Opinião: Os Abutres do Vaticano de Eric Frattini

Os Abutres do Vaticano

Eric Frattini

Editora: Bertrand

Sinopse: A 19 de abril de 2005, o cardeal Ratzinger foi eleito Papa. Mal sabia ele que, como os seus antecessores, iria encontrar um osso duro de roer: o IOR (Instituto para as Obras Religiosas) ou o Banco do Vaticano. Os Abutres do Vaticano revela uma história de mordomos traidores, filtragem de documentos e fugas de informação, comissões secretas de investigação, serviços de espionagem e contraespionagem do Vaticano, prelados que denunciam a corrupção e são imediatamente afastadas de São Pedro, lavagem de dinheiro, altos membros da máfia siciliana, um plano para assassinar o Papa, uma adolescente desaparecida e supostamente usada como escrava sexual, um guerra entre jornalistas e diretores da imprensa católica, um presidente do IOR com medo de ser morto. No Estado do Vaticano, a realidade é sempre mais estranha que a ficção.

Opinião: ‘Los Cuervos del Vaticano‘, traduzido para Os Abutres do Vaticano, apesar de só agora chegar a Portugal, foi editado em Espanha por volta de Outubro de 2012. Jornalista de profissão, Eric Frattini em meados de Junho de 2012 recebeu um documento do Vaticano que consistia numa carta de Carlo Maria Viganò a Tarciso Bertone, secretário de estado do Vaticano. Quando se preparava para escrever um artigo no jornal sobre o mesmo, começou a receber mais e mais documentos, fazendo um total de 47 de 60 que haviam sido desviados do Vaticano. Com todo este material, o jornalista decidiu escrever um ensaio em que mais do que a ausência da sua opinião pessoal este é marcado pela presença dos vários documentos e não apenas por referências aos mesmos.

Estas informações obtive eu na sua apresentação ontem na Bertrand Chiado. Foi uma sessão muito interessante em que muito do que está no livro foi abertamente debatido.

Ao ler este ensaio tomamos consciência de uma realidade que nem sempre parece clara – o Vaticano, mais do que um centro religioso é um centro político que vive em constante guerra interna. Bento XVI numa declaração em relação a João Paulo II disse que este não percebia nada de Teologia… Pois bem, Bento XVI pelos vistos não se deu nada bem na parte política. Todos os esforços que fez para reformar certas partes da igreja foram suprimidos ou abafados por outros altos cargos do Vaticano e com um rigor extremamente analítico, Eric Frattini em Outubro de 2012 já previa a resignação de Bento XVI.

O IOR, Instituto para as Obras Religiosas, mais conhecido com o Banco do Vaticano, tem estado no centro de várias polémicas ao longo dos últimos anos. Desde como um banco que serve para lavar dinheiro, como a causa de  vários outros incidentes, má fama não lhe falta. Hillary Clinton chegou mesmo a exigir uma audiência com o Papa Bento XVI para lhe informar que o IOR iria passar a constar na lista negra dos bancos caso este não cumprisse as normas do Moneyval. Claro que o Papa bem tentou organizar uma comissão para que esta situação fosse esclarecida, mas quem disse que as grandes cabeças do IOR e do Estado do Vaticano deixaram?

Lembram-se de Emanuela Orlandi que vivia no Vaticano e que desapareceu misteriosamente? Emanuela era supostamente a prisioneira de um grupo terrorista exigindo a libertação de Mehmet Ali Agca, o homem turco que tentou matar o Papa na Praça de São Pedro em 13 de maio de 1981. Mais tarde veio-se a afirmar que esta tinha sido raptada para órgias sexuais no Vaticano e depois assassinada. A verdade é que até hoje ninguém sabe do que verdadeiramente aconteceu, nem sequer se ainda se encontra com vida ou não.

Tópicos como o Banco Ambrosiano, quem foi Marcinktus, a influência do Secretário de Estado Tarciso Bertone, entre outros, são abordados neste livro de excelência com um rigor factual e que não deixa margem para dúvidas. Para quem quer saber mais sobre o Vaticano e como este estado realmente funciona nas suas intrigas e mistérios, encontrará em Os Abutres do Vaticano uma autêntica obra de referência. Está sem dúvida muito bom. Aconselho vivamente.

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    Olá a todos, sejam muito bem-vindos! O meu nome é Sofia Teixeira e sou a autora do BranMorrighan, o meu blogue pessoal criado a 13 de Dezembro de 2008.

    O nome tem origens no fantástico e na mitologia celta. Bran, o abençoado, e Morrighan, a deusa da guerra, têm sido os símbolos desta aventura com mais de uma década, ambos representados por um corvo.

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