Opinião: ‘Os Pilares do Mundo’ (Pilares do Mundo #1) de Anne Bishop

Os Pilares do Mundo (Pilares do Mundo #1)

Anne Bishop

Editora: Saída de Emergência

Colecção: Bang!

Sinopse: AS ÁRVORES AVISAM-NOS QUE ESTÃO EM PERIGO… Ari, a última descendente de uma longa linhagem de bruxas, pressente que o mundo está a mudar… e está a mudar para pior. Há várias gerações que ela e outras como ela zelam pelos Lugares Antigos, assegurando-se de que o território se mantém seguro e os solos férteis. No entanto, com a chegada da primeira Lua Cheia do Verão, as relações com os seus vizinhos azedam-se. Ari já não está segura. Há muito que o povo Fae ignora o que se passa no mundo dos mortais. Só o visitam, através das suas estradas misteriosas, quando desejam recrear-se. Agora esses caminhos desaparecem a pouco e pouco, deixando os clãs Fae isolados e desamparados. Onde sempre reinara a harmonia entre o universo espiritual e a natureza, soam agora avisos dissonantes nos ouvidos dos Fae e dos mortais. Quando se espalham nas povoações boatos sobre o começo de uma caça às bruxas, há quem se interrogue se os diversos presságios não serão notas diferentes de uma mesma cantiga. A única informação que têm para os nortear é uma alusão passageira aos chamados Pilares do Mundo…

Opinião: Os Pilares do Mundo são a minha obra de estreia com a escritora Anne Bishop. Sinceramente penso que um melhor começo teria sido difícil. Dado o meu gosto por tudo o que esteja de alguma forma relacionado com a Natureza e com as forças que a regem, Bishop mostrou-se uma grande senhora capaz de me surpreender e de me deixar completamente viciada na leitura.

Ari é uma personagem fantástica. Uma menina, já mulher, de uma personalidade muito forte, dona de si mesma e com crenças inabaláveis. O seu respeito pela Natureza é algo de admirável e a forma como contribui e retribui para que tudo o que a rodeia se mantenha em hamornia não deixa ninguém indiferente. As suas opções são sempre muito terra a terra, sempre muito conscientes do que é melhor para ela independentemente de por vezes a tentação ser outra.

Neall foi outra personagem que me tocou bastante pela sua maneira de ser, pela sua convicção e principalmente pelo amor condicional que transporta dentro de si apesar de ter sido renegado toda a sua vida por quem o rodeia nas terras do Barão. Nunca desiste de mostrar o seu apreço e carinho por Ari e é com grande satisfação que vamos vendo o desenrolar dos acontecimentos, apesar de a dúvida estar sempre à espreita.

Obviamente que um livro destes não podia ter só personagens que adoramos. E não será surpresa nenhuma eu eleger Adolfo como a personagem que mais me mexeu com os nervos durante todo o livro. Revolveu-me o estômago, fez-me ferver o sangue e todo o ódio que ele consegue transmitir em relação às bruxas eu consegui sentir dez vezes mais por ele. Este personagem é o espelho do que é que o ódio é capaz de fazer ao ser humano, cegando-o e levando-o a ser do mais atroz possível tornando-o irracional e asqueroso.

Para concluir a minha opinião em relação às personagens, deixo o maior destaque para Morag – a Ceifeira. O percurso desta personagem é tudo menos fácil. Com a terrível tarefa de recolher as almas dos humanos, é com grande impotência que vai assistindo à destruição das bruxas, sentindo o seu sofrimento e entrando num estado de agonia intensa. E é aqui que ela dá provas de que nem todos os Fae são iguais. Ela não vai descansar enquanto não fizer algo para mudar a desgraça que se aproxima. A Morte já não lhe sussurra apenas, grita-lhe aos ouvidos.

Gostei da forma como os Fae foram caracterizados. Sendo um povo com poderes consideráveis, decidiram que os humanos não eram dignos da sua presença e partindo para Tir Alainn que é uma espécie de universo paralelo ao dos humanos. Com o tempo, tornaram-se egoístas e arrogantes, visitando apenas os humanos para sua própria diversão. Mas quando os caminhos brilhantes, que fazem a ponte entre os mundos, começam a desaparecer e surgem relatos de Clãs que pura e simplesmente parecem ter-se evaporado, estes finalmente consideram ver os humanos de outra forma. Pena que terão de pagar pela sua mania da superioridade.

Um livro muito bom, que prende do início ao fim com as intrincadas teias que a autora vai tecendo. Uma escrita magistral que mostra um grande conhecimento e domínio dos seres mitológicos, para além de ter sempre um toque apaixonado apesar de toda a maldade inerente à trama principal. Adorei e espero ansiosamente pelo próximo volume.

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    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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