Opinião: Marginal de Cristina Carvalho

Marginal

Cristina Carvalho

Editora: Editorial Planeta

Sinopse: Uma mulher e um achado assombroso que revela instantâneos de uma juventude enterrada na rotina dos dias.

Um passado vivido ao longo dessa emblemática estrada que liga a dourada sociedade da Linha de Cascais à cidade de Lisboa. Onde começa a margem e termina o «dever ser» para uma jovem portuguesa, nas décadas de 50 a 70 do século passado? Pode uma dúzia de imagens de um passado rebelde abalar a calma de um presente sem cor?

Opinião: Marginal é a minha obra de estreia na escrita de Cristina Carvalho. Confesso que peguei neste livro por impulso. Já tinha outra obra iniciada, mas por vezes dá-me destas coisas e pura e simplesmente não consigo resistir. A verdade é que a leitura rapidamente me prendeu e mesmo com o meu tempo todo contado ao minuto, em dois dias, entre viagens de comboio e de metro, ficou concluída.

A narrativa começa com a descoberta de uns negativos de fotografias por uma rapariga junto a uns caixotes do lixo perto da sua residência. Esta fica curiosa em relação ao seu conteúdo e decide revelá-las. Quando as leva para casa e a sua mãe as vê, fica completamente pálida e quando pega nelas e começa a percorrê-las começa a verdadeira narrativa.

As viagens no tempo através das memórias desta mulher, transportam-nos para realidades não tão distantes e fazem-nos mergulhar em emoções que na sua maioria são sempre reprimidas. Quantas vezes quando vemos algo ou uma fotografia que nos traz imagens do passado, não nos sentimentos com um aperto no peito ou de estômago contraído? Até que ponto o nosso passado nos pode perseguir e perturbar?

A escrita da autora nota-se que é de alguém de nacionalidade portuguesa. Sou da opinião que os portugueses têm um talento especial para falarem de emoções e de sentimentos como ninguém. Apesar de não ser uma história linear, pois tem saltos temporais e de narrativa, lê-se bastante bem. Gostava, no entanto, que tivesse havido mais desenvolvimento na história para concluirmos como é que a personagem chegou ao estado actual no presente. Uma boa leitura para os finais de tarde cheia de devaneios.

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    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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