ZDB – Bran Morrighan https://branmorrighan.com Literatura, Leitura, Música e Quotidiano Mon, 28 Dec 2020 05:57:48 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://branmorrighan.com/wp-content/uploads/2020/12/cropped-Preto-32x32.png ZDB – Bran Morrighan https://branmorrighan.com 32 32 Amanhã: Drinks (Cate Le Bon & Tim Presley), na Galeria Zé dos Bois https://branmorrighan.com/2017/04/amanha-drinks-cate-le-bon-tim-presley.html https://branmorrighan.com/2017/04/amanha-drinks-cate-le-bon-tim-presley.html#respond Sun, 09 Apr 2017 11:31:00 +0000

Amanhã, dia 10 de Abril, às 22h, na ZdB 🙂 

https://www.facebook.com/events/1711359489155053/

São uma autêntica, não uma mera novidade, estes Drinks. Fazem música dura, com osso, mas que também sabe ser sinuosa, delgada. Feita de canções pequenas, portáteis, quase tangíveis, mas, também, aberta a desvios, a fugas, a metamorfoses. Formados por Tim Presley (White Fence) e a galesa Cathy Le Bon, lançaram há quase dois anos esse discretíssimo Hermits on Holiday. Aqueles mais atentos perceberam o que tinham diante dos ouvidos: um disco consciente de um legado, de uma herança. Que legado, que herança? Falamos de uma série plural de nomes: os Byrds, os Captain Beefheart, os X, os Tall Dwarfs, e mais recentemente os Yo La Tengo ou os Deerhoof. São todas (sem dúvidas) bandas irredutíveis a categorias e classificações, mas ouse-se dizer que há qualquer coisa que as liga. Um gosto comum pela beleza das canções irregulares ou imperfeitas (basta pôr a tocar a “Laying Down Rock”), por acordes que falam com outras melodias, por um desempenho cujo fim é o puro prazer de tocar (ouçam a frenética e borbulhante “Cannon Mouth”).

Não se cometa a injustiça de falar aqui de indie-pop ou de música de guitarras. Os Drinks estão carregados de história, não para nela se enredarem, mas a fim de continuar. São uma banda deste tempo. E há, a propósito, dois traços em Hermits on Holiday muito reveladores dessa condição. Um apreço pelas canções que não os impede de virá-las do avesso, de as animar de modo imprevisto, como em “Cannon Mouth (que se desdora em vários ritmos) ou mesmo de as transfigurar em “Time Between” (que avança num crescendo de gravidade); e uma capacidade de irmanar os sons das guitarras, da percussão e dos teclados em nome da composição. De alguma forma, é como se retomassem as possibilidades deixadas em suspenso pelos nomes acima mencionados e daí fizessem o seu caminho, espontâneo, livre. Portanto, indiferentes aos que vêem a história da música pop e do rock como um processo determinado pela tecnologia ou as inovações técnicas. Os Drinks fazem a sua história e esta noite vão cantá-la. Ouçamo-la, pois também será a nossa. JM

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HOJE – Rui Torres fala sobre Poesia Experimental Portuguesa na ZDB https://branmorrighan.com/2017/03/hoje-rui-torres-fala-sobre-poesia.html https://branmorrighan.com/2017/03/hoje-rui-torres-fala-sobre-poesia.html#respond Thu, 30 Mar 2017 10:25:00 +0000

A Galeria Zé dos Bois recebe, esta Quinta-feira, uma conferência especial de Rui Torres em torno da poesia experimental portuguesa. Inserida na programação complementar da exposição Verbivocovisual: Poesia Experimental Portuguesa, a sessão apresentará a meta-estrutura do arquivo digital po-ex.net. Recorde-se que Rui Torres é um dos expecialistas na Poesia de Invenção em território nacional. Na conferência, marcada para as 19h00, o autor falará sobre a representação textual, simulação contextual e interacção interpretativa da po-ex, abordando as ligações entre as práticas históricas da Literatura Experimental (poesia visual, sonora, espacial, performativa, digital, concreta e vídeo ) e as possibilidades abertas pelas novas tecnologias de informação.

A sessão, que se estenderá até às 20h00, contará ainda com as performances de António Poppe, Tomás Cunha Ferreira e Anabela Duarte. O acesso é livre.

Vibração de seu chamado, por António Poppe, 2017 (em streaming)

Improvisação para além do livro físico, o volume inesgotável que recorda o desconhecido sol em que o sol nasce. E sobretudo, de um solo vistazo, contemplo – remoremo moxi – a presença espontânea à vibração de seu chamado.

A-o, por Tomás Cunha Ferreira, 2017 

Estreia do mais recente poema sonoro de Tomás Cunha Ferreira

Stripsody de Cathy Berberian, por Anabela Duarte, 1966

Interpretação de uma das mais icónicas composições para voz da música contemporânea onde Berberian explora técnicas vocais onomatopeicas utilizando sons provenientes das bandas desenhadas.

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TIAGO SOUSA apresenta ‘Um Piano nas Barricadas’ na Galeria ZDB https://branmorrighan.com/2016/02/tiago-sousa-apresenta-um-piano-nas.html https://branmorrighan.com/2016/02/tiago-sousa-apresenta-um-piano-nas.html#respond Tue, 23 Feb 2016 08:27:00 +0000 Fotografia Vera Marmelo

Dono de uma linguagem sonora cada vez mais única, a sua história reserva já diversos capítulos e encarnações. Acompanhamo-lo nas margens do rock, seguimo-lo no influente trabalho da editora Merzbau e continuamos a observá-lo neste brilhante percurso onde o piano é o coração deste corpo em constante evolução. Como habitual num exercício de busca criativa e até pessoal, o rumo ao desconhecido proporciona frequentemente momentos de descoberta e de partilha. E desde o longínquo ano de 2006 que esse processo se tem sedimentado através de quase uma dúzia de discos assinados a solo ou em colaborações.

O que faz de Tiago Sousa um exemplo insular na abordagem ao instrumento é o afastamento natural face a estilos e expectativas. Demasiado mestiço para os cânones da escola erudita, nele escutamos elementos vagamente jazzísticos, referências resgatadas à filosofia oriental e uma multiplicidade de mundos entrelaçados. Embora intimista, a delicadeza e a grandiosidade da implosão emocional das suas peças não encontram outro habitat que não a universalidade. Trata-se pois de música genuinamente livre e libertadora na sua mais plena dimensão em que o pano do onírico adorna orgulhosamente o palco do telúrico. O modo como nos envolve e nos devolve à realidade faz dele um virtuoso na habilidade de conjugar os silêncios e os seus ganhos como pontuação na escrita.Para completar, a consciência socio-política do músico faz dele um discreto mas assertivo artista de acção cuja obra ‘Coro das Vontades’ (apresentada em 2012 no Teatro Maria Matos e editado este ano em CD) é, sem dúvida, a maior das façanhas. É com uma mão coberta de terra e outra de sangue que os dedos de Sousa encontram em cada tecla, cada nota e cada imagem uma possibilidade de conceber um mundo novo.

Com ‘Samsara’ cristalizou ideias e concebeu um dos documentos mais apaixonados a surgir no panorama português nos últimos anos. Tão simples quanto isso. Com ‘Um Piano nas Barricadas’, traz inéditos e promissores horizontes que primam logo pela riqueza da diversidade instrumental. Por aqui encontra-se a melodia do clarinete, o ritmo da percussão, o calor da guitarra clássica ou o universo sonhador da harpa. A sensibilidade na forma de interligação entre estes pontos reserva tanto de inesperado como de revelador. Tudo começa no piano sim, mas o que daí nasce é uma surpreendente viagem para o ouvinte. O resultado situa-se para lá do que até então poderíamos estar familiarizados com a sua obra. E neste momento nada poderia fazer mais sentido na carreira de quem já deixou um cunho muito próprio.

A ZDB tem agora o privilégio de acolhê-lo naquela que será a primeira escuta colectiva do próximo disco. Para evidenciar este registo, Tiago estará acompanhado por dois músicos completando assim o papel de trio. Trata-se pois de um aguardado regresso ao palco desta casa de uma das constelações mais brilhantes dos nossos tempos. NA

Formação: Tiago Sousa piano  |  Ricardo Ribeiro clarinete | Baltazar Molina percussão

Entrada: 8€ | Bilhetes disponíveis na Tabacaria Martins, Flur e ZDB em dias de concerto | reservas@zedosbois.org

Entrevista Tiago Sousa 2014:

http://www.branmorrighan.com/2014/09/entrevista-tiago-sousa-musico-portugues_9.html

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Alla Prima de Tiago Cadete, na Galeria ZDB, de 27 a 30 de Janeiro às 21h30 https://branmorrighan.com/2016/01/alla-prima-de-tiago-cadete-na-galeria.html https://branmorrighan.com/2016/01/alla-prima-de-tiago-cadete-na-galeria.html#respond Fri, 15 Jan 2016 13:40:00 +0000 © José Carlos Duarte

De 27 a 30 de Janeiro 2016, quarta a sábado às 21h30

Rua de O’Século 9, porta 5 Lisboa

reservas@zedosbois.org | +351 21 3430205

O que Tiago Cadete propõe com “Alla prima” vem de uma inquietude perante o silêncio e imobilidade das imagens. O corpo humano, essa espécie de unidade fundamental da produção de imagens no Ocidente, é tanto o enfoque de sua pesquisa enquanto colecionador de imagens, como o instrumento através do qual o próprio corpo do intérprete se colocará perante o público. O seu olhar diz respeito à construção e invenção do Brasil – quais seriam os movimentos e vozes do grande número de imagens que em mais de cinco séculos foram capazes de criar certas ideias sobre o que seria o Brasil, os brasileiros e a brasilidade?

O termo “alla prima”, dentro da prática de pintura, diz respeito a uma técnica em que o artista enfrenta a tela diretamente, aplicando camadas de tinta sem esperar um tempo de secagem, causando uma espécie de sobreposição tanto de cores, quanto de imagens. De modo dialógico, o corpo do artista aqui responde diretamente a uma série de descrições sobre o que poderiam ser estes “corpos brasileiros”. Para além da narrativa histórica eurocêntrica que criou a teoria das três raças no Brasil – onde as populações africanas, europeias e indígenas seriam ingredientes deste caldeirão cultural –, sua anatomia se transforma num receptáculo de múltiplos criadores, culturas, etnias e proposições plásticas.

Através desta reencenação que se dá de modo transhistórico entre a visualidade e diferentes descrições orais/verbais, o corpo de Tiago Cadete acaba por desenhar uma nova coreografia deveras distante do samba e da alegria tropical comumente atribuída ao que poderia ser a “cultura brasileira”. De repente os trópicos ficam tristes e algumas das tentativas de colonização do Brasil a partir da imagem vem à tona.

Faz-se importante, então, sentir na pele o incômodo dessas poses e constatar que, mais do que uma geografia, o Brasil é um conceito constituído a partir de um corpo fictício que alinhava pedaços esquartejados de muitas vidas silenciadas pelo tempo.

Criação e interpretação Tiago Cadete | Consultor história da arte Raphael Fonseca Figurinos Carlota Lagido | Assistente de projecto Bernardo Almeida  Colaboradores Voz-off Priscila Maia; Raphael Fonseca, Raquel André; Sueli do Sacramento; Jonas Arrabal; Victor Dias; Laura Arbez; Felipe Abdala; Isabel Martins; Júlia Arbex; Breno de Faria | Fotografia de documentação Victor Dias | Fotografia de cena José Carlos Duarte | Residência Centro Coreográfico do Rio de Janeiro | Apoio Eira | Acolhimentos Escola de Mulheres; ZDB | NEGÓCIO; mala voadora/PORTO | Co-produção TEMPS D’IMAGES ‘15

Entrada: 7,5€ | Entrada estudantes em grupo: 5€

Site: http://www.zedosbois.org/

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The Legendary Tigerman regressa este Natal à Galeria Zé dos Bois https://branmorrighan.com/2015/11/the-legendary-tigerman-regressa-este.html https://branmorrighan.com/2015/11/the-legendary-tigerman-regressa-este.html#respond Tue, 10 Nov 2015 14:49:00 +0000

Cartaz: Francisco Ferreira

E na noite de Natal, o Rock n´Roll volta a descer à Terra para aquecer o coração aos solitários. Com as ruas vazias e os espíritos dominados por sentimentos confusos (alívio, paz, depressão, melancolia, tédio), não há nada como o estrépito do som das guitarras e a ameaça de uma voz tecida nas imagens da América profunda. Música fantasiosa para libertar da fantasia.

O anfitrião voltar a ser The Legendary Tigerman, sempre a solo, sempre acompanhado de instrumentos e canções. É um caso raro, este. Um homem convidar os outros, com a sua música, sem alaridos, apenas com a convicção serena de que ela bastará para o sucesso do chamamento. Ora, no repertório do homem-tigre não faltam canções que têm, exactamente, a capacidade de congregar os outros à sua volta. Por exemplo, “Do Come Home” ou “Life Aint Enough For You”. E o mais importante, sobretudo nesta noite, não se impõem a quem as ouve. Deixam-se estar ou acomodam-se às emoções de quem chega. Não se pense que curam, que são uma espécie de lenitivos. The Legendary Tigerman não traz uma mensagem de harmonia ou de paz. Não faltará turbulência e agitação nesta noite.

O rock and roll foi feito para amar, sim, mas também para dançar. O que se pode fazer ao som de Bad Luck Rhythm N´Blues Machine senão dançar? Uma comunhão libertadora para os dias seguintes. Assim será este concerto onde todos serão meninos e rei magos. JM

INFORMAÇÕES DE BILHETEIRA

Entrada: 15€ 

Bilhetes disponíveis na Tabacaria Martins e ZDB (Quarta a Sábado das 18h às 23h). A ZDB não aceita reservas para este concerto. Lotação limitada para a noite de 25 de Dezembro. 

SIGA THE LEGENDARY TIGERMAN 

https://www.facebook.com/thelegendarytigerman

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Amanhã – Regresso do Clube Z à ZdB com destaque para os Flaming Tits https://branmorrighan.com/2015/09/amanha-regresso-do-clube-z-zdb-com.html https://branmorrighan.com/2015/09/amanha-regresso-do-clube-z-zdb-com.html#respond Fri, 18 Sep 2015 16:53:00 +0000

Clube Z de volta como prolongamento do Verão. Tacos, Coronas e rock’n’roll é e sempre será a premissa. Luís Gravito, vulgo Cão da Morte, fará as honras de abrir o serão em concerto de sala-de-estar. Os catraios Old Yellow Jack prometem embalo psicadélico enquanto os Flaming Tits, entre os quais um membro das Pussy Riot, representam o underground punk siberiano na sua estreia em Portugal. O terraço estará lá, para os intervalos. Aviso: na festa de rentrée deste clube recreativo não entra gente bem arranjada.

Clube Z é uma programação Puro Fun, a convite da Galeria Zé dos Bois.

Entrada: 4€

A questão que se coloca aqui é: Quem são os Flaming Tits?

Este concerto de Flaming Tits é um concerto secreto dos Youthless, que irão mostrar as suas novas músicas nessa tarde de sábado, sem grande aviso prévio. E é por isso que este concerto e tão especial. Os Youthless são formados pelo londrino Sebastiano Ferranti (baixo e vozes) e pelo nova-iorquino Alex Klimovitsky (bateria, sintetizador e vozes), ambos a viver, surfar e compôr em Portugal!

Official Website  – www.youthless.co.uk

Soundcloud – www.soundcloud.com/youthless

Facebook – www.facebook.com/youthlessnoise

Twitter – https://twitter.com/youthlessnoise

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Este Domingo na Zé Dos Bois (ZDB) – LIBERDADE JÁ | FREEDOM NOW – Solidariedade com os activistas e presos políticos de Angola https://branmorrighan.com/2015/08/este-domingo-na-ze-dos-bois-zdb.html https://branmorrighan.com/2015/08/este-domingo-na-ze-dos-bois-zdb.html#respond Sat, 01 Aug 2015 12:10:00 +0000

Antes de deixar o comunicado da ZDB queria só dar os parabéns à mesma pela iniciativa e enaltecer o cartaz de luxo apresentado. É bom ver os intervenientes da nossa cultura tomarem acção em iniciativas de louvar. A entrada é livre, quem puder é apoiar a causa aparecendo! 

Em prol da campanha LIBERDADE JÁ | FREEDOM NOW, acontecerão em simultâneo, este próximo Domingo dia 2 de Agosto, em Luanda e em Lisboa, concertos em Solidariedade com os activistas e presos políticos de Angola sob acusação de tentativa de golpe de estado. A demora na apresentação das evidências que provem o alegado crime, tem causado uma enorme onda de indignação em várias esferas da sociedade angolana, portuguesa e também no seio da comunidade internacional.


Em Lisboa, na Galeria Zé dos Bois das 18h às 24h, passarão pelo palco os artistas e músicos: Alek Rein, Aline Frazão, António Poppe, B Fachada, Bilan, Candidato Vieira, Dino d’Santiago, Dj Satélite, Dj Ricardo, Éme, Kalaf, Hélio Morais, Joaquim Albergaria, Makoto Yagyu, Maio Coopé, Marta Dias, Pedro Sousa, Pega Monstro, Selma Uamusse e Ricardo Pinto, Tiago Sousa, X-Hangué Duo.


Em Luanda, no mesmo dia e hora no Elinga Teatro, subirão ao palco os músicos e artistas: Abada Capoeira – Zwela Hungu, Laurinda Manuel Gouveia, Manuel Victoria Pereira, MC K, Jack Nkanga, Mona Dya Kidi, Pretos Racionais, Jang Nómada, Emmanuel Pittra, Globo 112, Fat Soldiers, Dinamene, de entre outros.


Este evento, uma iniciativa de músicos, escritores, artistas e agentes culturais, visa por este meio solidarizar-se com os activistas presos há mais de um mês. Este é um apelo ao direito à liberdade de expressão e de pensamento.


Não podemos ficar indiferentes perante esta situação em Angola. Acreditamos que o silêncio, para além de nos tornar cúmplices de uma grande injustiça, é também o maior algoz da liberdade. Pretendemos assim, unir as nossas vozes às do POVO ANGOLANO para que todos participemos no seu crescimento, com os olhos secos, e com o coração livre do medo.

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Entrevista a Vera Marmelo e Luís Martins, Fotógrafos Portugueses, a propósito de Convite https://branmorrighan.com/2014/11/entrevista-vera-marmelo-e-luis-martins.html https://branmorrighan.com/2014/11/entrevista-vera-marmelo-e-luis-martins.html#comments Sun, 02 Nov 2014 13:38:00 +0000 Existem iniciativas e projectos que é impossível não admirar. O que seria do mundo sem a fotografia? O que seriam das nossas memórias, de tudo o que já foi vivido? O que seria da própria história sem estes registos? Mas, para mim, há duas perguntas que se impõem ainda com mais intensidade… O que seria da Música sem a fotografia? O que seria da Fotografia sem a música? Quem segue o blogue sabe que, de vez em quando, gosto de ir aos concertos, com a minha 450D e a 50mm, registar alguns momentos, aqueles mais intensos, que transmitem o que sinto enquanto os ouço. A inspiração? Bem, a Vera Marmelo sempre foi uma, sem dúvida alguma. Sigo o seu trabalho desde o início deste ano, que foi quando a descobri, e é impossível não ficarmos deslumbrados com a sua capacidade de numa fotografia conter uma narrativa inteira, por vezes complexa, por vezes apenas directa. Recentemente, juntou-se a outro “companheiro de guerra”, o Luís Martins numa iniciativa a dois. Ambos são fotógrafos “residentes” da ZDB e muito têm vivido lá. Ao comemorarem os 20 anos da ZDB, lançaram o Convite, um projecto fotográfico conjunto que confere uma maior riqueza tanto ao espaço como ao mundo fotográfico e musical. É dessa experiência conjunta que esta entrevista se trata, mas também das suas experiências e visões enquanto fotógrafos. Só posso agradecer à Vera e ao Luís o tempos despendido para poder partilhar este momento especial convosco. 

Olá Vera e Luís! Contem-nos, como é que foram parar, pela primeira vez, à ZDB? 

Vera: Fui levada por amigos do Barreiro. Fez neste mês de Outubro 10 anos que lá entrei pela primeira vez, numa matiné, para ver os Vicious Five.

LuísA primeira vez que entrei na ZDB foi para ver o lançamento do primeiro álbum dos Vicious Five. E foi amor à primeira vista. Descobrir aquele espaço em Lisboa foi muito importante e rapidamente se tornou num hábito entrar no Aquário.

Ainda se lembram da primeira vez que se encontraram? 

Vera: Não consigo precisar uma data. Mas deve ter sido, das duas uma, no Teatro Maria Matos ou mesmo na ZDB. Partilhamos amigas antes de nos conhecermos e foi através delas, de máquina na mão, que nos encontramos.

LuísDeve ter sido certamente na frente do palco. O momento em particular não me lembro, mas sei que conhecia e gostava do que a Vera fazia. Entretanto acho que começámos a falar mais por intermédio de uma amiga que temos em comum.

Fotografia por Vera Marmelo

Qual o concerto mais memorável, na ZDB, que guardam convosco? 

Vera: Eu tenho mais que um. E só neste fim de semana já arranjei outro. Mas apontarei o primeiro concerto do Rodrigo Amarante. Pela intensidade daquela noite. Pelo desarranjo emocional que senti e que me impediu de fotografar durante uns primeiros momentos.

LuísEssa pergunta é mesmo muito complicada de responder. O concerto de Animal Collective foi muito marcante. Mas os que acabam por ficar são aqueles que vou à descoberta e sem grandes expectativas. Foi assim que ouvi pela primeira vez o Norberto Lobo, Fuck Buttons ou até o Rodrigo Amarante.

Fotografia por Luís Martins

Quão importante foi a ZdB para a vossa evolução enquanto fotógrafos?

Vera: Não é a sala mais luminosa de sempre, portanto ganhas algum calo para situações mais difíceis. A comunicação e interacção com os músicos é tão fácil no espaço, que isso me trouxe uma maior confiança quando abordo um desconhecido para o fotografar. É verdade que plataformas como o Facebook da ZDB, onde as nossas fotografias vão sendo partilhadas, também nos garante alguma visibilidade.

LuísÉ importante a  dois níveis. De um ponto de vista técnico, é complicado fotografar na Z. A luz não é muita e isso faz que com a mão fique mais firme a fotografar e acabas por arranjar soluções “criativas” para situações complicadas. Por outro lado também foi uma educação do olhar. A escala dos concertos, a distância aos músicos e a própria relação que se cria com o espaço é formativa na forma como fotografo.

Muitas têm sido as personalidades que têm fotografado, desde nacionais a internacionais. Algum episódio mais atípico ou engraçado que gostassem de partilhar? 

LuísA Vera terá certamente resposta para esta e eu nem por isso. Ela vive há muito tempo e de forma mais intensa os momentos, pré e pós concerto. Acabo por estar mais presente nos concertos e nessa altura o meu objectivo é passar o mais despercebido possível. Mas nem sempre é possível. Lembro-me de um concerto de Dead Combo da série de 4 que eles fizeram recentemente e de estar a fotografar em cima do palco escondido atrás dos amps. O Pedro descobriu-me a meio do concerto e meteu-se comigo.

Vera: Fui mandada embora do ensaio de som do primeiro concerto do Cass Maccombs na ZDB. Desde então que embirro com o senhor. E recusei-me a ir ao concerto surpresa que deu este ano.

Passados todos estes anos a fotografar na ZDB, decidem lançar um livro conjunto – Convite. Qual a vossa maior motivação para o fazerem? 

LuísO livro surge do convite da Vera. Depois do livro do ano passado, ela tinha vontade de fazer algo sobre a ZDB. Convidou-me para fazer parte e disse logo que sim. Com os 20 anos é uma prenda bonita que nós damos. Paralelamente dá-me muito gozo ver as fotos saltarem do digital para o tangível. Dá-lhes uma nova vida.

Vera: Tenho duas: ver as coisas em papel e tê-las na mão. E uma vontade absurda de querer fazer parte da festa, da celebração dos 20.

http://convitezdb.tumblr.com/

O que é que Convite traz para quem o adquirir? 

Vera: Retratos feitos na ZDB e fotografias dos concertos que aconteceram na sala da Rua da Barroca ou noutro local, mas programado pela ZDB.

É um livro feito a duas mãos e por essa razão cruzam-se muitas vezes fotografias dos dois.

LuísNão pretendíamos fazer um compêndio completo de concerto nem um documento histórico. As fotos acabam por ser as nossas favoritas e dos concertos que mais nos marcaram. O Convite está algures entre um diário e um best of.

Enquanto fotógrafos, acham que o vosso trabalho se complementa? De que forma é que a presença um do outro vos afecta enquanto fotografam? 

Vera: Cada vez mais estamos convencidos que sim. Mais no sentido em que o Luís gosta mais de planos abertos e eu de fechados. Eu gosto dos retratos, ele é dado a imagens de salas cheias. Eu apanho a fila da frente, ele os detalhes que estão mais longe de nós.

E também o material que usamos é diferente e a abordagem também.

Isto acaba por ser maravilhoso, se pensarmos que há uma maior variedade de imagens.

A presença de outros fotógrafos não me afecta em nada, nem à forma como os dois nos movimentamos.

Luís: Sim. Embora haja abordagens semelhantes, eu e a Vera procuramos coisas diferentes. Em escala, em distância e até no próprio tratamento das fotos. O que acaba por ser semelhante é a postura para com quem fotografamos, o público e até o espaço. 

Dito isto, a forma como a presença da Vera afecta as minhas fotografias acaba por ser quase funcional. Eu sei o que ela vai procurar e sei o que ela faz melhor do que eu. Nesses momentos sinto-me mais à vontade porque sei que o momento vai ser ricamente documentado entre os dois.

Esta colaboração entre fotógrafos, em Portugal, é algo rara. Acham que a vossa iniciativa pode vir a mudar isso?

Vera: Não sei se será assim tão raro. Mas a verdade é que estou longe de estar bem informada sobre o que se vai passando. Se me perguntasses sobre músicos a colaborar saberia responder de imediato.

Acho que temos uma abordagem muito parecida à fotografia e à maneira como vestimos a camisola de fotografo também é muito leve. Talvez por essa razão nos seja muito fácil ceder e juntar trabalho.

LuísEmbora o espaço seja o mesmo não sentimos que estamos em competição. Claro que estou atento ao que a Vera faz e que há concertos que lhe correm melhor e momentos que ela vê que eu não consegui chegar. Mas tenho a certeza que o contrário também acontece. Colaborações são raras, mas isso se calhar vem de uma atitude semelhante e de gostarmos o que cada um faz. Quanto a outras colaborações, não sei se este livro muda alguma coisa. Mas sei que prefiro estar nesta aventura do Convite com a Vera do que sozinho.

http://convitezdb.tumblr.com/

Para vocês, o que é que é mais importante que as vossas fotografias reflictam? 

Vera: A energia ou a paz dos momentos do concerto. Para mim continuará sempre a ser um álbum de fotografias, de recordações, mas que vai além da tua família e serve para guardar memórias a todas as pessoas que gostam de música.

LuísNão tenho grande pretensão de ser foto-jornalista. Interesso-me por narrativas mas não tenho vontade nem necessidade que sejam objectivas. As minhas fotos são só meu olhar sobre o momento. Subjectivo no enquadramento e no detalhe. E até no próprio arranjo das fotos. Se me identificarem um pouco nas fotos, fico contente.

Consideram a fotografia uma actividade solitária? Ou pelo contrário, abre-vos a porta para o resto do mundo? 

Vera: A mim abre-me ao mundo, conheço quase todas as semanas alguém novo por causa das fotografias. É o que mais me motiva.

LuísJá fui a muitos sítios e já conheci muitas pessoas pela fotografia. Quando estou a fotografar acabo por me fechar um pouco e focar no momento. Dito isto, a fotografia é uma óptima desculpa para sair de casa.

É gratificante ser-se fotógrafo em Portugal? Acham que se dá o devido valor a quem tanto tempo dedica a registar tantos momentos especiais?

Vera: Não penso sobre isso. Procuro dedicar-me a registar momentos especiais de pessoas que sei que vão valorizar o que estou a fazer. Assim nunca falha.

LuísNão me é muito importante que seja. Gostava muito de ter espaço em Portugal para desenvolver ideias que se calhar sinto que não conseguem existir. Mas sempre que pego na máquina, mesmo quando estou a fazer um favor, há um pouco de egoísmo no gesto. Fotografo porque quero fotografar. O resto, não ligo muito.

http://convitezdb.tumblr.com/

As vossas fotografias não contém marcas de água. Porquê essa escolha? Os créditos não são uma preocupação? 

Vera: Acho que é muito mais bonito chegarmos a um ponto em que nos reconhecem as imagens sem precisar de marcas. E na verdade quando as vejo a serem usadas fico muito satisfeita. Tenho também a sorte de quase toda a gente referir quando a fotografia é minha.

Luís: Sempre que utilizam fotos minhas os créditos são fundamentais. Mas a marca de água é uma distracção demasiado grande. Quando colocas texto numa imagem isso informa o olhar. Gosto da foto pela foto.

Alguma vez tiveram de lidar com roubo de direitos/apropriação indevida?

Vera: Nunca. No passado ainda me dava ao trabalho de pedir créditos ou de enviar um mail chato a um jornalista que os esquecia. Hoje em dia nem quero saber. Não vou ficar mais feliz por ter o nome ao lado da imagem. Na verdade a felicidade vem do momento em que a fiz. É completamente impossível, a meu ver, controlar este tipo de coisas quando expomos o nosso trabalho na internet. Se não quiséssemos ver as fotografias a circular, mais valia ficarmos quietinhos e as deixar longe de websites ou clouds.

LuísCoisas pequenas. Nada que um email não resolva. A maior parte das vezes não é preciso ir muito longe porque o senso comum de indicar quem é o autor da fotografia acaba existir.

Teremos mais projectos a dois no futuro? 

Vera: Não sei. Se ir a concertos juntos confere como projecto. Temos uma série deles.

Luís: É possível que no ano que vem haja algo com mais uma amiga nossa. Mas ainda é cedo para revelar.

A ZDB é uma tradição a manter? 

Vera: Para mim sim. Até que possivelmente um dia, muito naturalmente, lá deixarei de ir ou  me mudo de vez para lá.

LuísSim. Não consigo mesmo pensar na cidade de Lisboa sem este espaço.

Vera Marmelo: 

http://v-miopia.blogspot.com/

Luís Martins: 

http://www.faroutandbeyond.com/

Entrevista anterior a Vera Marmelo: http://www.branmorrighan.com/2014/04/entrevista-vera-marmelo-fotografa.html

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[DESTAQUE] 20 anos ZDB: Lançamento CONVITE de Luís Martins e Vera Marmelo https://branmorrighan.com/2014/10/destaque-20-anos-zdb-lancamento-convite.html https://branmorrighan.com/2014/10/destaque-20-anos-zdb-lancamento-convite.html#respond Thu, 16 Oct 2014 15:32:00 +0000

Nos 20 anos da ZDB, a Vera e o Luís decidiram oferecer à ZDB este belo presente – CONVITE – uma reunião de alguns dos mais bonitos momentos no aquário. No dia 23 de Outubro, a ZDB, a Vera, o Luís e alguns dos retratados celebram juntos o lançamento desta zine.

Alguns dos concertos/ artistas retratados: Metz, Linda Martini, Rodrigo Amarante, Kim Gordon, Lee Ranaldo, Dirty Beaches, Cass Maccombs, Thurston Moore, Lightning Bolt, Lula Pena, Vincent Moon, Sun Araw, Capicua, entre muitos outros.

A Vera e o Luís encontram-se disponíveis para falar sobre este livro bonito e teriam muito gosto em agendar uma conversa! Terias interesse? 🙂

O livro vai estar disponível na Letra Livre, na ZDB e através de email: convitezdb@gmail.com

As primeiras 20 pré-reservas a serem levantadas na festa vão ter um preço de lançamento de 10€ (após a festa, o livro terá o preço de 12€).

CONVITE

“Fotografamos muito na ZDB. De quando em quando, vai apenas um de nós, mas muitas são as situações em que estamos os dois, lado-a-lado. Quase de certeza que as nossas primeiras conversas foram na boca do palco, sentados a olhar para o público e a fazer apostas sobre a pouca luz que iluminaria o concerto dessa noite. O Luís fotografa também as peças n’O Negócio, a Vera aparece de tarde e rouba uns retratos aqui e ali.

Um livro a duas mãos pareceu-nos óbvio desde o início. Nunca com a intenção de fazer uma lista dos melhores concertos ou de garantir uma cronologia exacta. Seria, na verdade, impossível, porque não assistimos a todos. Escolhemos as que nos estão mais próximas, as que achamos mais bonitas, as tiradas nas noites que mais nos marcaram. Incluímos não só os concertos, mas também alguns retratos. A duas mãos, fizemos o dos Dead Combo, em Dezembro de 2013, quando apresentaram a retrospectiva dos seus 4 discos na casa onde anos antes ensaiavam.”

Luís Martins e Vera Marmelo

Outubro 2014

“Um concerto é sempre inigualável e uma noite é sempre irrepetível. Vivemos para a efemeridade, de tempo e espaço, em que músico e público se cruzam. Encontros únicos, os que estes sete anos de trabalho na ZDB me têm proporcionado. Este livro é um prolongamento desse encontro, não é apenas uma memória, é também a magia da imagem capaz de recriar o vigor de cada um destes momentos. O foco de luz e poeira que recorta um corpo, o gesto que se arrasta, o esgar de olhos fechados, a forma da dança, a configuração difusa de um vulto; tudo isso nos fala do volume exacto, da frequência do som, do movimento frenético. Essa é a alquimia do Luís e da Vera, transmutação da energia nocturna em imagem que perdura – e eles fazem-no tão bem – o disparo é discreto e certeiro. Só podia nascer desse olhar, a gostar do que faz e do que ouve.”

Sérgio Hydalgo

Outubro 2014


SITE

http://convitezdb.tumblr.com/oquee


CONVITE – 23 de Outubro de 2014 from convitezdb on Vimeo.

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