Vera Marmelo – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:44:25 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.3 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Vera Marmelo – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 10 ANOS de Marmelo online em Entrevista! https://branmorrighan.com/2016/12/10-anos-de-marmelo-online-em-entrevista.html https://branmorrighan.com/2016/12/10-anos-de-marmelo-online-em-entrevista.html#respond Wed, 14 Dec 2016 14:11:00 +0000 Vera Marmelo – http://veramarmelo.pt/

http://v-miopia.blogspot.pt/

Adoro a Vera. É um bocado daquelas coisas que não se explicam muito bem, porque não convivemos assim tanto, mas adoro a sua paixão pelo que faz, pelas pessoas, pela forma como nos faz sentir tanto através da sua lente, mas ainda mais através da sua pessoa, do (pouco) que partilhamos com ela. Tem o seu v-miopia há dez anos, e há dez anos que marca as pessoas que fotografa. Nesta passada Segunda-feira, não só comemorou o seu aniversário como o do seu blogue, no atelier DESISTO. Fica aqui uma pequena conversa com a Vera, tal como alguns registos desse dia e ainda muito mais informação se continuarem curiosos! Minha querida Vera, venham muitos mais 10 anos :))! 

Uma década de retratos, concertos e emoções registadas em fotografia online, no teu v-miopia. Consegues apontar o momento, ou a motivação, para o começares a fazer?

A minha urgência em estar perto das pessoas que estavam a fazer coisas na minha cidade!

Parar e olhar à minha volta, para perceber que aqueles miúdos estavam a fazer acontecer coisas! E, o meu querer pertencer, fazer parte daquilo tudo, só se podia resolver a juntar-me a eles, com as ferramentas que tinha.

De que forma é que a fotografia entrou na tua vida?

Por necessidade. De um momento para o outro pareceu-me que a coisa mais natural a fazer era documentar o que se estava a passar. Tinha uma pequena máquina fotográfica nas mãos e estava tudo certo. Mas a razão nunca foi a fotografia por si, foi sim a minha vontade de registar o que estava a acontecer.

A tua profissão tem muito pouco a ver com este teu lado que é o que a maior parte das pessoas conhece. Tem sido fácil conciliar a engenharia com a fotografia? Será caso para dizer que uma existe para alimentar a outra?

Há um equilíbrio estranho entre as duas actividades. 

Por mais estranho que possa parecer, aprecio a rotina da engenharia, em doses moderadas, aprecio ter horários e acima de tudo a sensação de ter uma profissão mais terra-a-terra, que tem como objectivo melhorar a qualidade de vida das pessoas. Tenho esta necessidade de fazer uma coisa que é comum e palpável para qualquer ser-humano. 

Na fotografia  celebro constantemente a energia das pessoas que me rodeiam, a quantidade de sítios onde vou e a energia que está sempre presente nestes momentos. Há um carácter muito de convívio, celebração que não se pode negar e isso faz com que de certa forma fotografar se confunda muito com “viver”. E, em última instância, passaram-se tantos anos (10!) desde que comecei a fazer isto que, continuar a estar entusiasmada e curiosa como estou, só pode dever-se a algo muito simples. Gosto mesmo disto!

Portanto sim, encontro entre estas duas coisas um certo equilíbrio. O dia e a noite.

Vera Marmelo

O teu registo fotográfico é já, há muito tempo, uma imagem de marca. É algo que as pessoas olham e mesmo sem ter créditos conseguem dizer que é da Vera Marmelo. O que é que o teu olhar, quando decides fazer um disparo, procura para que este fenómeno se dê. Parece-me que acaba por ser algo muito pessoal, ou estou enganada?

Nada é muito consciente, mas a verdade é que há sempre uma linha, uma relação entre imagens e momentos. 

E sim, terás razão, é cada vez mais pessoal e, na maior parte do tempo, estou a fazer isto para mim, estou a acumular imagens que me são queridas. 

Neste site, especialmente nas categorias dos retratos e das fotos ao vivo, o plano era mostrar exactamente isso, o sítio para onde quero ir. 

E quanto ao processo de edição? Que importância é que tem nas tuas fotografias?

Falando na edição, processo de selecção, ganha, cada vez mais, um peso gigante!

Para construir o site, para seleccionar as imagens de cada ano, passei pelo exercício de edição mais longo de sempre! 

Estou muito habituada a fazê-lo de uma forma muito rápida, pós-concerto, pós-sessões, quando ainda tens as imagens muito presentes na tua memória.

Olhar para fotografias com 10 anos, quando já fotografas de uma maneira tão diferente, quando tudo te parece tão distante, é uma aventura, para dizer não dizer nada mais intenso!

Acontece-te seres contactada para dares formação ou para ensinares alguém a fotografar?

Formação séria, não. Conversas sobre fotografia, sim. Dar umas dicas a amigos e desconhecidos, vai acontecendo.

Vera Marmelo

O teu trabalho tem tido reconhecimento a nível internacional, com vários artistas a usarem-no em projectos e artigos na imprensa lá fora. Como acaba por surgir esta interacção?

Acasos. 

O Thurston Moore foi um acaso. Fiz uns retratos na ZDB em 2012 e em 2014 ele decidiu usá-los.

A Angel Olsen deu uns concertos lindos na ZDB e decidiu usar na capa de um 7″ extra que saiu com este novo disco duas das fotos! Sorte! Mantemos contacto e ela é muito generosa!

O trabalho com os Konono em 2015 aconteceu por intermédio do Pedro Coquenão, que fez o disco com eles.

A minha relação com a Julianna Barwick é já uma amizade de quase 10 anos. 

Mesmo em Portugal, quem fotografas acaba por reflectir os teus gostos musicais ou são as pessoas que fazem a diferença e é por elas que estás presente?

As duas hipóteses acontecem.

Uma coisa é certa, não conheço uma pessoa que te conheça ou tenha trabalho contigo e que não sinta que realmente fazes a diferença. Sei que estas perguntas são sempre ingratas, mas tens pessoas que te tenham marcado especial ao longo destes anos e que de alguma maneira possam ter feito a diferença num momento em que precisavas que isso acontecesse?

Não é ingrata! É uma coisa que gosto de celebrar. Pessoas importantes.

Na génese do meu interesse maior por fotografia está um amigo, o Daniel Barros, que me ensinou muito e motivou a fotografar com filme.

O Tiago Sousa, pela sua Merzbau e todas as coisas que fizemos e fazemos juntos.

O Nick  Nicotine, por me ensinar a ser ainda mais livre em tudo o que faço e por exemplo me ensinar que tudo é possível!

Mais tarde o Sérgio Hydalgo, possivelmente a par do Tiago, uma das relações mais duradouras que mantenho.

O Fred Ferreira, dos Orelha Negra, por ser um motivador e um agitador!

A Susana Pomba, Filipa Valadares e a Sílvia Prudêncio por acreditaram no meu primeiro projecto em papel e de certa forma o fazerem acontecer.

Amigos essenciais como a Rita Tomás, Margarida Pinto e Raquel Lains, que me ajudam constantemente a melhor comunicar o meu trabalho!

Podia continuar eternamente! Não é segredo para ninguém, as minhas declarações de amor constantes ao mundo.

Estando o teu site agora dividido em três períodos diferentes, imagino que as fotografias exprimam as tuas principais memórias desses mesmos anos. Mas e o que não aconteceu que gostavas que tivesse acontecido ao longo deste período? Ocorre-te algum concerto ou alguma circunstância em que não tenhas estado presente e que gostasses de ter registado?

Já tive essa urgência de estar sempre presente. Hoje em dia não. 

As coisas acontecem, mesmo que não fotografadas. 

Tens noção que o “sonho” de muita gente é ter um “retrato Vera Marmelo”? 🙂

Que me enviem um email e resolvemos esse assunto!

Esta comemoração juntou-se à tua própria de aniversário. Dois momentos especiais num único dia. Como correu tudo e o que planeias para o futuro próximo?

Foi um dia intenso. Sabia o risco que corria ao misturar o meu aniversário com o aniversário do meu “trabalho” e foi isso que aconteceu! Caos. Mas um caos bom.

Acho que todos gostaram do que viram. Eu e os DESISTO estamos verdadeiramente orgulhosos do que penduramos na parede. O sítio onde o fizemos, atelier dos DESISTO, não podia ter sido uma melhor opção! Houve amigos, desconhecidos, brigadeiros e bolo incríveis, houve vinho a multiplicar-se. E ainda sobraram posters para todos os interessados!

http://v-miopia.blogspot.pt/search/label/10%20anos%20Marmelo



E agora, ainda um pouco mais sobre a Vera:

Em 2006 inaugura o blog com um Outfest fotografado, consistentemente pela primeira vez.

É nesta altura que começa a relacionar-se de forma mais próxima com Tiago Sousa, destacado numa das fotos maiores do poster e o escriba do texto que o acompanha.

O Tiago começava a MERZBAU. Tempos de myspace, forum sons, bolachas grátis, concertos sem telemóveis e muita energia à volta de tudo o que podiam fazer sozinhos.

É nestes anos, que de forma muito consistente, a MERZBAU ganha caminho com edições digitais, promoção de músicos, organização de concertos, tudo o que possam imaginar, que um grupo de amigos conseguia fazer pela música uns dos outros.

A Vera Marmelo, como amiga do Tiago, começa a interessar-se pela ideia de documentar os concertos, fazer os retratos para promover e ajudar em tudo o que fosse possível.

Aprenderam muito juntos.

Juntavam-se à Merzbau gente como o Luís Nunes (benjamim), Noiserv, Lobster, BFachada. É numa noite organizada a meias entre a Merzbau e o Má Fama de Sérgio Hydalgo (actual curador de música da ZDB) que Vera Marmelo vê Norberto Lobo tocar pela primeira vez. É através do Fachada que conhece Márcia e João Paulo Feliciano, é com ele que vai pela primeira vez ao Golden Pony e que chega até à Flor Caveira.

A Flor Caveira tem a sua fase de maior força exactamente nessa altura. Vê nesses anos muitos concertos de Samuel Úria, Pontos Negros, o Tiago Guillul, nas suas mais variadas formas.

Também é em 2009 que conhece e fotografa pela primeira vez uma das suas bandas favoritas no Namouche – os Linda Martini.

Em 2007 o Sérgio Hydalgo começa a ser curador para a música da Galeria Zé dos Bois. Amigo próximo leva Vera Marmelo a frequentar a sala muito assiduamente.

Sublinham-se desses 4 anos os seus encontros com Julianna Barwick, os primeiros concertos de Bonnie Prince Billy, Konono #1 no Jardim Botânico, Dirty Projectors e Lightning Bolt.

Texto de Tiago Sousa, que irá acompanhar o POSTER (formato físico)

O espírito humano torna-se magnânimo quando manifesta a particularidade. O trabalho mecânico está subordinado a regras e realiza resultados formais, produtos caracterizados pela regularidade, por oposição, a expressividade resulta da singularidade. É preciso que essa actividade resulte de um pensamento disciplinado para que se torne fecundo, uma vez que, todo o ofício se exerce sobre uma matéria densa que precisa ser dominada. Como tantos outros miúdos, a Vera começou a fotografar concertos com uma pequenina máquina digital, isto foi antes da era-da-internet-das-coisas. À sua volta, outros miúdos pegavam em guitarras, emulsionados por uma vontade insondável. Com o tempo, a Vera tornou-se coleccionadora de memórias, arquivista de sonhos.

Estou convencido que o que existe de genuinamente humano é esta compulsão criadora e o que esta era tecnológica tornou possível foi algo sem precedentes nessa matéria. Uma miúda, descendente de alentejanos migrados no Barreiro, gente operária, humilde, pode fintar o destino e entregar-se à paixão inusitada de registar os seus amigos e de os surpreender. Essa miúda, torna-se autora de um dos mais importantes arquivos de histórias do que outros miúdos, com guitarras e não só, estavam a fazer. Construído à custa de muitas horas roubadas ao sono e dedicadas ao seu ofício: olhar, registar, arquivar. A mesma Era que fez do seu ofício uma espécie em vias de extinção, quando os efeitos da reprodutibilidade técnica se tornaram ainda mais tangíveis, deu-lhe as ferramentas para se distinguir.

Alimentada pela mesma inocência, irreverência e impulso para acção, que são a linha bissectriz que une a Vera senhora do seu nariz e essa miúda fã de Deftones que girava k7’s até ficarem gastas. Tal como Sísifo, para quem cada átomo da sua pedra, e cada socalco da ladeira através da qual faz rolar essa pedra montanha acima e abaixo para o resto da eternidade, dá forma a um mundo em que o esforço na ascensão às alturas é suficiente para insuflar o seu coração. Talvez a grande obra tenha menos importância por si própria do que na provação que exige e na oportunidade que oferece a cada um para vencer os fantasmas e se aproximar um pouco mais da sua realidade íntima.

Tiago Sousa

BIO VERA MARMELO

Vera Marmelo nasceu em 1984, no Barreiro, e fotografa músicos desde 2004.

Autodidata no que respeita à fotografia, Vera é motivada desde o início pelas amizades aos músicos da sua cidade natal. É também no Barreiro onde começa a frequentar e a fotografar festivais, o Out.fest e o Barreiro Rocks.

Passados mais de 10 anos desde o início desta aventura com os amigos, os músicos, os concertos, as salas, os festivais e as ocasiões mais ou menos especiais vão-se multiplicando e o seu arquivo pessoal crescendo. Alimenta de forma muito regular um blogue desde 2006 e tem ainda a meias com Rita Tomás um projeto de entrevistas em modo site chamado boca-a-boca. Mantém uma ligação especial com a Galeria Zé dos Bois e o festival Barreiro Rocks. Em 2013 e 2014, editou dois livros de autor – o primeiro de retratos em nome próprio e o segundo a duas mãos a propósito do 20.º aniversário da Galeria Zé dos Bois. Integrou ainda duas exposições coletivas n’A Pequena Galeria (2015) e na ExperimentaDesign’15. Mas a motivação continua a mesma, “Na verdade, a minha ligação à fotografia acontece a par da minha ligação à música. É o meu instrumento, a minha desculpa para estar sempre presente e a minha maneira de contribuir para divulgar os músicos que acompanho”.

Outras entrevistas ao BranMorrighan:

http://www.branmorrighan.com/2014/04/entrevista-vera-marmelo-fotografa.html

http://www.branmorrighan.com/2014/11/entrevista-vera-marmelo-e-luis-martins.html

Playlist da Vera:

http://www.branmorrighan.com/2015/09/playlist-da-quinzena-1-15-de-setembro.html

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[Diário de Bordo] Surma, na Galeria Zé dos Bois https://branmorrighan.com/2016/10/diario-de-bordo-surma-na-galeria-ze-dos.html https://branmorrighan.com/2016/10/diario-de-bordo-surma-na-galeria-ze-dos.html#comments Tue, 25 Oct 2016 15:54:00 +0000

Fotografias de Nuno Capela, excepto as dos matraquilhos (parede preta riscada) que são da Vera Marmelo com a máquina do Nuno Capela, eheheh

Que a Débora, desde que vestiu o papel de Surma, não tem parado, ninguém pode negar. Tem viajado pelo país inteiro, já passou por Espanha e Alemanha, está prestes a ir a França e certamente muitos outros destinos não lhe faltarão. Mas pouco serão como a Galeria Zé dos Bois, onde na passada Sexta-feira abriu para Alex Cameron. Foi a minha primeira vez na ZdB, é verdade. Um crime hediondo porque apesar de acompanhar de perto a actividade do espaço cultural, nunca tinha ido. Fiquei completamente apaixonada. A P A I X O N A D A! E tendo feito parte dos bastidores de uma actuação, fiquei completamente encantada com o carinho, simpatia, familiaridade e boa disposição com que aquelas horas pré-concerto foram passadas. A equipa foi a mesma de outras vezes: a Débora, a Joana, eu e o Capela. E bom bom, foi termos a Vera Marmelo connosco, cujo trabalho já divulguei aqui no blogue e que é uma pessoa daquelas raras, que é mesmo bom termos por perto! 

O concerto foi lindo e a Débora tem a capacidade de me surpreender de cada vez que a vejo ao vivo. Dado que já a vi dezenas de vezes, acho que dizer isto é muito. Ela está a crescer a um ritmo que me comove e que me orgulha. Sempre tão genuína, tão cândida e ao mesmo tempo atrevida. É um mix que lhe assenta que nem uma luva e que espero que ela possa manter esta inocência o máximo de tempo possível. E é isto! Foi uma Sexta-feira mesmo, mesmo boa! Desculpem qualquer trapalhada no texto, foi escrito meio à pressa, mas de coração! 

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Vera Marmelo com nova exposição no Rivoli/Porto – All We Ever Wanted Was Everything https://branmorrighan.com/2016/07/vera-marmelo-com-nova-exposicao-no.html https://branmorrighan.com/2016/07/vera-marmelo-com-nova-exposicao-no.html#respond Wed, 06 Jul 2016 10:10:00 +0000

KISMIF Conference 2016 – DIY Cultures, Spaces and Places 

ALL WE EVER WANTED WAS EVERYTHING DE VERA MARMELO 

Exposição VERA MARMELO 

Teatro Rivoli, Porto 

Entrada Gratuita 

T Abertura: 18 de julho, 19h00/ 

Duração: 30

Vera  Marmelo  dizia  numa  entrevista  que  o  que  a  inspirava  era: Os  meus  amigos.  A  música que os meus amigos fazem. A energia de pessoas, o que as pessoas podem construir de belo, conversas  interessantes,  pessoas  que  fazem  acontecer  coisas  bonitas,  que  fazem  as  outras pessoas  se  sentirem  bem.  A  beleza  e  o  carisma  de  desconhecidos. Esta  exposição  de  Vera Marmelo  transpõe   estas  palavras  em  imagens.  Mostrando  a  simplicidade,  a  energia,  a autenticidade, o carisma, a totalidade do rock’n’roll. Em carne viva, a celebração do rock’n’roll, do DIY,  da  autenticidade  pelo  olhar  da  Vera, pela  primeira  vez  no  Porto.  E  porque rock  é imagem, imagens, corpo e alma.

Vera  Marmelo nasceu  em  1984,  no  Barreiro.  Em  2002,  começa  a  fotografar  concertos  que aconteciam  no  Barreiro  e  é  aí  que  surge  a  sua  ligação  aos  festivais Barreiro  Rockse Outfest, que  acontecem  na  cidade.  Desde  2006  que  fotografa  com  regularidade  concertos  e  músicos portugueses.  É  autodidata  no  que  respeita  a  fotografia  e  dizem  que  faz  parte da  mobília  da ZDB. Vera diz que Na verdade, a minha ligação à fotografia acontece a par da minha ligação à música.  É  o  meu  instrumento,  a  minha  desculpa  para  estar  sempre  presente  e  a  minha maneira de contribuir para divulgar os músicos que acompanhava.

Ligações

http://v-miopia.blogspot.pt/

https://www.instagram.com/veramarmelo/

http://www.kismifconference.com/en/

Mais sobre a Vera Marmelo no Blogue BranMorrighan

http://www.branmorrighan.com/search/label/Vera%20Marmelo

Cartaz Braulio Amado
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[7 Anos Blogue Morrighan] O Texto da Vera Marmelo https://branmorrighan.com/2015/12/7-anos-blogue-morrighan-o-texto-da-vera.html https://branmorrighan.com/2015/12/7-anos-blogue-morrighan-o-texto-da-vera.html#respond Wed, 30 Dec 2015 12:28:00 +0000

Quando as pessoas vêem que o BranMorrighan faz sete anos, pouca ideia têm do seu percurso. A verdade é que grande parte da minha actividade actual pouco ou nada tem a ver com há de sete anos e, por exemplo, na música, só estou mais ou menos inserida há coisa de dois anos. Pouco depois de me ter desafiado a tentar entrevistar os músicos que gostava e que mais ouvia, e a descobrir novas bandas portuguesas, conheci o trabalho da Vera Marmelo. Fiquei fascinada. Fotógrafos existem muitos, mais ou menos profissionais, mas poucos são aqueles que conseguem extrair a verdadeira essência de quem fotografam. A Vera tem. É engraçado que depois dela me ter feito os retratos mais bonitos que tenho até hoje (como prenda do 6º aniversário), mais pessoas/fotógrafos vieram ter comigo a dizer que me gostavam de tirar um retrato. Nunca cheguei a aceitar nenhum desses convites. Primeiro, porque sinceramente não me sinto muito à vontade, depois porque o que a Vera conseguiu extrair, se calhar nem ela tem noção, acho que mais ninguém o conseguia. E no texto e nas fotos que se seguem penso que poderão ter uma pequena noção do que falo. Para além das fotografias encontram-se também links para poderem ver e explorar mais. Ela não pára, é uma mulher do caraças e fico muito contente por ter aceitado escrever um pouco sobre o seu ano. Obrigada Vera! 

Acho sempre piada ao facto de celebrares o aniversário do teu blog Sofia, sempre. Gabo-te a energia e paciência.

Uso o meu de forma descuidada e intensa. Acho que estou sempre a puxar os limites ao desgraçado. Em 2016, em Dezembro de 2016, completa 10 anos.

E é perto desse número redondo, e nos scroll downs infinitos que faço muitas vezes, que me apercebo que 2015, tal como 2014, 2013, passou-se pelos mesmos sítios e com quase sempre as mesmas pessoas. Ainda bem na verdade.

Um dia dei-me ao trabalho de perceber qual o músico que mais vezes fotografei, o sítio onde mais vezes fotografei e de pouco me serviu.

Norberto Lobo – Janeiro

Mas acho que ter começado https://branmorrighan.com/2015/01/norberto-lobo-fornalha.html  e praticamente https://branmorrighan.com/2015/12/norberto-lobo-na-zdb.html acabado os posts de 2015 com o Norberto Lobo na ZDB respondem logo às duas perguntas.

Norberto Lobo – Dezembro

Vejo os anos a acontecer sempre mais ou menos da mesma forma. E marcados com dois meses de festividades no Barreiro. Outubro com o Outfest http://v-miopia.blogspot.pt/search/label/outfest2015 . Dezembro com o Barreiro Rocks http://v-miopia.blogspot.pt/search/label/Brrrocks2015 .

Golden Teacher – Outfest
Parkinsons – Barreiro Rocks 
Parkinsons – Barreiro Rocks

Este ano teve Março com o Tremor http://v-miopia.blogspot.pt/search/label/Tremor e Agosto com o Bons Sons e o Reverence http://v-miopia.blogspot.pt/search/label/Reverence2015  (SLEEP! MEU DEUS!). 

Tremor – ZA!
Tremor – ZA!
Tremor – ZA!
Reverance – Jack Shits 
Reverance – SLEEP

E com isto parece que começo a fazer uma lista do que mais bonito aconteceu no ano passado. Vi a Banda do Mar http://v-miopia.blogspot.pt/search/label/Banda%20do%20Mar  dois dias seguidos. 

Banda do Mar
Banda do Mar

Conheci e fotografei o Devendra http://v-miopia.blogspot.pt/search/label/Devendra%20Banhart , passados 10 anos desde que o vi pela primeira vez, a tocar as suas canções num Sudoeste muito diferente do que temos.

Devendra – Sociedade de Geografia / ZDB

Fui a Bruxelas ver o D’Angelo e sentir que tinha 14 anos outra vez. Vi também lá o Father John Misty que, a par dos UMO, deve ter sido o que mais ouvi este ano.

Os Caveira https://branmorrighan.com/2015/07/caveira.html , na inauguração do António Júlio Duarte, na Z… foi das coisas mais coração na boca que vi acontecer.

Caveira – ZDB

A Angel Olsen http://v-miopia.blogspot.pt/search/label/Angel%20Olsen  rebentou com tudo, a solo, na Z.

Angel Olsen – ZDB

E em Outubro troquei de máquina, simplificando ainda mais a minha vida.

Conheço o Cláudio há 15 anos e foi uma felicidade sem explicação ver os Pista https://branmorrighan.com/2015/11/pista-o-concerto.html a apresentar o primeiro disco, no Musicbox, numa noite cheia de amigos.

PISTA no Musicbox
PISTA no Musicbox

Ficam-me no coração os retratos novos da Lula Pena https://branmorrighan.com/2015/07/lula-pena.html , ter acompanhado o Pedro Coquenão e os Konono nas gravações e ter partilhado um par de dias no Iá com o Emicida, o Valete, a Capicua e o Rael. Ficam muitas coisas por sublinhar. Mas no meio de muitas coisas de deixar o coração vazio e apertado, sem saber o que pensar, também trouxe muita coragem, muita gente nova.

Lula Pena

PS: Vera, nem eu sei bem porque comemoro o aniversário, a não ser porque do meio literário já vinha com esse espírito e porque gosto de colocar bandas a tocarem num certo contexto que se calhar de outra maneira não o fariam. Mas digo-te, esses teus 10 anos deviam ser comemorados! Querendo preparo-te eu uma festinha! Eheheh! Tem um excelente 2016! 

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[Playlist da Quinzena] 1 a 15 de Setembro – As Escolhas de Vera Marmelo https://branmorrighan.com/2015/09/playlist-da-quinzena-1-15-de-setembro-3.html https://branmorrighan.com/2015/09/playlist-da-quinzena-1-15-de-setembro-3.html#respond Tue, 01 Sep 2015 13:04:00 +0000

A Playlist da Quinzena faz precisamente hoje um ano que foi criada! Começou com o Luís Costa e entretanto seguiram-se outros 21 convidados, eu absorvi o Verão, mas no regresso ao trabalho e na comemoração do primeiro ano da rubrica temos uma convidada muito especial, alguém que admiro e gosto muito muito muito – a Vera Marmelo. Para além da excelente pessoa que é, é unânime que a sua unicidade aplica-se também à fotografia. Quem tem um retrato tirado pela Vera Marmelo exibe-o de peito cheio e cheio de gratidão. E é mais ou menos assim que me sinto ao vos trazer as escolhas da Vera, pois bem sei que anda sempre de agenda cheia e que, ainda por cima, a trabalhar não é fácil atender a tudo. Fico muito contente por ter aceite e por se juntar assim a esta rubrica que me é muito querida! Entretanto já a entrevistei duas vezes por dois projectos seus e podem ler tudo aqui

Father John Misty – When you are smiling and astride me

Tenho uma paixoneta inexplicável pelo Father John. Desde o final de 2012, quando tropecei numa sessão de estúdio que ele fez para a KEXP, que estou agarrada ao que este homem faz.

O disco inteiro, o novo, de onde saí esta incrível When your smiling and astride me, é um caldeirão de ironia, amor lamechas e arranjos absurdos e geniais.

Março passado fui até Bruxelas ver o gajo e não me arrependo nem um bocadinho. Assumo que os tiques em palco me deixam com mixed feelings mas, tudo só faz sentido, por ele estar de joelhos passados 30 segundos do arranque.

D’Angelo and The Vanguard – Ain’t That Easy

Tinha 15 anos quando vi o vídeo da Untitled na MTV.

O Voodoo continua na parteleira, sobreviveu às minhas investidas à Caborno para me ver livre de um passado a ouvir Hip Hop e R’n’B (do qual agora me orgulho muito. 1º disco das Destiny’s Child, onde estás? quem é o teu novo dono?).

15 anos depois fui ver o homem ao vivo.

Melhor concerto do ano!

O facto de ter corrido, depois de 2 horas, na fila, à espera que a sala abrisse, para as grades explicará tudo.

Unknown Mortal Orchestra – Can’t Keep Checking My Phone

Adição de 2015. Melhor backstory para um disco de sempre.

LA LUZ – Sure as Spring

Porque se é para ter uma banda de raparigas, tem de ser uma assim. E porque o concerto do Jon Spencer que vi na sexta passada ainda está muito presente. La Luz is number 1.

Courtney Barnett – Avant Gardener

A miúda mais fofa de sempre.

Time for T – Jazz Cigarettes

A voz do Tiago lembra-me o Verão e o Devendra.

Devendra Banhart – Never seen such good things

Costumo dizer que tenho uma santíssima trindade musical que me define enquanto adolescente, toda ela começada por D.

o D’Angelo que está ali em cima, os Deftones e o Devendra.

Este ano fica marcado pelo concerto lindíssimo que ele o Andy deram na Sociedade Portuguesa de Geografia, pela mão da ZDB.

Mac DeMarco – No Other Heart

Porque eu quero que o verão nunca acabe.

Francis Dale – Eleanor

Continuo intrigada como é que o Diogo se transforma no Francis e é capaz de cantar assim.

Angel Olsen – Unfuck the world

Para a semana ela vem cá! *gritinhos de excitação*.

Duquesa – Times

Ainda não me consegui decidir se prefiro ouvir as canções do Nuno em formato banda ou a solo. De qualquer das formas todo o ep é maravilhoso, leve, feliz, chama o verão e os dias fáceis.

Other Lives – English Summer

Descoberta de Agosto. Obrigada novamente KEXP.

vetiver – I must be in a good place now

Em 2004, quando comecei a prestar atenção ao Devendra, obviamente que tropecei em todos os amigos que o acompanhavam e guiavam nesta demanda musical. Continuarei sempre a achar que a voz do Andy e as suas canções são mais perfeitas e interessantes que as do Dev. Mas o Devendra tem aquele cena trapalhona que adoro e que me deixa de sorriso na cara.

Vetiver é uma banda luminosa e que acerta sempre ! Vi-os sozinha, no Lux, há mais de 10 anos, mas admito que estava de olhos pregados no Dev e no seu cabelo seboso e tshirt rota. Neste mês rumo a Espanha e tenho a sorte de os apanhar em Oviedo. Ando a re-ouvir os discos do Vetiver e a relembrar a leveza do Andy e destas canções para me preparar.

bfachada – os dois no polibã

O gajo tá a cantar cada vez melhor ao vivo. É só por isso.

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[6 Anos Blogue Morrighan] A Prenda Especial da Vera Marmelo https://branmorrighan.com/2015/01/6-anos-blogue-morrighan-prenda-especial.html https://branmorrighan.com/2015/01/6-anos-blogue-morrighan-prenda-especial.html#comments Tue, 13 Jan 2015 09:26:00 +0000 http://v-miopia.blogspot.pt/

http://www.branmorrighan.com/search/label/Vera%20Marmelo

Para mim dispensa apresentações. É um facto que ninguém pode negar – a Vera Marmelo, independentemente de todas as suas outras ocupações como a engenharia ou a corrida, é das fotógrafas mais talentosas deste mundo. E não, não é um exagero afirmar tal. Quem acompanha o seu trabalho vai-se apercebendo que também lá fora, no estrangeiro, artistas e publicações já despertaram para o seu talento.

A Vera é daquelas pessoas que cativa não só por si mesma, mas também através do que fotografa. Tem uma visão do que a rodeia que torna tudo mais rico. O seu optimismo transparece na maioria das suas fotografias, mas também o pormenor, a solidão e uma certa contemplação fazem parte do cardápio. Claro que tudo isto é redutor quando comparado com a qualidade das imagens e do olho clinicamente artístico da Vera. Sou fã do seu trabalho, da alegria e paixão com que o faz, é uma autêntica inspiração não só como fotógrafa como também como ser humano.

Com os 6 anos do Morrighan, enviei um mail a umas quantas pessoas às quais queria agradecer, de forma simbólica, o facto de terem marcado o meu 2014, por o terem tornado melhor. É verdade que é impossível separar a Sofia do blogue da Sofia engenheira/desportista/professora/aluna/etc., mas hoje em dia sinto que o blogue se tornou numa espécie de identidade que realmente me liga a pessoas extraordinárias e que, mesmo que essas pessoas não dêem conta, o blogue também se torna muito delas. É boa a sensação. 

Recebi várias respostas e várias demonstrações: alguns quiseram oferecer livros, outros discos, outros enviaram mensagens, mas a resposta da Vera, não desfazendo as outras, deixou-me “wooooow”: «posso fazer-te um retrato? 🙂» Como poderia recusar? Ainda estávamos em Dezembro, mas esse mês, a nível pessoal, não foi para esquecer, mas quase, e só na passada Quinta-feira consegui ir ter com a Vera. Sabem aquele dia possivelmente mais frio do ano, em que o novoeiro não deixava ver nada, estavam perto de 0ºC, etc? Pois foi nessa mesma manhã. Depois de uma hora de trânsito e uma pilha de nervos, ainda não eram 9h quando sou recebida já com grande energia pela Vera, na zona do Parque das Nações. A minha disposição mudou logo e a partir daí as fotografias falam por si. O gelo ficou mesmo apenas como paisagem, que as fotografias saíram bem calorosas de expressão. 

Não me achando feia, mas também não me acho particularmente bonita e muito menos com pinta do modelo, não é disso que se trata: ao olhar para mim através dos olhos da Vera senti que ela realmente consegue captar o que mais de bonito as pessoas têm. Adoro as suas fotografias de concerto, mas também os seus retratos são muito particulares. Quando falo de música ou de fotografias ligadas à música com outras pessoas, refiro sempre a Vera e costuma ser da praxe dizer “fogo, ser fotografado pela Vera é grande privilégio!”. Ora, a generosidade da Vera levou a que esse privilégio e honra fossem agora meus. Desculpa Vera, pelo testamento, mas mereces toda a gratidão! <3 p="">

Mas vamos então ao resultados! A Vera publicou no seu maravilhoso blogue, duas das fotografias e podem vê-las aqui:

https://branmorrighan.com/2015/01/sofia.html

Deixo-vos com mais algumas cujo clique para mim foi automático: 

Mais uma vez, querida Vera Marmelo, muito obrigada! É uma honra estar tão bem acompanhada na tua colecção de retratos! 

PS: Dei-me à liberdade de deixar aqui uma banda sonora imaginária, só porque gosto realmente muito da música!

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Entrevista a Vera Marmelo e Luís Martins, Fotógrafos Portugueses, a propósito de Convite https://branmorrighan.com/2014/11/entrevista-vera-marmelo-e-luis-martins.html https://branmorrighan.com/2014/11/entrevista-vera-marmelo-e-luis-martins.html#comments Sun, 02 Nov 2014 13:38:00 +0000 Existem iniciativas e projectos que é impossível não admirar. O que seria do mundo sem a fotografia? O que seriam das nossas memórias, de tudo o que já foi vivido? O que seria da própria história sem estes registos? Mas, para mim, há duas perguntas que se impõem ainda com mais intensidade… O que seria da Música sem a fotografia? O que seria da Fotografia sem a música? Quem segue o blogue sabe que, de vez em quando, gosto de ir aos concertos, com a minha 450D e a 50mm, registar alguns momentos, aqueles mais intensos, que transmitem o que sinto enquanto os ouço. A inspiração? Bem, a Vera Marmelo sempre foi uma, sem dúvida alguma. Sigo o seu trabalho desde o início deste ano, que foi quando a descobri, e é impossível não ficarmos deslumbrados com a sua capacidade de numa fotografia conter uma narrativa inteira, por vezes complexa, por vezes apenas directa. Recentemente, juntou-se a outro “companheiro de guerra”, o Luís Martins numa iniciativa a dois. Ambos são fotógrafos “residentes” da ZDB e muito têm vivido lá. Ao comemorarem os 20 anos da ZDB, lançaram o Convite, um projecto fotográfico conjunto que confere uma maior riqueza tanto ao espaço como ao mundo fotográfico e musical. É dessa experiência conjunta que esta entrevista se trata, mas também das suas experiências e visões enquanto fotógrafos. Só posso agradecer à Vera e ao Luís o tempos despendido para poder partilhar este momento especial convosco. 

Olá Vera e Luís! Contem-nos, como é que foram parar, pela primeira vez, à ZDB? 

Vera: Fui levada por amigos do Barreiro. Fez neste mês de Outubro 10 anos que lá entrei pela primeira vez, numa matiné, para ver os Vicious Five.

LuísA primeira vez que entrei na ZDB foi para ver o lançamento do primeiro álbum dos Vicious Five. E foi amor à primeira vista. Descobrir aquele espaço em Lisboa foi muito importante e rapidamente se tornou num hábito entrar no Aquário.

Ainda se lembram da primeira vez que se encontraram? 

Vera: Não consigo precisar uma data. Mas deve ter sido, das duas uma, no Teatro Maria Matos ou mesmo na ZDB. Partilhamos amigas antes de nos conhecermos e foi através delas, de máquina na mão, que nos encontramos.

LuísDeve ter sido certamente na frente do palco. O momento em particular não me lembro, mas sei que conhecia e gostava do que a Vera fazia. Entretanto acho que começámos a falar mais por intermédio de uma amiga que temos em comum.

Fotografia por Vera Marmelo

Qual o concerto mais memorável, na ZDB, que guardam convosco? 

Vera: Eu tenho mais que um. E só neste fim de semana já arranjei outro. Mas apontarei o primeiro concerto do Rodrigo Amarante. Pela intensidade daquela noite. Pelo desarranjo emocional que senti e que me impediu de fotografar durante uns primeiros momentos.

LuísEssa pergunta é mesmo muito complicada de responder. O concerto de Animal Collective foi muito marcante. Mas os que acabam por ficar são aqueles que vou à descoberta e sem grandes expectativas. Foi assim que ouvi pela primeira vez o Norberto Lobo, Fuck Buttons ou até o Rodrigo Amarante.

Fotografia por Luís Martins

Quão importante foi a ZdB para a vossa evolução enquanto fotógrafos?

Vera: Não é a sala mais luminosa de sempre, portanto ganhas algum calo para situações mais difíceis. A comunicação e interacção com os músicos é tão fácil no espaço, que isso me trouxe uma maior confiança quando abordo um desconhecido para o fotografar. É verdade que plataformas como o Facebook da ZDB, onde as nossas fotografias vão sendo partilhadas, também nos garante alguma visibilidade.

LuísÉ importante a  dois níveis. De um ponto de vista técnico, é complicado fotografar na Z. A luz não é muita e isso faz que com a mão fique mais firme a fotografar e acabas por arranjar soluções “criativas” para situações complicadas. Por outro lado também foi uma educação do olhar. A escala dos concertos, a distância aos músicos e a própria relação que se cria com o espaço é formativa na forma como fotografo.

Muitas têm sido as personalidades que têm fotografado, desde nacionais a internacionais. Algum episódio mais atípico ou engraçado que gostassem de partilhar? 

LuísA Vera terá certamente resposta para esta e eu nem por isso. Ela vive há muito tempo e de forma mais intensa os momentos, pré e pós concerto. Acabo por estar mais presente nos concertos e nessa altura o meu objectivo é passar o mais despercebido possível. Mas nem sempre é possível. Lembro-me de um concerto de Dead Combo da série de 4 que eles fizeram recentemente e de estar a fotografar em cima do palco escondido atrás dos amps. O Pedro descobriu-me a meio do concerto e meteu-se comigo.

Vera: Fui mandada embora do ensaio de som do primeiro concerto do Cass Maccombs na ZDB. Desde então que embirro com o senhor. E recusei-me a ir ao concerto surpresa que deu este ano.

Passados todos estes anos a fotografar na ZDB, decidem lançar um livro conjunto – Convite. Qual a vossa maior motivação para o fazerem? 

LuísO livro surge do convite da Vera. Depois do livro do ano passado, ela tinha vontade de fazer algo sobre a ZDB. Convidou-me para fazer parte e disse logo que sim. Com os 20 anos é uma prenda bonita que nós damos. Paralelamente dá-me muito gozo ver as fotos saltarem do digital para o tangível. Dá-lhes uma nova vida.

Vera: Tenho duas: ver as coisas em papel e tê-las na mão. E uma vontade absurda de querer fazer parte da festa, da celebração dos 20.

http://convitezdb.tumblr.com/

O que é que Convite traz para quem o adquirir? 

Vera: Retratos feitos na ZDB e fotografias dos concertos que aconteceram na sala da Rua da Barroca ou noutro local, mas programado pela ZDB.

É um livro feito a duas mãos e por essa razão cruzam-se muitas vezes fotografias dos dois.

LuísNão pretendíamos fazer um compêndio completo de concerto nem um documento histórico. As fotos acabam por ser as nossas favoritas e dos concertos que mais nos marcaram. O Convite está algures entre um diário e um best of.

Enquanto fotógrafos, acham que o vosso trabalho se complementa? De que forma é que a presença um do outro vos afecta enquanto fotografam? 

Vera: Cada vez mais estamos convencidos que sim. Mais no sentido em que o Luís gosta mais de planos abertos e eu de fechados. Eu gosto dos retratos, ele é dado a imagens de salas cheias. Eu apanho a fila da frente, ele os detalhes que estão mais longe de nós.

E também o material que usamos é diferente e a abordagem também.

Isto acaba por ser maravilhoso, se pensarmos que há uma maior variedade de imagens.

A presença de outros fotógrafos não me afecta em nada, nem à forma como os dois nos movimentamos.

Luís: Sim. Embora haja abordagens semelhantes, eu e a Vera procuramos coisas diferentes. Em escala, em distância e até no próprio tratamento das fotos. O que acaba por ser semelhante é a postura para com quem fotografamos, o público e até o espaço. 

Dito isto, a forma como a presença da Vera afecta as minhas fotografias acaba por ser quase funcional. Eu sei o que ela vai procurar e sei o que ela faz melhor do que eu. Nesses momentos sinto-me mais à vontade porque sei que o momento vai ser ricamente documentado entre os dois.

Esta colaboração entre fotógrafos, em Portugal, é algo rara. Acham que a vossa iniciativa pode vir a mudar isso?

Vera: Não sei se será assim tão raro. Mas a verdade é que estou longe de estar bem informada sobre o que se vai passando. Se me perguntasses sobre músicos a colaborar saberia responder de imediato.

Acho que temos uma abordagem muito parecida à fotografia e à maneira como vestimos a camisola de fotografo também é muito leve. Talvez por essa razão nos seja muito fácil ceder e juntar trabalho.

LuísEmbora o espaço seja o mesmo não sentimos que estamos em competição. Claro que estou atento ao que a Vera faz e que há concertos que lhe correm melhor e momentos que ela vê que eu não consegui chegar. Mas tenho a certeza que o contrário também acontece. Colaborações são raras, mas isso se calhar vem de uma atitude semelhante e de gostarmos o que cada um faz. Quanto a outras colaborações, não sei se este livro muda alguma coisa. Mas sei que prefiro estar nesta aventura do Convite com a Vera do que sozinho.

http://convitezdb.tumblr.com/

Para vocês, o que é que é mais importante que as vossas fotografias reflictam? 

Vera: A energia ou a paz dos momentos do concerto. Para mim continuará sempre a ser um álbum de fotografias, de recordações, mas que vai além da tua família e serve para guardar memórias a todas as pessoas que gostam de música.

LuísNão tenho grande pretensão de ser foto-jornalista. Interesso-me por narrativas mas não tenho vontade nem necessidade que sejam objectivas. As minhas fotos são só meu olhar sobre o momento. Subjectivo no enquadramento e no detalhe. E até no próprio arranjo das fotos. Se me identificarem um pouco nas fotos, fico contente.

Consideram a fotografia uma actividade solitária? Ou pelo contrário, abre-vos a porta para o resto do mundo? 

Vera: A mim abre-me ao mundo, conheço quase todas as semanas alguém novo por causa das fotografias. É o que mais me motiva.

LuísJá fui a muitos sítios e já conheci muitas pessoas pela fotografia. Quando estou a fotografar acabo por me fechar um pouco e focar no momento. Dito isto, a fotografia é uma óptima desculpa para sair de casa.

É gratificante ser-se fotógrafo em Portugal? Acham que se dá o devido valor a quem tanto tempo dedica a registar tantos momentos especiais?

Vera: Não penso sobre isso. Procuro dedicar-me a registar momentos especiais de pessoas que sei que vão valorizar o que estou a fazer. Assim nunca falha.

LuísNão me é muito importante que seja. Gostava muito de ter espaço em Portugal para desenvolver ideias que se calhar sinto que não conseguem existir. Mas sempre que pego na máquina, mesmo quando estou a fazer um favor, há um pouco de egoísmo no gesto. Fotografo porque quero fotografar. O resto, não ligo muito.

http://convitezdb.tumblr.com/

As vossas fotografias não contém marcas de água. Porquê essa escolha? Os créditos não são uma preocupação? 

Vera: Acho que é muito mais bonito chegarmos a um ponto em que nos reconhecem as imagens sem precisar de marcas. E na verdade quando as vejo a serem usadas fico muito satisfeita. Tenho também a sorte de quase toda a gente referir quando a fotografia é minha.

Luís: Sempre que utilizam fotos minhas os créditos são fundamentais. Mas a marca de água é uma distracção demasiado grande. Quando colocas texto numa imagem isso informa o olhar. Gosto da foto pela foto.

Alguma vez tiveram de lidar com roubo de direitos/apropriação indevida?

Vera: Nunca. No passado ainda me dava ao trabalho de pedir créditos ou de enviar um mail chato a um jornalista que os esquecia. Hoje em dia nem quero saber. Não vou ficar mais feliz por ter o nome ao lado da imagem. Na verdade a felicidade vem do momento em que a fiz. É completamente impossível, a meu ver, controlar este tipo de coisas quando expomos o nosso trabalho na internet. Se não quiséssemos ver as fotografias a circular, mais valia ficarmos quietinhos e as deixar longe de websites ou clouds.

LuísCoisas pequenas. Nada que um email não resolva. A maior parte das vezes não é preciso ir muito longe porque o senso comum de indicar quem é o autor da fotografia acaba existir.

Teremos mais projectos a dois no futuro? 

Vera: Não sei. Se ir a concertos juntos confere como projecto. Temos uma série deles.

Luís: É possível que no ano que vem haja algo com mais uma amiga nossa. Mas ainda é cedo para revelar.

A ZDB é uma tradição a manter? 

Vera: Para mim sim. Até que possivelmente um dia, muito naturalmente, lá deixarei de ir ou  me mudo de vez para lá.

LuísSim. Não consigo mesmo pensar na cidade de Lisboa sem este espaço.

Vera Marmelo: 

http://v-miopia.blogspot.com/

Luís Martins: 

http://www.faroutandbeyond.com/

Entrevista anterior a Vera Marmelo: http://www.branmorrighan.com/2014/04/entrevista-vera-marmelo-fotografa.html

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[DESTAQUE] 20 anos ZDB: Lançamento CONVITE de Luís Martins e Vera Marmelo https://branmorrighan.com/2014/10/destaque-20-anos-zdb-lancamento-convite.html https://branmorrighan.com/2014/10/destaque-20-anos-zdb-lancamento-convite.html#respond Thu, 16 Oct 2014 15:32:00 +0000

Nos 20 anos da ZDB, a Vera e o Luís decidiram oferecer à ZDB este belo presente – CONVITE – uma reunião de alguns dos mais bonitos momentos no aquário. No dia 23 de Outubro, a ZDB, a Vera, o Luís e alguns dos retratados celebram juntos o lançamento desta zine.

Alguns dos concertos/ artistas retratados: Metz, Linda Martini, Rodrigo Amarante, Kim Gordon, Lee Ranaldo, Dirty Beaches, Cass Maccombs, Thurston Moore, Lightning Bolt, Lula Pena, Vincent Moon, Sun Araw, Capicua, entre muitos outros.

A Vera e o Luís encontram-se disponíveis para falar sobre este livro bonito e teriam muito gosto em agendar uma conversa! Terias interesse? 🙂

O livro vai estar disponível na Letra Livre, na ZDB e através de email: convitezdb@gmail.com

As primeiras 20 pré-reservas a serem levantadas na festa vão ter um preço de lançamento de 10€ (após a festa, o livro terá o preço de 12€).

CONVITE

“Fotografamos muito na ZDB. De quando em quando, vai apenas um de nós, mas muitas são as situações em que estamos os dois, lado-a-lado. Quase de certeza que as nossas primeiras conversas foram na boca do palco, sentados a olhar para o público e a fazer apostas sobre a pouca luz que iluminaria o concerto dessa noite. O Luís fotografa também as peças n’O Negócio, a Vera aparece de tarde e rouba uns retratos aqui e ali.

Um livro a duas mãos pareceu-nos óbvio desde o início. Nunca com a intenção de fazer uma lista dos melhores concertos ou de garantir uma cronologia exacta. Seria, na verdade, impossível, porque não assistimos a todos. Escolhemos as que nos estão mais próximas, as que achamos mais bonitas, as tiradas nas noites que mais nos marcaram. Incluímos não só os concertos, mas também alguns retratos. A duas mãos, fizemos o dos Dead Combo, em Dezembro de 2013, quando apresentaram a retrospectiva dos seus 4 discos na casa onde anos antes ensaiavam.”

Luís Martins e Vera Marmelo

Outubro 2014

“Um concerto é sempre inigualável e uma noite é sempre irrepetível. Vivemos para a efemeridade, de tempo e espaço, em que músico e público se cruzam. Encontros únicos, os que estes sete anos de trabalho na ZDB me têm proporcionado. Este livro é um prolongamento desse encontro, não é apenas uma memória, é também a magia da imagem capaz de recriar o vigor de cada um destes momentos. O foco de luz e poeira que recorta um corpo, o gesto que se arrasta, o esgar de olhos fechados, a forma da dança, a configuração difusa de um vulto; tudo isso nos fala do volume exacto, da frequência do som, do movimento frenético. Essa é a alquimia do Luís e da Vera, transmutação da energia nocturna em imagem que perdura – e eles fazem-no tão bem – o disparo é discreto e certeiro. Só podia nascer desse olhar, a gostar do que faz e do que ouve.”

Sérgio Hydalgo

Outubro 2014


SITE

http://convitezdb.tumblr.com/oquee


CONVITE – 23 de Outubro de 2014 from convitezdb on Vimeo.

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[O Morrighan Apoia] Boca a Boca – um projecto de entrevistas de Vera Marmelo e Rita Tomás https://branmorrighan.com/2014/10/o-morrighan-apoia-boca-boca-um-projecto.html https://branmorrighan.com/2014/10/o-morrighan-apoia-boca-boca-um-projecto.html#respond Mon, 06 Oct 2014 14:00:00 +0000

Pessoas dinâmicas e pro-activas, entusiastas e dedicadas, dão sempre origem a projectos originais, bonitos e de uma significância fora do comum. Conheci a Vera Marmelo a propósito da entrevista que lhe diz aqui para o Morrighan e tenho comunicado com a Rita Tomás há já algum tempo por causa de projectos musicais. Quando vi que se tinham juntado e formado o Boca a Boca fiquei super entusiasmada. Acho o projecto fantástico, a combinação das fotografias da Vera com as perguntas da Rita com uma previsível harmonia que poucos conseguem e vou seguir atentamente cada uma das suas entrevistas. Sem dúvida que serão uma inspiração para pessoas que, como eu, adoram intervir e divulgar o trabalho de pessoas que tanto fazem pela nossa cultura. Deixo-vos mais informações sobre o Boca a Boca. 

Boca a Boca

Um projecto de entrevistas de Vera Marmelo e Rita Tomás


Arrancou um novo projecto de entrevistas online que une a fotógrafa Vera Marmelo à assessora de imprensa Rita Tomás. Motivadas pelo desejo de documentar o trabalho de pessoas que admiram, arrancam esta série de entrevistas com Sérgio Hydalgo, programador de música da Galeria Zé dos Bois. Já online em Boca a Boca.

Este espaço começou por ser idealizado para falar de comida, mas o acidente transformou-o na plataforma ideal para ligar o trabalho de duas amigas. A Vera e a Rita conhecem-se há anos e sempre caminharam paralelamente no trabalho e na vida sem nunca terem desenvolvido um projecto que as unisse. Apesar de omnipresentes na vida uma da outra, foram deixando poucas provas físicas dessa presença e, tanto quanto se conseguem lembrar, só têm uma foto as duas juntas. Foi preciso colaborarem numa outra proposta, em que a Rita tomou conta da escrita e a Vera tratou dos retratos, para perceberem que a oportunidade para um projecto conjunto estava criada. O nome inicialmente concebido pela Rita para um blogue de comida assentava perfeitamente naquilo queriam agora fazer. Na mesa do café ou no sofá lá de casa, entrevistam e fotografam amigos e desconhecidos que admiram. Boca a boca, porque são assumidas devotas do discurso directo e intuitivo, porque sabem que só faz sentido se for assim.

VERA MARMELO

Confunde os dias entre 2 vidas, a engenharia e a fotografia. A fotografia surge do desejo de partilhar a “música” dos amigos. Em 2005, inicia-se uma movida galvanizada por plataformas como o MySpace e os fóruns, em Lisboa. Começa a alimentar estes meios e um blogue com fotografias de qualidade duvidosa. A Internet fez o resto. Continua, 10 anos depois, a fotografar religiosamente dois festivais barreirenses em que começou e a ir semanalmente à ZDB. Pelo caminho já teve a oportunidade de fotografar o Thurston Moore, Orelha Negra, Rodrigo Amarante, Ana Moura, General D e Marcelo Camelo.

RITA TOMÁS

Mudou-se para Lisboa em 2005 para estudar na universidade, mas foram os que concertos a que assistia que precipitaram todas as mudanças que vieram a seguir. Começou a trabalhar em comunicação no CCB, passando posteriormente para o Teatro Maria Matos, onde há cinco anos que usa os concertos como motivo para convencer jornalistas a escreverem textos bonitos e fotógrafos a tirarem belas fotos. Por amor à escrita, sempre foi alimentando uma gaveta lá de casa com textos avulsos e chegou até a fazer uma pós-graduação dedicada especialmente aos livros. Em 2014, começou o seu empreendimento mais difícil até à data: leccionar. 

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Entrevista a Vera Marmelo, Fotógrafa Portuguesa https://branmorrighan.com/2014/04/entrevista-vera-marmelo-fotografa.html https://branmorrighan.com/2014/04/entrevista-vera-marmelo-fotografa.html#respond Fri, 04 Apr 2014 15:01:00 +0000 Hoje trago-vos, finalmente, a entrevista com a Vera Marmelo. Não a original, que essa, infelizmente, perdeu-se no ficheiro áudio que não consegui recuperar após a entrevista descontraída e animada na FNAC do Vasco da Gama. Vera Marmelo é uma das maiores fotógrafas da actualidade, principalmente no que diz respeito à música. Respeitada e admirada por todos os que testemunham o seu trabalho, a Vera aceitou, novamente, responder a algumas perguntas sobre a sua relação com a fotografia e a música, entre outras. Da minha parte fica o agradecimento e a constatação de que estamos perante uma pessoa contagiante, de uma energia imensa e que vale a pena conhecer melhor.

Olá Vera, fala-nos um pouco sobre ti e sobre a tua entrada no mundo da fotografia. O que é que despoletou esse bichinho em ti?

Nasci e continuo a morar no Barreiro. O típico subúrbio, do outro lado do rio. Na altura em que já estudava em Lisboa, 2002 ou 2003, uns quantos amigos do Barreiro, pessoas que eu conheci nas primeiras saídas à noite, começaram a fazer música e a tocar ao vivo regularmente. Cresceram um bocadinho e começaram a organizar festivais, o Outfest e o Barreiro Rocks. A minha falta de talento para a música e a minha vontade de estar por perto de tudo aquilo que estava a acontecer fez-me arranjar uma ferramenta, uma maneira de contribuir. Comecei a sair de casa, para ir aos tais concertos, com uma máquina digital pequena que o meu pai comprou lá para casa. Foi o início. A minha vontade de pertencer àquele grupo de pessoas e partilhar o que estava a acontecer. Daí a começar a frequentar os concertos que esses mesmo amigos, nomeadamente o Tiago Sousa e tudo o que ele organizava com a extinta Merzbau, foi um pulinho.

Hoje em dia é raro, no mundo da música, não se saber quem é a Vera Marmelo. O teu trabalho tem vindo a ser cada vez mais reconhecido e apreciado. Que impacto é que isso tem vindo a ter na tua vida?

Só coisas positivas na verdade. Quando fotografas pessoas, quando gravitas em torno de um mundo tão rico e cheio de gente interessante como o musical, só podes retirar boas energias. O reconhecimento e principalmente a confiança que depositam em mim dá-me um espaço super especial. Sei que tenho acesso a mil situações às quais nunca chegaria sem uma máquina fotográfica.

Tiago Sousa por Vera Marmelo

Preferes fotografia a cores ou a preto e branco? Porquê?

Sou fã das duas versões. Acho simplesmente que há ocasiões em que uma funciona melhor que a outra quando estou a fazer retratos. Em concertos, regra geral, refugio-me no preto e branco quando as luzes não me parecem tão interessantes.

A diferença maior para mim é o meio. Se estou a fotografar com filme, ou digital, ou com o telefone. Sou sempre poupada nos cliques, mas a fisicalidade, a maneira como seguras a máquina e te posicionas frente às pessoas, aí sim! Muda tudo.

Que tipo de máquinas e tecnologias de edição é que costumas utilizar e em que circunstâncias?

Tenho duas câmaras uma médio formato, alimentada a rolos, que utilizo quando faço retratos mais especiais. Um digital, todo o terreno, que uso nos concertos. A edição vai bater nas ferramentas base de todos os outros, um afinar de cores, limpar riscos dos negativos e nada de mais.

Enquanto fotógrafa preferes as fotos de estúdio ou de concerto?

Sempre que leio a palavra estúdio penso num estúdio de gravação de música e não de fotografia. Se a pergunta é sobre o de fotografia, não sei, nunca usei um a sério. Se é num estúdio de música, depende. Se estiverem a gravar à séria pode ser um bocadinho chato, não podes fazer barulho e estás sempre à espera. Mas é um sítio onde me sinto muito confortável e onde gosto de estar. Quanto aos concertos, é mais o vício que preferência.

YCW,CB por Vera Marmelo

Qual foi o trabalho que mais prazer te deu fazer até hoje?

Não consigo nomear um apenas. Tenho passado uns bons bocados com montes de situações. Ás vezes conversas de 15 minutos que tenho durante 5 cliques são tão intensas e interessantes como 3 dias de viagens e tour. Falando só sobre coisas que se passaram este ano. Diverti-me muito a fotografar os You Can’t Win Charlie Brown – retratos, ensaios e concerto. Também passei um bom bocado com os Equations no Porto. E os retratos que fiz ao Vincent Moon, aquando da passagem dele pela ZDB, também me marcaram muito pelo bocado que passámos com ele.

Tens fotografias espalhadas por revistas internacionais, sites como o we transfer ou bodyspace. Viver da fotografia a tempo inteiro é um desejo em vias de se tornar realidade?

Eu vivo a fotografia, os momentos que ela me dá, mais do que a ideia de profissão. É só a minha maneira de interagir com o mundo, partilhar com os outros o que gosto. Como isso está a acontecer, como há um feedback incrível por parte das pessoas a quem chego já é sonho concretizado. Sobre a fotografia como meio de subsistência,  nem penso muito. Tenho uma liberdade muito interessante no tipo de fotografias que faço por dividir a minha vida em dois.

Vincent Moon por Vera Marmelo

Lançaste um álbum de fotografias com treze retratos de músicos. De onde é que surgiu a ideia e qual o conceito do álbum?

Surgiu de uma festa de aniversário cancelada e de um projecto de jornal que morreu ainda antes de nascer. Foi fruto de um acaso, mas activado por uma série de encontros muitos felizes, nomeadamente com a Susana Pomba, Filipa Valadares, Sílvia Prudêncio e Mariana Duarte Silva.

Qual foi o critério de escolha dos músicos?

A festa de aniversário cancelada foi a do site Música Portuguesa a Gostar dela Própria. A selecção foi feita a partir dos músicos que já haviam sido filmados pelo Tiago Pereira ou pela sua equipa e dos quais eu gostava mais.

As primeiras 150 cópias esgotaram num instante e a segunda edição penso que também já esgotou. Dado todo este sucesso à volta do teu trabalho, já pensaste em fazer alguma exposição?

Já fiz um par delas, pequenas. Não é uma coisa que me entusiasme particularmente, mas há sempre ideias a rolar, sim.

Álbum da Vera Marmelo

Muitos consideram-te a alma da música em fotografia. O que pensas disso? Quem é realmente a Vera Marmelo?

Deposito muito da minha energia nesta “cena musical” que vivemos entre Lisboa e Barreiro. Se isso é “alma” aos olhos de quem o afirma, ok. Mas a verdade é que essa mesma energia é gratuita, não há uma reflexão acerca do que ando a fazer ou a intensificar com as minhas fotografias e palavras. Faço porque sim, porque me diverte, porque me faz chegar aos outros, porque quero partilhar as coisas e as pessoas de quem gosto. A Vera é só alguém com energia a mais e que gosta muito de pessoas e de conversar com elas.

Sei que gostas de ler e de escrever, quais é que são os teus autores preferidos? Algum livro que se destaque entre todos os que já leste?

Sou uma vendida à geração beatnick. Essa ideia da escrita não sei de onde te surgiu, não tenho esse costume.

Sou também muito esquecida, mas houve uma energia qualquer que o Just Kids da Patti Smith me passou.

Se tivesses que inspirar um escritor com algum trabalho teu para a escrita de um livro, que tipo de fotografia escolherias? O tema seria livre, por isso serias tu, através dessa fotografia, a sugeri-lo.

Um bom par de retratos de família e de cada um dos seus membros, frames do seu dia a dia, imagens que te levassem a tentar imaginar o que se passava ali, a conversa, o momento. Gosto de histórias pessoais. Se calhar foi isso que me entusiasmou com livro o da Patti, ler a história dela com o Robert. E o livro era ilustrado com momentos de intimidade dos dois, retratos da Patti, que o Robert fazia.

Podes revelar-nos que projectos é que tens para um futuro próximo?

Tenho fotografado muita gente neste início de ano e comecei a aprender a definir a agenda e as fotografias à semana. Portanto cada semana há sempre um mini-projecto, um par de retratos, uma ida a um estúdio, um concerto. Assim o mais bonito de partilhar e que é uma coisa a longo prazo é um livro feito a quatro mãos, que ando a alinhar com o Luís Martins, a sair depois do Verão. Vamos celebrar o aniversário da ZDBmuzique.

Blogue da Vera Marmelohttp://v-miopia.blogspot.pt/

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