Entrevista a Rui Serra, Escritor Português

Hello! Hoje é dia de mais uma entrevista, desta vez com o autor Rui Serra. Vamos lá conhecê-lo melhor…

Fala-nos um pouco sobre ti:

Sou Alentejano de alma e coração, um ser emocional, que vagueia pelo infinito do imaginário. Cresci a ouvir e a cantar à alentejana e gosto… Choro e rio com facilidade, adoro cães e sou viciado em café e chocolate… Sou espiritual e espirituoso… Amo intensamente e vivo ao sabor dos meus caprichos… Odeio hipocrisia e não suporto a arrogância… Protejo aqueles que amo e busco incessantemente o meu caminho… sinuoso, imprevisível mas muito, muito rico… Vivo numa “terriola” alentejana e partilho a vida com os meus pais e os meus dois amores: a minha adorada filha “Katydear” e a minha namorada!

Gosto do cheiro a terra molhada • Gosto de trovoadas e relâmpagos • Gosto de medronho à lareira em dias de frio • Gosto de me sentar no beiral da janela • Gosto de mimos • Gosto de maracujá • Gosto de preto e roxo • Gosto de comer na cama • Gosto de chás orientais • Gosto do sabor do mar, e do cheiro do cloro • Gosto de caracóis na mesa • Gosto de minis sagres • Gosto de Beirão depois do café • Gosto de chupachups de morango e pastilhas de melancia • Gosto de cachecóis • Gosto de colar fotos na parede à chapada • Gosto de postais publicitários • Gosto de ouvir musica em altos berros • Gosto de dançar, mesmo sem saber • Gosto de surpresas • Gosto de roer paus de canela • Gosto de fotografias antigas • Gosto de brincar com o fogo • Gosto de malabares e pirofagias • Gosto de jogar Jenga • Gosto de fazer caras sérias para fotografias • Gosto de gargalhar • Gosto de moldar • Gosto do cheiro do gasóleo • Gosto de viajar • Gosto de andar de transportes públicos e ver as reacções das pessoas • Gosto de andar de óculos de sol por cima dos óculos graduados • Gosto de pasteis de nata com canela • Gosto do Artes Plásticas • Gosto de luvas • Gosto de pêra cozida com vinho do porto • Gosto de roupa lisa • Gosto de tranças e rastas • Gosto de festivais • Gosto do cheiro dos livros novos • Gosto de não ter de arrumar o quarto • Gosto de headfones • Gosto de fotografias parvas • Gosto de me deitar no telhado • Gosto de praia ao final do dia • Gosto de cumprimentar pessoas que não conheço quando vou de carro • Gosto de jantares de aniversários • Gosto de tremoços e amendoins • Gosto do som de piano e do dedilhar na guitarra • Gosto da minha sobrinha • Gosto de fotografar os outros • Gosto de meias pretas e de andar de pés descalços • Gosto de humor britânico • Gosto de ser eclético • Gosto de conhecer • Gosto de dias abrasadores • Gosto de pastéis de Belém • Gosto de férias no Gerês • Gosto de andar de avião • Gosto da chuva a escorrer pela cara • Gosto de ler livros, muitos • Gosto de ver filmes “alternativos” • Gosto de cinema francês • Gosto de cozinhar • Gosto de caipiroskas • Gosto de acordar à uma da tarde (embora não saiba o que isso é há muito tempo), Gosto de calças de ganga • Gosto de séries de tv • Gosto de escrever nos meus sítios (blogs, cadernos, documentos de Word que, espero eu, me mudem a vida um dia destes) • Gosto do meu trabalho • Gosto da minha namorada • Gosto dos meus pais • Gosto da cultura hippie • Gosto de morar no Alentejo • Gosto de The Doors • Gosto de cantar (mal) enquanto conduzo • Gosto de ir à praia • Gosto de ler em esplanadas • Gosto de 7Up com groselha • Gosto de peixe grelhado • Gosto de falar ao telemóvel • Gosto de rir • Gosto de passear sem destino • Gosto de estudar religiões • Gosto da minha irmã • Gosto das minhas memórias de puto • Gosto de sentir saudades • Gosto de Barcelona • Gosto de nunca estar quieto • Gosto de ser forte • Gosto de saber ouvir • Gosto de ser capaz • Gosto de dar aulas • Gosto de dias de Inverno cheios de sol • Gosto de ler o Público • Gosto de cinema • Gosto muito, muito da minha família • Gosto de concertos acústicos • Gosto da intimidade • Gosto de descobrir • Gosto de saber que alguns de vocês me lêem quase todos os dias • Gosto de receber cartas • Gosto de comboios • Gosto das noites à lareira • Gosto de guardar tudo • Gosto de andar a pé • Gosto de noites longas • Gosto de palavras • Gosto de ser eu… Gosto de gostar…

Queria contar o que sinto, mas não sei como o descrever…só o sei sentir.

Qual o teu estilo e ritmo de escrita?:

Não posso dizer que tenha um ritmo de escrita. A escrita é uma coisa que flui e flui em lugares que por vezes nunca imaginava-mos que fosse acontecer. E com o tempo os métodos e as formas vão variando. A acompanhar-me anda sempre um moleskine qualquer e uma caneta, de aparo, (manias) e sempre que surge alguma ideia, ai está o caderno e a caneta em acção. Poucas vezes me sentei onde quer que fosse para escrever poesia. Já escrevi, notas e mesmo poemas, em guardanapos dos cafés, em toalhas de restaurante, e agora o telefone, que me acompanha para quase toda a parte, permite muitas vezes suprimir a escrita e quando as ideias surgem, gravo no momento. Não tenho mesmo um ritmo. Acontece em qualquer parte. Alguns dos poemas do último livro foram escritos num parque de campismo e até existem alguns escritos em piscinas. Não existe qualquer tipo de cadência. Simplesmente acontece.

Ora o estilo! Medieval??? Gótico??? Quem sou eu para estar aqui a catalogar-me. Acho que ando um pouco por ai, no entanto, o que mais escrevo são coisas com as quais mais me identifico.

Que escritores conhecidos são os que mais admiras, e que te influenciam?

Aldous Huxley, Allen Ginsberg, Anne Bishop, Edgar allan Poe, George R.R. Martin, Jack Kerouac, Jim Morrison, Lisa T. Bergren, William Blake, William S. Burroughs, estes são os autores que mais li e que mais influências exercem sobre aquilo que escrevo. É claro que existem muitos outros, e dos quais se retém sempre qualquer coisa, mas estes são “os escolhidos”, sendo que Jack Kerouac e Jim Morrison são por assim dizer a cereja no topo do bolo. Em relação a escritores portugueses, posso dizer que lei-o alguns mas somente o José Luís Peixoto tem direito a menção.

Para quem escreves?

No inicio escrevia para mim. Comecei a escrever com 15 anos e durante uns 20 escrevi e guardei tudo lá bem no fundo da gaveta. Hoje escrevo poesia porque gosto e porque sei que existe um mercado algures que, embora ande tímido, existe. A poesia parece estar desaparecida, mas eu acho, que apenas está adormecida num qualquer limbo e pronta para ser acordada. Em suma, escrevo para quem goste de ler poesia.

Onde vais buscar ideias para criar as tuas histórias?

As ideias estão nos mais variados sítios. Desde o mais simples dos beijos na minha namorada, ao abraço na minha filha, passando por aquela frase num livro ou aquela cena num filme. Abro o jornal e ai está qualquer coisa à qual me agarro. As ideias são tipo uma penugem que surge de algo e vai crescendo e a qual vou trabalhando. A penugem cresce e torna-se cabelo e só com trabalho é que consigo, a partir desse cabelo, fazer a cabeleira. O resto são tretas.

Fala-nos um pouco das tuas obras:

Digamos que não sou a melhor pessoa para falar dos meus livros. Dizem aqueles que sabem mais do que eu, os entendidos, que um livro é como um filho. E eu, como é óbvio, não vou dizer mal dos meus filhos.

Projectos Futuros:

O futuro para um qualquer escritor é editar os seus escritos. Existem para isso duas etapas: ler muito e escrever ainda mais. Sabe-se que o melhor professor da escrita é a leitura, por isso o futuro é ler, escrever e publicar.

Neste momento estou a escrever e a concorrer a alguns concursos de poesia a nível nacional e, levantando um pouco a ponta do véu, estou a escrever uma espécie de conto ou será romance? Não sei, apenas posso dizer que será a minha primeira incursão fora do mundo da poesia e como tal estou a ter bastante cuidado, dado que é todo um novo mundo para mim.

Dia 25 de Fevereiro do corrente irá sair um poema meu, “O Beijo”, na Antologia de Poesia Contemporânea “Entre o Sono e o Sonho – Vol. III” da Chiado Editora, que partilho aqui convosco.

O Beijo

Apetece-me

Apeteces-me

Tu sabes que sim

Tu sabes quanto

Sabes a fome que tenho?

Sabes como posso saciá-la?

Peço-te

Imploro-te

Deixa-me comer

Tenho fome

Fome de ti

Fome de mim

Fome insaciável

Fome proibida

Fome que se agarra ao céu da boca, qual hóstia pecadora das beatas

Fome que me dilacera o estômago

Fome que me contrai a vontade e o desejo

Fome que nunca farta

Fome que me mal trata

Fome que só o teu beijo mata

Pergunta da praxe – o que achas do blog Morrighan?

É um dos blogs que mais visito, pois encontrei aqui muita informação, quer sobre os livros, quer sobre os escritores, visto publicares aqui estas entrevistas que são deveras interessantes. Há ainda os passatempos que permitem uma grande interacção entre as partes envolvidas, ou seja, escritores e editoras, permitindo ainda a, caso se seja um vencedor, poupar umas coroas naquele livro que se queria e não havia “oportunidade” no momento.

Keep on the good work

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Unknown
Unknown
8 anos atrás

Obrigado pelo carinho com que nos tratas Sofia

Ana C. Nunes
Ana C. Nunes
8 anos atrás

Mais uma entrevista muito interessante. O autor é divertido e apesar de raramente ler poesia, fiquei curiosa.

  • Sobre

    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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