Yoga – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Thu, 25 Aug 2022 20:24:53 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png Yoga – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 [Diário de Bordo] Acordando os Chakras https://branmorrighan.com/2021/06/diario-de-bordo-acordando-os-chakras.html https://branmorrighan.com/2021/06/diario-de-bordo-acordando-os-chakras.html#comments Sun, 27 Jun 2021 14:59:13 +0000 https://branmorrighan.com/?p=25127
Chakras

Queridos leitores, como tenho vindo a dizer nos meus posts sobre yoga, yoga é mais do que a prática de Asana. Existe a meditação os exercícios de respiração (Pranayama), entre outros elementos. Faço desde já o disclaimer que provavelmente vou usar imensos estrangeirismos quando falar de yoga porque toda a formação e todos os estudos que tenho feito são com professores internacionais e portanto há termos que ainda tenho de perceber como é que se traduzem para português.

Um termo que é fácil não ter que traduzir é chakras. Centros energéticos que começam na base na nossa coluna e que se estendem até ao topo da nossa cabeça, do nosso crânio. Há quem até diga que este último encontra-se ligeiramente acima do mesmo.

Porque é que decidi fazer este post? Porque apesar de os chakras serem um sistema que estudo há algum tempo, recentemente encontrei um programa composto por 7 classes e 7 meditações que para além de achar belíssimo, deixa-me sempre a sentir muito melhor depois de praticar qualquer das aulas ou da meditação. Ainda não é hoje que vos vou dar uma palestra sobre os chakras, o que cada um simboliza (apesar de a imagem que ilustra este post ser um bom início) e o que significa e quais as consequências de estarem (des)balanceados, mas se for do vosso interesse, deixem um comentário — ajuda à minha motivação. Eheh.

Voltando a recursos sobre os chakras, o programa ao qual me referi é de uma das subscrições de Yoga que tenho desde que fui viver para os EUA, o Inner Dimension TV. Chama-se Awakening the Chakras e é liderado pela instrutora Brittany Lynne. Se tiverem curiosidade, podem subscrever por 10 dias (atenção, isto não é publicidade, até porque eu própria subscrevi anteriormente) e experimentar. Eu já experimentei fazer as meditações em sequência, fazer meditação mais aula, e a verdade é que seja qual for a ordem pela qual escolha fazer os elementos, o importante é ouvir o corpo e tentar identificar o que está a precisar de atenção extra. Fica a recomendação.

Também a Allie, do canal Allie – The Journey Junkie, tem agora vídeos abertos no YouTube sobre os Chakras e como equilibrar os chakras, para além de outros vídeos de prática de Asana dedicados aos chakras. É um estilo um pouco diferente, mas as suas aulas são bastante estudadas e conscientes. Para quem segue Yoga With Adriene, na comunidade Find What Feels Good está a começar agora uma nova série de Chakra Chats com o Rey. Este primeiro vídeo apresenta-nos os chakra de uma forma sensível, consciente e filosófica.

Peço desculpa por a maior parte dos recursos que recomendei estarem por trás de uma subscrição, mas podem sempre aproveitar os dias grátis para consumirem o máximo de conteúdo possível! Como disse, havendo interesse eu posso começar a falar mais aqui sobre estes temas e até resumir as minhas aprendizagens. No entanto, quis na mesma fazer esta partilha porque volta e meia sinto um cansaço muito profundo e abordar cada um dos chakras, independentemente da crença que se tem, o que cada um simboliza e o que cada um abrange, faz com que se nutra como deve ser diferentes partes de nós. Até breve!

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Gratidão https://branmorrighan.com/2021/05/diario-de-bordo-gratidao.html https://branmorrighan.com/2021/05/diario-de-bordo-gratidao.html#comments Fri, 28 May 2021 11:48:24 +0000 https://branmorrighan.com/?p=25099
Gratidão
Source

No yoga, a prática de Gratidão é um elemento unificador. Entre a meditação e a prática de Asana, não excluindo os outros elementos que incorporam uma prática de yoga completa, praticar Gratidão é um exercício de enraizamento, mas também de libertação. Nos tempos que correm é tão difícil por vezes concentrarmo-nos nas coisas boas da vida, mas a verdade é que estamos constantemente rodeados de pequenos milagres. E mesmo com toda a podridão que por vezes encontramos, é a prática de gratidão que também nos dá esperança e nos faz continuar querer seguir em frente.

Sorrir e acenar é muitas vezes a estratégia usada. Mesmo quando envolvidos nas maiores tempestades, o mecanismo para lidar com os abismos é por vezes sorrir e acenar para o exterior enquanto que a ansiedade e o pânico tomam conta da mente e do corpo. Eu diria que é preciso abraçar essas escuridões, aceitá-las e perceber que elas farão para sempre parte de nós, para finalmente começarmos a verdadeiramente seguir em frente.

Eu sei, parece contraintuitivo. Ninguém quer viver lado a lado com os seus traumas, sendo triggered constantemente. Mas exactamente por isso é que não podemos deixar que o trauma nos domine, mas antes reconhecermos a sua existência e ganharmos distância suficiente para que seja um eco cada vez mais silencioso em vez de um companheiro de viagem constante.

Neste sentido, a prática de gratidão pode ser chave para começarmos a mudar a nossa cognição para um contexto mais claro, menos oprimido e consequentemente mais receptivo. A verdade é que as nossas emoções alimentam-se umas das outras. Tristeza alimenta-se de tristeza, mas também a sensação de deslumbre e de alegria são reforçados com o mesmo tipo de estimulo positivo. E enquanto que isto parece evidente, a verdade é que quando andamos mais cansados e menos resilientes psicologicamente, oscilamos muito entre a alegria e a tristeza, entre a sensação que corre tudo bem e no momento a seguir parece que corre tudo mal.

Relativizar pode ser uma primeira abordagem, mas eu penso que o foco fundamental aqui é parar, respirar fundo (daquelas inspirações que começam por preencher o espaço abdominal, subindo para o diafragma e chegando ao peito em que os ombros naturalmente se levantam, para depois lentamente deixarmos o ar sair, sentindo por inteiro cada espaço físico da respiração) e reconhecer pelo menos três coisas boas. O termos água canalizada, electricidade, comida, uma casa com boas condições, saúde para perseguirmos os nossos sonhos, termos família e amigos que nos suportam, podermos ajudar alguém, sermos a nossa melhor versão de nós mesmos, são só alguns exemplos.

Acho muito importante celebrar cada conquista, por muito pequena que possam achar que é. O nosso cérebro cria novos caminhos neurológicos quando repetimos qualquer prática. Não é só o dizer-se ser-se positivo só porque sim, só porque fica bem dizer que se é positivo. É necessário praticar e reforçar os caminhos neurológicos que aos poucos criam resiliência quando eventos menos bons acontecem.

Gostava de vos propor o desafio de durante um mês, seja logo mal acordam ou antes de se irem deitar, que mantivessem um pequeno bloco de notas e a cada dia colocassem três coisas pelas quais estão gratos naquele dia. Partilhem comigo que efeito é que este exercício vai tendo em vós à medida que avançam no tempo. Quando eu comecei a minha prática, fiquei surpreendida como às vezes parecia difícil encontrar coisas boas que tivessem acontecido naquele dia e aí, o exercício de parar e realmente tomar consciência da minha qualidade de vida, fez toda a diferença.

Quis escrever-vos este post porque acho, muito honestamente, que esta prática pode fazer a diferença e pode ajudar e complementar práticas relacionadas com a ansiedade e ataques de pânico. Em suma, pode fazer a diferença na nossa saúde mental. Respirar fundo, o número de vezes que conseguirem, tomar consciência e manifestar gratidão. Mesmo que sejam completamente cépticos em relação a este assunto, “bear with me”, e dêem uma oportunidade. Se já o fazem, deixem nos comentários algo sobre a vossa experiência. Adoraria ouvir!

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[Diário de Bordo] E entretanto já passou um ano de EUA! https://branmorrighan.com/2020/10/diario-de-bordo-e-entretanto-ja-passou.html https://branmorrighan.com/2020/10/diario-de-bordo-e-entretanto-ja-passou.html#respond Sun, 11 Oct 2020 16:44:00 +0000
Queridos leitores,

Bem-vindos novamente a este espaço. Todos os meus planos para voltar de forma activa e rotineira ao BranMorrighan têm falhado. Mas se há coisa que tenho aprendido é que tudo tem o seu tempo, e se por vezes as coisas não acontecem quando queremos, é porque é melhor assim (mesmo que só nos apercebamos disso mais tarde).

Portanto aqui estou, sem promessas, mas ainda com muita vontade de reavivar este espaço. E explico-vos porquê. Tenho aprendido tanto, tanto, tanto! Não só academicamente, mas também sobre mim, sobre o que me rodeia, sobre como tentar reprogramar a nossa mente para que possamos desintoxica-la, seja de ambientes e pessoas tóxicas, seja da nossa própria falta de confiança, ansiedade e tristeza.

Quem diria, há um ano atrás, que estaríamos prestes a viver em altura de pandemia, com todas as nossas rotinas viradas do avesso, a ter que aprender a viver com novas condicionantes, e tudo em constante mutação. Falando por mim, há ano e meio atrás, vir viver para os Estados Unidos não era sequer algo em cima da mesa. Nem sequer uma ideia. Depois surgiu a oportunidade, pela qual estarei eternamente grata, e há um ano e pouco atrás mudei-me para cá.

Na altura, a perspectiva até era passar algum do tempo em Portugal, mas com o coronavirus acabei a ir a Portugal só uma vez, em Dezembro/Janeiro. Tinha planeado ir a Portugal pelo menos no meu aniversário, mas entretanto vieram restrições de viagens, proclamações imprevisíveis e, mais tarde, a 1 de Setembro, comecei um novo pós-doutoramento, desta vez na School of Public Health, ainda na Indiana University.

Nem sequer vos consigo ainda transmitir os níveis de stress, ansiedade, antecipação e inquietação que vivi. Não sei se cheguei a partilhar convosco, mas assim que aterrei no regresso aos EUA, no início de Fevereiro, fiquei doente. Quase duas semanas do que agora desconfio que tenha sido covid-19. Foi duro, porque estava a mudar-me para um novo apartamento, completamente vazio, mas acabei por ter a sorte de ter quem me ajudasse um pouco nessa altura. Não me lembrava de ficar tão doente até há coisa de um mês atrás.

Em menos de 24 horas fiquei com a garganta super inchada, perdi a voz, o meu ouvido direito estava impossível com as dores, engasgava-me até a beber água, mesmo em doses máximas de antipiréticos tive febre… Bem, se em Fevereiro consegui curar-me com mesinhas caseiras, desta vez em coisa de 24h percebi que não passava sem ser consultada. Acabei a tomar antibiótico, penicilina, durante 10 dias e ainda assim demorei quase os 10 dias até conseguir voltar a falar e a conseguir sair da cama/sofá.

Conto-vos que nunca dei tanto valor ao nosso serviço nacional de saúde. Por uma consulta rápida numa farmácia, aqui nos EUA acabei a pagar $100 dólares, mesmo com seguro de saúde. E dizem que o meu seguro até é bastante bom. O meu maior receio era ter que voltar ao médico, porque se não melhorasse teria mesmo de ir ao hospital, e lá perder um ordenado só em contas médicas. Ahah. Portanto, quem se queixar do SNS, pense duas vezes. Tem muitas falhas, sim, mas concentremo-nos então na sua melhoria e nunca em deitá-lo para baixo.

Entretanto, este post já está demasiado longo e ainda nem vos disse um terço daquilo que queria. Hum… Parece que tenho mesmo de voltar a escrever mais frequentemente, certo? Ahah. Tenho aqui um rascunho, ainda minúsculo, de algo sobre o qual quero escrever que está relacionado com “desmistificar práticas espirituais”.

Quando comecei a pensar nisto, a motivação foi que muitas pessoas misturam uma série de conceitos e associam, muitas vezes, meditação e yoga, ou até mesmo o conceito de sistema de chakras, a religiões, etc. E o meu objectivo aqui será mostrar-vos como é que estas diferentes práticas se podem realizar sem que estejam anexadas a uma religião.

É claro que, por norma, existe um sistema de crenças, mas o mais importante é que nos sintamos bem com aquilo que praticamos e que, se nos revermos nessas crenças, aceitarmos que elas não são mutuamente exclusivas com nenhuma religião.

Isto também vem no seguimento de algumas interacções na página do Facebook em que alguns leitores pediram mais posts sobre yoga e, surpresa surpresa, um dos Diários de Bordos mais visualizados de sempre, com perto de 1000 visualizações, é A Rotina Matinal da Sobrevivência.

Escrevi aquele post em Abril e desde então tanto aconteceu! Inscrevi-me em dois ou três diferentes workshops de Yoga, fiz parte de um retiro virtual, subscrevi duas APPs e adaptei a minha rotina para também incluir um pouco de actividade mais física (cardio e muscular) para complementar a prática de yoga. Já criei mais ao menos um fluxo de aulas e instrutores tanto no Youtube como nas APPs que subscrevi e quero muito contar-vos sobre isso, caso estejam interessados!

Vou terminar o post referindo que continuo uma péssima leitora. Ainda assim, tenho lido pelo menos um livro por mês. Em termos de música, tenho andado viciada em alguns discos novos, como o novo do Noiserv e o novo do Sufjan Stevens, e reavivei um pouco meu fascínio artístico pela Billie Eilish.

Em termos de séries… Oh! Tenho duas sugestões de partir a rir e de se deixarem encantar, caso tenho Netflix. Schitt’s Creek e Emily in Paris. A primeira é uma comédia sobre uma família milionária que perde tudo e vai viver para uma pequena cidade que o pai tinha comprado, por piada, ao filho, num dos seus aniversários. Ahahah, só de me lembrar começo-me a rir. A família passa a viver num motel que carece de qualquer privacidade ou glamour e a aventura começa. Emily in Paris é uma série pura e simplesmente encantadora. É o contraste perfeito entre a ideia romântica que se tem de Paris e quão duro pode ser alguém de fora encaixar-se na cidade e criar empatia com parisienses de gema. E, claro, os dramas românticos e cómicos não faltam. O filme Enola Homes também está muito engraçado!

Despeço-me com um abraço enorme aos melhores leitores do mundo. Sabem em quantas visualizações já vamos? Mais de

3 000 000 !!!

São mais de 3 Milhões de Visualizações que me deixam muito feliz. Para quem quiser acompanhar as actividades aqui nos EUA com maior frequência, deixo-vos os links para as redes sociais. No Instagram (onde a maior parte da actividade concentra-se nas stories) somos quase 2000, portanto juntem-se à família também!

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[Diário de Bordo] A rotina matinal da sobrevivência https://branmorrighan.com/2020/04/diario-de-bordo-rotina-matinal-da.html https://branmorrighan.com/2020/04/diario-de-bordo-rotina-matinal-da.html#respond Mon, 27 Apr 2020 03:14:00 +0000

Queridos leitores, como estão? 

Esta semana não fui muito bem sucedida a manter o blogue actualizado, mas para não perder o comboio na totalidade decidi escrever este post rápido antes de me ir deitar. 

No Facebook alguns leitores mostraram curiosidade sobre como é a minha vida aqui em Bloomington, quais são as minhas rotinas e como é que é aqui o dia-a-dia em tempo de coronavirus. Como a semana foi longa e ainda tive de trabalhar no fim-de-semana, vou falar brevemente sobre estas coisas e, espero eu, mais tarde dou-vos mais detalhes e conto-vos alguns episódios engraçados. 

A minha vida em Bloomington é calma em todos os aspectos menos em termos de trabalho. Com isto quero dizer que vivo num prédio de três pisos, num sítio relativamente calmo (fica na fronteira entre uma zona com maior afluência de sem-abrigos e o centro da cidade) que fica a menos de dez minutos a pé do supermercado e a cerca de vinte minutos a pé do campus.

Tenho um parque a quinze minutos e tenho a B-Line, uma espécie (deixem-me dizer-vos que o facto de não escrever em português com frequência, ou sequer falar português com frequência, faz com o meu cérebro já comece a ficar meio preguiçoso em termos de encontrar as expressões certas em português!) de trilho (era esta a palavra que queria!) de alguns quilómetros em que também posso caminhar, correr e até jogar basquetebol dado que há um campo e meio do trilho. Ainda não aconteceu, mas já comprei uma bola de basquetebol de rua! Uma das coisas que tinha idealizado ao vir para cá era viver numa casinha térrea, com terraço e quintal, mas para já o apartamento é o possível e dado que aqui tudo é longe de tudo até que estou bastante bem localizada. 

Em tempo de coronavirus as ruas andam praticamente desertas e os estabelecimentos fechados. A não ser que faça sol. Bloomington é a cidade mais esquizofrénica a nível de temperaturas e de estado do tempo que já vi. Num dia faz sol e está quente, no dia seguinte descem vinte graus e batemos o dente. Num dia o tempo está ameno e quase sem vento, no dia seguinte recebemos um aviso de perigo de tornado. Sim, é verdade, já me aconteceu e só rezava para que a estrutura do prédio aguentasse com a chuva e os ventos fortíssimos.

Não sei se têm noção, mas aqui as construções não são como na maior parte da Europa. Aqui não se usa tijolo e cimento, mas sim essencialmente madeira. Costumo dizer que vivo entre paredes de papel. Outra coisa que damos por garantido em Portugal e aqui não existe são as persianas que tapam completamente a luz. Nem nos quartos! Há uma coisa que chamam light filtering que é uma espécie de persiana mais fraquinha. Mas tudo bem, uma pessoa adapta-se e segue com o que tem, tranquilamente. 

O meu apartamento é porreirinho. Tem teto alto (ao contrário de muitos por aqui), imensa luz e tem espaço suficiente para eu viver de forma confortável. No meu quarto não só tenho a cama de casal como tenho ainda espaço para o meu cantinho de yoga. A sala é ligada com a cozinha, mas como a divisão é bastante rectangular acaba por haver uma divisão natural entre as duas, com uma consola encostada à parede a sinalizar a transição. Ahah! 

Em termos de rotina, dado que saí completamente fora do meu habitat natural, as manhãs são o mais importante. O período entre acordar e começar a trabalhar é aquele em que mais preciso de familiaridade e conforto. Acordo cedo, levanto-me e começo a rotina que já fazia em Portugal: lavo a cara e os dentes, bebo um copo de água, faço o meu yoga matinal (entre 10 a 15-20 minutos dependendo do estado de espírito e do estado da minha coluna) e depois cozinho o pequeno-almoço. Tenho a mania de fazer panquecas de banana e mirtilo frescas todas as manhãs.

A receita é bem simples 1-2 ovos com 1-2 bananas partida(s) aos bocadinhos, sementes de girassol e canela. Mexo tudo bem com um garfo (não faço com varinha mágica porque gosto de ter bocadinhos de banana inteiros) e depois de bater tudo até a mistura ganhar uma forma minimamente consistente misturo os mirtilos (estes não quer que estejam minimamente esmagados). Coloco um pouco de óleo de côco numa frigideira e voilá! é deixar estar uns minutos, virar e temos pequeno almoço delicioso. Por norma junto umas tostas de manteiga de amendoim com doce (eu sei, super americana!) e café que chegue para a manhã inteira. Depois deste ritual todo lá me sinto finalmente pronta para enfrentar o dia com coragem e mente aberta para aprender e executar o máximo possível. 

Para quem, como eu, tem passado todo este tempo da pandemia sozinho, penso que ter estes pequeno rituais de conforto ajuda imenso. Outra coisa que me tem ajudado é aceitar pequenos desafios. Esta semana que passou, por exemplo, terminei o desafio 30 Days of Yoga, da Yoga with Adriene. Ontem comecei o desafio 10 Minutes Morning Yoga Challenge, da Yoga with Kassandra, etc.

Dado que o tempo aqui é completamente incerto e que de qualquer maneira não convém andar demasiado em sítios com outras pessoas, encontrar estes pequenos desafios caseiros que nos obrigam a ser disciplinados e a cuidar de nós mesmos de forma gentil são muito importantes. Dito isto, porque os meus olhitos já ardem de cansaço, por hoje fico por aqui. Se quiserem mais informações sobre estes desafios ou outros rituais que nos fazem sentir menos sozinhos, contactem-me à vontade. 

Dei conta que não falei da imagem que ilustra este post. Numa nota rápida antes de acabar conto-vos que a Two Sticks Bakery fica no piso 0 do meu prédio e tem doces e salgados deliciosos, feitos de ingredientes sustentáveis e, dentro do possível, locais. Têm para todos os gostos e feitios, incluindo opções vegan e sem gluten. Agora imaginem o que é só ter de encomendar online e descer as escadas para ter aquele mimos… Não digam a ninguém, mas acho que quando voltar a Portugal volto a rebolar! Eheheh. A outra ilustração contém precisamente a fórmula do que faço para limpar o meu tapete de yoga. Talvez faça um post mais dedicado a este tema, o que acham? Obrigada por estarem desse lado, até já! 🙂 

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Opinião: Yoga-me – A arte de abrir o coração, de Filipa Veiga https://branmorrighan.com/2018/06/opiniao-yoga-me-arte-de-abrir-o-coracao.html https://branmorrighan.com/2018/06/opiniao-yoga-me-arte-de-abrir-o-coracao.html#respond Tue, 19 Jun 2018 14:23:00 +0000

Yoga-me – A arte de abrir o coração

Filipa Veiga

Editora: Nascente

Sinopse: A vida tem vários caminhos. Nem sempre os vislumbramos, enredados no ritmo frenético do quotidiano. Por vezes, acabamos mesmo por seguir um caminho que nos traz infelicidade. Sem a energia necessária para mudar, fechamo-nos ao mundo. Neste livro, Filipa Veiga conta-nos como descobriu, através do yoga, um novo objetivo para a sua vida. Ao longo de oito capítulos ilustrados por belas fotografias, explica-nos o que é o yoga e como a sua prática atua sobre o corpo e a alma. Partilha as histórias da sua infância vivida em Macau, o impacto do regresso a Portugal para estudar Direito, o choque de culturas e de como isso definiu o rumo na procura de equilíbrio, saúde e felicidade. Narra depois as viagens inesquecíveis que fez a Bali e à Índia, deixando ainda dicas para começar a prática de yoga, para abrir a mente a um novo estilo de vida, e até receitas para deliciosas refeições.

OPINIÃO: Yoga-me é um livro absolutamente inspirador e completamente necessário. Finalmente um livro sobre Yoga que é bastante abrangente e completo no que toca ao Yoga enquanto filosofia, estilo de vida, prática física e espiritual. Tenho lido vários, mas este foi o que mais me tocou, impressionou e me fez ter vontade de aprofundar ainda mais o meu gosto pelo Yoga.

O livro está escrito na primeira pessoa e mostra-nos o percurso da autora, a sua experiência, expondo factos e passagens históricas do Yoga, tudo de forma leve e apaixonada. Esta paixão que Filipa Veiga tem pelo Yoga e por tudo o que este implica na sua vida é vibrante e contagiante. As descrições que faz de Bali, dos seus rituais e das suas gentes são maravilhosas. Para além disso, tem sempre a preocupação de dar dicas ao leitor. Sei que no dia em que pousei o livro pensei logo: amanhã de manhã quero começar o meu dia seguindo as suas sugestões. Estas sugestões são pequenas práticas matinais que se encontram numa das páginas do seu livro e que de tão simples (apesar de exigirem disciplina) nos levam a querer mudar e melhorar o nosso bem-estar, tanto interior como exterior.

Já há alguns meses que me dedico à prática de Yoga auto-didacta, mas recentemente comecei a frequentar algumas aulas. Tenho tentado perceber até onde é que consigo ir sozinha ou até que ponto é que preciso de um professor, e a verdade é que ambos são válidos e complementam-se. Acho importante dedicarmos tempo para nós e para a nossa prática pessoal, mas com um professor a disciplina é outra e muito importante. À medida que fui lendo Yoga-me, senti cada vez mais isso. Filipa Veiga encontrou vários gurus ao longo do tempo e partilha connosco que acha que é importante encontrarmos alguém que nos possa guiar.

Este livro está muito bem conseguido porque todo ele é apelativo. Desde a estética, cuja paginação e estilo estão muito bonitos, ao formato, em que para cada capítulo temos o privilégio de ver algumas das fotografias tiradas nos vários locais onde a autora esteve, acabando com uma série de pequenas receitas saudáveis e sugestões de práticas simples que nos fazem querer mudar para melhor, mais conscientes, mais saudáveis. Tal como o autora diz, o caminho pode não ser imediato e pode levar anos, mas cada pequeno passo de perseverança traz resultados que valem a pena. Aconselho este livro a todos os curiosos, praticantes ou não praticantes, mas acima de tudo aconselho esta leitura a quem esteja disposto a abrir o coração ao que lhe rodeia e a si mesmo 🙂 

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[Yoga] Um Guia para os Nossos Chakras https://branmorrighan.com/2018/05/yoga-um-guia-para-os-nossos-chakras.html https://branmorrighan.com/2018/05/yoga-um-guia-para-os-nossos-chakras.html#respond Fri, 04 May 2018 14:04:00 +0000 Imagem retirada de: https://www.pinterest.pt/pin/602849100094800403/

Como já partilhei aqui antes, há já uns meses que me tenho dedicado mais ao estudo do Yoga, incluindo também a via mais espiritual. Um dos meus objectivos é no futuro escrever alguns artigos simples sobre o que é isto dos chakras, das posições de yoga para cada um etc., mas hoje antecipo-me mostrando-vos este guia que encontrei no Pinterest e que achei mínimo, mas completo ao mesmo tempo para vos ir aguçando a curiosidade. Se quiserem fazer alguma pergunta específica, basta enviarem-me um mail. Namastê! 🙂 

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[Diário de Bordo] Yoga, Miopia e Dan Brown https://branmorrighan.com/2017/11/diario-de-bordo-yoga-miopia-e-dan-brown.html https://branmorrighan.com/2017/11/diario-de-bordo-yoga-miopia-e-dan-brown.html#respond Fri, 10 Nov 2017 09:53:00 +0000

Bom dia! Confesso, sinto sempre falta de ir partilhando um pouco dos acontecimentos mirabolantes da minha vida convosco. O problema é que tenho andado num horário de trabalho que não aconselho a ninguém e então as coisas entram em piloto automático. Hoje, como vou ter que esperar ainda um pouco para fazer alguns exames, decidi usar esse tempo de espera para vos escrever. 

Lembram-se do post sobre o yoga? Eu sei, passaram poucos dias e nada serve como solução milagrosa, mas deixem-me dizer-vos que desde que comecei a, pelo menos, fazer as saudações ao sol logo pela manhã, ainda em jejum (fazer yoga com comida no estômago não me parece nada boa ideia), que tenho conseguido andar com menos dores na cervical e tenho tido menos dores de cabeça. O facto de conseguirmos sincronizar a respiração com cada uma das etapas ajuda a que o fluxo sanguíneo, e de energia, flua com muito menos obstáculos e mais naturalmente. É como se estivéssemos a activar o nosso corpo para o dia que aí vem. À noite também tento fazer uma ou outra posição de relaxamento, mas aqui falho um pouco. Quando chego a casa já só quero o quentinho da cama. Este início contou com a ajuda do livro Yoga Para Ti, editado pela Nascente, que para quem está a dar os primeiros passos no Yoga é excelente. Ensina o que alinhar com o quê, como respirar, etc., de uma forma muito perceptível e com imagens que ajudam a iliustrar o que é que se está a passar. Outro dos livros que mencionei no post anterior, o Retox, editado pela Arena, é o que ando a analisar e, confesso, já me prendeu a atenção nas primeiras páginas. É um livro diferente do anterior, um pouco mais avançado, com um contexto muito pessoal da sua autora. Dá uma visão super prática e “sem merdas” do universo yoga-alimentação-atitude. E quando digo “sem merdas” refiro-me ao facto de a autora ser completamente obcecada com factos, o que neste caso é bom. Ela confronta muitas das atitudes de alguns gurus que muitas vezes fazem parecer “isto do yoga” uma coisa esotérica, quase uma religião, cheia de restrições, quando, na verdade, o yoga deve ser visto como uma libertação e pode ser adaptado de pessoa para pessoa, tendo sempre em conta a possível espiritualidade, mas acima de tudo a anatomia da pessoa. O yoga, quando praticado sem qualquer tipo de guia, pode ser muito perigoso a nível de lesões físicas. Algumas posições exigem um correcto alinhamento dos membros e uma pequena deslocação, ou extensão, mal feita pode dar origem a problemas físicos. Mas ainda só vou no início, por isso depois dou notícias! 

Outro assunto. No final da semana passada descobri que estou cada vez mais míope. Como é que é possível que, com quase trinta anos, ainda continue a aumentar a graduação? É verdade. Lá fui eu fazer uns óculos novos (os da imagem) e valeu-me, este ano, ter investido num seguro de saúde. Este mundo não está para quem tem despesas de saúde sem seguros de saúde. É o primeiro ano que faço um e, para terem noção, o desconto que tive nos óculos já cobriu o que paguei pelo meu seguro… Custou quando dei o dinheiro pelo seguro, mas nem imaginam as graças que dei quando vi a factura dos óculos. 

Entretanto, ando a ler Origem, do Dan Brown. Já não lia um livro deste autor há mais de uma década, ou coisa parecida. E já não me lembrava que meia dúzia de horas se podiam descrever em quase seiscentas páginas! Quando o comecei a ler, pela expectativa do que poderia estar para ser revelado, li, de seguida, mais de cem páginas. Não vos vou dizer o que aconteceu ao fim dessas cem páginas, mas pousei o livro frustrada. Ahahah! Não no mau sentido, apenas Dan Brown gosta de fazer o leitor sofrer. Tenho cá as minhas suspeitas, mas a caminhar para as cinco centenas de páginas, ainda estão por ser confirmadas! O que me atraiu mais no livro, desde o início, foram as características de Edmund. Sendo eu uma cientista computacional e tendo contacto com teoria de jogos, inteligência artificial e desenvolvendo também modelos de simulação para predição de certos comportamentos, Edmund projectava-se como o ponto alto. Até agora os detalhes técnicos do seu trabalho não foram muito explorados o que me tem deixado meia desanimada. Mas, provavelmente, sou apenas eu a ser geek.

E pronto, para já é isto que tenho para partilhar convosco! Segunda-feira teremos novidades muito boas em relação ao próximo aniversário do blogue! Obrigada e bom fim-de-semana 🙂  

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[Diário de Bordo] Mergulhando no universo Yoga https://branmorrighan.com/2017/11/diario-de-bordo-mergulhando-no-universo.html https://branmorrighan.com/2017/11/diario-de-bordo-mergulhando-no-universo.html#respond Sat, 04 Nov 2017 10:39:00 +0000

Estava aqui a pensar como começar este post, mas de repente todas as frases pareciam tiradas de um livro de auto-ajuda e para isso já eles existem. Na verdade, apenas vos estou a escrever porque, ultimamente, tenho lido alguma variedade de livros de auto-ajuda/práticos, no que toca a lidar com o stress e com emoções que possam sair um pouco do controlo. Por vezes o trabalho, conjugado com a vida pessoal, consegue dar comigo em doida (quem nunca?) e, dada a falta de tempo, comecei a procurar mecanismos para, ao meu próprio ritmo, começar a gerir não só a camada de nervos como tentar manter-me saudável física e psicologicamente. Ando sempre a inscrever-me e a desinscrever-me do ginásio, mal consigo uma rotina que me permita ter um horário mais ou menos estável para exercício físico, mas isso não tem nada de bom. 

Há cerca de quase duas semanas, comecei a mergulhar um pouco mais no universo Yoga. No ginásio já frequentava (muuuuuuuito de vez em quando) as aulas de body balance, que misturaram yoga, tai chi e pilates, mas como o horário dessas aulas mudou e estas se tornaram incompatíveis com a minha disponibilidade, decidi arregaçar mangas e tentar perceber como é que podia aplicar parte do que aprendi, e até aprender mais umas quantas coisas, em casa. De momento, tenho cinco livros comigo sobre a temática: Yoga Graphics (Planeta), Slow Living Yoga (Arena), Retox (Arena), Yoga-Me (Nascente) e Yoga Para Ti (Nascente). São livros completamente diferentes uns dos outros e à medida que os for explorando vou partilhando aqui convosco. Desde a origem do Yoga aos termos próprios, passando pela postura física e psicológica, estes livros oferecem alguns mecanismos para que possamos melhorar o nosso bem-estar. 

Em tempos, pensava que o Yoga era mais uma prática física do que espiritual, mas entretanto percebi que pode conjugar as duas. Eu sou sempre apologista de cada um fazer o que lhe fizer mais sentido, desde que encontre a paz física e psicológica que aumente a sua qualidade de vida. Nem todos somos religiosos, nem todos temos uma espiritualidade desenvolvida, por isso acredito que podemos sempre olhar para todas estas práticas de uma maneira transparente. Depois, consoante as nossas crenças, poderemos sentir uma maior ou menor empatia com o que os autores expressam, mas é para isso que temos o nosso próprio cérebro, para discernirmos o que pode ou não fazer sentido para nós. Por exemplo, eu posso achar que realmente a prática física do Yoga provoca algumas melhorias em mim, mas posso não ver sentido em alguns rituais que possam ser praticados por parte dos gurus. Concluindo: os livros de auto-ajuda são sempre práticos e aditivos do nosso conhecimento, mas defendo sempre que o leitor deve ter espírito crítico em relação ao que lê. Já todos sabemos que não existem receitas universais que funcionem da mesma maneira para toda a gente. 

Uma das coisas que tem funcionado para mim, ou pelo menos eu sinto que de alguma maneira me tem ajudado a começar melhor a manhã (acordo sempre com rigidez na cervical e com algumas dores de coluna), tem sido a prática de saudações ao sol. Acho que é um bom sítio para começar. Isso e alguns exercícios de yoga visual para ajudar a entrar na meditação ou apenas relaxar antes de adormecer. O primeiro exercício do Yoga Graphics é surpreendentemente simples e eficaz. 

Como tenho uma deadline de um artigo científico de hoje a oito, vou-me por a trabalhar, mas uma coisa eu sei, vai haver uma altura do dia em que vou parar por uns momentos e meditar ou praticar um pouco de yoga, ou os dois ao mesmo tempo – a posição de lotus no yoga é excelente para isso (tenham em atenção a postura e cuidado com os joelhos!). Ultimamente tenho sentido que mesmo que diminua o meu tempo de trabalho, aumento a minha produtividade por conseguir uma maior tranquilidade. 

Despeço-me por agora! Bom fim-de-semana 🙂 

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[Hinduísmo] Om: Símbolo do Absoluto https://branmorrighan.com/2011/03/hinduismo-om-simbolo-do-absoluto.html https://branmorrighan.com/2011/03/hinduismo-om-simbolo-do-absoluto.html#respond Mon, 21 Mar 2011 13:53:00 +0000

“O objectivo declarado por todos os Vedas, focado em todas austeridades e que os homens desejam quando levam uma vida de continência… é Om. Essa sílaba é na verdade Brahman. Quem quer que conheça essa sílaba consegue tudo o que desejar. Isso é o melhor apoio, o apoio mais alto. Quem quer que conheça esse apoio é adorado no mundo de Brahma.”

~ Katha Upanishad I

Om ou Aum é de grande importância no Hinduísmo. Esse símbolo é a sílaba sagrada que representa Brahman, o Absoluto impessoal do Hinduísmo – omnipotente, omnipresente, e a fonte de toda a existência manifesta. Brahman, por si mesmo, é incompreensível; então um símbolo é visto como obrigatório para nos ajudar a entender o Incognoscível. Om representa tanto o aspecto não-manifesto (nirguna) quanto o manifesto (saguna) de Deus. Por isso é chamado de pranava, para transmitir que ele penetra na vida e corre através do nosso prana ou respiração.

Om na Vida Diária

Apesar de o Om simbolizar o mais profundo conceito da crença hindu, ele é usado diariamente. Os hindus começam o seu dia, qualquer trabalho ou uma viagem expressando Om. O símbolo sagrado é geralmente encontrado no cabeçalho de cartas, no começo de monografias e assim por diante. Muitos hindus, como uma expressão de perfeição espiritual, usam o Om como um pingente. Esse símbolo é santificado nos templos hindu ou de alguma outra forma nos templos familiares.

É interessante notar que um recém-nascido é trazido ao mundo com esse símbolo. Depois do nascimento, a criança é banhada ritualmente e o símbolo sagrado Om é escrito na sua língua com mel. Então logo no momento do nascimento, a sílaba Om é introduzida na vida de um hindu e permanece para sempre com ele como o símbolo da devoção. O Om é também um símbolo popular usado actualmente em arte corporal e tatuagens.

A Sílaba Eterna

De acordo com o Mandukya Upanishad, “Om é a sílaba una eterna da qual tudo que existe é desenvolvimento. O passado, o presente e o futuro estão incluídos nesse som único, e tudo que existe além dessas três formas de tempo está embutido nele também”.

A Música do Om

Om não é uma palavra, mas sim uma entonação, que, como música, transcende as barreiras de idade, raça, cultura e até mesmo espécie. Ele é feito de três letras sânscritas, aa, au e ma, que quando combinadas fazem o som Aum ou Om. Acredita-se que seja o som básico do mundo e que contenha todos os outros sons. Sozinho é um mantra ou oração. Se repetido com a entonação correta, pode ressoar pelo corpo de forma a que o som penetre no centro do ser, a atman ou alma.

Há harmonia, paz e glória nesse som simples, mas profundamente filosófico. Vibrando a sílaba sagrada Om, a combinação suprema de letras, se alguém pensar na Personalidade Última da Divindade e deixar o seu corpo, com certeza alcançará o estado último de eternidade, diz o Bhagavad Gita.

A Visão do Om

O Om tem um ponto de vista dualístico. Por um lado, ele projecta a mente além do imediato para o que é abstracto e inexpressível. Por outro lado ele faz o absoluto mais tangível e compreensível. Ele contém todas as potencialidades e possibilidades; ele é tudo o que foi, é, ou ainda vai ser. Ele é omnipotente e por isso continua indefinido.

O poder do Om

Durante a meditação, quando entoamos Om, criamos dentro de nós uma vibração que harmoniza simpatia com a vibração cósmica e começamos a pensar universalmente. O silêncio momentâneo entre cada entoação torna-se  palpável. A mente move-se entre os opostos de som e silêncio até que, por último, ela cessa o som. No silêncio, o único pensamento – Om – é dissipado; não há pensamento. Esse é o estado de transe, onde a mente e o intelecto são transcendidos à medida que o Eu Individual se funde com o Eu Infinito no momento religioso da realização. É um momento quando os assuntos mundanos são perdidos no desejo pelo universal. Tal é o poder imensurável de Om.

Subhamoy Das (traduzido por Sarasvati, adaptado por Morrighan)

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