O Motivo por que os Editores Odeiam os Autores

Enquanto navegava na web, deparei-me com estepost publicado no blog Booktailorse achei bastante interessante.

Basicamente o artigo em si consiste numa lista de defeitos que os autores têm e que os fazem ser odiados pelos editores. No entanto, talvez a culpa também esteja do lado dos editores, que, com frequência, transformam a escrita numa mercadoria. Tudo explicado num artigo para ler aqui.

Acho que vale a pena ler, foca bastantes pontos que são de uma familiaridade assustadora (pelo menos em relação a alguns casos do meu conhecimento) e faz-nos ter um pouco noção do mundo cão que pode ser o mundo editorial. Digam de vossa justiça.

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Carla M. Soares
Carla M. Soares
8 anos atrás

Fui ler.A mim parece-me que situação nacional é, por princípio, muito mais parecida com o que está descrito no fim do artigo, do que com o que surge no início. Não sei o que se passa com autores conceituados, mas para os iniciantes, não há prazos para entrega de novos livros, nem pagamentos em avanço. Pode até nem haver novos livros, já que um novo livro vai depender das vendas do anterior. Quanto a pagamentos, dependem igualmente das vendas, por isso… ainda não sei. Custa-me a acreditar que não exista um marketing – por pouco que seja – quando houve um investimento – por pequeno que seja, e que as editoras não tenham interesse em promover minimamente um autor com o qual fizeram um contrato, para que venda e lhes traga lucro.

Selenyum
Selenyum
8 anos atrás

Acho que as principais editoras nacionais ignoram os autores portugueses tanto quando quanto podem. Não respondem quando lhe enviamos as sinopses e por vezes terminam séries de sucesso por questões de logística. E depois há o factor C… Não é de admirar que alguns autores também não gostem muito das editoras. É uma relação que por vezes tende para o ódio mutuo.

Anónimo
Anónimo
8 anos atrás

Cheira-me que algum editor pisou os calos àquele senhor.

Eu sou pouco mais do que um novato no mundo editorial, e mesmo considerando que o modelo em discussão não é o utilizado em Portugal (as editoras portuguesas pagam direitos por volume e só muito raramente dão pagamentos em avanço, if at all), o que sei e o que li de outras fontes chega-me para concluir que a opinião do senhor Levin é uma asneira pegada, uma ilogicidade. Os autores são o ganha-pão dos editores, como é possível conceber que uns odeiem os outros?

Aye, o mundo editorial pode ser, e é, tramado, e oleia as suas engrenagens com o sangue de muito autor azarado/inexperiente/medíocre. Vá, exagero; mas o que é certo é que a edição é também um negócio. Granted, deveria ser mais arte que negociata, mas infelizmente hoje em dia os livros são produtos como quaisquer outros.

Ele levanta um ponto válido, no entanto, nomeadamente: se um livro falha, é muito raro apontar-se a culpa à editora. Tem-se por pressuposto que uma editora, se escolhe publicar determinada obra, está a dar-lhe um selo de qualidade e uma prova de confiança. Se o livro falhar, o público (geralmente o maior responsável pelo falhanço da obra) tende a interpretar isso como uma quebra da confiança que a editora investiu e vitimizar assim o autor, liquidando-lhe as aspirações. Isto sim, é injusto, principalmente em Portugal, onde temos editoras que cospem livros cá para fora com um par de press releases e um lançamento minúsculo e obscuro (e às vezes nem isso. I'm looking at you, Presença.)

Portanto: quase tudo tretas, menos este último ponto. Aliás, depois deste post dele, duvido que qualquer editor decente tenha vontade de trabalhar com ele. I know of one or two that definitey won't.

Adoa
Adoa
8 anos atrás

Subscrevo o texto e adicionaria ao "Zero advance combined with zero marketing to produce… that's right. Zero sales.

And then who caught the blame for the book's failure? Not the publisher. The author."
O factor distribuição.

As editoras estão a assinar o seu próprio fim. A qualidade da literatura está a diminuir e somos nós quem o vai pagar – autores e leitores.

Carlos Silva
Carlos Silva
8 anos atrás

As editoras são negócios. Os editores podem ter como motivação o amor à arte, mas a empresa é uma empresa.

Eu sou a favor de as editoras arriscarem novos conceitos e livros. Porém, se fosse um editor, tinha muito medo em fazê-lo, porque o mainstream exige mais do mesmo. As pessoas são movimentadas por modas e sentimentos de pertença a um grupo. Não é por acaso que a Guerra dos Tronos e o Twilight é o que mais vende e quanto mais venderem, mais vendem ainda. (que frase estranha)

Assiste-se muito a isso em todas as editoras. Preferem ir lá fora, comprar os livros e pagar a tradução do que investir nos escritores cá. Porquê? Porque os livros que compraram lá fora já venderam muitas cópias e espera-se que o fenómeno seja igual.

O que é que se perde com esta estratégia?

1 – Mão-de-obra barata. Os livros escritos por portugueses não precisam de ser traduzidos nem comprados.

2 – Menores custos de divulgação, uma vez que o autor pode ser chamado para apresentações, sessões de autógrafos, palestras, etc…

3 – A possibilidade de fazer bestsellers portugueses que se possam vender lá fora. O José Rodrigo dos Santos esteve no top FNAC em França.

4 – Satisfação em acompanhar o jovem autor até ao seu sucesso e pena (mas também lições importantes) sobre os que não o tiveram.

Porém, o modelo actual tem uma grande vantagem acima de todas estas:

– É mais seguro.

Estamos numa altura em que o mercado livreiro está asfixiado e não pode dar-se ao luxo de apostar muito.

O que é que eu acho que deveria ser feito (sem nenhum conhecimento de causa):

Apostar em formar leitores. Sim, formar leitores! Investir dinheiro em incentivar a leitura. Conheço imensa gente formada que não lê. Se me perguntarem como é que se incentiva a leitura, eu não sei, não tenho uma editora.
Isto até deveria ser um esforço feito por uma plataforma de todas as editoras e o ministério da cultura.

Apostar em multi-media. Já se viu que livros ligados a filmes e filmes ligados a livros e livros ligado a música resultam. Porque trazem público de uns para os outros. Apostemos nisso.

Mais ideias?

Anónimo
Anónimo
8 anos atrás

Carlos, ligar livros a música ainda vá, mas a filmes? A não ser que proponhas que as editoras se tornem também estúdios de realização cinematográfica, só se poderiam ligar livros a filmes depois destes segundos serem produzidos, não antes. Ou isso, ou já tens filmes ligados a livros e vice-versa, por uns serem adaptações de outros. De qualquer dos modos isso não depende minimamente de uma editora, pelo que é a bit of a daft idea. A música é mais exequível, porque não custa assim tanto quanto se pensa encomendar uma faixa a uma banda/orquestra.

Joel-G-Gomes
Joel-G-Gomes
8 anos atrás

Apesar de ter um livro publicado, admito que sei pouco dos meandros do mundo editorial português. Não sei que comparações é possível estabelecer entre a nossa realidade e a que é apresentada no artigo. Do pouco que sei, ou deduzo, a culpa é repartida.

Por um lado, há editores que são embirrantes e instáveis, mudam de opinião como quem muda de meias uma vez por mês; por outro, há autores que não aceitam nenhuma proposta de alteração que o editor lhes apresente – quase que admito a possibilidade de alguns autores de vanities poderem ter qualidade para publicar numa editora a sério, escolhendo não o fazerem para que não mexam na sua obra-prima.

O artigo faz um retrato, mas não apresenta uma solução. Eu sou da opinião que o autor deve dar o melhor de si mesmo e defender o seu trabalho com unhas e dentes, mas fazê-lo de forma segura e argumentativa. Não aceitar alterações do editor porque 'como eu escrevi é que é bom' é uma atitude estúpida. No entanto, o editor também não deve sustentar as suas propostas de alteração no argumento 'eu é que sei'. Há que haver diálogo. Já passei por situações parecidas e ninguém sai a ganhar.

Terei mais para dizer quando o ambiente à minha volta estiver mais calmo. (Agora está um pandemónio.)

  • Sobre

    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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