Vivendo nos EUA – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Sun, 31 Jan 2021 11:47:34 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Vivendo nos EUA – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Diário de Bordo] PS: Drenada Emocionalmente https://branmorrighan.com/2020/11/diario-de-bordo-ps-drenada.html https://branmorrighan.com/2020/11/diario-de-bordo-ps-drenada.html#respond Mon, 02 Nov 2020 22:33:00 +0000

Nem de propósito, logo a seguir a publicar o Diário de Bordo anterior, recebi a notificação deste vídeo. E quero partilhá-lo convosco porque a verdade é que tenho-me sentido tão exausta que cheguei a fazer as mesmas perguntas que a Kati Morton faz: será que estou deprimida? será que estou novamente com uma ansiedade descontrolada? — (e sim, eu já tive episódios de ansiedade e de pânico que me levaram a fazer psicoterapia… longa história para um outro post) — E a verdade é que a expressão que ela usa “Emotionally Drained” – ou “Drenada Emocionalmente” em português – é precisamente a expressão que mais eco faz comigo.

Há-de haver um tempo e um espaço para falar sobre isto, mas durante este tempo que tenho estado a viver nos EUA muita, MESMO MUITA, coisa aconteceu. E a pandemia veio amplificar uma série de coisas. Não vou entrar em detalhe, mas o resumo é que — às vezes não dá mais. Às vezes não dá para concentrar mais, forçar mais, o que for. Até as limpezas custam. Não há a refeição quentinha que se pode ir ter à casa da mãe, da amiga ou dos colegas que trabalham na mesma coisa. Não há um abraço há meses. Não há qualquer contacto humano ou animal, já que o meu Bran está em Portugal, há meses.

Ainda assim, tal como a Kati Morton disse que estava a acontecer no caso dela, eu não me sinto deprimida. Eu gosto do que ando a investigar e a trabalhar, mas sinto-me completamente drenada. E essa é uma das razões pelas quais tenho escrito tão pouco aqui no blogue.

Resumindo e concluindo, sigam também o seu conselho. Se se sentem desta forma, falem com alguém. Felizmente eu tenho pessoas com quem posso ir trocando mensagens e fazendo videochamadas que têm a maior paciência do mundo comigo.

E no fundo, no meu dia-a-dia, como é que vou lidando com isto? Com a Rotina Matinal da Sobrevivência (que vai ser actualizada muito brevemente) e com tolerância comigo mesma. Portanto, meus queridos leitores, cuidem-se e nutram-se o máximo que puderem, como poderem, sem nunca prejudicarem ninguém 🙂

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[Diário de Bordo] Zero Graus em Bloomington https://branmorrighan.com/2020/11/diario-de-bordo-zero-graus-em.html https://branmorrighan.com/2020/11/diario-de-bordo-zero-graus-em.html#respond Mon, 02 Nov 2020 19:12:00 +0000
Alô! Já era para vos ter escrito este post há uma semana atrás, mas adivinhem… A vida acontece! E entre o trabalho, a falta de horas de sono e o excesso de café, tenho andado com um cansaço tão grande que depois não tenho energia para me sentar a escrever. Mas vamos lá a ser sinceros. Não é que haja um excesso de trabalho assim tão grande, mas quando se está há quase 10 meses a viver em isolamento, sem amigos e família, com algum stress e pressão constantes… Qual é a consequência natural?

Não andamos todos, em todos os pontos do globo afectados pela pandemia, um pouco mais cansados que o normal? Este é um aspecto da pandemia que acho que não se fala tanto, quando na verdade é dos que tem mais impacto no nosso dia-a-dia. Será que estamos todos conscientes das dificuldades que cada um possa estar a passar, com as mais variadas origens, desde que a pandemia começou? Honestamente, acho que não.

Em vários aspectos, mais do que nunca, temos que ser solidários uns com os outros. Em tempos de pandemia, não só a nossa sensibilidade para com o próximo tem de aumentar como também a nossa tolerância. E essa tolerância tem que ser também com nós mesmos. Falemos agora de coisas menos sérias.

O Inverno está a chegar! Quando comecei este post, há duas semanas atrás, já tínhamos tido uns dois ou três dias a zero graus, hoje já vai estar temperatura negativa durante a noite! E nestas duas semanas, os locais de todas as fotografias que estão no final deste post, já estão praticamente despidos de folhas.

O Outono aqui é belíssimo, mas também consegue ser brutal. O que nós em Portugal consideramos tempestades, aqui são apenas eventos quotidianos. O que aqui são tempestades, raramente temos em Portugal. A nível cultural e até mesmo climático, considero que esta experiência nos EUA tem sido muito enriquecedora para ver tudo com outros olhos, novas perspectivas e também uma espécie de abanão em termos de diferentes consequências perante diferentes condicionamentos.

Quero também relembrar que o Emmanuel Acho está de volta com Uncomfortable Conversations With a Black Man! E a última conversa é precisamente com polícias e sobre a iniciativa Black Lives Matter e os protestos “Defund the Police”, e o que ambas significa para ambas as partes.

Neste contexto, também li recentemente uma passagem de Dare to Lead, da Brené Brown – “I haven’t been in a company in five years where people aren’t whispering, “This is great, but, um, how do we talk about race?” My response: “You first listen about race. You will make a lot of mistakes. It will be super uncomfortable. And there’s no way to talk about it without getting some criticism. But you can’t be silent.” To opt out of conversations about privilege and oppression because they make you uncomfortable is the epitome of privilege.

E com isto, despeço-me por hoje. Post curtinho, só para vos mostrar as belas cores de Outono que, no meio de tanto isolamento e da pandemia, sempre nos relembra que o universo é belíssimo e que somos muito sortudos quando temos saúde e uma mínima capacidade financeira para termos um teto e pequenos mimos que atenuem os efeitos das adversidades.

Dito isto, se puderem ajudar alguém, doar algo, por favor façam-no. Dentro das vossas capacidades, claro, mas acredito que bondade gera bondade e nunca se sabe se algum dia seremos nós a precisar de alguma ajuda – seja, financeira, de uma palavra, de um bem, de um abraço (quando possível), o que for.

Um último apelo: estamos a viver tempos em que ser-se solidário incluiu pensarmos também que risco transportamos para a saúde das outras pessoas. Viver em tempos de pandemia significa que não nos podemos preocupar só connosco, mas também com os outros.

Usem máscaras quando não puderem estar à distância indicada. Evitem estar em grupos grandes, ainda para mais se não tiverem testado todos recentemente. Lembrem-se que as pessoas assimptomáticas podem infectar alguém que pode, ultimamente, morrer da doença. E lembrem-se que nem todos têm uma estrutura familiar e financeira que os permita, caso fiquem doentes, terem os cuidados que precisam. Abraço.

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[Diário de Bordo] E entretanto já passou um ano de EUA! https://branmorrighan.com/2020/10/diario-de-bordo-e-entretanto-ja-passou.html https://branmorrighan.com/2020/10/diario-de-bordo-e-entretanto-ja-passou.html#respond Sun, 11 Oct 2020 16:44:00 +0000
Queridos leitores,

Bem-vindos novamente a este espaço. Todos os meus planos para voltar de forma activa e rotineira ao BranMorrighan têm falhado. Mas se há coisa que tenho aprendido é que tudo tem o seu tempo, e se por vezes as coisas não acontecem quando queremos, é porque é melhor assim (mesmo que só nos apercebamos disso mais tarde).

Portanto aqui estou, sem promessas, mas ainda com muita vontade de reavivar este espaço. E explico-vos porquê. Tenho aprendido tanto, tanto, tanto! Não só academicamente, mas também sobre mim, sobre o que me rodeia, sobre como tentar reprogramar a nossa mente para que possamos desintoxica-la, seja de ambientes e pessoas tóxicas, seja da nossa própria falta de confiança, ansiedade e tristeza.

Quem diria, há um ano atrás, que estaríamos prestes a viver em altura de pandemia, com todas as nossas rotinas viradas do avesso, a ter que aprender a viver com novas condicionantes, e tudo em constante mutação. Falando por mim, há ano e meio atrás, vir viver para os Estados Unidos não era sequer algo em cima da mesa. Nem sequer uma ideia. Depois surgiu a oportunidade, pela qual estarei eternamente grata, e há um ano e pouco atrás mudei-me para cá.

Na altura, a perspectiva até era passar algum do tempo em Portugal, mas com o coronavirus acabei a ir a Portugal só uma vez, em Dezembro/Janeiro. Tinha planeado ir a Portugal pelo menos no meu aniversário, mas entretanto vieram restrições de viagens, proclamações imprevisíveis e, mais tarde, a 1 de Setembro, comecei um novo pós-doutoramento, desta vez na School of Public Health, ainda na Indiana University.

Nem sequer vos consigo ainda transmitir os níveis de stress, ansiedade, antecipação e inquietação que vivi. Não sei se cheguei a partilhar convosco, mas assim que aterrei no regresso aos EUA, no início de Fevereiro, fiquei doente. Quase duas semanas do que agora desconfio que tenha sido covid-19. Foi duro, porque estava a mudar-me para um novo apartamento, completamente vazio, mas acabei por ter a sorte de ter quem me ajudasse um pouco nessa altura. Não me lembrava de ficar tão doente até há coisa de um mês atrás.

Em menos de 24 horas fiquei com a garganta super inchada, perdi a voz, o meu ouvido direito estava impossível com as dores, engasgava-me até a beber água, mesmo em doses máximas de antipiréticos tive febre… Bem, se em Fevereiro consegui curar-me com mesinhas caseiras, desta vez em coisa de 24h percebi que não passava sem ser consultada. Acabei a tomar antibiótico, penicilina, durante 10 dias e ainda assim demorei quase os 10 dias até conseguir voltar a falar e a conseguir sair da cama/sofá.

Conto-vos que nunca dei tanto valor ao nosso serviço nacional de saúde. Por uma consulta rápida numa farmácia, aqui nos EUA acabei a pagar $100 dólares, mesmo com seguro de saúde. E dizem que o meu seguro até é bastante bom. O meu maior receio era ter que voltar ao médico, porque se não melhorasse teria mesmo de ir ao hospital, e lá perder um ordenado só em contas médicas. Ahah. Portanto, quem se queixar do SNS, pense duas vezes. Tem muitas falhas, sim, mas concentremo-nos então na sua melhoria e nunca em deitá-lo para baixo.

Entretanto, este post já está demasiado longo e ainda nem vos disse um terço daquilo que queria. Hum… Parece que tenho mesmo de voltar a escrever mais frequentemente, certo? Ahah. Tenho aqui um rascunho, ainda minúsculo, de algo sobre o qual quero escrever que está relacionado com “desmistificar práticas espirituais”.

Quando comecei a pensar nisto, a motivação foi que muitas pessoas misturam uma série de conceitos e associam, muitas vezes, meditação e yoga, ou até mesmo o conceito de sistema de chakras, a religiões, etc. E o meu objectivo aqui será mostrar-vos como é que estas diferentes práticas se podem realizar sem que estejam anexadas a uma religião.

É claro que, por norma, existe um sistema de crenças, mas o mais importante é que nos sintamos bem com aquilo que praticamos e que, se nos revermos nessas crenças, aceitarmos que elas não são mutuamente exclusivas com nenhuma religião.

Isto também vem no seguimento de algumas interacções na página do Facebook em que alguns leitores pediram mais posts sobre yoga e, surpresa surpresa, um dos Diários de Bordos mais visualizados de sempre, com perto de 1000 visualizações, é A Rotina Matinal da Sobrevivência.

Escrevi aquele post em Abril e desde então tanto aconteceu! Inscrevi-me em dois ou três diferentes workshops de Yoga, fiz parte de um retiro virtual, subscrevi duas APPs e adaptei a minha rotina para também incluir um pouco de actividade mais física (cardio e muscular) para complementar a prática de yoga. Já criei mais ao menos um fluxo de aulas e instrutores tanto no Youtube como nas APPs que subscrevi e quero muito contar-vos sobre isso, caso estejam interessados!

Vou terminar o post referindo que continuo uma péssima leitora. Ainda assim, tenho lido pelo menos um livro por mês. Em termos de música, tenho andado viciada em alguns discos novos, como o novo do Noiserv e o novo do Sufjan Stevens, e reavivei um pouco meu fascínio artístico pela Billie Eilish.

Em termos de séries… Oh! Tenho duas sugestões de partir a rir e de se deixarem encantar, caso tenho Netflix. Schitt’s Creek e Emily in Paris. A primeira é uma comédia sobre uma família milionária que perde tudo e vai viver para uma pequena cidade que o pai tinha comprado, por piada, ao filho, num dos seus aniversários. Ahahah, só de me lembrar começo-me a rir. A família passa a viver num motel que carece de qualquer privacidade ou glamour e a aventura começa. Emily in Paris é uma série pura e simplesmente encantadora. É o contraste perfeito entre a ideia romântica que se tem de Paris e quão duro pode ser alguém de fora encaixar-se na cidade e criar empatia com parisienses de gema. E, claro, os dramas românticos e cómicos não faltam. O filme Enola Homes também está muito engraçado!

Despeço-me com um abraço enorme aos melhores leitores do mundo. Sabem em quantas visualizações já vamos? Mais de

3 000 000 !!!

São mais de 3 Milhões de Visualizações que me deixam muito feliz. Para quem quiser acompanhar as actividades aqui nos EUA com maior frequência, deixo-vos os links para as redes sociais. No Instagram (onde a maior parte da actividade concentra-se nas stories) somos quase 2000, portanto juntem-se à família também!

Instagram: https://www.instagram.com/sofiateixeira_branmorrighan/

Facebook: https://www.facebook.com/blogbranmorrighan/

Twitter: https://twitter.com/branmorrighan

Goodreads: https://www.goodreads.com/branmorrighan

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[Diário de Bordo] Sorrisos ao alto! https://branmorrighan.com/2020/08/diario-de-bordo-sorrisos-ao-alto.html https://branmorrighan.com/2020/08/diario-de-bordo-sorrisos-ao-alto.html#respond Sun, 16 Aug 2020 02:30:00 +0000
Ora muito bem-vindos novamente aqui ao BranMorrighan, um espaço ao qual não tenho dado muita atenção, mas do qual me apercebo que estou muito grata. E antes de mergulhar no meu pequeno testamento, partilho aqui uma mensagem que deixei no Facebook hoje:

Queridos leitores, como estão? 

Ando com muita vontade de escrever novamente, mas acreditam que depois de estar tanto tempo longe, fico meia que sem jeito? Ahah, é uma sensação estranha! 

Hoje depois do yoga e enquanto caminhava de manhã, lembrei-me que, parecendo que não, o blogue vai fazer 12 anos! E pus-me a pensar em todas as fases do blogue, de desconhecido aos escritores, dos escritores aos músicos, andar na estrada com bandas, organizar concertos, etc, até que cheguei àquela fase em que o futuro profissional falou mais alto e o caminho trouxe-me até aos EUA, com uma pandemia ainda estilo furacão nos dias de hoje.

Aquece-me o coração ter o blogue como um local de memórias e de âncora para a humildade e o respeito por todos os que contribuíram e contribuem para que tanto seja conquistado. E em tom de gratidão, quero agradecer-vos a vós também, principalmente a quem tem sempre uma palavra carinhosa e de apoio, por estarem sempre desse lado, independentemente se escrevo todos os dias ou uma vez por mês. Obrigada!

Em relação a conteúdo no blogue, é como já falamos antes, há-de vir quando fizer sentido, e sinto que esse sentido se aproxima cada vez mais. Tenho muita coisa que quero partilhar convosco! Portanto, fiquem atentos! Até já.

E é neste sentido de ter um local em que possa revisitar as memórias, que quis copiar aqui esta mensagem. As redes sociais aparecem e desaparecem, mas a web é um espaço mais vasto e não conto, pelo menos tão cedo, desfazer-me o BranMorrighan. E começando com alguns agradecimentos, só agora dei conta que…

Doze mil! 12 000! É um número bem bonito e bem redondo que vai de encontro aos meus pensamentos de hoje de manhã. O blogue caminha para o seu 12º aniversário! Eu sei que é só em Dezembro, dia 13, mas não deixa de ser fascinante eu manter-me deste lado, vocês desse lado, e os ciclos a renovarem-se com novas aventuras e estados de vida completamente diferentes! Onde estavam vocês há 12 anos? Onde estavam vocês há 6 anos?

Há 12 anos eu estava a meio da licenciatura e há 6 anos a começar o doutoramento! E que fases tão distintas foram os primeiros seis anos dos segundos. E que fase ainda mais distinta estou agora! Portanto, na minha maior humildade, quero agradecer-vos, a todos, o apoio. E quero que saibam que não esqueço.

Leitores, escritores, músicos, artistas plásticos, actores, editoras (musicais e literárias), promotores, blogues/sites companheiros, e especialmente – mas não exclusivamente pois muitos se cruzam nas categorias atrás – todas as pessoas, incluindo amigos e conhecidos, que já passaram e/ou que estão na minha vida, que com um pequeno ou grande gesto me ajudaram e ajudam a crescer e a tornar-me na mulher que sou e a manter esta comunidade de que muito me orgulho — Muito Obrigada!

Outra coisa que não me tinha apercebido é que o blogue conta com quase 3 000 000 de visualizações! Três milhões de visualizações! Ainda faltam perto de 14 000, mas com a minha ausência tão berrante durante o último ano, não estava à espera que o tráfego no blogue continuasse consistente. Mais uma vez, obrigada! E não fiquem aborrecidos comigo por agradecer tanto, porque é mesmo sincero. E porque só assim faz sentido continuar.

E agora, mudando de assunto. Lembram-se do post Iniciativa Diversidade? Pois bem, apesar de andar ausente, continuo a tentar mergulhar mais especificamente no tema do racismo. Já comecei a partilhar algumas sugestões literárias, e até a promover passatempos, mas quero que este seja um assunto que realmente comece a entrar na casa de todos. Há conversas que têm que acontecer à mesa de todas as famílias e, portanto, brevemente vai haver mais um post desta série em que vou partilhar mais sugestões literárias e alguns vídeos.

Em relação à vida nos EUA, as coisas têm sido minimamente calmas. Em Bloomington não tem havido manifestações violentas e por esta altura a grande preocupação é o regresso às aulas e o campus ficar cheio de alunos com o potencial de criarem uma onda gigante de covid-19. A universidade tem estado com todas as precauções possíveis, testando à chegada, tendo os espaços higienizados e com limitações muito restritas no que tocas as espaços fechados, mas há sempre o risco do que acontece fora da sala de aula.

Em Indiana tem que se usar máscara, mesmo na rua, quando não é possível manter a distância mínima (six feet) obrigatória. Dentro dos restaurantes só se pode tirar para comer e dentro dos supermercados e centros comerciais é obrigatório sempre.

Exemplo de uma casinha em Bloomington

E tenho uma cusquice para partilhar convosco. Tenho vizinhos novos! Dos lados e no andar abaixo do meu. E sabem que mais? Agora compreendo ainda melhor o sentido de “paredes de papel”. Ouço (quase) tudo! Mas passo a explicar. Sendo Bloomington uma cidade universitária, os arrendamentos são de Agosto a Julho. O que quer dizer que entre meio de Julho e meio de Agosto, a cidade fica num alvoroço de mudanças e mobílias. Vêem-se sofás e colchões fora das casas, contentores a abarrotar de mobília descartada e carrinhas de mudança em rua sim rua não.

Eu vivo num edifício de três andares (a contar com o rés-do-chão), mas o tradicional das ruas interiores de Bloomington (eu vivo no limite do centro) são as casinhas de um ou dois andares, com os seus jardins, bancos exteriores, flores e pátios. Às vezes há casas em que na área da propriedade chegam a ter árvores enormes e lindíssimas!

Há uma aqui perto que tem uma árvore de tronco branco gigante e belíssima. Quando vou dar a minha caminhada até ao Bryan Park, passo por estas casinhas todas e como algumas são de estudantes, tem sido engraçado ver esta transição entre quem foi embora e quem chega. Voltando aos meus vizinhos… Bem, digamos que até a máquina de lavar roupa deles às vezes ouço (tem um som de “fim” igual à minha). O aspecto positivo é que, por norma, depois das 22h fica tudo silencioso.

Outra curiosidade que posso partilhar convosco, que não me lembro se partilhei, é que agora percebo porque é que nos filmes americanos há tantas lavandarias exteriores! Apesar do meu apartamento ter no interior máquina de lavar e secar roupa (nos EUA não se usa estender roupa, pelo menos até hoje nunca vi), quando se vive em complexos de apartamentos, em vez de casas, é raro os apartamentos terem esses equipamentos. Na verdade, é considerado um luxo. Então por norma existe uma lavandaria fora dos apartamentos e às vezes fora dos edifícios.

O que não é luxo nenhum é o problema que volta e meia tenho com bichinhos aqui no apartamento. Se vos disser que já tive exterminadores cá em casa uma dezena de vezes… E fico sempre admirada com a postura do senhorio a dizer que é normal, que na casa dele de vez em quando também aparecem bichos, e que o exterminador vai lá de meses a meses. Ora bem, isto de se ter bichos, dezenas ou centenas deles, por muito pequenos que sejam não me parece nada normal. Ahah. É nestas alturas que acho que me sinto demasiado europeia.

Ora bem,  como o post já está gigante, termino aqui com este bambi que vi no outro dia ao caminhar. Brevemente quero então escrever mais um post da série diversidade, quero também escrever mais um post sobre práticas espirituais, desmitificando o que considero espiritual, relacionando com a prática diária de bem-estar — yoga, nas suas diferentes componentes (são 8, sabiam? sabiam que yoga não é só a prática de asana? e que asana é o nome que se dá à prática física, as posições, do yoga?), meditação, journaling, entre outros. Tenho também planeado falar-vos sobre as minhas leituras que têm oscilado entre o fantástico e a não ficção.

Dito isto, sorrisos ao alto! 🙂 Obrigada pela vossa paciência e por estarem desse lado!

PS: Estou a pensar criar um grupo privado no Facebook para que alguns dos temas que aqui vou falando sejam discutidos de forma mais interactiva num espaço seguro em que se sintam à vontade para se expressarem. É só uma ideia, digam o que me acham. Se tiverem sugestões de outro tipo de espaço em que possamos fazer isto, digam! 🙂 Namastê!

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[Diário de Bordo] 32 and counting! https://branmorrighan.com/2020/06/diario-de-bordo-32.html https://branmorrighan.com/2020/06/diario-de-bordo-32.html#respond Sun, 28 Jun 2020 19:59:00 +0000

Queridos leitores! Fiquei tanto tempo sem vir ao editor do blogue que neste momento deparo-me com uma interface completamente nova e, muito honestamente, não me parece assim tanto user friendly. Claro que o blogger estava a precisar de um update, mas… Ahahah! Não era assim que tinha planeado começar este post. Recomecemos!


Queridos leitores! Como estão? Por aqui foi preciso passarem umas boas semanas para vos voltar a escrever. Ainda que na página de Facebook vá colocando algum conteúdo multimédia e partilhando algumas iniciativas literárias, a verdade é que a missão de um dos últimos diários de bordo foi completamente falhada. Não consigo forçar-me a escrever quando o espírito não está para aí virado. Pura e simplesmente é contra natura. E não é por não querer criar uma rotina de escrita, é porque às vezes o nosso coração não está no sítio certo e foi isso que senti que estava a acontecer comigo.


Dia 1 de Junho fiz 32 anos! Um aniversário bem diferente do habitual. Há já alguns anos que tenho o ritual de ver aquele mesmo grupo de pessoas no meu aniversário e este ano estava em Bloomington, com a cidade praticamente vazia e em tempo de pandemia. Ainda assim tive a sorte de estar com dois colegas, um deles até cozinhou um bolo de gengibre como bolo de aniversário. O que nunca vou esquecer é que para almoço pedi uma pizza vegetariana e de alguma maneira o cozinheiro arranjou maneira de colocar um picante terrível em vez de molho de tomate. Resumindo e concluindo, ao fim de duas fatias eu já transpirava e já caía para o lado! Ahahah, ao menos deu para rir um bom bocado. Tive também uma amiga que estando distante, arranjou maneira de me entregarem uns balões de parabéns em casa, que agora servem de decoração colorida na minha sala. Ou seja, um aniversário bem distante do normal, mas ao menos não o passei completamente sozinha (ao contrário do meu dia-a-dia normal que é bastante eu, eu mesma, mais eu mesma – me, myself and I, literalmente). 


Outra razão que me tem deixado inquieta e a fugir do computador tem a ver com o facto de não saber quando posso voltar a Portugal. E agora que já falei com os meus pais sobre isso (a minha mãe lê o meu blogue… olá mãe!), posso partilhar convosco que isto é algo que de vez em quando me deixa um pouco… triste, diria. No sentido em que tenho saudades gigantes do meu #ocaobran e devido a todas as proclamações do grandessíssimo %&$/(#$=? Trump, estou meia que encurralada nos Estados Unidos. No entanto, depois de muito processar tudo o que se está a passar e depois de tentar cimentar algumas técnicas de resiliência emocional e mental, lá ganhei um pouco de ânimo para vos escrever. 


E tenho umas quantas coisas para partilhar convosco! Antes de mais, recomecei a ler com alguma frequência. Nesta minha coisa de querer fugir do computador (por já passar o dia todo a trabalhar nele), lá vou conseguindo virar algumas páginas de alguns livros. Confesso, ainda assim, que a maior parte dos livros são técnicos, ou sobre trabalho, ou sobre yoga (ainda só li um pequeno romance de Don DeLillo), mas ao menos é um princípio. 


Outra coisa que me tem ajudado a melhorar a disposição é assistir aos clips do The Daily Show com o Trevor Noah. Estando a viver nos EUA no meio da pandemia e de toda a tentativa de revolução contra o racismo, assistir aos clips do Trevor Noah é como um duplo efeito: primeiro ele consegue chamar a atenção para tudo o que é grave, pertinente e importante de uma forma que não nos deixa em pânico, conseguindo, por outro lado, fazer-nos rir com o ridículo de tantas situações. 


No caminho da resiliência mental, lembram-se que num post anterior vos falei das minhas rotinas de Yoga? Pois bem, para além do Yoga With Adrienne, inscrevi-me recentemente numa série de workshops relacionados não só com Yoga, mas também com outras práticas Mindfulness. Isto porque nos tempos em que vivemos é fácil sentirmo-nos perdidos, um pouco a questionar as nossas opções, etc., e nem sempre tiramos o tempo para olhar para dentro e separarmos o trigo do joio. Separar o trigo do joio significa separar os pensamentos que só causam atrito daquilo que realmente podemos controlar. E por vezes deixamo-nos dominar por uma série de pensamentos “e se… e se…” quando muitas vezes não temos controlo nenhum sobre esses potenciais acontecimentos. Para mim é importante aperceber-me do que me rodeia e perguntar-me: o que é que eu posso fazer para melhorar a situação? Por exemplo, neste momento não me adianta pensar “ai que horror, não sei quando vou a Portugal” porque não controlo proclamações de presidentes %&$/(#$=?. Então para mim é importante pensar: “ok, vou ficar aqui até tempo indeterminado, o que é que posso fazer para me sentir tranquila?”.


Bem, fiquei tanto tempo sem escrever que agora, coitados de vós (provavelmente vão só anotar #tl;dr), já estou a escrever demais! Perdoem-me. Resumindo e concluindo, têm sido tempos agitados, com muitas incertezas, muitas variáveis que não controlo e, para alguém com um historial de relativa ansiedade e aversão a situações de supressão de liberdade, este tem sido um desafio que tem exigido muito trabalho interior. Felizmente, para além das leituras e das práticas de yoga e meditação, tenho também acesso (FINALMENTE) aos campos de basquetebol de rua! (Daí a fotografia do post)


Ok, estou quase a deixar-vos ir. Prometo. Algumas notas finais: durante os protestos contra o racismo fiz uma série de publicações nas minhas redes sociais que levaram, imaginem, a que perdesse seguidores. Boa viagem! Outra coisa, este é o mês PRIDE e portanto quero chamar à atenção não só o tema do racismo, mas também ao tema da homofobia. Mais uma vez, todos são bem-vindos a este espaço, mas a intolerância não é aceite. Um dos meus planos é fazer publicações mais completas sobre estes temas delicados que parecem estar a dividir a sociedade, quando nos devíamos unir todos pelos direitos HUMANOS. É por isso que se chama DIREITOS HUMANOS e não direitos dos brancos e dos heterossexuais. No final, somos todos humanos, todos feitos da mesma matéria e RESPEITO é algo muito bonito, que todos queremos, e portanto devíamos ser os primeiros a providenciar a todos os que nos rodeiam. 


Abraço enorme, cheio de saudades! 


PS: Perdoem-me, estou cheia de trabalho e não vou rever o texto. Se encontrarem coisas mal escritas, dêem-me o desconto. Quis aproveitar este rasgo de energia e partilhar convosco estas coisas que tanto me têm ocupado a cabeça. Lembrem-se sempre: TOLERÂNCIA, RESPEITO, COMPREENSÃO!

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[Diário de Bordo] Homesick https://branmorrighan.com/2020/05/diario-de-bordo-homesick.html https://branmorrighan.com/2020/05/diario-de-bordo-homesick.html#respond Sun, 24 May 2020 21:08:00 +0000

Os portugueses têm a palavra “saudade” que é bastante não traduzível e que exprime tanto, mas a língua inglesa também tem uma palavra que ao longo do tempo se me tem tornado muito íntima – homesick. Poderia dizer, neste momento, que tenho saudades de Portugal, da minha família, do meu mais que tudo #ocaobran, dos meus amigos, e tantas outras coisas e lugares. No entanto, sinto-me “homesick” num sentido muito particular e visceral. É como ter saudades de tudo isto, mas ter em igual medida saudades de mim mesma. Sem dúvida que esta experiência tem sido uma enorme aprendizagem a todos os níveis. A vida mudou quase como da noite para o dia.

Só para percebermos melhor o contraste actual: de cientista, professora, blogger, cheia de actividade e euforia rodeada dos melhores amigos, família e o meu lindo Bran, peguei nas minhas trouxas e vim viver sozinha para o outro lado do oceano. Antes do coronavirus convivia com um grupo de quatro ou cinco pessoas durante a semana e depois do coronavirus passei a conviver com zero. Ainda fui a um concerto no The Bishop, e a um jogo da NBA em Indianapolis, mas mesmo agora que os sítios estão a abrir, não existe qualquer tipo de ritual de convívio. Se estivesse em Portugal, mesmo que lentamente, provavelmente começaria a ver alguns amigos e família. 

A primeira vez que fiquei mais de 24 horas sem dizer uma única palavra e sem ver ninguém, chorei. E não tenho qualquer vergonha em confessar isto porque imagino que não tenha sido a única pessoa a levar um choque intenso depois do coronavirus ter fechado tudo, incluindo fronteiras. Não sou, de certeza, a única pessoa a viver sozinha, longe dos mais queridos, e por isso o meu conselho é que telefonem a alguém. Arranjem maneira de falar e ver alguém (WhatsApp, Skype, Zoom, o que for a vossa praia) o mais frequentemente possível. Com o passar das semanas o processo tornou-se mais fácil, mas a mente precisa de construir onde existe vazio. Como tenho andado completamente assoberbada entre infestação de bichos (na Terça-feira o exterminador vem cá a casa pela quinta vez… melhor coisa a acontecer em tempos destes, claro!) e muitos desafios científicos, a ansiedade nem sempre está quietinha no sítio certo. 

Criei então uns quantos rituais que me ajudam a manter calma e a enfrentar uma coisa de cada vez. Todas as manhãs acordo e faço 10 minutos de yoga antes de ir cozinhar o meu pequeno almoço. Apesar de andar com um ritmo de leitura dolorosamente lento, tenho sempre dois tipos de livros na cabeceira. Um mais relacionado com yoga (estou a tentar ir à raiz das raizes do yoga e vou escrever sobre alguns destes livros brevemente) e outro um romance qualquer que facilmente me transporte para outro universo e me liberte o raciocínio de qualquer coisa do presente. Ou seja, por um lado tenho uma leitura para crescimento emocional, por outro lado tenho uma leitura que de preferência me anestesie do que quer que se esteja a passar. Por norma leio antes de ir dormir. E antes de ler tento sempre fazer mais uma sessão de yoga (por norma o vídeo que está no calendário do Yoga with Adrienne). 

Gostava de ter mais disponibilidade para o blogue. Sei que pareço uma cassete riscada, mas eu realmente sinto falta daquele entusiasmo de escrever sobre qualquer coisa. No entanto, entre noites sem dormir por causa dos bichos e o stress do trabalho, por norma sinto-me tão cansada que é difícil desligar. E voltando ao assunto inicial o blogue, é também aqui que me sinto “Homesick”. O blogue sempre foi uma parte muito grande de mim e não vejo isso a mudar tão cedo. Daí vos ter escrito esta entrada tão pessoal, porque acredito que talvez haja outras pessoas que se reconheçam nestas descrições e… Não estamos sozinhos! Se quiserem partilhar as vossas experiências e emoções da quarentena podem sempre escrever-me 🙂 

Outro voltar às origens é que encontrei alguns livros que estudam de forma mais aprofundada a deusa patrona que emprestou o seu nome ao blogue – Morrighan. Já escrevi sobre a deusa celta anteriormente, mas relembro que Morrighan é tanto conhecida como divindade individual como também um trio de deusas – Badb, Macha e Morrigu. Este livro que vos mostro na próxima fotografia é super interessante e já estou de olho noutro. Quem sabe nos próximos meses posso voltar a fazer um artigo sobre ela com mais referências. 

As outras fotografias são de uma ida ao parque há coisa de uma semana. Aqui tanto faz sol num momento, como trovoada e chuva forte logo a seguir, e foi o que aconteceu naquele dia! Despeço-me por aqui. Até breve! 

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https://branmorrighan.com/2020/05/diario-de-bordo-homesick.html/feed 0
[Diário de Bordo] A rotina matinal da sobrevivência https://branmorrighan.com/2020/04/diario-de-bordo-rotina-matinal-da.html https://branmorrighan.com/2020/04/diario-de-bordo-rotina-matinal-da.html#respond Mon, 27 Apr 2020 03:14:00 +0000

Queridos leitores, como estão? 

Esta semana não fui muito bem sucedida a manter o blogue actualizado, mas para não perder o comboio na totalidade decidi escrever este post rápido antes de me ir deitar. 

No Facebook alguns leitores mostraram curiosidade sobre como é a minha vida aqui em Bloomington, quais são as minhas rotinas e como é que é aqui o dia-a-dia em tempo de coronavirus. Como a semana foi longa e ainda tive de trabalhar no fim-de-semana, vou falar brevemente sobre estas coisas e, espero eu, mais tarde dou-vos mais detalhes e conto-vos alguns episódios engraçados. 

A minha vida em Bloomington é calma em todos os aspectos menos em termos de trabalho. Com isto quero dizer que vivo num prédio de três pisos, num sítio relativamente calmo (fica na fronteira entre uma zona com maior afluência de sem-abrigos e o centro da cidade) que fica a menos de dez minutos a pé do supermercado e a cerca de vinte minutos a pé do campus.

Tenho um parque a quinze minutos e tenho a B-Line, uma espécie (deixem-me dizer-vos que o facto de não escrever em português com frequência, ou sequer falar português com frequência, faz com o meu cérebro já comece a ficar meio preguiçoso em termos de encontrar as expressões certas em português!) de trilho (era esta a palavra que queria!) de alguns quilómetros em que também posso caminhar, correr e até jogar basquetebol dado que há um campo e meio do trilho. Ainda não aconteceu, mas já comprei uma bola de basquetebol de rua! Uma das coisas que tinha idealizado ao vir para cá era viver numa casinha térrea, com terraço e quintal, mas para já o apartamento é o possível e dado que aqui tudo é longe de tudo até que estou bastante bem localizada. 

Em tempo de coronavirus as ruas andam praticamente desertas e os estabelecimentos fechados. A não ser que faça sol. Bloomington é a cidade mais esquizofrénica a nível de temperaturas e de estado do tempo que já vi. Num dia faz sol e está quente, no dia seguinte descem vinte graus e batemos o dente. Num dia o tempo está ameno e quase sem vento, no dia seguinte recebemos um aviso de perigo de tornado. Sim, é verdade, já me aconteceu e só rezava para que a estrutura do prédio aguentasse com a chuva e os ventos fortíssimos.

Não sei se têm noção, mas aqui as construções não são como na maior parte da Europa. Aqui não se usa tijolo e cimento, mas sim essencialmente madeira. Costumo dizer que vivo entre paredes de papel. Outra coisa que damos por garantido em Portugal e aqui não existe são as persianas que tapam completamente a luz. Nem nos quartos! Há uma coisa que chamam light filtering que é uma espécie de persiana mais fraquinha. Mas tudo bem, uma pessoa adapta-se e segue com o que tem, tranquilamente. 

O meu apartamento é porreirinho. Tem teto alto (ao contrário de muitos por aqui), imensa luz e tem espaço suficiente para eu viver de forma confortável. No meu quarto não só tenho a cama de casal como tenho ainda espaço para o meu cantinho de yoga. A sala é ligada com a cozinha, mas como a divisão é bastante rectangular acaba por haver uma divisão natural entre as duas, com uma consola encostada à parede a sinalizar a transição. Ahah! 

Em termos de rotina, dado que saí completamente fora do meu habitat natural, as manhãs são o mais importante. O período entre acordar e começar a trabalhar é aquele em que mais preciso de familiaridade e conforto. Acordo cedo, levanto-me e começo a rotina que já fazia em Portugal: lavo a cara e os dentes, bebo um copo de água, faço o meu yoga matinal (entre 10 a 15-20 minutos dependendo do estado de espírito e do estado da minha coluna) e depois cozinho o pequeno-almoço. Tenho a mania de fazer panquecas de banana e mirtilo frescas todas as manhãs.

A receita é bem simples 1-2 ovos com 1-2 bananas partida(s) aos bocadinhos, sementes de girassol e canela. Mexo tudo bem com um garfo (não faço com varinha mágica porque gosto de ter bocadinhos de banana inteiros) e depois de bater tudo até a mistura ganhar uma forma minimamente consistente misturo os mirtilos (estes não quer que estejam minimamente esmagados). Coloco um pouco de óleo de côco numa frigideira e voilá! é deixar estar uns minutos, virar e temos pequeno almoço delicioso. Por norma junto umas tostas de manteiga de amendoim com doce (eu sei, super americana!) e café que chegue para a manhã inteira. Depois deste ritual todo lá me sinto finalmente pronta para enfrentar o dia com coragem e mente aberta para aprender e executar o máximo possível. 

Para quem, como eu, tem passado todo este tempo da pandemia sozinho, penso que ter estes pequeno rituais de conforto ajuda imenso. Outra coisa que me tem ajudado é aceitar pequenos desafios. Esta semana que passou, por exemplo, terminei o desafio 30 Days of Yoga, da Yoga with Adriene. Ontem comecei o desafio 10 Minutes Morning Yoga Challenge, da Yoga with Kassandra, etc.

Dado que o tempo aqui é completamente incerto e que de qualquer maneira não convém andar demasiado em sítios com outras pessoas, encontrar estes pequenos desafios caseiros que nos obrigam a ser disciplinados e a cuidar de nós mesmos de forma gentil são muito importantes. Dito isto, porque os meus olhitos já ardem de cansaço, por hoje fico por aqui. Se quiserem mais informações sobre estes desafios ou outros rituais que nos fazem sentir menos sozinhos, contactem-me à vontade. 

Dei conta que não falei da imagem que ilustra este post. Numa nota rápida antes de acabar conto-vos que a Two Sticks Bakery fica no piso 0 do meu prédio e tem doces e salgados deliciosos, feitos de ingredientes sustentáveis e, dentro do possível, locais. Têm para todos os gostos e feitios, incluindo opções vegan e sem gluten. Agora imaginem o que é só ter de encomendar online e descer as escadas para ter aquele mimos… Não digam a ninguém, mas acho que quando voltar a Portugal volto a rebolar! Eheheh. A outra ilustração contém precisamente a fórmula do que faço para limpar o meu tapete de yoga. Talvez faça um post mais dedicado a este tema, o que acham? Obrigada por estarem desse lado, até já! 🙂 

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[Diário de Bordo] A vontade e a resistência de voltar a escrever https://branmorrighan.com/2020/04/diario-de-bordo-vontade-e-resistencia.html https://branmorrighan.com/2020/04/diario-de-bordo-vontade-e-resistencia.html#respond Sun, 19 Apr 2020 00:11:00 +0000

Esta semana voltei a escrever. Sobre uma música e respectivo vídeo. A verdade é que à medida que ia escrevendo o que me ia na alma, fazendo o exercício de descrever emocionalmente como é que a arte me toca, o formigueirozinho do prazer em escrever, da liberdade que isso traz, não só voltou como me tem atormentado desde então. Confesso-vos, leitores, não tenho escrito com frequência por várias razões. A primeira, mais óbvia, é que estou cheia de trabalho e desafios por superar, profissionais e pessoais. A segunda, menos óbvia, é que abrir o editor do blogue perturba-me. Perturba-me no sentido de saber quão entusiasmante já foi (livros, música, entrevistas, concertos, festivais, etc.) e o quão longe de tudo estou agora. A terceira, indiferente a tudo isto, é que sinto que algo se quebrou pelo caminho. 

O blogue leva mais de onze anos e talvez isto seja só uma crise de quem de repente vai viver para o outro lado do mundo e o seu dia-a-dia tenha rompido completamente com o que era antes. Poderia dizer que a culpa é do coronavirus, mas esta dormência em escrever sobre o que quer que seja já vem antes disso. Se no início o blogue vivia de comentários na plataforma e de trocas de emails, com o aparecimento das redes sociais tudo se concentra lá e eu ando com pouco tempo e ânimo para estar atenta ao que se passa e para manter um ritmo constante de publicações para que o alcance não diminua. Volta e meia tento interagir com a página do Facebook, mas como ando tão desaparecida o alcance é mínimo e a participação é sempre dos mesmos maravilhosos seguidores (a quem eu agradeço de coração por estarem sempre lá). 

Mas se escrevo esta entrada é porque gostava que toda esta nuvem cinzenta se fosse embora. Sinto falta do ânimo de escrever, da partilha das opiniões e sentimentos, de sentir que estou a contribuir com algo. Lembram-se da missão de divulgar jovens escritores portugueses? Das centenas de entrevistas a escritores e músicos portugueses? Das centenas de opiniões de livros de todos os géneros e feitios? Partilhas de músicas, de viagens, de arte e ilustração? Gostava mesmo de voltar aí, a esse universo em que usamos as ferramentas online para ajudar a divulgar o que se faz de melhor. 

Gostaria também de escrever, de vez em quando, posts que sejam um pouco científicos. Tentar partilhar em vocabulário compreensível aquilo que vou estudando. Sabiam que me encontro neste momento a estudar conectividade estrutural e funcional de cérebros? E que também estou envolvida num projecto super importante relacionado com o contágio em larga-escala do coronavirus? São projectos super entusiasmastes, em que estou a aprender imenso e que talvez fossem também interessantes para os mais curiosos. O que me dizem? 

Outro desejo é de mudar o layout do blogue novamente para um mais funcional. Este nunca ficou a funcionar a 100% e gostava de ter uma plataforma que vos permitisse interagir comigo de forma mais directa. Vamos lá ver o que consigo. Talvez tenha sido o pouco sol que apanhei hoje quando fui à rua (a fotografia do post é de há umas horas atrás) e talvez esteja demasiado optimista, mas não custa tentar, certo? Obrigada aos corajosos que ainda se encontram desse lado e sintam-se livres de darem todo o feedback que acharem pertinente! Namastê 🙂 

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[Diário de Bordo] 11 Anos Blog BranMorrighan https://branmorrighan.com/2019/12/diario-de-bordo-11-anos-blog.html https://branmorrighan.com/2019/12/diario-de-bordo-11-anos-blog.html#respond Mon, 16 Dec 2019 18:09:00 +0000 Fotografia tirada por mim em Cascais.

Parabéns a nós! Com alguns dias de atraso, mas parabéns a este belo projecto, já com 11 anos, que me acompanha há mais de um terço da minha vida! É a primeira vez, desde que comecei a organizar aniversários, há tantos anos atrás, que deixo passar o dia 13 de Dezembro sem escrever nada sobre esta data tão especial. Ainda por cima coincidiu novamente ser uma Sexta-feira 13, tal como tinha sido há 11 anos atrás. Houve várias razões para isso, nenhuma delas má. A primeira foi que tive uma consulta médica logo de manhãzinha. A segunda foi que tinha amigos cá e durante o dia fui mostrar Lisboa a um deles e depois juntámo-nos todos para jantar. A terceira foi que quando cheguei a casa, não assim tão tarde, estava tão cansada de ter acumulado uma semana inteira de stress (fiz parte da organização da conferência internacional Complex Networks and Their Applications que contou com cerca de 500 participantes) que decidi abraçar o Bran e cair para o lado num sono que me soube tão bem.

Confesso que sinto um certo vazio por não ter comemorado a data nem ter organizado as habituais festas e iniciativas de aniversário. A verdade é que mesmo o tempo que vou passar agora na Europa é em conferências e seminários e depois estou de volta aos EUA. Com a mudança para Bloomington e com tanta coisa para tratar, houve uma parte anímica que se foi muito abaixo. Não fosse o João Morales e as suas crónicas e o blogue estaria ainda mais parado. Portanto, antes de mais, muito obrigada João, por contribuíres para este cantinho tão especial para mim. 

Acho que a mudança para os EUA me obrigou a um certo afastamento emocional. E por causa desse afastamento emocional, olhar para o passado e para tudo o que já vivi com o blogue parece já uma realidade distantes. Os concertos organizados, as tours com as bandas da Omninchord, o escrever para o Música em DX, para a SapoMAG, o organizar colectâneas literárias e MixTapes musicais… Este blogue já me deu TANTO e tantas pessoas INCRÍVEIS que confesso sentir-me um pouco triste com este distanciamento mais recente. Porém, a vida é feita de ciclos. Não sei bem onde a vida me vai levar, mas uma coisa eu sei. 

Sinto-me muito, muito GRATA, pelo percurso dos últimos 11 anos. Até orgulhosa. Imaginem-se nos 30 e a olharem 11 anos para trás. Não vos parece uma viagem quase inacreditável? Da licenciatura ao mestrado, do mestrado ao doutoramento, do doutoramento a professora convidada, de professora convidada a postdoc nos Estados Unidos e a organizar as mesmas conferências a que fui com tanto fascínio durante o meu doutoramento… No meio disto tudo as entrevistas aos escritores, aos músicos, a artistas plásticos e tantos outros. As viagens, as conversas, as fotografias, os abraços, a cumplicidade, os sorrisos e as lágrimas. Que também as houve. Ganhei imensas pessoas, mas também perdi outras. Para sempre. 

Ainda assim, sinto de coração cheio que sou muito sortuda. Mesmo com tantos contratempos e dissabores, tenho conhecido as pessoas mais incríveis. Para não falar, obviamente (uma pessoa tem isto tão entranhado que dá como certo, mesmo quando não deve), no apoio brutal da minha família e dos meus amigos mais próximos. E quando tudo aperta são realmente as pessoas que estão lá para nos abraçarem, nos fazerem sorrir, nos lembrarem que a luta vale a pena. Que viver é maravilhoso e que juntos e em sintonia somos todos tão melhores.

A primeira fotografia desta entrada foi tirada em Cascais, no dia 13 de Dezembro, no dia do aniversário do blogue. Só dei conta que era dia 13 já estava com o Tomek em Lisboa, a mostrar-lhe alguns dos sítios do centro que considero mais icónicos.  Fiquei desde logo alegre e triste ao mesmo tempo. Felizmente, acabámos por passar boa parte do dia fora da confusão turística e celebrámos os 11 anos com um almoço delicioso perto do mar. Penso que a fotografia, nas suas cores e nos seus elementos transmite muito bem as minhas emoções. Achei o cenário belo e violento, indomável e admirável. E o surfista ali, a ponderar, imagino eu, se entrava ou não, como o fazer, quando o fazer. A natureza tem uma força que jamais o homem poderá controlar e se não cuidarmos bem dela seremos engolidos por ela. Obrigada, Tomek, pelo belo dia que passámos. Estava a precisar da descontração e paz que acabei por encontrar. Obrigada a todos os nossos outros amigos que fizeram com que o dia acabasse em beleza também. 

Vou deixar-me de deambulações. Sei que o texto está um pouco fragmentado e sem grande coerência, mas para mim é importante registar que este dia existiu e que não foi esquecido. Outra coisa que me estava a lembrar foi que nunca vos contei como foi o regresso a Portugal, mas brevemente talvez o faça. Deixo-vos com a fotografia do meu maior admirador e com algumas fotografias de Bloomington do último mês e meio que lá passei. Houve temperaturas negativas, neve, NBA, e um compromisso de arrendamento até 2021! Em compensação, o meu apartamento em Portugal não vai ver o seu contrato de arrendamento renovado. É como vos digo. Ciclos! E lidamos com eles. Até breve e muito obrigada, do fundo do CORAÇÃO, por continuarem desse lado! 

O meu lindão #ocaobran

Outubro e Novembro em Bloomington


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[Diário de Bordo] Um mês em Bloomington | Amigos, Basquetebol e muitas Saudades https://branmorrighan.com/2019/10/diario-de-bordo-um-mes-em-bloomington.html https://branmorrighan.com/2019/10/diario-de-bordo-um-mes-em-bloomington.html#respond Sat, 19 Oct 2019 19:41:00 +0000

Faz amanhã cinco semanas que aterrei em Indianápolis para iniciar esta nova fase da minha vida. Como já disse anteriormente, mudar-me para o outro lado do mundo não estava planeado, mas está na altura de confessar que, apesar das saudades infinitas (em que por vezes o peito aperta mesmo e fica ligeiramente difícil respirar), sou uma sortuda. Encontrei pessoas tão boas para mim aqui que a adaptação só tem sido tão suave por causa delas mesmas. Dos meus orientadores aos meus colegas de departamento, todos têm tentado facilitar ao máximo este processo que é aprender a estar longe de tudo e todos que antes eram uma realidade constante. 

As rotinas mudam. As pessoas mudam. Não tem que ser para melhor ou pior, mas diferente. E houve muita coisa no meu dia-a-dia aqui que mudou. Algumas para diferente, outras para melhor, pior só mesmo estar longe dos que amo. E como me quero focar nas coisas positivas, imaginem só que volta e meia vou para um campo de basquetebol correr e lançar que nem uma tolinha, cheia de saudades do tempo em que o fazia diariamente! Também entre uma a duas vezes por semana vou a aulas de yoga e as caminhadas pela natureza tento que sejam uma constante aos fins-de-semana. 

A nível científico começo, finalmente, a ter tempo para dedicar às minhas coisas. Este primeiro fez foi completamente frenético em termos de tratar de papelada e burocracias e de começar a apanhar o ritmo das reuniões (tenho muito mais reuniões semanais aqui do que tinha em Portugal). Acima de tudo este primeiro mês tem servido para me tentar encontrar e ao mesmo espaço. Tanto a nível pessoal como profissional. Eu tinha certas rotinas de trabalho em Portugal que ainda não consegui implementar aqui, mas sinto que já estive mais longe. Este pós-doutoramento tem tudo para se tornar numa experiência profissional memorável. Os investigadores são todos de excelência, há sempre ideias novas a pairar no ar, é fácil encontrar alguém com quem discutir os temas em que trabalho. Em Portugal não era assim. 

Tudo demora o seu tempo a ser desenvolvido. Por exemplo, enquanto que em Portugal eu estava habituada a publicar algum artigo científico anualmente (um ou dois por ano, pelo menos), sei que aqui posso vir a demorar pelo menos um ano até começar a submeter alguma coisa. Pelo menos é esse o feedback que tenho recebido dos outros colegas. É claro que provavelmente os jornais e revistas para os quais vou submeter coisas são mais exigentes do que até aqui (o que faz sentido). Ou seja, tudo é um processo de aprendizagem, mas tem sido uma boa experiência até agora. 

Mas já agora deixem-me que vos fale da alimentação aqui. Eu sou vegetariana, o que para os meus colegas é sempre sinónimo de dor de cabeça. Ahahah. No entanto, não tem sido difícil ser vegetariana aqui, o que tem sido é dispendioso… Tudo o que seja frutas e vegetais é bastante caro, se formos para os alimentos orgânicos ainda mais. Até o pão é super caro. Pelo menos se quisermos pão de qualidade. Ainda assim, tem corrido tudo bem e acabo a cozinhar praticamente todas as refeições, tirando quando decidimos almoçar ou jantar fora. 

Resumindo e concluindo: balanço do primeiro mês bastante positivo, até à Opera e ao Ballet fui, vou jogando basquetebol de vez em quando, tenho colegas excelentes, faz frio que dói (à noite tem estado 2/3 graus), mas uma pessoa aguenta… Fica aquele apertozinho, do tamanho do mundo, no coração com saudades do meu lindão #ocaobran. 

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