Opinião: ‘O Corvo e Outros Poemas’ + ‘A Filosofia da Composição’ de Edgar Allen Poe com Tradução de Fernando Pessoa

O Corvo e Outros Poemas

Edgar Allen Poe

Editora: Calçada das Letras

Livro: Edição bilíngue, inglês-português, de um clássico da literatura. A tradução dos poemas para português é de Fernando Pessoa, ritmicamente conforme o original.

Opinião: O Corvo e Outros Poemas pela edição Calçada das Letras de Edgar Allan Poe, apresenta-nos os poemas ‘O Corvo’, ‘Annabel Lee’ e ‘Ulalume’. Após a leitura destes magníficos poemas, somos ainda presenteados com o texto ‘A Filosofia da Composição’ por parte Poe em que este explica a construção do poema ‘O Corvo’.

Cada poema vem tanto em inglês como em português, sendo esta última versão traduzida por Fernando Pessoa. Tenho de confessar que prefiro muito mais os poemas em inglês do que em português. Em parte, talvez porque embora tenha completa admiração por Pessoa, enquanto poeta português, não gosto da sua tradução ao poema O Corvo. Já a versão traduzida por Machado de Assis, que não vem nesta edição, mas que podem encontrar aqui, parece-me mais adequada.

Quando ao texto ‘A Filosofia da Composição’, penso que poderia ficar horas a dissertar sobre o mesmo. Assertivo e pragmático, Poe começa por explicar a intenção por trás da elaboração do poema ‘O Corvo’. Saliento aqui algumas das suas afirmações:

(…)Tendo, portanto, escolhido um assunto de romance e a seguir um vigoroso efeito para produzir, procuro se será melhor salientá-lo pelos incidentes se pelo tom, ou por incidentes vulgares e um tom especial, ou por incidentes singulares e um tom ordinário, ou por uma singularidade igual de tom e de incidentes; e, depois, procuro em meu redor, ou antes, em mim próprio, as combinações de eventos ou de tons que possam ser os mais adequados para criar o efeito em questão.”

Penso que este texto é fértil em pontos sensíveis quando se decide escrever uma obra. Mais, o autor consegue transmitir igualmente o efeito que um poema deve ter no leitor, ora vejamos:

(…)E desde já digo: Não. Aquilo  que chamamos um poema comprido não passa, na realidade, duma sucessão de poemas curtos, isto é, de efeitos poéticos breves. Inútil se torna dizer que um poema só é um poema enquanto eleva a alma e lhe proporciona uma excitação intensa; e, por uma necessidade psíquica, todas as excitações intensas são de curta duração.”

Ler estes poemas e este artigo de Poe deu-me uma vontade imensa de fazer outras quantas publicações sobre pontos específicos que o autor aponta no seu texto. Talvez o venha a fazer. Leiam, vale a pena.

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    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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