Entrevista com Diana Tavares, Autora Portuguesa

Boa tarde! Hoje trago até vós a entrevista com a autora de A Donzela Sagrada – Diana Tavares. Escritora dentro do género do fantástico, a Diana fala-nos um pouco sobre si e sobre todo o processo que foi editar um livro. Conheçam a Diana Tavares:

Sobre mim:

O meu nome é Diana Tavares, tenho 18 anos e sou a autora de “DONZELA SAGRADA – O Segredo de Thunderland”.

Quero ser escritora desde os 7 anos, escrevo livros para mim desde os 9 anos e escrevi DONZELA SAGRADA aos 16 anos, e agora que tenho 18, vejo pela primeira vez um livro meu na loja FNAC. Estou muito feliz. Mas é apenas o inicio de uma longa jornada. Agora, há que divulgar a minha obra, e dar-me a conhecer aos leitores.

Sempre fui viciada em histórias. As minhas três formas de passar o tempo são ler, escrever e ver histórias (filmes). Nunca me ocorreu outro caminho, senão o caminho na qual eu conto histórias ao público.

Estilo e Ritmo de Escrita:

Tudo começa com uma ideia. A história explode na minha mente e depois, simplesmente, tenho de escrevê-la. É como um filme que tenho dentro de mim. Escrevo a história desse filme, take a take. E desse take escrevo o que sei sobre ele – o que vejo, oiço, o que no caso de uma personagem, inclui os sentimentos e pensamentos. E quando escrevo, tenho uma voz na minha cabeça, que me narra o que se passa. Tudo o que faço é escrever o que ela diz.

Influências:

Para mim, tudo o que vejo, oiço e vivo pode ser uma influência para a minha escrita. Mas, curiosamente, raramente essa influência é outro livro. Normalmente, inspiro-me em música, uma letra ou o som de um instrumento, outras vezes são eventos reais, como eventos históricos, ou até mesmo eventos da minha própria vida. E por vezes, em sonhos e outros aspectos da psicologia humana. Raramente o trabalho de outro escritor me inspira. Se isso acontece, não tenho noção disso.

O que te levou a escrever na área do fantástico?

Bem, tenho várias razões para começar a minha carreira com o género fantástico. Primeiro, porque adoro o género desde sempre e foi uma fantasia que me senti inspirada a fazer. E depois… o género é perfeito para um escritor, pois podemos criar o nosso próprio mundo, numa escala que os outros géneros não permitem. Num drama “normal”, o autor tem de se preocupar em manter a história “real”, apesar de não o ser em termos de enredo. Tem de ter em conta aspectos como a Geografia ou as regras sociais. No Fantástico, não existe tanto esse limite, permitindo uma liberdade criativa sem igual. E também, porque o género permite, devido à ausência dessas barreiras, abordar questões morais, mais emocionais e universais, que apelam ao ser humano como ser humano – o Bem e o Mal, a Vida e a Morte – toda a espécie de dilemas que podemos criar pode ser abordado até ao mais profundo nível. O que nos outros géneros não é possível, pois nos outros géneros, os heróis normalmente “têm de pagar as contas ao fim do mês”. No Fantástico, essa barreira não existe, o que é simplesmente óptimo.

Quão difícil/fácil foi para ti editar?

Podia escrever outro livro apenas a contar essa experiência.

Terminei o meu livro em seis meses, especificamente em Julho. Sabendo que estávamos na época de férias, aproveitei até Setembro para rever e garantir que estava tudo bem feito. Depois, comecei a procurar informações acerca de editoras que publicavam o género. Fui à FNAC e memorizei todos os nomes que encontrei, procurei on-line … mas depois não sabia o que mandar e como mandar. Disseram-me para enviar apenas a sinopse a todas, pelo correio, e quase segui esse conselho, mas depois segui os meus instintos. Telefonei a todas as editoras cujos números encontrei, para obter informações em como elas queriam que o manuscrito fosse apresentado. E para meu espanto, todas preferem receber o manuscrito de maneiras diferentes. Não há nenhuma que queira duas apresentações iguais. Umas gostam de receber o livro inteiro, outras apenas dois capítulos, outras as primeiras trinta páginas e dois capítulos, outras apenas a sinopse… Umas gostam de receber por correio, outras por e-mail… mas, com o tempo acabei por enviar o material a todos os grupos. Esperei o tempo que nós autores temos de esperar, que são quatro meses… Em Fevereiro, comecei a aguardar as respostas. Primeiro, apenas uma chegou em Fevereiro, e ainda hoje “aguardo” por uma. E quando as respostas começaram a chegar…digamos que foram tempos em que eu ria-me de raiva. Recebi as respostas mais esfarrapadas que podiam mandar. A maioria dos grupos revelou uma falta de profissionalismo que me chocou. Houve editoras que me mandaram e-mails a dizer que não publicavam fantástico, quando eu sabia perfeitamente que publicavam (alguns deles eu tinha comprado e lido); outras disseram que não publicavam aquele tipo de fantástico, o que, de novo, eu sabia que não era verdade; outras que até hoje ainda não me responderam… e depois o caso de uma editora que, quando eu liguei de novo a perguntar se tinham sequer lido o livro, disseram que não me publicariam porque eu era portuguesa, e “os autores portugueses não vendem”. Demonstrou um comportamento tão pouco profissional que fiquei francamente chocada, ao ponto de jurar a mim mesma que não compraria nenhum livro deles a partir daquela data. Tenho de elogiar, contudo, o grupo Saída de Emergência que, apesar de ter dado uma resposta negativa, foi o que mais profissionalismo demonstrou, e foi aquele em que foram muito simpáticos comigo, simplesmente impecáveis. Foi o único grupo com que fiquei bem impressionada.

Quando soube que nenhuma das editoras comerciais me aceitaria, procurei editoras e empresas que se dedicavam a edições de autor. Neste processo, encontrei a EuEdito, uma pequena editora que se dedica a ajudar autores novos, pouco conhecidos, a iniciar as suas carreiras, quando as editoras comerciais não o permitem. Pesquisei o site deles, e fiquei encantada. Contactei a empresa e, passado algumas semanas, pediram-me para enviar o material. Fui rapidamente aceite. Fizemos o acordo, e nos meses que se seguiram tratámos da edição (capa, páginas, etc.). Por volta do mês de Maio, o livro estava à venda on-line.

Mas esta empresa não tem distribuidor, e eu sabia que, para ser vendida, tinha de o distribuir, e divulgá-lo, senão as pessoas não saberiam da sua existência…então, o meu pai conseguiu o contacto da FNAC de Almada. Aceitaram receber-nos, tivemos uma reunião, e consegui a autorização para vender lá vinte exemplares da minha obra. Agora, estou a contactar blogues e criei um anúncio e página no FACEBOOK, para que leitores de Fantástico possam tomar conhecimento do livro.

Se conseguir vender bem na FNAC de Almada até ao fim de Setembro, poderei começar a pensar em vender nas lojas de todo o país.

Tens tido feedback em relação à tua obra ou tem sido complicado encontrarem-na à venda?

Bem… agora que comecei a divulgar o livro na Internet, tem havido um crescimento no interesse do público, mas até agora, só vendi quinze livros. As pessoas também estão de férias, não estão cá…Mesmo assim, já vendi quinze livros dos vinte que foram entregues, e os leitores que são meus conhecidos estão a adorar. Tenho recebido óptimas, óptimas críticas, mesmo muito boas…melhores do que imaginei nas minhas melhores fantasias. Isso é bom, não é?

Mas até há bem pouco tempo era uma venda regional e isso complica um pouco as coisas. Além disso, é uma edição que não contém o apoio dos “Grandes Nomes”, e vivemos numa altura em que o público confia nas grandes marcas para ter…não digo garantia mas, digamos, uma segurança, de que o material seja bom. Eu não tenho isso, por isso, é para mim ainda mais complicado vender o livro. Por isso, só agora que divulgo qual é a história e o que os leitores podem encontrar, é que acredito que as vendas melhorem. Agora que divulgo a minha obra, já tem havido interesse à escala nacional e espero que, pelo menos, quando estiver à venda na parte do país em que os interessados vivam, o comprem.

Mas não vou desistir. É uma questão de acreditar no meu “bebé”, e fazer o que for preciso para que o livro chegue às mãos de todos.

Projectos futuros

Bem…tenho alguns projectos, numa gaveta, no fundo da minha mente. Estou neste momento a escrever uma pequena história, um drama, para apresentar num Concurso Literário Regional, que temos em Almada todos os anos. Tenho de acabar a série DONZELA SAGRADA, obviamente (ainda não sei se será uma duologia ou uma trilogia. Só quando escrever o segundo livro inteiro, é que terei a certeza.) e tenho mais algumas histórias. Sempre quis ser uma autora que escrevia em vários géneros, não apenas em Fantástico. Tenho um romance histórico, acerca da dinastia de Avis, cuja história me fascina há já algum tempo, gostaria imenso de fazer algo acerca destes nossos reis. Tenho uma história de fantasmas, para um público mais jovem… gostava também de fazer a minha biografia, quando fosse mais velha… e talvez outro drama acerca do Destino. Por enquanto, no meio da Literatura, são os meus projectos. Com o tempo virão mais.

A Sua Obra:

Donzela Sagrada

Diana Tavares

Editora: EuEdito

SINOPSE:

Hana Warren, uma rapariga do nosso mundo uma rapariga do nosso mundo, festeja o seu 14º aniversário com a sua família. Depois do aparecimento da Aurora Boreal no céu, Hana é transportada para outro mundo, um mundo onde a mitologia é a realidade.

Neste mundo. Hana descobre que é a Horae Justiceira, uma guerreira dos deuses, destinada a combater as criaturas das trevas e a proteger ambos os mundos.

Juntamente com Prue Geller, a Horae Discipula, Hana inicia uma viagem pelo misterioso reino de Thunderland, procurando uma forma de cumprir o seu destino e voltar para o seu mundo.

Mas Thunderland tem um segredo sombrio que pode destruir todos os mundos…e que mudará a vida de Hana para sempre.

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11 anos atrás

Gostei muito de ler a entrevista, e gostei particularmente de ler sobre a tentativa da Diana de editar e distribuir o livro… Agora fiquei curiosa em ler. Pelo que percebi, só está disponível na Fnac de Almada, certo?

Boa sorte para a Diana na divulgação do livro! =)

Adeselna Davies
Adeselna Davies
11 anos atrás

Só uma pergunta: a Diana pagou alguma quantia para publicar o livro?

NebachadnezzaR
NebachadnezzaR
11 anos atrás

Também estou a tentar conseguir que um livro meu seja publicado e é engraçado que me revi nas respostas que a Diana recebeu porque também eu já recebi bastantes iguais. Desde editoras que têm o descaramento de dizer que não editam livros fantásticos quando têm uma colecção inteira dedicada ao género, até outras que, quando lhes telefonava, era atendido por gente sem um mínimo de cultura.

As únicas respostas que, apesar de negativas, foram muito atenciosas, vieram precisamente da Saída de Emergência e também, já agora, da Vogais & Companhia e Fronteira do Caos, em que me trataram com cortesia e atenção. As restantes, por entre rudes e mentirosas, houve um pouco de tudo.

Rogério Ribeiro
Rogério Ribeiro
11 anos atrás

Fiquei curioso, fui dar uma vista de olhos ao livro… e comprei. Só lá ficou um! 😉
Gostei especialmente do tom com que foi escrito o início. Espero que se aguente bem à leitura.

Obrigado, Sofia, por mais esta dica.

Rogério

  • Sobre

    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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