SAME OLD

I WANNA FEEL LIKE I´M RIDING A WILD HORSE

YOU WANNA GO OUT DANCING AND SCREAMING

I WANNA PARTY WITH BROTHERS AND SISTERS

YOU NEED A FIX OF LUST & DESIRE

I WANNA LOVE YOU AND LEARN YOU AND SMELL YOU

YOU WANNA BE ON THE EDGE OF MAYHEM

I WANT YOU TO BE ON THE TOP OF MY WORLD


UH UH UH

UH UH UH

WE NEED A FIX OF ROCK´N´ROLL


YOU SAID YOU HAD A HANDFUL OF NOTHING

I SAY YOU HAVE A HANDFUL OF DIRT

I SAY I WANNA CRASH IN A JAGUAR

YOU SAY YOU WANT SOME LOVE IN THE BACKSEAT

I WANNA GO OUT DANCING AND SCREAMING

YOU WANNA PARTY WITH SISTERS AND BROTHERS

YOU NEED A FIX OF LOVE AND DESIRE

I WANNA LOVE YOU AND TEACH YOU AND SMELLL YOU

YOU WANNA KISS ME AND LICK ME AND FUCK ME

YOU WANNA KISS ME AND LICK ME AND FUCK ME

YOU WANNA KISS ME AND LICK ME AND FUCK ME

YOU WANNA KISS ME AND LICK ME AND FUCK ME


UH UH UH

UH UH UH

WE NEED A FIX OF ROCK´N´ROLL

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Entrevista a The Legendary Tigerman: o Início de uma Nova Etapa com MISFIT https://branmorrighan.com/2018/02/entrevista-the-legendary-tigerman-o.html https://branmorrighan.com/2018/02/entrevista-the-legendary-tigerman-o.html#respond Tue, 20 Feb 2018 14:23:00 +0000 Entrevista originalmente publicada no Música em DX: https://www.musicaemdx.pt/2018/02/20/entrevista-legendary-tigerman/

É já nesta Quinta-feira, dia 22 de Fevereiro, que The Legendary Tigerman começa a tour portuguesa de “MISFIT”, disco lançado mundialmente em Janeiro pela Sony Music. Com uma carreira a solo que leva quase duas décadas, falámos um pouco com Paulo Furtado sobre este seu mais recente trabalho que acaba por marcar uma nova fase da carreira do Lendário Homem-Tigre.

Misfit é um disco diferente do anterior por várias razões. Do conhecimento público vem o facto de pela primeira vez não teres trabalhado completamente sozinho nele, o que só de si acaba por abarcar novas experiências. Sentes que Misfit marca uma nova etapa de The Legendary Tigerman?

Sim, claramente. É muito relevante para o som do disco e para o projecto o facto de neste momento isto ser mais uma banda do que um one-man-band, e desde o início que pensei em compor para esta formação, e ter isso em conta na escolha das músicas. O facto de MISFIT ser parte de um projecto maior, que também é cinema e fotografia, também o distingue de tudo o que está para trás.

Pela primeira vez em quase vinte anos, The Legendary Tigerman entra então em estúdio para gravar acompanhado (com Paulo Sagadães e João Cabrita). O que é que te motivou a levá-los para estúdio? Desde True que tocam juntos. Essa experiência foi preponderante?

Bem, esta transformação não foi exactamente pensada, foi acontecendo. Primeiro entrou o Sega, e durante algum tempo tocámos com as duas baterias em palco e havia uma mistura do one-man-band com a bateria, e passado uns tempos o Sega estava a tocar o concerto todo, e de repente aquilo fazia sentido. O Cabrita também começou assim, como convidado em algumas canções em concertos especiais, porque ele tinha escrito arranjos para o True, e de repente havia uma linguagem musical nova e fresca, que tinha sido criada ao vivo, e para mim fazia sentido tentar compor para este formato. Foi isso que veio a acontecer no MISFIT.

Misfit, o desajustado. Não é segredo para ninguém, dado que já o disseste publicamente, que este foi um sentimento que te acompanhou ao longo do teu crescimento e até mesmo enquanto adulto. Sentes-te mais perto de ti mesmo neste disco do que nos cinco anteriores?

Sim, sempre senti isso, na realidade, desde muito novo, e de repente também me pacifiquei com esse sentimento, porque é fixe e bom ser desajustado num mundo que nem sempre é o mais correcto e interessante. É bom fazer coisas que nem toda a gente goste, não preciso que muita gente goste de mim, alguns até prefiro que não gostem!

Claro que há um preço a pagar por isso, mas na realidade, não creio que conseguisse fazer as coisas de outra maneira. Mas sempre fui muito honesto em todos os discos que fiz, sinto-me muito próximo de todos, eram exactamente os disco que queria fazer em cada um dos momentos.

Numa altura em que se discute “a morte do rock’n’roll” para outros géneros musicais, tens uma faixa que se chama “Fix of Rock’n’Roll”. É alguma espécie de statement em relação ao assunto ou mera coincidência?

Não é coincidência, claro. Como não é coincidência que o disco seja de alguma forma mais pesado que os anteriores, tive vontade de fazer um disco de rock´n´roll neste momento, e com esta formação. Em todas as décadas se fala da morte do Rock´n´Roll, mas acho que ainda não é desta. Acho que isso nunca irá acontecer, há-de sempre haver um puto a pegar numa guitarra eléctrica e a sentir esse energia, que é muito diferente de tudo o resto.

Para a escrita das letras em que é que vais buscar referências? À tua vida, às tuas experiências ou também tens, por exemplo, alguns autores literários nos quais também te inspiras?

Neste disco quis ser mais influenciado pela estrada e pelo universo que criei para o Fade into Nothing, o filme que criei com o Pedro Maia e a Rita Lino, e que no fundo foi o início de todos este processo. Tentei escrever muito pelo olhar do personagem principal do filme, a quem dou corpo, chamado MISFIT, mas claro que a experiência pessoal e a vivência acabam por estar sempre presentes na escrita das canções. E, no fundo, toda a arte com que contacto me influencia, seja um quadro, um filme, um livro. Acho que há sempre qualquer coisa que te vai abrindo portas e janelas na pessoa que és, e isso acaba por influenciar a tua arte, também.

Como disseste, Misfit foi também um trabalho que, por consequência, acabou por destacar outras paixões tuas: o cinema e a fotografia. Ao mesmo tempo que surgia “Fade Into Nothing”, nascia também a composição de “Misfit”. De que forma é que estas experiências ganharam vida e como é que se reflectem verdadeiramente no disco?

Bem, já respondi a uma parte desta questão, creio, mas de facto forcei-me a escrever por outros olhos, e tentar fazê-lo de uma maneira rápida e intuitiva, e na realidade o grosso do disco foi escrito diariamente entre Los Angeles e Death Valley, durante a rodagem do filme. Há muita coisa cruzada entre o filme e o disco, muitas ideias que muitas vezes são desenvolvidas no diário, ou podem ter uma justificação nas canções. Há muitas pistas para isso no disco e no filme, para quem as queira procurar. Para mim era importante precipitar uma escrita mais rápida e intuitiva, menos reflectida.

Gravar num estúdio em pleno deserto reforça um bocadinho a ideia do Misfit, havendo este isolamento bastante literal. Existe todo este imaginário que acaba por se tornar muito gráfico enquanto ouvimos o disco. O que é que te impulsionou a ir gravar para um estúdio no deserto (para além de, obviamente, o estúdio ser excelente)?

Por um lado, queria muito gravar no Rancho, desde que ouvi as primeiras Desert Sessions, e quando visitei o estúdio a primeira vez senti uma energia muito especial, senti que aquele era um local muito inspirador. Por outro lado, queria muito estar fora da minha zona de conforto e dos instrumentos e sons que conheço bem, e também que precisávamos desse isolamento, como músicos que pela primeira vez estavam a gravar um disco. A escolha dos instrumentos para os arranjos finais ou certas sonoridades das guitarras, por exemplo, foram decisões tomadas lá, com o que estava disponível. Creio que tudo isto era efectivamente necessário para chegarmos à sonoridade de MISFIT. E tendo escrito o disco naquela zona, e sendo o deserto uma influência tão grande neste albúm, fazia todo o sentido.

Passado todo este tempo, que distância emocional, ou até fictícia, consideras haver entre o alterego The Legendary Tigerman e a pessoa Paulo Furtado? Aliás, será que existe sequer, hoje em dia, alguma diferença entre os dois?

Creio que essa diferença se foi acentuando, ao longo dos anos, na realidade. Talvez no início não houvesse tantas diferenças assim entre mim e a persona de palco, talvez estivéssemos os dois sempre ligados e a mil. Hoje em dia crescemos, ambos, mas de maneiras muito diferentes, creio. Permitiu-me a mim viver melhor e fazer mais coisas, creio, e permitiu-me também crescer muito em palco e disco, como Tigerman.

Sentes que com o tempo fica menos difícil expressares-te e dares forma às tuas emoções através da tua música?

De certo modo acho que sim, apesar de eu fazer um grande esforço para não me repetir e tentar reformular o modo como faço música, de disco para disco. Quando chega o momento de fazer um disco ou fazer um concerto, não creio que as coisas sejam verdadeiramente mais fáceis, há uma grande exigência, sempre.

Voltando um pouco atrás no tempo, como é que alguém tímido e com esse sentimento de não pertença ganha coragem de subir ao palco e fazer deste universo – em que acabas sempre por te expor – a sua vida?

Não te sei explicar exactamente como isso aconteceu. Acho que no fundo fui recebendo mais do que perdia, no sentido que foi um modo de poder continuar a desenquadrar-me, ainda que inserido na sociedade, e consegui exprimir coisas que provavelmente não conseguiria exprimir de outro modo. E a energia que sentes ao fazer um concerto de Rock´n´roll, é algo extraordinário. Quando tudo corre bem num concerto, quando consegues ligar-te ao público e que ele se ligue a ti, naquele momento perfeito de partilha e comunhão, isso é das coisas mais bonitas que pode acontecer, para mim. Não acontece sempre, mas é uma coisa que procuro sempre, e creio que estar em palco é algo de muito, muito especial, à qual me fui afeiçoando cada vez mais e ganhando cada vez mais respeito.

Tendo sido o desenho o teu primeiro talento natural, de que forma é que este se foi mantendo presente na tua vida?

Curiosamente, hoje em dia só desenho nas férias. É a única coisa que realmente me acalma e relaxa. Desenho plantas. Talvez um dia volte a desenhar e pintar outras coisas.

Sentes que o cinema e a fotografia se vão tornar uma parte mais constante da tua vida profissional no futuro?

Sinto que já são, mas muita vezes opto por deixar isso numa segunda linha, ou passa um pouco mais despercebido do grande público.

Para além do cinema e da fotografia, recentemente também produziste aquele que será o disco a solo de Sean Riley, que vai abrir os teus concertos na tour de Misfit portuguesa. Já no ano passado também tinhas assumido a produção de “Lucifer”, disco dos The Poppers. Qual é o maior contraste entre ser músico e produtor?

No fundo continuas a ser músico, enquanto produtor. A grande diferença é que tens um olhar externo em relação às canções, consegues ter um olhar mais crítico e vislumbrar caminhos de produção mais facilmente, porque não são as tuas canções, são canções de outras pessoas, são escritas passando por processos emocionais que muitas vezes influenciam o modo como são tocadas e arranjadas. Como produtor, tenho distância em relação a isso, e consigo perceber mais facilmente o que a canção ou o disco precisam. Por mais próximo que esteja, é um olhar de fora. No cinema é a mesma coisa, quem está atrás da câmara (com todas as exceções, porque não acredito em regras e há sempre mil modos de fazer as coisas) não deve estar a montar um filme, porque há uma memória e uma ideia do dia de rodagem, por exemplo. Imagina que houve uma cena super difícil de filmar, mas que no final consegues. Alguém que não saiba disso terá um olhar muito mais pragmático em relação a ela. Voltando à música, esse olhar mais distanciado também ajuda a reconhecer as mais valias de cada um também, bem como das canções, e tentar ao máximo ajudar a maximizar tudo isso. No fundo, todas as experiências que vais tendo te vão fazendo crescer como músico e produtor.

Tendo uma estética muito própria, como é que te consegues abstrair dela quando trabalhas no papel de produtor com outros artistas?

Bem, nunca me abstraio totalmente da minha estética, creio. Qualquer autor que tenha uma assinatura e visão não pode abstrair da sua estética, e acho que isso também é claro na cabeça de quem me procura. No fundo o que acontece é que coloco a minha experiência e essa estética ao serviço de outras pessoas e de outras visões. Mas antes de qualquer trabalho desse género, ou mesmo quando faço bandas sonoras de cinema ou teatro, e faço muitas e muitas vezes, e bastante diferentes do que as pessoas esperam do ponto de vista sonoro, tento explicar tudo isto ao máximo, e perceber se faz realmente sentido trabalharmos juntos. Às vezes, pura e simplesmente, não faz. E é importante perceber isso antes.

Enquanto artista tens uma relação muito especial com França. A tour de Misfit começou precisamente por lá e as pessoas adoram-te. Como é que surge esse arrebatamento com França?

Não sei, surgiu de uma maneira natural, creio, sempre houve gente que se interessou por aquilo que faço, por lá. E creio que é um país que sempre gostou de Blues e Rock´n´Roll.

Quinta-feira começa a tour por Portugal no Lux. Nos teus concertos a temperatura costuma subir muito rapidamente. O que é que te dá mais prazer durante um concerto em relação a ti em palco e à reacção do público?

Quando num pequenino momento, parece que somos um só. É um sentimento incrível.

Agenda concertos Portugal

22 de Fevereiro – Lux Frágil – Lisboa

2 de Março – Porto – Hard Club

9 de Março – Arcos de Valdevez – Sons de Vez

10 de Março – Aveiro – Teatro Aveirense

15 de Março – Évora – Teatro Municipal Garcia de Resende

16 de Março – Castelo Branco – Teatro Avenida

17 de Março – Alcobaça – Cine-Teatro de Alcobaça João D’Oliva Monteiro

23 de Março – Tondela – ACERT

24 de Março – Braga – Theatro Circo

29 de Março – Coimbra – TAGV

Fotografia – Rita Lino | The Legendary Tigerman

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[Queres é (a) Letra!] The Legendary Tigerman – Motorcycle Boy https://branmorrighan.com/2018/02/queres-e-letra-legendary-tigerman-2.html https://branmorrighan.com/2018/02/queres-e-letra-legendary-tigerman-2.html#respond Tue, 20 Feb 2018 10:55:00 +0000

É já nesta Quinta-feira que The Legendary Tigerman vai começar a sua tour por Portugal para apresentar MISFIT, o seu último disco que teve lançamento mundial em Janeiro. Hoje começamos mais um Queres é (a) Letra! com as músicas do disco para que o apanhem por aí e possam curtir a plenos pulmões cada um dos temas, como um bom concerto de rock’n’roll pede! Fica o primeiro tema – Motorcycle Boy! Brevemente será também publicada uma entrevista ao Paulo Furtado, fiquem atentos!



TEENAGE DREAMS

MOTORCYCLE KICKS

BLACK & WHITE BOREDOM

REBEL FREAKS

BURNED DOWN TOWN

TEENAGE FURY

MAN´S GONNA GET YA

MAN´S GONNA WASTE YA

DANGER! DANGER!


SHE SAID

THE MOTORCYCLE BOY REIGNS


STONE COLD COOLNESS

UNDER DARKENED SKIES

CLOCK KEEPS TICKING

IT’S TIME FOR A GANG FIGHT

SMALL TOWN BOREDOM

NO WAY TO LEAVE

FIGHT LIKE A RUMBLE FISH

IT ´S TIME TO KILL

DANGER! DANGER!


SHE SAID

THE MOTORCYCLE BOY REIGNS

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[Reportagem] The Legendary Tigerman e Linda Martini numa noite emotiva a 360 graus https://branmorrighan.com/2017/12/reportagem-legendary-tigerman-e-linda.html https://branmorrighan.com/2017/12/reportagem-legendary-tigerman-e-linda.html#respond Thu, 28 Dec 2017 23:08:00 +0000 Fotografia @nashdoeswork

Foi há exactamente uma semana que se viveu uma das noites mais bonitas do ano, no que toca à música portuguesa. Linda Martini e The Legendary Tigerman andaram em digressão – “Rumble in the Jungle” – naquele que foi o combate musical do ano, quem sabe da década. O conceito é inspirador. Dois projectos que à primeira vista poderiam não ter assim tanto em comum, pelo menos na minha opinião, conseguem assim quebrar barreiras e preconceitos. A paixão pela música sempre foi o que moveu a maior parte dos artistas. É o resultado da partilha dessa paixão com quem os ouve que faz com que existam momentos, concertos, memoráveis. A música salva vidas, a música serve de banda sonora e também consolo/confronto com os nossos ideais, pensamentos e sentimentos. O rock sempre foi um meio para um fim. Um catalisador para a catarse. E é no auge dessa catarse que músico e ouvinte se tornam um só, numa extensão do outro. Já vi vários concertos de ambas as bandas e, confesso, no seu todo este concerto não foi dos mais arrebatadores, mas teve momentos em que aquela magia especial foi operada: em que a catarse se sobrepôs a tudo e de alguma maneira a efemeridade do que nos rodeia ganhou forma e emoções intensas.

The Legendary Tigerman, um dos projectos nacionais mais notáveis muito graças à personalidade em palco de Paulo Furtado, fez as honras da casa, iniciando as três horas de concerto com “Wild Beast”, seguido de “Storm over paradise”, recordando-nos de True, o disco que lançou em 2014 e que tanto sucesso teve pela estrada. No entanto, o concerto foi, maioritariamente, para mostrar o seu mais recente trabalho – Misfit. Estava previsto sair só em 2018, mas inesperadamente e deliciosamente, o músico português disponibilizou o disco uns dias antes do concerto no Coliseu. Este é um disco especial e, para mim, um dos discos do ano. Há um toque de vertigem visceral enquanto o percorremos. O primeiro tema deste novo trabalho mostrado no Coliseu foi “The Saddest Girl On Earth”, que contou com a presença feminina de Cláudia Guerreiro. Foi um tema que contou com aquele carisma especial que referi há pouco. Quem já viu TLT ao vivo, certamente já se deslumbrou com a sua energia, com a empatia e ferocidade que partilha com João Cabrita, Paulo Segadães e agora, mais recentemente, com Filipe Rocha. Cada palco que TLT pisa já é, em si mesmo, uma espécie de ringue de provocações, garra e sorrisos à mistura. Desta vez pudemos ver isso tudo partilhado, em algumas canções, com os Linda Martini. Seguiu-se “Child of Lust”, tema de Misfit, para logo a seguir Hélio Morais se juntar em palco e fazer a voz feminina de “These Boots Are Made For Walkin’”, do álbum Femina. Aproximavamo-nos daquele que foi, para mim, um dos grandes momentos da noite. Depois de sermos injectados com o tema que abre Misfit, “Motorcycle Boy,” somos abalroados, pelo menos emocionalmente, com “Black Hole”. É um dos meus temas preferidos do disco. Ou tornou-se, depois de o ver ao vivo. Paulo Furtado chamou ao palco André Henriques e Pedro Geraldes e o que é certo é que os seis presentes em palco deram toda uma outra dimensão a este tema. Não sei que emoções assolaram a alma de Paulo Furtado quando a compôs, mas ao vivo foi um dos momentos musicais mais bonitos e sentido que já presenciei. “You gotta hold me” tornou-se numa espécie de hino. Houve ainda espaço para clássicos como “Naked Blues”, “Gone” e “Dance Craze”, e “I Finally Belong To Someone” e “Fix of Rock’n’Roll” do novo disco. Esta última canção, a penúltima do concerto de TLT, juntou as duas bandas em palco, celebrando o rock de forma enérgica e explosiva. Coube a “Twenty First Century Rock’n’Roll” elevar ainda mais a fasquia e fechar assim a primeira parte da noite.

Ora bem, os Linda Martini são uma banda muito especial para mim. Acompanho-os há mais de uma década, já os vi nas mais diversas salas e festivais, o que quer dizer que pertenço àquela geração dos moshs bravios, dos coros até os pulmões saltarem fora, do vislumbre de ter uma banda portuguesa que tão bem expressava as emoções enquanto adolescente e jovem-adulto. Os corações partidos, as revoltas, as injustiças políticas, tudo teve a sua evolução ao longo tempo e a sonoridade dos Linda Martini tem acompanhado esse crescimento, nosso enquanto fãs, mas muito mais deles enquanto músicos e cidadãos. E essa consciência está presente desde o início do concerto, com os temas “Panteão” e “Ratos”, de Turbo Lento. Seguiu-se um dos novos temas, com o saxofone de João Cabrita a acompanhar “Boca de Sal”. O novo disco dos Linda Martini vai sair já em 2018 e a revelação deste tema e de “Quase se fez uma casa” fez mesmo as delícias dos fãs. Lembram-se do single lançado em 2015, “Dez Tostões”? Tivemos direito a esse tema e ainda com o bónus da presença de Paulo Furtado. Passámos ainda por temas como “Putos Bons” e “O dia em que a música morreu” antes de chegarmos ao clássico “Amor Combate” que colocou o Coliseu, bem preenchido apesar de longe de esgotar, a cantar em uníssono. O ritmo continuou com “Unicórnio de Sta Engrácia” e depois chegou o belo tema “Belarmino”, que como a banda disse muito bem, pouco tem a ver com uma luta em estilo de combate, mas que ainda assim nos dá uns socos valentes no âmago. O disco Casa Ocupada é, ainda hoje, um dos meus preferidos e, sem dúvida, um dos que mexeu mais comigo. Segadães sobe ao palco no tema seguinte e a emoção na voz de André é notória quando declara o quão inspirador este foi para si e para a banda. Anteriormente, Segadães já tinha declarado o orgulho neste quarteto que viu crescer desde o início do projecto, reforçando assim o porquê de toda esta simbiose ser inspiradora e, espero eu, um ponto de partida para que mais iniciativas deste género, não necessariamente iguais, possam surgir. A noite fecharia com palco cheio ao som de “Cem Metros Sereia”, seguida de “Gravidade”.  E o incrível é mesmo isto: duas bandas com públicos potencialmente bastante distintos juntaram-se para unir e cruzar estilos rock que tanto influenciam as vidas de quem os ouve e segue. Foi bonito de se ver.

Fotografias @nashdoeswork

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