Viagem a Bloomington – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:43:21 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Viagem a Bloomington – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Diário de Bordo] Um mês em Bloomington | Amigos, Basquetebol e muitas Saudades https://branmorrighan.com/2019/10/diario-de-bordo-um-mes-em-bloomington.html https://branmorrighan.com/2019/10/diario-de-bordo-um-mes-em-bloomington.html#respond Sat, 19 Oct 2019 19:41:00 +0000

Faz amanhã cinco semanas que aterrei em Indianápolis para iniciar esta nova fase da minha vida. Como já disse anteriormente, mudar-me para o outro lado do mundo não estava planeado, mas está na altura de confessar que, apesar das saudades infinitas (em que por vezes o peito aperta mesmo e fica ligeiramente difícil respirar), sou uma sortuda. Encontrei pessoas tão boas para mim aqui que a adaptação só tem sido tão suave por causa delas mesmas. Dos meus orientadores aos meus colegas de departamento, todos têm tentado facilitar ao máximo este processo que é aprender a estar longe de tudo e todos que antes eram uma realidade constante. 

As rotinas mudam. As pessoas mudam. Não tem que ser para melhor ou pior, mas diferente. E houve muita coisa no meu dia-a-dia aqui que mudou. Algumas para diferente, outras para melhor, pior só mesmo estar longe dos que amo. E como me quero focar nas coisas positivas, imaginem só que volta e meia vou para um campo de basquetebol correr e lançar que nem uma tolinha, cheia de saudades do tempo em que o fazia diariamente! Também entre uma a duas vezes por semana vou a aulas de yoga e as caminhadas pela natureza tento que sejam uma constante aos fins-de-semana. 

A nível científico começo, finalmente, a ter tempo para dedicar às minhas coisas. Este primeiro fez foi completamente frenético em termos de tratar de papelada e burocracias e de começar a apanhar o ritmo das reuniões (tenho muito mais reuniões semanais aqui do que tinha em Portugal). Acima de tudo este primeiro mês tem servido para me tentar encontrar e ao mesmo espaço. Tanto a nível pessoal como profissional. Eu tinha certas rotinas de trabalho em Portugal que ainda não consegui implementar aqui, mas sinto que já estive mais longe. Este pós-doutoramento tem tudo para se tornar numa experiência profissional memorável. Os investigadores são todos de excelência, há sempre ideias novas a pairar no ar, é fácil encontrar alguém com quem discutir os temas em que trabalho. Em Portugal não era assim. 

Tudo demora o seu tempo a ser desenvolvido. Por exemplo, enquanto que em Portugal eu estava habituada a publicar algum artigo científico anualmente (um ou dois por ano, pelo menos), sei que aqui posso vir a demorar pelo menos um ano até começar a submeter alguma coisa. Pelo menos é esse o feedback que tenho recebido dos outros colegas. É claro que provavelmente os jornais e revistas para os quais vou submeter coisas são mais exigentes do que até aqui (o que faz sentido). Ou seja, tudo é um processo de aprendizagem, mas tem sido uma boa experiência até agora. 

Mas já agora deixem-me que vos fale da alimentação aqui. Eu sou vegetariana, o que para os meus colegas é sempre sinónimo de dor de cabeça. Ahahah. No entanto, não tem sido difícil ser vegetariana aqui, o que tem sido é dispendioso… Tudo o que seja frutas e vegetais é bastante caro, se formos para os alimentos orgânicos ainda mais. Até o pão é super caro. Pelo menos se quisermos pão de qualidade. Ainda assim, tem corrido tudo bem e acabo a cozinhar praticamente todas as refeições, tirando quando decidimos almoçar ou jantar fora. 

Resumindo e concluindo: balanço do primeiro mês bastante positivo, até à Opera e ao Ballet fui, vou jogando basquetebol de vez em quando, tenho colegas excelentes, faz frio que dói (à noite tem estado 2/3 graus), mas uma pessoa aguenta… Fica aquele apertozinho, do tamanho do mundo, no coração com saudades do meu lindão #ocaobran. 

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[Diário de Bordo] Uma semana em Bloomington, Indiana, EUA https://branmorrighan.com/2019/09/diario-de-bordo-uma-semana-em.html https://branmorrighan.com/2019/09/diario-de-bordo-uma-semana-em.html#respond Mon, 23 Sep 2019 03:35:00 +0000

Uma semana! Faz hoje uma semana que aterrei em Indianápolis para me mudar para Bloomington! Ufa! Mudar para outro país, principalmente noutro continente, é sempre um desafio. Talvez não se lembrem, mas há dois anos também vivi no Japão durante pouco mais de um mês. Felizmente, desta vez, a experiência está a ser bem diferente já que, pelo menos, não existe a barreira da língua. No entanto, é bem mais do que isso. A Indiana University é a minha nova casa em termos de investigação científica e fui muito bem recebida, o que aquece sempre o coração. 

A burocracia tem sido infinita, e ainda não está toda tratada, o que tem tornado os dias cansativos. Tenho tentado conjugar todos os compromissos burocráticos, com reuniões de projectos, palestras e ainda algum trabalho efectivo, o que não me tem deixado muito tempo para escrever aqui no blogue sobre tudo o que tem acontecido. Ainda assim, queria partilhar convosco as fotografias que tenho tirado com o meu telemóvel nas explorações que tenho feito pela cidade. Estão longe de realmente captarem as cores e a beleza que tenho visto, o meu telemóvel não é assim tão bom, mas se há coisa que me consola é ter tanta natureza por perto. 

Brevemente tento escrever-vos de forma mais detalhada. Agora vou descansar para mais uma semana mega frenética, mas cheia de desafios deliciosos! Até já 🙂 

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[Diário de Bordo] Depois da Longa Ausência, o Regresso https://branmorrighan.com/2019/06/diario-de-bordo-depois-da-longa.html https://branmorrighan.com/2019/06/diario-de-bordo-depois-da-longa.html#respond Tue, 11 Jun 2019 13:46:00 +0000 Amanhecer em Bloomington

Após uma longa ausência, vou tentar retomar ao blogue a um bom ritmo. Espero que seja possível! Mas antes disso, uma pequena descrição do que me manteve afastada.

Quem segue a rubrica Diário de Bordo sabe que já entreguei a minha tese de doutoramento há algum tempo, mas que ainda espero pela defesa. E enquanto a espera me tem causado alguma ansiedade, uma excelente surpresa surgiu pelo caminho: um convite para ir falar sobre o trabalho do meu doutoramento aos Estados Unidos, mais propriamente à Universidade de Indiana, em Bloomington. A Universidade de Bloomington tem das melhores pessoas a trabalhar na mesma área que eu, Redes/Sistemas Complexos, e não me podia ter sentido mais privilegiada com esta oportunidade. Para além de o Campus ser uma espécie de sítio encantado no meio da floresta, também a cidade de Bloomington tem o seu quê de especial. Respira-se liberdade e boa disposição pelas ruas.

Nunca tinha estado nos Estados Unidos, mas senti que Bloomington é quase uma espécie de microestado com vida própria. Foi muito fácil estar lá aqueles dias. Dado o quanto gosto de café ao pequeno-almoço, isso não foi um problema, de todo. Aqueles potes enormes de café (com “recargas” grátis), as omeletes com os mais variados conteúdos feitas de ovos de quintas locais… Uma delícia. Como sou vegetariana, quando viajo sinto sempre o risco de não encontrar locais com facilidade em que possa comer, mas apesar de ser uma cidade pequena, Bloomington tem uma oferta enorme no que diz respeito à comida. Foi fácil encontrar um local de comida vegetariana/vegana, um mercado de comida orgânica e ainda um café espectacular em que também servem smoothies orgânicos deliciosos.

Para além de visitar o Departamento de Informática, tive também o privilégio de conhecer gente super interessante do Departamento de Neurociência e do Indiana University Network Science Institute. Nunca em tão pouco tempo, e de forma tão concentrada, conheci tantos projectos super interessantes e que podem vir a ter tanto impacto em sistemas biológicos/médicos e sociais. Para além de que, e os leitores mais antigos vão-se identificar com isto, o basquetebol por aquelas paragens é um dos desportos principais. Acabei a não tirar nenhuma fotografia do local onde jogam, mas é um autêntico estádio. Deixo-vos com algumas fotografias e o tema principal da minha talk. Como há mais novidades para partilhar, não vos quero cansar já com um post demasiado extenso. Resumindo e concluindo, a primeira ingressão aos EUA pode ser considerada um sucesso e é indescritível quando vemos o nosso trabalho ser reconhecido por alguns dos maiores nomes da nossa área científica. 

Próximas paragens (para os próximos artigos aqui): Itália e Holanda!

PS: Como é óbvio não resisti a comprar dois livros por lá. Estavam em promoção e são sobre assuntos que me fascinam. Encontram-nos no final deste post. Um deles estou prestes a terminar e brevemente escreverei sobre ele também. Gostam de budismo? Enviem-me sugestões para o mail do blogue sobre livros relacionados! Não que eu esteja a seguir a religião, mas porque ando a fazer os meus próprios estudos em tudo o que diga respeito à relação entre as emoções e as acções. Bem, já me estou a esticar, acho que isto dá outro post muito interessante! Até já 🙂 


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